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Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
Temporal
processing
and
long-latency
auditory
evoked
potential
in
stutterers
夽
Raquel
Prestes
∗,
Adriana
Neves
de
Andrade,
Renata
Beatriz
Fernandes
Santos,
Andrea
Tortosa
Marangoni,
Ana
Maria
Schiefer
e
Daniela
Gil
UniversidadeFederaldeSãoPaulo(UNIFESP),DepartamentodeFonoaudiologia,SãoPaulo,SP,Brasil
Recebidoem12dedezembrode2015;aceitoem16defevereirode2016 DisponívelnaInternetem17defevereirode2017
KEYWORDS Stutteringadult; Auditoryprocessing disorder;
Auditoryevoked potential
Abstract
Introduction:Stutteringisaspeechfluencydisorder,andmaybeassociatedwith neuroaudio-logicalfactorslinkedtocentralauditoryprocessing,includingchangesinauditoryprocessing skillsandtemporalresolution.
Objective:Tocharacterizethetemporalprocessingandlong-latencyauditoryevokedpotential instutterersandtocomparethemwithnon-stutterers.
Methods:The study included41right-handed subjects,aged 18---46 years,dividedinto two groups:stutterers (n=20)andnon-stutters(n=21),compared accordingto age,education, andsex.Allsubjectsweresubmittedtothedurationpatterntests,randomgapdetectiontest, andlong-latencyauditoryevokedpotential.
Results:IndividualswhostuttershowedpoorerperformanceonDurationPatternandRandom GapDetectiontestswhencomparedwithfluentindividuals.Inthelong-latencyauditoryevoked potential,therewasadifferenceinthelatencyofN2andP3components;stutterershadhigher latencyvalues.
Conclusion:Stutterershavepoorperformanceintemporalprocessingandhigherlatencyvalues forN2andP3components.
© 2017 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.02.015
夽 Comocitaresteartigo:PrestesR,deAndradeAN,SantosRB,MarangoniAT,SchieferAM,GilD.Temporalprocessingandlong-latency auditoryevokedpotentialinstutterers.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:142---6.
∗Autorparacorrespondência.
E-mails:[email protected],[email protected](R.Prestes).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
PALAVRAS-CHAVE Gagueiraadulta; Distúrbiodo processamento auditivo;
Potencialevocado auditivo
Processamentotemporalepotencialevocadoauditivodelongalatência emindivíduosgagos
Resumo
Introduc¸ão: Agagueiraéumdistúrbiodafluênciadafalaepodeestarassociadaafatores neuro-audiológicosligadosaoprocessamentoauditivocentral,entreelesasalterac¸õesdashabilidades auditivasdeprocessamentoeresoluc¸ãotemporal.
Objetivo: Caracterizar o processamento temporal e o potencial evocado auditivo de longa latênciaemindivíduosgagosecompará-loscomindivíduossemgagueira.
Método: Participaramdoestudo41indivíduosdestros,de18a46anos,distribuídosemdois grupos:20comgagueirae21semgagueira,comparadossegundoidade,escolaridadeegênero. Todososindivíduosforamsubmetidosaostestesdepadrãodedurac¸ão,testedeidentificac¸ão deintervalosaleatórioseopotencialevocadoauditivodelongalatência.
Resultados: Indivíduoscomgagueiraapresentarampiordesempenhonostestesdepadrãode durac¸ãoeRandomGapDetection,quandocomparadoscomosindivíduosfluentes.Nopotencial evocadoauditivodelongalatência,houvediferenc¸analatênciadoscomponentesN2eP3,os indivíduosgagosapresentarammaioresvaloresdelatência.
Conclusão:Osindivíduoscomgagueiraapresentaramprocessamentotemporalcom desempe-nhoabaixodoesperadoeummaiorvalordelatênciaparaoscomponentesN2eP3.
