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Framework Design-Based Research para pesquisas aplicadas

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA – UEFS INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA

BAHIA – IFBA SENAI / CIMATEC

DOUTORADO MULTI-INSTITUCIONAL E MULTIDISCIPLINAR EM DIFUSÃO DO CONHECIMENTO - DMMDC

RITA CRISTINA COELHO DE ALMEIDA SANTIAGO

FRAMEWORK DESIGN-BASED RESEARCH

PARA PESQUISAS APLICADAS

Salvador 2018

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FRAMEWORK DESIGN-BASED RESEARCH

PARA PESQUISAS APLICADAS

Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Difusão do conhecimento, das instituições Universidade Federal da Bahia – UFBA; Laboratório Nacional de Computação Científica – LNCC/MCT; Universidade do Estado da Bahia – UNEB; Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia – IFBA; e SENAI/ CIMATEC, como requisito para obtenção de título de doutora.

Orientador: Dr. Alfredo Eurico Rodrigues Matta Coorientadora: Francisca de Paula Santos da Silva

Salvador 2018

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Ao eterno Deus, pelo dom da fé e por seu imensurável amor que me sustenta ante as lutas diárias. Sem Ele eu não conseguiria enfrentar os obstáculos impostos nesta vida, mas sob Seu cuidado e orientação pude avançar até este momento. Rendo-lhe toda a honra que o meu ser pode prestar-lhe: Amo-te, Senhor!

À família, aos que me encorajam a prosseguir. Jefferson Santiago, pelo olhar minucioso na leitura e revisão final do texto completo, pós-defesa; e à amada filha Steffanie Almeida Santiago, dádiva de Deus em minha vida, um anjo que enche meu coração de alegria;

Ao professor orientador Alfredo Matta, pela oportunidade que me foi concedida de contribuir em seu grupo de pesquisa;

À professora Elaine Cristina Cambuí, pessoa incrível, uma coorientadora adjunta sempre disposta a contribuir para o aperfeiçoamento desta pesquisa;

À professora Francisca de Paula, pela atenção e presteza nos momentos em que precisei de informações relevantes do grupo sob sua coordenação, o SSEETU;

Aos colegas participantes dos grupos Sociedade em Rede e SSEETU, que me auxiliaram em todo o processo de coleta de dados e na aplicação da proposta de solução desta pesquisa; em especial, faço menção a Luciana Martins, Maria Antônia, Erisvaldo Souza, Joelma Oliveira, Larissa Reis, Ivandson Macedo, Bianca Cardoso, Ana Santos, Katiane Alves, Antônio Lázaro, Ednei Santos e Marcondes Dourado. Esses colegas representam o esforço coletivo dos grupos participantes SR e SSEETU.

Às secretárias do DMMDC Beatriz “Bia” e Andréa Costa, sempre solícitas nos momentos de dúvidas sobre documentos, durante a minha caminhada até este ponto de finalização do curso e defesa desta tese;

Aos coordenadores do DMMDC, Eduardo Oliveira e Suely Messeder, por todo o apoio nos quatro anos do curso.

À FAPESB e à Capes, pelo acolhimento da nossa proposta de pesquisa desde o segundo semestre do doutorado até o seu terceiro ano.

Aos demais colegas Fátima Frazão, Osvanildo Ferreira e tantos outros aqui não mencionados, mas que estiveram, de alguma forma, contribuindo para o sucesso do nosso trabalho, muito obrigada!

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RESUMO

Esta pesquisa aprofunda conhecimento sobre a Metodologia Design-Based Research - DBR e desenvolve uma proposta de solução nominada de Framework para difusão da mesma. Parte-se do estudo dessa metodologia, numa visão ampliada sobre as bases do seu surgimento, propagação e o seu modus operandi em outros cenários acadêmicos para, a partir desse contexto maior, situar os trabalhos desenvolvidos nos grupos Sociedade em Rede Pluralidade Cultural e Conteúdos Digitais Educacionais – SR, e Sociedade Solidária, Educação, Espaço e Turismo – SSEETU, como campo de estudo. O problema de pesquisa emergiu desse contexto; os objetivos específicos delineados para esta pesquisa foram respondidos, nesse sentido caracterizou-se a metodologia DBR; apresentaram-se estudos

DBR desenvolvidos pelos grupos SR e SSEETU; e desenvolveu-se um framework DBR,

testando-o no contexto de pesquisas dos grupos participantes. Para alcançar tais objetivos e analisar as informações colhidas no campo empírico, foi escolhida a própria DBR como metodologia, numa perspectiva socioconstrutivista, o que possibilitou utilizar uma abordagem qualitativa e exploratória, com o apoio da revisão de literatura, além de questionários mistos como instrumentos para coleta de dados em encontros presenciais para suas aplicações. A solução ao problema foi encontrada no coletivo participante e passou por três ciclos iterativos de aplicação para refinamento. Construiu-se o framework segundo princípios socioconstrutivistas e adequado ao contexto dos grupos participantes. Os resultados alcançados foram: os ciclos iterativos promoveram reflexões sobre a DBR para todos os participantes envolvidos e validaram a efetividade dos princípios do design empregado; houve melhoria da implementação da solução desde a primeira aplicação e o protótipo gerado na versão 1 passou por dezessete alterações. A teoria empregada foi validada e efetivou os seus princípios de design para projetos futuros; o modelo mediador de solução teve sua aplicação ampliada pela expectativa de seu uso numa versão online, o que será planejado e modelado em estudos posteriores; os pesquisadores envolvidos agregaram, às suas experiências acadêmicas, conhecimentos novos, aprofundaram saberes sobre a metodologia DBR e da sua forma de aplicação. As avaliações finais feitas por eles dão conta de qualificação dos envolvidos na pesquisa, referente ao aprimoramento dos seus esboços iniciais de pesquisa DBR; à construção do quadro de princípios teóricos de suas pesquisas; no pensar sobre organização de um sumário peculiar aos trabalhos dos grupos; além de possibilitar a organização de estratégias na condução da pesquisa e do contexto. Há constatações de que o framework tanto se justifica como solução mediadora para o desenvolvimento de projetos aportados na metodologia DBR para os grupos SR e SSEETU quanto para outros pesquisadores. Tais resultados mostram a efetividade desse instrumento pedagógico desenvolvido sob as bases epistemológicas do socioconstrutivismo de Lev Vygotsky, que sustentam esta pesquisa, bem como, da praxiologia de Antonio Gramsci, das concepções do materialismo histórico e dialético de Paulo Freire e do dialogismo de Bakhtin. Da observância dessas teorias, foi possível alcançar o objetivo principal de construção da proposta de solução utilizando-se a metodologia Design-Based Research, aportada numa epistemologia que guarda estreita relação entre o conhecimento teórico e a experiência prática, típica de pesquisas aplicadas.

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ABSTRACT

This research deepens knowledge about the Design Based Research Methodology - DBR and develops a proposal for a solution called Framework for its dissemination. It begins with the study of this methodology, expanding the view on the bases of its emergence, propagation and its modus operandi in other academic scenarios, so that from this larger context, it situates the works carried out by the groups Sociedade em Rede Pluralidade Cultural (Society in Network Cultural Plurality) and Conteúdos Digitais Educacionais – SR (Educational Digital Contents – SR), and Sociedade Solidária, Educação, Espaço e Turismo – SSEETU (Solidary Society, Education, Space and Tourism – SSESTU), as a field of study. The research problem emerged from this context; the specific objectives outlined for this research were answered, in this regard the DBR methodology was characterized; DBR studies developed by the SR and SSEETU groups were presented; and a DBR framework was developed, testing it in the context of research of the participating groups. In order to achieve such goals and analyze the information collected in the empirical field, the DBR itself was chosen as a methodology, in a socioconstructivist perspective, which made it possible to use a qualitative and exploratory approach, with the support of the review of literature, as well as mixed questionnaires as instruments for data collection in face-to-face meetings for their applications. The solution to this problem was found in the participanting collective and underwent three iterative cycles of application for refinement. The framework is built according to socio-constructivist principles and appropriate to the context of the participating groups. The results achieved were: the iterative cycles promoted reflections about the DBR for all participants involved and validated the effectiveness of the principles of the design employed; there has been an improvement in the implementation of the solution since the first application and the prototype generated in version 1 has undergone seventeen changes. The theory employed has been validated and it reinforced its design principles for future projects; the solution mediator model had its application extended by the expectation of its use in an online version, which will be planned and modeled in later studies; the researchers engaged in it added to their academic experiences new knowledge, deepened their knowledge about the DBR methodology and its form of application. The final evaluations made by them cope with the qualification of those involved in the research, regarding the improvement of their initial outlines of DBR research; the construction of the framework of theoretical principles of their researches; thinking about organizing a peculiar summary to the works of the groups; besides making possible the organization of strategies for conducting the research and context. There is evidence that the framework is both justified as a mediator solution for the development of DBR projects for the SR and SSEETU groups and for other researchers. These results show the effectiveness of this pedagogical tool developed under the epistemological bases of Lev Vygotsky's socioconstructivism, that support this research, as well as Antonio Gramsci´s praxiology, Paulo Freire's conceptions of historical and dialectical materialism and Bakhtin's dialogism. By observing these theories, it was possible to achieve the main goal of building the proposed solution using the Design Based Research methodology based on an epistemology that has a close relationship between the theoretical knowledge and practical experience, typical of applied research.

