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Efeito de um programa de treino funcional na velocidade de remate, saltos, força e potência de jogadores de andebol

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Academic year: 2021

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(1)Daniel Souza Pinto. Efeito de um programa de treino funcional na velocidade de remate, saltos, força e potência de jogadoras de andebol. Setembro 2015.

(2) Efeito de um programa de treino funcional na velocidade de remate, saltos, força e potência de jogadoras de andebol. Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Treino de Alto Rendimento Desportivo da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, ao abrigo do decreto lei nº 74/2006 de 24 de Março.. Orientadora: Prof.ª Doutora Maria Luísa Estriga Co-orientador: Prof. Doutor Rui Garganta Autor: Daniel Souza Pinto. Setembro 2015.

(3) Ficha de catalogação. Pinto, D.S. (2015). Efeito de um programa de treino funcional na velocidade de remate, saltos, força e potência de jogadoras de andebol. Porto: D.S. Pinto, Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.. PALAVRAS-CHAVE: ANDEBOL; TREINO FUNCIONAL, TREINO RESISTIDO; PREPARAÇÃO FÍSICA.. III.

(4) IV.

(5) Agradecimentos Um trabalho como este deixa marcas que não podem ser esquecidas. Na realização deste, um grupo de pessoas se destacou pela incansável e constante ajuda sem a qual a conclusão talvez não fosse possível. Dessa forma venho expressar meus sinceros agradecimentos principalmente:. A Doutora Luísa Estriga, pela paciência, disposição, atenção e dedicação demonstrados na elaboração e orientação do trabalho, além de todo conhecimento partilhado.. Ao Doutor Rui Garganta, pela disponibilidade, incentivo, colaboração e partilha de conhecimento ao longo dessa jornada.. A todos aqueles pertencentes as instituições participantes no trabalho, jogadoras, dirigentes, equipas técnicas e demais envolvidos, meu sincero obrigado.. Em especial, agradeço ao gabinete de cineantropometria, representado pelo Doutor José António Ribeiro Maia, ao Laboratório de Biomecânica do Porto (LABIOMEP), representado pelo Doutor João Paulo Vilas Boas, e as pessoas pertencentes a estes, pela imensa colaboração prestada.. Aos colegas que ajudaram em alguma parte do trabalho, em especial: Victor Hugo, Davi, Helder, Bia, Joana, Alexandra, Rui, Ricardo, Alexandre e Duarte. A participação de vocês foi essencial, minha eterna gratidão.. V.

(6) Aos meus pais, Danilo e Marília, e irmãos, Mariana e Matheus, meus exemplos e fontes inesgotáveis de amor e inspiração, por toda a vida. Obrigado por apoiarem este sonho e ajudarem a construir esta realização. Foi por vocês.. A Fernanda, por todo carinho, compreensão, confiança e apoio. Não foi fácil, e essa conquista também é sua. Sem você não seria a mesma coisa.. Aos amigos e familiares que estiveram perto ou longe, sempre me incentivando, muitas vezes abdicando da minha presença, mas nunca deixando de apoiar.. Finalmente, agradeço a todos que de alguma forma me ajudaram e torceram, tornando realidade a conclusão deste trabalho!. Minha sincera gratidão a todos vocês.. VI.

(7) Sumário. Agradecimentos ............................................................................................................V Sumário ......................................................................................................................VII Índice de figuras ..........................................................................................................IX Índice de tabelas..........................................................................................................XI Resumo .....................................................................................................................XIII Abstract ..................................................................................................................... XV Lista de abreviaturas................................................................................................ XVII 1.. INTRODUÇÃO................................................................................................... - 1 1.1.. 2.. Estrutura da dissertação ............................................................................. - 4 -. REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................. - 5 2.1.. O andebol ................................................................................................... - 5 -. 2.2.. O remate no andebol .................................................................................. - 7 -. 2.2.1.. O treino para aumento da velocidade do remate ............................... - 10 -. 2.3.. Força e Potência ...................................................................................... - 13 -. 2.4.. O treino funcional ..................................................................................... - 16 -. 3.. OBJECTIVO .................................................................................................... - 21 -. 4.. MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................ - 23 -. 5.. 4.1.. Abordagem experimental do problema ..................................................... - 23 -. 4.2.. Amostra .................................................................................................... - 24 -. 4.3.. Procedimentos.......................................................................................... - 25 -. 4.4.. Design do programa de treino .................................................................. - 30 -. 4.5.. Procedimentos estatísticos ....................................................................... - 34 -. RESULTADOS ................................................................................................ - 37 5.1.. Comparação entre os grupos da amostra ................................................. - 37 -. 5.2.. Comparação entre os momentos de avaliação ......................................... - 40 -. VII.

(8) 6.. DISCUSSÃO ................................................................................................... - 53 -. 7.. CONCLUSÕES................................................................................................ - 63 -. 8.. 7.1.. Implicações práticas ................................................................................. - 64 -. 7.2.. Sugestões para futuros estudos ............................................................... - 64 -. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. - 67 -. VIII.

(9) Índice de figuras Figura 1. Tipos de remate no andebol: 1-A) Remate em apoio sem deslocamento (7 metros); 1-B) Remate em apoio com deslocamento; 1-C) Remate em suspensão; 1-D) Remate de Pivô ........................................................................................................ - 9 Figura 2. Design experimental do programa de treino............................................. - 23 Figura 3. Set-up para o teste de velocidade dos remates. ...................................... - 26 Figura 4. Posição do ombro e do braço durante a avaliação isocinética dos rotadores do ombro. .................................................................................................................... - 29 Figura 5. Exercício 1: Remada suspensa no TRX® ................................................ - 31 Figura 6. Exercício 2: Agachamento com Kettlebell. ............................................... - 31 Figura 7. Exercício 3: Abdominal roller. .................................................................. - 32 Figura 8. Exercício 4: Coordenação, agilidade e saltos, com bola de andebol. ....... - 32 Figura 9. Exercício 5: Lançamento de bola medicinal para o chão (lançamento em três direções: esquerda, centro e direita). ...................................................................... - 32 Figura 10. Exercício 6: Agachamento pistol com auxílio da cadeira (45cm). ........... - 33 Figura 11. Exercício 7: Prancha abdominal isométrica, com apoio no BOSU®, com alternância do apoio (mãos – cotovelos). ................................................................ - 33 Figura 12. Exercício 8: Saltos para cima da caixa. .................................................. - 33 Figura 13. Exercício 9: Passe com a bola lastrada (600g) para a parede. .............. - 34 Figura 14. Exercício 10: Saltar corda a pés juntos. ................................................. - 34 Figura 15. Histogramas exemplificativos à ausência de normalidade na distribuição dos dados no momento 1 para duas variáveis analisadas (histograma da esquerda velocidade de remate dos 7m com bola lastrada; histograma da direita – salto horizontal bilateral). ................................................................................................................. - 37 Figura 16. Comparação da altura dos dois grupos nos três momentos de avaliação.- 40 Figura 17. Comparação do peso corporal dos dois grupos nos três momentos de avaliação. ............................................................................................................... - 40 Figura 18. Comparação da distância no salto horizontal bilateral dos dois grupos nos três momentos de avaliação. .................................................................................. - 43 Figura 19. Comparação da distância no salto horizontal com a perna esquerda dos dois grupos nos três momentos de avaliação. (*) Diferença estatisticamente significativa (p<0.05). ................................................................................................................. - 43 -. IX.

