Nova Central a Biomassa da Caima Energia
Texto
(2) T 201202. NOVA CENTRAL A BIOMASSA DA CAIMA ENERGIA Estudo de Impacte Ambiental Resumo Não Técnico. Estudo No 2977 A │ Exemplar No 1. Nova Central a Biomassa da Cima Energia – EIA. Resumo Não Técnico.
(3) Nova Central a Biomassa da Caima Energia RESUMO NÃO TÉCNICO O presente documento constitui o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental do Projecto da Nova Central a Biomassa da Caima Energia, SA, cuja actividade principal é a produção de electricidade de origem térmica. O Resumo Não Técnico (RNT) sintetiza os aspectos mais importantes do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e encontra-se redigido numa linguagem que se pretende acessível à generalidade dos potenciais interessados, destinando-se a ser utilizado na divulgação pública do Projecto. O EIA, elaborado pela Tecninvest no período de Janeiro a Março de 2021, segue os normativos legais que orientam a elaboração deste tipo de estudos e tem por objectivo avaliar os efeitos positivos e negativos do Projecto da Nova Central a Biomassa que a Caima Energia pretende implementar no complexo industrial da Caima – Indústria de Celulose, em Constância.. O Proponente do Projecto O proponente do Projecto é a Caima Energia, SA, empresa do Grupo Altri, que explora a central de energia existente, produzindo vapor e electricidade, e que fornece vapor à fábrica de pasta da Caima – Indústria de Celulose, SA. A Caima Energia, SA injecta na rede o excedente de energia eléctrica. Este projecto aumentará a quantidade de energia eléctrica renovável injectada na rede. O Grupo Altri é um produtor europeu de referência na produção de pastas de eucalipto, que é assegurada pelas suas três fábricas – Celbi, Celtejo e Caima – que, no seu conjunto, têm uma capacidade de produção anual superior a 1 milhão de toneladas. Através das suas subsidiárias Bioeléctrica da Foz, SA e Sociedade Bioeléctrica do Mondego, SA, o Grupo Altri possui e gere cinco centrais termoeléctricas a biomassa, o que o eleva para uma posição de relevo neste mercado em Portugal.. Os Aspectos Institucionais do Projecto A Caima Energia desenvolve a sua actividade principal no ramo da produção de vapor e energia eléctrica, com o código de actividade económica 35112 – Produção de electricidade de origem térmica, cuja entidade licenciadora é a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Por sua vez, a autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) é a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).. O Complexo Industrial da Caima A central de produção de energia da Caima Energia está integrada no complexo industrial da Caima – Indústria de Celulose, que se localiza na freguesia e concelho de Constância, distrito de Santarém (ver Figura 1).. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 1.
(4) Figura 1 – Localização. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 2.
(5) A fábrica da Caima – Indústria de Celulose dedica-se à produção de pastas celulósicas especiais para aplicação nas indústrias têxtil e química, pelo processo ao sulfito, com a utilização de madeira de eucalipto, dispondo de uma capacidade licenciada de produção de 125 000 t/ano. Como instalação auxiliar principal, integra uma estação de tratamento de águas residuais. Funciona 24 horas/dia em regime de três turnos, geralmente com uma paragem programada durante o ano para manutenção. Actualmente assegura um total de 175 postos de trabalho directos, sendo o número de postos de trabalho indirectos, estimado, em áreas relacionadas com a actividade da empresa, superior a 1 000. A central de energia existente na Caima, que fornece vapor à fábrica de pasta e injecta a produção de energia eléctrica na rede eléctrica nacional em regime de cogeração, é explorada pela Caima Energia e inclui uma caldeira de recuperação do licor de cozimento da madeira, com a potência térmica de 49 MWt, uma caldeira a biomassa com a potência térmica de 24 MWt e uma caldeira auxiliar a gás natural, com a potência térmica de 17,5 MWt. Para produção de energia eléctrica, a Caima Energia dispõe actualmente de três turbinas de vapor, duas de contrapressão, com as potências eléctricas de 6,95 MWe e 9,405 MWe, mantendo-se de reserva a TG4, e uma turbina de vapor de condensação, com a potência eléctrica de 7,04 MWe. Figura 2 – Balanço típico de vapor e energia eléctrica da central de energia (ano de 2019) CALDEIRA RECUPER.. CALD. AUX. GÁS NAT. 57 t/h. CALDEIRA BIOMASSA 12 t/h. 27 t/h. 40 bar 0 t/h. 16 t/h. 80 t/h 0 MW. 9,5 MW. G. G. TG.4. TG.6. 2,5 MW G TG.5. 8,0 bar 4,5 bar 10 t/h. 70 t/h. CONSUMOS FÁBRICA. Existe ainda no perímetro industrial da fábrica de pasta da Caima uma central termoeléctrica a biomassa, pertencente à Bioeléctrica da Foz, SA, com a potência térmica de 39 MWt e a potência eléctrica de 12,8 MWe, mas que se constitui como uma instalação autónoma, não estando integrada na Licença Ambiental da Caima, mas sendo detida também pelo Grupo Altri.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 3.