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Quadro 1 - Autenticação interna: contextos dos grupos de pesquisa 28 Quadro 2 - Autenticação interna: contextos dos pesquisadores 29 Quadro 3 - Alguns exemplos de pesquisas brasileiras aportadas na

metodologia DBR 45

Quadro 4 - Investigações em andamento nos grupos de pesquisa SR e

SSEETU 52

Quadro 5 - Autenticação interna: contextos de pesquisa dos pesquisadores

Participantes 56

Quadro 6 - Autenticação Interna: Aporte teórico-epistemológico da

Pesquisa 59

Quadro 7 - Identificação das pesquisas e dos pesquisadores

partici-pantes 65

Quadro 8a - Similaridades e dissimilaridades entre metodologias para

pesquisas aplicadas 81

Quadro 8b - Similaridades e dissimilaridades entre metodologias para

pesquisas aplicadas 83

Quadro 8c - Similaridades e dissimilaridades entre metodologias para

pesquisas aplicadas 84

Quadro 8d - Similaridades e dissimilaridades entre metodologias para

pesquisas aplicadas 86

Quadro 9 - Elementos socioconstrutivistas para modelagem do

framework DBR 98

Quadro 10 - Aplicação de design socioconstrutivista no framework 99 Quadro 11 - Quadro guia 1 utilizado como referência pelos grupos SR

e SSEETU 112

Quadro 12 - Quadro guia 2 utilizado como referência pelos grupos SR

e SSEETU 113

Quadro 13 - Organização de sumário para desenvolver proposta de

pesquisa DBR 114

Quadro 14 - Versão prototípica do framework DBR 117

Quadro 15 - Definição metodológica da tese 123

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Figura 2 - Pesquisa-ação 90

Figura 3 - Características DBR 90

(10)

Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

DBR - Design-Based Research

IC - Iniciação Científica

IFBA - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira LNCC - Laboratório Nacional de Computação Científica

Senai - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana UFBA - Universidade Federal da Bahia

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1 INTRODUÇÃO 12

2 CONTEXTO NO QUAL SE INSCREVE ESTA PESQUISA 26

2.1 AUTENTICAÇÃO INTERNA: APROXIMAÇÃO DA PESQUISADORA

COM O OBJETO DE PESQUISA 27

2.2 AUTENTICAÇÃO INTERNA: CARACTERÍSTICAS DBR REFLE-TIDAS PARA MODELAGEM DO FRAMEWORK SEGUNDO

ESTE ESTUDO 34

2.2.1 Pesquisas brasileiras aportadas na metodologia DBR 44

2.2.2 Pesquisas desenvolvidas pelos grupos SR e SSEETU 50

2.3 AUTENTICAÇÃO INTERNA: BASES EPISTEMOLÓGICAS INICIAIS: APORTE TEÓRICO PARA O CONTEXTO DAS PESQUISAS DBR 54

2.3.1 Contribuições dos grupos de pesquisa para a consolidação da

metodologia DBR no cenário acadêmico local 60

2.4 ETAPAS DE AUTENTICAÇÃO EXTERNA 63

2.4.1 Dos encontros com os pesquisadores dos grupos participan-tes para autenticação do aporte teórico-epistemológico

da pesquisa 64

2.5 ANÁLISE DO CONTEXTO EM FUNÇÃO DA MODELAGEM DO

FRAMEWORK 71

3 ESTUDO SOBRE O TEMA DESIGN-BASED RESEARCH - DBR 76

3.1 DIFERENÇAS E SIMILARIDADES ENTRE A DBR E OUTRAS

METODOLOGIAS 79

4 APORTE TEÓRICO-EPISTEMOLÓGICO PARA MODELAGEM DO

FRAMEWORK PROPOSTO 91

4.1 DESIGN COGNITIVO SOCIOCONSTRUTIVISTA PARA

FRAMEWORK DBR 97

4.2 MODELAGEM DO FRAMEWORK PARA PESQUISAS DBR 99

5 DESENVOLVIMENTO DE VERSÃO PROTOTÍPICA DO

FRAMEWORK DBR 116

5.1 SOBRE O USO DO PROTÓTIPO DO SISTEMA PROCEDIMENTAL DE APLICAÇÃO DO FRAMEWORK PARA ORIENTAR PESQUISAS

DBR 120

(12)

6.1.2.1 Das questões elaboradas para levantamento do problema

de pesquisa 131

6.1.2.2 Discussão sobre os resultados encontrados nos questionários

aplicados para levantamento do problema de pesquisa 132

6.2 DA APLICAÇÃO E VALIDAÇÃO DO FRAMEWORK 135

6.2.1 Categorias de análise: variáveis dependente e independentes 137

6.2.2 Como analisar as variáveis 138

6.3 DOS CICLOS ITERATIVOS DE TESTES E REFINAMENTOS DA

SOLUÇÃO GERADA 139

6.3.1 Das validações dos questionários 140

6.3.2 Das aplicações dos questionários 150

6.3.3 Das análises dos questionários aplicados para refinamento

do framework 154

6.4 VERIFICAÇÃO DAS VARIÁVEIS: DEPENDENTE E

INDEPEN-DENTES 183

6.5 VERSÃO FINAL DO FRAMEWORK PARA PESQUISAS DBR 199

6.5.1 Como utilizar o framework 206

7 RESULTADOS DA PESQUISA 209

8 CONCLUSÃO 214

REFERÊNCIAS 217

APÊNDICE A - Modelo de questionário 1 fechado para os

pesquisadores participantes dos grupos que utilizam a

Metodologia DBR: SR e SSEETU 226

APÊNDICE B - Modelo de questionário 1 aberto para os

Grupos de Pesquisas SR e SSEETU 227

APÊNDICE C - Interações por e-mail com pesquisadores

dos grupos SR e SSEETU 228

APÊNDICE D - Trechos das transcrições das gravações feitas

durante reuniões com os grupos participantes 242

APÊNDICE E - Quadro de tabulação de dados do questionário

(13)

APÊNDICE G - Pareceres dos especialistas em

socioconstrutivis-mo sobre os questionários submetidos para validação 278

APÊNDICE H - Convites enviados aos pesquisadores que

partici-param das etapas de aplicações para teste e refinamento do

framework DBR 286

APÊNDICE I - Modelos dos questionários aplicados nos três

ciclos iterativos para teste e refinamento do framework 288

APÊNDICE J - Relato sobre aplicação do framework DBR, numa

aula de pós-graduação, para acadêmicos externos aos grupos

SR e SSEETU 296

APÊNDICE K - Sobre a aderência desta tese ao programa

do DMMDC - Doutorado Multi-Institucional e Multidisciplinar em

(14)

1 INTRODUÇÃO

Esta pesquisa intitulada Framework Design-Based Research1 para pesquisas aplicadas tem como principal fator motivador para seu início o engajamento e a convivência, desde o ano de 2009, com os pesquisadores dos grupos de pesquisa2 Sociedade em Rede, Pluralidade Cultural e Conteúdos Digitais

Educacionais; e Sociedade Solidária, Educação, Espaço e Turismo – SSEETU. Foi a partir do conhecimento e acompanhamento das práticas inerentes às pesquisas por eles realizadas, bem como, do diálogo e colaboração com esses pesquisadores, que me reconheço3 pertencente aos grupos e imersa num contexto de produções

diretamente relacionadas ao meu objeto de pesquisa.

O contato com as diversas produções dos referidos grupos motivou-me a conhecer mais detalhadamente a abordagem metodológica utilizada em suas pesquisas e inserir-me como pesquisadora em um deles para, a partir da interação e vivências, aprofundar meus conhecimentos sobre os projetos dos grupos e os encaminhamentos das pesquisas por eles realizadas. Esse aprofundamento que se configura e toma forma nesta pesquisa de doutorado teve como ponto de partida: as minhas participações nas reuniões de rotina desses dois grupos; as participações nas qualificações e defesas de dissertações e teses dos pesquisadores deles participantes; o trabalho realizado como gestora do Diretório do Grupo de Pesquisa – DGP/CNPQ; as leituras que fiz de pesquisas realizadas por integrantes dos grupos e também os muitos encontros temáticos programados mensalmente para orientação das pesquisas que estavam em fase de construção.

