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Design de serviços e interfaces num contexto de televisão interactiva : proposta de uma aplicação de suporte à comunicação interpessoal entre telespectadores

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Universidade de Aveiro 2007

Departamento de Comunicação e Arte

Jorge Trinidad

Ferraz de Abreu

Design de Serviços e Interfaces num Contexto de

Televisão Interactiva

(2)

Universidade de Aveiro 2007

Departamento de Comunicação e Arte

Jorge Trinidad

Ferraz de Abreu

Design de Serviços e Interfaces num Contexto de

Televisão Interactiva

proposta de uma aplicação de suporte à comunicação interpessoal entre telespectadores

tese apresentada à Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Ciências e Tecnologia da Comunicação, realizada sob a orientação científica do Professor Doutor Vasco Afonso da Silva Branco e do Professor Doutor Óscar Emanuel Chaves Mealha, Professores Associados do Departamento de Comunicação e Arte da

(3)

Dedico este trabalho à minha filha Marta, a realidade mais bonita da minha existência.

(4)

o júri

presidente Prof. Dr. Manuel João Senos Matias

Professor Catedrático da Universidade de Aveiro Prof. Dr. Artur Pimenta Alves

Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Prof. Dr. Fernando Manuel dos Santos Ramos

Professor Catedrático da Universidade de Aveiro Prof. Dr. Vasco Afonso da Silva Branco Professor Associado da Universidade de Aveiro Prof. Dr. Óscar Emanuel Chaves Mealha Professor Associado da Universidade de Aveiro Prof. Dr. Xosé Ramón Pousa

(5)

agradecimentos Há um conjunto alargado de pessoas, que contribuíram para a realização deste trabalho, a quem gostava de deixar aqui o meu profundo agradecimento: Ao meu orientador Professor Vasco Branco e co-orientador Professor Óscar Mealha pelas ideias trocadas e pelo apoio prestado.

À UnICA pelo suporte financeiro ao nível da aquisição de alguns componentes do protótipo e à equipa do projecto Arinque pela cedência dos computadores utilizados na fase de avaliação.

Aos alunos, de Engenharia Electrónica e Telecomunicações, Hélder Campos e Ricardo Carvalho pelo valioso apoio e determinação na fase de implementação do motor do protótipo.

Aos avaliadores e observadores que participaram na fase de teste do protótipo.

Aos meus diversos amigos do Departamento de Comunicação e Arte, em especial ao Nuno Dias, pela colaboração no processo de desenho da interface gráfica, ao Pedro Almeida, pelo esforço conjunto de desenvolvimento das componentes comuns dos nossos dois protótipos e pelos úteis conselhos de programação, à Lídia Oliveira, pelo seu apoio e organização lectiva na minha “ausência” no período de 2004-2005, à Conceição Lopes pela sua energia positiva e, finalmente, à Margarida Almeida pela partilha, estimulo e amizade com que alicerçou este trabalho.

Aos meus Pais pela paciência e incentivo.

À Teresa pelo suporte e pelo seu constante cuidado com a nossa filha Marta. Finalmente, um apreço muito sentido pela compreensão, de todos os meus familiares e, também, amigos, em relação a algumas falhas e ausências da minha parte durante a realização deste trabalho.

A todos vocês que estiveram, estão e estarão no meu coração: este trabalho também é vosso!

(6)

palavras-chave Televisão Interactiva, Comunicação Interpessoal, Design de Interfaces

resumo Um dos resultados mais imediatos de ver televisão é falar sobre o que se viu, sobre o que se está a ver ou, mesmo, sobre o que se irá ver. A televisão tem, assim, o potencial de actuar como elemento catalisador de comunicações interpessoais, sendo, frequentemente, responsável pelo estabelecimento de referenciais comuns, em torno dos quais as conversas se estabelecem. Porém, este papel, que a televisão tradicionalmente tem desempenhado, pode estar a ser alterado no actual cenário de fragmentação das audiências

televisivas, decorrente da crescente oferta de canais de televisão, e em relação ao qual a transição para o domínio digital muito tem contribuído. Esta situação, aliada à crescente adopção de novos dispositivos e novas formas de comunicar, justificou a conceptualização, prototipagem e teste de uma aplicação de televisão interactiva que permita suportar e facilitar a comunicação entre telespectadores, tendo sido este o objectivo principal que norteou o trabalho desenvolvido. A transposição tecnológica de interacções e processos tradicionais de comunicação, que a aplicação assegura, teve por finalidade permitir capitalizar o potencial da televisão como indutora de conversas e contribuir para um possível incremento da frequência

comunicacional, podendo, porventura, reforçar processos que, potencialmente, são promotores de sociabilidade. A globalização das redes, nas quais a aplicação se suporta, associada às suas funcionalidades traduz-se num valor acrescentado pois permite que um telespectador possa, por exemplo, manter um discurso centrado no conteúdo televisivo, alertar outro telespectador para algo relevante ou recomendar-lhe um determinado programa,

independentemente da sua localização geográfica.

A conceptualização da referida aplicação foi ancorada num conjunto de pressupostos, resultantes da contextualização teórica efectuada, e traduziu-se na definição dos principais requisitos funcionais, e respectivas soluções, que se perspectivavam adequadas a atingir o propósito delineado.

O protótipo de alta-fidelidade desenvolvido apresentou-se como a melhor estratégia para apresentar o modelo da aplicação a um grupo de utilizadores piloto (diferenciados ao nível da literacia tecnológica), de forma a se poderem avaliar as soluções funcionais identificadas (ao nível dos serviços e da interface) e a determinar o respectivo grau de receptividade por parte de potenciais utilizadores.

Os resultados obtidos permitiram responder aos objectivos específicos que foram delineados, tendo sido, nomeadamente, possível validar a correcta usabilidade do protótipo e a adequabilidade do modelo conceptual (e das respectivas soluções funcionais) face ao objectivo principal da aplicação.

(7)

keywords Interactive Television, Interpersonal Communication, Interface Design

abstract When a TV programme is broadcasted, people naturally talk about what they’ve watched, are watching or are planning to watch. In this sense, Television works as a promoter of interpersonal communication, often being responsible for the creation of a common referential around which people dialogue. However, this role that television has been playing so far might be changing due to the fragmentation of television audiences, caused by an increasing offer of TV channels strengthened by the transition to the digital domain.

This situation, summed to the increasing adoption of new devices and innovative ways of communication, gave rise to the conceptualization, prototyping and testing of an interactive television application, which might support and facilitate communication between viewers. This was the main idea of the work developed throughout this thesis.

The technological transposition of interactions and traditional processes of communication (which the application guarantees) was aimed at the purpose of capitalizing the television potential as a means of interchange of thoughts and opinions, as well as promoting sociability.

Globalization of networks (in which the application supports itself) together with its functionalities, means a real value because it allows a viewer to keep a conversation centred on a certain TV content, alert another viewer to

something relevant or suggest him/her a certain programme from virtually any part of the world.

Through the conceptualization of the application (based on a set of

assumptions, which were a result of the theoretical contextualization carried out) was possible to define the main functional requirements and related solutions, in order to achieve the planned purposes.

The high fidelity prototype developed presented itself as the best strategy to demonstrate the model of the application to a group of pilot users

(distinguished by their level of technological literacy), so that the identified functional solutions, in terms of services and interface design, could be evaluated. It also helped determine the level of receptivity of the potential users.

The final results made it possible answer the specific objectives that were previously drawn, thus making it possible to validate the usability of the prototype and the adequacy of the conceptual model (together with its functional solutions) towards the main goal of the application.