(10) Figura 20. Comparação da distância no salto horizontal com a perna direita dos dois grupos nos três momentos de avaliação. (* ) Diferença estatisticamente significativa (p<0.05). ................................................................................................................. - 44 Figura 21. Comparação da distância no salto triplo dos dois grupos nos três momentos de avaliação. .......................................................................................................... - 44 Figura 22. Comparação da velocidade do remate 7m com a bola normal dos dois grupos nos três momentos de avaliação. (*) Diferença estatisticamente significativa (p<0.05). . 46 Figura 23. Comparação da velocidade do remate 7m com a bola lastrada dos dois grupos nos três momentos de avaliação. ................................................................ - 46 Figura 24. Comparação da velocidade do remate 9m com a bola normal dos dois grupos nos três momentos de avaliação (p<0.05). ............................................................. - 47 Figura 25. Comparação da velocidade do remate 9m com a bola lastrada dos dois grupos nos três momentos de avaliação. ................................................................ - 47 Figura 26. Comparação da potência dos rotadores internos do ombro esquerdo dos dois grupos nos três momentos de avaliação. ................................................................ - 49 Figura 27. Comparação da potência dos rotadores internos do ombro direito dos dois grupos nos três momentos de avaliação (*) Diferença estatisticamente significativa (p<0.05). ................................................................................................................. - 50 Figura 28. Comparação do torque dos rotadores internos do ombro esquerdo dos dois grupos nos três momentos de avaliação (*). Diferença estatisticamente significativa (p<0.05). ................................................................................................................. - 51 Figura 29. Comparação do torque dos rotadores internos do ombro direito dos dois grupos nos três momentos de avaliação. (*) Diferença estatisticamente significativa (p<0.05). ................................................................................................................. - 51 Figura 30. Exemplo do desenvolvimento ao longo do tempo da velocidade angular (°/s) durante uma avaliação isocinética dos rotadores do ombro de uma das atletas. Os picos representam a velocidade angular máxima atingida em cada repetição para rotação interna (-) e externa (+). .......................................................................................... - 59 -. X.

(11) Índice de tabelas. Tabela 1. Caracterização da amostra para os 3 momentos de avaliação. .............. - 24 Tabela 2. Teste de Mann-Whitney para verificar as diferenças entre os clubes para cada variável no momento 1............................................................................................ - 39 Tabela 3. Comparação entre os 3 momentos de avaliação para as variáveis peso (kg) e altura (cm) dos clubes 1 e 2. ................................................................................... - 42 Tabela 4. Comparação entre os 3 momentos de avaliação para os saltos horizontal bilateral, horizontal perna esquerda, horizontal perna direita e salto triplo (cm) dos clubes 1 e 2. ...................................................................................................................... - 45 Tabela 5. Comparação entre os 3 momentos de avaliação para as velocidades (km/h) de remate (7m e 9m, bola normal e bola lastrada) dos clubes 1 e 2. ...................... - 48 Tabela 6. Comparação entre os 3 momentos de avaliação para a potência (W) dos clubes 1 e 2. ........................................................................................................... - 50 Tabela 7. Comparação entre os 3 momentos de avaliação para o torque (N.m) dos clubes 1 e 2. ........................................................................................................... - 52 -. XI.

(12) XII.

(13) Resumo O andebol é um dos desportos coletivos mais velozes e intensos. O treino funcional tem-se popularizado, em complemento ou até alternativa ao treino físico tradicional, argumentando-se ter uma maior transferência e aproximação às exigências do jogo. Objetivase estudar a influência de um programa de treino funcional na velocidade de remate, saltos, potência e força isocinética do ombro em jogadoras de andebol. Foram envolvidas 54 atletas de dois clubes, das quais 30 concluíram todas as etapas. Foram constituídos dois grupos que foram seguidos durante 13 semanas (clube 1: 5 semanas de treino funcional→5 semanas sem intervenção; clube 2: 5 semanas sem intervenção→5 semanas de treino funcional). As jogadoras foram avaliadas em 3 momentos: (1º) início, (2º) após 5 semanas e (3º) no final do estudo. Foram utilizados os seguintes instrumentos de avaliação: radar, dinamómetro isocinético e fita métrica. O treino funcional foi elaborado ajustando-se o mais possível ao desporto em questão. Apenas no grupo de menor nível de performance (clube 1) se observaram diferenças estatisticamente significativas após a implementação do treino funcional, nas variáveis velocidade do remate com a bola normal, saltos unilaterais, torque e potência muscular. Os resultados sugerem que o treino funcional pode melhorar aptidões motoras específicas em grupos menos treinados e que pode ser uma estratégia adequada para manutenção de um bom nível de aptidão física ao longo da época, além de ser relativamente acessível. PALAVRAS-CHAVE: ANDEBOL; TREINO FUNCIONAL, TREINO RESISTIDO; PREPARAÇÃO FÍSICA; CONDICIONAMENTO.. XIII.

(14) XIV.

(15) Abstract Handball is one of the most intense and fast team sports. Recently, functional training has become popular and rises as a complement or an alternative to traditional physical training, suggesting that it can promote a greater transference effect and approach to game demands. Study purpose: to verify the effect of a functional training program on overhead throwing speed, long jump, isokinetic shoulder strength and power in female handball players. Fifty-four players from two clubs were involved, only thirty concluded all stages. Two groups were organized and then followed for thirteen weeks (club 1: 5 weeks with functional training→5 weeks without functional training; club 2: 5 weeks without functional training→5 weeks of functional training). The players were assess in three moments: (1) in the beginning, (2) after 5 weeks, (3) in the end of the program. Measurements instruments: radar gun, isokinetic dynamometer and a measuring tape. The functional training program was design intending to adjust as much as possible their motor tasks to the sport demands. Statistically significant differences were observe only in the group (club 1) of lower performance for overhead throwing speed, one-leg jump, muscle power and torque, after the implementation of the functional training program. Results suggest that a functional training program can improve specific motor skills in less trained groups, and can be an appropriate strategy for maintaining a good level of physical performance over the season, besides being a relatively affordable. KEY-WORDS: HANDBALL; FUNCTIONAL TRAINING, RESISTED TRAINING; STRENGTH AND CONDITIONING.. XV.

(16) XVI.

(17) Lista de abreviaturas. 7m – remate de 7 metros sem deslocamento 9m – remate dos 9 metros com corrida preparatória de 3 passos e suspensão ° - grau °/s – graus por segundo cm - centímetro DP – desvio padrão g - grama IPDJ – Instituto Português de Desporto e Juventude Kg – quilograma Km/h – quilómetro por hora m - metro min - minuto N.m – Newton metro RM – Repetição máxima W - Watt. XVII.

(18) XVIII.

(19) 1. INTRODUÇÃO. O andebol é um dos desportos coletivos mais rápidos, caracterizado por muitas repetições de saltos, sprints, mudanças de direção, contato corporal intenso e padrões técnicos muito específicos (Karcher & Buchheit, 2014). É considerado um esforço de natureza intermitente e extenuante, pois realizam-se esforços máximos em curtos períodos de tempo, sendo necessários requisitos antropométricos específicos, habilidades técnicas, conhecimento tático e desempenho físico (Krüger et al., 2014). De acordo com o estudo de Granados et al. (2013) os jogadores de andebol de elite devem ter bons níveis de força e potência muscular para realizar as ações envolvidas no jogo e suportar a realização destas ações durante algum tempo. Apesar dos vários contributos no sentido de se caraterizar a natureza do esforço físico do andebol, estes apresentam ainda muitas limitações metodológicas. No que concerne a medição do esforço físico real em modalidades como o andebol, que incluem muito contato físico, a realização destas avaliações são restritas por conta de imposições regulamentares e técnicas do jogo, limitando assim, as possibilidades dos investigadores (Aguiar, 2014). Em atividades outdoor, como o futebol, e hóquei de campo (Casamichana et al.2012; Gabbett, 2010), tem se utilizado o GPS (global positioning system), mas a transição para o ambiente indoor, dificulta as aferições e limita a utilização deste tipo de dispositivo. Compreender as exigências deste desporto se faz relevante por diversos motivos. Karcher & Buchheit (2014) citam que este entendimento é fundamental para o desenvolvimento de programas de treino específicos e bem estruturados técnica, tática e fisicamente, tanto para atletas de topo quanto em processo de formação. Ziv & Lidor (2009) mencionam que profissionais da área do desporto devem ter acesso a parâmetros físicos dos atletas de sua modalidade para que possam planear os treinos da melhor forma, além deste conhecimento ser também benéfico para a realização de avaliações e controle do treino.. -1-.