________________________

1Para evitar repetições do termo inglês Design-Based Research, faz-se a opção, a partir dessa página utilizar apenas a abreviação DBR ao longo do texto.

2A partir dessa descrição, por extenso, dos nomes dos dois grupos de pesquisa, os quais serão participantes da nossa pesquisa, utilizaremos apenas SR, em referência ao Sociedade em Rede, Pluralidade Cultural e Conteúdos Digitais Educacionais; e SSEETU, em referência ao Sociedade Solidária, Educação, Espaço e Turismo, quando os citarmos nos parágrafos que compõem esta tese, com vistas a otimizar a leitura e não alongar o parágrafo.

3Fizemos a opção pela utilização da primeira pessoa do singular, em alguns trechos da construção textual, nos casos de relato pessoal estrito. Em outros, utilizamos a primeira do plural, haja vista o engajamento enquanto participante de uma pesquisa colaborativa, em diálogo com dois grupos de pesquisa. Também por compreendermos que a condição de uma investigadora engajada numa pesquisa aplicada, a coloca na condição de sujeito implicado, sujeito esse que além de se transformar no processo da pesquisa, auxilia na transformação dos participantes e dos contextos, numa dinâmica de colaboração. A escolha por uma abordagem dialético-praxiológica, em diálogo com o socioconstrutivismo possibilita a utilização do pronome “nós”, oculto, porém configurado nas desinências verbais presentes em trechos deste texto de tese.

(15)

Aos poucos compreendemos a Metodologia empregada nesses grupos de pesquisa, a qual é atualmente conhecida como Design-Based Research4, mas que tem suas bases iniciais no termo Design Experiments e consiste na pesquisa baseada em projeto.

Ela despontou no cenário internacional na década de noventa, pelos pesquisadores Alan Collins e Ann Brown, através das publicações intituladas Toward

a Design Science of Education (Em direção a um projeto de ciência da educação),

(COLLINS, 1990, trad. nossa) e Design Experiments: theoretical and methodological

challengs in creating complex interventions in classroom settings (Experimentos de Design: desafios teóricos e metodológicos na criação de intervenções complexas em

sala de aula), (BROWN, 1992, trad. nossa). Esses autores iniciaram um debate sobre como os métodos tradicionais para práticas educacionais envolvendo as tecnologias eram ineficazes, principalmente no que se refere às suas inserções nas salas de aulas.

Nesse artigo de Ann Brown (1992), publicado na Revista de Ciências da Aprendizagem, a autora criticava as metodologias existentes que eram empregadas em ambientes educacionais às quais dissociavam pesquisa teórica das práticas inerentes a esses contextos.

Nos anos seguintes, outros pesquisadores se interessaram pela metodologia por ela idealizada e artigos foram publicados em universidades, como por exemplo: da Califórnia, da Geórgia, de Washington, de Madison, de Indiana e de Illinois, todas elas nos Estados Unidos da América – EUA; além de publicações envolvendo parcerias entre pesquisadores de diferentes países, por exemplo: Austrália, Holanda, EUA (CAPES, 2014).

A mudança do termo Design Experiments para Design-Based Research aconteceu de modo gradativo, tendo a contribuição de publicações ao longo desses vinte e seis anos e por diversos autores.

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4Quanto ao emprego termo em inglês Design-Based Research, fizemos a opção em não traduzi-lo para a Língua Portuguesa, haja vista já estarem os nossos grupos de pesquisa familiarizados com ele a partir do uso da abreviação DBR, significando, a partir das nossas leituras e compreensões, como explicam três dos nossos pesquisadores, em artigo publicado na Revista da FAEEBA, em 2014, “Pesquisa de Desenvolvimento”. Assim, muito embora exista essa discussão nos grupos SR e SSEETU, ainda não há consenso entre os participantes. Nesse sentido, ainda estamos aplicando e difundindo o termo em inglês, na forma abreviada DBR, a qual também está contemplada nesta tese.

(16)

Desde as primeiras reflexões enquanto “Experimentos de design”, feitas por Alan Collins e Ann Brown, na década de 90, o que se constata é a difusão da metodologia DBR, que antes de se firmar com essa nomenclatura recebeu diferentes nominações: “formative research”, em 1990, por Newman; “development

research”, em 1999, por Van den Akker; e em 2003, Kelly dá a sua contribuição e

cunha o termo atualmente mais aceito e difundido que é Design-Based Research. O surgimento e a fundamentação teórica da DBR são discutidos, também, pela pesquisadora Isabelle Fernandes, em artigo publicado em parceria com outras pesquisadoras, no Atas CIAIQ 2016. Elas explicam que na última década do séc. XX, a DBR surge por meio de publicações de Ann Brown e de Allan Collins (1992), os quais são considerados precursores. Sendo que na primeira década do séc. XXI foi utilizada nos EUA com mais frequência para pesquisas educacionais e, a partir daí, se tornou crescente o número de publicações referentes à DBR, tanto nos EUA, quanto noutros países. (MAZZARDO; FERREIRA; NOBRE; MALLMANN; FERNANDES, 2016).

Após buscas na plataforma dos periódicos Capes, constatamos que há poucas referências dessa metodologia em língua portuguesa; não encontramos, até este momento da nossa investigação5, livros traduzidos do inglês para o nosso

idioma. O termo DBR, enquanto abreviação de Design-Based Research, tem sido utilizado e o encontramos em páginas da web, em trabalhos de autores portugueses (PEREIRA, 2010; SILVA, 2013; LEDESMA, 2013; FIALHO, 2013).

No Brasil, também, há poucas ocorrências, mas é possível encontrá-la citada em pesquisas das Universidades Bandeirante, Pontifícia Universidade Católica e na Anhanguera, todas em São Paulo, e também na Federal do Rio de Janeiro.

Na Bahia, os grupos de pesquisa Sociedade em Rede, Pluralidade Cultural e Conteúdos Digitais Educacionais, e Sociedade Solidária, Educação, Espaço e Turismo – SSEETU, desde 2009 desenvolvem pesquisas aportadas na Metodologia

DBR.

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Investigação5: O uso desse termo alternadamente ao termo “Pesquisa”, ao longo do desenvolvimento do texto, justifica-se pela necessidade de dar mais fluidez à escrita. Assim, quando utilizamos ora um ora outro, objetivamos evitar a repetição por uso exclusivo de um deles, haja vista na língua portuguesa brasileira serem palavras sinônimas e de uso amplamente aceito e consolidado, conforme se vê nos dicionários de Língua Portuguesa, por nós, pesquisados. Nos dicionários Priberam (2013); dicio.com.br; também no site de sinônimos: <www.sinonimos.com.br>. Acesso em 14 de jul. 2017.

(17)

Isso tem contribuído para difusão dessa Metodologia no Curso de Graduação de História/Pedagogia da UNEB e no programa de pós-graduação do DMMDC, do qual participam as Instituições de Ensino Superior, quais sejam: UNEB, UEFS, UFBA, SENAI, LNCC e IFBA.

Há, na Universidade Estadual de Feira de Santana, no GCPEC, Departamento de Educação - UEFS, o grupo de pesquisa Colaboração em Pesquisa e Prática em Educação Científica – CoPPEC, que desenvolve pesquisas a partir da metodologia DBR, com uma particularidade de a nominar de Design Research. O referencial teórico para adotarem esse termo é de Tjeerd Plomp e Nienke Nieveen (2009).

Os integrantes do grupo têm publicações em forma de livro, revistas e, também, artigos apresentados em Encontros Nacionais. Como exemplos podem ser citados os títulos: Estudo de desenvolvimento de uma intervenção para o ensino de metabolismo energético - segundo protótipo, publicado em 2012; Pesquisa colaborativa e inovações educacionais em ensino de biologia (2016); Ensinar sobre visão sistêmica do planeta Terra no ensino médio (2013); Processo colaborativo de construção e aplicação de uma sequência didática com abordagem social e biológica acerca das bactérias (2015); Investigando princípios de design de uma sequência didática sobre metabolismo energético (2012). Esses estudos demonstram os esforços desses pesquisadores em difundir os princípios dessa metodologia no estado da Bahia e no Brasil.

