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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 875.865 - SP (2006/0176407-3)

RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS

RECORRENTE : PELES POLO NORTE LTDA

ADVOGADO : JOSÉ ROBERTO MARCONDES E OUTROS

RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL

ADVOGADO : ROSA METTIFOGO

EMENTA

TRIBUTÁRIO – PIS – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DECLARADOS INCONSTITUCIONAIS – VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE A TÍTULO DE PIS – INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI N. 8.383/91 – APLICAÇÃO DA TAXA SELIC – HONORÁRIOS.

1. A controvérsia essencial destes autos restringe-se ao direito de se pleitear a correção monetária das parcelas referentes à compensação dos valores recolhidos indevidamente a título da contribuição do Programa de Integração Social - PIS, assim como a possibilidade de compensação com tributos recolhidos pela Secretaria da Receita Federal.

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Superior Tribunal de Justiça

3. Sobre expurgos inflacionários, na forma do entendimento sedimentado no STJ, os índices a serem aplicados na repetição de indébito são: o IPC, para o período de outubro a dezembro de 1989, e de março de 1990 a janeiro de 1991; o INPC, a partir da promulgação da Lei n. 8.177/91 até dezembro de 1991; a UFIR, a partir de janeiro de 1992 até dezembro de 1995, em conformidade com a Lei n. 8.383/91. Com a edição da Lei n. 9.250/95, foi estatuído, em seu art. 39, § 4º, que, a partir de 1º.1.1996, a compensação ou a restituição de tributos federais será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido.

4. As partes arcarão com as verbas da sucumbência, incluídos os honorários advocatícios estabelecidos na origem, na proporção do respectivo decaimento.

Recurso conhecido e provido em parte, somente no tocante à inclusão dos expurgos inflacionários, na forma explicitada no voto.

ACÓRDÃO

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Superior Tribunal de Justiça

Brasília (DF), 15 de março de 2007 (Data do Julgamento)

(4)

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 875.865 - SP (2006/0176407-3)

RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS

RECORRENTE : PELES POLO NORTE LTDA

ADVOGADO : JOSE ROBERTO MARCONDES E OUTROS

RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL

ADVOGADO : ROSA METTIFOGO

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (Relator):

PELES POLO NORTE LTDA. interpõe o presente recurso especial, fundado nas alíneas "a" e "c" da norma autorizadora constitucional, contra acórdão do Tribunal Regional Federal, o qual determinou a compensação de valores indevidamente recolhidos a título de PIS com parcelas do próprio PIS, com fulcro nos Decretos-Lei n 2.445 e 2.449, ambos de 1988, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF. Em acréscimo, no que tange à correção monetária dos indébitos, estabeleceu a incidência dos mesmos índices utilizados pela União Federal para atualização de seus débitos. (fls. 181/191)

Diante desse pronunciamento judicial, sobreveio o presente recurso especial, no qual o recorrente alega que o acórdão a quo violou os arts. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95 e 66 da Lei n. 8.383/91; bem como divergiu do entendimento de outros tribunais, pois sustenta que é viável "se compensar o crédito oriundo dos recolhimentos de PIS, com qualquer das

obrigações tributárias adminstradas pela Secretaria da Receita Federal." (fl. 254)

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Contra-razões apresentadas. (fls. 280/299)

Recurso admitido na origem. (fl. 301)

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 875.865 - SP (2006/0176407-3)

EMENTA

TRIBUTÁRIO – PIS – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DECLARADOS INCONSTITUCIONAIS – VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE A TÍTULO DE PIS – INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS NA REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI N. 8.383/91 – APLICAÇÃO DA TAXA SELIC – HONORÁRIOS.

1. A controvérsia essencial destes autos restringe-se ao direito de se pleitear a correção monetária das parcelas referentes à compensação dos valores recolhidos indevidamente a título da contribuição do Programa de Integração Social - PIS, assim como a possibilidade de compensação com tributos recolhidos pela Secretaria da Receita Federal.

