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Academic year: 2021

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ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE

RELATÓRIO FINAL

Mestrado Integrado em Medicina

Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas

Universidade Nova de Lisboa

Diogo Valente Fortunato

2014225 | 2014-2020

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Índice

Introdução ... 3

Objetivos ... 3

Descrição das Atividades Desenvolvidas ... 4

Estágio Parcelar de Pediatria ... 4

Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia ... 4

Estágio Parcelar de Saúde Mental... 5

Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar ... 5

Estágio Parcelar de Medicina Interna ... 6

Estágio Parcelar de Cirurgia ... 6

Unidade Curricular Opcional - Preparação para o Exame de Seriação

para Ingresso nas Especialidades Médicas ... 7

Elementos Valorativos ... 7

Reflexão Crítica ... 8

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Introdução

O presente relatório surge no âmbito da Unidade Curricular Estágio Profissionalizante, unidade essa inserida no plano de estudos do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas. Servirá este documento para, em primeiro lugar, expor os objetivos que tracei para mim no início deste ano e de que forma planeei atingi-los, passando depois a descrever as atividades desenvolvidas em cada um dos estágios parcelares desta unidade curricular (Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Pediatria e Saúde Mental). Seguir-se-á um pequeno espaço de exposição das atividades que, apesar de não constantes no programa da unidade curricular em questão, decidi levar a cabo nestes seis anos e que penso terem moldado, à sua maneira, o meu percurso académico. Terminada a exposição, segue-se uma reflexão crítica que elaboro com vista a perceber quais os objetivos que cumpri e deixei por cumprir, tendo também o objetivo de perceber o impacto que este ano fundamentalmente prático teve e irá ter em mim enquanto pessoa e futuro médico e o impacto que a situação de pandemia por SARS-CoV-2 teve na minha formação médica. Termino com uma secção de anexos onde disponibilizo os certificados e documentos que penso serem relevantes e merecedores de destaque.

Objetivos

O estágio profissionalizante apresenta-se como a oportunidade do estudante de medicina reunir todos os conhecimentos que adquiriu durante os cinco primeiros anos do curso e pô-los ao serviço do doente, tornando-os numa ferramenta que usa para o diagnosticar e tratar da forma mais correta e humana possível.

Tendo isto em consideração, delineei vários objetivos pessoais que deveriam orientar a minha passagem pelos vários serviços, de modo a tornar-me um médico competente e humano que nunca desiste de procurar o conhecimento. Foram esses objetivos:

- adquirir uma postura adequada ao desenvolvimento da atividade clínica, tendo em mente o que o médico representa quando veste a bata branca;

- aperfeiçoar a relação médico-doente, construindo-a em prol do segundo sobre a base da confiança, do profissionalismo e do cuidado;

- colher e escrever histórias clínicas de forma cuidada e completa para que constituam uma ferramenta útil de apoio ao diagnóstico;

- efetuar correta e detalhadamente o exame objetivo a doentes com diversas patologias, ganhando sensibilidade para procurar pormenores que podem fazer a diferença no diagnóstico;

- propor diagnósticos compatíveis com os achados e aprender a usar os métodos complementares de diagnóstico com o objetivo de refutar ou afirmar os mesmos;

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4 - propor modalidades terapêuticas para patologias diversas, tendo em atenção os seus efeitos adversos e o impacto que têm na vida do doente e dos seus cuidadores;

- integrar uma equipa médica e nela desempenhar um papel construtivo de constante procura pelo conhecimento e pelo bem-estar do doente.

Descrição das Atividades Desenvolvidas

O Estágio Profissionalizante do 6 º ano do Mestrado Integrado em Medicina teve lugar entre 9 de Setembro de 2019 e 19 de Junho de 2020, tendo sido constituído por 4 semanas de Pediatria, 4 semanas de Ginecologia e Obstetrícia, 4 semanas de Saúde Mental, 4 semanas de Medicina Geral e Familiar, 8 semanas de Medicina Interna e um período de estágio de Cirurgia em moldes diferentes que resultaram das circunstâncias criadas pela pandemia de SARS-CoV-2.

