A CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO EMPRESARIAL
Thiago Filgueira de Sousa Cruz1 Maria Clarice de A. Esteves2 Lauriani Porto Albertini3 José Maria Zuchelli Batista4
RESUMO
Esse artigo foi desenvolvido para entender a necessidade do contador não somente como um profissional que faz lançamentos e registra livros, mas sim como um profissional capaz de dar suporte aos gestores, com informações de grande importância pra decisões presentes e futuras de organizações. Em um segundo momento do artigo fica claro que com a conscientização tantos dos empresários quanto dos profissionais de contabilidade tem sido fundamental para que organizações comecem de forma correta e ainda que organizações que iniciaram de forma errada e ou desordenadas começassem a ter saldos positivos e melhor gestão. Por fim apresenta-se de forma teórica o funcionamento da contabilidade como ferramenta de gestão empresarial e a sua importância em tomadas de decisões.
Palavras-chave: Gestão, Contabilidade, Decisões.
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Auxiliar Administrativo, Bacharelando em Ciências Contábeis pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo). E-mail: [email protected]
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Professora do curso de ciências contábeis da UNIVERSO.
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Professora do curso de ciências contábeis da UNIVERSO.
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1. INTRODUÇÃO
Os profissionais de contabilidade possuem as ferramentas para auxiliar os empresários na gestão das empresas.
Vivencia-se uma mudança cultural devido a novas tecnologias e estes recursos vem sendo utilizados pelas entidades federativas, o que exige dos contadores e empresários conscientização da necessidade de investimento tecnológico.
Sabe-se que muitas empresas não elaboram a contabilidade, onde há uma preocupação com esse cenário, pois uma empresa sem contabilidade é uma empresa sem “memória”. A empresa não tem informações para a chamada tomada de decisão. Com a competividade do mercado, as empresas que não tem como levantar seus custos, saber qual a sua margem de lucratividade, saber os impostos sobre mercadorias e ou serviços, não tem como chegar, sem essas informações, a um preço para ser competitivo no mercado.
A contabilidade como instrumento de gestão empresarial vai auxiliar em todo esse processo para o empresário tomar decisões
Segundo Marion, (2009, p.25):
A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a tomar decisões. Na verdade, ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrando-mensurando-os e sumarizando-mensurando-os em forma de relatórios ou de comunicados, que contribuem sobremaneira para a tomada de decisões.
O entendimento dos profissionais da contabilidade e dos empresários, a grande competividade do mercado, e outros fatores, tem feito com que a contabilidade tome um papel de grande importância dentro das organizações, pois é ela que consegue reunir todas as informações necessárias para auxiliar os gestores nas tomadas de decisão empresarial.
Neste artigo será demonstrada a importância da Contabilidade na gestão das empresas, um instrumento que permite ao gestor tomar as decisões baseadas em informações mais detalhadas sobre a situação da empresa em determinado período. Um fator que facilita a contabilidade como instrumento de gestão empresarial é que a Contabilidade já esta viabilizada no interior da empresa, e de acordo com a legislação.
2. A CONTABILIDADE
Conforme a RESOLUÇÃO CFC (Conselho Federal de Contabilidade) Nº 785 de 28 de julho de 1995:
A Contabilidade, na sua condição de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio, busca, por meio da apreensão, da quantificação, da classificação, do registro, da eventual sumarização, da demonstração, da análise e relato das mutações sofridas pelo patrimônio da Entidade particularizada, a geração de informações quantitativas e qualitativas sobre ela, expressas tanto em termos físicos quanto monetários.
Nessa definição pode-se ver o objeto da contabilidade, que é o patrimônio, que corresponde ao conjunto de bens, direitos e obrigações referentes a pessoas jurídicas com fins lucrativos, empresas informais, entidades sem fins lucrativos, empresas publicas, pessoas físicas e etc.
Ou seja, o objeto da contabilidade é o patrimônio da entidade e o seu campo de aplicação são as entidades econômico-administrativas assim chamadas àquelas que, para atingir seu objetivo, seja econômico ou social, utilizam bens patrimoniais e necessitam de um órgão administrativo que pratica atos de natureza econômica necessárias aos seus fins.