Esta investigação de doutorado tem possibilitado conhecer sobre como a

DBR, enquanto nova forma de conduzir pesquisas, se tornou um conhecimento

emergente para a investigação em âmbito educacional, no contexto do século XXI. Contexto este que não permite mais caracterizar o ambiente escolar, como sendo o único espaço onde se processa a educação, tampouco um laboratório para aplicações de métodos experimentais.

Nessa perspectiva, a DBR tem se destacado nos grupos SR e SSEETU por integrar a comunidade acadêmica às práticas sociais comunitárias, valorizando-se os saberes culturais delas advindas. Com essa metodologia, dando suporte às pesquisas, buscam-se soluções práticas para os problemas que emergem na sociedade, o que a define como sendo própria para pesquisas de natureza aplicada.

É preciso evidenciar, por ora, que reconhecemos o valor da pesquisa classificada como pura, seja ela qualitativa ou quantitativa, cuja finalidade precípua é

(18)

a “satisfação do desejo de adquirir conhecimento sem que haja uma aplicação prática prevista” (RODRIGUES, 2007, p. 4); todavia, encaminharemos a nossa pesquisa de doutorado tendo como opção a pesquisa aplicada, a qual, segundo o mesmo autor, “os conhecimentos adquiridos são utilizados para aplicação prática, voltados para a solução de problemas concretos da vida moderna”. (RODRIGUES, 2007, p. 4).

Sendo assim, após entender como foi nossa chegada à discussão relativa à metodologia DBR, a elegendo como tema de pesquisa, é chegado o momento de propor o problema que impulsiona esta investigação de doutorado, derivado do diálogo com esta prática histórica de aproximação ao tema.

Toda pesquisa acadêmico-científica é movida por uma inquietação, pela procura de preenchimento de alguma lacuna sobre dado tema, e se inscreve a partir da constatação de um problema levantado, o qual apontará o objeto a ser investigado pelo pesquisador; este, por sua vez, se ocupará em apresentar um encaminhamento tangível como possibilidade de resposta. Antônio Gil (2006) esclarece que o problema é uma questão a ser resolvida, sendo o objeto de discussão da pesquisa.

Desse modo, ressaltamos que o problema que alimentará a presente pesquisa e sua discussão nasceu da constatação da carência, nos GP’s, de explicações e condução sistematizadas sobre a utilização da metodologia DBR, havendo, portanto, a necessidade de um quadro explicativo para nortear sua aplicação. Assim, definimos o problema como: Inexiste framework para a realização de investigação DBR efetivo para orientar pesquisas aplicadas.

Defendemos a apresentação do problema como afirmativa por entendermos que dessa forma, didaticamente, se diferencia problema das questões de pesquisa apresentadas logo abaixo e, também, para clarear as partes futuras do trabalho, apresentadas com facilidade na afirmativa. No entanto, a tradição científica brasileira tem preferido apresentar o problema no formato de pergunta e, por entendermos a necessidade de atender a essa tradição a apresentamos, também, como questão. A saber: Que framework para a realização de investigação DBR seria efetivo6 para

orientar pesquisas aplicadas? ________________________

6Nos referimos a efetivo, significando: aquilo que funciona de fato, que produz efeitos. (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/efetivo>. Acesso em: 18 jul. 2017).

(19)

Para tanto, é necessário se compreender a aplicação da metodologia DBR de investigação científica, a partir do aporte do design pedagógico socioconstrutivista para, assim, elaborarmos um quadro norteador7, nominado framework, de uso e aplicação dessa metodologia, a ser testado e difundido nos

grupos de pesquisa SR e SSEETU.

Com vistas ao problema exposto, observam-se algumas questões que nortearão os encaminhamentos da pesquisa proposta, elas deixarão mais claros os resultados esperados. O problema contém as seguintes questões de pesquisa a serem respondidas ao longo da construção da tese:

1 - Quais são as características da metodologia DBR?

2 - Quais estudos estão sendo desenvolvidos pelos grupos SR e SSEETU, utilizando a metodologia DBR?

3 - Como desenvolver um framework de uso e aplicação da metodologia

DBR, a ser testado no contexto das pesquisas dos grupos SR e SSEETU?

Para desenvolver a pesquisa aqui inscrita, que culminará na construção e teste do artefato framework, foram utilizados os procedimentos metodológicos qualitativos. Em consonância a tais procedimentos, o modelo de abordagem científica adotado, na condução de todo o processo desta investigação, será o dialético, com o aporte socioconstrutivista de Vygotsky. Assim, seguiremos os pressupostos do materialismo histórico e dialético e os da práxis, a partir de Paulo Freire e Gramsci, cuja premissa é pesquisar para transformação do contexto social.

A crítica dos precursores da DBR quanto às metodologias existentes até a década de 90, e que não atendiam eficazmente as demandas sociais, os impeliu a proporem e a experimentarem novas formas de pesquisar.

________________________

7O quadro norteador a ser construído terá seu nome framework. Termo escolhido após verificarmos seu significado em dicionários da Língua Inglesa e, também, após pesquisa realizada em dois sites para discussão acadêmica. Desse modo, consideramos mais apropriado ao nosso objetivo de proposta de solução desenvolvida para o problema de pesquisa desta tese, alinharmos o entendimento a partir das acepções que remetem a “Sistema de regras usado para planejar ou decidir algo” (Cambridge Dictionary); “Quadro, esquema e sistema” (Oxford living dictionaries) e “Sistema” (OXFORD UNIVERSITY PRESS, 2010). Considerando esse levantamento, elaboramos um conceito próprio, com significação alinhada ao que já desenvolvemos nos grupos de pesquisa e ao que almejamos contribuir para potencializar as pesquisas DBR dos referidos grupos. Desse modo, aplicaremos, nesta tese, esse termo, partindo da compreensão de framework como um quadro norteador que contém o passo a passo para auxiliar o pesquisador no planejamento e desenvolvimento de pesquisas DBR. Na seção 4.2, explicaremos com mais detalhes sobre a conceituação do framework construído nesta pesquisa.

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A proposta inicial de Allan Collins (1990) e Ann Brown (1992) de se trabalhar com uma metodologia em educação que estivesse mais voltada à aplicação prática de teorias educacionais foi aprimorada por muitos outros pesquisadores, que passaram a desenvolver suas pesquisas ao longo dessas duas décadas gerando outras nomenclaturas ao termo inicial Design Experiments, quais sejam:

Development Research; Design-Based Research; Design Research; e DBR, sendo

as mais recorrentes.

Atualmente, o uso da metodologia Design-Based Research, doravante DBR, consolidou-se como uma evolução das bases teóricas postulados por Alan Collins e Ann Brown (1990; 1992). Tais bases se caracterizam por ser um misto da pesquisa educacional empírica aliada à teoria de projeto, na concepção de ambientes de aprendizagem. Assim, a DBR se impõe como uma metodologia inovadora para se compreender como, quando e por que inovações educacionais e tecnológicas funcionam de modo prático, envolvendo contextos e os sujeitos deles participantes.

Essa metodologia pode oferecer um modo adequado de propor questões de pesquisas com vistas ao desenvolvimento e aprimoramento de inovações educacionais, bem como uma orientação em relação ao desenho metodológico que pode assegurar a sistematicidade e o rigor de procedimentos realizados de forma colaborativa e cíclica considerando-se três fases fundamentais: pesquisa preliminar, fase de prototipagem e fase avaliativa (EL-HANI et al., 2011).

Nessa perspectiva, numa escola, por exemplo, se terá a possibilidade de produzir conhecimento e não apenas reproduzir o que recebe por meio, principalmente, dos livros didáticos. Para além das áreas educacional e tecnológica, a DBR já é amplamente utilizada em áreas diversas, mas há muito que se conhecer sobre essa metodologia que consideramos inovadora, foco de estudo desta investigação; por isso mesmo a pesquisa aqui inscrita, tem, em alguns aspectos, caráter de pesquisa exploratória. Segundo o metodólogo Antônio Carlos Gil (2006), esse tipo de pesquisa objetiva tornar conhecido um assunto pouco explorado. Reitera esse autor que ela proporciona maior familiaridade com o problema, tornando-o mais explícito. Além de envolver o levantamento bibliográfico, serão realizadas reuniões e entrevistas com pesquisadores dos grupos participantes, os quais têm experiências práticas com o tema pesquisado.

Em tempo, importa ressaltar a relevância do estudo sobre DBR, sendo justificado por haver uma carência de demonstração, em âmbito acadêmico

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brasileiro, do modus operandi dessa metodologia, que se incumbe, precipuamente, da tarefa de conceber formas que auxiliem o acompanhamento e a análise de como a aprendizagem acontece nos ambientes educativos, sejam eles presenciais ou virtuais, escolares ou comunitários, que se inscrevem numa dinâmica mediada pela constante descoberta de novas formas de ensinar, de aprender, de pesquisar e pelo enfrentamento dos desafios e problemas da vida prática, e os que envolvem o desafio de aliar tecnologia à educação.