(6) O Projecto da Nova Central a Biomassa Enquadramento O presente Projecto refere-se à construção e exploração de uma nova central a biomassa, com a desactivação da caldeira a biomassa existente. Neste pressuposto, a nova central a biomassa, em articulação com a central de energia existente, embora com a desactivação da caldeira a biomassa existente, terá capacidade para responder às necessidades de energia térmica da fábrica de pasta da Caima, mantendo de reserva a caldeira a gás natural e, ao mesmo tempo, irá maximizar a energia eléctrica a injectar na rede eléctrica nacional. Com a colocação em regime de reserva da caldeira auxiliar a gás natural, a Caima Energia passará a gerar toda a energia a partir de fontes renováveis e, assim, eliminar as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) com origem fóssil. Desta forma, a nova central a biomassa irá contribuir para a prossecução de uma política estruturante no campo energético, que permitirá diminuir a dependência externa e o efeito de estufa resultante da utilização de combustíveis fósseis. A utilização de biomassa florestal, por outro lado, além de assegurar a criação de emprego e o ordenamento da floresta, contribui de forma decisiva para a redução dos riscos de incêndio florestal, numa região normalmente fustigada por este flagelo. Para além disso, o complexo industrial da Caima dispõe de infra-estruturas que irão ser utilizadas pelo projecto em análise, nomeadamente abastecimento de água e tratamento de efluentes. Características Principais A nova central a biomassa irá funcionar num regime médio de 350 dias/ano e terá uma potência térmica de 76 MWt, produzindo vapor de alta pressão numa caldeira de leito fluidizado para alimentação a um novo grupo turbogerador de energia eléctrica. Por sua vez, nas condições nominais, a nova caldeira será capaz de produzir 90 t/h de vapor a 90 bar e a uma temperatura de 480ºC, e a nova turbina terá a potência eléctrica de 5,3 MWe (ver Figura 3). O combustível a utilizar será a casca de eucalipto produzida internamente no processo de preparação da madeira da Caima, os rejeitados da crivagem da pasta crua, as lamas primárias e biológicas do tratamento de efluentes, biomassa florestal residual, adquirida no exterior, e ainda biogás gerado no tratamento anaeróbio de efluentes. Apenas em situações pontuais de arranque da instalação, será utilizado gás natural como combustível. Para além das novas caldeira e turbina, serão naturalmente instalados os respectivos sistemas auxiliares (alimentação da biomassa, alimentação de água, injecção de ar de combustão, exaustão e tratamento de gases e sistema de manuseamento de cinzas e escórias, entre os principais). A chaminé da caldeira a biomassa terá 50 m de altura. Na Figura 4 apresenta-se um diagrama simplificado da central a biomassa. As instalações da nova central a biomassa irão localizar-se no interior do complexo industrial da Caima, na área actual da armazenagem de madeira (ver planta em anexo). A área total de implantação da central a biomassa será de 2 605 m2, com uma área coberta de 665 m2, incluindo dois edifícios que irão albergar a caldeira e a turbina, respectivamente com 35,5 e 19,3 m de altura.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 4.
(7) Figura 3 – Diagrama simplificado do balanço de vapor e energia eléctrica NOVA CALDEIRA BIOMASSA 90 t/h 90 bar 53 t/h. 5,3 MW NOVO TURBOGRUPO. G. 9 t/h. 13 t/h. CALDEIRA RECUPER.. CALDEIRA AUX. GÁS. Consumidores Internos da Central. 37 t/h. 57 t/h. TG.7. 0 t/h. 31 t/h. 40 bar 0 t/h. 45 t/h. 80 t/h 0 MW. 9,5 MW. G. G. TG.4. TG.6. 7,0 MW G TG.5. 8,0 bar. 4,5 bar 10 t/h. 70 t/h. CONSUMOS FÁBRICA. Dados Operacionais e Ambientais Serviços gerais A fábrica de pasta da Caima fornecerá biomassa, água industrial, potável e desmineralizada e ar comprimido à nova central a biomassa, assim como irá receber nas suas redes as águas residuais industriais e pluviais. A gestão dos resíduos será assegurada pela Caima.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 5.