Estágio Parcelar de Pediatria

O estágio de pediatria teve lugar no Hospital Dona Estefânia, onde estive sob a tutela da Dra. Leonor Sassetti na Unidade de Adolescentes. Durante as 4 semanas que passei neste serviço contactei com um grupo de doentes com diferentes especificidades que me levou a definir objetivos mais ajustados a esta realidade. Aqui quis desenvolver a capacidade de entrevistar um adolescente, perceber a importância da privacidade e da confidencialidade, conhecer as patologias mais frequentes desta faixa etária e aprender a gerir o papel dos pais na doença dos filhos. Para cumprir estes objetivos acompanhei o dia-a-dia da Dra. Leonor no internamento da Unidade de Adolescentes, assisti à Consulta de Medicina do Adolescente (entrevistando doentes pré-selecionados), passei pelo Serviço de Urgência (onde o meu principal enfoque foi reconhecer as patologias que apenas conhecia dos livros e aprender a lidar com a ansiedade legítima dos pais), assisti à Consulta de Imunoalergologia (uma manhã diferente onde para além de ver doentes me pude submeter aos testes Prick e perceber como é estar “do outro lado”), participei nas Reuniões de Passagem de Doentes do Serviço e assisti a múltiplas sessões formativas (Workshop de Urgência Pediátrica, Sessão Teórica de Imunoalergologia, XXII Reunião da Secção de Pediatria Ambulatória da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Sessão de Formação – USF de Monte Pedral). Por fim apresentei um seminário subordinado ao tema “Mielite Transversa Aguda”, onde abordei as particularidades desta doença na adolescência.

Estágio Parcelar de Ginecologia e Obstetrícia

O estágio de Ginecologia e Obstetrícia teve lugar no Hospital de Vila Franca de Xira, sob a tutela da Dra. Luciana Patrício e da Dra. Adriana Franco. A minha passagem por esta especialidade no passado foi bastante focada no diagnóstico pré-natal, pelo que ansiava por esta oportunidade para assistir a consultas e

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5 procedimentos específicos das múltiplas áreas que constituem a Ginecologia e Obstetrícia, podendo assim compreender as particularidades da medicina da mulher. A tutoria partilhada foi fundamental para que tal acontecesse, pois permitiu-me abordar a obstetrícia com a Dra. Luciana (Consulta de Alto Risco, Ecografia Obstétrica e várias cesarianas) e a ginecologia com a Dra. Adriana (Consulta de Pavimento Pélvico, Consulta de Ginecologia Geral e diversas cirurgias das quais destaco a oncológica e de pavimento pélvico). Durante as 4 semanas que passei neste serviço fiz 4 dias de Serviço de Urgência, onde contactei com patologia grave e verdadeiramente urgente mas também assisti a diversos partos vaginais. Por fim, assisti ao Workshop The

Woman e apresentei um trabalho intitulado “Abordagem ao VIH na Gravidez” para os profissionais do

serviço.

Estágio Parcelar de Saúde Mental

O estágio de Saúde Mental teve lugar no Serviço de Reabilitação do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, sob a tutela da Dra. Safira Hanemann. Dadas as especificidades da população psiquiátrica crónica (com a qual contactei a maioria do tempo), foquei os meus objetivos de estágio nas competências de entrevista e relação médico-doente que tão particulares são neste grupo de doentes. Assim, acompanhei o dia-a-dia da Dra. Safira, entrevistando vários doentes com patologias diversas e com os quais estabeleci uma relação de confiança que me permitiu compreender melhor a sua realidade. Pude ainda participar na Terapia Ocupacional (acompanhando os doentes que entrevistei), passei um dia no internamento de doentes agudos, contactei com a Eletroconvulsivoterapia (ajudando na realização do procedimento) e acompanhei a Dra. Safira no Serviço de Urgência (onde observei doentes psicóticos e depressivos em fase aguda e contactei com realidades sociais muito difíceis e que me fizeram ver a multifatorialidade da etiologia destas patologias). Participei ainda em momentos formativos (Aula de Casos Clínicos, Aula de Estigma e Planos na Doença Mental e Curso de Formação de Internos de Psiquiatria).