(8)

Índice | 1

Design de Serviços e Interfaces num Contexto de

Televisão Interactiva

- Proposta de uma aplicação de

suporte à comunicação interpessoal entre telespectadores

Índice de conteúdos

1 INTRODUÇÃO 21

1.1 O PROBLEMA E A SUA RELEVÂNCIA 22

1.1.1 A televisão como indutora de comunicações interpessoais 23 1.1.2 A adopção de serviços on-line de suporte à comunicação

interpessoal 27 1.1.3 A mediação permitida pela TV Interactiva 28

1.2 FOCALIZAÇÃO DO PROBLEMA E QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO 28 1.3 A ABORDAGEM AO PROBLEMA: PERCURSO DE INVESTIGAÇÃO

E ESTRUTURA DO DOCUMENTO 33

PARTE 1 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO

41

2 TELEVISÃO: DINÂMICAS COM O TELESPECTADOR 45

2.1 INVESTIGAÇÕES ETNOGRÁFICAS SOBRE AUDIÊNCIAS

TELEVISIVAS 50

2.2 A TELEVISÃO COMO ELEMENTO CATALISADOR DA

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL 54

2.2.1 Identificação de padrões comunicacionais mediados pela televisão 62

2.3 ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS DA PROLIFERAÇÃO DA OFERTA

TELEVISIVA E DA FRAGMENTAÇÃO DAS AUDIÊNCIAS 64

2.4 CARACTERÍSTICAS ASSOCIADAS AO CONSUMO TELEVISIVO 70

2.4.1 Níveis de atenção 71

2.4.2 O balanço entre actividade solitária e de grupo 71 2.4.3 Afinidade interpessoal em função dos hábitos televisivos 72 2.4.4 Privacidade em relação aos hábitos televisivos 73

2.5 SÍNTESE DE CAPÍTULO 74

3 COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

TECNOLOGICAMENTE MEDIADA

75

3.1 MECANISMOS E PRÁTICAS SOCIAIS RELEVANTES NO

DESENHO DE SISTEMAS TECNOLÓGICOS 75

(9)

3.1.2 Mecanismos de coordenação 76

3.1.3 Mecanismos de detecção de presença 77

3.1.3.1 Informação complementar e privacidade 79

3.2 INTERACTIVIDADE: NÍVEIS DE ACEITAÇÃO 81

3.3 SERVIÇOS SÍNCRONOS DE SUPORTE À COMUNICAÇÃO

INTERPESSOAL 82

3.3.1 Caracterização de serviços existentes 83

3.3.1.1 Características dos sistemas de Instant Messaging 84

3.3.1.2 Suporte à comunicação informal 86

3.3.1.3 Comunicações por IM e vantagens face a outros meios 87 3.3.1.4 Utilizações satélite do IM (estruturais à comunicação informal) 91 Negociação da disponibilidade para iniciar uma conversa 91 Zonas de comunicação em conversas intermitentes 93 Momentos de percepção de presença (awareness

moments) 94

3.4 TVINTERACTIVA: NOVO AMBIENTE DE CONVERGÊNCIA

SÓCIO-TECNOLÓGICA 95

3.5 SÍNTESE DE CAPÍTULO 97

4 DESIGN DE INTERFACES

99

4.1 A RELAÇÃO COM O CAMPO CIENTÍFICO HCI 101

4.1.1 O envolvimento do utilizador no processo de design 101

4.1.1.1 Especificação do contexto de utilização 103

4.1.1.2 Especificação dos requisitos funcionais e do utilizador 104

4.1.1.3 Produção de soluções para o design 104

4.1.1.4 Avaliação do design em função dos requisitos do utilizador 106 4.2 PODS -PRINCÍPIOS ORIENTADORES DE DESIGN DE

INTERFACES PARA APLICAÇÕES DE TVINTERACTIVA 107

4.2.1 Factores comportamentais na geração de PODs - o

telespectador como utilizador 109

4.2.2 Factores técnicos na geração de PODs - TV versus PC 118

4.2.2.1 Terminal gráfico: o televisor 120

4.2.2.2 Dispositivos de interacção 124

4.2.3 Importação e adaptação de princípios básicos de

usabilidade, tradicionalmente, associados ao campo HCI 127

4.3 SÍNTESE DE CAPÍTULO 131

5 CARACTERIZAÇÃO E ESTADO DA ARTE DO

PANORAMA DA TV INTERACTIVA

133

5.1 CARACTERIZAÇÃO DA TVINTERACTIVA 133

5.1.1 Para uma taxinomia das soluções de televisão interactiva 135

5.1.1.1 Abordagem na perspectiva do utilizador 136

EPG – Guias de Programação Electrónicos 137

Serviços do tipo teletexto 138

Walled Gardens 138

Internet na televisão 138

(10)

Índice | 3

Vídeo a pedido (VoD) e Vídeo quase a pedido (NVoD) 141 Gravadores de vídeo pessoais ou Personal Video

Recorders (PVRs) 142 5.1.1.2 Abordagem tecnológica 143 PC no TV 143 TV no PC 145 TV em dispositivos móveis 146 5.2 SÍNTESE HISTÓRICA 146

5.2.1 Evolução genérica da TV interactiva 147

5.2.1.1 Período pré-década de 1970 147

5.2.1.2 Década de 1970 147

5.2.1.3 Década de 1980 148

5.2.1.4 Década de 1990 148

5.2.1.5 Década de 2000 150

O operador líder mundial - BSkyB 152

A estação televisiva líder mundial - BBC 153

A situação portuguesa – TV Cabo e Clix 154

5.2.2 Evolução da integração de serviços de comunicação na TV Interactiva 158

5.3 ASPECTOS TECNOLÓGICOS 164

5.3.1 Plataformas de TV Interactiva e Middleware 164 5.3.2 Ferramentas de desenvolvimento de aplicações de TV

Interactiva 165

5.4 RECURSOS ACADÉMICOS E INSTITUCIONAIS SOBRE TV

INTERACTIVA 166 5.4.1 Trabalhos científicos 166 5.4.2 Encontros científicos 169 5.4.3 Sites e portais 170 5.5 SÍNTESE DE CAPÍTULO 171

PARTE 2 - DESENVOLVIMENTO

175

6 CONCEPTUALIZAÇÃO DA APLICAÇÃO

179

6.1 CARACTERIZAÇÃO DO PÚBLICO-ALVO 179

6.2 DEFINIÇÃO DOS PRINCIPAIS REQUISITOS FUNCIONAIS E

RESPECTIVAS SOLUÇÕES 182

6.2.1 Proporcionar informação e sensação de presença 184

6.2.1.1 Soluções funcionais adoptadas 190

Criação de uma lista de contactos e gestão do estado do utilizador 190 Disponibilização de informação sobre o estado e canal de

cada contacto 190

Mecanismo de gestão da privacidade do utilizador 191 Portabilidade da informação e acesso a partir de diferentes televisores 193

(11)

6.2.2 Suporte a interacções informais - serviços de comunicação interpessoal entre utilizadores conhecidos 193

6.2.2.1 Soluções funcionais adoptadas 195

Comunicação textual bidireccional em tempo real: IM na TV 197 Comunicação textual unidireccional em tempo real:

CLIPEMAIL 203

Comunicação textual bidireccional assíncrona: E-mail na TV 204

Envio de um Apontador de TV: APTV 204

6.2.3 Comunicação entre utilizadores desconhecidos e

identificação de perfis televisivos idênticos 206

6.2.3.1 Soluções funcionais adoptadas 206

Comunicação textual bidireccional em tempo real (entre utilizadores desconhecidos): o Chat na TV 206 Procura de utilizadores com perfil televisivo idêntico 208

6.3 MODELO CONCEPTUAL 209 6.3.1 Modularização da aplicação 210 6.3.1.1 Secção FRIENDSON 211 6.3.1.2 Secção MSGON 212 6.3.1.3 Secção CHANNELSON 212 6.3.1.4 Secção +FRIENDSON 212

6.3.2 Representação esquemática do modelo 212

6.4 SÍNTESE DE CAPÍTULO 216

7 O PROTÓTIPO 2BEON

221

7.1 DIMENSÃO FUNCIONAL 224

7.1.1 Operacionalização dos Princípios Orientadores de Design

de interfaces 224

7.1.1.1 PODs com impacto ao nível funcional 226

Adequação a diferentes níveis de atenção do utilizador 226 Adequação a diferentes níveis de predisposição para a interactividade 227 Adequação a diferentes contextos sociais de visualização 228 Adequação a diversos tipos de selecção de canais 229 7.1.1.2 PODs com impacto ao nível do design gráfico 229 Design gráfico condicionado à área útil do ecrã 230

Evitar informação irrelevante 230

Seleccionar correctamente os padrões e cores utilizados

na interface gráfica 231

Dimensionar correctamente as fontes e o nível de detalhes gráficos 232 Garantir consistência ao nível da interface 236

Primazia ao programa de televisão 236

7.1.1.3 PODs com impacto ao nível do design de interacção 238 Telecomando com ergonomia funcional adequada 239 Modos de interacção adaptados à televisão 240 Garantir uma correspondência directa entre ecrã e

telecomando 243 Adaptação a utilizadores com diferentes níveis de literacia tecnológica 244

Possibilidade de retrocesso 244

Velocidade da navegação optimizada 245

(12)

Índice | 5

Facilitar a navegação e a localização 246

Garantir uma correspondência entre o sistema e o mundo real 247 Diminuir a probabilidade de erro e a perturbação gerada

pelas mensagens de erro 247

Disponibilização de um sistema de ajuda 248

7.1.2 Apresentação da interface gráfica e de interacção do

protótipo 248

7.1.2.1 Entrada no sistema 249

7.1.2.2 Menu principal 250

Navegação dentro do menu principal e legendas de

feedback visual 250 7.1.2.3 Secção FRIENDSON 252 Lista de contactos 253 Menu FRIENDSON 255 7.1.2.4 Secção MSGON 272 Lista de mensagens 272 Menu MSGON 273 7.1.2.5 Secção CHANNELSON 274

