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(2) 2. ELIANE CARDOSO FERREIRA. BEM-ESTAR SUBJETIVO E AUTOEFICÁCIA EM DEPENDENTES DE COCAÍNA/CRACK. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Mestrado em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Psicologia da Saúde. Orientadora: Prof.ª. Drª. Maria do Carmo Fernandes Martins.. ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: PSICOLOGIA DA SAÚDE LINHA DE PESQUISA: PREVENÇÃO E TRATAMENTO. São Bernardo do Campo 2013.
(3) 3. FICHA CATALOGRÁFICA. F413b. Ferreira, Eliane Cardoso Bem-estar subjetivo e autoeficácia em dependentes de cocaína/crack / Eliane Cardoso Ferreira. 2013. 114 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) --Faculdade da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2013. Orientação de: Maria do Carmo Fernandes Martins. 1. Bem-estar subjetivo 2. Autoeficácia para abstinência de drogas 3. Drogadição 4. Cocaína 5. Crack (tóxicos) I. Título CDD 157.9.
(4) 4. DEDICATÓRIA. É com alegria que dedico este trabalho ao meu marido Fernando, que sempre acreditou em mim e me apoiou principalmente quando eu enfraquecia; Pessoa que além de companheiro é amigo de todas as horas e irmão zeloso; Seu apoio foi fundamental. A você dedico também meu amor eterno..
(5) 5. AGRADECIMENTOS. Em primeiro lugar, agradeço a Deus que, por amor, deu o seuFilho para morrer pela minha vida, me ensinou a amar e, inclusive amar as coisas mais importantes para uma vida boa, e sem o qual, eu já teria me rendido as injustiças deste mundo. Agradeço especialmente a minha orientadora Profa. Dra. Maria do Carmo Fernandes Martins, influência fundamental para realização deste trabalho, pois sem a sua direção, certamente eu não teria chegado até aqui. Inspirou-me por desempenhar com conhecimento, dedicação e satisfação a belíssima carreira de docente. À minha família por serem belo exemplo de trabalho e determinação. Ao meu marido Fernando e ao meu filho Davi, por serem a minha alegria e motivação. Agradeço a todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho, em especial: Antônio Henrique Holzaptel, Terezinha da Silva Morais, Sandra Maria Muller e Camila Mastrorosa Ramires dos Reis. Obrigada, pelo auxílio e confiança. Agradeço também a todas as pessoas que apresentaram interesse em combater a enfermidade ligada a drogadição e se dispuseram a ajudar, participando como respondentes nesta dissertação. A todos, muito obrigada!.
(6) 6. “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.” I João 4:18.
(7) 7. RESUMO. Este estudo teve por objetivo identificar e descrever associações entre bem-estar subjetivo, construto formado por satisfação geral com a vida e afetos positivos e negativos,e autoeficáciapara abstinência de drogas em dependentes de cocaína/crack em processo de abstinência. Utilizou, para avaliar as variáveis, as Escalas de Afetos Positivos e Negativos, de Satisfação Geral com a Vida, de Autoeficácia para Abstinência de Drogas, de Avaliação para Mudança da Universidade de Rhode Island e um questionário de dados sócio-demográficos e socioculturais. Participaram 70 homens, dependentes de cocaína/crack, jovens e de baixa escolaridade.Eram pessoas de rendimentos de até três salários mínimos (63%), que foram internadas mais de uma vez (65%), autodeclaradas abstinentes no momento da coleta dos dados. Os participantes possuíam níveis médiosde autoeficácia para abstinência de drogas, níveis baixos de bem-estar subjetivo, e estavam satisfeitos com suas vidas. Cálculos de correlação de Pearson revelaram que não há associação entre bem-estar subjetivoe autoeficácia para abstinência de drogas, entre prontidão para mudança no consumo de drogas e bem-estar subjetivo, nem entre prontidão para mudança no consumo de drogas eautoeficácia para abstinência de drogas. Resultados de análise de variância revelaram que não houve diferençasnos níveis de bem-estar subjetivo entreos diferentes os agrupamentos de prontidão para mudanças nem entre as médias de autoeficácia para abstinência de drogas entre os diferentes agrupamentos de prontidão para mudanças no consumo de drogas. A discussão abordou os resultados diante do fato de a internação dos participantes ter sido involuntária ou voluntária, do tempo de internação, do seu estágio de prontidão para mudar seu comportamento de consumo de drogas e das características de seu grupo de abstinência diante da literatura da área. Finalmente, apontou, em conclusão, limitações e agenda de pesquisa futura.. Palavras chaves:Bem-estar subjetivo, Autoeficácia para abstinência de drogas, Abuso de substâncias, cocaína/crack..
(8) 8. ABSTRACT. This study aimed to identify and describe associations between subjective well-being, construct formed by general satisfaction with life and positive and negative affects, and self-efficacy for drug abstinence in cocaine/crack in the process of withdrawal. Used to assess the variables, the Scales of Positive and Negative Affects, General Satisfaction with Life, Self-efficacy for Withdrawal of Drug Evaluation for Change, University of Rhode Island and a questionnaire on socio-demographic and socio-cultural. 70 men participated, cocaine/crack, young and low education. They were people of incomes of up to three minimum wages (63%) who were hospitalized more than once (65%), self-reported abstinence at the time of data collection. Participants had average levels of self-efficacy for abstinence from drugs, low levels of subjective well-being, and were satisfied with their lives. Calculations of Pearson correlation revealed no association between subjective well-being and self-efficacy for abstinence from drugs, including readiness to change drug use and subjective well-being, nor between readiness to change drug use and self-efficacy for abstinence drugs. Results of analysis of variance revealed no differences in the levels of subjective well-being among different groups of readiness for change nor between the mean self-efficacy for abstinence from drugs among different groupings of readiness for change in drug use. The discussion touched on the results of the fact that the admission of participants was voluntary or involuntary, length of stay, their stage of readiness to change their behavior of drug and the characteristics of their group withdrawal on the literature of the area. Finally, he pointed out, in conclusion, limitations and future research agenda.. Keywords: Subjective well-being, Self-efficacy for abstinence from drugs, Substance abuse, cocaine/crack..
(9) 9. LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Descrição dos participantes.....................................................................................61 Tabela 2 - Confiabilidade dos instrumentos de pesquisa neste estudo.....................................71 Tabela 3 - Médias e desvios padrão das variáveis....................................................................74 Tabela 4 - Valores mínimos e máximos, médias e desvios padrão dos fatores da URICA em notas T......................................................................................................................................77 Tabela 5 - Prontidão para Mudança em Quartil ......................................................................80 Tabela 6- Descritiva de bem-estar subjetivo teste ANOVA ..................................................81 Tabela 7 - Descritiva de autoeficácia teste ANOVA...............................................................81 Tabela 8 - Grupos formados pela análise de cluster.................................................................82 Tabela 9 - Correlação entre as variáveis deste estudo..............................................................85.
(10) 10. LISTA DE QUADROS. Quadro 1- Quadro sintético-descritivo das medidas de bem-estar subjetivo...........................24 Quadro 2- Quadro sintético-descritivo das medidas de autoeficácia.......................................33 Quadro 3- Quadro descritivo dos instrumentos, com número de itens, tipos de escala de resposta e alphas de Cronbach.................................................................................................64 Quadro 4- Descrição dos grupos formados pela análise de cluster..........................................82.