© 2017 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
As alterac¸ões de fala e linguagem podem cursar com
alterac¸õesnoprocessamento dainformac¸ãorecebida pelo
sentidodaaudic¸ão.Estudosdemonstraramqueexisteuma
correlac¸ão entreoprocessamento dasinformac¸ões
auditi-vas,asviasvisuaiseadificuldadedelinguagemexpressiva,
aqualpodetermanifestac¸ãonafluênciadafalaeser
carac-terizadacomogagueira.1---3
A gagueira é conhecida como uma ruptura na fluência
da fala, é uma desordem multifatorial, na qual
aspec-tos biológicos, psicológicos e sociaisse correlacionam de
formacomplexa.1 Dentre osaspectos biológicos,estão as
alterac¸õesna percepc¸ãoouprocessamento dainformac¸ão
auditiva.2,4---6
O processamento da informac¸ão auditiva relaciona-se
comatemporalizac¸ãodesons,ritmoe prosódia,aspectos
nos quais indivíduos gagos podem apresentar alterac¸ões,1
atéhipotetizadascomocausasimediatasdagagueira,
sobre-tudo nos graus severos de disfluência, uma vez que o
processamento temporal auditivo é fundamental para a
percepc¸ão da fala, está intimamente relacionado com o
processamento da linguagem oral.1,7,8 Por esse motivo,
torna-senecessáriaa avaliac¸ão dosprocessos
neuroaudio-lógicos dessa populac¸ão. A avaliac¸ão neuroaudiológica de
indivíduos com gagueira podeserfeitacom testes
auditi-vos comportamentais e tambémcom o uso de potenciais
evocadosauditivos.
O processamento auditivo temporal refere-se à
capa-cidade do indivíduo de perceber as mudanc¸as nas
características dos sons, tais como durac¸ão, intensidade,
frequência e pausas entre os estímulos.9 Existem vários
procedimentos disponíveis para avaliar o processamento
temporal do pontode vista auditivo,tais como ostestes
depadrãodefrequênciaedurac¸ãocomtompuro10---12ecom
tommusical.13 A discriminac¸ãode pausasentre estímulos
podeseravaliadacomotestedeidentificac¸ãodeintervalos
aleatórios(RGDT).14
Em umestudofeito comcrianc¸as comgagueira
desen-volvimental,noqualforamavaliadosospadrõestemporais
(aspectos de frequência e durac¸ão), foi observado que
crianc¸as gagas apresentavam pior desempenho e maior
número de alterac¸ões comparadas com crianc¸as que não
apresentavamgagueira.1Entreosautoresqueestudarama
resoluc¸ãotemporalemindivíduosgagos,algunsverificaram
piordesempenhoemindivíduosgagos.15,16
Entre os procedimentos eletrofisiológicos disponíveis
paraavaliarosaspectosrelacionadosa atenc¸ão,memória
e discriminac¸ão auditiva,17 pode-se citar o potencial
evo-cadoauditivodelongalatência(PEALL).Naliteraturaque
relacionaostemasgagueiraePEALL,háestudosque
rela-tamdiferenc¸as nas amplitudes deP3, os indivíduos gagos
apresentavammenor amplitudedessecomponente;4,18 em
outroestudo,nãohouvediferenc¸as naslatênciase
ampli-tudesdo P3 na comparac¸ão entre indivíduos gagos e não
gagos.19
Estudosnacionaisrecentesnãoevidenciaramdiferenc¸as
delatênciasdo P300ao comparar indivíduos gagose sem
gagueira.5,6
Diante desses achados, pode-se notar que existem
relac¸õesentreahabilidadeauditivadeprocessamento
tem-poral e a ocorrência de gagueira. Contudo, ainda não há
um consenso sobre a forma pela qual as habilidades do
processamentotemporal,ospotenciaisevocadosauditivos
delonga latência e a manifestac¸ão da gagueira se
corre-lacionam.Uma dashipóteses paraa falta deconsenso na
literaturaseriaaheterogeneidadedosgruposdegagosem
cadapesquisa.Alémdisso,umavezqueagagueira,porser
umdistúrbiomultifatorial,carregaemsiinfluências
bioló-gicas,psicossociaisedomeio,taisfatorestambémpodem
gerarresultadosnãoconclusivos,sãonecessáriosmais
Assim, o objetivo deste estudo foi caracterizar o
pro-cessamentotemporaleospotenciaisevocadosauditivosde
longalatênciaemindivíduosgagos,ecompararcom
indiví-duossemgagueira.