Os relatórios contábeis emitidos e que são tratados como obrigatórios pela Legislação societária pela Contabilidade são:
1. Balanço Patrimonial;
3. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido; 4. Demonstração do Fluxo de Caixa;
5. Demonstração do Valor Adicionado.
Entre os vários ramos da contabilidade, destacam-se os seguintes: ·Contabilidade Administrativa Voltada às entidades de Direito Público
Contabilidade Agrícola
Voltada à área ou espécie agrícola, ou seja, está voltada para os fenômenos ocorridos com os que
se dedicam ao cultivo da terra.
Contabilidade Bancária
Voltada à área ou espécie bancária, compreendendo um conjunto de conhecimentos que registra, controla, apura e analisa os fatos de
gestão das atividades de crédito.
Contabilidade de Custos
Coordenada e integrada à Contabilidade Geral. O custo dos serviços e produtos, foco da Contabilidade de Custos deve ser integrado a Contabilidade Geral por meio de livros auxiliares, mapas, sistema de rateio de custos, apontamento de hora e conjunto de insumos e matéria Prima.
Contabilidade de Serviços
Tem por objetivo registrar, controlar, apurar e analisar o patrimônio dos prestadores de serviços,
e por função, a informação dos fatos e atos de gestão destas atividades.
Contabilidade Tributária
Aquela elaborada para atender o fisco, com seus dogmas e normas tributárias. É aquela exercida
com o objetivo de registrar os elementos de interesse da fiscalização tributária.
Contabilidade Gerencial
Objetivo fornecer instrumentos aos administradores de empresas que os auxiliem em suas funções gerenciais. É voltada para a melhor utilização dos recursos econômicos da empresa, através de um adequado controle dos insumos efetuado por um
sistema de informação gerencial.
3. A CONTABILIDADE E OS EMPRESÁRIOS
Muitos empresários não se preocupam com a área da empresa que é vital para a vida sadia dela; o econômico financeiro, para esses, a contabilidade só é necessária para atender as exigências fiscais. Dentre esses empresários, os donos de EPP (Empresa de pequeno porte), que o Imposto de Renda é dispensado de fazer Contabilidade, são os que estão menos interessados em fazer, conhecer e analisar relatórios contábeis.
Diante dessa situação e enfrentando uma série de dificuldades na gestão de sua empresa, os proprietários se perguntam como manter o equilíbrio em sua empresa, como fazer com que a empresa dê lucro, ou ainda, se ela está realmente dando lucro, e por fim que ela cresça saudável.
A economia hoje passando por uma estabilidade financeira, e a margem de lucro sendo reduzidas sensivelmente, as empresas almejam por uma boa administração. Apesar da resistência de muitos, mas ainda de forma muito lenta, os empresários acabaram percebendo que, sem controle, não há como manter uma empresa com saúde e que para as tomadas de decisões são necessários os relatórios fornecidos pela contabilidade.
Sem a contabilidade, não há como mensurar dados, sem esses não tem como fazer os relatórios e sem os relatórios fica quase impossível, ou se não, impossível à interpretação de como está à situação da empresa e assim impossibilitando uma tomada de decisão coerente e sustentada.
4. A CONTABILIDADE COMO FERRAMENTA DE NEGÓCIO
Segundo Marion, (1998, p.128)
A contabilidade é a linguagem universal dos negócios e seu objetivo principal “é o de permitir a cada grupo principal de usuários a avaliação da situação econômica e financeira da entidade, em sentido estático, analisar os fatos ocorridos, bem como fazer inferências sobre suas tendências futuras”.
Ainda conforme o autor, a contabilidade é subdivida em Contabilidade Financeira, de Custos e Gerencial.
A contabilidade financeira é necessária em todas as organizações, sendo a responsável por fornecer as informações básicas aos usuários e é obrigatória para fins fiscais.
A contabilidade de custos está voltada para a interpretação e o calculo dos custos dos produtos fabricados ou comercializados, ou dos serviços prestados.
A contabilidade Gerencial é voltada para fins internos, não é gerida por leis ou normas. Essa contabilidade é responsável por passar um numero maior de informações aos gerentes, exclusivamente para tomada de decisões.