(11) 11. SUMÁRIO. 1. INTRODUÇÃO..............................................................................................................................11. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................................................15. 2.1 2.1.1 2.1.2 2.2 2.2.1 2.2.2. Bem-Estar Subjetivo (BES)...........................................................................................................15 Estudos Empíricos sobre BES.......................................................................................................21 Medidas de BES...........................................................................................................................23 Autoeficácia (AE).........................................................................................................................26 Estudos Empíricos sobre AE........................................................................................................28 Medidas de AE.............................................................................................................................32. 3. RELAÇÕES ENTRE BEM-ESTAR SUBJETIVO E AUTOEFICÁCIA...............................38. 4. O PROBLEMA DA DEPENDÊNCIA DE COCAÍNA/CRACK.............................................43. 4.1 4.2. Alguns estudos empíricos sobre dependência química.................................................................46 O Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento.............................................................49. 5 PROBLEMA, OBJETIVOS E HIPÓTESES..............................................................................51 5.1 O problema de pesquisa.................................................................................................................51 5.2 Objetivos do estudo........................................................................................................................52 5.3 Hipóteses........................................................................................................................................52 6. DEFINIÇÕES CONSTITUTIVAS E OPERACIONAIS DAS VARIÁVEIS.........................54. 7. MÉTODO......................................................................................................................................59. 7.1 7.2 7.3 7.4 7.5. Participantes..................................................................................................................................59 Local..............................................................................................................................................63 Instrumentos..................................................................................................................................64 Procedimento de coleta..................................................................................................................68 Procedimento de análise de dados.................................................................................................69. 8. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................................71. 8.1 Confiabilidade dos instrumentos...................................................................................................71 8.2 Descrição estatística das variáveis e discussão..............................................................................72 8.2.1 Sobre as médias das variáveis........................................................................................................74 8.2.2 Sobre as médias das variáveis do modelo transteórico..................................................................76 8.3 Análises dos níveis de bem-estar subjetivo em dependentes de cocaína/Crack............................78 8.4 Análises dos níveis de autoeficácia em dependentes de cocaína/crack.........................................79 8.5 Análises dos níveis de prontidão para mudança em dependentes de cocaína/crack......................79 8.6 Os quartis de Prontidão para Mudança..........................................................................................80 8.7 Os agrupamentos de Prontidão para Mudança..............................................................................82 8.8 Testes das hipóteses.......................................................................................................................84 8.8.1 H1, H2 e H3 - Análise das correlações de Pearson entre bem-estar subjetivo e autoeficácia.......84 8.8.2 H4 e H5 - As médias de bem-estar subjetivo e autoeficácia para abstinência de drogas nos quartis de Prontidão para Mudança.......................................................................................................................86 9. CONCLUSÕES.............................................................................................................................88. REFERÊNCIAS......................................................................................................................................92 ANEXOS................................................................................................................................................111.
(12) 12. 1 INTRODUÇÃO. O uso de drogas e as consequências adversas dos abusos destas substâncias representam imenso problema mundial, fato que se confirma através do relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (2012). Esse relatório tem como objetivo realizar uma descrição geral dos aspectos que permeiam o uso de drogas psicotrópicas em um maior número de países, fazendo um relato dos prejuízos na área da saúde, bem como expondo as rotas do tráfico ilegal dessas drogas nos países e relatórios de apreensões realizadas pela polícia. A dependência de drogas tem sido objeto de pesquisas pelo fato de esta doença ser agressiva e de difícil combate. São inúmeras as questões que permeiam o assunto e ainda existem poucas respostas. Trata-se de uma doença crônica com tratamento oneroso e baixos níveis de controle. E, para agravar ainda mais este quadro, o número de doentes vem aumentando, ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de drogas vendidas nos chamados “mercados negros” (RIGOTTO; GOMES, 2002). Contribuições científicas são indispensáveis para o enfrentamento dessa doença, pois existe carência de estratégias no combate desse mal e pouca eficácia dos tratamentos existentes (KOLLING; PETRY; MELO, 2011). Avanços científicos neste contexto são desafios para os cientistas, e o resgate dos doentes é desafio para os profissionais da saúde, isto porque existem diversos fatores a serem considerados, tais como as particularidades farmacológicas, a cultura do consumo das drogas, as medidas terapêuticas e as políticas de saúde coletiva (RIBEIRO; LARANJEIRA, 2012). Sobre o problema da toxicodependência, é importante saber: O uso de substâncias psicoativas, incluindo álcool e nicotina, está entre os principais problemas de saúde pública no mundo. Cerca de dois bilhões de pessoas são consumidoras de álcool, enquanto 1,3 bilhão é fumante e 185 milhões são usuários de drogas ilícitas. Os consumos dessas substâncias juntas contribuem para 12,4 % das mortes mundiais. Além dos problemas de saúdes, o consumo de substâncias tornou-se um importante problema social. Anos de incapacidade, custos para a sociedade, criminalidade, conflitos familiares, violência são fatores associados ao consumo de substâncias (MALBERGIER, AMARA; OLIVEIRA; MORIHISA; SCIVOLETTO, 2012, p. 445).. No Brasil, o consumo de substâncias entorpecentes, além de ser um problema de saúde para os indivíduos e suas famílias, tem causado problemas urbanos e sociais que desafiam os gestores públicos. O governo brasileiro possui um portal que divulga as ações públicas: o Portal Brasil que, em 2011, lançou o Programa Nacional do País para o combate às drogas de.
(13) 13. dependência. Outro evento, que vem sendo realizado desde 2010 e que já está em sua sexta edição, é o levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras. Esse estudo coletou informações como dados sociodemográficos, prevalência e padrão de uso do tabaco, de álcool e de outras drogas psicoativas, uso múltiplo de drogas e toxicodependência. Para uma descrição apurada dos tipos de drogas existentes, segue uma relação das drogas chamadas psicoativas, que são: Álcool...; Alucinógenos: (LSD, chá de cogumelo, mescalina)...; Analgésicos opiláceos: (...ópio); Anfetamínicos: (...formulas para emagrecer); Anticolinérgicos:... plantas e substâncias sintéticas que possuem em comum uma série de efeitos no corpo humano como alucinações, pupilas dilatadas, ...; Cetamina: substâncias psicoativas com efeitos depressores e analgésico ...; Chá de ayahuasca: (santo daime)..., Cocaína/merla/crack:..., Drogas sintéticas: ...sintetizadas à partir de anfetaminas, ...“boa noite cinderela”); Ecstasy: ...; Esteroides anabolizantes: ...; Heroína/morfina; Inalantes e solventes: (lolo, cola, tiner, benzina, esmalte, gasolina, lança-perfume); Maconha/haxixe/Skank; Sedativos e barbitúricos: medicamentos psicotrópicos com ação depressora utilizados de forma abusiva; Produtos de tabaco; Tranquilizantes e ansiolíticos:.. (CARLINI; NOTO; SANCHES, 2010, p. 14-15).. Dentre as drogas psicoativas, o crack, um composto derivado da cocaína, possui destaque não só pelos efeitos rápidos, como também pelo representativo número de usuários adeptos que, devido ao preço baixo, aos efeitos intensos e à prática de uso com menos riscos de contaminação de doenças (PERRENOUD; RIBEIRO, 2012), tornou-se um problema social de grande proporção. Assim, diante das várias drogas existentes, optou-se por estudar a cocaína e seu derivado, o crack, escolha que se deu pela grande quantidade de pessoas sofrendo por dependência de ambas e pelo fato de que elas muito rapidamente causam prejuízos à saúde física e mental, além de danos às famílias e à sociedade como um todo. Na literatura, convencionou-se utilizar a expressão “dependentes de cocaína/crack”, e para conceituação da doença utiliza-se com frequência a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 10) da Organização Mundial da Saúde (OMS, 1993) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) da Associação Psiquiátrica Americana (APA, 1994). Similarmente, elas possuem um quadro que se refere a critérios de abuso, e outro referente a critérios de dependência, em que a dependência prevalece hierarquicamente sobre o abuso (MALBERGIER; AMARAL; OLIVEIRA JR.; MORIHISA; SCIVOLETTO, 2012). Os critérios de caracterização da doença são semelhantes para ambos os indicadores; sobre o abuso tem-se: presença de um ou mais sintomas em período de até 12 meses, existência de danos à saúde física e mental, padrões de uso nocivo, com consequências sociais e exclusão de diagnóstico de dependência ou outras comorbidades psiquiátricas (CID 10). Sobre a dependência: padrão de uso disfuncional.
