Prof. Dr. Jamisse Uilson Taimo MCT - MOÇAMBIQUE
O ensino superior em Moçambique remonta a
década 1960 num período de grandes convulsões no mundo e em particular em África. Com o objectivo de atender a presença cada vez maior de filhos de colonos com idade para frequentar o ensino superior é criado os Estudos Gerais de Ensino Superior em Moçambique e em Angola.
A discussão que iremos fazer neste trabalho
tem como ponto de partida esta realidade que vai até a Independência do pais em 1975, a evolução que este subsistema teve nesse período assim como o que terá acontecido na passagem do sistema monopartidário e economia centralmente planificada para um regime politico multipartidário e de economia de mercado capitalista.
Introdução
◦ 1. O colonialismo e o ensino superior em
Moçambique
◦ 2. O ensino superior em Moçambique
Independente
◦ 3. O ensino superior e a inovação em Moçambique
Os portugueses optaram por uma politica de
tentativa de aliciamento através da criação de melhoria de condições sociais das colónias. Uma dessas tentativas foi a criação de uma instituição de ensino superior em 1962 pelo Decreto-lei 44.530 de 21 de Agosto em Angola e em Moçambique. (TAIMO, 2010)
O objectivo da criação de uma instituição de ensino
superior era para o reforço da presença colonial, reafirmação da cultura portuguesa ou europeia em Moçambique. Esta situação fez com que a pesquisa , a inovação servisse para o reforço ideológico colonial. A pesquisa estava ligada para satisfazer o sistema colonial. É assim que naquele período não nos é apresentado uma pesquisa ou inovação de relevo.
Independência de Moçambique em 1975
depois da luta armada de libertação que iniciou em 1964 dirigida pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique).
O governo herda uma única instituição de
ensino superior (a Universidade de Lourenço Marques, mais tarde no dia primeiro de Maio de 1977 transformada em Universidade Eduardo Mondlane em homenagem a Eduardo Mondlane lider da FRELIMO assassinado pelo colonialismo em 1969)
A universidade por causa da fuga de grande
parte de quadros qualificados portugueses, recorreu a solidariedade internacionalista dos países do leste, criaram-se cursos propdeuticos, formação de professores, cursos que pudessem preparar os poucos moçambicanos que na altura da independencia tinham o ensino secundário completo ou quase a terminar para assumir grandes responsabilidades
Em 1985 foi criado o Instituto Superior
Pedagógico (ISP) mais tarde Universidade Pedagógica (UP) em 1994 com vocação de formação de professores
Em 1986 foi criado o Instituto Superior de
Relações Internacionais (ISRI) para formação de tecnicos superiores em Relações Internacionais e Diplomacia
A situação da Guerra Fria e os vizinhos hostís a
Moçambique nomeadamente a Africa do Sul do Apartheid e o Governo Racista da Rodésia contribuiu para estes dois paises aliados aos portugueses que não aceitaram a independencia de Moçambique a criação de um movimento chamado MNR mais tarde RENAMO, um movimento que moveu guerra de desestabilização por por 16 anos tendo terminado em 1992 por assinatura de Acordo de Paz em Roma.
Foi um periodo muito dificil para ensino superior,
pesquisa e inovação porque os recursos iam para a prioridade da guerra.
O ensino superior desafiado a liderar o processo de
desenvolvimento do pais obedecia o mesmo sistema macro politico, um ensino superior de modelo socialista onde a gratuidade era o seu apanágio.
As pressões que o pais vivia por causa da guerra de
desestabilização, a necessidade de dotar o pais de reservas financeiras que pudessem fazer face aos seus problemas, o Governo de Moçambique assinou um acordo com o FMI e BM em 1984 ao mesmo tempo em que se ensaiava a liberalização económica e politica que culminava com a Constituição de 1990 que rezava a economia do mercado e a Democracia multipartidária; introduzia-se o neoliberalismo onde a educação superior é vista como mercadoria.
De uma educação de orientação socialista,; vemos
mudar para uma educação mercadoria desafiada a ser mais proativa para responder aos desafios das exigências das empresas. A Constituição de 1990 gerou uma mudança em cascata da legislação sobre a educação para adequar a novos desafios.
A Lei 1|93 sobre ensino superior trouxe como papel
do ensino superior o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Entre a vontade e a realidade havia uma distancia muito grande na medida em que o ensino superior era enferma por causa dos muitos anos que ficou sem fazer pesquisa, a inovação a nível das instituições passou a ser quase inexistente
Como resultado da liberalização economica,
são criadas as primeiras instituições de ensino superior privados em 1995.