Lista de canais favoritos 275

Menu CHANNELSON 275

7.1.2.6 Secção +FRIENDSON 280

Lista de contactos 281

Menu +FRIENDSON 281

7.1.2.7 Sistema de Help contextualizado 286

7.2 DIMENSÃO TÉCNICA 289

7.2.1 Plataforma de desenvolvimento 290

7.2.1.1 STB e aplicação cliente 295

7.2.1.2 Configuração da base de dados 302

7.2.1.3 Comunicações envolvendo as aplicações cliente e o servidor (BD) 304

7.2.2 Síntese dos módulos desenvolvidos e das tecnologias

envolvidas 306

7.3 SÍNTESE DE CAPÍTULO 308

8 AVALIAÇÃO 311

8.1 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS DA AVALIAÇÃO 311

8.1.1 Verificação da usabilidade do protótipo 313 8.1.2 Validação do modelo conceptual e da adequabilidade das

respectivas soluções funcionais 315

8.1.3 Identificação de críticas e sugestões com vista ao

melhoramento da aplicação 319

8.2 PROCESSO DE AVALIAÇÃO 319

8.2.1 Metodologia geral do processo de avaliação 320 8.2.2 Fase 1 – caracterização dos avaliadores 323

8.2.2.1 Modelo do questionário 325

8.2.2.2 Dados recolhidos 327

Hábitos televisivos dos inquiridos: 327

Perfil/literacia tecnológica 331

Dinâmica comunicacional/televisiva 337

(13)

8.2.3 Fase 2 – sessões de avaliação do protótipo 348

8.2.3.1 Formatação das sessões de teste 348

Estrutura funcional 348

Instalação das salas de teste 349

Sessões com guião 350

Sessões livres 352

Observação directa/indirecta 352

8.2.3.2 Dinâmica funcional das sessões 355

8.2.3.3 Dados recolhidos 358

Evolução do tempo despendido por sessão (sessões com guião) 359 Evolução da utilização da tecla MENU/BACK 361 Evolução da utilização de atalhos cromáticos versus tecla multidireccional 361

Comentários, críticas e sugestões 363

8.2.4 Fase 3 – compilação de dados de opinião: 365

8.2.4.1 Modelo do questionário 366

8.2.4.2 Modelo da entrevista 369

8.2.4.3 Dados recolhidos 370

Utilização da aplicação 370

Avaliação das funcionalidades da aplicação 376 Comportamento face às funcionalidades da aplicação 392

Comentários, críticas e sugestões 403

8.3 ANÁLISE E CRÍTICA DOS RESULTADOS OBTIDOS 405

8.3.1 Verificação da usabilidade do protótipo 405 8.3.2 Validação do modelo conceptual e da adequabilidade das

respectivas soluções funcionais 420

8.3.2.1 Análise dos pressupostos inerentes aos diversos requisitos

funcionais do modelo conceptual 420

8.3.2.2 Verificação do objectivo principal da aplicação 427 8.3.2.3 Identificação do nível de apetência em relação à utilização da

aplicação conceptualizada 429

8.3.3 Identificação de críticas e sugestões com vista ao

melhoramento da aplicação 430

8.3.3.1 Críticas identificadas 430

8.3.3.2 Sugestões identificadas 431

Sugestões ao nível de serviços de comunicação 432 Sugestões ao nível dos dispositivos de interacção 432 Sugestões ao nível do design da interface 433 Sugestões de implementação de outras funcionalidades 433

8.4 SÍNTESE DE CAPÍTULO 434

PARTE 3 - SÍNTESE FINAL

439

9 CONCLUSÕES 443

9.1 LIMITAÇÕES DO ESTUDO 443

9.2 ANÁLISE DAS QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO 445

(14)

Índice | 7

9.4 PERSPECTIVAS DE TRABALHO FUTURO 458

9.5 REFLEXÃO FINAL 462

10 LISTA DE ACRÓNIMOS

465

11 BIBLIOGRAFIA 467

12 ANEXOS 483

ANEXO 1 E-MAIL ENVIADO PELA ALCATEL COM DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE PELA APLICAÇÃO 2BEON 483 ANEXO 2 EXEMPLIFICAÇÃO DE DUAS FASES DO PROCESSO DE DESIGN GRÁFICO DA

INTERFACE DO PROTÓTIPO 2BEON 484 ANEXO 3 FLUXOGRAMAS DE VÁRIOS PROCESSOS E TAREFAS A IMPLEMENTAR NO

PROTÓTIPO 485 ANEXO 4 CORRELAÇÃO DOS VÁRIOS MÓDULOS DO PROTÓTIPO, COM AS SUAS

PROPRIEDADES, OBSERVAÇÕES E RESPECTIVOS FLUXOGRAMAS E ESBOÇOS DE INTERFACE 489 ANEXO 5 FICHEIROS DOS VÁRIOS MOVIES DA APLICAÇÃO CLIENTE 490 ANEXO 6 QUESTIONÁRIO INICIAL DE CARACTERIZAÇÃO DOS AVALIADORES 491 ANEXO 7 TABELAS DOS DADOS RECOLHIDOS COM O QUESTIONÁRIO INICIAL DE

CARACTERIZAÇÃO DOS AVALIADORES 498 ANEXO 8 EXEMPLO DA GRELHA DE OBSERVAÇÃO DAS SESSÕES DE AVALIAÇÃO DO

PROTÓTIPO 499 ANEXO 9 GRELHAS DE OBSERVAÇÃO DAS SESSÕES DE AVALIAÇÃO DO PROTÓTIPO 500 ANEXO 10 REGISTOS DE INTERACÇÃO DAS SESSÕES DE AVALIAÇÃO DO PROTÓTIPO 501 ANEXO 11 CÓDIGOS DOS BOTÕES UTILIZADOS NO SISTEMA DE REGISTO DE

INTERACÇÕES 502 ANEXO 12 EXEMPLO DE UMA GRAVAÇÃO DE VÍDEO E AUDIO DE UMA DAS SESSÕES DE

AVALIAÇÃO DO PROTÓTIPO 503 ANEXO 13 TEMPO DESPENDIDO POR CADA UM DOS 5 AVALIADORES DOS DIVERSOS

GRUPOS 504

ANEXO 14 QUESTIONÁRIO FINAL 505

ANEXO 15 COMENTÁRIOS GERAIS SOBRE A UTILIZAÇÃO DO PROTÓTIPO 514

ANEXO 16 FICHEIROS AUDIO DA ENTREVISTA 519

ANEXO 17 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS 520

ANEXO 18 CRUZAMENTO ENTRE QUESTÕES DO QUESTIONÁRIO FINAL, AVALIAÇÃO DE PODS E DO MODELO CONCEPTUAL 528 ANEXO 19 REPORTAGEM SOBRE O PROTÓTIPO 2BEON NO PROGRAMA 2010 529

(15)

Índice de Tabelas

tabela 1 – população portuguesa com televisor (Ferreira, 2003a) 46 tabela 2 – distribuição etária dos inquiridos no estudo do BFI 52 tabela 3 – nível de estudo dos inquiridos no estudo do BFI 52 tabela 4 - tipos de lares envolvidos no estudo do BFI 52 tabela 5 – distribuição dos televisores por lar no estudo do BFI 52 tabela 6 – percentagem, por faixa etária, de utilizadores americanos de IM 83 tabela 7 – distribuição, por faixa etária, de utilizadores portugueses de SMS 83 tabela 8 – comparação entre layouts de interface - adaptada de Lamont

(2003) 113 tabela 9 - comparação de diversas características associadas à utilização de