(14) 14. manifestado por três ou mais sintomas em período de até 12 meses, tolerância, sintomas de abstinência, desejo intenso da droga, dificuldade de conter o uso e redução de atividades de outra ordem, em detrimento do uso da substância (DSM IV). O consumo da cocaína surgiu na década de 1970, quando era comum fumar a pasta da folha de coca obtida a partir da maceração ou pulverização das folhas com solvente, ácido sulfúrico e carbonato de sódio (PERRENOUD; RIBEIRO, 2012). Atualmente, o Brasil se presta a ser uma representativa rota de tráfico de drogas ilícitas. Além disso, existe número alto de dependentes de cocaína/crack na população brasileira (ESCRITÓRIO, 2012). Em toxicodependência, é conhecida uma condição que recebe o nome de “síndrome de abstinência”, isto é, no caso do uso da droga cocaína/crack, após um padrão de consumo intenso, os indivíduos geralmente experimentam a “fissura” (desejo intenso de usar droga), como também sintomas depressivos e ansiosos, caso demorem a retornar ao uso (MALBERGIER, 2012). Consequentemente, se estes optam por não usar a droga, surgem os sintomas de abstinência, que podem durar meses e ser caracterizados também por fadiga física e mental. Geralmente estes são os motivos das recaídas, ocorrendo o retorno ao uso das drogas; as recaídas são ainda incitadas por situações específicas (de memórias individuais) ligadas ao uso (MARINHO; ARAUJO; RIBEIRO, 2012). Henriques (2002) fez menção a um dos principais motivos de utilização das drogas em todas as culturas: trata-se do poder de aliviar o sofrimento e de modificar o humor, os chamados usos recreativos. Foi por esta caracterização de alterações de humor e também pela alteração de percepção dos sentidos (MALBERGIER, 2012), que se optou por estudar o bemestar subjetivo no contexto da toxicodependência. Vale aqui destacar que bem-estar subjetivo tem por definição o ato de busca de prazer e de evitar dor (RYAN; DECI, 2001). Já a outra variável deste estudo, a autoeficácia, foi estudada neste contexto por duas principais razões: em primeiro lugar, estudos sobre toxicodependência geralmente reforçam que, na abstinência de drogas, é importante que o indivíduo possua bons níveis de autoeficácia que o auxiliem na manutenção do objetivo de abster-se de drogas (DOLAN; MARTIN; ROHSENOW, 2008; HYDE; HANKINS; MARTEAU, 2008; KADDEN; LITT, 2001; MUELLER; GODON; ABRAMS, 2004; ROHSENOW; MONTI; MARTIN; COLBY; MYERS; GULLIVER; BROWN; SENBANJO; WOLF; MARCHALL; STRANG, 2009; WARREN; STEIN; GRELLA, 2007); em segundo lugar, Diener, Suh, Lucas e Smith (1999) afirmaram que a estrutura de metas prediz o bem-estar subjetivo, ou seja, possuir metas representa estímulo e percepção de direção a um objetivo. Para tanto, é importante ressaltar que autoeficácia é definida como o conjunto de crenças pessoais sobre a própria capacidade de.
(15) 15. organizar e executar ações para atingir determinados desempenhos, assim como sentimento de competência perante o enfrentamento e conquista de metas (BANDURA, 1977). As definições de bem-estar subjetivo de Diener et al. (1999) e a de autoeficácia de Bandura (1977), expostas no parágrafo anterior, possuem similaridades quando fazem menção à condição de estabelecimento de metas e às aquisições emocionais quando tais metas são atingidas. Assim, por este motivo, optou-se por verificar possíveis associações entre estes construtos. Portanto, contribuir para com o aumento de conhecimento a respeito da toxicodependência é motivo que justifica a propositura deste estudo, que tem por objetivo identificar relações entre bem-estar subjetivo e autoeficácia em dependentes de cocaína/crack em processo de tratamento. A seguir serão apresentadas revisões teóricas sobre as variáveis alvos desta pesquisa, bem como é definido e contextualizado o problema da toxicodependência..
(16) 16. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. 2.1 Bem-Estar Subjetivo. Estudos que almejavam entender a concepção de felicidade existem desde muito tempo, e pensadores como Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Sócrates (470 a.C.-399 a.C.) versaram sobre tal questão. O homem sempre buscou entender quais fatores predispõem à ocorrência de bem-estar e à obtenção de estados de felicidade. Bradburn (1969), em estudo sobre o bem-estar, diferenciou os afetos positivos dos afetos negativos e definiu felicidade como o equilíbrio entre os dois. A partir da década de 1970, estudos sobre felicidade passaram a ocorrer com maior frequência, e Diener (1984) deu nome ao construto de bem-estar subjetivo, postulando três elementos para sua caracterização: a subjetividade, ou seja, é a experiência pessoal que forma a concepção do próprio indivíduo; a presença predominante de afetos positivos para se caracterizar bem-estar; e o fato de tratar-se de uma medida de aspectos globais da vida do indivíduo. Em meados da década de 1980, surgiu na Psicologia uma corrente de pesquisa científica que procurava compreender as avaliações que as pessoas fazem de sua vida (DIENER; SUH; OISHI, 1997), e esta corrente se propôs a investigar experiências subjetivas positivas, tais como contentamento, satisfação, desenvolvimento pessoal, esperança, otimismo, e também experiências numa perspectiva individual, como a capacidade para amar, coragem, habilidades interpessoais, capacidades de perseverança, de liberação de perdão, sensibilidade, desenvolvimento de espiritualidade, talento e sabedoria. É possível afirmar que, diferentemente dos movimentos científicos que estudavam as patologias, as concepções de bem-estar demonstraram que este é um tema aderente aos princípios defendidos pelos divulgadores da Psicologia Positiva (SELIGMAN; CSIKSZENTIMIHALYI, 2000). Neste caminhar científico de investigação sobre bem-estar, dentre as concepções e modelos existentes, dois grandes blocos se destacaram, denominados de botton-up e o oposto top-down: por um lado se buscava compreender bem-estar através de fatores externos (bottonup) e, por outro lado, considerada oposta a esta (top-down), eram os fatores intrínsecos ao homem que correspondiam ao bem-estar (GIACOMONI, 2004). Na corrente que estudou a influência dos fatores externos sobre bem-estar, alguns estudos, como de Andrews e Whitey (1976) e Diener (1984), apontaram que variáveis sociodemográficas e situações externas em eventos diários explicam pouca variação de bem-.