Além disso, a metodologia DBR já é difundida largamente em universidades internacionais, porém não tem ainda vultosa representação brasileira. Tal fato configura-se como uma lacuna a ser preenchida em nossos sistemas educacional e tecnológico, representados pelos pesquisadores a eles vinculados, os quais enfrentam o desafio de buscar as atualizações quanto às inovações metodológicas e às práticas emergentes de pesquisa, que são capazes de fornecer subsídios para uma observação de como as teorias existentes podem ser compreendidas quando implementadas e testadas por sujeitos engajados em contextos reais, como os ambientes educacionais.

Esperamos que a partir do conhecimento da aplicação dessa metodologia, através do framework desenvolvido nesta investigação, futuramente seja possível aos pesquisadores que dele se utilizarem a ampliação dos saberes metodológicos já conhecidos e aplicados em pesquisas brasileiras, e então poderem criar, articular, implementar, testar e sustentar ambientes inovadores de aprendizagem colaborativa.

A partir da revisão de literatura iniciada desde a preparação do projeto submetido ao programa de doutorado, realizada sobre essa metodologia, obtivemos as informações relevantes que nos ajudarão a construir os capítulos de contexto e o capítulo III. Neles haverá possibilidades de conhecermos como projetos educacionais e tecnológicos têm funcionado em cenários autênticos, sejam eles aplicados em salas de aulas ou em investigações relacionadas diretamente às práticas sociais comunitárias. Assim, a DBR poderá ser importante aliada como uma metodologia para projeto de design pedagógico socioconstrutivista, na produção futura de conteúdos digitais variados para um público amplo, como uma estratégia de investigação de como o indivíduo aprende, i.e., sua metacognição, e quais fatores interferem na aquisição de conhecimentos. A apropriação do conhecimento do design pedagógico socioconstrutivista é uma habilidade cada vez mais

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necessária aos sujeitos engajados em ambientes onde se processa o ensino-aprendizagem sistemático ou assistemático, seja esse presencial ou online.

Esta pesquisa aplicada está ancorada nas bases epistemológicas situadas no campo da praxiologia e do materialismo histórico e dialético, será conduzida pela própria Design-Based Research - DBR, que se articula como método participativo de investigação. É relevante se esclarecer o que trataremos como design pedagógico socioconstrutivista; para tanto será apresentada a concepção de Alfredo Matta (2013), que ao discorrer sobre este tipo de design, o concebe como sendo resultante de um planejamento e ação conjunta interdisciplinar que alia Educação, Informática, Ciências da Cognição e Ciências da Informação, especialmente das gestões da informação e de processos.

Para se desenvolver uma pesquisa relacionada ao projeto de design pedagógico socioconstrutivista, além de se conhecer as bases fundantes do socioconstrutivismo, é necessário também ao pesquisador, se nortear seguindo alguns dos critérios apresentados por Matta (2013), são eles: Interação, Contextualidade, Mediação, Metacognição e a Colaboração. Sobre o último critério, Matta (2013) afirma que ele merece destaque em relação aos outros itens elencados, pois é na colaboração e no projeto que visa à resolução de problemas, que o design socioconstrutivista se fundamenta.

Destarte, o objetivo geral desta pesquisa é conceber um framework de uso e aplicação da metodologia DBR, a partir dos princípios de design socioconstrutivista, a ser testado nos contextos dos grupos pesquisas SR e SSEETU. Para alcançarmos tal objetivo e alinhados ao modus operandi da metodologia DBR, escolhida para condução desta pesquisa, pretendemos cumprir os seguintes objetivos específicos: 1 - Caracterizar a metodologia DBR; 2 - Apresentar alguns estudos desenvolvidos pelos grupos SR e SSEETU, utilizando a metodologia DBR; 3 - Desenvolver um

framework DBR, a ser testado no contexto de pesquisas dos grupos SR e SSEETU.

Esses objetivos propostos se relacionam às questões de pesquisa citadas na página 17, eles estão distribuídos nas seções do desenvolvimento da tese aqui inscrita, em forma de oito capítulos: O capítulo I refere-se a este da Introdução; nele apresentamos o tema, problema, justificativa, questões norteadoras ou objetivos específicos, metodologia e situamos os conhecimentos inerentes ao tipo de epistemologia sobre a qual esta tese se assenta. Esse capítulo é seguido pelos capítulos do Desenvolvimento, alinhados ao problema de pesquisa e que contêm os

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objetivos específicos e seus desdobramentos que interessam a nossa investigação; os objetivos foram, também, apresentados em forma de questões norteadoras vide (p.17).

Assim, teremos, como capítulo II, levantamento e descrição dos contextos da pesquisa; nele se apresentarão tanto os contextos da pesquisadora quanto os dos pesquisadores participantes, os quais fazem parte dos grupos de pesquisa SR e SSEETU. É no contexto que emerge o problema a ser investigado, pois ele descreve e situa as pessoas, os ambientes e as produções, fornecendo dados imprescindíveis para traçarmos o rumo de toda a investigação. Sem a análise do contexto, a pesquisa aplicada perde seu sentido.

O capítulo III apresentará um estudo sobre o tema desta tese, a metodologia

Design-Based Research - DBR. Faremos uma análise de suas bases teóricas

norteadoras e das diferenças e similaridades entre ela e outras formas de fazer pesquisas que guardam similaridades quando a ela comparadas.

O capítulo IV situará o aporte teórico-epistemológico já conhecido e utilizado pelos pesquisadores e que dará suporte à modelagem da proposta de solução para o problema levantado no contexto.

O capítulo V se ocupará do desenvolvimento da versão prototípica do artefato8 desenvolvido como proposta de solução e explicará sobre o seu uso, para ser testado em três ciclos que verificarão a sua efetividade na orientação de pesquisas DBR.

O capítulo VI refere-se ao delineamento metodológico utilizado na construção desta tese e apresenta as etapas a serem cumpridas; explica os instrumentos de coletas de dados empregados; trata sobre os ciclos de teste e refinamento da proposta de solução, peculiaridade da DBR, a partir da aplicação com pesquisadores dos grupos participantes; também esclarece sobre as duas categorias de análise: a dependente e as independentes, que acompanham os testes a serem realizados; encerra apresentando a versão final testada do

framework.

________________________

8A partir da primeira validação dos questionários para teste da versão prototípica do artefato framework, a especialista em socioconstrutivismo, Maria Antônia, sugeriu e passamos a empregar, também, “artefato framework” significando “modelo mediador de solução”.

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Chega-se ao capítulo VII no qual serão apresentados os resultados alcançados, alinhados ao problema de pesquisa e às questões norteadoras citadas na página 17, estas serão respondidas à medida que os contextos permitirem no decurso desta pesquisa. É nesse capítulo VII que apresentaremos as reflexões sobre a pesquisa, referentes a três tipos de resultados, preconizados por Herrington; Mckenney; Reeves; Oliver (2007): 1 - Científicos (retorno sobre princípios e seus usos); 2 - Solução desenvolvida para problema dado; 3 - Formação e/ou qualificação dos envolvidos na pesquisa.

Este estudo sobre a metodologia DBR pretende contribuir para a ampliação e difusão do conhecimento de modo criativo, crítico e inovador, priorizando a difusão do conhecimento relacionado à aprendizagem socioconstrutiva; corroborando, assim, a proposta do programa do Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento, que se ocupa da relação interdisciplinar e da difusão do conhecimento com vistas à análise cognitiva. Nesse sentido, somos desafiados a contribuir com o programa do DMMDC apresentando uma pesquisa que seja relevante social e academicamente. Os autores Bastos e Keller (1995, p. 53) caracterizam pesquisa como sendo “uma investigação metódica acerca de um determinado assunto, com o objetivo de esclarecer aspectos do objeto em estudo”. Assim, investigaremos sobre a metodologia DBR considerando-se a necessidade de se obter explicações consistentes dessa prática metodológica inovadora e proporcionar a outros pesquisadores, a partir do framework desenvolvido, a possibilidade de aplicação dessa metodologia para a resolução de problemas levantados sem seus contextos.