TVs e de PCs, adaptada de Nielsen (1997: 2) 120 tabela 10 – exemplos de plataformas de televisão Interactiva que integram

serviços de comunicação 163

tabela 11 – ferramentas para a criação de aplicações de TV Interactiva 166 tabela 12 - acções inerentes à comunicação interpessoal entre telespectadores

conhecidos (cenário actual) 194

tabela 13 - alternativas às acções inerentes à comunicação interpessoal dos telespectadores (na existência da aplicação conceptualizada) 197 tabela 14 – ícones existentes no menu principal 234 tabela 15 – ícones existentes na secção FRIENDSON 235 tabela 16 – ícones existentes na secção MSGON 235 tabela 17 – ícones existentes na secção CHANNELSON 235 tabela 18 – ícones existentes na secção +FRIENDSON 236

tabela 19 – alinhamento de canais 277

tabela 20 – correlação entre os requisitos principais da aplicação e respectivas soluções 289 tabela 21 – correlação entre as características complementares da aplicação,

com impacto ao nível funcional, e respectivas soluções 293 tabela 22 – correlação entre as características complementares da aplicação,

com impacto ao nível da interacção via telecomando, e respectivas soluções 294 tabela 23 – correlação entre as características complementares da aplicação,

com impacto ao nível do design de interacção, e respectivas soluções 294 tabela 24 – descrição dos vários ficheiros contendo o código desenvolvido 297 tabela 25 – tabela “users” do protótipo 2BEON 303 tabela 26 - correlação entre os módulos desenvolvidos e a tecnologia utilizada,

adaptado de Campos et al. (2001) 306

tabela 27 – enumeração dos Princípios Orientadores de Design 314 tabela 28 - caracterização básica dos grupos de avaliadores 324 tabela 29 – potenciais serviços que os inquiridos poderiam ter utilizado para

conversar sobre o conteúdo televisivo 338 tabela 30 – justificações apresentadas pelo não envio de SMS 345

(16)

Índice | 9 tabela 31 – justificações apresentadas para o possível envio de SMS 345 tabela 32 - guião das tarefas a realizar pelos avaliadores (1/2) 350 tabela 33 - guião das tarefas a realizar pelos avaliadores (2/2) 351

tabela 34 – início da sessão livre 352

tabela 35 – excerto de um registo de interacção formatado em Excel 354 tabela 36 – legenda dos códigos utilizados no registo de interacções 355 tabela 37 – acções desempenhadas durante as sessões de avaliação do

protótipo 355 tabela 38 – tempos médios despendidos por sessão 360 tabela 39 – comentários gerais sobre a utilização do protótipo 363 tabela 40 – críticas sobre a utilização do protótipo 364 tabela 41 – sugestões de melhoramentos (novas funcionalidades) a introduzir

no protótipo 365

tabela 42 – guião de perguntas da entrevista da terceira fase de avaliação 369 tabela 43 – correlação das perguntas da entrevista com as do questionário 370 tabela 44 – comentários gerais sobre a utilização do protótipo obtidos nas

questões de resposta aberta do questionário da terceira fase de avaliação 403 tabela 45 – críticas sobre a utilização do protótipo obtidas nas questões de

resposta aberta do questionário da terceira fase de avaliação 404 tabela 46 – sugestões de melhoramentos (novas funcionalidades) a introduzir

no protótipo (corroborados pelas questões de resposta aberta do questionário e questão 5 da entrevista final) 405 tabela 47 – origem dos dados para verificação do POD 1 407 tabela 48 – origem dos dados para verificação do POD 2 407 tabela 49 – origem dos dados para verificação do POD 3 408 tabela 50 – origem dos dados para verificação do POD 4 409 tabela 51 – origem dos dados para verificação do POD 5 409 tabela 52 – origem dos dados para verificação do POD 6 410 tabela 53 – origem dos dados para verificação do POD 7 410 tabela 54 – origem dos dados para verificação do POD 8 412 tabela 55 – origem dos dados para verificação do POD 9 412 tabela 56 – origem dos dados para verificação do POD 10 413 tabela 57 – origem dos dados para verificação do POD 11 413 tabela 58 – origem dos dados para verificação do POD 12 413 tabela 59 – origem dos dados para verificação do POD 13 414 tabela 60 – origem dos dados para verificação do POD 14 414 tabela 61 – origem dos dados para verificação do POD 15 415 tabela 62 – origem dos dados para verificação do POD 16 415 tabela 63 – origem dos dados para verificação do POD 17 415 tabela 64 – origem dos dados para verificação do POD 18 416 tabela 65 – origem dos dados para verificação do POD 19 417 tabela 66 – origem dos dados para verificação do POD 20 417 tabela 67 – origem dos dados para verificação do POD 21 418

(17)

tabela 69 – análise do pressuposto B1 421

tabela 70 – análise do pressuposto C 421

tabela 71 – análise do pressuposto D 421

tabela 72 – análise do pressuposto E 422

tabela 73 – análise do pressuposto B2 423

tabela 74 – análise do pressuposto F 423

tabela 75 – análise do pressuposto G 424

tabela 76 – análise do pressuposto H 424

tabela 77 – análise do pressuposto I 424

tabela 78 – análise do pressuposto J 425

tabela 79 – análise do pressuposto K 425

tabela 80 – análise do pressuposto L 426

tabela 81 – análise do pressuposto M 426

tabela 82 – análise do pressuposto N 427

tabela 83 – síntese de críticas sobre o protótipo 431 tabela 84 – síntese de soluções de melhoramentos a introduzir 431

(18)

Índice | 11

Índice de Gráficos

gráfico 1 – diagrama de Robinson (1981, citado por Nascimento, 2000: 24) 45 gráfico 2 – evolução dos assinantes do serviço de distribuição de TV por cabo e

por satélite 46

gráfico 3 – dispersão de audiências em função da presença de canais por cabo 67 gráfico 4 – período do dia em que se vê televisão 328 gráfico 5 – formas de utilização da televisão 328 gráfico 6 – período de tempo despendido a ver televisão como principal foco de

atenção 329 gráfico 7 – período de tempo despendido a utilizar a televisão como elemento

de companhia enquanto trabalha, anda pela casa ou está com os amigos 329 gráfico 8 – período de tempo despendido a utilizar a televisão como elemento

de companhia enquanto, simultaneamente, utiliza um PC 329 gráfico 9 – locais em que os inquiridos costumam ver televisão 330 gráfico 10 – modo (sozinho ou com companhia) em que os inquiridos costumam

ver televisão 330

gráfico 11 – número de televisores existentes em casa dos inquiridos 331 gráfico 12 – frequência de utilização do serviço de teletexto 331 gráfico 13 – frequência de utilização de PCs 332 gráfico 14 – frequência de utilização de PCs com ligação à Internet 332 gráfico 15 – comparação da frequência de utilização de PCs 332 gráfico 16 – locais de utilização de PCs com ligação à Internet 333 gráfico 17 – utilização de serviços de comunicação e informação suportados pela

Internet 333 gráfico 18 – frequência de utilização de serviços de comunicação suportados

pela Internet 334

gráfico 19 – frequência de utilização de serviços de informação suportados na Internet 335

gráfico 20 – frequência de envio de SMS 336

gráfico 21 – contextos de utilização de serviços de comunicação em tempo real

na Internet 337

gráfico 22 – objectivos de utilização de serviços de comunicação em tempo real

na Internet 337

gráfico 23 – dimensão das comunidades dos inquiridos que utilizam serviços de IM 338 gráfico 24 – serviços utilizados de forma correlacionada com o que os inquiridos

assistiram ou estavam a assistir na televisão. 339 gráfico 25 – utilização de serviços de comunicação em relação ao programa

televisivo 340 gráfico 26 – serviços utilizados de forma correlacionada com o programa

(19)

gráfico 27 – nível de interesse do conteúdo televisivo em relação à comunicação desencadeada 342 gráfico 28 – frequência de comunicações, suportadas por diversos serviços

telemáticos, correlacionadas com o que os inquiridos assistiram ou

estavam a assistir na televisão. 342

gráfico 29 – percentagem de inquiridos que, com uma frequência de várias vezes por semana, utilizam os diversos serviços de comunicação de forma correlacionada com o que assistiram ou estavam a assistir na televisão. 343 gráfico 30 – tipo e localização do computador utilizado em comunicações

relacionadas com o conteúdo televisivo 344 gráfico 31 – inquiridos que já enviaram SMS no âmbito de programas

televisivos 344 gráfico 32 – inquiridos que conversam sobre o que vêem na televisão 345 gráfico 33 – razões apontadas pelos inquiridos que conversam frequentemente

sobre o que vêem na televisão 346

gráfico 34 – estimativa do nível de interesse dos avaliadores em relação à possibilidade de disporem de um sistema de TV Interactiva que permita estabelecer comunicações interpessoais 347 gráfico 35 – evolução dos tempos médios despendidos por sessão 359 gráfico 36 – ganhos percentuais dos tempos médios despendidos de sessão

para sessão 360

gráfico 37 – número médio de vezes que a tecla MENU/BACK foi premida por sessão 361 gráfico 38 – média do rácio AC/TMD em cada um das sessões de avaliação 361 gráfico 39 – variação percentual do rácio TMD/AC 362 gráfico 40 – facilidade de compreensão do significado da iconografia utilizada 371 gráfico 41 – necessidade da ajuda textual associada aos diversos

botões/ícones 371 gráfico 42 – nível de funcionalidade da interacção necessária para utilizar os

vários serviços disponíveis na secção FRIENDSON 372 gráfico 43 – nível de funcionalidade da interacção necessária para utilizar o

serviço TVCHAT 372 gráfico 44 – nível de funcionalidade da interacção necessária para utilizar o

serviço CLIPTV (directamente a partir do telecomando) 373 gráfico 45 – ordenação, pelo nível de adequação ao suporte à comunicação

interpessoal, dos vários serviços 374

gráfico 46 – ocultação do conteúdo televisivo pela interface gráfica do protótipo 375 gráfico 47 – intrusão da interface no conteúdo televisivo 375 gráfico 48 – nível de interesse em relação às funcionalidades do mecanismo de

detecção de presença 376

gráfico 49 – influência da informação da secção FRIENDSON como catalisador de

(20)