Estágio Parcelar de Medicina Geral e Familiar

O estágio de Medicina Geral e Familiar teve lugar na Unidade de Saúde Familiar Conde da Lousã sob a tutela da Dra. Leonor Prata. Para esta especialidade estabeleci vários objetivos que deveriam orientar a minha atividade: saber reconhecer as patologias mais comuns em cada faixa etária; saber quando as tratar ou referenciar; aprender a ter uma visão holística do doente; aprender a gerir realidades como os rastreios, vacinação e instrumentos de abordagem familiar. A minha atividade passou pelas consultas gerais, de seguimento da gravidez, de hipertensão e diabetes. Pude conduzir consultas do início ao fim, por vezes autonomamente, realizando uma história clínica cuidada e um exame objetivo direcionado, discutindo posteriormente as minhas dúvidas, hipóteses diagnósticas e propostas de alteração à terapêutica, algo que

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6 penso ter contribuído de forma ímpar para a minha autonomia futura. Para além disso realizei domicílios, algo que me permitiu contactar com o doente na sua zona de conforto e perceber as suas dificuldades reais que muitas vezes não são percetíveis na consulta. Realizei ainda domicílios de enfermagem e apresentei aos profissionais do serviço um trabalho intitulado “Segurança do doente: uma prioridade de saúde global” sobre o erro em medicina.

Estágio Parcelar de Medicina Interna

O estágio de Medicina Interna teve lugar no Hospital das Forças Armadas sob a tutela da Dra. Ana Afonso. Desde o início ficou claro que iria integrar a equipa e que a mesma iria contar comigo para, sob supervisão, realizar as várias tarefas que são exigidas a um internista. Para além dos objetivos que me foram propostos, tive o cuidado de me focar num aspeto que penso ser fulcral: a abordagem ao doente com múltipla patologia crónica e polimedicado, onde o compensar de uma patologia pode facilmente desencadear a agudização de outras. A minha atividade passou pelo acompanhamento de diversos doentes em internamento, estando a meu cargo a realização de notas de entrada, diários clínicos e notas de alta, bem como a prescrição de métodos complementares de diagnóstico e a sua interpretação. Realizei ainda diversas punções arteriais e venosas, assisti a procedimentos invasivos e acompanhei doentes a outras especialidades, vendo-me assim na necessidade de aprender a sistematizar os dados relevantes para transmitir a história do doente a um colega. Durante o período de estágio acompanhei semanalmente a Dra. Ruth Correia no Serviço de Urgência do Hospital de São José, onde pude abordar de forma autónoma, embora supervisionada, doentes com patologia diversa e que me ajudaram a diversificar o raciocínio no que diz respeito a diagnósticos diferenciais. Realizei ainda, juntamente com as minhas colegas, um trabalho que incidiu sobre a abordagem do acidente isquémico transitório, dor lombar e neoplasia da próstata, tendo por base a história de um doente que diagnosticámos e tratámos no serviço. O estágio terminou uma semana antes da data prevista na sequência das diretivas emitidas pela Faculdade no contexto da pandemia de SARS-CoV-2, vendo-se os alunos obrigados a abandonar os hospitais com o objetivo de se proteger a si, aos profissionais e, sobretudo, aos doentes.

Estágio Parcelar de Cirurgia

No seguimento das diretivas da Faculdade, o estágio de Cirurgia viu a sua componente prática ser suspensa temporariamente até indicação em contrário, algo que se veio a revelar definitivo, dada a inexistência das condições necessárias para a retoma da atividade presencial neste contexto de pandemia. Nesse sentido, a regência da UC Cirurgia mobilizou os docentes afetos ao ensino desta especialidade para que contactassem os seus alunos de forma a realizar reuniões online de discussão de casos clínicos, bem como trocar impressões e estabelecer uma necessária orientação para a realização de um trabalho a apresentar no

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Mini-7 Congresso de Cirurgia. Nesse sentido, fui contactado pelo Doutor Gonçalo Luz que ficou responsável por me orientar a mim e a mais 3 colegas. O tema que escolhemos desenvolver foi a Abordagem à Hemorragia Digestiva Alta, algo que pensámos ser interessante levar aos nossos colegas dada a alta prevalência e potencial morbimortalidade inerente a esta realidade. A apresentação online foi o culminar de um estágio que, por força maior, se viu obrigado a ser diferente em vários moldes, obrigando professores e alunos a adaptarem-se às novas circunstâncias.