(17) 17. estar, ou seja, tais eventos relacionados aos afetos (prazerosos ou desprazerosos), a satisfação e a felicidade resultariam do acúmulo de momentos prazerosos (DIENER; SANDVIK; PAVOT, 1991). Desta forma, estes resultados sugeriram que o impacto das variáveis poderia ser mediado por processos psicológicos internos, como metas e habilidades. Foi então que a corrente que busca compreender bem-estar através de fatores internos (top-down) investigou quais estruturas do indivíduo poderiam influenciar a interpretação pessoal diante dos eventos e das circunstâncias (GIACOMONI, 2004). Como exposto anteriormente, a Filosofia estuda felicidade desde Sócrates e Aristóteles, e foi da Filosofia que duas correntes de pensamento influenciaram bem-estar: trata-se das linhas Hedônica e a Eudamônica, que a psicologia incorporou para diferenciar tipos de bemestar. A abordagem Hedônica enfoca a felicidade no seu estado subjetivo e define bem-estar como o ato da busca do prazer e da evitação da dor (RYAN; DECI, 2001). No ato da busca da felicidade, existe um movimento do indivíduo em desfrutar a vida, e Diener (1984) ampliou este conceito e o denominou bem-estar subjetivo. Já a abordagem Eudamônica enfatiza a autorrealização a partir do potencial humano, na qual o funcionamento do indivíduo é tido como de uma maneira plena: o indivíduo busca significados maiores para a vida, tem propósitos e busca crescimento psicológico. Sob esta segunda abordagem é que Ryff (1989) desenvolveu o conceito de bem-estar psicológico (BEP), reformulado após seis anos por Ryff e Keyes (1995), com seis dimensões: a autoaceitação, o relacionamento positivo com outras pessoas, a autonomia, o domínio do ambiente, o propósito de vida e o crescimento pessoal. Depois de um crescente número de investigações dos temas ligados a bem-estar, os estudiosos verificaram a necessidade de correlacionar bem-estar subjetivo e BEP, para verificação da discriminação entre os construtos, devido à sua similaridade. Desta forma, Keyes, Shmotkin e Ryff (2002) realizaram tal comparação, buscando possíveis relações conceituais; seus resultados revelaram pequenas correlações entre ambos e reforçaram que os construtos são distintos. Foi a partir da década de 1970 que bem-estar subjetivo tornou-se objeto de investigação. Embora até há pouco tempo psicólogos atribuíssem mais atenção à infelicidade e ao sofrimento humano do que a construtos que focam saúde e bem-estar (GIACOMONI, 2004), bem-estar subjetivo alude à avaliação que os indivíduos fazem de suas próprias vidas, enfatizando fatores que diferenciam pessoas pouco felizes de pessoas moderada ou extremamente felizes (DIENER; SHU; OISHI, 1997). Segundo Diener, Oishi e Lucas (2003), bem-estar subjetivo se refere ao nível elevado de satisfação com a vida, à alta frequência de experiências positivas e à baixa frequência de experiências negativas ao longo da vida. Diener (1984) mostra que os.
(18) 18. afetos estão relacionados à avaliação de vida que as pessoas fazem a partir de emoções que são despertadas por eventos vividos, e que somente elas são capazes de os interpretar como prazerosos ou não prazerosos, portanto, positivos ou negativos. Diener e Lucas (2000) afirmam que este é um construto que requer autoavaliação, o que significa dizer que somente o próprio sujeito é capaz de informar como se sente em relação à sua vida. Para Diener, Scollon e Lucas (2003), bem-estar subjetivo é um construto multidimensional composto por quatro dimensões: “a avaliação global da vida que inclui satisfação, sucesso, significado da vida; a satisfação em domínios específicos, como casamento, trabalho, saúde e lazer; os afetos positivos e os afetos negativos” (p. 191). Diener et al. (1997) completam dizendo que o conceito multidimensional de bem-estar subjetivo engloba a avaliação geral com a vida, sendo que a satisfação em domínios específicos foi acoplada a este primeiro item, os afetos positivos e os afetos negativos. Entende-se que satisfação geral com a vida (SGV) é o julgamento que a pessoa faz de sua própria vida (KEYES; SHMOTRIN; RYFF, 2002). Este conceito se articula com teorias cognitivas, e se entrelaça ao conceito de qualidade de vida, que compreende saúde, ambiente físico, recursos como moradia e outros, ao mesmo tempo em que considera as percepções subjetivas do sujeito e o modo como ele se sente atendido em suas aspirações de modo geral. Assim, SGV difere de pessoa para pessoa. Os afetos referem-se à análise pessoal sobre a quantidade de vezes que a pessoa experimenta emoções positivas e negativas, em que deve haver alta frequência de emoções positivas e esta ser superior à quantidade das experiências emocionais negativas (SIQUEIRA; PADOVAN, 2008). Os afetos possuem articulações com teorias psicológicas de estados emocionais, ou seja, as abordagens que versam sobre emoções, afetos e sentimentos (GIACOMONI, 2004). Questões sobre condições determinantes de bem-estar subjetivo têm sido recentes alvos de pesquisas. Os aspectos mais estudados são ligados a traços de personalidade, suporte social, fatores econômicos, culturais, estratégias de enfrentamento e eventos de vida (LUHMANN; HOFMANN; EID; LUCAS, 2012; WOYCIEKOSKI; STENERT; HUTZ, 2012; WROSCH; AMIR; MILLER, 2011). Outra questão que tem chamado a atenção de pesquisadores neste construto são as diferenças entre as dimensões de afetos (positivo e negativo) e a dimensão satisfação geral com a vida, que se relaciona a teorias cognitivas. Os objetivos são, de modo geral, o de verificar as diferenças do modo como estas dimensões se comportam diante de eventos da vida e os seus processos adaptativos, nos quais situações são apresentadas e testadas. Em um estudo recente, Luhmann, Hofmann, Eid e Lucke (2012) encontraram diferenças para as dimensões satisfação geral com a vida, em contraponto aos afetos: para a.
(19) 19. porção cognitiva, os eventos da vida têm sido mais fortes e consistentes, e, quanto aos processos adaptativos, não foi possível consenso dos pesquisadores, dada a variação substancial das respostas das análises. Diener, Suh, Lucas e Smith (1999), em uma revisão dos artigos sobre bem-estar subjetivo, desde sua primeira definição até a data desta publicação, observaram modificações importantes no construto, como a mudança de ênfase da teoria. Diener, Suh, Lucas e Smith (1999) relataram que inicialmente procurava-se identificar quais necessidades deveriam ser atendidas para que o resultado fosse a aquisição de felicidade, tendo como foco os fatores externos ao sujeito. Porém, segundo Diener (1984), a média de variância explicada por circunstâncias externas foi de até quinze por cento. Devido a pequenos efeitos dos fatores externos ao ser humano, buscou-se entender a condição de predisposição das pessoas para interpretar as situações e as experiências de vida, e também de que maneira as experiências positivas ou negativas influenciariam a percepção das pessoas sobre suas vidas (GIACOMONI, 2004). No período de realização desta revisão, Diener, Suh, Lucas e Smith (1999) buscaram analisar o contexto fornecido pela descrição das experiências pessoais obtidas nas publicações científicas, e bem-estar subjetivo foi visto como tendo amplitude de fenômenos, incluindo as respostas emocionais das pessoas, a satisfação em domínios e julgamentos pessoais de satisfação com a vida. Os instrumentos de avaliação mais comuns utilizados nas análises dos artigos selecionados para essa revisão se pautaram em técnicas de autorrelato. Na década de 1970, uma revisão de Wilson (1967) afirmava que um modelo de predisposição para uma pessoa feliz incluía juventude, saúde, boa educação, boa renda, extroversão, otimismo, ausência de preocupações, religiosidade, casamento, boa inteligência, boa estatura, modéstia nas aspirações e competência profissional. Posteriormente, com um aprofundamento nas descobertas no que se refere à personalidade, por exemplo, os traços que predisporiam a bons níveis de bem-estar subjetivo eram a extroversão, o otimismo e a despreocupação, que influenciam positivamente os afetos, sendo que o neuroticismo, por suas características constitutivas, influenciam os afetos negativos. O autor relatou ainda que os estudos de hereditariedade revelaram que a carga genética teria significativa responsabilidade na instalação de tais traços no indivíduo, mas que outras variáveis também poderiam influenciar os traços. Wilson (1967) relatou que os estudos revistos buscaram investigar a estabilidade desses traços, e o que se compreendeu foi que a instabilidade de ambiente e os estilos afetivos tinham significativa influência nas variações. Importante salientar aqui que bem-estar subjetivo, segundo Diener, Suh, Lucas e Smith (1999), não é tido como.