Para efetivação da investigação e elaboração desse texto para defesa, será necessário percorrer as etapas metodológicas seguintes, de acordo com cada objetivo das perguntas norteadoras que compõem os capítulos da tese: o primeiro momento será de revisão de literatura, para a qual consultaremos artigos e livros sobre o tema, objetivando caracterizar a metodologia DBR, apresentando os seus avanços em âmbito acadêmico nos países nos quais ela vem sendo aplicada; a partir dessa etapa, seguiremos com levantamento dos estudos que estão sendo realizados pelos grupos SR e SSEETU e quais são as contribuições das pesquisas desenvolvidas para a consolidação dessa metodologia no cenário acadêmico local; Por fim, será criado, em parceria com os sujeitos participantes dos grupos de pesquisa, e em observância às condições dos contextos levantados nesses grupos,

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um framework de aplicação da metodologia DBR, o qual será aplicado em três ciclos de testes para seu refinamento, em contexto das pesquisas realizadas pelos referidos grupos. Desse modo, o delineamento metodológico referente ao levantamento de dados qualitativos será efetivado através da consulta às bases do conhecimento Capes, nos peródicos Sage, Redalyc, Science Direct, Scielo, Web of

Science e Scopus. Essa leitura possibilitará a revisão de literatura que auxiliará na

caracterização da metodologia DBR, no capítulo do contexto e, principalmente, no terceiro, que trata com exclusividade de peculiaridades dessa metodologia quando comparada a outras formas de condução de pesquisa.

Em seguida, com vistas ao levantamento dos contextos, serão consultados os trabalhos norteados pela metodologia DBR desenvolvidos e em desenvolvimento nos grupos SR e SSEETU; também utilizaremos a técnica de coleta de dados através de questionários mistos, os quais serão aplicados em reuniões de rotina realizadas semanalmente na UNEB. Na etapa da autenticação externa, descreveremos os procedimentos para as reuniões com os grupos participantes, vide (seção 2.4).

Pretendemos, com a aplicação dos questionários utilizados para levantamento dos contextos, obtermos informações sobre: a) As experiências dos pesquisadores participantes em produzirem pesquisa aportada na metodologia DBR; b) Dificuldades e sucessos; c) Encaminhamentos dados às suas pesquisas; c) Resultados esperados e/ou obtidos. Esses levantamentos serão basilares na construção do framework para pesquisas DBR, a ser testado nos grupos participantes; tal processo está descrito, em detalhes, no capítulo VI, o da metodologia empregada nesta tese.

Destarte, a proposta de investigação aqui delineada, que culminará na construção de um Framework DBR para pesquisas aplicadas, contempla tanto a continuidade dos nossos estudos sobre metodologias, como também a construção e difusão de novos conceitos e conhecimentos relacionados a mais um meio de condução metodológica para pesquisas acadêmicas. O tema desta pesquisa encontra aporte na proposta de estudo apresentada pela linha de pesquisa sobre Difusão do Conhecimento: Informação, comunicação e gestão, cujo objetivo é o de estudar os processos de difusão do conhecimento na sociedade, através da análise cognitiva e da modelagem do conhecimento.

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Esta nova experiência de pesquisa, através do nosso ingresso, em 2014, no programa de pós-graduação do DMMDC, tem oportunizado o pensar sobre a minha própria prática docente e a importância de adotar uma postura de professor-pesquisador paralelamente ao processo de formação acadêmica, e engajar-me em atividades de formação continuada, reconhecendo serem elas imprescindíveis à atualização de conteúdos estudados e à aquisição de novos saberes que qualificam o educador em sua prática.

A tese, aqui inscrita, está vinculada ao programa do Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento - DMMDC e está aportada na Linha 02 – Difusão do Conhecimento: Informação, comunicação e gestão, cujo objetivo é estudar os processos de difusão do conhecimento na sociedade através da análise cognitiva e da modelagem do conhecimento. Essa é uma das linhas de pesquisa do programa que se ocupa da relação interdisciplinar e da difusão do conhecimento com vistas à análise cognitiva.

As outras linhas de pesquisa são: Linha 01 – Construção do Conhecimento: Cognição, Linguagens e Informação; e Linha 03 – Cultura e Conhecimento: Transversalidade, Interseccionalidade e (in)formação. Todas elas objetivam estabelecer diálogo entre a academia e os conhecimentos tácitos, bem como, a combinação de conhecimentos explícitos e a aprendizagem colaborativa. A proposta desse programa de doutorado resultou na construção colaborativa, por pesquisadores, os quais instituíram a Rede Interativa de Pesquisa e Pós-Graduação em Conhecimento e Sociedade - RICS e sempre estiveram envolvidos em estudos multidisciplinares relacionados ao conhecimento e à sociedade, com ênfase aos estudos com foco nos processos de difusão e compartilhamento do conhecimento na sociedade contemporânea.

Almeja-se, nesta tese ancorada na linha 2, desenvolver um estudo sobre a metodologia DBR com o objetivo de contribuir para a ampliação e difusão do conhecimento de modo criativo, crítico e inovador, relacionando construção de conhecimento à informação e à aprendizagem. Tal objetivo coaduna-se com a proposta do programa do DMMDC e se harmoniza às características a ele peculiares.

Destarte, nesta tese reafirma-se a abordagem interdisciplinar do programa e insere-se como mais um estudo multirreferencial para a investigação científica, primando pelos processos de geração, modelagem e difusão de conhecimentos, por ele adotados.

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No entanto, ao explorarmos a Metodologia DBR de investigação científica para difundir esse conhecimento, estamos cônscios de que o estudo a que nos propusemos realizar é desafiador, mas dará a sua contribuição acadêmico-social no momento em que será publicizado, permanecendo aberto a novos aprofundamentos em projetos futuros, por nós e/ou outros pesquisadores. Por ora, cabe informar que cumprindo o quesito de publicidade, já divulgamos quatro artigos construídos a partir desse esforço em conhecer e difundir conhecimentos sobre essa metodologia.

O primeiro, intitulado O contexto e sua relevância numa pesquisa

Design-Based Research – DBR, publicado na Revista Artefactum, em 2016; o segundo,

intitulado Metacognição: construindo conhecimento sobre a metodologia

Design-Based Research - DBR e sua utilização na educação a distância, apresentado no

22º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância - CIAED, 2016; o terceiro, Framework da metodologia design-based research para pesquisas aplicadas em ensino online. In: 23º CIAED, Foz do Iguaçu, 2017; o quarto, Jogo Role

Playing Game digital - RPG: uma proposta pedagógica para o ensino de história.

Artefactum (Rio de Janeiro), v. 15, p. 30-40, 2017.

Além desses artigos, apresentamos, também, em parceria com pesquisadores dos nossos grupos de pesquisa, dois pôsteres: um em 2016, no VI ETBCES, intitulado Comunidades EaD corporativa: a gestão do conhecimento

através de prática na Sefaz. In: Anais. VI Encontro de Turismo de Base Comunitária

e Economia Solidária - VI ETBCES 2016; o segundo, em 2017, no 23º CIAED,

Evasão e educação a distância: um estudo a partir dos cursos da Universidade Corporativa da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. In: 23º CIAED, Foz do

Iguaçu, 2017. Ambos utilizaram a metodologia DBR para encaminhar a pesquisa realizada.

Finaliza-se este texto introdutório, esperando-se que o mesmo tenha cumprido sua finalidade de apresentar tema, justificativa, problema, questões norteadoras e/ou objetivos específicos e a metodologia empregada nesta tese, a qual possui o compromisso em cumprir as etapas: exploratória; aplicada, baseada em variáveis e a analítica. Essas etapas caracterizam esta pesquisa como sendo

DBR, assim esclarecemos que se trata de uma pesquisa DBR sobre DBR e aplicada

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2O CONTEXTO NO QUAL SE INSCREVE ESTA PESQUISA

Numa pesquisa DBR, segundo entendimento e modo como concebemos e encaminhamos nossas pesquisas, nos grupos SR e SSEETU, a iniciamos pelas análises tanto da situação do investigador quanto pela conjuntura dos sujeitos participantes no contexto pesquisado. Assim, neste capítulo por ora iniciado, nos comprometemos em mostrar os contextos dos grupos de pesquisa e, também, a nossa inserção neles, o que nos torna interlocutores válidos em relação à proposta de solução, ou seja, o framework aplicado, testado e refinado, tendo, nesse processo, a participação direta de participantes desses grupos.

Nos grupos SR e SSEETU, “consideramos o contexto, como uma leitura preliminar para a integração entre os sujeitos da pesquisa, a fim de salientar as motivações históricas que influenciaram direta ou indiretamente”. (SOUZA, 2016, p. 14). Defendemos que é por meio do contexto que nos engajamos e nos validamos enquanto pesquisadores, numa “compreensão das composições sociais estudadas, estando estas conectadas a uma ordem de reprodução social”. (SOUZA, 2016, p. 14).