(8) FILTRO DE MANGAS. BIOMASSA DO EXTERIOR. GÁS NATURAL PREPARAÇÃO DE MADEIRAS. MADEIRA. CALDEIRA A BIOMASSA. CONSUMO DE VAPOR. CAIMA – Fábrica de Pasta. ÁGUA DE COMPENSAÇÃO. TORRE DE ARREFECIMENTO. Nova Central de Biomassa Estudo de Impacte Ambiental Figura 4 – Diagrama Simplificado. 6.
(9) Abastecimento e consumo de água A água para uso industrial no complexo industrial da Caima tem origem em uma captação no rio Tejo, devidamente licenciada pela APA. Dado que a nova central a biomassa irá substituir a caldeira a biomassa existente com a manutenção em reserva da caldeira a gás natural e com as medidas em curso de poupança de água no complexo industrial da Caima, prevê-se um aumento pouco relevante do consumo de água, em termos globais. Drenagem e tratamento de águas residuais As águas residuais associadas ao funcionamento da nova central a biomassa e à desactivação e colocação em reserva de equipamentos existentes serão pouco relevantes, quer em quantidade, quer em qualidade. Com a implementação de um sistema mais eficiente de lavagem de pasta na Caima durante o presente ano de 2021, prevê-se uma melhoria da qualidade do efluente que será descarregado no rio Tejo. Emissões gasosas Para minimizar as emissões de óxidos de azoto (NOx), de dióxido de enxofre (SO 2) e de ácido clorídrico e fluorídrico (HCl e HF), a caldeira será munida com sistemas de injecção de amónia e de cal hidratada nos gases de combustão, bem como irá dispor de um filtro de mangas para reduzir a emissão de Partículas. Para além disso, está prevista a monitorização em contínuo das emissões de partículas, óxidos de azoto, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, amónia e ácido clorídrico. Assim, serão implementadas na nova caldeira a biomassa as melhores técnicas disponíveis para este tipo de equipamento. Gestão de resíduos Em relação à gestão de resíduos, será minimizada a sua produção e providenciados os meios necessários à sua recolha selectiva e armazenagem temporária para destino final do exterior. Todos os resíduos produzidos na nova central a biomassa serão enviados para um destino final adequado, assegurando-se que as entidades que efectuam essas operações estão devidamente licenciadas para o efeito. Fase de Construção Prevê-se que a fase de construção e montagens da Central a Biomassa decorra entre o 1º trimestre de 2022 e o 1º trimestre de 2023. Durante o período de construção e montagens, o número médio de trabalhadores afectos a essa actividade será cerca de 60, atingindo um pico de 220, nos meses de Junho de 2022 a Janeiro de 2023. O tráfego de veículos ligeiros, associado à fase de construção, atingirá um máximo de cerca de 20 veículos por dia, no período da montagem de equipamento. Por sua vez, o tráfego de veículos pesados será irregular ao longo de todo o período de implementação do projecto, prevendo-se uma maior frequência de cerca de 10 veículos por dia no mesmo período referido para os ligeiros.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 7.
(10) Em termos da gestão dos efluentes líquidos, não estão previstos quaisquer dispositivos específicos de tratamento, já que serão utilizadas as redes existentes na Caima. Por sua vez, em termos da produção e destino dos resíduos, o acréscimo a gerar nesta fase será incorporado no sistema de gestão de resíduos existente na Caima, tendo destino final semelhante. Foram definidos procedimentos adequados de prevenção de acidentes e regras ambientais a cumprir pelos empreiteiros da obra, de forma a dar resposta aos requisitos da legislação e regulamentação aplicáveis. Fase de Desactivação As instalações da nova central a biomassa terão um tempo de vida útil que, previsivelmente, se prolongará por um número indeterminado de anos (várias décadas), pelo que, atempadamente, será elaborado um plano de desactivação, com instruções precisas e ambientalmente adequadas para o esvaziamento e desmantelamento dos equipamentos e estruturas, com a recolha de todos os materiais e produtos que não forem integralmente utilizados. No projecto estão consideradas as medidas preventivas para evitar a contaminação de solos.. O Estado Actual do Ambiente no Local e Envolvente do Projecto O Projecto localiza-se na margem esquerda do rio Tejo, muito próximo do ponto de inflexão da orientação deste curso de água, onde se inicia a grande planície aluvial do vale inferior do Tejo, designada por Lezíria do Tejo. O complexo industrial da Caima localiza-se em depósitos de terraços fluviais do rio Tejo, em que a aptidão de uso agrícola é moderada, mas com limitações. Actualmente, o local do Projecto apresenta-se terraplenado e compactado. Fotos 1 e 2 – Vistas sobre a área de implantação da nova central a biomassa. Esta região apresenta um clima de influência continental, com Invernos frescos e Verões quentes. O regime de precipitação é concentrado no período de Novembro a Fevereiro, enquanto Julho e Agosto são os meses mais secos e a precipitação anual apresenta valores médios no contexto nacional. A predominância dos ventos é dos quadrantes Norte e Noroeste, donde provêm também os ventos mais fortes.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 8.