Unidade Curricular Opcional - Preparação para o Exame de Seriação para Ingresso nas

Especialidades Médicas

A Unidade Curricular Opcional foi a Unidade que, a par da Cirurgia, sofreu mais alterações em virtude das circunstâncias. A minha primeira opção para frequentar como UC opcional foi Trauma, pois é uma área pela qual me interesso bastante e onde, independentemente da especialidade que escolher, quero desenvolver alguma atividade no futuro. Sendo assim, depositava sérias expectativas no que iria ser uma UC com forte componente teórica de traumatologia e que nos iria dar a oportunidade de assistir, como observadores, ao curso ATLS (Advanced trauma life support). No entanto, no seguimento das restrições impostas pela pandemia e no sentido de garantir a homogeneidade de carga horária e qualidade formativa da UC opcional, foi decidido que todos os alunos do 6 º ano deveriam frequentar uma nova UC criada com o objetivo de preparar os alunos para a Prova Nacional de Acesso (PNA) que se avizinha. Sendo assim, foram realizadas seis reuniões online orientadas pelo Prof. Dr. Roberto Palma dos Reis, onde especialistas de várias áreas escolheram as perguntas da PNA de 2019 que consideraram pertinentes e as analisaram do ponto de vista teórico e formal, despertando nos alunos sobretudo a capacidade de filtrar a informação relevante de modo a poderem responder corretamente às questões.

Elementos Valorativos

A presente secção tem por vista dar a conhecer algumas das atividades que desenvolvi durante estes 6 anos e que penso terem sido importantes no desenvolvimento do meu caráter e perfil como futuro médico.

No 1º ano do curso, no decorrer da UC Suporte Básico de Vida, fui apontado pelos formadores da Associação Alento (parceira da Faculdade que leva a cabo formações incluídas no currículo do MIM) como potencial instrutor, algo que me motivou a frequentar o curso de Instrutores de SBV/DAE (Matosinhos, 2016), tornando-me assim parte desta equipa e passando a fazer formação nesta área aos alunos da FCM (SBV no 1º ano e SBV/DAE no 3º ano), bem como a outras entidades que mostraram interesse em adquirir esta competência (lista de cursos em anexo). No seguimento deste projeto, a equipa de formadores da Alento desenvolveu, sob a orientação do Prof. Dr. Pedro Póvoa, um poster intitulado “BLS in medical curriculum:

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strengthening the survival chain” (em anexo) onde se descreveu a implementação do SBV/DAE no currículo

do MIM na FCM e que permitiu que esta escola médica fosse a primeira em Portugal a ter todos os seus alunos formados nesta competência fundamental. Este poster foi apresentado no Congresso do European

Resuscitation Council que decorreu em 2019 em Liubliana, Eslovénia.

Para além do SBV, envolvi-me ainda na UC de Anatomia, tendo sido monitor durante o ano 2015/2016 (certificado em anexo), atividade que despertou em mim o gosto pelo ensino e me leva a querer desenvolver atividade académica em paralelo com a minha atividade clínica num futuro próximo.

Destaco ainda a minha contribuição para o projeto de voluntariado Saúde Porta a Porta da AEFCM, onde tive a oportunidade de levar a minha ação em medicina mais além, colocando-me ao serviço de quem tem tanto para contar mas ninguém para ouvir.

No ano letivo de 2018/2019 frequentei a Charles University in Plzen (República Checa) no âmbito do projeto Erasmus+, experiência que me permitiu conhecer uma realidade absolutamente diferente (quer em práticas quer em recursos) mas onde tive a sorte de perceber que a medicina tem o dom de ultrapassar a barreira da linguagem e de fornecer um porto seguro a quem tanto dele carece.

Já neste ano letivo tive a oportunidade de comparecer a vários momentos de formação: a XXII Reunião da Secção de Pediatria Ambulatória e a formação 3 áreas, 3 desafios, ambas no âmbito da Pediatria e nas quais pude aprofundar conhecimentos em áreas do meu interesse, e várias palestras online organizadas pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas.

Por último, destaco a minha contribuição no Grémio Académico da Faculdade de Ciências Médicas, onde sou ainda membro efetivo e onde desempenhei o papel de membro do Conselho Mor (2016/2017), fazendo assim acontecer eventos como a IV Serenata a Santana e a XXXV Noite de Santana. Daqui tiro uma maior capacidade de trabalho e de organização que desenvolvi enquanto fazia amigos que levo para a vida.