(20) 20. característica, pois a felicidade pode mudar ao longo do tempo e pode ser influenciada também por situações contextuais, como fortuna e adversidades. Conforme se colocou anteriormente, existem fenômenos. de bem-estar subjetivo. que. interferem nas respostas emocionais das pessoas, um deles é a estrutura de metas, que atua como influência a partir da capacidade em se atingir as metas estipuladas e as taxas de progresso em direção a um objetivo. Existe também a sensação de se ter objetivos que acionam uma percepção de sentido à vida. Outro fenômeno. é. o de enfrentamento das dificuldades e o. processo de adaptação: o ser humano tem capacidade de reagir a eventos bons ou ruins de forma a se adaptar a tais reações, podendo ser estas intensas no início e gradualmente serem amortecidas ao longo do tempo. No entendimento dos estudos incluídos na revisão de Diener et al. (1999), os pesquisadores observaram também a existência de algumas variações dos próprios fenômenos de bem-estar subjetivo. Algumas pessoas se caracterizam por rápida adaptação e outras não. Por exemplo, a forma como as pessoas reagem a uma deficiência pode diferir de acordo com a idade em que o fato ocorreu. Outro exemplo é a maneira do indivíduo em lidar com o enriquecimento, este difere de acordo com a forma pela qual se adquiriu o dinheiro, e estas diferenças influenciam significativamente a administração desse capital financeiro. Sobre as investigações no campo da saúde, Diener et al. (1999) constataram, por meio de alguns estudos comparativos entre grupos formados por indivíduos com patologias e grupos controle formados por indivíduos normais, que estes últimos apresentaram níveis maiores de bem-estar subjetivo, mas que é possível, mesmo dentro do grupo considerado patológico, encontrar bons níveis de bem-estar subjetivo. Outra compreensão encontrada em Diener et al. (1999) é que, no campo da saúde, a doença (incapacitante) pode interferir diretamente na realização de objetivos importantes para o indivíduo, e que tal situação representa um fator negativo e, portanto, diminuidor de níveis de bem-estar subjetivo. Diener et al. (1999) também revelam que os resultados dos estudos revistos surpreendem ao demonstrarem que um aumento da renda pode diminuir níveis de bem-estar subjetivo, assim como o contrário também pode ocorrer, pois existem interferências tais como: a valorização que o sujeito dá ao dinheiro em detrimento das conquistas de seus objetivos pessoais, ou seja, conquistado o dinheiro, o sujeito pode ter uma diminuição na satisfação com sua vida, pois as conquistas podem ser rebaixadas em importância. Além disso, as pessoas ricas são apenas um pouco mais felizes do que pessoas pobres nos países ricos, enquanto as nações ricas parecem muito mais felizes do que as pobres, e isto é influenciado pela falta de acesso da pessoa pobre ao atendimento de suas necessidades básicas..
(21) 21. Sobre a religião, Diener et al. (1999) indicam que as pessoas que se vinculam a grupos religiosos tendem a apresentar bons níveis de bem-estar subjetivo. A justificativa para este fenômeno são os benefícios psicológicos e sociais que a prática religiosa pode representar. De acordo com o uso que se faz, a prática religiosa pode proporcionar sensação de significado à vida, bem como uma base de sustentação nos períodos de conflitos críticos da vida. Portanto, esta prática pode aumentar sentimentos de eficácia, segurança, controle, além de propiciar suporte social e até prático para os indivíduos que se tornam membros da comunidade religiosa. Sobre o casamento, Diener et al. (1999) colocam que bons níveis de bem-estar subjetivo podem se dar pelo fornecimento de apoio social nas questões econômicas e sociais. Sobre a idade, inicialmente a juventude era tida como um preditor de bem-estar subjetivo, porém esta concepção foi contestada e refutada. Investigações posteriores observaram que o indivíduo, ao longo dos anos, demonstrava diminuição dos afetos positivos, e pouca variação para a satisfação com a vida e os afetos negativos. Sobre níveis educacionais, o que os autores compreenderam é que a instrução pode contribuir no sentido de propiciar progressos nos objetivos do sujeito, por outro lado a educação produz aumento de aspirações e questionamentos mais profundos sobre a vida, o que resulta em aumento de angústia e, desta forma, maiores vivências de afetos negativos. Diener et al. (1999) identificaram muitas correlações entre a dimensão satisfação geral com a vida (fator de bem-estar subjetivo) e a satisfação no trabalho, perceberam que existe grande relação causal entre uma e outra, porém com dúvidas quanto à direção em que esta relação ocorre. Por fim, os fatores sociodemográficos não apresentaram correlação com bemestar subjetivo. Dois grandes estudos sobre bem-estar subjetivo foram realizados com dados coletados em diferentes países. Em amostra vinda de 135 países, Tay e Diener (2011) realizaram estudo que investigou a correlação entre bem-estar subjetivo e aumento de renda. Os resultados demonstraram que a satisfação geral com a vida apresentou importante correlação com o suprimento das necessidades básicas e que a condição financeira favorável propicia às pessoas sentimentos de segurança e otimismo para com a vida futura, fato que provoca aumento dos níveis de bem-estar subjetivo. Em estudo mais recente, Diener, Tay e Oishi (2013) correlacionaram bem-estar subjetivo ao atendimento das necessidades básicas das pessoas, em 123 países. Os resultados revelaram que a satisfação geral com a vida se correlacionava com o suprimento de necessidades que são sentidas como essenciais e também com o bem-estar subjetivo e o sentimento de responsabilidade social e respeito..