(11) As previsões recentes sobre as alterações que se farão sentir no clima apontam para um aumento da temperatura média do ar, a diminuição da quantidade de precipitação média anual e uma redução da intensidade do vento. As ocorrências de fenómenos climáticos extremos tenderão a ser mais frequentes, com aumento da frequência e duração das ondas de calor. A área em análise situa-se na sub-bacia Tejo Inferior, a jusante das barragens de Belver e de Castelo de Bode e o local do Projecto localiza-se na bacia de drenagem do ribeiro de Vale do Mestre, pequena linha de água afluente do rio Tejo. Figura 5 – Massas de água na envolvente da Caima Rio Zêzere – Jusante da barragem de Castelo de Bode (código PT05TEJ0941). Rio Tejo – Jusante da barragem de Belver (código PT05TEJ0942). Rio Tejo – Jusante da barragem de Castelo de Bode e Belver (código PT05TEJ1023). Base: Carta Militar de Portugal, Série M888 do iGeoE n.º 320, 321,330, 331. Na sub-bacia Tejo Inferior, as disponibilidades hídricas são largamente superiores às necessidades existentes de todos os usos identificados. Os principais usos das massas de água superficial são o consumo urbano, seguido da rega, sendo os restantes usos sem significado. Nas proximidades das povoações é também comum a existência de culturas hortícolas e hortofrutícolas, apoiadas por infra-estruturas de captação do tipo poço, principal utilização da água subterrânea na área. O estado global da massa de água do rio Tejo na zona em estudo mantém-se num nível razoável, enquanto que as águas subterrâneas apresentam actualmente boa qualidade. Em termos do tecido industrial determinante para a qualidade do ar na área em estudo, cita-se a actual central de energia da Caima Energia e a central termoeléctrica a biomassa da Bioeléctrica da Foz, situadas no perímetro industrial da fábrica da Caima. Não existindo estações de monitorização da qualidade do ar nas proximidades, o estudo de dispersão de poluentes, efectuado com base nas fontes do complexo industrial da Caima, mostrou que é boa a qualidade do ar na sua envolvente.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 9.
(12) O complexo industrial da Caima está localizado numa área rural com pequenos aglomerados populacionais existentes nas proximidades. As fontes de ruído existentes nesta área são as vias de tráfego rodoviário e ferroviário e o complexo industrial da Caima. Os resultados do levantamento acústico efectuado mostraram que são cumpridos os valores limite do Regulamento Geral do Ruído. Figura 6 – Localização das situações/receptores sensíveis. A área de implantação do projecto insere-se integralmente no interior do actual perímetro industrial da Caima, num local artificializado e impermeabilizado, utilizado presentemente como parque de madeiras, por conseguinte sem qualquer valor ecológico. No que respeita à sua envolvente directa, verifica-se muita pressão do tipo industrial, habitacional, rodo e ferroviário, bem como pressão agrícola com conversão de habitats naturais em zonas de cultivo, sobretudo nas proximidades do Rio Tejo, embora existam grandes áreas florestais. Não se verifica a existência de áreas ecológicas classificadas como sensíveis na envolvente alargada da Caima. Com excepção de algumas espécies de fauna que usam marginalmente a área de estudo como corredor ecológico, as espécies presentes são em regra caracterizadas por terem uma distribuição generalizada nas suas áreas de ocorrência global e razoavelmente tolerantes e resistentes à presença e pressão humana.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 10.