Índice | 13 gráfico 50 – motivo para o utilizador iniciar uma comunicação com um seu

contacto em função da informação disponibilizada pela secção FRIENDSON 377 gráfico 51 – opinião sobre a possibilidade de um diálogo iniciado com base na

informação da secção FRIENDSON poder funcionar como um pretexto para desencadear um outro tipo de conversa 378 gráfico 52 – opinião sobre a possibilidade da informação da secção FRIENDSON

poder gerar uma sensação de companhia virtual 380 gráfico 53 – nível de utilidade dos mecanismos de privacidade 381 gráfico 54 – nível de interesse em poder dispor dos diversos serviços de

comunicação de forma integrada na televisão 382 gráfico 55 – classificação da forma como os diversos serviços facilitam a

comunicação interpessoal 383

gráfico 56 – justificações apontadas para o facto da utilização do 2BEON ser mais fácil e adequada do que a permitida por dispositivos

complementares (1/2) 384

gráfico 57 – justificações apontadas para o facto da utilização do 2BEON ser mais fácil e adequada do que a permitida por dispositivos

complementares (2/2) 385

gráfico 58 – classificação da funcionalidade dos mecanismos de gestão da

comunidade de utilizadores 387

gráfico 59 – classificação do nível de interesse das possibilidades, conceptualizadas, de procura de utilizadores 388 gráfico 60 – nível de interesse sobre a ordenação automática existente na

secção FRIENDSON e CHANNELSON 388 gráfico 61 – preferências sobre o redimensionamento automático ou manual da

interface do serviço de comunicação por IM 389 gráfico 62 – classificação do nível de interesse quanto à possibilidade,

conceptualizada, de envio automático de SMS para utilizadores que

estejam offline 390

gráfico 63 – classificação do nível de interesse em relação à possibilidade, conceptualizada, de poder aceder à totalidade de um programa

recomendado via APTV 390

gráfico 64 – classificação do nível de interesse em relação à possibilidade, conceptualizada, de poder usufruir de um login de família. 391 gráfico 65 – classificação do nível de interesse em relação à possibilidade,

conceptualizada, de poder usufruir de um sistema de arquivo de

Clips de vídeo. 391

gráfico 66 – identificação da tipologia e categoria de pessoas com que os avaliadores perspectivam utilizar as funcionalidades da aplicação 392 gráfico 67 – diferenciação das duas categorias de pessoas com que os

avaliadores perspectivam utilizar as funcionalidades da aplicação 393

(21)

gráfico 68 – diferenciação das tipologias de pessoas com que os avaliadores perspectivam utilizar as funcionalidades da aplicação 394

gráfico 69 – modos de utilização da aplicação 394

gráfico 70 – justificações apontadas para cada modo de utilização da aplicação 395 gráfico 71 – desvio da atenção sobre o conteúdo televisivo quando se utilizam

serviços de comunicação por texto 397

gráfico 72 – desvio da atenção sobre o conteúdo televisivo se fosse utilizada comunicação por voz no lugar de comunicação por texto 399 gráfico 73 – compatibilidade da utilização de serviços de comunicação quando o

utilizador está acompanhado 400

gráfico 74 – nível de interesse demonstrado, após a utilização do protótipo, em dispor de uma aplicação de TV Interactiva como o 2BEON 401 gráfico 75 – estimativa do nível de interesse dos avaliadores em relação à

possibilidade de disporem de uma aplicação de TV Interactiva como o 2BEON antes e depois da experimentação do protótipo desenvolvido. 402 gráfico 76 – estimativa do aumento de conversações interpessoais sobre o

conteúdo televisivo como resultado da utilização do 2BEON 402 gráfico 77 – nível de interesse em ter um teclado que incorporasse um visor

alfanumérico e que integrasse as principais funções do telecomando 404

(22)

Índice | 15

Índice de Figuras

figura 1 – esquema da estrutura da tese 39

figura 2 – design centrado no utilizador: diagrama do processo iterativo

(EMMUS, 1999:1) 103

figura 3 - uma representação humorística do processo de design da interface 105 figura 4 – área de segurança para o desenho da interface 122 figura 5 – barra interactiva genérica versus barra associada ao canal SIC

Noticias 129 figura 6 – exemplo do EPG da plataforma Espanhola Digital+ 137 figura 7 – exemplo do EPG da plataforma de TV digital da TV Cabo 137 figura 8 – exemplo do serviço de teletexto digital da BBC 138 figura 9 – exemplo de um serviço Walled Garden (produzido pela

Cablevision) 138 figura 10 – exemplo de uma página Web normal visionada na TV 139 figura 11 – exemplo de uma página Web especialmente desenhada para TV

(MSNTV) 139 figura 12 – exemplo de Enhanced TV em layout embebido (Sky Digital) 140 figura 13 – exemplo de ícone com convite à interactividade (Sky Digital) 140 figura 14 – exemplo de Enhanced TV em layout sobreposto (Sky Digital) 140 figura 15 – exemplo de uma interface de VoD (iControl) 141 figura 16 – exemplo de selecção de VoD (SeaChange) 141

figura 17 – serviço de NVoD (da TV Cabo) 141

figura 18 – exemplo da programação de uma série televisiva (PVR da ReplayTV) 142 figura 19 – exemplo da listagem de programas gravados (PVR da TiVO) 142 figura 20 – distribuição de receitas da BSkyB (BSkyB, 2006) 153 figura 21 – Smart Box da plataforma de televisão interactiva da TV Cabo

(Quico, 2004a) 154

figura 22 – ecrã de acolhimento da plataforma de televisão interactiva da TV

Cabo (Quico, 2004a) 154

figura 23 – programa “Noites Interactivas” (Quico, 2003a) 156 figura 24 – jogo multi-utilizador (Quico, 2003a) 156 figura 25 – serviço "Cover Legislativas 2002" (Quico, 2003a) 156 figura 26 – STB (Power Box) da plataforma de TV digital da TV Cabo (Quico,

2004a) 157 figura 27 – ecrã de acolhimento da plataforma de TV digital da TV Cabo (TV

Cabo, 2006) 157

figura 28 – serviço digital multi-câmaras (TV Cabo, 2006) 157 figura 29 – jornal da plataforma de TV digital da TV Cabo (TV Cabo, 2006) 157 figura 30 – interface do serviço de VoD da SmarTV (Clix, 2006) 158 figura 31 – cronograma de sistemas de televisão interactiva com serviços de

comunicação 158 figura 32 – interface do serviço de IM da AOLTV (Davenport, 2000) 159

(23)

figura 33 – interface inicial do serviço de IM do 2BEON 159 figura 34 – sessão de IM na aplicação Messenger utilizada no protótipo Reality

IM (Chuah, 2002) 160

figura 35 – Message 2 Mobile (Skyinteractive, 2006b) 161 figura 36 – serviço de IM na plataforma Sky (BroadbandBananas, 2005) 161 figura 37 – serviço FotoChat no programa Operação Triunfo (TVdi.net,

2003) 161

figura 38 – serviço FotoChat no programa Vitamina N (TVdi.net, 2003) 162 figura 39 – mosaico de amigos da aplicação AmigoTV (Bouwen, Vanderlinden e

Staneker, 2005) 162

figura 40 – interface de IM do Windows Media Center (Thurrott, 2004) 163 figura 41 – esquematização simplificada da arquitectura de uma STB (Short,

2005: 2) 164

figura 42 – exemplo de uma sessão de IM sincronizada com um jogo de golfe

que decorre na TV (Chuah, 2002) 186

figura 43 – desdobramento do termo 2BEON nas quatro secções da aplicação 211 figura 44 – representação esquemática do modelo conceptual da aplicação