Método
Oprojeto foiaprovado pelo Comitêde Éticaem Pesquisa
sob o n◦ 26574/2012. Foi feito um estudo observacional
transversale deinquérito, a amostrade indivíduos gagos
foiselecionada em umservic¸o de avaliac¸ão e diagnóstico
fonoaudiológicodeumhospital-escola.Aamostrade
indiví-duosnãogagos,constituídaporvoluntários,foiselecionada
porconveniência,segundoacomparac¸ãocomosindivíduos
gagos,emrelac¸ãoàidade,escolaridadeegênero.
Para participac¸ão no estudo, foram estabelecidos os
seguintes critérios de inclusão: ter preferência manual
direita;entre18e55anos;limiaresauditivostonaisdentro
dospadrõesdenormalidade(comlimiaresaté25dBNAnas
frequênciassonorasde250-8kHz);curvatimpanométricado
tipoAereflexosacústicosestapedianoscontralaterais
pre-sentes(nasfrequênciassonorasde500-4 kHz);ehistórico
negativodealterac¸õescondutivase/ouneurológicas.
Além disso, parao grupo de gagos (GG), os indivíduos
deveriam apresentar gagueira de grau leve a moderado,
segundooStutteringSeverityInstrument---SSI-3;20 epara
ogrupocomparac¸ãoGNG(gruponãogagos),osindivíduos
nãodeveriamapresentardisfluênciasdefala.
Aavaliac¸ãocomportamentaldoprocessamentotemporal
foifeitacomoauxíliodosseguintesequipamentos:cabina
acústica,discmanmodeloExpaniumdamarcaPhilips,
audi-ômetro da marca Grason-Stadler modelo GSI-61 e fones
supra-auraismodeloTDH-50P,compactdisccomostestesde
padrãodedurac¸ão11eidentificac¸ãodeintervalosaleatórios
(RGDT).14
Otestedepadrãodedurac¸ãocomtompuro11foi
apresen-tadonaformabinaurala50dBNS,temcomobaseamédia
doslimiaresauditivostonaisde500Hz,1.000Hze2.000Hz.
Foramapresentadas30sequênciasdeformabinaural,com
seispossíveiscombinac¸ões(LLC,CCL,LCL,CLC,LCCeCLL).