Reflexão Crítica

Terminado este último ano, chega a altura de olhar para trás e fazer um balanço honesto do que foi o meu percurso pela Faculdade e, principalmente, pela Medicina. Os 5 longos anos que se querem de crescimento e aprendizagem constante culminaram neste 6º ano onde o objetivo passava por frequentar o Estágio Profissionalizante e dele tirar o melhor partido, pondo em prática não só os conhecimentos teóricos que tenho vindo a adquirir mas também as competências procedimentais e humanas que fiz por acumular. Urge assim refletir sobre os objetivos que cumpri e deixei por cumprir, bem como os pontos bons e menos bons que fui encontrando na passagem pelas diversas especialidades que constituem este fim de linha do nosso currículo. Seguindo a ordem cronológica pela qual as apresentei neste documento, começo por Pediatria. Nesta especialidade contactei com um público particular (adolescentes) que me permitiu melhorar a

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9 comunicação e contactar com patologias raras (sobretudo reumatológicas e neurocirúrgicas), bem como contactar com o fim de vida numa idade em que este se revela tremendamente mais doloroso do que deveria ser. Como aspetos a melhorar aponto a possibilidade de fazermos mais horas em contexto de urgência pois esta é repleta de patologias ímpares com as quais não temos muito contacto durante o curso. Segue-se

Ginecologia e Obstetrícia, especialidade onde pude fazer vários dias de urgência e onde desenvolvi o

raciocínio clínico com vista a orientar rapidamente situações ameaçadoras da vida, para além de ter sido uma oportunidade para participar em cesarianas, ajudando assim a trazer vida ao mundo. Melhoraria aqui o incentivo à realização de procedimentos ginecológicos práticos por parte do aluno, algo que acabou por não acontecer como seria desejável. A passagem pela Saúde Mental foi especialmente frutífera na medida em que pude comparar a realidade portuguesa com a realidade checa, percecionando duas maneiras diferentes de olhar o doente que penso advirem das diferenças culturais entre ambos os povos. O grande ponto positivo que tiro desta passagem acaba por ser a maneira como passei a ver o doente mental e o agente de mudança que pretendo ser no estigma ainda muito presente na nossa classe. Como ponto a melhorar vejo a possibilidade de passar mais tempo com doentes agudos, percecionando assim uma realidade bem diferente e mais agitada do que aquela com a qual contactei no serviço de reabilitação. A Medicina Geral e Familiar permitiu-me acompanhar o doente também na saúde e na sua manutenção, bem como, pela primeira vez, conduzir várias consultas (sob supervisão), colocando em mim a responsabilidade de extrair da entrevista os dados necessários ao correto diagnóstico e tratamento. Destaco ainda a possibilidade de ver o doente no seu meio (através dos domicílios) e de refletir sobre as falhas do médico e o seu impacto no doente e na visão que a sociedade tem da medicina (através do trabalho que apresentei para o serviço). Como ponto a melhorar diria que gostava de ter tido maior contacto com questões práticas como fazer e mudar um penso ou mesmo ensinar a administrar produtos auto-injetáveis, algo que parece tão elementar mas confesso ser ainda em mim uma lacuna. No que diz respeito à Medicina Interna, esta foi a especialidade onde tive uma maior autonomia, sendo parte ativa e necessária de uma equipa que lida com doentes debilitados e polimedicados onde é exigido ao internista que domine diversas especialidades por forma a garantir, muitas vezes, a sobrevivência do seu doente. Destaco o facto de ter praticado inúmeras vezes o exame objetivo (menos mas também, o exame neurológico) e ter aprendido a requerer e interpretar exames complementares de diagnóstico, algo que nunca havia feito. Penso que se deve apostar mais na formação do aluno na prescrição, administração e monitorização de terapêutica, algo que estudamos a fundo na teoria mas que sinto ser uma falha na minha formação prática. O estágio de Cirurgia Geral foi profundamente afetado pela pandemia de SARS-CoV-2, vendo-se os tutores obrigados a suspender o ensino prático e a tentar colmatar, dentro do possível, os pontos negativos que isto acarreta através de reuniões online. Desta experiência retiro sobretudo a necessidade de um médico ser recetivo à mudança e procurar fazer sempre o melhor perante a adversidade, atitude essa que pretendo cultivar sempre em mim. A melhorar algo, e tendo

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10 noção de que não teria sido fácil, apontaria a necessidade de uma uniformização das tarefas de estágio dos vários alunos, por forma a minorar desigualdades que, infelizmente, foram uma realidade. A UC Opcional foi outro exemplo da pronta resposta da Faculdade, tendo sido construída em tempo recorde uma cadeira que nos é verdadeiramente útil pois acompanha connosco um exame real (PNA 2019) e o disseca com espaço para dúvidas.