(22) 22. Atualmente, o bem-estar subjetivo é estudado em larga escala, é possível encontrar estudos relacionados ao construto em diversas áreas do conhecimento e em vários países. Por exemplo, na Alemanha, Geishecker (2012) e, na Austrália, Wooden, Warren e Drago (2009) estudaram o bem-estar subjetivo no ambiente organizacional; no Canadá, Helliwell e Barrington-Leigh (2010) investigaram relações entre bem-estar subjetivo, renda e economia; na China, Knight, Song e Gunatilaka (2007) pesquisaram o bem-estar subjetivo no meio rural, considerando questões sobre imigração, e Nielsen, Smyth e Zhai (2010) observaram o bemestar subjetivo num contexto de migração de chineses não agrícolas; já nos Estados Unidos, Mizarahi, Mamo, Rusjan, Graff, Houle e Kapur (2009) realizaram estudo com o uso da dopamina em transtornos psicológicos de humor, enquanto George (2010) estudou o bem-estar subjetivo entre idosos e Litwin e Shiovitz-Ezra (2010) e Howell (2008) investigaram as relações entre bem-estar subjetivo e aspectos da economia; na Finlândia, Mauno, Fels, Tolvanem, Hyvonem e Kinnunen, (2010) e Easterlin (2011) pesquisaram relações de bem-estar subjetivo com questão da carreira profissional.. 2.1.1 Estudos empíricos sobre bem-estar subjetivo. Nesta seção são apresentados alguns estudos sobre bem-estar subjetivo, para revelar as tendências atuais das investigações sobre o assunto. Como se notará, apenas um envolve bemestar subjetivo relacionado ao uso de drogas, ainda assim o tabaco, o que sugere deficiência de informações sobre níveis de bem-estar subjetivo e o uso de drogas psicoativas. Bray e Gunnell (2006) realizaram um estudo nos 32 países com os maiores índices de suicídio e os relacionaram com doenças mentais. O objetivo foi o de examinar a associação de variáveis a partir de dados da pesquisa sobre o bem-estar e correlacioná-las com taxas de suicídio e outros marcadores de saúde mental da população na Europa. Houve uma preocupação dos pesquisadores para encontrarem instrumentos confiáveis e precisos; e, por se tratar de investigação internacional, utilizaram índices de saúde mental de cada país. Houve algumas diferenças no tipo de coleta de dados, por exemplo, a amostra em alguns países incluiu dependentes químicos e/ou pacientes ambulatoriais e em outros, não. Os instrumentos escolhidos possuíam itens que tratavam de experiências de bem-estar psicológico, de percepção de felicidade, de paz e de ausência de sofrimento psíquico. A principal constatação do estudo foi a de que existe uma associação inversa entre taxas de suicídio e, de outro lado, satisfação.
(23) 23. com a vida e felicidade, o que significa dizer que, quanto menores foram os níveis de bem-estar subjetivo, maior foi a possibilidade de o indivíduo vir cometer suicídio. Têm sido frequentes os estudos que investigam personalidade como preditor de bemestar subjetivo, como os de Devene e Cooper (1998) e Steel, Schmith e Schultz (2008). É frequente também a utilização do modelo de personalidade denominado Big Five (GOLDBERG, 1992). No Brasil, este modelo é chamado de Cinco Grandes Fatores (CGF), sendo os fatores: extroversão/introversão, nível de socialização, escrupulosidade (vontade de realização), neuroticismo/estabilidade emocional e abertura para experiência (HAUCK FILHO; MACHADO; TEIXEIRA; BANDEIRA, 2012). Em um estudo sobre personalidade, Steel, Schmith e Schultz (2008) propuseram realizar uma meta-análise de estudos que relacionavam bem-estar subjetivo aos cinco fatores. Os critérios iniciais de seleção foram o tipo de instrumento utilizado para a coleta de dados e os objetivos dos estudos, de forma tal que permitissem comparações. Os resultados indicaram que os traços de personalidade desempenham grande influência nos níveis de bem-estar subjetivo, e que principalmente os fatores extroversão e neuroticismo são conceitualmente próximos das duas dimensões de bem-estar subjetivo, os afetos positivos semelhantes à extroversão e os afetos negativos semelhantes ao neuroticismo. Na extroversão, as pessoas experimentam os eventos da vida de maneira mais positiva, os extrovertidos tendem a ser sociáveis, otimistas, enérgicos, expressivos, ativos, assertivos e emocionantes; tais pessoas recebem mais gratificações nas interações sociais, o que as leva a maiores níveis de felicidade. Já o neuroticismo tem efeito contrário, sendo, portanto, um indicador negativo; indivíduos neuróticos tendem a ser ansiosos, facilmente perturbados, mal-humorados e/ou deprimidos. Stewart e McCann (2010) realizaram um estudo com. cerca de 600 mil. participantes, com. idades acima de 18 anos, oriundos de todos os 50 estados americanos, objetivando verificar a correlação entre prevalência do tabagismo, bem-estar subjetivo e as variáveis de personalidade dos marcadores advindos da teoria Big Five. Para coleta de dados, utilizaram-se as respostas de 350 mil participantes de um sistema de vigilância de fator de risco comportamental realizado em 2008; para medir bem-estar subjetivo, utilizaram-se respostas de 353.039 participantes de uma pesquisa feita por telefone através da instituição “Gallup-Healthways” realizado em 2008. Os participantes responderam a perguntas sobre seis domínios: avaliação de vida, saúde emocional, comportamento saudável, ambiente de trabalho, saúde física e acesso às necessidades básicas. Para medir os marcadores de personalidade, foram utilizadas respostas eletrônicas de 619.397 pessoas que participaram de uma pesquisa via internet entre 1999 e 2005..
(24) 24. Stewart e McCann (2010) concluíram que o comportamento inadequado do uso do tabaco é mantido por um complexo conjunto de fatores que podem flutuar em importância relativa ao longo do tempo e lugar, e que, embora haja correlações entre níveis de bem-estar subjetivo e tabagismo, elas precisam ser mais profundamente investigadas, dada a quantidade de variáveis que envolve tal conduta. Em um estudo de revisão, Diener e Chan (2011) discutem a influência dos níveis de bem-estar subjetivo sobre a longevidade. Os autores relatam que muitos dos artigos falam de correlações de bem-estar subjetivo com patologias como as coronárias, as cancerígenas, as do sistema imunológico, e que muitos desses estudos constataram alterações fisiológicas influenciadas por alterações de emoções e humores. Segundo os revisores, tal descoberta sugere a necessidade de se explorar com maior profundidade os tipos de respostas fisiológicas, dados os diferentes tipos e níveis de estímulo de emoções e humores. Em uma meta-análise de 188 estudos longitudinais, Luhmann, Hofmann, Eid e Lucas (2012) se propuseram examinar as variações das dimensões afetivas da dimensão cognitiva de bem-estar subjetivo, analisando as reações e adaptações a quatro eventos familiares (casamento, divórcio, luto e nascimento) e quatro eventos de trabalho (desemprego, reemprego, aposentadoria e migração). Os resultados revelaram que as reações aos eventos como um todo são diferentes, no comparativo entre as dimensões afetivas (positiva e negativa) e a dimensão cognitiva, sendo que, salvo algumas exceções, o efeito tende a ser mais forte para a dimensão cognitiva. Apontaram também que questões ligadas à aceleração e à desaceleração de processos adaptativos influenciam significativamente os níveis de bem-estar subjetivo. Os estudos aqui relatados versaram, de modo geral, sobre qual é o perfil das pessoas que possuem bons níveis de bem-estar subjetivo e, portanto, quais seriam os possíveis preditores deste construto. Outros artigos encontrados trataram do tempo de vida e de morte, sobre incidência de suicídio e também longevidade, todos correlacionados a bem-estar subjetivo, e o motivo de tal seleção está ligado ao fato de que o uso contínuo do cocaína/crack tem como consequência uma redução no tempo de vida do ser humano e a investigação que se faz é se bem-estar subjetivo pode se correlacionar com este aspecto da toxicodependência. A seguir fazse um relato sobre as medidas de bem-estar subjetivo.. 2.1.2 Medidas de bem-estar subjetivo. Na literatura investigada, foram identificadas basicamente três medidas psicométricas utilizadas para avaliar bem-estar subjetivo, conforme demonstra resumidamente o Quadro 1..