(20) Num estudo de revisão acerca dos fatores que afetam a performance em atletas de andebol feminino (Manchado et al. 2013) sugere-se que as características antropométricas, nomeadamente o tamanho corporal, a massa livre de gordura e a percentagem de gordura corporal, parecem ser decisivas na obtenção de níveis elevados de desempenho. Relativamente às capacidades físicas, Vila et al. (2012) e Granados et al. (2013) referem que a força explosiva e força máxima dos membros inferiores e superiores são exigências preponderantes em um andebolista de elite. É neste contexto que Manchado et al. (2013) sugerem que devem ser priorizados exercícios direcionados para força muscular e potência para aumentar a massa magra e também os níveis de força explosiva, essencial em inúmeras ações do jogo, sendo um factor descriminante do nível de prática das jogadoras. De fato percebe-se que existe ainda um deficit de estudos sobre indicadores de performance do jogo de andebol, particularmente sobre programas de treino físico, estratégias de treino e estudos experimentais. Embora o treino resistido seja apontado como eficaz na melhoria da capacidade atlética e no aumento da força (ACSM, 2009), de acordo com Kraemer et al. (1998) parece redutor assumir que este por si só promove melhorias na performance de modalidades com exigências distintas. Para que tal aconteça é necessário que o treino tenha em consideração a força geral e específica exigida pela modalidade, promovendo-se uma aproximação entre as exigências dos exercícios em contexto de treino e as condições de aplicação da força em situação de competição (Kraemer et al., 1998). A especificidade é um princípio sobejamente reconhecido da fisiologia do exercício (Cress et al. 1996) e um dos conceitos mais básicos a aplicar em programas de treino (Baechle & Earle, 2008). Com efeito, o treino funcional tem-se vindo a popularizar na medida que se organiza objectivando treinar capacidades físicas associando o contexto de treino e as exigências impostas nas tarefas desportivas ou diárias (Boyle, 2004). Este vem sendo considerado um meio alternativo ao treino mais tradicional para melhorar várias componentes físicas (Weiss et al. 2010).. -2-.

(21) Originalmente o treino funcional foi desenvolvido para prevenir e “parcialmente curar” problemas motores funcionais e globais em idosos (Tomljanović et al., 2011). Suas ideias e conceitos parecem ser cada vez mais adotados na preparação física e desportiva de atletas das mais diversas modalidades, estendendo-se ao domínio da prevenção de lesões musculares e ligamentares (Tomljanović et al., 2011). Um dos percursores do treino funcional, Boyle (2004) defende que deve-se pensar neste tipo de treino como um promotor de melhoria da performance e não apenas centrado no aumento da força por si só. Um programa de treino baseado em ações que não ocorrem nas situações desportivas reais não é coerente, sendo mais relevante centrar-se no desenvolvimento de algo que prepare os atletas para o que vai ser feito em seu respetivo desporto, utilizando músculos e movimentos que ajudem a diminuir a incidência de lesões e melhorem seu desempenho (Boyle, 2004). Contudo, são ainda escassos os estudos que visem esclarecer as vantagens e limitações deste tipo de treino em alto rendimento desportivo (Tomljanović et al., 2011), tendo sido maioritariamente desenvolvidos com populações da terceira idade (de Vreede et al., 2005; Lagally et al., 2009; Milton et al., 2008; Weiss et al., 2010; Whitehurst et al., 2005). Acrescer que, e tal como referem Manchado et al. (2013), existe clara necessidade de um maior número de estudos na área do treino resistido em atletas de andebol feminino e também de pesquisas intervencionistas, com o intuito de verificar como diferentes regimes de treino de força atuam sobre fatores de desempenho específicos do andebol. Desse modo, o presente estudo objetiva investigar os efeitos de um programa de treino funcional específico para o andebol, na melhoria de indicadores de rendimento de jogadoras de andebol, nomeadamente na força e potência muscular, capacidade de salto e velocidade de remate.. -3-.

(22) 1.1.. Estrutura da dissertação. A dissertação foi estruturada em oito capítulos, alguns deles subdivididos em subcapítulos, onde são abordados assuntos referentes ao estudo. No primeiro capítulo, introdução, são abordados caracterizações gerais sobre os principais temas que sustentam este trabalho. Há uma breve caracterização da modalidade, a natureza do esforço e as principais características e necessidades. Também é abordado o treino funcional, sua fundamentação e princípios. No segundo capítulo é apresentada uma revisão de literatura acerca dos assuntos relacionados a temática do estudo, que respaldam o objetivo desta investigação, apresentada no capítulo três, assim como os procedimentos metodológicos envolvidos, que são apresentados no capítulo quatro. Neste último, é apresentada a abordagem experimental que foi adotada no estudo, dados referentes a amostra, os testes utilizados para avaliar as atletas e os procedimentos aplicados, a configuração do programa de treino desenvolvido e os métodos estatísticos efetuados. Os resultados são descritos no capítulo cinco, onde são apresentadas as comparações entre os dois grupos pertencentes a amostra e também comparações realizadas entre os períodos nos quais realizaram-se as avaliações. Estes resultados foram interpretados e discutidos no capítulo seis, fundamentados pelo quadro conceptual descrito e em artigos encontrados nas principais bases de dados. Cabe ressaltar a dificuldade durante esta etapa baseado no fato de que não se encontram muitos estudos com as mesmas características, principalmente se relacionarmos treino funcional e andebol. No sétimo capítulo são descritas as conclusões obtidas, levando em consideração o objetivo central do estudo, seu caráter experimental, exploratório e inovador, além das implicações que podem ser transferidas para a prática e algumas sugestões para futuras investigações.. -4-.

(23) 2. REVISÃO DE LITERATURA. 2.1.. O andebol. O andebol é um desporto Olímpico e profissional, jogado em todo o mundo, sendo um dos mais populares desportos coletivos (Ziv & Lidor, 2009). De acordo com dados da International Handball Federation (IHF), são membros 167 federações, cerca de 19 milhões de jogadores cadastrados em 800 mil equipas (Ingebrigtsen, et al., 2013) e julga-se que estes dados são justificados pelo progressivo aumento da profissionalização da modalidade nos anos precedentes (Manchado et al. 2013). Apenas no ano de 1975, um ano antes da inserção oficial nos Jogos Olímpicos, o andebol feminino começou em Portugal, sendo um dos desportos mais praticados atualmente no país (Estriga, 2012). Segundo o Instituto Português de Desporto e Juventude (IPDJ, 2015), em 1996 havia um total de 17 386 jogadores registados, número que chega a 50 114 no ano de 2014. Nas mulheres este crescimento se torna ainda mais notável, visto que em 1996 eram somente 4 418 registos (25.4% do total) e em 2014 este número atinge 19 828 (39.5% do número de registos). A popularidade do jogo vem notadamente aumentando e isso acredita-se originar do seu apelo intrínseco – ação constante, ritmo veloz e vigorosos contactos corporais (Wallace & Cardinale, 1997). O andebol é um jogo de invasão tempo-dependente (Volossovitch, 2013), sendo considerado uma atividade intermitente e de alto impacto (Delamarche et al. 1987). Concretamente, é caracteriza por repetidas acelerações e frenagens, saltos e remates consecutivos, diversos sprints e mudanças de direção, além de intenso rigor físico, caracterizado por contatos corporais acentuados entre os jogadores (Ronglan et al., 2006). Os mesmos autores referem que em atletas de alto nível de rendimento, estas ações devem ser realizadas em máxima intensidade durante toda a partida, visando superar os adversários e atingir o sucesso no jogo.. -5-.