2. A compensação rege-se pela norma vigente no momento do ajuizamento da ação (15.5.1996), portanto, a compensação ocorrerá somente entre tributos da mesma espécie, os quais possuam idêntica destinação constitucional, na forma prescrita no art. 66 da Lei n. 8.383/91. In casu, os recolhimentos indevidos a título de PIS serão compensados somente com parcelas do próprio PIS.

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Superior Tribunal de Justiça

9.250/95, foi estatuído, em seu art. 39, § 4º, que, a partir de 1º.1.1996, a compensação ou a restituição de tributos federais será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido.

4. As partes arcarão com as verbas da sucumbência, incluídos os honorários advocatícios estabelecidos na origem, na proporção do respectivo decaimento.

Recurso conhecido e provido em parte, somente no tocante à inclusão dos expurgos inflacionários, na forma explicitada no voto.

VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (Relator):

Preliminarmente, o recurso merece conhecimento, pois a matéria federal restou devidamente prequestionada, bem como a divergência foi demonstrada nos moldes regimentais.

Com efeito, o recurso merece prosperar, em parte.

Convém asseverar que a prestação jurisdicional, lato sensu , raramente versa sobre o julgamento de uma única pretensão. É o caso do recurso especial em exame. Será perfilhada, na composição do presente voto, a divisão em capítulos.

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Superior Tribunal de Justiça

Tullio Liebman e Francesco Carnelutti.

No Brasil, a aludida Teoria encontra-se insuficientemente pesquisada. Distingue-se a do professor Dinamarco, que afirma: "não só a sentença comporta as

decomposições inerentes à teoria dos capítulos, o estudo do tema expande-se a outros pronunciamentos judiciais, como as decisões interlocutórias e os acórdãos em geral. Por outro lado, o próprio tema dos capítulos de sentença recebe muita influência da Teoria do objeto do processo, uma vez que sua manifestação mais límpida e indiscutível é exatamente a que decorre da presença de mais de um pedido a ser julgado, ou seja, de um objeto do processo composto (cúmulo de pedidos, reconvenção denunciação da lide etc)." (DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de sentença. 1ª.ed. 2ª. Tiragem. São

Paulo: Malheiros, 2004, p.11).

Destarte, passe-se ao exame da pretensão.

DA ESSÊNCIA DA CONTROVÉRSIA

A controvérsia essencial destes autos restringe-se ao direito de se pleitear a correção monetária das parcelas referentes à compensação dos valores recolhidos indevidamente a título da contribuição do Programa de Integração Social - PIS, assim como a possibilidade de compensação com tributos recolhidos pela Secretaria da Receita Federal.

DA COMPENSAÇÃO

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Superior Tribunal de Justiça

da mesma espécie, os quais possuam idêntica destinação constitucional, na forma prescrita no art. 66 da Lei n. 8.383/91.

Pelos argumentos expendidos, na hipótese dos autos, a compensação dos tributos indevidamente recolhidos a título de PIS serão compensados com parcelas do próprio PIS. Com semelhante raciocínio, o seguinte julgado da Segunda Turma: "a compensação do

PIS, na hipótese dos autos, ocorrerá somente com parcelas do próprio PIS, conforme dispõe o art. 66 da Lei n. 8.383/91." (REsp 867.505/RJ, relatado por este Magistrado,

Segunda Turma, julgado em 5.12.2006, DJ 18.12.2006, p. 354).

A corroborar o entendimento acima, cabível a transcrição da ementa:

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PIS. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECENAL. DIREITO SUPERVENIENTE.

omissis

3. O artigo 66 da Lei nº 8.383/91 restringe a possibilidade de compensação aos tributos da mesma espécie, e a natureza jurídica do PIS não guarda identidade com a da Cofins.