O contexto construído nesta pesquisa intitulada Framework Design-Based

Research para pesquisas aplicadas é:

Comprometido com a descrição, análise e, sobretudo, a discussão, numa perspectiva de que os sujeitos engajados têm suas vozes reconhecidas pelo coletivo, haja vista não haver única voz definida que articule as informações levantadas que as concentre numa só pessoa. Reconhece-se a multiplicidade de vozes de cada pesquisador participante, sendo respeitadas e aceitas suas formas de perceber o mundo, sem que se estabeleça condição primaz sobre as demais. (MATTA; SANTIAGO, 2016).

Corroborando essa afirmativa, Josete Bispo Ribeiro (2016) afirma: “A importância de construir um contexto, como compreensão preliminar do convívio dialógico entre os pares da pesquisa é a possibilidade de trazer a relevo as circunstâncias históricas que motivam, direta ou indiretamente” (p. 30).

Nessa primeira etapa da investigação, os contextos dos grupos SR e SSEETU levantados ajudaram-me a situar-me como pesquisadora no foco da pesquisa, possibilitando-lhe engajamento e uma compreensão contextualizada do problema a ser investigado. Todos os passos demandados objetivaram levantar o problema e encontrar soluções concretas, o que representa um desafio por nós

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enfrentado, porém em parceria com o conhecimento compartilhado pelos pesquisadores participantes a pesquisa prosseguiu e chegou até o ponto esperado; significa dizer que todos contribuíram em todas as etapas da pesquisa, objetivando encaminhar solução colaborativa para o problema levantado, qual seja: Inexiste um

framework efetivo para a realização de investigação aplicada DBR.

2.1 AUTENTICAÇÃO INTERNA: APROXIMAÇÃO DA PESQUISADORA COM O OBJETO DE PESQUISA

A Abordagem Metodológica DBR, utilizada pelos grupos SR e SSEETU, a qual será caracterizada ainda nesse capítulo, possui como premissa, para elaboração do contexto de pesquisa, quatro etapas a serem percorridas, quais sejam: autenticação interna, autenticação externa, modelagem e aplicação. As autenticações são etapas consideradas contínuas em pesquisas aportadas na abordagem metodológica DBR, isso porque os pesquisadores colaboradores avaliam e validam as ações planejadas a serem executadas no decurso da pesquisa. Por ora, trataremos apenas da autenticação interna.

Quando nos referimos à autenticação interna, consideramos, a priori, uma ação peculiar ao pesquisador-cientista que se propõe sujeito implicado em todas as etapas da investigação, estando cônscio de que seu comprometimento desde o início transcorrerá por todas as demais etapas e num movimento cíclico, culminando na aplicação da solução desenvolvida e os participantes serão os responsáveis pela autenticação externa, o que revela uma práxis produtiva inerente aos participantes dos grupos de pesquisa SR e SSEETU.

A práxis produtiva é, assim, a práxis fundamental, porque nela o homem não só produz um mundo humano ou humanizado, no sentido de um mundo de objetos que satisfazem necessidades humanas e que só podem ser produzidos na medida em que se plasmam neles fins ou projetos humanos, como também no sentido de que na práxis produtiva o homem se produz, forma ou transforma a si mesmo. Ao operar por meio desse movimento sobre a natureza exterior a ele, e transformá-la, transforma ao mesmo tempo sua própria natureza. Desenvolve as potências que nela dormitavam e submete o jogo de suas forças. (VÁSQUEZ, 2011, p. 230).

Desse modo, num processo praxiológico contínuo, nos validamos enquanto pesquisadores no processo da investigação ao qual nos vinculamos, com base nesse contexto do objeto de pesquisa. Assim, reconhecemos os grupos de pesquisa

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SR e SSEETU como sendo o contexto ao qual estamos integrados, e no qual emergiu o problema de pesquisa, que será abordado nessa tese.

Esses dois grupos, conforme Quadro 1, são compostos por mais de sessenta pesquisadores engajados em projetos de mestrado e doutorado. Desde 2009, tais grupos trabalham com abordagem metodológica a partir da qual fazem uso de variados métodos de pesquisa escolhidos e adaptados ao contexto de cada uma delas. Nesse ano, ainda não se tinha conhecimento sobre a DBR, apenas o que se chama de “bricolagem9”; no entanto, após conhecê-la, constatou-se que a

abordagem utilizada pelos grupos de pesquisa assemelha-se ao que ela propõe.

Quadro 1 - Autenticação Interna: Contextos dos Grupos de Pesquisa

G – 1 G - 2

1 - Sociedade em Rede, Pluralidade Cultural

e Conteúdos Digitais Educacionais 2 - Sociedade Solidária Educação, Espaço eTurismo – SSEETU

Fundado em 2009 Fundado em 2005

Possui cerca de 60 pesquisadores totais Possui cerca de 20 pesquisadores totais Número de Pesquisas DBR em curso: cerca de

10 Número de Pesquisas DBR em curso: cerca de10 Encontros temáticos semanais ou quinzenais

durante todo o ano Encontros temáticos semanais ou quinzenaisdurante todo o ano Fonte: Elaborado pela autora a partir do DGP. Disponível em:

<http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9233315772471491>. Acesso em: jun. 2016.

A adoção do termo DBR enquanto abordagem metodológica se deu a partir da necessidade dos grupos de pesquisa aplicarem uma metodologia mais apropriada para atendimento aos objetivos das pesquisas neles inscritas e ocorreu por meio de Alfredo Matta, coordenador do Eixo Tecnologias Educativas e do projeto Turismo de Base Comunitária no Cabula - TBC Cabula.

_____________________________________

9Entende-se por bricolagem a possibilidade de articular múltiplas referências no processo de pesquisa em que o

aprofundamento não se dá verticalmente, mas pela possibilidade de construir objetos a partir de fragmentos (referências) selecionados e colocados juntos, a partir da configuração da dinâmica das relações na realidade. LAPASSADE, Georges. Da multirreferencialidade como “bricolagem”. In: BARBOSA, Joaquim. G. (Org.). Multirreferencialidade nas ciências e na educação. São Carlos: UFSCar, 1998, p. 126-148.

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A partir disso, esse coordenador aprofundou seus estudos sobre a DBR e, em parceria com Francisca de Paula Silva e com Edivaldo Boaventura, escreveu o primeiro artigo sobre Pesquisa de Desenvolvimento, uma primeira tradução para

DBR, publicando-o na revista da FAEEBA.

A fim de difundir o conhecimento sobre a DBR, Alfredo Matta criou uma disciplina optativa, Pesquisa DBR – Construção Metodológica para Pesquisa Aplicada, no programa de doutorado DMMDC.

Os pesquisadores que fazem parte do grupo SSEETU, bem como, os que fazem parte do grupo Sociedade em Rede, Pluralidade Cultural e Conteúdos Digitais Educacionais têm os seus nomes listados no Quadro 2, a seguir; desses, a maioria adota a abordagem metodológica DBR.

Quadro 2 - Autenticação Interna: Contexto do Pesquisador GRUPOS DE PESQUISA 1 - Sociedade Solidária Educação, Espaço e

Turismo – SSEETU Pesquisadores participantes

Aderlan Passos dos Santos Ana Santana

Caio Vilas Bôas

Catiuse Barbosa da Silva Flavia Souza da Silva

Francisca de Paula Santos Silva George Anthony Cardoso Ferreira Helaine Souza

Ivana Santana Ivana Carolina Jaqueline de Oliveira Katiane Alves

Luana dos Santos Assis Luciana Martins Maria de Fátima Frazão Telma Regina D. de Souza Velma Factum Dutra

2 - Sociedade em Rede, Pluralidade Cultural e

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Quadro 2 - (Continuação)

GRUPOS DE PESQUISA

Adonai Estrela Medrado Alfredo Eurico Rodrigues Matta Aline de Assis Santos

Alves de Souza

Álvaro Pinto Dantas de Carvalho Junior Ana Karine Loula Torres Rocha Andréa Cristina Serravale dos Santos Antônio Lázaro

Bianca e Silva Cardoso Caroline Alcantara Duarte

Cassiano Zeferino de Carvalho Neto Cleide Tavares Bittencourt Santos Creilton Bonfim Passos

Débora Nágila Lordello Oliveira Edson Fernando Oliveira Silva Ednei Otávio da P. Santos Eliana Sampaio Romão Eliziário Souza Andrade

Emanuel do Rosário Santos Nonato Eudes Mata Vidal

Erisvaldo Santos Souza

Fernanda Lícia de Santana Barros Francisca de Paula Santos da Silva Gildo Araujo da Silva