(24) Em 1995, visando diminuir a violência do jogo e incrementar o espetáculo na modalidade, foram introduzidas algumas alterações nas regras do jogo (Seco, 2006). Em consequência destas mudanças, os autores têm vindo a argumentar que o jogo de andebol é hoje mais intenso e exigente fisicamente (Michalsik et al., 2013). As principais mudanças foram: (1) reposição rápida do centro, após um golo; (2) maior amparo a interpretação da lei da vantagem; (3) nova interpretação do jogo passivo; (4) permissão de inscrição de 14 atletas em cada partida; (5) melhor compreensão a respeito das sanções disciplinares, suas progressões e qualificações; (6) considerações acerca da falta do atacante para sua melhor interpretação. A ideia de que o jogo de andebol atual impõe uma exigente preparação física é consensual entre investigadores e técnicos da modalidade. Não obstante, desconhecem-se estudos que tenham sido capazes analisar com rigor as eventuais mudanças ocorridas na última década. Acresce notar que alguns autores têm colocado muita ênfase na necessidade do jogador de andebol dominar uma ampla variedade de habilidades para se chegar ao alto rendimento (Ingebrigtsen et al., 2013). No sentido de se perceber as características que distinguem os jogadores que mais sucesso obtém na modalidade, os estudos têm revelado que os jogadores de elite apresentam maior peso corporal, mais massa livre de gordura, idades mais elevadas e mais tempo de treino, altos índices de força e potência muscular e também de velocidade do remate são características que diferenciam atletas de elite de outros atletas com menores níveis de performance (Gorostiaga et al. 2005).. -6-.

(25) 2.2.. O remate no andebol. O remate é uma habilidade motora complexa que objetiva realizar um golo, geralmente finalizando uma fase ofensiva do jogo de andebol (Laffaye et al., 2012). É inequivocamente uma das competências mais importantes no andebol (Gorostiaga et al. 2005; Hermassi et al. 2015; Krüger et al. 2014; Marques et al. 2007; Wallace & Cardinale, 1997), em especial porque da sua eficácia resulta o sucesso do jogo de ataque de uma determinada equipa. Os jogadores utilizam várias técnicas de remate (Figura 1A – D), que se diferem em relação ao movimento dos membros inferiores (Wagner et al. 2011) e que em contexto de jogo se relacionam com vários aspetos, incluindo a posição do rematador em campo, preparação prévia, atuação defensiva (defensores e guarda-redes), grau de competência técnica e estratégica do rematador, entre outros. No estudo de Bayios & Boudolos (1998) foram descritas diferenças na velocidade e precisão de diversos tipos de remates de jogadores de elite gregos. Foi apontado que as maiores velocidades ocorreram para o remate em apoio com deslocamento (Figura 1-B), seguido do remate em apoio sem deslocamento (Figura 1-A) e por fim o remate em suspensão (Figura 1-C). Wagner et al. (2011) categoriza quatro tipos básicos de remate. O remate em apoio sem deslocamento (Figura 1-A) é realizado normalmente durante os livres de 7 metros (m), em que o pé dianteiro se mantem em contacto com o solo e não há deslocamento. No remate em apoio, com deslocamento (Figura 1-B), um pé é fixado no chão após um deslocamento de aproximação (também chamado “remate na passada”). O remate com salto (Figura 1-C) implica a execução de um salto realizado com uma das pernas após um deslocamento de aproximação. No remate do pivô, o jogador tipicamente salta com ambas as pernas, após rodar no sentido da baliza (dado que joga maioritariamente de costa para a baliza) (Figura 1-D).. -7-.

(26) Não obstante, a grande variedade de remates que se podem observar, os estudos têm-se centrado em dois grandes tipos de remate: em apoio (com e sem corrida preparatória) e remate em suspensão (Gorostiaga et al., 2005; Van den Tillaar & Ettema, 2004a; 2007; Rivilla-Garcia et al. 2011; Wagner & Müller, 2008). Relativamente ao remate em suspensão, Wagner et al. (2008) observaram que esta técnica era utilizada na grande maioria das situações de finalização (7375% dos casos estudados). Não obstante o cariz técnica-tático do remate, a velocidade é uma das componentes a que os investigadores e técnicos dão maior importância. De facto, quanto maior for a velocidade da bola menor será o tempo que os defensores e o guarda-redes terão para defenderem a baliza. Acresce realçar que a velocidade da bola no remate é dependente da técnica utilizada, sequências e timing das ações dos segmentos corporais (flexão e rotação do tronco, flexão do ombro, extensão do cotovelo e utilização do punho), assim como da força e potência muscular (Van den Tilaar & Ettema, 2007). Saeterbakken et al. (2011) sugerem, ainda, que a força do core possui uma importante funcionalidade em movimentos multi-segmentares, como o remate, conectando as extremidades do corpo, recebendo, adicionando e transferindo energia para os segmentos distais. No estudo de Van den Tillaar & Ettema (2004a) concluiu-se que em média, 67% (±9%) da velocidade da bola no remate em apoio sem deslocamento (remate de 7m) é explicada pela contribuição dos movimentos de extensão do cotovelo e da rotação interna do ombro. De acordo com Wagner & Muller (2008), deve-se otimizar o movimento do remate, aprimorando sobretudo a velocidade de movimento do ombro, cotovelo e punho.. -8-.

(27) Figura 1. Tipos de remate no andebol: 1-A) Remate em apoio sem deslocamento (7 metros); 1-B) Remate em apoio com deslocamento; 1-C) Remate em suspensão; 1-D) Remate de Pivô (Wagner et al. 2011, p. 74).. -9-.

(28) Wagner et al. (2010) estudaram o remate em suspensão, de jogadores de andebol de diferentes níveis de performance, desde jogadores de elite (seleção nacional austríaca) até jogadores com pouca experiência (novatos com pouca ou nenhuma experiência em competições), com base na análise cinemática em 3 dimensões. Os autores concluíram que atletas mais altos e com maiores pesos corporais conseguiam rematar com mais velocidade e que o aumento da velocidade angular nos movimentos de flexão do tronco, rotação do tronco e rotação interna do ombro devem promover aumento da velocidade do remate. Ainda de acordo com os mesmos autores, os movimentos do tronco (flexão e rotação) são importantes para a melhora do desempenho no remate em suspensão de jogadores pouco experientes, sendo estes movimentos de fácil adoção nos treinos. Para Ettema et al. (2008), a força é um importante parâmetro na performance desportiva, particularmente durante ações explosivas, e o remate é um singular exemplo de ação explosiva na qual velocidade e força desempenham papéis relevantes. Os mesmos autores referem que através de ambas as adaptações musculares neurais ou hipertróficas, a capacidade de produzir força é aperfeiçoada por meio do treino resistido.. 2.2.1. O treino para aumento da velocidade do remate. Em desportos em que movimento de lançamento desempenha uma importante função, como no caso do andebol, atletismo (lançamento de dardo), beisebol e polo aquático, o treino resistido tem-se revelado útil na melhoria da velocidade de execução da habilidade em causa (Gorostiaga et al., 1999; Lachowetz, et al., 1998; Marques et al., 2012; McEvoy & Newton, 1998). Nestes desportos grande realce é dado em tornar os atletas mais rápidos, isto é, adaptar a dinâmica intrínseca do músculo a fim de que este produza movimentos mais rápidos (Van den Tillaar, 2004). A propósito de diferentes protocolos de treino, com vista à melhoria da performance do remate, o mesmo autor faz notar a importância da - 10 -.