Se contabilidade gerencial fosse entendida como uma ferramenta de gestão, muitas empresas que tem enfrentando dificuldades econômicas, de gestão e controle, teriam seus problemas consideravelmente diminuídos. Quando o empresário percebe que a contabilidade gerencial é uma aliada e assim empregando-a corretamente, torna-se possível planejar, programar ações, manter ou alterar a posição da empresa no mercado, alterar seus rumos, fazer ajustes, enfim, administrar da melhor forma para o êxito seja o resultado alcançado.
Segundo Marion, (1998, p.27):
Observamos certa frequência que várias empresas, principalmente as pequenas, têm falido ou enfrentam sérios problemas de sobrevivência. Ouvimos empresários que criticam a carga tributária, os encargos sociais, a falta de recursos, os juros altos etc., fatores esses que, sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa. Entretanto, descendo a fundo nas nossas investigações, constatamos que, muitas vezes, a “célula cancerosa” não repousa naquelas críticas, mas na má gerência nas decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis. Por fim observamos, nesses casos, uma contabilidade irreal, distorcida, em consequência de ter sido elaborada única e exclusivamente para atender as exigências fiscais.
5. A CONTABILIDADE PARA CONTROLE GERENCIAL
Um grande problema que existe no micro, pequenas e médias empresas seriam resolvidos se os empresários compreendessem os princípios básicos da Contabilidade. Na sua grande maioria a empresa é confundida com a pessoa do sócio, ou seja, empresa e sócio não são identificadas como pessoas distintas, pessoa física diferente de pessoa jurídica.
Normalmente quando isso acontece uma série de problemas acontece entre
elas à união dos “caixas”, a falta de controle detalhada e específico de entradas e
saídas, falto de dados consistentes, originando assim, por exemplo, relatórios precários, informação indefinidas, sem exatidão, etc.
É imprescindível para que a contabilidade seja usada como instrumento gerencial que o empresário tenha dados confiáveis. A figura do sócio precisa ser considerada independente na empresa, todos os movimentos da empresa devem ter seus registros efetuados sistematicamente, entrada e saída de serviços, produtos, materiais, operação que envolva vendas, recebimentos, pagamentos, etc.
Sempre é almejado pelo gestor da empresa o equilíbrio financeiro. Técnicas contábeis são utilizadas para o fornecimento das informações necessárias para que se tenha esse equilíbrio. Demonstrativos e Resultado e Balanço Patrimonial são os mais utilizados nesse caso, onde a demonstração de resultado que é um demonstrativo sistemático que tem receitas, custos e despesas como base, o balanço patrimonial usa as contas do ativo e do passivo, ajustadas e conciliadas.
Entre os relatórios contábeis, os mais importantes são as demonstrações
financeiras (conforme denominação da Lei 11638 – Lei das Sociedades por Ações)
ou simplesmente demonstrações contábeis.
A lei citada relaciona as seguintes demonstrações financeiras como obrigatórias: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPAc), Demonstração
do Fluxo de Caixa (DFC), Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), as duas últimas, obrigatórias quando se tratar de companhias abertas (que negociam suas ações nas bolsas de valores), sendo que a DMPL deverá substituir a DLPA nesses casos.
Existem também demonstrações financeiras que não são obrigatórias como a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), Orçamentos e o Balanço Social.
Assaf Neto (2008, p. 65) descreve que:
Somente pelo entendimento da estrutura contábil das demonstrações é que se podem desenvolver avaliações mais acuradas das empresas. Mais especificamente, todo processo de análise requer conhecimentos sólidos da forma de contabilização e apuração das demonstrações contábeis, sem os quais ficam seriamente limitadas as conclusões extraídas sobre o desempenho da empresa.
A análise das demonstrações abrange um confronto de desempenho da empresa com o de outras do mesmo setor, e uma avaliação das disposições da posição da empresa ao longo do tempo. Esses estudos ajudam ao gestor identificas problemas e demandas a fim de, tomar atitudes para o melhor o desempenho.
6. TOMADA DE DECISÕES
Caracterizada por registrar todas as transações da entidade, a contabilidade de uma empresa possui um grande bande de dados. Esses dados são instrumentos de informação que além de possuir e coletar é necessário que sejam cuidados de forma estruturada tecnicamente para que assim possam gerar informações relevantes para o processo gerencial e de decisão em uma empresa.