(25) 25. Quadro 1- Quadro sintético descritivo das medidas de bem-estar subjetivo. Escala/ Autores The Satisfaction With Life Scale (DIENER; EMMONS; LARSEN; GRIFFIN, 1985). Positive and Negative Affect Schedule: PANAS. (WATSON; CLARK, 1988). Multidimensional Mood State Questionnaire MDBF. (STEYER; SCHWENKMEZGER; NOTZ; EID, 1994).. Fator(es). Número de questões /Itens. Alpha de Cronbach no estudo de construção. -Satisfação com a Vida.. 5. 0,87. -Afetos Positivos;. 11. 0,86 a 0,90. -Afetos Negativos.. 10. 0,84 a 0,87. -Humor bom /ruim; -Nervoso /Calmo; -Alerta /Cansado.. 4 4 4. 0,82 0,75 0,76. Diener, Emmons, Larsen e Griffin (1985), autores da Escala de Satisfação com a Vida, justificaram a criação deste instrumento que afere apenas uma dimensão do construto bem-estar subjetivo, afirmando que os aspectos gerais e os domínios específicos da vida, como a satisfação com a saúde, com o casamento, entre outros, têm segmento ligado ao campo cognitivo da psicologia e que, por este motivo, deve receber a atenção e os tratamentos devidos a esta importante característica formadora, enquanto os afetos são segmentos de teorias ligadas às questões afetivas e emocionais. O artigo que tratou da construção da Escala de Satisfação com a Vida apresenta três estudos. No primeiro houve 176 participantes, estudantes de psicologia, e foram utilizados os seguintes instrumentos: duas escalas medindo qualidade de vida, uma de Andrews e Withey (1976) e outra de Campbell, Converse e Rodgers (1976); uma escala desenvolvida por Bradburn (1969), medindo bem-estar psicológico; uma escala de interesses humanos de Cantril (1965); um inventário de autodescrição de Fordgce (1978) e um questionário de personalidade de Tellegen (1979). No segundo estudo, participaram 163 estudantes de cursos de iniciação em psicologia, em que se utilizou a mesma bateria de testes e mais a escala alvo deste estudo (Escala de Satisfação Geral com a Vida), já mais bem definida e com cinco itens. No terceiro estudo participaram 53 mulheres, pacientes de uma clínica geriátrica, com idades entre 32 e 75 anos. Neste, além da escala do estudo, foi realizada uma entrevista extensa e abrangente sobre questões intimamente ligadas à satisfação com a vida. Os resultados indicaram que a escala atende às exigências clínicas e científicas. A Escala de Afetos Positivos e Afetos Negativos – PANAS, de Watson e Clark (1988), surgiu por conta da necessidade de existir um instrumento que medisse somente as questões emocionais de bem-estar subjetivo, com índices melhores de confiabilidade e precisão..
(26) 26. Inicialmente, Watson e Clark (1988) realizaram um levantamento teórico sobre os termos de humor existentes e identificaram 65 palavras. Para a votação sobre como os termos de humor poderiam ser agrupados, 54 adultos fizeram a separação. Participaram 413 estudantes de psicologia que responderam a escala. A partir disto, foi possível realizar comparações, calcular correlações, e índices de validade fatorial. Numa outra etapa, 338 alunos de graduação em psicologia responderam a escala e as mesmas análises foram realizadas. Em conclusão, esta é uma escala que se apresentou como válida, confiável e precisa para medir o humor nos grupos dos afetos positivos e dos negativos. O Questionário Multidimensional de Humor – MDBF de Steyer, Schwenkmezger; Notz e Eid (1994) mede três estados de humor, o bom/ruim, o nervoso/calmo, e o alerta/cansado, e na literatura, esta medida é utilizada para avaliar bem-estar subjetivo. No estudo de construção desta escala, 503 participantes, com idades entre 17 e 78 anos, responderam às questões, sendo que a aplicação ocorreu em quatro etapas, com intervalos de três semanas. O método utilizado em todas as etapas para testar fidedignidade foi o das metades. Para verificar a validade concorrente, o Questionário Multidimensional de Humor foi correlacionado com a Lista de Desconforto de Freiburger (LDF), que avalia emoções por meio de uma relação de itens que contêm reclamações, e com o Inventário de Personalidade de Freiburger (IPF), ambas de Fahrenberg et al. (1994). Os resultados apontaram que a escala possui validade de critério, pois as correlações entre suas três subescalas e o LDF variaram entre 0,44 e 0,48, e entre as três subescalas e o IPF foram, em média, de -0,30. A seguir será apresentado o segundo construto utilizado neste estudo, ou seja, a autoeficácia definida como o conjunto de crenças do sujeito em suas próprias capacidades pessoais..
(27) 27. 2.2 Autoeficácia Bandura, com a publicação de Self-efficacy: towards a unifying theory of behavior change (1977) delimitou o conceito de autoeficácia, descrita como o julgamento das pessoas sobre suas próprias capacidades de organizar e executar ações, possuindo assim o sentimento de adequação, eficácia e competência para enfrentar os problemas. Seu trabalho demonstrou que as pessoas com grau elevado de autoeficácia acreditam serem capazes de lidar com os diversos acontecimentos da vida, procuram desafios, persistem e mantêm um alto grau de confiança na sua capacidade de obter êxito e de controlar a própria vida. Por outro lado, as pessoas com baixo grau de autoeficácia sentem-se pouco úteis, com baixa esperança, acreditam que não conseguem lidar com as situações que enfrentam e que por isso têm poucas chances de mudá-las. A autoeficácia foi integrada à teoria social cognitiva, que é baseada em uma visão de agência humana, na qual o indivíduo é produtor e produto das relações que se dão entre os fatores determinantes presentes no ambiente (contexto) e no seu próprio comportamento. Ou seja, ser um agente é exercer influência intencional sobre o próprio funcionamento e sobre o curso dos acontecimentos, através de próprias ações. Esta teoria tem uma estrutura tríade de relações de causalidade; nesta, o funcionamento humano é um produto da interação de influências intrapessoais, do desenvolvimento de comportamentos e de forças ambientais incidentes (BANDURA, 2006). Para melhor compreender a Teoria Social Cognitiva (TSC), é possível dizer que se trata de uma abordagem voltada a interpretar a cognição humana: a ação, a motivação e a emoção na condição do sujeito como formador ativo de seu ambiente (BANDURA, 1997). A TSC assume quatro premissas fundamentais: 1) a de que o sujeito possui grande capacidade cognitiva, que simboliza, cria modelos, testa hipóteses, analisa e avalia os próprios comportamentos, pensamentos e emoções; 2) as de que eventos ambientais interferem nesse processo, ou seja, as pessoas se comunicam com o ambiente, transmitindo e recebendo informações através de fatores internos pessoais, por meio da cognição, emoção e alterações biológicas; 3) o self e a personalidade influenciam também, integrando-se socialmente, já que são construídos através das interações do ser humano com o outro, são absorvidos, e pela contínua interação social são transformados; 4) existe a capacidade de autorregulação (MADDUX, 2009), definida como:. ...um mecanismo interno consciente e voluntário de controle, que governa o comportamento, os pensamentos e os sentimentos pessoais tendo como referência.