(29) aplicação do princípio da sobrecarga como promotor das adaptações pretendidas e do princípio da especificidade, no qual o movimento principal que constitui o programa de treino deve ser similar ao executado em competição. Contudo existem distintas opiniões sobre a maneira como a especificidade e a sobrecarga deve ser implementada nos treinos. Uma das perspectivas centra-se no treino com sobrecarga de força, podendo ser realizado com utilização de bolas mais pesadas. Uma outra perspectiva é a do treino com sobrecarga de velocidade, no qual implementos com menos peso são usados, como é o caso do treino com bolas mais leves (Van den Tillaar, 2004). Van den Tillaar (2004), com base na revisão da literatura, conclui que não há ainda uma clara resposta sobre qual é o tipo de treino que é mais benéfico para aumentar a velocidade do remate. Contudo, os resultados do trabalho experimental realizado pelo autor revelaram que a velocidade de remate é afetada positivamente após um engajamento em protocolos de treino resistido para membros superiores ou treino resistido específico (utilização de bolas mais leves ou pesadas), com duração de pelo menos cinco semanas, e frequência de três vezes por semana. O autor (Van den Tillaar, 2004) refere ainda que é importante que a experiência do atleta seja levada em consideração para se maximizar os resultados. Atletas com pouca experiência devem realizar programas de treino resistido geral e treinos de remate para gerar resultados positivos. Para atletas experientes, o treino com bolas leves (sobrecarga de velocidade) deve promover bons resultados, mas é necessário que estes estejam com bom condicionamento físico antes de ingressarem nesse tipo de programa (Van den Tillaar 2004). Alguns estudos buscam compreender a relação entre diferentes protocolos de treino para promover a melhora no remate e em outros indicadores físicos, como força máxima, potência de membros e velocidade do remate. Hermassi et al. (2015) compararam os efeitos de um programa de treino resistido específico (usando uma bola medicinal de 3 kg) comparativamente a treinos regulares de remate (utilizando bolas normais de andebol) na velocidade do remate em três situações distintas (em apoio sem deslocamento, em apoio com. - 11 -.

(30) deslocamento e com salto), antropometria (massa corporal, percentual de gordura e volume muscular), força máxima (1 repetição máxima – RM, nos exercícios supino e pullover) e potência (lançamento por cima da cabeça de bola medicinal de 3 kg) de atletas de andebol de elite. O programa era realizado 3 vezes por semana, durante 8 semanas, em período competitivo. Para o grupo que realizou o treino resistido específico com bola medicinal, os indicadores de potência e força máxima obtiveram melhorias significativas, houve aumento de massa muscular e diminuição do percentual de gordura corporal, e aumento da velocidade de remate nas três situações. O treino com bolas regulares de andebol promoveu benefícios na melhoria do indicador de potência, houve aumento de massa muscular e incremento significativo da velocidade de remate, mas apenas para o remate com salto. Para que houvesse uma aproximação da carga total de remates, o grupo que realizou o treino específico com a bola regular realizava maior número de repetições por sessão do que o grupo que realizou o treino resistido específico com bola medicinal. No estudo de Raeder et al. (2015) foi verificado o efeito de 6 semanas de treino com bolas medicinais na velocidade e precisão de remate e também na força isocinética dos rotadores do ombro em jogadoras de andebol. As atletas treinavam 3 vezes por semana, um programa de exercícios, realizados no final do treino de andebol, sendo constituído por: um aquecimento standard composto por mobilização articular, exercícios para os membros superiores, mais especificamente para os ombros, realizados com elásticos e uma série de lançamentos, com diferentes padrões (frontais, laterais, diagonais, bilaterais, unilaterais), com bolas medicinais e posteriormente com a bola de andebol. Como conclusão do estudo, os autores recomendam a utilização do treino com bolas medicinais pois este foi responsável pelo aumento da velocidade de remate nos testes, assim como na força isocinética dos rotadores do ombro, mais especificamente na rotação interna do braço dominante a 180°/s. Os autores sugerem que este tipo de treino possui boa transferência para o movimento desportivo em si, devido a uma proximidade entre as habilidades motoras exercitadas, e ainda porque são realizadas de forma explosiva e contra uma resistência.. - 12 -.

(31) Em outro estudo, Hermassi et al. (2010) compararam o efeito de um programa de treino resistido com intensidades diferentes na expressão da força máxima, antropometria, velocidade de remate e relação força-velocidade, nos membros inferiores e superiores avaliada num ergómetro. Para um grupo a intensidade do treino era moderada (55-75% de 1RM) e para outro era intenso (80-95% de 1RM). Foram realizadas 2 sessões de treino por semana, durante 10 semanas. Em ambos os grupos foram verificados resultados positivos para os testes de força-velocidade, força máxima e velocidade de remate (remate com o atleta fixado a uma cadeira e no remate em apoio com deslocamento), sendo que no grupo que treinou com maior intensidade, os resultados foram significativamente melhores nos indicadores de força máxima e velocidade de remate em ambas situações. Chelly et al. (2014) realizaram um estudo no qual avaliaram o efeito de 8 semanas de treino pliométrico para membros superiores e inferiores em vários indicadores de performance, como velocidade de remate, sprints, volume muscular, saltos e potência. O programa de treino pliométrico era realizado duas vezes por semana e era composto por exercícios para membros inferiores, o drop jump e o salto sob barreiras, já para membros superiores o exercício utilizado foi o push-up pliométrico. Verificou-se que este tipo de treino promoveu melhorias significativas nas variáveis estudadas , tais como potência e volume muscular, capacidade de salto e também velocidade de remate com diferentes padrões de execução (remate em apoio sem deslocamento, remate em apoio com deslocamento e remate em suspensão). 2.3.. Força e Potência. Ambos os termos força e potência são largamente utilizados para referir capacidades essenciais que contribuem para esforços humanos máximos tanto no desporto e em outras atividades físicas (Beachle & Earle, 2008).. - 13 -.

(32) A capacidade de produzir altos índices de força contra grandes resistências, assim como gerar grande quantidade de força num curto espaço de tempo são atributos importantes em diversos desportos (Young, 2006). É possível encontrar na literatura científica diversos autores que buscam definir o que são força e potência e ainda sua relação com o treino desportivo. De acordo com Bompa (1999), a força pode ser classificada em geral e específica: a classificação da força geral refere-se ao suporte de todo programa de treino de força, já a força específica é a força dos músculos que atuam nas execuções de movimentos de um desporto determinado. Silva (2014) diz que na maioria dos desportos compreender a classificação da força é essencial para direcionar da melhor maneira o treino, tendo em consideração que modalidades diferentes tem uma caracterização diferente do esforço e uma expressão diferente de força. De acordo com Beachle & Earle (2008), força pode ser interpretada de acordo com a segunda Lei de Newton, como a capacidade física resultante do produto da massa pela aceleração. Os mesmos autores, além de outros, citam Knuttgen & Kraemer (1987) que definem força muscular como a quantidade máxima de força que um músculo ou grupo muscular pode gerar num padrão específico de movimento, para determinada velocidade. Powers & Howley (2005) estabelecem força muscular como a força máxima que um músculo ou grupo muscular consegue gerar, e normalmente é expressa por 1RM (1 repetição máxima). Komi (2003) utiliza o termo força para identificar a força máxima ou torque que pode ser desenvolvido pelos músculos durante um movimento particular. Chandler & Brown (2008) referem que a força muscular. está dependente do sistema. nervoso, isto é da sua capacidade de recrutamento de unidades motoras e a da capacidade contrátil das fibras musculares. Na perspetiva desportiva, usualmente os atletas são solicitados a gerar grandes níveis de força em espaços de tempo muito curtos, razão pela qual a expressão da potência muscular é essencial (Chandler & Brown, 2008). Também, Kraemer & Newton (2000) referem ser vital para a performance desportiva a capacidade de produzir grandes forças em curtos períodos de tempo.. - 14 -.