Deixando para trás o Estágio Profissionalizante, e pensando agora de forma mais abrangente, cabe-me então refletir sobre o meu percurso como estudante de Medicina. Não posso dizer que sempre sonhei ser médico, porque não é verdade. Este fascínio pelo corpo humano, pela doença e, sobretudo, pela pessoa que a vivencia, só me surgiu no 12º ano e fez-me entrar na Faculdade ainda com algumas dúvidas. A par disto, o facto de não conhecer nenhum médico e de os meus pais serem de áreas perfeitamente distintas da nossa colocava ainda mais incertezas no meu caminho. Mas estas foram-se dissipando. Fui aprendendo aos poucos o que é a medicina, envolvi-me em projetos de emergência e ensino teórico (Suporte Básico de Vida e Anatomia), colaborei num trabalho científico, trabalhei em equipa e tentei angariar todo o conhecimento que consegui durante os anos exclusivamente teóricos do curso. Depois começaram os estágios, e se dúvidas ainda existiam, aí desapareceram por completo. Percorri várias especialidades, contactei com dezenas de patologias e conheci centenas de seres humanos que, mesmo na sua condição de fragilidade, são pessoas iguais a nós, merecedoras de todo o respeito e investimento da nossa parte. Com isto em mente, continuei a minha formação extra curricular com voluntariado, formações, Erasmus+ e convivência em grupos da Faculdade como o Grémio Académico, onde pude trabalhar para integrar e ser um apoio para os meus colegas mais novos, bem como executar eventos que já fazem parte da história do Campo de Santana.

Por todo este percurso e pela sua riqueza, agradeço a todos os tutores que fizeram parte do mesmo, que comigo partilharam a sua experiência e a quem devo a maneira como vejo a medicina, bem como à minha família e amigos que me motivaram todos os dias a perseguir este sonho adquirido. Um especial agradecimento ao Prof. Dr. Joaquim Gago pelo apoio que prestou na reflexão e elaboração deste documento que espero ter sido fiel àquilo que foi a minha passagem pela Faculdade de Ciências Médicas.

Vem aí uma nova etapa que anseio enfrentar, mas pela qual tenho um enorme respeito. A partir de agora a responsabilidade cresce exponencialmente e os erros passam a ter consequências na vida do outro. Nesse sentido, comprometo-me a estudar mais e mais, mas sempre com o doente no centro da minha preocupação, pois como William Osler disse: “He who studies medicine without books sails an uncharted sea, but he who

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Anexos

Anexo 1 - Formação 3 Áreas, 3 Desafios – USF Monte Pedral

Anexo 2 - XXII Reunião da Secção de Pediatria Ambulatória “Quando a noite chega”

Anexo 3 - Certificado do Curso “ERC BLS/AED Instructor Course”

Anexo 4 - Certificado de Instrutor Senior de SBV/DAE

Anexo 5 - Cursos de SBV e SBV/DAE lecionados – parte I

Anexo 6 - Cursos de SBV e SBV/DAE lecionados – parte II

Anexo 7 - Poster “BLS in medical curriculum: strengthening the survival chain”

Anexo 8 - Certificado de monitor da Unidade Curricular “Anatomia”

Anexo 9 - Certificado do Programa Erasmus + 2018/2019 – I

Anexo 10 - Certificado do Programa Erasmus + 2018/2019 – II

Anexo 11 - Certificado de participação no Projeto Saúde Porta a Porta

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12 Anexo 1 - Formação 3 Áreas, 3 Desafios – USF Monte Pedral

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14 Anexo 3 - Certificado do Curso “ERC BLS/AED Instructor Course”

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15 Anexo 4 - Certificado de Instrutor Senior de SBV/DAE

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16 Anexo 5 - Cursos de SBV e SBV/DAE lecionados – parte I

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17 Anexo 6 - Cursos de SBV e SBV/DAE lecionados – parte II

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18 Anexo 7 - Poster “BLS in medical curriculum: strengthening the survival chain”

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19 Anexo 8 - Certificado de monitor da Unidade Curricular “Anatomia”

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20 Anexo 9 - Certificado do Programa Erasmus + 2018/2019 - I

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21 Anexo 10 - Certificado do Programa Erasmus + 2018/2019 - II

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22 Anexo 11 - Certificado de participação no Projeto Saúde Porta a Porta

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23 Anexo 12 - Certificado de participação no Grémio Académico da Faculdade de Ciências Médicas

Referências

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