Oindivíduofoisolicitadoaidentificaracombinac¸ãoquelhe
foiapresentada.Ocritériodenormalidadeadotadofoiode
83%deacertos,nomínimo.10,11
O teste RGDT foi apresentado na forma binaural a
50 dBNS, teve como base a média dos limiares auditivos
tonaisde500Hz,1.000Hze 2.000Hz.Otesteteveinício
comaapresentac¸ãodeumafaixatreino,comestímulosde
0,5kHz,naqualosintervalosinterestímulosvariaramde0a
40ms,queapareceramdeformacrescente,ouseja:0;2;5;
10;15;20;25;30e40ms.Apósotreinobem-sucedido,foi
iniciadaafasecomossubtestesnasfrequênciasde0,5k;1k;
2ke4kHz.Emcadafrequênciaforamapresentadas
sequên-ciasdenove estímulos,com osintervalosdeinterrupc¸ões
distribuídosdemodoaleatório.14Paracadaestímulo,o
indi-víduofoiorientadoarelatarsehaviapercebidoumoudois
sons,ouseja,sinalizou sepercebeuounãoapresenc¸ade
umainterrupc¸ão(gap).Ocritériodenormalidadeadotado
foiointervalodegapmédiomenordoque10ms.21
Paraavaliac¸ãoeletrofisiológica,foiusadooequipamento
SmartEPUSBJrdedoiscanais,damarcaIntellingent
Hea-ringSystems---IHS,fonesdeinserc¸ãomodeloER-3A,pasta
abrasiva,pastaeletrolítica,fitamicroporosaeeletrodosde
prata.Ospotenciaisevocadosauditivosforamcaptadosem
salaacústicaeeletricamentetratada,comoindivíduo
aco-modadoconfortavelmenteemumapoltronareclinável.Após
alimpezapréviadapele compastaabrasiva,oseletrodos
foramfixadoscomfitaaderenteedispostos,segundoo
sis-tema 10-20,22 novértex(Cz), nos lóbulosdas orelhas(A1
esquerdaeA2direita)e,nafronte,oterra(Fpz).Foientão
checadaaimpedânciadoseletrodos,cujosvaloresdeveriam
encontrar-semenoresouiguaisa5kohms.23
Paracaptac¸ãodosPEALL,foiusadooestímuloacústico
tone burst, apresentado de forma binaural a 70 dB NA,
nasfrequênciasde1.000Hz(estímulofrequenteque
repre-sentou 80% dos estímulos) e 2.000 Hz (estímulo raro que
representou20%dosestímulos),totalizou300estímuloscom
a velocidade de apresentac¸ão de 1,1 segundo, com
pola-ridade alternada, filtros 1-30 Hz e janela de 600 ms. Os
componentesN1,P2e N2foramanalisadosnotrac¸adodo
estímulofrequente,enquantooP3foianalisadonotrac¸ado
resultante dasubtrac¸ão do estímulofrequente pelo raro.
A faixa de normalidade para cada componente24 foi: N1:
80-150 ms; P2: 145-180 ms;N2: 180-250 ms; 17-20 anos:
225-365mse30-50anos:290-380ms.
Para análise estatística, buscou-se verificar se houve
diferenc¸a entreosgrupos (GGe GNG)e paratantoforam
usados os testes de Mann-Whitney (para TPD), teste de
Friedman(RGDT)eotestedeanálisedevariâncianão
para-métricacommedidasrepetidas(PEALL).Foiadotadoonível
de significânciade 5% e ostestes comresultados
estatis-ticamente significantes foram destacados com o símbolo
asterisco(*).
Resultados
Participaram da pesquisa 41 indivíduos, na faixa de
18-46 anos, ambos os gêneros, distribuídos em dois
gru-pos:GG(grupodegagos),constituídopor20indivíduoscom
gagueiradegrauleveamoderado,noveindivíduosdogênero
femininoe11domasculino;eGNG(gruponãogagos),
for-mado por 21 indivíduos sem gagueira, dez indivíduos do
gênerofemininoe11domasculino.Amédiadeidadepara
osdoisgruposfoide30anos.
ParaoTPDfoiusadootesteestatísticodeMann-Whitney;
paraRGDT,otestedeFriedman.
Atécnicadeanáliseestatísticausadafoianálisede
vari-âncianãoparamétricacommedidasrepetidas.
Na avaliac¸ão do processamento temporal (tabela 1),
foramencontradasdiferenc¸asestatisticamentesignificantes
nosresultadosdoTPDeRGDTentreosgruposGGeGNG,o
GGapresentoumenoresporcentagensdeacertosnoTPDe
maioresvaloresdedetecc¸ãodegapquandocomparadoscom
oGNG;osvaloresdoTPDedoRGDTmostraram-sealterados
noGGenormaisnoGNG.