(13) Foto 3– Área florestal mista nas proximidades da Caima onde é visível a existência de pinheiro-manso e sobreiro, bem como o subcoberto dominado por espécie infestante (cana). A paisagem na envolvente da Caima, tal como de outras que se definem ao longo do rio Tejo, está muito relacionada com a presença do rio, tanto com a sua presença em termos visuais, como com a sua importância, desde sempre, em termos de organização do território. Foto 4 – Margem esquerda do Rio Tejo nas proximidades da Caima. Foi efectuado um reconhecimento sistemático dos locais onde serão instalados os elementos que compõem o Projecto, que confirmou a inexistência de valores arquitectónicos e arqueológicos nessas áreas.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 11.
(14) Em 2011, o concelho de Constância tinha 4 056 habitantes e, em termos de densidade populacional (50,5 hab./km2), apresenta uma das mais baixas do Médio Tejo. Do ponto de vista da actividade económica, nesse ano, predominava o sector terciário no concelho (67%), embora o sector secundário se mantenha expressivo. No mesmo ano, a taxa de desemprego era de cerca de 11%, da mesma ordem de grandeza da região. A análise de distribuição da estrutura empresarial indica o comércio por grosso e retalho o principal ramo de actividade, seguido da administração e serviços de apoio, do alojamento e restauração e das indústrias transformadoras, destacando-se o complexo industrial da Caima, que é a maior empresa empregadora do concelho. Ao nível das infra-estruturas e equipamentos, apresenta níveis de atendimento razoáveis, o mesmo respeitante às acessibilidades, pese embora o facto de o território concelhio ser atravessado pelo rio Tejo, que se traduz num elemento condicionante em termos das ligações locais, afectando sobretudo a zona Sul do concelho. Ao nível ferroviário, o concelho de Constância é servido pela Linha da Beira Baixa. Não considerando os efeitos da presente pandemia, relativamente à saúde humana, a subregião Médio Tejo onde se insere o concelho de Constância, apresentava indicadores razoáveis no caso dos serviços de saúde disponíveis e de esperança de vida à nascença. A 1.ª Revisão do Plano Director Municipal de Constância encontra-se plenamente eficaz, no qual a área de implantação do Projecto está classificada como Espaço de Actividades Económicas, de acordo com o uso que se pretende para o local. Figura 7 – Planta de Ordenamento – Classificação e qulificação do solo. Fonte: DGT (imagem obtida através de serviço WMS, em 02.02.2021). Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 12.
(15) Os Efeitos no Ambiente Resultantes da Implementação do Projecto Em termos globais, os impactes positivos do projecto sobrepõem-se largamente aos efeitos de natureza negativa. Destaca-se igualmente o baixo nível de impacte negativo gerado por este projecto, quer na fase de construção, quer na fase de exploração, que não ultrapassam o nível reduzido. Salienta-se, também, que o Projecto não determina impactes de qualquer natureza no património e no ordenamento territorial, desde que salvaguardada a servidão associada ao colector de águas residuais proveniente do concelho de Constância. Na fase de construção, os efeitos negativos do Projecto sobre o ambiente são considerados reduzidos ou mesmo sem impactes, devido ao facto de este se desenvolver numa área industrial existente, dispondo das necessárias infra-estruturas, como acessos viários, redes de abastecimento de água, de drenagem de águas residuais e de outros fluidos processuais, para citar as principais. Por outro lado, o Projecto não irá interferir com linhas de água e não foram identificadas ocorrências patrimoniais, para além de que, em se tratando de alterações a realizar no interior de uma unidade industrial existente, a percepção e valor visual do local não serão alteradas. Destaca-se, na fase de construção, os efeitos positivos do projecto associados à criação de um número variável de postos de trabalho (máximo de 220), temporários, por cerca de 1 ano, que é a duração previsível das actividades construtivas. Será também expectável, nesta fase, uma maior procura de bens e serviços (alojamento, restauração, outros), que contribuirá para a dinamização da economia local. Estes impactes foram classificados com significância reduzida. Na fase de exploração, após a entrada em funcionamento da nova central a biomassa e colocação em reserva da caldeira a gás natural, os impactes negativos do Projecto são desprezáveis, ou reduzidos, relevando-se os efeitos de natureza positiva, com significância que, em alguns descritores, atingem o nível elevado, como se destaca seguidamente. Assim, na fase pós-Projecto, toda a energia térmica e eléctrica produzida no complexo industrial da Caima será gerada a partir de fontes de energia não fóssil, renovável e endógena. Assim, espera-se uma redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) de origem fóssil, directas e indirectas, na ordem dos -21,5 kt/ano, relativamente aos valores actuais, o que configura um impacte positivo de significância elevada, de abrangência nacional. Em termos das emissões gasosas globais, o Projecto em apreço permitirá um impacte positivo na qualidade do ar na envolvente, embora de significância reduzida. No que respeita ao ruído do complexo industrial para o exterior, não se prevê qualquer incremento em relação à situação actual. Por outro lado, o Projecto da nova central a biomassa é um elemento-chave para a concretização dos objectivos definidos pelo Grupo Altri, de reduzir a intensidade carbónica da sua actividade e responde de forma cabal aos desafios que Portugal enfrenta no quadro dos compromissos assumidos para mitigação das alterações climáticas, da promoção da utilização das energias renováveis e da minimização da dependência externa em combustíveis fósseis. Trata-se também de um projecto de investimento com efeitos positivos na geração de riqueza e nos indicadores sócio-económicos locais e regionais.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 13.