O pais conta hoje com cerca de 26
Instituições de Ensino superior. Destas instituições poucas é que fazem pesquisa e inovação
Com vista a dar maior visibilidade e maior celeridade
ao processo de ensino, pesquisa e extensão preconizados na Lei do Ensino Superior, foi criado o Ministério de Ensino Superior Ciência e Tecnologia em 2000. Este Ministério deu maior dinâmica as instituições de ensino superior no que diz respeito a busca de financiamento para prossecução dos seus objectivos, desenhou o Plano Estratégico de Ensino Superior que tinha sido recomendado no Governo anterior a 2000. Alem disso permitiu que se iniciasse um processo da discussão sobre a estratégia de ciência e tecnologia, procurou-se trazer ao mesmo nível instituições de pesquisa ligadas as instituições de ensino superior e os que são autónomos com o intuito de definição de uma agenda comum.
A questão que se coloca é: qual o papel
destas instituições na inovação? A resposta foi melhor dada quando é extinta o Ministério de Ensino Superior e Tecnologia e é criado o Ministério de Ciência e Tecnologia em 2005. O surgimento deste permitiu que maior enfoque fosse dada a Ciência, Tecnologia e Inovação. E dessa forma que é elaborado o plano estratégico denominado ECTIM.
A Estratégia de ciência e tecnologia e inovação de
Moçambique – ECTIM (MCT, 2006), fornece duas definições sobre inovação:
Definição 1: ”A inovação como o processo pelo
qual novos produtos e serviços entram no mercado e a criação de novos negócios, para impulsionar o crescimento económico e a geração de riqueza”
Definição 2: A inovação como processo e os
resultados pelos quais os indivíduos e grupos inventam novos modos de resolução de problemas imediatos e melhoram a sua qualidade de vida”.
Para o ECTIM, a primeira definição 1 limita o conceito
da inovação à aquela que acontece na industria, enquanto que a definição 2 envolve também o comunidade e o individuo que em muitos casos não esta ligado a actividade de investigação e nem a industria, mas sim inova pela necessidade de resolver o seu problema especifico. As Instituições do Ensino Superior (IES) em Moçambique têm contribuído de forma directa ou indirecta nos dois tipos de inovação.
A maior parte da investigação é levada a cabo nas
instituições de ensino superior, por estas possuírem a maior parte de pessoal formado (mestrados e doutorados). As universidades públicas dão ênfase, sobretudo, à pesquisa aplicada(MCT, 2006) dai o seu grande papel na inovação em Moçambique
O processo de Inovação: interracção entre IES,
O Ministério da Ciência e Ciência e
Tecnologia, tem estado a impulsionar o papel do IES no desenvolvimento de inovação, através de criação de mecanismos de financiamento de investigação e inovação, e da criação de programas que permitem estender âmbito de inovação para além daquele que descrevemos acima onde os principais autores são a universidade e a indústria
Identificação da inovação – pelo MCT (programa nacional
de Inovador)
Avaliação da inovação – MCT, Centros regionais ou Serv.
Distrital de C&T, Educação e Cultura
Melhoramento da inovação – por uma IES, MCT instituto
industrial
Registo de inovação (patente no Instituto de propriedade
Intelectual) – MCT, ministério de Industria e comercio
A seguir apresentamos os passos usados pelo MCT desde
identificação e comercialização da inovação feita pelos indivíduos da comunidade:
Multiplicação da inovação – empresa do ramo
Comercialização – por uma empresa através de um acordo
Um exemplo deste tipo de inovação é a bomba
XIGUSTA(Serra, 2008), do inovador Albino Nuvunga, em que depois de identificado,
avaliado, melhorado por uma equipa de técnicos vindos do sector académico, esta sendo
multiplicada por uma empresa do ramo metalo-mecânica (Tubex) e comercializada a nível
nacional pela Multivendas, uma empresa do ramo de comercio.
Fig 3.a) Bomba Xigusta, etapa inicialFig b).B
Bomba Xigutsa, em lançamento
Outro exemplo de participação de IES no
processo de inovação é na dinamização das incubadoras tecnológicas e de negócios,
através de acompanhamento e motivação de estudantes e docentes a transformarem os seus projectos/ideias cientificas em
empresas. Para o caso de Moçambique apesar de uma experiencia ainda embrionária,
existem exemplos através do MICTI de
criação de empresas de jovens estudantes e de docentes na incubadora.
As instituições de ensino superior passaram a
assumir a componente de pesquisa e inovação muito recentemente
O MCT através do programa nacional de
inovador tem procurado trazer os inovadores não vinculados as IES
O MCT tem procurado trazer o inovador, a
indústria e o ensino superior para interagir no processo de inovação
O programa de inovação está ligada a
resolução dos problemas de desenvolvimento do país.
Hawai’i, U. o. (2011). www.triplehelixinstitute.org. Retrieved
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MCT. (2006). Estrategia de Ciencia, Tecnologia e Inovacao de
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Serra, C. (2008, 2 Jnauary). Moçambicano Criou Bomba
Manual,
http://oficinadesociologia.blogspot.com/2008/02/moambica no-cria-motobombas-manuais.html.
Taimo, J.U. (2010) Ensino Superior em Moça,bique: História,