Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Minicurso 1
CORRIGINDO UMA PROVA ESCRITA DE MATEMÁTICA: O QUE DETERMINA AS “REGRAS DO JOGO”?
Pamela Emanueli Alves Ferreira Universidade Estadual de Londrina [email protected] Regina Luzia Corio de Buriasco Universidade Estadual de Londrina [email protected] Juliana Maira Soares Lopez Universidade Estadual de Londrina [email protected] Resumo: Neste mini-curso serão abordadas algumas questões da avaliação da aprendizagem escolar, mais diretamente no que diz respeito à discussão da utilização da prova escrita como instrumento de avaliação, a partir da correção de uma prova escrita de matemática. A reflexão e a discussão são elementos fundamentais do trabalho que se realiza neste mini-curso, que será desenvolvido mediante trabalho em grupo, trabalho individual, apresentações e discussões.
Palavras-chave: Educação Matemática. Avaliação da aprendizagem escolar em matemática. Prova escrita. Análise da produção escrita.
Apresentação
A compreensão sobre o que é e como funciona uma avaliação escolar demanda estudo para conhecer suas principais perspectivas, instrumentos, o que cada um pode revelar e a partir de então, dialogar com todos os parâmetros envolvidos, pois como diz Hadji (1994) para jogar bem é preciso conhecer quais são as regras do jogo.
Muito embora, o sistema de notas esteja ligado à avaliação escolar, seu aspecto quantitativo pouco diz a respeito do que se ensina e o que se aprende. É preciso ampliar o campo de discussão em busca de conhecer
os principais tipos de avaliação e o que eles podem favorecer; os instrumentos e suas potencialidades;
as funções dos tipos de avaliação;
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Tendo em vista que a prova escrita é um dos instrumentos mais utilizados como meio de avaliação, alguns pesquisadores têm dedicado seus estudos à análise da produção escrita de estudantes e professores, porque consideram que a análise dos registros escritos é uma importante ferramenta de investigação por meio da qual se pode obter informações sobre os processos de ensino e aprendizagem (BURIASCO, 2000, 2004; NAGY-SILVA, 2005; PEREGO, S., 2005, SEGURA, 2005, PEREGO, F., 2006; NEGRÃO DE LIMA, 2006; ALVES, 2006; CURY, 2007; BURIASCO; SOARES, 2007; DALTO, 2007; VIOLA DOS SANTOS, 2007; CELESTE, 2008; SANTOS, 2008; ALMEIDA, 2009; FERREIRA, 2009).
Segundo Van den Heuvel-Panhuizen (2005) para que se possa ter uma visão mais detalhada da atividade matemática, os estudantes precisam ter a oportunidade de, ao resolver tarefas, dar suas próprias respostas com suas palavras. Nesta perspectiva, uma tarefa que exija que os alunos redijam algumas linhas ou páginas em resposta a uma questão explícita ou implícita, parece ir ao encontro da visão apresentada. Por outro lado, uma tarefa que demande apenas respostas curtas (uma data, uma fórmula científica, um nome próprio, ou um “sim” ou “não”) seria imprópria.
Não é de se estranhar que uma das maiores dificuldades, nas aulas de matemática, é fazer com que os estudantes se "envolvam" com as tarefas propostas pelos professores. É possível que uma das razões seja o fato de muitas delas apresentarem situações artificiais que, quase sempre, ficam restritas a um único conteúdo, sob uma mesma dinâmica no modo de resolução. Com isso, dificilmente os estudantes conseguem estabelecer relações entre o que aprendem na escola com o que podem fazer fora dela, uma vez que o conteúdo matemático parece ser aplicado somente às situações propostas nos livros didáticos.
Partindo do pressuposto de que a avaliação deva fornecer uma maior quantidade de informações sobre a atividade dos estudantes, devemos pensar numa prova escrita que contenha questões que ofereçam a possibilidade dos estudantes apresentarem estas informações. Para tanto, a flexibilidade da questão, o contexto, a forma de apresentaçãosão assuntos que merecem ser estudados.