(16) Pese embora não se prever a contratação de novos trabalhadores na fase de funcionamento do Projecto, a procura acrescida de biomassa irá induzir a criação de postos de trabalho indirecto em actividades conexas a montante e a jusante. Para além da criação de emprego, a maior utilização de biomassa residual florestal contribuirá para melhorar a gestão das florestas nacionais, promovendo um maior e melhor controlo do risco de incêndios. Nesta conformidade, a nível global, o impacte sócio-económico do Projecto é de natureza positiva e de significância elevada e de abrangência regional e nacional. A avaliação de potenciais acidentes associados ao Projecto revela que não irão afectar os aglomerados populacionais mais próximos.. As Medidas que Minimizam os Efeitos Adversos e Potenciam as Oportunidades Criadas pelo Projecto Durante a construção, propõem-se medidas de carácter genérico que envolvem, essencialmente, a implementação de um conjunto de boas práticas ambientais, a ser tomado em devida consideração pelo Empreiteiro/Dono da Obra. Estas medidas genéricas incluem recomendações para a instalação e funcionamento dos estaleiros, para as actividades construtivas em geral, para a gestão de resíduos, emissões de ruído e atendimento público, entre as principais. Interessa aqui referir que todas as actividades relacionadas com a construção se desenvolverão no interior do perímetro fabril, sem condicionar a circulação nas zonas vizinhas. De acordo com as boas práticas ambientais, o Empreiteiro deverá implementar um Plano de Gestão Ambiental da obra, que se destina a assegurar o cumprimento das medidas de minimização propostas e o controlo dos efeitos da obra sobre o ambiente e as populações. Este plano pressupõe a existência de uma equipa responsável pela verificação da aplicação dessas medidas e pela realização de acções de formação e sensibilização dos trabalhadores para as questões ambientais. Nesta fase, foi recomendado, também, a contratação preferencial de mão-de-obra local e o acompanhamento arqueológico das actividades que envolvam escavação de solos. Após conclusão das actividades construtivas, todas as áreas que foram ocupadas de forma temporária serão recuperadas, tentando repor-se, tanto quanto possível, o seu estado original. São apresentadas recomendações para retirar do local de obra todos os equipamentos e resíduos que possam existir e para repor ao estado inicial quaisquer áreas e/ou infra-estruturas que possam ter sido afectadas pela obra. Durante a fase de operação da nova central a biomassa, propõe-se um conjunto de recomendações relativas a boas práticas ambientais, como a minimização dos consumos de água e da produção de resíduos. Nesta fase, propõe-se também a contratação preferencial de trabalhadores locais, a manutenção e ampliação se possível das boas práticas de responsabilidade social na gestão empresarial do Grupo Altri, no respeito pelos direitos humanos, o investimento na valorização pessoal, a protecção do ambiente, o combate à corrupção, o cumprimento das normas sociais e o respeito pelos valores e princípios éticos.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 14.
