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Rev. adm. empres. vol.55 número5

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Academic year: 2018

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ISSN 0034-7590

RAE-Revista de Administração de Empresas | FGV-EAESP

© RAE | São Paulo | V. 55 | n. 5 | set-out 2015

EDITORIAL

ACESSO ABERTO: UM TEMA A SER MAIS BEM EXPLORADO

R

ecentemente, um blog dedicado a apresentar uma visão críti-ca sobre o acesso aberto questionou o papel da disseminação cientíica das bases SciELO e Redalyc (disponível em: <http:// scholarlyoa.com/2015/07/30/is-scielo-a-publication-favela>), ambas de origem e foco na América Latina. Esse mesmo blog já havia cau-sado polêmica ao apontar uma lista de publishers predatórios, em-presas que exploram o mercado de publicações cientíicas promoven-do um modelo em que os autores pagam para garantir acesso aberto aos leitores (disponível em: <http://scholarlyoa.com/publishers>). A despeito das críticas contundentes terem (ou não) algum fundamen-to e promoverem uma agenda com foco negativo envolvendo um tema emergente como esse, infelizmente o blog confunde mais do que es-clarece. O simples fato de SciELO e publishers predatórios pratica-rem algum tipo de “acesso aberto” e, portanto, estapratica-rem sendo usados como exemplos de “problema” já demonstra que diicilmente haverá convergência sobre esse conceito e suas implicações.

“Acesso aberto”, não apenas no mundo da publicação cientíi-ca (vide o exemplo do software livre), abrange tanto aspectos econômi-cos (capital) quanto ideológieconômi-cos (liberdade). Sem desmerecer o peso e a relevância desses aspectos, é importante promover também a discus-são sobre as questões de gestão (modelos de negócio) das publicações cientíicas com acesso aberto.

De fato, o que pode ser identiicado atualmente como “acesso aberto” em publicações cientíicas é um modelo de negócio em que o lei-tor não precise pagar para ler um artigo cientíico. Esse modelo emerge num ambiente dominado por um em que o autor é quem não paga. Mas esse não é certamente um jogo apenas de autores e leitores. Instituições de ensino e pesquisa e organismos de fomento, por exemplo, costumam pagar para manter o acesso aberto a ambos os lados. Algumas das gran-des editoras, tradicionalmente defensoras do acesso não aberto aos lei-tores, argumentam que pretendem praticar (ou já praticam) o modelo de acesso aberto aos leitores, desde que “alguém” pague.

Independentemente de quem venha a pagar, o fato é que man-ter um processo de publicação cientíica com qualidade implica cus-tos relevantes. Para os periódicos brasileiros, que aderem compulsoria-mente ao modelo de acesso aberto aos leitores, a discussão ica ainda mais complicada, principalmente em comunidades acadêmicas em que as alternativas para cobrar os autores não são bem-vistas. Assim, na maioria das vezes, quem paga acaba sendo uma instituição de ensino e pesquisa, pois sobram poucas alternativas para cobrir esses custos. Como não há retorno inanceiro direto, o que essas instituições estão dispostas a investir nos periódicos em geral não cobre as necessidades para manter um padrão de qualidade exigido para colocá-los no pata-mar comparável ao dos periódicos internacionais vinculados a grandes editoras comerciais.

Nesse cenário nos sobram algumas alternativas. Uma delas, defendida com vigor pelo blog mencionado anteriormente, é que en-treguemos nossos periódicos às grandes editoras, pois só elas teriam estrutura para garantir a qualidade necessária à disseminação do co-nhecimento cientíico. É claro que, nesse caso, passaríamos por uma redução drástica do número de periódicos no país, situação que

encon-tra defensores em nosso meio. Ouencon-tra alternativa seria uma mudança na política de inanciamento por órgãos de fomento, que gastam um valor nada desprezível comprando bases de periódicos, os quais nem todos nos interessam. Outra ainda foi aventada em entrevista de um dos fun-dadores do SciELO, em que airma: “SciELO terá que se tornar um efetivo

publisher” (disponível em: <http://blog.scielo.org/blog/2013/07/15/

entrevista-rogerio-meneghini>). Nesse caso, talvez teríamos uma edito-ra nacional com estrutuedito-ra capaz de concorrer com as internacionais. Im-portante notar que essas alternativas não são autoexcludentes.

Para além da discussão econômica e ideológica e das caracte-rísticas regionais do mercado de publicação cientíica, temos que en-fatizar que a produção e, por consequência, a publicação cientíica precisam avançar em novas frentes. Num momento em que tanto se discutem modelos de negócio antenados com a nova era de acesso di-gital amplo, o debate de temas como cocriação, mercado multi-lado e economia compartilhada, por exemplo, poderia também contribuir para ajudar a entender melhor os modelos de acesso aberto em periódicos cientíicos. Pesquisadores em Administração tem aqui um bom tema para explorar.

Nesta quinta edição, publicamos nove artigos inéditos. “Imple-mentation of Green IT in organizations: a structurational view” estuda a dinâmica de implementação de TI verde. “Impacto da distância social nas transgressões entre empresas e consumidores” contribui para o en-tendimento dessa relação. “Gestão de recursos do EaD: como adequar as tecnologias aos peris de assimilação” analisa o aprendizado a partir de tipos de tecnologia de educação a distância. “Remontando a rede de atores na implantação de um sistema de informação em saúde” inves-tiga, baseando-se na Teoria Ator-Rede, o comportamento de envolvidos no processo de implantação de um sistema de informação em um hos-pital público. “Determinants of the success of global and local brands in Latin America” aborda o sucesso de marcas globais e locais por meio da categorização de produtos. “Evaluating the eiciency progress with technology in a Spanish hotel chain” endereça a eiciência da produti-vidade de redes hoteleiras na Espanha no período de crise. “Métodos colaborativos na gestão de cadeias de suprimentos: desaios de imple-mentação” mostra como esses métodos inluenciam a competitividade das empresas. “Proposta de investigação sobre o uso de software no suporte à inovação em serviços” examina o impacto da inovação no se-tor por meio da tecnologia da informação e comunicação. “Cross-coun-try study on the determinants of bank inancial distress” pesquisa falên-cias bancárias em blocos internacionais como Nafta e União Europeia.

Completam esta edição a resenha sobre o livro Sete pecados

capitais nas organizações e as indicações bibliográicas sobre

aná-lise de dados quantitativos e economia comportamental.

Boa leitura a todos!

EDUARDO DINIZ | Editor Chefe

Professor da Fundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo São Paulo – SP, Brasil

Referências

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