2BEON 213 figura 45 – representação do processo de prototipagem 222 figura 46 – esboço de interface na situação de menu principal minimizado 225 figura 47 – esboço de interface na situação de menu principal maximizado 225 figura 48 – esboço de interface da secção FRIENDSON 226 figura 49 – exemplificação de códigos de cor para a indicação do estado dos

contactos do utilizador 231

figura 50 – exemplificação de códigos de cor para a indicação da configuração

dos canais do utilizador 231

figura 51 – lettering utilizado no logo e nas 4 secções do protótipo 233 figura 52 – lettering utilizado na legenda LOGON e CLIPTVON 233 figura 53 - configuração do menu (minimizado e activo) e das 4 principais

secções da aplicação 237

figura 54 – aspecto do telecomando do 2BEON 239 figura 55 – teclado sem fios do 2BEON 240 figura 56 – destaque (a verde) das teclas do telecomando que têm funções

associadas 241 figura 57 – estrutura das imagens demonstrativas do 2BEON 248 figura 58 – posicionamento das imagens demonstrativas do 2BEON com

desdobramentos 249

figura 59 – surgimento do ecrã de login 249

figura 60 – entrada no sistema 250

figura 61 – activação do menu principal 250

figura 62 – navegação no menu (via TMD) e feedback com legendas dos vários ícones 251 figura 63 – activação da secção FRIENDSON (via AC) 252 figura 64 – activação da secção FRIENDSON (via TMD) 253

(24)

Índice | 17 figura 65 – selecção de um contacto para estabelecer uma comunicação 254 figura 66 – navegação na secção FRIENDSON (via TMD) e feedback com

legendas dos vários ícones 255

figura 67 – ícones correspondentes ao envio e recepção de convites para

conversar por IM 256

figura 68 – envio de convite para conversar por IM (via AC) 257 figura 69 – envio de convite para conversar por IM (via TMD) 258 figura 70 – recepção, por parte do utilizador contactado, do convite para

conversar por IM 258

figura 71 – aceitação, por parte do utilizador contactado, do convite para

conversar (via AC) 259

figura 72 – aceitação, por parte do utilizador contactado, do convite para

conversar (via TMD) 259

figura 73 – desenrolar da conversa entre os dois utilizadores 260 figura 74 – ícones do menu do serviço de Comunicação por mensagens

Instantâneas 261 figura 75 – navegação no serviço de comunicação por IM (via TMD) e feedback

com legendas dos vários ícones 261

figura 76 – saída do serviço de comunicação por IM, fechando a sessão 262 figura 77 – saída do serviço de comunicação por IM, mantendo a sessão

activa 263 figura 78 – níveis de redimensionamento da área de texto e da janela de

televisão durante uma sessão de comunicação por IM 263

figura 79 – envio de um CLIPEMAIL (via AC) 265

figura 80 – recepção, por parte do utilizador contactado, do CLIPEMAIL 265 figura 81 – envio de um CLIPTV (via AC) pelo método normal 268 figura 82 – envio de um CLIPTV pelo método rápido 269 figura 83 – recepção, por parte do utilizador contactado, do CLIPTV 270 figura 84 – navegação dentro do serviço de CLIPTV 271 figura 85 – interface funcional do serviço de E-MAIL 271 figura 86 – activação da secção MSGON 272 figura 87 – navegação na secção MSGON (via TMD) e feedback com legendas

dos vários ícones 273

figura 88 – consulta das mensagens na secção MSGON (via AC) 274 figura 89 – activação da secção CHANNELSON (via AC) 274 figura 90 – navegação na secção CHANNELSON (via TMD) e feedback com

legendas dos vários ícones 275

figura 91 – selecção de canais através da lista de canais favoritos 276 figura 92 – selecção de canais através dos ícones “canal superior” e “canal

inferior” 277 figura 93 – entrada no serviço de TVCHAT 278 figura 94 – mudança de salas/canais no serviço de TVCHAT 279 figura 95 – saída do serviço de TVCHAT 279 figura 96 – bloqueamento da indicação de canal (via AC) 279 figura 97 – pormenor de utilizador com a informação de estado = “ocupado” 280

(25)

figura 98 – pormenor de canais cuja indicação está bloqueada 280 figura 99 – activação da secção +FRIENDSON (via AC) 281 figura 100 – navegação na secção +FRIENDSON (via TMD) e feedback com

legendas dos vários ícones 281

figura 101 – procura de contactos e obtenção do respectivo resultado 282 figura 102 – selecção e envio de convite para adicionar um utilizador à lista de

contactos 283 figura 103 – recepção, por parte do utilizador contactado, do convite para ser

adicionado à lista de contactos do utilizador remetente 283 figura 104 – aceitação, por parte do utilizador contactado, do convite para ser

adicionado à lista de contactos do utilizador remetente 284 figura 105 – recepção, por parte do remetente, da confirmação que o seu convite

foi aceite 284

figura 106 – eliminação de um utilizador da lista de contactos 285 figura 107 – primeiro ecrã do sistema de help 286 figura 108 – ecrã de help correspondente ao ecrã de entrada 286 figura 109 – ecrãs de help correspondentes ao menu principal 286 figura 110 – ecrãs de help correspondentes à secção FRIENDSON 287 figura 111 – ecrã de help correspondente à secção MSGON 287 figura 112 – ecrãs de help correspondentes à secção CHANNELSON 288 figura 113 – ecrã de help correspondente à secção +FRIENDSON 288 figura 114 – principais módulos e arquitectura funcional do sistema 290 figura 115 – detalhe do fluxograma respeitante ao processo de registo de novo

utilizador e entrada no sistema 292

figura 116 – esquema dos componentes que intervêm na STB construída 296 figura 117 – exemplos da interface com layout embebido e layout sobreposto 298 figura 118 – exemplos de áreas transparentes necessárias à interface com layout

embebido e layout sobreposto 298

figura 119 – exemplos da sobreposição de uma interface com layout embebido sobre o desktop do PC (sem e com a placa de TV activa) 299 figura 120 – dispositivos de interacção da aplicação cliente: telecomando e

teclado sem fios 301

figura 121 - os dois tipos de comunicação implementados: a cheio clienteÙServidor e a tracejado clienteÙcliente (Campos et al., 2001) 305 figura 122 - esquematização da avaliação do 2BEON 321 figura 123 - esquema das sessões de avaliação 348 figura 124 - horário das sessões de avaliação 349

figura 125 – aspecto das salas de teste 349

figura 126 - cabeçalho da grelha de observação 353 figura 127 – exemplo de uma das sessões de avaliação (observador acompanha

o avaliador) 358

figura 128 – quadro de opinião apresentado aos avaliadores no fim de cada sessão 358

(26)

Índice | 19 figura 129 – detalhe do fluxograma respeitante ao processo de actualização do

perfil do utilizador 485

figura 130 – detalhe do fluxograma respeitante ao processo de convidar um novo utilizador 486 figura 131 – detalhe do fluxograma respeitante ao processo de receber um

convite 487 figura 132 – detalhe do fluxograma respeitante ao processo de enviar um

(27)
(28)

Introdução | 21

1 Introdução

«Le coeur a ses raisons que la raison ne connaît pas» Blaise Pascal (1623-1662)

Ver televisão é uma actividade quotidiana para a quase totalidade da população mundial, resultando, desta massiva exposição à caixa que mudou o mundo, um conjunto vasto de implicações sociais, políticas e culturais. Uma das consequências imediatas do consumo televisivo, que assume uma relevância evidente no âmbito deste trabalho, é o facto da televisão promover o diálogo e a conversação. Atente-se no número de vezes que as pessoas diariamente, consciente ou inconsistentemente, se referem a algo a que assistiram na televisão. Este facto surge com desígnios diferenciados, mas muitas vezes elementares e naturais, como o simples comentar a novela, o jogo de futebol ou um documentário, de forma quase intuitiva e, eventualmente fática, como quando se fala sobre o estado do tempo, iniciando ou mantendo uma conversa com alguém. Este falar sobre televisão, fruto de um consumo televisivo que frequentemente desenvolve referenciais comuns entre as pessoas, pode ser visto, tal como o consumo generalizado de outros media, como uma forma de “cola social” (Light, 2004).

Mas nem sempre se fala sobre televisão presencialmente. Frequentemente, em situações que oscilam entre a comunicação em tempo real sobre o que está a acontecer na televisão ou, como se referiu, à posteriori, as pessoas utilizam sistemas de comunicação à distância, como o simples telefone, as mensagens curtas (SMS) ou outros serviços suportados pela Internet, como o correio electrónico, os fóruns de discussão e os sistemas de mensagens instantâneas.

1 Conceptualizar e validar uma aplicação de TV Interactiva orientada à comunicação interpessoal entre telespectadores.

Com o aparecimento das plataformas de Televisão Interactiva2 abriu-se a

possibilidade de pensar em aplicações que suportassem estas “conversas” sobre o próprio meio. Este desígnio apresentou-se, nesse contexto, como uma área de investigação que despertou um especial interesse.