(17) Por último, propõe-se a realização da monitorização de parâmetros ambientais chave, como s e descreve no ponto seguinte.. A Monitorização do Ambiente A avaliação ambiental e a minimização de impactes ambientais é um processo dinâmico no tempo, devendo ser reequacionado sempre que novos elementos ou resultados não expectáveis assim o determinem, sendo a monitorização o parâmetro chave neste processo. Por outro lado, a observação periódica do meio, após a implantação do projecto, permite a obtenção de dados não disponíveis ou inexistentes na fase prévia de projecto e validar ou alterar pressupostos de avaliação anteriormente assumidos. No complexo industrial da Caima, incluindo na central de energia da Caima Energia está implementado um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), de acordo com os requisitos da norma ISO 14001, bem como o Registo EMAS. O SGA está integrado com outros sistemas de gestão implementados, incluindo qualidade (norma ISO 9001), segurança (norma 45001) e energia (norma ISO 50001), sistemas que irão integrar a Nova Central a Biomassa. Para além disso, a Caima está abrangida pelo regime da Prevenção e Controlo Integrados da Poluição (PCIP), procedendo à monitorização de um conjunto de aspectos ambientais, como volume e qualidade da água captada, qualidade das águas residuais descarregadas, emissões gasosas, resíduos produzidos e ruído. Considerou-se, em complemento, a monitorização do ruído nos receptores sensíveis mais próximos, após a entrada em funcionamento normal do Projecto, de modo a confirmar os pressupostos da avaliação realizada e prever a necessidade de implementar eventuais medidas de minimização adicionais. Assim, os procedimentos de monitorização já actualmente implementados no complexo industrial da Caima dão resposta aos objectivos de monitorização do presente Projecto, sendo dispensável prever procedimentos adicionais.. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 15.
(18) ANEXO Implantação Geral do Projecto. Nova Central a Biomassa da Caima Energia – Resumo Não Técnico 16.
(19) Nº DA INST. 1. NOVA CENTRAL BIOMASSA. 35 ,40 °. 2. ESCRITÓRIOS E ADMINISTRAÇÃO. CE. 980 m². 8.40 -. LABORATÓRIO. -. 3. POSTO MÉDICO. -. 4. PORTARIA. -. -. 5. PREPARAÇÃO DO ÁCIDO. 720 m². 7.80. 6. DIGESTORES. 850 m². 29.50. 7. LAVAGEM. 1000 m². 13.00. 8. BRANQUEAMENTO. 1050 m². 22.75. 9. SECAGEM. 1800 m². 17.60 11.00. 10. LINHA AUTOMÁTICA DE EMBALAGEM. 750 m². 11. ARMAZÉM DA PASTA. 3800 m². 9.00. 12. ARMAZÉM GERAL. 335 m². 11.00. 13. OFICINAS DE MANUTENÇÃO. 1100 m². 11.00. 14. GABINETE TÉCNICO / GABINETE DE PROJETOS. -. -. 15. CALDEIRA DE BIOMASSA (BIOELÉTRICA DA FOZ). 800 m². 30.15. 16. SALA DE USOS GERAIS. 230 m². 5.10. 17. CENTRAL DE VAPOR - CALDEIRA DE RECUPERAÇÃO. 525 m². 28.00. 18. CENTRAL ELÉTRICA / CALDEIRA DE BIOMASSA. 19. CONCENTRAÇÃO DE LICOR. 1365 m². 28.45. -. 22.40. 470 m². 3.80. 20. ESTAÇÃO DE BOMBAGEM. 21. RECUPERÇÃO DE FIBRAS / TRATAMENTO EFLUENTES. 404 m². 7.80. 22. SERVIÇOS SOCIAIS. 550 m². 8.50. 23. PREPARAÇÃO DA MADEIRA - SILO DE ESTILHA. 550 m². 26.70. 24. PREPARAÇÃO DA MADEIRA - CRIVAGEM. 218 m². 13.50. 25. EDIFÍCIO DE APOIO - PARQUE DE MADEIRAS. 52 m². 6.30. 26. EDIFÍCIO DE APOIO - PREPARAÇÃO DA MADEIRA. 75 m². 13.00. 27. EDIFÍCIO DO DESCASCADOR. 330 m². 9.00. 28. EDIFÍCIO DO DESTROÇADOR DE CASCA. 56 m². 13.00. 759 m². 13.60. 1400 m². 16.70. 29. SILO DE BIOMASSA. 30. SILO DE BIOMASSA (BIOELÉTRICA DA FOZ). 31. CALDEIRA A BIOMASSA. 900 m². 35.50. 32. TURBINA / SALA DE MÉDIA TENSÃO. 