Já na avaliac¸ão do PEALL (tabela 2), não foram
iden-tificadas diferenc¸as entre os valores de latência nos dois
gruposparaoscomponentesN1eP2.Somentefoiobservada
diferenc¸a entreasorelhas direita e esquerdaparaambos
osgrupos no componente N1,aorelha direita apresentou
menorlatênciadoqueaesquerdaparaessecomponente.Já
paraoscomponentesN2eP3,observou-sequeaslatências
noGGforammaioresdoquenoGNG.Nãohouvediferenc¸a
significanteentreaslatênciasdasorelhasdireitaeesquerda
Tabela1 MedidasdescritivasdasrespostasnoTPD(%)eRGDT(ms)nosgrupossemgagueira(GNG)ecomgagueira(GG)
Variável Grupo N Média Desviopadrão p-valor
TPD(%) GNG 21 89,2 7,9 0,009a
GG 20 74,8 21,5
RGDT(ms) GNG 21 7,3 2,7 0,012a
GG 20 10,4 7,1
GG,grupocomgagueira;GNG,gruposemgagueira;N,tamanhodaamostra;RGDT,RandomGapDetectionTest;TPD,testesdepadrão dedurac¸ão.
a Estatisticamentesignificante.
Tabela2 Medidasdescritivasdalatência(ms)doscomponentesN1,P2,N2eP3nosgrupossemgagueira(GNG)ecomgagueira (GG),pororelha
Onda Orelha Grupo N Média Desviopadrão p-valorentreosgrupos p-valorentreasorelhas
N1 Direita GNG 21 99,7 8,8 0,376 0,006a
GG 20 96,2 10,8
Esquerda GNG 21 99,9 8,7 0,376 GG 20 99,7 10,8
P2 Direita GNG 21 174,1 26,0 0,902 0,650
GG 20 167,7 25,1
Esquerda GNG 21 169,0 24,6 0,902 GG 20 172,0 25,1
N2 Direita GNG 21 221,2 39,9 0,003a 0,526
GG 20 245,5 48,9
Esquerda GNG 21 214,7 40,1 0,003a
GG 20 247,0 45,6
P3 Direita GNG 21 293,7 23,0 0,006a 0,438
GG 20 328,7 56,4
Esquerda GNG 21 289,0 30,4 0,006a
GG 20 332,7 61,8
GG,grupocomgagueira;GNG,gruposemgagueira;N,tamanhodaamostra.
a Valorestatisticamentesignificante.
Discussão
Nopresenteestudo,foramavaliadososaspectos
comporta-mentaisdostestesdeprocessamentoauditivotemporaleo
dacaptac¸ãodepotencialeletrofisiológicoqueestãoligados
aatenc¸ão,discriminac¸ãoememóriaauditiva,foiobservada
umadefasagemnosindivíduos queapresentavamgagueira
emrelac¸ãoaosindivíduossemgagueira.
NostestesTPDeRGDT,houvedesempenhoinferiordoGG
quandocomparadocomaGNG(tabela1),demostraqueos
indivíduos comgagueira apresentaramdificuldade em
dis-criminar padrõessonoros quantoàsuadurac¸ãoe também
emidentificarosintervalosinterestímulos.25 Essesmesmos
achados foram descritos por Blood, Andrade e Schochat,
Andrade etal.,Schiefer e Arcuri,26---30 cujosestudos
com-paravamindivíduoscomesemgagueira.Issoevidenciaque
agagueiraestárelacionadacomasalterac¸õesdosaspectos
temporaisdoprocessamentodosom.