1 Como o leitor se aperceberá, paralelamente, e ao longo do corpo principal do

documento, surgem pequenos blocos de texto a negrito que se destinam a destacar conclusões relevantes ou a demarcar o assunto abordado (nestes casos o texto recorre a uma formatação em MAIÚSCULAS PEQUENAS).

2 Independentemente da definição mais detalhada, apresentada na secção 5.1,

este termo é aplicado a todos os sistemas de televisão que permitem, ao seu utilizador, realizar interacções, com conteúdos ou serviços, que vão para além da operação do tradicional teletexto, da mudança de canal e respectivos ajustes de imagem e de som.

(29)

1.1 O problema e a sua relevância

A integração de serviços de comunicação na televisão, que permita promover a inter-relação entre a comunicação interpessoal e a comunicação de massas, é uma questão que, do ponto de vista da investigação científica, tem sido pouco estudada. Mesmo na perspectiva comercial trata-se de um tópico relativamente recente. A primeira plataforma de TV Interactiva Norte-Americana a integrar um serviço de comunicação interpessoal, em tempo real, foi lançada em meados do ano 2000. Tratava-se da plataforma AOLTV, da América Online, que foi a primeira a incorporar um serviço de Instant Messaging (Kawamoto, Hu, Miles, 2000)3.

RELACIONAMENTO DA COMUNICAÇÃO DE MASSAS / COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

No entanto, a pertinência da presente investigação deve ser vista de forma global e atendendo à conjuntura actual que deriva do cruzamento de um somatório de circunstâncias técnicas e sociais, que serão abordadas sucintamente nos pontos seguintes.

Como se demonstrará, dessa conjuntura resulta um quadro no qual se reconhece o ensejo para implementar mecanismos de comunicação interpessoal, de forma integrada com a televisão, que, nomeadamente, permitam trazer para o momento do visionamento de um programa a possibilidade da conversa. Trata-se de possibilitar discursos que se constroem e trocam beneficiando do potencial da televisão enquanto referencial comum.

A adopção de uma aplicação de televisão interactiva, conceptualizada com estas premissas, poderá permitir aos seus possíveis utilizadores falarem (comentarem, criticarem, alertarem o outro para algo relevante, parodiarem) sobre o que vêem na televisão com maior frequência e espontaneidade. A aplicação poderá, eventualmente, suportar situações em que as pessoas, apesar de geograficamente dispersas, se “juntam” em determinados momentos para verem comunitariamente um programa de televisão. Abre-se, assim, a possibilidade para uma fruição televisiva que proporcione um ambiente colectivo, mesmo que virtual, de visionamento televisivo.

3 A conceptualização das primeiras ideias subjacentes a este trabalho de

investigação, que se centram na interactividade entre as pessoas e não apenas entre um telespectador solitário e o seu televisor, foi, contudo, anterior a essas iniciativas comerciais (Abreu e Silva, 2000).

(30)

Introdução | 23

1.1.1 A televisão como indutora de comunicações

interpessoais

“Foi fora-de-jogo, não foi?”; “Este concorrente não acerta uma!”; “Viste a reportagem sobre o Grande Prémio?”; “Bem, e o novo anúncio da Coca-Cola!”; “Grande filme que deu ontem na TV, viste?”.

Estas frases, informais, são reveladoras do potencial da televisão como promotora de referenciais comuns que induzem, e suportam, diálogos e conversas entre as pessoas. Este efeito pode, tipicamente, ocorrer durante ou após a emissão televisiva (Dahlgren, 1995) e, presumivelmente, será tanto maior quanto mais generalista, ou comum, for o consumo televisivo.

Neste contexto, a televisão apresenta-se como um meio de comunicação de massas que pode dinamizar as relações interpessoais e gerar coesão social. A este propósito é oportuno demarcar, mesmo que brevemente, a importância que alguns autores têm vindo a atribuir ao desempenho dos

media, nomeadamente da televisão, ao nível das relações interpessoais e

da interacção social por estes possibilitada: na década de 1960 J. Klapper (na sua obra The Effects of Mass Communication) referia que uma das funções dos media é a de proporcionar uma base comum para as relações sociais (McQuail, 1993: 116); Fiske (1999: 35-37) refere que Katz, Gurevitch e Hassem (1973), na sua obra On the uses of the mass

media for important things (em que explicam as inter-relações dos cinco mass media mais importantes) colocam a televisão em primeiro lugar na

ordem de preferência da utilização dos media para satisfazer necessidades sociais ao nível do fortalecimento das ligações com a família (no que diz respeito ao fortalecimento das ligações com os amigos, a televisão era, nesse estudo, apenas “ultrapassada” pelo cinema); Wolton (1997) defende que a televisão generalista é o media melhor adaptado à heterogeneidade da sociedade “individualista” de massas, na qual se reconhece uma fraca comunicação entre as diferentes camadas sociais e McQuail (1993) refere, segundo a perspectiva dos usos e satisfações, a premissa do uso dos media enquanto um meio, entre outros, de satisfazer hábitos quotidianos. McQuail, ao nível das interacções sociais, indica que:

“Pode admitir-se que se espera dos media, quer alternativas aceitáveis à genuína companhia humana, quer uma base de contacto com os outros

(31)

(falando sobre o conteúdo mediático ou a informação obtida através dos media).” McQuail (1993: 117).

A SEGMENTAÇÃO DA OFERTA TELEVISIVA E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS

O avanço da tecnologia, subjacente à digitalização da televisão e à proliferação das redes de cabo e de satélite, tem comportado um significativo aumento da capacidade de transmissão que, naturalmente, possibilita a difusão de um cada vez maior número de canais de televisão. Os telespectadores encontram-se, assim, confrontados com uma oferta televisiva crescentemente alargada e, consequentemente, cada vez mais temática. Actualmente, em Portugal, as redes de cabo disponibilizam cerca de 50 canais de televisão (podendo esta capacidade ser multiplicada dezasseis vezes através da digitalização da transmissão - Scatmag.com, 2004) e as pessoas que, actualmente, dispõe de sistemas de televisão digital via satélite podem receber mais de 3 centenas de canais de TV.

Este cenário propicia uma fragmentação das audiências em torno da oferta cada vez maior de canais temáticos, tais como: canais só de filmes (ou mesmo só de filmes de um determinado género), canais de música, de desporto(s), de informação (também esta especializada), de moda, etc. Por sua vez, é expectável que esta fragmentação comporte uma diminuição de referenciais comuns (tipicamente associados à televisão de carácter mais generalista), que tradicionalmente potenciam e induzem o diálogo e a discussão sobre temas como o argumento dos programas e o seu valor cultural, social e político (Wolton, 1997).

Para melhor situar esta questão, atente-se no seguinte exemplo (válido para uma determinada geração que tem ainda memória dos tempos em que em Portugal, antes de 1992, existiam apenas os dois canais públicos): nessa época, a RTP1 exibia com regularidade um filme à quarta-feira à noite, sendo fácil de recordar que as conversas no dia seguinte, sobre o filme exibido, eram muito mais frequentes do que o são actualmente.

Hoje em dia, todos os telespectadores portugueses recebem mais 2 canais, sendo que os assinantes das redes de televisão por cabo recebem uma oferta à volta de 50 canais, havendo ainda quem receba 3 a 4 centenas de canais (se tiver um sistema de recepção via satélite). Ora, neste cenário, torna-se evidente que a probabilidade de ver o que o outro viu diminui drasticamente com o aumento de canais.

(32)

Introdução | 25 Falar sobre o que se viu na

televisão é motivo de satisfação para muitas pessoas.

embora não imediatas, no papel que a televisão, tradicionalmente, tem tido como alicerce a comunicações interpessoais e à correspondente sociabilidade entre os respectivos intervenientes, pois a fragmentação das audiências televisivas poderá conduzir a um cenário em que: por um lado, a diminuição de referenciais comuns possa afectar (diminuir) os laços sociais (Wolton, 1997), podendo a identidade social e cultural dos indivíduos também vir a ser influenciada, caso estes não usufruam de experiências televisivas comuns (este é um dos factores que sociólogos como Dominique de Wolton evocam em prol da importância do serviço público de televisão e da correspondente programação generalista); por outro lado, existe, também, a possibilidade das conversas desencadeadas pela televisão poderem assumir uma dimensão menos profunda. É certo que as pessoas continuarão a falar sobre temáticas abordadas em programas de televisão (como por exemplo a situação económica do país, a violência e muitos outros temas sociais, culturais, desportivos, etc.). Mas é também expectável que a discussão/análise de uma temática, ligada ao quotidiano de preocupações sociais e políticas que os media promovem e a que o espaço público é receptivo (Gil, 2005), seja mais intensa e envolvente no caso de todos os intervenientes terem visto, ou estarem a ver, o programa que a abordou. Finalmente, importa sublinhar que para além da televisão suscitar conversas sobre determinadas temáticas, que foram abordadas num ou noutro programa, as pessoas, frequentemente, conversam sobre o programa em si (um filme, uma série televisiva, um documentário, etc.), abordando aspectos sobre o seu valor cultural, social e político ou, simplesmente, sobre a narrativa desenrolada e os seus intervenientes/actores. Falar sobre algo que se viu na televisão com quem tenha visto o mesmo programa é, para muitas pessoas, um dos resultados mais gratificantes de ver televisão. Gauntlett e Hill (1999) referem, a este propósito, a seguinte citação de Ann Gray:

“A very important part of the pleasure of television serials is to gossip about them the following day.” Gray (1992, citada por Gauntlett e Hill,

1999: 128).