(33) Kraemer & Newton (2000) definem potência como o produto da força pela velocidade do movimento. Komi (2003) faz referência a essa capacidade como sendo a taxa de execução de trabalho ou a taxa de transformação do potencial energético em trabalho ou em calor. Beachle & Earle (2008) estabelecem que potência é a habilidade de produzir força a grandes velocidades. Para Chandler & Brown (2008) a potência é o trabalho dividido pelo tempo, de uma forma mais prática, a potência aumenta quando se realiza maior trabalho na mesma quantidade de tempo, ou o mesmo trabalho em menor tempo. Os mesmos autores referem como contribuições neuromusculares para a potência muscular máxima a taxa de desenvolvimento de força (rate of force development), a força muscular em diferentes velocidades de contração do músculo, a performance do ciclo estiramento-encurtamento e o padrão e coordenação do movimento. Kraemer & Newton (2000) também consideram a potência como um fenómeno multifatorial, dependendo de força muscular em velocidades altas e baixas, taxa de desenvolvimento de força, perícia, coordenação motora intermuscular e capacidade de realização do ciclo estiramento-encurtamento. O treino da força, que pode também ser chamado treino contra resistência ou treino com pesos, transformou-se numa das principais e mais populares maneiras de uma pessoa melhorar sua aptidão física, incluindo para atletas que buscam melhorar seu condicionamento físico (Fleck & Kraemer, 2006), sendo uma componente essencial nos programas de condicionamento de quase todos os desportes (Kraemer et al., 1998). Segundo Kraemer & Ratamess (2004) o treino contra resistência, que se tornou mais popular nos últimos vinte anos, é responsável por melhorar a capacidade atlética, devido ao desenvolvimento de diversos fatores como: força, potência, velocidade, resistência, equilíbrio e coordenação. Os mesmos autores sugerem que para o sucesso de qualquer programa de treino, um fator chave é um design apropriado do programa de acordo com o objetivo e a supervisão de um profissional habilitado.. - 15 -.

(34) Como já foi dito, força e potência são qualidades relevantes em vários desportos, pelo que o treino resistido se tornou uma componente importante da preparação física visando alto rendimento (Young, 2006). O treinamento resistido, em uma visão moderna, é uma ferramenta do desporto, usada para melhorar a performance atlética e auxiliar na prevenção e reabilitação de lesões (Kraemer et al., 1998). Os autores propõem que o treino resistido para atletas deve ser individualizado para equiparar-se às demandas da modalidade ou até mesmo de um posto específico, respeitando assim um dos princípios básicos do treino desportivo, o princípio da especificidade. Este tipo de treino é usualmente prescrito em contexto desportivo, pela capacidade de aumentar a força muscular, devido a melhorias nas funções neurais, ou seja, aumento do recrutamento motor e frequência dos disparos nervosos, e aumento da capacidade de produção de força das fibras, em virtude de aumento da área de secção transversa do músculo (Chandler & Brown, 2008). Força e potência muscular são adaptações decorrentes de exercícios resistidos, especificamente para os músculos treinados, ação muscular realizada, angulação articular e velocidade de contração (Kraemer et al. 1998). Os autores afirmam também que é necessário identificar as demandas específicas de cada tarefa desportiva para que associado ao treino resistido, os possíveis benefícios sejam traduzidos em benefícios no desempenho atlético.. 2.4.. O treino funcional. O treino funcional tem aumentado a sua popularidade nos últimos anos e permanece em processo de crescimento. Boyle (2004) refere que o treino funcional visa treinar determinados movimentos diretamente relacionados com o seu contexto de aplicação e não apenas treinar músculos de forma analítica ou isolada. O mesmo autor refere-se ao treino funcional como uma vasta gama de exercícios que ensinam o desportista a utilizar o peso de seu corpo nos vários planos de movimento e de forma global. - 16 -.

(35) Os programas tradicionais de treino físico com recurso a máquinas de musculação consubstanciam formas de exercitação que isolam determinado músculo ou grupamento muscular, e normalmente restringem o movimento a um único plano de movimento, promovendo uma transferência menos proveitosa para as atividades desportivas e da vida real (Whitehurst et al, 2005). No caso do treino funcional objetiva-se uma abordagem diferente, buscando a integração multiarticular nas ações, em variados planos. O corpo deve trabalhar de forma global para desenvolver tanto as competências condicionais como as coordenativas. Neste tipo de treino utiliza-se informações com respaldo científico para melhor selecionar exercícios que diminuam a incidência de lesões e melhorem a performance (Boyle, 2010). O mesmo autor questiona o treino de músculos e movimentos que não tenham uma íntima relação com o desporto em si, sendo apologista da construção do. treino com base naquilo que o atleta realiza. efetivamente durante sua prática desportiva, aproximando o que se faz no treino das situações desportivas reais. Os movimentos naturais do ser humano, ou seja, deslocamento/locomoção, mudanças de nível, puxar/empurrar e rotações (Santana, 2002) servem como base do treino funcional, devido a sua essência global e multiplanar (Lagally et al., 2009; Weiss et al., 2010). Além do foco em movimentos globais, executados maioritariamente de pé, e em vários planos e articulações, Boyle (2004) refere que no treino funcional uma das maiores preocupações é exercitar e desenvolver alguns músculos que possuem importante função de estabilização. Dentre eles, há três grupos musculares que são chaves: abdominais profundos (transverso abdominal e oblíquo interno), abdutores e rotadores da anca, e estabilizadores da escápula. O treino funcional ainda é um tema pouco abordado em artigos de natureza científica, sendo necessário mais estudos centrados nos efeitos desse tipo de treino e em diferentes amostras e contextos (Weiss et al., 2010). A maioria dos estudos envolve populações com mais idade, ou que possuem algum problema. - 17 -.