(28) 28. metas e padrões pessoais de conduta a partir dos quais se estabelece consequência para os mesmos. (BANDURA et al., 2008, p. 151). Bandura (1997) revelou, empiricamente, que as crenças de autoeficácia afetam a escolha da ação, o esforço, a persistência e os sentimentos frente às adversidades durante a ação. Uma afirmação esclarecedora do funcionamento da autoeficácia é que o “nível de motivação, os estados afetivos e as ações das pessoas baseiam-se mais no que elas acreditam, do que no que é objetivamente verdadeiro” (PAJARES; OLAZ, 2008, p. 102). Percepções elevadas de autoeficácia podem ser utilizadas como instrumentos para alcançar objetivos desejados. Os indivíduos podem, por meio de controle de seu próprio ambiente, codificar informações e dirigir seus comportamentos através da autorregulação. Segundo Pajares e Olaz (2008) as crenças de autoeficácia possibilitam ao indivíduo exercer certo grau de controle sobre seus pensamentos. A autoeficácia pode ser aumentada por aprendizado de experiências específicas ou pela observação dos comportamentos alheios, o que é chamado de aprendizagem vicária. As crenças das pessoas em suas capacidades são desenvolvidas com: 1) experiências de maestria com tarefas difíceis que requerem apropriação de domínio; 2) modelagem social: com pessoas de sucesso que servem de modelo; 3) persuasão social; 4) estado físico e emocional: geralmente associadas a sentimentos, os desagradáveis a fracassos e os agradáveis a sucessos (BANDURA, 2012). Com estes mecanismos, pode-se ter sucesso e assim aumentar os níveis de autoeficácia, sendo que estas ações podem ocorrer e atuar de forma independente ou combinada. Uma vez desenvolvido um forte senso de eficácia, uma falha pode não ter impacto significativo. Existem evidências de que a autoeficácia prediz bons resultados com as habilidades sociais, com realizações acadêmicas, com o desempenho físico, no controle de abstinência na dependência química, com a tolerância à dor e em diversos segmentos (BANDURA, 1986). Bandura (2001) diz acreditar na potencialidade do homem ativo, com capacidades humanas: (a) simbolização: interpretações pessoais das experiências e desempenhos; (b) pensamento. antecipatório:. antever. consequências;. (c). autorregulação:. governo. dos. comportamentos, pensamentos e sentimentos de metas e padrões de conduta e suas consequências; e (d) autorreflexão: análise e organização de processos de pensamentos. Dentre estas capacidades, a autorregulação tem papel fundamental. Zimmerman, Ktsantas e Campillo (2005) afirmaram que este é um mecanismo interno, consciente e.
(29) 29. voluntário de controle, que governa o comportamento, os pensamentos e os sentimentos pessoais, utilizam para referência padrões pessoais de conduta e metas e estabelecem consequência para tal. Sendo assim, a autorregulação é caracterizada por um processo motivacional que inclui iniciativa pessoal e persistência, principalmente no enfrentamento de obstáculos. Maddux (2009) fez um relato sobre a importância da autoeficácia para práticas que se utilizam do conceito. Muitos são os problemas psicológicos que trazem sensação de perda de controle e, nestes casos, a autoeficácia pode contribuir para trazer equilíbrio emocional e aumentar a sensação de controle de comportamentos, pensamentos e emoções. Assim, permite ao indivíduo acreditar que ele é capaz de enfrentar desafios e conseguir construir relacionamentos saudáveis, alcançar satisfação pessoal e até mesmo encontrar paz de espírito. Bandura e Locke (2003) afirmam que existem diversas pesquisas sobre autoeficácia em áreas do funcionamento comportamental, como, por exemplo, referente ao desempenho acadêmico o estudo de Multon, Brown e Lent (1991), sobre o desempenho atlético o estudo de Moritz, Feltz, Fahrbach e Mack (2000), sobre o funcionamento psicossocial de crianças e adolescentes, de Holden, Moncher, Schinke e Barker (1990), e sobre o funcionamento de saúde o estudo de Holden (1991), sendo a autoeficácia um significativo preditor da ocorrência de comportamento de enfrentamento, de nível de desempenho e de perseverança em face de problemas difíceis. Como este estudo focalizou autoeficácia no contexto de toxicodependência, a seguir serão apresentados estudos envolvendo autoeficácia e dependência química de drogas diversas, com o objetivo de demonstrar como o construto se relaciona a este fenômeno.. 2.2.1 Estudos empíricos sobre autoeficácia. Warren, Stein e Grella (2007) realizaram um estudo longitudinal sobre suporte social e autoeficácia com pacientes em tratamento de distúrbios psiquiátricos com comorbidade em dependência química. O objetivo dos autores foi o de entender melhor os problemas deste grupo de doentes e encontrar recursos que poderiam mediar resultados positivos para o tratamento. Participaram do estudo 213 homens e 187 mulheres, com idade média de 36 anos; 82% dos participantes já haviam sido moradores de rua em algum momento da vida, 97% relataram ter recebido tratamento de saúde mental com diagnósticos mais frequentes de.
(30) 30. transtorno de humor, depressão maior, distimia, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de estresse pós-traumático, e 70% receberam tratamento para o abuso de substâncias, tais como heroína, cocaína/crack e uso pesado de álcool. Para aferição das variáveis do estudo, os autores utilizaram a escala SF-36 de Ware e Sherbourne (1992), para avaliar suporte social e saúde mental. Para avaliar autoeficácia em abstinência de substâncias, foi utilizada a escala de Annis e Grahan (1988). A primeira aplicação dos instrumentos de avaliação foi realizada no ingresso dos pacientes a um tratamento financiado pelo governo americano que trata do dependente de substâncias em sua residência. Após seis meses, houve nova coleta de dados com os mesmos instrumentos. Os resultados encontrados foram de que, mesmo entre uma amostra de indivíduos severamente prejudicada, a possibilidade de melhores recursos pessoais, como autoeficácia, potencializa a terapêutica, e maior apoio social predisse melhor estado de saúde mental e diminuição do uso de heroína e cocaína. Além disso, em indivíduos com maior autoeficácia, os resultados apontaram para menor utilização de álcool e cocaína. No estudo de Dolan, Martin e Rohsenow (2008), os autores buscaram medir as diferenças nos níveis de autoeficácia em dependentes de substâncias químicas que iriam se submeter a um tratamento, fundamentado em abstinência de substâncias de dependência patológica e exercícios de autocontrole. Visaram verificar a associação de características pessoais dos participantes com níveis de autoeficácia. A coleta de dados foi realizada em quatro momentos, foram coletados dados nos períodos de seis meses antes do início do tratamento, três e seis meses depois do início e nos seis meses após a alta. Uma informação importante é de que os pacientes apresentaram exames para comprovar abstinência do uso de drogas depois da coleta de dados. Participaram 163 dependentes de cocaína que estavam se submetendo a um tratamento residencial. Os instrumentos utilizados foram a Classificação de Autoeficácia para Abstinência, que avalia habilidades de enfrentamento em situações de risco de uso de drogas (ROHSENOW; MONTI; MARTIN; COLBY; MYERS; GULLIVER; BROWN; MUELLER; GODON; ABRAMS, 2004); uma entrevista sobre informações pessoais, sobre o histórico do uso de drogas, e sobre a motivação de parar de usar droga; o Inventário de Depressão de Beck, o BDI – II de Beck, Steer e Brow (1996) e, por fim, um teste para avaliação de flexibilidade mental, função motora, função de atenção e velocidade de busca visual (REITAN; WOLFSON, 1986). A coleta de dados foi realizada em quatro momentos: foram coletados dados nos períodos de seis meses antes do início do tratamento, três e seis meses depois do início do tratamento, e nos seis meses após a alta. Os pacientes apresentaram exames para comprovar.
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