No entanto, a probabilidade de estas situações ocorrerem diminui, directamente, com a fragmentação das audiências.

No contexto referido, considera-se importante estar atento às implicações que a utilização das aplicações de TV Interactiva podem ter nas dinâmicas sociais e de consumo televisivo, quer ao nível individual quer colectivo. Esta preocupação será tanto maior quanto mais o modelo de TV Interactiva se aproximar de um terminal de informação a pedido e mais se afastar de um terminal que facilite e promova a comunicação interpessoal.

(33)

Neste domínio, interessa ponderar se, à semelhança do que acontece na relação televisão generalista/televisão temática, poderão surgir repercussões relacionadas com uma construção que reforça características individualistas no consumo televisivo. Se cada um, usufruindo das potencialidades tecnológicas que a televisão interactiva promete, “construir” a sua televisão, será que continuará a existir um repertório comum que, tradicionalmente, induz e suporta momentos de comunicação interpessoal?

Por outro lado, a mediação tecnológica pode ter um impacto positivo no actual cenário de segmentação da oferta televisiva. De facto, as pessoas, ao nível das suas comunidades, poderão actualmente conversar menos sobre programas comuns ou, eventualmente, sobre uma determinada temática abordada na televisão, reflectindo-se, nessa situação, um consumo mais individualista da televisão. Porém, se as pessoas souberem que determinados elementos da sua comunidade são, tal como elas, espectadores frequentes de um determinado canal temático (ou programa televisivo), ou que num determinado momento estão a ver o mesmo programa que eles, essa situação poderá fomentar a sua comunicação interpessoal e, eventualmente, conduzir a um reforço ao nível do seu relacionamento. Este reforço poderá decorrer, inadvertidamente, em detrimento das relações interpessoais com outros elementos que não partilhem o seu consumo televisivo e/ou dos quais não saibam sequer a que conteúdos/programas assistem.

Neste contexto, questionou-se se não seria interessante dispor de um mecanismo, de detecção de presença, que permitisse ao utilizador saber, dentro das pessoas com quem tenha afinidades (nomeadamente amigos e familiares), quais as que estão a ver televisão e que canais é que estas estão a assistir4. Esta funcionalidade permitiria aos utilizadores

alertarem-se, mutuamente, em relação a algo interessante que esteja a passar na televisão, num canal que o outro não está a ver ou, simplesmente, satisfazerem a curiosidade de saberem o que os seus amigos estão a ver e, eventualmente, sintonizarem o mesmo canal. Os utilizadores poderiam, ainda, constatar que estavam a ver o mesmo canal e, nesse caso, essa informação poderia funcionar como um factor que incentivasse o desencadear de uma conversa.

Contudo, a fragmentação das audiências pode também conduzir a uma maior diversidade cultural, não devendo esse efeito ser assumido como negativo, apesar de não contribuir, pelo menos de forma imediata, para

4 A privacidade dos utilizadores é, obviamente, fundamental e, como tal, tem de

(34)

Introdução | 27 um reforço do “espírito” de comunidade e dos laços sociais. Neste âmbito, ponderou-se ser igualmente interessante dotar o utilizador da possibilidade de realizar buscas com o objectivo de identificar outros telespectadores (fora da sua comunidade) que tenham um perfil de consumo televisivo idêntico ao seu. Esta funcionalidade justificar-se-ia por permitir aos utilizadores construírem/integrarem novas comunidades, num cenário de maior diversidade cultural propiciado pela fragmentação das audiências.

1.1.2 A adopção de serviços on-line de suporte à

comunicação interpessoal

A interligação de redes, na qual se baseia a Internet, teve como objectivo principal ligar indivíduos de redes geograficamente separadas, permitindo-lhes comunicar e partilhar informação entre eles. Esta segunda finalidade foi a primeira a ser largamente atingida através do desenvolvimento da

World Wide Web.

Porém, os serviços de comunicação interpessoal, suportados pela variedade de aplicações existentes, ganharam uma enorme relevância, complementando ou mesmo substituindo outras formas tradicionais de comunicação. Um exemplo deste facto centra-se na franca adopção do serviço de Instant Messaging (IM). Logo em meados do ano 2000, apenas quatro anos depois do seu aparecimento, havia mais de 100 milhões de utilizadores mundiais, o que correspondia a uma taxa de crescimento superior à do e-mail (Jarvenpaa e Tiller, 2001). Para além da sua aplicação no sector profissional, a sua maior utilização ocorre maioritariamente em situações de comunicação informal (Nardi, Whittaker e Bradner, 2000) num âmbito mais pessoal, chegando inclusivamente a ser utilizado para comunicações dentro da mesma casa (Schwartz, 2004). Por outro lado, o desenvolvimento das tecnologias de acesso (com e sem fios), a várias redes de telecomunicações, tem permitido que vários serviços de comunicação possam ser implementados sobre um leque cada vez mais alargado de terminais: telemóveis (atente-se, igualmente, na enorme adopção do serviço de SMS5), PDAs, computadores portáteis

e mesmo na televisão (na sua forma interactiva).

Esta crescente adopção de serviços on-line, de suporte à comunicação interpessoal, evidencia um intenso desejo dos respectivos utilizadores

5 Só no ano de 2003 foram enviadas, em Portugal, cerca de 3,3 triliões de

mensagens curtas - SMS (Anacom, 2004), sendo que 91% dos inquiridos num estudo sobre os Hábitos de utilização de SMS em Portugal referiu usar, frequentemente, este meio para comunicar (Multidados, 2005).

(35)

poderem tele-comunicar, em qualquer altura, em qualquer lugar, criando ou fortalecendo relações sociais em rede.

1.1.3 A mediação permitida pela TV Interactiva

Atendendo à situação evidenciada nos pontos anteriores, o desenho de uma aplicação de Televisão Interactiva, da qual decorra um ambiente de convergência sócio-tecnológica adequado, poderá assegurar, como esta tese tentará evidenciar, um suporte para um maior potencial relacional entre utilizadores. A forma de o conseguir basear-se-á em possibilitar o diálogo, a conversa e a partilha de interesses e opiniões sobre os programas visionados num ambiente “colectivo”, mesmo que geograficamente disperso. Tal poderá contribuir, independentemente da localização das pessoas, para reforçar a sua interacção e, eventualmente, os seus laços de afinidade. Contudo, note-se que tal aplicação não se restringe, apenas, ao suporte a conversas correlacionadas com os programas televisivos, na medida em que possibilitaria qualquer tipo de conversa, apresentando, ainda, a vantagem de suportar comunicações interpessoais utilizando como terminal telemático aquele que é o equipamento mais difundido nos lares: o televisor.

1.2 Focalização do problema e questões de

investigação

A problemática que motivou esta investigação decorreu da conjuntura, anteriormente referida, resultante da confluência de diversos factores técnicos e sociais que ocorrem ao nível da televisão e dos serviços de suporte à comunicação interpessoal. Entre estes factores destaca-se o facto da televisão assumir um papel fundamental enquanto referencial comum indutor de conversações interpessoais que importa salvaguardar. Paralelamente, a crescente proliferação de canais, e a correspondente segmentação da oferta televisiva, pode reflectir-se nas relações interpessoais a dois níveis:

Capitalizar o potencial da televisão como indutora de conversações.

− no âmbito de macro-comunidades, em que o consumo televisivo seja diverso e desconhecido entre os seus membros, a diminuição de referenciais comuns pode traduzir-se num potencial enfraquecimento do relacionamento interpessoal que, tradicionalmente, é suscitado pelo consumo televisivo;

− no âmbito de micro-comunidades, em que o consumo televisivo seja comum e partilhado entre os seus membros, pode gerar-se uma base para um potencial reforço das relações interpessoais, da sua

A crescente segmentação televisiva pode comportar efeitos sociais diferenciados.

Referências

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