4. Ainda que o título executivo emanado pelo Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos créditos do PIS com outros tributos administrados pela SRF, nada obsta que tal pleito seja manejado administrativamente sob a regência de legislação posterior.

5. Recurso especial provido em parte.

(REsp 877.007/SP, Rel. Min.Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 5.12.2006, DJ 14.12.2006 p. 338).

Nesse diapasão, rememore-se o julgado: "ao Judiciário incumbe apenas

declarar o direito à compensação, ficando resguardado à Administração o direito de fiscalizar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis." (REsp 400.097/RJ, Rel. Min.

João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 4.5.2006, DJ 2.8.2006 p. 230).

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na vigência da Lei n. 8.383/91, nega-se provimento ao recurso, nos termos acima descritos.

DOS ÍNDICES DE CORREÇÃO

No tocante à determinação de incidência de expurgos inflacionários, vale ressaltar que a questão foi amplamente debatida no STJ. Firmou-se a orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na repetição de indébito são: o IPC, para o período de outubro a dezembro de 1989, e de março de 1990 a janeiro de 1991; o INPC, a partir da promulgação da Lei n. 8.177/91 até dezembro de 1991; a UFIR, a partir de janeiro de 1992 até dezembro de 1995, em conformidade com a Lei n. 8.383/91. Nesse sentido, dentre outros, o REsp 216.261/SC, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 18.2.2002.

No que se refere aos juros de mora, entrementes, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.5.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC na restituição ou na compensação de tributos, a partir da vigência da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95 (EREsp 399.497/SC, Rel. Min. Luiz Fux).

A título de ilustração, a ementa do seguinte aresto, entre outros:

"CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A AUTÔNOMOS, ADMINISTRADORES E AVULSOS COMPENSAÇÃO – JUROS DE MORA – RECOLHIMENTO INDEVIDO – SELIC.

(...)

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da inflação, constituindo-se em correção monetária por vias oblíquas. Recurso especial provido."

(REsp 858.162/SP, Rel. este Magistrado, DJ 22.9.2006, p. 263).

Oportuno ressaltar que a mencionada Taxa não pode ser cumulada com outros índices de correção monetária ou juros moratórios. A Taxa SELIC ora tem a conotação de juros moratórios, ora de remuneratórios, a par de neutralizar os efeitos da inflação, constituindo-se em correção monetária por vias oblíquas.

Sobre os índices de correção monetária, dá-se provimento ao recurso, nos termos acima descritos.

DA SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA

Pelos argumentos expendidos neste voto, as partes suportarão as verbas da sucumbência, incluídos os honorários advocatícios estabelecidos na origem, na proporção do respectivo decaimento.

Em igual sentido, o julgado da Segunda Turma, da relatoria deste Magistrado:

"diante desse desate, as partes arcarão com as verbas da sucumbência, incluídos os honorários advocatícios estabelecidos na origem, na proporção do respectivo decaimento." (REsp 870.646/SP, Segunda Turma, julgado em 5.10.2006, DJ 18.10.2006 p.

236).

Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe parcial provimento, somente no tocante à inclusão dos expurgos inflacionários, na forma explicitada neste voto.

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA

Número Registro: 2006/0176407-3 REsp 875865 / SP

Números Origem: 9600130515 960074801 97030271448

PAUTA: 15/03/2007 JULGADO: 15/03/2007

Relator

Exmo. Sr. Ministro HUMBERTO MARTINS Presidente da Sessão

Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA Subprocurador-Geral da República

Exmo. Sr. Dr. JOÃO FRANCISCO SOBRINHO Secretária

Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI

AUTUAÇÃO

RECORRENTE : PELES POLO NORTE LTDA

ADVOGADO : JOSÉ ROBERTO MARCONDES E OUTROS

RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL

ADVOGADO : ROSA METTIFOGO

ASSUNTO: Tributário - Contribuição - Social - PIS

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)."

Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Eliana Calmon, João Otávio de Noronha e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 15 de março de 2007

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