(36) de saúde específico, sendo raros os casos em que a amostra é composta por jovens com uma condição física bem desenvolvida (Tomljanović et al., 2011). Heinrich et al. (2012) compararam os efeitos de oito semanas de um programa de treino funcional com um programa tradicional de condicionamento físico, utilizado por militares norte-americanos na preparação dos soldados. Participaram no estudo dois grupos, um experimental, que realizava um programa de treino funcional, chamado Mission Essential Fitness (MEF) e um grupo controle, que realizava um programa padrão tradicional das forças armadas norte-americanas nomeado Army Physical Readiness Training (APRT). Ambos os grupos realizaram quinze sessões de treino, sendo que o grupo MEF executava o circuito funcional em quarenta e cinco minutos, enquanto o grupo APRT tinha duração média de sessenta minutos em seus treinos. Foi verificado que o circuito com exercícios funcionais promoveu ganhos estatisticamente significativos nos testes de resistência (Push-up test), força muscular (1RM, Bench Press), capacidade cardiorrespiratória (frequência cardíaca durante o step test) e flexibilidade (Sit & reach), sustentando assim a sua utilização. Tomljanović et al. (2011) recorreram a uma amostra de jovens treinados e compararam o efeito de cinco semanas de dois diferentes tipos de treino resistido: funcional e tradicional. Foram avaliadas variáveis antropométricas, agilidade, sprints e força explosiva. Os resultados revelaram que o treino funcional foi responsável por incrementos estatisticamente significativos nos resultados dos testes de agilidade (hexagon test) e de força explosiva dos membros superiores, esta última avaliada através do teste de lançamento de bola medicinal. Por sua vez, o treino tradicional correlacionou-se com a melhoria da performance nos testes de agilidade e de força explosiva ao nível dos membros inferiores, tendo esta sido avaliada com base no recorrido countermovement jump test . Kibele & Behm (2009) compararam sete semanas de treino sob superfícies instáveis e estáveis, numa amostra de jovens destreinados, tendo-se observado que ambos os treinamentos promoveram melhorias significativas nos testes de salto, força, agilidade, equilíbrio e resistência da musculatura abdominal. No. - 18 -.

(37) entanto, o treino em superfícies instáveis revelou estar positivamente relacionado com o aumento do número máximo de sit-ups executados durante 40 segundos. De acordo os autores, esta evidência estatística foi justificada pela grande ativação da musculatura do core em situações de instabilidade. Relativamente ao equilíbrio, ocorreu uma melhoria no tempo de execução do teste de saltos unilaterais em 20 metros e acredita-se que isto advém dos mecanismos propriocetivos, ativados quando se treina em situações de desequilíbrio. Weiss et al. (2010) compararam o efeito de sete semanas de um treino resistido funcional com o treino resistido tradicional, tendo utilizado uma amostra de jovens adultos. Os autores concluíram que ambos os programas promoveram ganhos estatisticamente significativos relativamente a resistência muscular, força e equilíbrio, variáveis normalmente associadas a programas tradicionais de treinamento físico. Saeterbakken et al. (2011) estudaram o efeito de um programa de treino físico baseado na estabilização do core, na velocidade do remate de jogadoras de andebol norueguesas em idade escolar (16.6±0.3 anos). O programa foi realizado duas vezes por semana, durante um total de 6 semanas e sendo composto por 6 exercícios. Cada um dos exercícios possuía 3 níveis de dificuldades, progressivamente alcançados pelas atletas que executavam os movimentos corretamente. Concluiu-se neste trabalho que o programa de treino baseado na estabilização dos músculos do core foi responsável por aproximadamente 5% de aumento na velocidade do remate, medida através de células fotoelétricas. Em termos gerais, os estudos analisados sugerem que o treino funcional pode ser benéfico na melhoria de alguns parâmetros de natureza fisiológica ou motora. Não obstante, desconhece-se qual impacto deste tipo de abordagem em atletas de uma determinada modalidade, uma vez que os estudos foram realizados maioritariamente com jovens não atletas. Acresce notar que a maioria dos estudos centram-se apenas no efeito de determinados exercícios ou métodos de treino resistido (bola medicinal, core. - 19 -.

(38) training, treino em instabilidade). Por sua vez, o treino funcional promove uma abordagem mais global, diversificada e completa com recurso a uma grande variedade e possibilidade de combinação de exercícios e de métodos, cabendo ao treinador fazer uma escolha criteriosa em função das exigências da modalidade e ao nível de preparação dos praticantes. Segundo Ziv & Lidor (2009), os treinadores devem ter em mente o conceito de especificidade quando desenvolvem um programa de condicionamento físico para atletas, sendo este princípio de grande importância. Wagner et al. (2014) cita alguns autores (Marques, 2010; Van den Tillaar & Marques, 2013; Marques et al. 2013; Wagner & Muller, 2008; Bucheit et al, 2009) que sugerem que para haver melhorias na performance individual devem ser realizados exercícios básicos de força e potência, exercícios específicos de potência com bolas medicinais leves e pesadas, saltos multi-direcionais, exercícios de rotação e estabilização do tronco, treino de coordenação motora e agilidade, gerais e específicos. Apesar de se encontrarem cada vez mais adeptos do treino funcional e deste ser tema frequente de cursos de formação de treinadores, nomeadamente de andebol, desconhece-se estudos que fundamentem a sua utilização ou sequer programas especificamente desenvolvidos e validados para o andebol. Acresce ainda que autores (Milton et al., 2008; Raeder et al., 2015; Weiss et al., 2010) enunciam que este tipo de treino tem a vantagem de ser de fácil implementação, não requerendo um elevado investimento financeiro, sendo, portanto, acessível a qualquer nível de prática ou condição financeira.. - 20 -.

(39) 3. OBJECTIVO. O presente estudo objetiva investigar os efeitos de um programa de treino funcional nos níveis de força e potência muscular, capacidade de salto e na velocidade de remate em jogadoras de andebol portuguesas.. - 21 -.

(40) - 22 -.

(41) 4. MATERIAL E MÉTODOS. 4.1.. Abordagem experimental do problema. Para verificar os efeitos do treino funcional, as jogadoras de andebol envolvidas foram seguidas durante 13 semanas, organizadas em dois períodos distintos, com e sem a aplicação de um programa de treino funcional. O trabalho foi realizado durante o período competitivo, entre os meses de setembro e de dezembro de 2014. As jogadoras foram submetidas a três momentos de avaliação, (1º) no início do estudo, (2º) no final do primeiro período e (3º) no final do segundo período. Após a primeira avaliação as jogadoras foram divididas em dois grupos, tendo em conta o clube que representavam na época em causa. Subsequentemente seguiram orientações distintas: um grupo foi submetido a um programa de treino funcional enquanto o outro prosseguiu com as rotinas normais de treino. Terminado o primeiro período, o grupo que foi submetido ao programa de treino funcional cessou este tipo de trabalho enquanto o outro grupo deu início ao programa de treino funcional (Figura 2).. Figura 2. Design experimental do programa de treino.. - 23 -.

(42) 4.2.. Amostra. Foram envolvidas 54 jogadoras de andebol de dois clubes, que aceitaram participar sem qualquer contrapartida financeira. A equipa sénior do clube 1 encontrava-se a jogar na segunda divisão, tendo atingido a fase final da competição em causa, enquanto a equipa sénior do clube 2 integrava a primeira divisão tendo alcançado o terceiro lugar da competição. As jogadores dos escalões de juvenis e juniores de ambos clubes participavam na fase regional dos respetivos campeonatos. Estes dois clubes foram convidados a participar no estudo tendo em conta a sua fácil acessibilidade e localização. Com efeito, a amostra foi constituída com base em critérios de conveniência. Por forma a aumentar o número de jogadoras envolvidas foram convidadas a participar jogadoras dos três escalões de práticos mais elevados (juvenis, juniores e seniores). Da totalidade das jogadoras que iniciaram o estudo (n=54), 14 foram excluidas entre o 1º e 2º momentos de avaliações e 10 entre o 2º e 3º momentos, do que resultou uma amostra final de 30 jogadoras. Definiu-se como critérios de exclusão da amostra: ocorrência de lesão, que impossibilitasse uma ótima participação da atleta nas avaliações e sessões de treino funcional, e também a ausência em qualquer uma das avaliações. Também as jogadoras que faltaram a mais de 20% das sessões de treino funcional foram excluídas da amostra final. Tabela 1. Caracterização da amostra para os 3 momentos de avaliação. Avaliação 1 Média±DP. Mín.. Avaliação 2 Máx.. Média±DP. Mín.. Avaliação 3 Máx.. 40. Média±DP. Atletas. 54. Idade. 19.2 ±4.14. 14. 36. 19.5±4.11. 164.5±6.63. 152. 180.3. 164.5±7.03. 164.3±7.53. 66.7±10.83. 50.1. 101.9. 66.3±9.55. 65.4±9.26. 15. 36. 19.8±4.21. (cm) Peso. Máx.. 16. 36. 30. (anos) Altura. Mín.. (kg). .. - 24 -.