Gilberto Pereira Fernandes Hudson Barros Oliveira

Ivandson Macedo dos Santos Filho Jaqueline Souza de Oliveira Joelma Cerqueira De Oliveira Josenilda Mesquita

Josenilson Aguiar Silva

José Lamartine de Andrade Lima Neto Juliana Andrade do Carmo

Julia Carvalho da Silva Josete Bispo Ribeiro Larissa de Souza Reis Lilian da Silva Teixeira

Luana Oliveira da Ressurreição Luciana Oliveira Lago

Marcondes Dourado Maria Antonia Lima Gomes Maria Olivia de Matos Oliveira Osvanildo Ferreira

Rita Cristina Coelho de Almeida Santiago Rosane Sales dos Anjos

Sonia Maria da Conceiçao Pinto Sueli da Silva Xavier Cabalero Suiane Costa Ferreira Társio Ribeiro Cavalcante Thiago Novais Rodrigues Vilma Batista Barreto

Yone Carneiro de Santana Gonçalves

Fonte: Elaborado pela autora em 26/02/2016

Esse quadro sintetiza o contexto dos participantes no qual eu me insiro enquanto pesquisadora engajada numa pesquisa aplicada e que conduzirá uma investigação científica em colaboração com pesquisadores participantes dos grupos SR e SSEETU. Por ora, cabe situar o grupo específico no qual a nossa pesquisa se

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inscreve, que é o SR, fundado em 2009, pelos professores pesquisadores Alfredo Eurico Rodrigues Matta e Maria Olívia de Matos Oliveira.

O grupo SR tem em seu registro no Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil – DGP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico -CNPQ, como área predominante de atuação as Ciências Humanas e Educação, e está vinculado à Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Conforme dados coletados do diretório, sob link:

<http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/9233315772471491> no dia 17 de outubro de 2016.

As linhas de pesquisa a ele associadas são: Desenvolvimento de Soluções em Ambientes Virtuais de Aprendizagem AVA e Conteúdos Digitais Educacionais -CDE para a sociedade em rede e pluriculturalidade, com 15 estudantes e 7 pesquisadores; Estudo de Abordagens Dialéticas e Socioconstrutivas de pesquisa em Educação e Pluriculturalidade; tendo 4 estudantes e 2 pesquisadores; Segurança Pública, que possui um pesquisador; e Sociedade em Rede e Pluriculturalidade - Aplicações Pluriculturais e Plurilinguísticas da Tecnologia Digital e em Rede, 19 estudantes e três pesquisadores.

Mais à frente será apresentado um quadro com informações específicas e relevantes para a nossa investigação sobre as pesquisas desses participantes dos referidos grupos, os quais têm os estudos relacionados ao desenvolvimento de uma potencial sociedade em rede e de sua relação dialógica com a pluriculturalidade cultural e de práxis dos sujeitos formados pelas mais variadas interações e interatividades que se apresentam na sociedade atual.

Um dos objetivos do SR é trabalhar, também, com o desenvolvimento de conteúdos digitais educacionais de caráter pluricultural e de aplicação voltada para as práticas culturais em rede. As principais linhas de desenvolvimento são: 1) Pesquisa e Desenvolvimento de Conteúdos Digitais Educacionais; sejam eles

softwares educativos, objetos de aprendizagem, áudio e vídeo WEB, materiais

pedagógicos para EAD e para uso em computadores em geral; 2) Pesquisa, Desenvolvimento e Uso Pedagógico de Ambientes WEB Educacionais, incluindo ambientes virtuais (DGP - CNPQ, 2009).

Já o Grupo Multidisciplinar de Estudo e Pesquisa Sociedade, Espaço, Educação e Turismo - SSEETU foi criado em 2005. Neste grupo existem 5 linhas de pesquisa, que são: Educação, Ensino e Pesquisa em Turismo; História, Memória,

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Patrimônio e Representações Culturais; Lazer, Cultura e Representações Sociais; Meio Ambiente, Ecologia, Ecoturismo e Turismo Sustentável; Políticas Públicas, Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Local e Regional; Tecnologias de Inovação Sociodigitais em Educação e Turismo; Turismo de Base Comunitária, Sustentabilidade, Tecnologias Sociais e Economia Solidária.

Tem como objetivo geral produzir conhecimentos, produtos, processos, metodologias e serviços integrados através da construção de um espaço para estudar, pesquisar, debater, orientar, ensinar e fazer publicações sobre os diversos aspectos que estejam relacionados a temas concernentes ao estado da Bahia no que tange aos aspectos socioeconômicos, educacionais, culturais, ambientais, de estrutura e organização do espaço territorial, do turismo e turismo de base comunitária. (Disponível em: http://www.uneb.br/nupedch1/files/2012/03/grupo-31.pdf).

A linha História, Memória, Patrimônio e Representações Culturais faz a articulação entre as atividades de pesquisa e extensão em bairros populares do entorno da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, promovendo a interação entre a universidade e essas comunidades, fortalecendo as relações sociais entre os sujeitos envolvidos nesses dois contextos, favorecendo diversificação turística e valorizando o valor histórico-cultural das comunidades.

Seus principais objetivos são: incentivar a criação de museus memoriais e inventários culturais que destaquem histórias das comunidades, valorizando, assim, seus saberes e fazeres; realizar pesquisa acerca da cultura das comunidades e identificar as características culturais dos bairros; integrar as manifestações culturais populares às políticas públicas, valorizando a diversidade étnica e racial, no que tange às suas dimensões literárias, musicais, gastronômicas e artísticas; criar uma rede de conhecimento cultural ligada às escolas municipais e estaduais.

Fundamentados no processo colaborativo de desenvolvimento de pesquisas aplicadas, tais grupos formados por bolsistas de IC, graduandos, mestrandos, doutorandos e representantes comunitários, vêm ao longo desses anos consolidando-se como representantes em potencial da utilização, no Brasil, mais especificamente na Universidade do Estado da Bahia e na Universidade Federal da Bahia, da metodologia DBR.

Na convivência com esses pesquisadores e a partir do conhecimento, acompanhamento, diálogo e colaboração com suas pesquisas é que me reconheço

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parte dos grupos e imersa num contexto de produções diretamente relacionadas ao meu objeto de pesquisa. Essa interação gerou aprofundamento sobre o tema Metodologia DBR, discutido nesta tese, que culmina na construção de um framework

DBR para pesquisas aplicadas.

O meu primeiro contato com essa forma de conduzir pesquisas aplicadas se deu a partir das minhas participações nas reuniões dos grupos SR e SSEETU, do trabalho realizado como gestora do Diretório do Grupo de Pesquisa - DGP/CNPQ, das leituras que fiz de pesquisas realizadas por integrantes dos grupos, bem como, dos muitos encontros temáticos programados mensalmente para orientação de pesquisas em andamento.

Portanto esse é o contexto que faço parte, cuja característica é o trabalho de investigação colaborativa na qual estão engajados sujeitos pertencentes a diferentes graus de escolaridade e tipos de conhecimentos acadêmico-científicos, o que inclui: historiadores, tecnólogos, geógrafos, designers, pedagogos, sociólogos, administradores, biólogos e turismólogos, gestores da segurança pública, dentre outros. Todos têm em comum o aporte teórico dos princípios socioconstrutivistas, os quais orientam as nossas pesquisas aplicadas, voltadas tanto para desenvolvimento de soluções em Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA e Conteúdos Digitais Educacionais, como jogos RPG e museus virtuais, quanto para a integração da comunidade acadêmica às práticas sociais comunitárias, valorizando-se os saberes culturais delas advindas.

Desse modo, nossos grupos, ancorados nas bases epistemológicas situadas no campo da praxiologia e do materialismo histórico e dialético, tem grande número de pesquisas conduzidas pela metodologia DBR, que se articula como método de pesquisa participativa e que alia conhecimento acadêmico ao comunitário com vistas à produção e aplicação de soluções para os problemas que surgem no contexto da pesquisa.

Convém pontuar que os primeiros trabalhos com DBR iniciaram em 2007, em nossos grupos de pesquisa. A tese intitulada Análise cognitiva social em fóruns

de discussão, da colega Jaqueline Souza de Oliveira Valladares, foi defendida em

2013 e representa um modelo de trabalho do que já fazíamos de forma não sistematizada conforme os moldes DBR. A adoção definitiva se deu a partir dos trabalhos de Eudes Vidal, Isabele Sodré e de Aline Assis Santos, defendidos em 2013 e 2014, respectivamente, o que requisitou correções e ajustes do que o grupo

Referências

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