4. MATERIAL E MÉTODOS 23
4.3. Procedimentos 25
Os três momentos de avaliação foram sempre realizados nas instalações da FADEUP, nomeadamente no LABIOMEP e sala de musculação, o que implicou que as jogadoras se deslocassem às instalações em causa nos dias e horários devidamente definidos.
Foi necessário configurar uma equipe de avaliadores que pudessem colaborar na recolha dos dados, visto que o volume de atletas e avaliações era grande, o que implica numa heterogeneidade no momento de aplicação dos testes.
Antes de realizarem qualquer teste, foi-lhes solicitado que realizassem um período de aquecimento no pavilhão da Faculdade de Desporto, com uma duração aproximada de 15min, sem um modelo standard a ser seguido. Não obstante, foi recomendado que executassem exercícios à semelhança do que fazem nas suas rotinas normais de aquecimento para jogos e treinos.
Após realizagem o devido aquecimento, as jogadoras foram instruidas para se dirigirem aos locais específicos para a realização dos testes.
- 26 - Velocidade de remate
Para avaliar a velocidade da bola no remate foi utilizado um Radar (Stalker ATS II Sports Radar). O radar foi posicionado atrás de uma rede de proteção, distante do local onde estavam as atletas que fizeram os remates (Figura 2). Para o remate de 7m no qual não há deslocamento, o radar estava 6 metros distante e para o remate em suspensão dos 9m estava 8m distante da atleta.
Figura 3. Set-up para o teste de velocidade dos remates.
As atletas foram instruídas a rematar (de ombro) com as seguintes especificações: 1) remate sem deslocamento, executando um livre de 7 metros; 2) remate em deslocamento, sendo realizado uma corrida de 3 passos prévia a impulsão e ao lançamento da bola.
Foi solicitado que rematassem com dois tipos de bolas: uma bola com circunferência e peso (ADIDAS® Stabil, 54cm e 345g) de acordo com as referências standard da International Handball Federation (para mulheres adultas, bola tamanho 2, com 52 a 54cm de circunferência e pesando entre 325 e 375g) e uma outra idêntica a primeira (mesma marca e circunferência), somente tendo o peso incrementado em 20%, totalizando 414g, (também
- 27 -
chamada “bola lastrada”), valor este para que a técnica do movimento não fosse alterada, pois a cinemática do remate é altamente sensível a variações no peso do implemento (Van den Tillaar & Ettema, 2011). As participantes foram encorajadas a rematarem da forma mais veloz possível em direção ao radar. A sequência dos remates foi: 3 tentativas válidas do remate de 7m com a bola normal, 3 tentativas válidas do remate de 7m com a bola lastrada, 3 tentativas válidas do remate de 9m com a bola normal e 3 tentativas do tiro de 9m com a bola lastrada. Não se considerou válida a tentativa quando: (1) a atleta posicionou o seu pé fora das plataformas de força, (2) quando pisou sobre mais de uma plataforma ao mesmo tempo, ou (3) quando o remate não teve sua velocidade captada pelo radar. A maior velocidade em cada tipo de execução do remate foi utilizada nas análises.
Para que o teste tivesse maior proximidade com a realidade, a utilização de resina foi livre, cabendo a atleta decidir a sua utilização e a quantidade a ser utilizada, opção utilizada também por outros autores (Chelly et al., 2010; Rivilla- Garcia et al., 2011; Vila et al., 2011).
- 28 - Potência de Membros Inferiores
Teste de salto horizontal – bilateral e unilateral
As participantes realizaram duas tentativas para atingirem a maior distância possível em um salto horizontal e em três situações distintas: (1) com as duas pernas, (2) somente com a perna esquerda e (3) somente com a perna direita, com um intervalo mínimo de 1 minutos entre cada tentativa. O teste iniciou-se partindo da posição de pé, parada, com os pés alinhados com a linha de partida, os joelhos se flexionaram até atingirem 90° em seguida uma ação concêntrica máxima foi realizada para que se atingisse com o salto, a maior distância horizontal. A utilização dos braços foi livre. A medição foi feita da linha de início até o ponto onde o calcanhar tocou na aterrissagem por uma fita métrica com precisão em centímetros. Caso houvesse alguma falha, a tentativa foi repetida. Considerou-se falha quando a aterrissagem não foi feita de forma equilibrada ou quando o pé realizou algum movimento após tocar o solo.
Teste de salto em distância com três contatos
Este teste consistiu em atingir a maior distância possível após três contatos com o solo, procurando-se reproduzir o ciclo dos três apoios de preparação para o remate em salto/suspensão. Partindo da posição de pé e estática, a pessoa se impulsionava para a frente, com movimento de braços livres, e atingia o solo somente com uma das pernas, iniciando a tripla passada, alternando o membro que realiza o contato com o solo (por exemplo: esquerda-direita-esquerda). No último contato unilateral as atletas se impulsionaram novamente e aterrissaram com os dois pés no solo. Foram medidas as distâncias máximas atingidas. Duas tentativas foram feitas e os melhores resultados utilizados.
- 29 - Dinamometria isocinética
A avaliação da força isocinética dos rotadores internos e externos do ombro foi realizada por um dinamómetro isocinético (Biodex System 4 Pro). O protocolo selecionado tinha uma velocidade angular definida em 500°/s, tendo-se realizado dez repetições concêntricas de rotação interna e externa do ombro. As jogadoras foram devidamente posicionadas, com o ombro abduzido a 90° e o cotovelo flexionado também a 90°, como se ilustra na Figura 4.
Figura 4. Posição do ombro e do braço durante a avaliação isocinética dos rotadores do ombro.
Especificamente, cada uma das participantes foi acomodada e fixada à cadeira do Biodex® por tiras de velcro, evitando-se que músculos e articulações marginais à avaliação influenciassem os resultados. Em seguida foram executadas três repetições com as mesmas definições (velocidade angular e amplitude) do teste, servindo como aquecimento, para que fosse percebido e se acostumassem com o padrão de movimento a ser realizado durante o teste. Um
- 30 -
encorajamento verbal foi direcionado as atletas que executavam o teste para que um esforço máximo fosse realizado.
Através deste teste foi possível observar os valores máximos de Torque (N.m) atingidos por cada jogadora para o movimento de rotação interna do ombro, movimento este que está diretamente relacionado com a velocidade da bola no remate (Van den Tillaar & Ettema, 2004). Também foi possível se extrair os valores da potência (W) para o mesmo movimento através da equação:
𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 =𝑇𝑜𝑟𝑞𝑢𝑒 ∙ 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑎𝑛𝑔𝑢𝑙𝑎𝑟 ∙ 𝜋 180