(43) O trabalho foi realizado mediante autorização dos clubes envolvidos, dirigentes e treinadores. Todas as jogadoras ou encarregados de educação (caso as jogadoras fossem menores de 18 anos) foram devidamente informados acerca dos objetivos e procedimentos do trabalho, sendo-lhes sido solicitado que formalizassem a sua aceitação para participarem no trabalho, podendo cessar a sua colaboração a qualquer momento. O procedimento foi submetido ao comitê de ética local e segue padrões éticos atuais no desporto e na investigação em exercício físico.. 4.3.. Procedimentos. Os três momentos de avaliação foram sempre realizados nas instalações da FADEUP, nomeadamente no LABIOMEP e sala de musculação, o que implicou que as jogadoras se deslocassem às instalações em causa nos dias e horários devidamente definidos. Foi necessário configurar uma equipe de avaliadores que pudessem colaborar na recolha dos dados, visto que o volume de atletas e avaliações era grande, o que implica numa heterogeneidade no momento de aplicação dos testes. Antes de realizarem qualquer teste, foi-lhes solicitado que realizassem um período de aquecimento no pavilhão da Faculdade de Desporto, com uma duração aproximada de 15min, sem um modelo standard a ser seguido. Não obstante, foi recomendado que executassem exercícios à semelhança do que fazem nas suas rotinas normais de aquecimento para jogos e treinos. Após realizagem o devido aquecimento, as jogadoras foram instruidas para se dirigirem aos locais específicos para a realização dos testes. Em seguida para cada variável definida são enunciados os testes realizados.. - 25 -.

(44) Velocidade de remate. Para avaliar a velocidade da bola no remate foi utilizado um Radar (Stalker ATS II Sports Radar). O radar foi posicionado atrás de uma rede de proteção, distante do local onde estavam as atletas que fizeram os remates (Figura 2). Para o remate de 7m no qual não há deslocamento, o radar estava 6 metros distante e para o remate em suspensão dos 9m estava 8m distante da atleta.. Figura 3. Set-up para o teste de velocidade dos remates.. As atletas foram instruídas a rematar (de ombro) com as seguintes especificações: 1) remate sem deslocamento, executando um livre de 7 metros; 2) remate em deslocamento, sendo realizado uma corrida de 3 passos prévia a impulsão e ao lançamento da bola. Foi solicitado que rematassem com dois tipos de bolas: uma bola com circunferência e peso (ADIDAS® Stabil, 54cm e 345g) de acordo com as referências standard da International Handball Federation (para mulheres adultas, bola tamanho 2, com 52 a 54cm de circunferência e pesando entre 325 e 375g) e uma outra idêntica a primeira (mesma marca e circunferência), somente tendo o peso incrementado em 20%, totalizando 414g, (também. - 26 -.

(45) chamada “bola lastrada”), valor este para que a técnica do movimento não fosse alterada, pois a cinemática do remate é altamente sensível a variações no peso do implemento (Van den Tillaar & Ettema, 2011). As participantes foram encorajadas a rematarem da forma mais veloz possível em direção ao radar. A sequência dos remates foi: 3 tentativas válidas do remate de 7m com a bola normal, 3 tentativas válidas do remate de 7m com a bola lastrada, 3 tentativas válidas do remate de 9m com a bola normal e 3 tentativas do tiro de 9m com a bola lastrada. Não se considerou válida a tentativa quando: (1) a atleta posicionou o seu pé fora das plataformas de força, (2) quando pisou sobre mais de uma plataforma ao mesmo tempo, ou (3) quando o remate não teve sua velocidade captada pelo radar. A maior velocidade em cada tipo de execução do remate foi utilizada nas análises. Para que o teste tivesse maior proximidade com a realidade, a utilização de resina foi livre, cabendo a atleta decidir a sua utilização e a quantidade a ser utilizada, opção utilizada também por outros autores (Chelly et al., 2010; RivillaGarcia et al., 2011; Vila et al., 2011).. - 27 -.

(46) Potência de Membros Inferiores. Teste de salto horizontal – bilateral e unilateral As participantes realizaram duas tentativas para atingirem a maior distância possível em um salto horizontal e em três situações distintas: (1) com as duas pernas, (2) somente com a perna esquerda e (3) somente com a perna direita, com um intervalo mínimo de 1 minutos entre cada tentativa. O teste iniciou-se partindo da posição de pé, parada, com os pés alinhados com a linha de partida, os joelhos se flexionaram até atingirem 90° em seguida uma ação concêntrica máxima foi realizada para que se atingisse com o salto, a maior distância horizontal. A utilização dos braços foi livre. A medição foi feita da linha de início até o ponto onde o calcanhar tocou na aterrissagem por uma fita métrica com precisão em centímetros. Caso houvesse alguma falha, a tentativa foi repetida. Considerou-se falha quando a aterrissagem não foi feita de forma equilibrada ou quando o pé realizou algum movimento após tocar o solo.. Teste de salto em distância com três contatos Este teste consistiu em atingir a maior distância possível após três contatos com o solo, procurando-se reproduzir o ciclo dos três apoios de preparação para o remate em salto/suspensão. Partindo da posição de pé e estática, a pessoa se impulsionava para a frente, com movimento de braços livres, e atingia o solo somente com uma das pernas, iniciando a tripla passada, alternando o membro que realiza o contato com o solo (por exemplo: esquerda-direita-esquerda). No último contato unilateral as atletas se impulsionaram novamente e aterrissaram com os dois pés no solo. Foram medidas as distâncias máximas atingidas. Duas tentativas foram feitas e os melhores resultados utilizados.. - 28 -.

(47) Dinamometria isocinética. A avaliação da força isocinética dos rotadores internos e externos do ombro foi realizada por um dinamómetro isocinético (Biodex System 4 Pro). O protocolo selecionado tinha uma velocidade angular definida em 500°/s, tendo-se realizado dez repetições concêntricas de rotação interna e externa do ombro.. As. jogadoras foram devidamente posicionadas, com o ombro abduzido a 90° e o cotovelo flexionado também a 90°, como se ilustra na Figura 4.. Figura 4. Posição do ombro e do braço durante a avaliação isocinética dos rotadores do ombro.. Especificamente, cada uma das participantes foi acomodada e fixada à cadeira do Biodex® por tiras de velcro, evitando-se que. músculos e articulações. marginais à avaliação influenciassem os resultados. Em seguida foram executadas três repetições com as mesmas definições (velocidade angular e amplitude) do teste, servindo como aquecimento, para que fosse percebido e se acostumassem com o padrão de movimento a ser realizado durante o teste. Um. - 29 -.

Imagem

Figura 1. Tipos de remate no andebol: 1-A) Remate em apoio sem deslocamento (7  metros); 1-B) Remate em apoio com deslocamento; 1-C) Remate em suspensão; 1-D)
Figura 2. Design experimental do programa de treino.
Tabela 1. Caracterização da amostra para os 3 momentos de avaliação.
Figura 4. Posição do ombro e do braço durante a avaliação isocinética dos rotadores  do ombro
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