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O objetivo principal deste mini-curso é promover uma discussão com professores que atuam na Educação Básica sobre a utilização da prova escrita como instrumento de avaliação.
Desenvolvimento
A reflexão e a discussão são elementos fundamentais do trabalho que se realiza neste mini-curso, que será desenvolvido mediante trabalho em grupo, trabalho individual, apresentações e discussões. Nesta perspectiva, espera-se que os professores participem efetivamente de todas as atividades propostas.
Para o desenvolvimento deste mini-curso será utilizada uma prova contendo quatro questões de matemática retiradas do universo das provas utilizadas por participantes do GEPEMA em estudos anteriores.
Procedimentos - tarefas
a) discussão sobre qual o papel que desempenha a avaliação no processo de aprendizagem;
b) discussão e levantamento das características consideradas desejáveis para uma prova escrita como instrumento de avaliação da aprendizagem de matemática e elaboração de um quadro resumo;
c) discussão do que deve ser considerado para a elaboração e a correção de uma prova escrita;
d) levantamento de indicadores de aprendizagem presentes na avaliação escolar e de quais podem ser encontrados em uma prova escrita de matemática;
e) resolução, pelos participantes, das questões da prova apresentada para o mini-curso;
e) elaboração dos critérios de correção a serem considerados na correção da prova escrita apresentada;
g) correção da prova apresentada por cada grupo de quatro participantes; h) discussão das correções.
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a discussão gerada possa contribuir com os participantes no que diz respeito à utilização da prova escrita como instrumento de avaliação nas aulas de matemática; as informações inventariadas possam servir de subsídios na busca de melhorar a
prática pedagógica do professor que ensina matemática; possa servir de mote para outros estudos dos participantes. Referências
ALMEIDA, V. L. C. de. Questões não-rotineiras: a produção escrita de alunos da graduação em Matemática. 2009. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2009.
ALVES, R. M. F. Estudo da produção escrita de alunos do Ensino Médio em questões de matemática. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática - Universidade Estadual de Londrina, 2006.
BURIASCO, R. L. C. de.. Algumas considerações sobre avaliação educacional. Estudos em Avaliação Educacional. Fundação Carlos Chagas, São Paulo, n.22, p.155-177, jul/dez. 2000.
BURIASCO, R. L. C. de. Análise da Produção Escrita: a busca do conhecimento escondido. IN: ROMANOWSKI, J. P.; MARTINS, P. L. O.; JUNQUEIRA, S. A. (orgs). Conhecimento Local e Conhecimento Universal: a aula e os campos do conhecimento. Curitiba: Champagnat, 2004. . p.243-251.
BURIASCO, R. L. C. de.; SOARES, M. T. C. . Avaliação do Rendimento em Matemática nas escolas do Paraná: estudo descritivo da prova da 4º e da 8º séries do Ensino Fundamental. Estudos em Avaliação Educacional, v. 18, p. 85-109, 2007.
CELESTE, L. B.. A Produção Escrita de alunos do Ensino Fundamental em questões de matemática do PISA. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual de Londrina, 2008.
CURY, H. N. Análise de erros: O que podemos aprender com as respostas dos alunos. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
DALTO, J. O.. A produção escrita em matemática: análise interpretativa da questão discursiva de matemática comum à 8ª série do ensino fundamental e a 3ª série do ensino
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médio da AVA/2002. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) - Universidade Estadual de Londrina, 2007.
FERREIRA, P. E. A. Análise da produção escrita de professores da Educação Básica em questões não-rotineiras de matemática. 2009. 166f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2009.
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VAN DEN HEUVEL-PANHUIZEN, M. V. D. The role of contexts in assessment problems in mathematics. For the Learning Mathematics, Alberta-Canadá, v.25, n.2, p.2-9, 2005. Disponível em: <http://www.fi.uu.nl/~marjah/documents/01-Heuvel.pdf>. Acesso em: 12 ago. 2008.
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VIOLA DOS SANTOS, J. R. O que alunos da escola básica mostram saber por meio de sua Produção escrita em matemática. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade Estadual de Londrina, 2007.