O GG do presente estudo apresentou maiores limiares
de RGDT comparados com o GNG, de forma
estatistica-mente significante. A habilidade auditiva avaliada nesse
teste está associada ao reconhecimento dos sons da fala
emudanc¸asnadurac¸ão,pausasevelocidadedassílabas.25
Taisaspectossãoimportantesparaofeedbackauditivo.Em
estudo com modelo computacional que reproduzia a fala
gaguejadafoiencontradoumatrasadonofeedbackauditivo
dessemodelo.31 Observa-seque nãohá umaconcordância
dos achados da literaturaem relac¸ão à resoluc¸ão
tempo-raldeindivíduoscomgagueira. Autorescomo Gonc¸alvese
Arcuri6,30nãoencontraramdiferenc¸asentreindivíduoscom
gagueirae aquelessemgagueiraao aplicartaistestes em
suas amostras; entretanto, estudos como o de Andrade28
encontraram respostas similares ao presente estudo,
evi-denciarama relac¸ão entreo processamento temporale a
manifestac¸ãodagagueira nessapopulac¸ão. Ofatode não
haverumaconcordânciaquantoàsuaassociac¸ãopodeser
justificado, uma vez que estudos anteriores foram feitos
comumaamostranãohomogêneaquantoaograude
seve-ridadedagagueira,àescolaridadee àidade.Sabe-seque
taisfatoresinterferemnosresultadosdostestesde
proces-samentoauditivo.Aimprecisãotemporalnapercepc¸ãoda
fala,bem como a alterac¸ão no feedbackauditivo,32 pode
contribuirparaosmomentos dedisfluência33 ejustificaro
baixodesempenhodoGGnostestesTPDeRGDTnopresente
estudo.
Emrelac¸ãoaosPEALL,foramobservadasdiferenc¸as
sig-nificantesnaslatênciaN2eP3,tantoparaaorelhadireita
comoparaaorelhaesquerda,foiencontradomaiorvalorde
latênciaparaoGG(tabela2).Naliteraturaespecializada,
algunsautoresnãoobservaramdiferenc¸asP300quando
com-paradosindivíduoscomesemgagueira.19Empesquisasmais
recentes, foi encontrado maior número de resultados
alteradosnos indivíduos gagos.5,6 Não foramidentificados
estudoscomindivíduosgagosqueanalisassemocomponente
N2.Assim, pode-se concluir que indivíduos com gagueira
necessitamde maistempo para eliciaresse componente,
queimpactana velocidade darespostadoprocessamento
dealterac¸ão nos testes que avaliama habilidade de
pro-cessamento temporal e que foram aplicados no presente
estudo.
Neste estudo, embora tenham sido encontradas
diferenc¸as significativas quanto à latência do PEALL,
essanãorepresentoualterac¸ãonessepotencial,
diferente-mentedostestescomportamentais.Essesdadospodemser
explicadosdevidoàfaixadenormalidadeparaalatênciado
PEALLserbastanteamplaeossitíosgeradoresdos
compo-nentesseremdifusosnosistemanervosoauditivocentral.
Assim, foi observado que os testes comportamentais do
processamento auditivo foram mais sensíveis para essa
populac¸ão.
Aindaqueosachadossejamrelevantes,esteestudofoi
feitocomumaamostrapequena,naqualamaioriados
indi-víduoscom gagueira apresentou grau deseveridade leve;
poressemotivo, maisestudosquerelacionemo
processa-mentotemporalemindivíduosgagosdevemserfeitoseeles
devemenvolveroutros testesde processamentotemporal
compopulac¸õesmaioresemaishomogêneasem relac¸ãoà
gravidadedagagueira,paraquesejapossívelgeneralizaros
achadosatodapopulac¸ãodegagos.
Apesar dessas limitac¸ões, o conhecimento mais amplo
das inabilidades auditivas da populac¸ão de gagos
contri-buiparaomelhorplanejamentoterapêuticoeumapossível
intervenc¸ão, a qual pode incluir o treinamento auditivo
acusticamentecontrolado, para que a melhoria nas
habi-lidadesauditivaspossarefletiremumamelhorianafluência
dafala.
Conclusão
Osindivíduoscomgagueiraapresentaramresultadosabaixo
do esperado para os testes comportamentais que
avalia-ramoprocessamentotemporal,alémdemaioresvaloresde
latêncianopotencialevocadoauditivodelongalatência.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse
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