Evidentemente, os gerentes (administradores) não são os únicos que se utilizam da Contabilidade. Os investidores (sócios ou acionistas), ou seja, aqueles que aplicam dinheiro na empresa estão interessados basicamente em obter lucro, por isso se utilizam dos relatórios contábeis, analisando se a empresa é rentável; os fornecedores de mercadoria a prazo querem saber se a empresa tem condições de pagar suas dividas; os bancos, por sua vez, emprestam dinheiro desde que a empresa tenha condições de pagamento; o governo quer saber quanto de impostos foi gerados para os cofres públicos; outros interessados desejam conhecer melhor a situação da empresa: os empregados, os sindicatos, os concorrentes, etc.
Com as informações obtidas pela contabilidade, o gestor consegue ter melhores condições de avaliar seu negócio, considerando ainda, prováveis situações futuras, podem assim, determinar ações planejadas, considerando diversos cenários e situações, assim aumentando a possibilidade de sucesso da empresa.
O processo de tomada de decisão é uma sequência de etapas que expressam a razão com a qual os gestores buscam soluções ótimas para os problemas da empresa, ou seja, tomada de decisão é o processo de análise e escolha entre as alternativas disponíveis de cursos de ação que a pessoa deverá seguir. Pode-se entender que o tomador de decisão está inserido em uma situação problemática e pretende alcançar objetivos, tem preferências pessoais e segue estratégias para alcançar resultados. Com as informações contábeis em mãos, o empresário age na sua gestão com maior consciência, prevendo os possíveis resultados das medidas administrativas no processo de tomada de decisão.
7. CONCLUSÃO
Para o melhor desenvolvimento de qualquer atividade é necessário ferramentas que ajudem no gerenciamento correto dos recursos existentes. Assim, a necessidade de instrumentos de controle e mensuração se torna evidente orientando, não somente a forma como a atividade pode ser desenvolvida, mas também a projeção de sua continuidade e seu planejamento futuro.
O êxito na gestão financeira é o pilar do sistema empresarial e é de suma importância para a saúde econômica da empresa. A contabilidade é a sua principal aliada, que aparece dentro das empresas como ferramenta importante de gestão, trazendo informações gerenciais que colaboram para a atuação do gestor.
A Contabilidade que se subentende como Contabilidade Financeira, é a ferramenta que fornece o maior número de informações para dar base às decisões que precisam ser tomadas dentro da organização.
Por se tratar de uma ciência que estuda os fenômenos patrimoniais que ocorreram na empresa, identificando, coletando, registrando e mensurando essas informações em forma de relatórios, possibilita uma visão macro dos acontecimentos ocorridos, permitindo julgamentos adequados por parte dos usuários dessas informações.
Dessa forma, a Contabilidade Gerencial permite um melhor controle sobre os elementos que influem diretamente na empresa, como as decisões sobre aquisições, contratações, investimentos etc., havendo a possibilidade de controles mais efetivos, além de planejamentos mais consistentes que permitam ao gestor uma visão mais ampla sobre o desenvolvimento de suas ações e o impacto que causam na empresa.
Sua finalidade é suprir os usuários internos da empresa com um maior número de informações focadas no processo de tomada de decisões, a fim de embasá-los com informações adequadas, pertinentes e reais da situação da empresa.
A Contabilidade Gerencial pode assim, atender com maior consistência às necessidades dos gestores por informação, pelo fato de constituir-se num verdadeiro banco de dados sobre a movimentação econômica e financeira da organização.
Com as informações da Contabilidade, o gestor passa a ter melhores condições de avaliar o andamento e consecução de seus objetivos, considerando possíveis situações que poderão intervir de forma negativa na organização, aumentado a possibilidade de seu sucesso.
Seus principais relatórios são indispensáveis para a análise de indicadores que possibilitará a percepção da situação atual da empresa, em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros, detectando seus pontos fortes e pontos fracos e também a percepção da sua provável situação futura.
8. REFERÊNCIAS
MARION, José Carlos. Contabilidade básica. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2009 a.
PARANHOS, José Luiz B. Contabilidade Decisorial: Análise Gerencial de Custos e
Resultados. São Paulo: STS, 1992.