385 m². 19.00. 33. TORRE DE REFRIGERAÇÃO. 130 m². 11.60. 34. ESTALEIRO (PROVISÓRIO). 2500 m². -. ( * - CÉRCEA DOS EDIFÍCIOS). LEGENDA:. 30. CE. CE. ÁREA DE ELEVAÇÃO(*) IMPLANTAÇÃO (m) (m²). DESIGNAÇÃO. TRANSPORTADORES DE BIOMASSA CALDEIRA A BIOMASSA ABB. TURBINA / SALA DE MÉDIA TENSÃO TORRE DE REFRIGERAÇÃO ESTALEIRO (PROVISÓRIO). TRATAMENTO DE EFLUENTES [236]. PERÍMETRO FABRIL. 29 21. RECUPERAÇÃO DE FIBRAS [235]. SECAGEM [210]. 20. 9. 28 DIGESTORES [205] CL 08.TQ.1004 LIQUOR BUFFER TANK. CL 08.BB.1007. 6 7. CL 08.MT.1034. 8. ℄08. PEM.0063. C L 08.BB.1157. CL 08.TQ.1154 MC TANK. CL08.BB.1089. CL08.TQ.1092. PREPARAÇÃO DE ÁCIDO. TORRES DE REFRIGERAÇÃO. 5 23. ℄08. PEM.0061. ℄ 08.BB.1170. CL08.TQ.1142 FILTRATE TANK. CL08.TQ.1080 FILTRATE TANK. ℄08.BB.1164 ℄08.BB.1167. PRE. DO ÁCIDO [204]. BRANQUEAMENTO [208]. 4 ARMAZEM GERAL [248]. 12. OFICINAS MANUTENÇÃO [247]. 27. LAVAGEM [206]. CL 08.BB.1083. LC 08.BB.1086. CL 08.BB.1145. ℄08.BB.1182. ℄ 08.BB.1173. CL08.BB.1151. CL08.BB.1148. CL08.BB.1095. 26. 24. CL 08.BB.1043. CL 08.BB.1056 MC PUMP CM. CL08.BB.1119. CL 08.TQ.1040 E REACTOR. CL 08.MT.1037 S-MIXER SMF. CL 08.MT.1099 S-MIXER SMF. CL08.BB.1119. CL 08.BB.1118 MC PUMP CM. 10. CL08.TQ.1053 E BLOW TANK. ℄08. PEM.0060. CL08.BB.1017. 13. 11 MÁQ. DE LAVAGENS. 14. CENTRAL ELÉCTRICA [223]. 18. 22. 2. CENTRAL DE VAPOR [221]. 25. PREPARAÇÃO DA MADEIRA [203]. 3. ARMAZÉM DA PASTA [212]. Y-DIR.. LINHA AUTOMÁTICA DE EMBALAGEM [211]. CL 08.TQ.1102 02 REACTOR. CL 08.BB.1105. CL 08.TQ.1115 02 BLOW TANK. 33. GABINETE TÉCNICO GABINETE PROJECTOS. 1. 19. PARQUE DE MADEIRAS [202]. CONC. DE LICOR [220]. 31. 17 1. 32. DEPOSITOS ACIDO CLORIDRICO. 15. CENTRAL DE BIOMASSA. 16 34. Rev. Tol. geral * Acab. geral * Sinais de acabamento 3.2. = 12.5. 0.8. =. = =. Material:. * Escala/s : 1:1000. Project. Des. Verif. Aprov.. Alteração Data Nome 07/01/2021. MPernadas. 08/01/2021. JSilva. Data. Executou. NOVA CENTRAL A BIOMASSA Projeto de Execução Instalações: Áreas; Elevações Implantação Geral Escala de plotagem :. 1:1. Departamento: GABINETE DE PROJETOS. Ficheiro CAD.. Verificou. Aprovou. 21.21.EST.80.001 Substitui: * Substituido por:.
(20)
Documentos relacionados
Figura 12 – A: imagem tomográfica obtida por tomógrafo de impulso no modelo de cor “rainbow” e resolução de superfície igual a 1 mm da base do indivíduo n° 12; B:
A alta prevalência para o risco de TMC e os fatores a ele associados devem ser considerados para o desenvolvimento de projetos terapêuticos que articulem medidas eficazes
Os resultados apontaram vários fatores que quando associados ao uso nocivo ou dependência do álcool, poderiam favorecer a expressão do comportamento suicida,
E, por fim, o sorgo biomassa, caracterizado por ser uma planta de ciclo longo (até 180 dias), com elevada produção de massa vegetal, com potencial para queima em caldeiras de
Em busca de um equilíbrio entre desenvolvimento socioeconômico dos países e a proteção do meio ambiente, técnicas de geração de eletricidade, através de fontes
Para essa discussão, selecionamos o programa musical televisivo O fino da bossa, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, na TV Record de São Paulo, entre os anos de 1965 e
Isto porque os sujeitos sociais possuem um critério de expressão que se reflete no aspecto do indivíduo e suas particularidades, mas também enquanto gênero que, sob a
Para dar resposta ao aumento da procura e às exigências impostas pelas cargas, foram implementadas soluções, tais como: construção de grandes centrais de