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FINANCEIROS E MONETÁRIOS

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Academic year: 2021

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BANCO CENTRAL DO BRASIL

FÓRUM DAS INSTITUIÇÕES MONETÁRIAS E FINANCEIRAS OFICIAIS

REUNIÃO DE ABERTURA NA AMÉRICA LATINA

A POSIÇÃO DA AMÉRICA LATINA NA NOVA CONJUNTURA EM TERMOS FINANCEIROS E MONETÁRIOS

17-18 DE JUNHO,BANCO CENTRAL DO BRASIL,BRASÍLIA

A ASCENSÃO DAS NOVAS MOEDAS NO MUNDO MULTIPOLAR

INTERVENÇÃO DO DR.ANSELMO TENG,PRESIDENTE DA AUTORIDADE

MONETÁRIA DE MACAU

18 DE JUNHO DE 2013

Caros convidados, Senhoras e senhores,

1) Estou muito honrado por poder participar na reunião de abertura do “Official Monetary and Financial Institution Forum” (OMFIF), na América Latina. Permitam-me, pois, agradecer ao OMFIF e ao Banco Central do Brasil, por me terem endereçado o convite. Estou muito contente por ter esta oportunidade, de me deixam partilhar, de um ponto de vista do outro lado do Mundo, com os presentes o tema “A ascensão das novas moedas no mundo multipolar, do ponto de vista do outro lado do mundo.

A reserva de moedas tradicionais e “de moedas alternativas

2) A crise financeira ocorrida recentemente nos países desenvolvidos afecta, de igual modo, o mercado financeiro dos países de desenvolvimento emergente e as economias asiáticas com uma base de dimensão económica mais sólida, que não podem estar imunes, igualmente, a esta crise. O uso extensivo da reserva das moedas tradicionais no comércio bilateral, como meios de pagamento, entre as economias emergentes tem provocado, recentemente, alguma incerteza. A

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Page 2 flutuação derivada da conversão de moedas do tipo não reserva inibe o comércio normal entre as economias emergentes, impedindo, desta forma, o desempenho do “princípio da vantagem comparativa” dos serviços de exportação. Por outro lado, nos períodos tensos do mercado, a vulnerabilidade do acesso a fundos de moedas de reserva provoca tensão no mercado interbancário “offshore”, que provou esse contágio e se espelhou às actividades de financiamento do comércio. Essa sequência de eventos reflecte a necessidade de promover o uso das moedas regionais no comércio intra-regional, bem como o reforço do uso das moedas de reserva não-tradicionais no comércio e financiamento internacionais.

3) De acordo com um artigo recentemente publicado pela Organização Mundial do Comércio sobre o uso das moedas no comércio internacional, quase todas as moedas do tipo não-reserva não são usadas, de maneira plena; por exemplo, a sua percentagem de utilizações nos pagamentos internacionais é muito mais reduzida do que a da sua quota representativa no comércio internacional. Pelo contrário, o uso das principais moedas de reserva excede desproporcionadamente as suas acções no comércio internacional. Paralelamente, observa-se também que as moedas de reserva são amplamente utilizadas no comércio de terceiros, ou seja, o comércio que realmente não envolve a moeda de reserva dos países emissores. Assim, há muito espaço para o crescimento das moedas alternativas, especialmente em termos de uso no comércio bilateral entre os próprios países de desenvolvimento emergente. 4) As moedas dos países de desenvolvimento emergente, particularmente o

Renminbi, a moeda do segundo maior sistema económico do mundo e do comércio internacional, calculada com base no Produto Interno Bruto, tem mostrado a sua potencialidade de exploração da sua utilização a nível das transacções internacionais. Este fenómeno duradouro de reequilíbrio não só permite a circulação internacional das moedas regionais para melhor reflectir o aumento da proporção dos seus países no comércio internacional e da gravidade económica, como também evita a influência derivada dos choques monetários do sistema económico desenvolvido no sistema dos países de desenvolvimento emergente.

5) Segundo uma estatística económica global, os Estados Unidos da América são o maior sistema económico do Mundo. Em 2012, o seu Produto Interno Bruto foi de USD 15.700 mil milhões, enquanto a China ocupa o segundo lugar com

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Page 3 um Produto Interno Bruto de USD8.200 mil milhões, correspondente a 52,2% em relação ao dos Estados Unidos da América. O Japão foi listado no terceiro lugar. Na análise das importações e exportações destes três países, nota-se uma série de dados convencíveis, com as importações anuais dos Estados Unidos da América a situarem-se nos USD2.300 mil milhões, enquanto as da China aumentaram para USD1.800 mil milhões. Temos de salientar que a China tem sido um país de maior exportação e o maior aumento da importação demonstra o aumento do poderio nacional e do mercado de consumidores. Sendo o terceiro maior sistema económico, as importações anuais do Japão atingiram apenas USD880 mil milhões, menos de metade das da China. O país que segue de perto a China neste aspecto é a Alemanha, com uma importação anual de USD1.200 mil milhões.

6) Nestes termos, podemos ver que a China, como um dos mercados emergentes, está gradualmente a mudar no comércio internacional, passando de “fábrica internacional” que produzia produtos para exportar, para um país importante de importação. Num recente fórum internacional, foi previsto que nos próximos cinco anos, a China importará produtos no valor de USD 10.000 mil milhões, enquanto o investimento externo atingirá USD500 mil milhões e os turistas da China atingirão 0,4 mil milhões. Por outro lado, em 2011, o comércio entre a China e os países da América Latina atingiu USD241,5 mil milhões, vinte vezes os dados do ano 2000, e nos próximos cinco anos, foi previsto que atingirá USD400 mil milhões. Sendo o primeiro parceiro a nível comercial do Brasil, as exportações da China para o Brasil foram de 33,4 mil milhões, enquanto as importações do Brasil foram de 52 mil milhões, com trocas comerciais de USD85,4 mil milhões em 2012. A previsão do desenvolvimento económico reflecte o compromisso da China no desenvolvimento económico mundial, que se insere na dinâmica desse mesmo desenvovlimento.

7) Como foi referido, a China já foi transformada num país significativo de importações. No processo das actividades comerciais, a China deve ter mais poder de decisão para determinar a moeda de liquidação das transacções e o Renminbi será a escolha das transacções transfronteiriças, contribuindo assim para a sua internacionalização. Em Julho de 2009, o Banco Popular da China e os respectivos serviços do Conselho de Estado promulgaram as “Normas administrativas do programa-piloto para a regularização das transacções em renminbis no comércio transfronteiriço”, que são uma etapa crucial para a

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Page 4 internacionalização do Renminbi. Com a expansão constante do programa-piloto, quase todas as empresas qualificadas para importações e exportações da China podem escolher livremente a utilização do Renminbi como moeda de liquidação com os seus parceiros comerciais de todo o mundo.

Região Administrativa Especial de Macau e o seu sistema bancário

8) Macau é uma região administrativa especial da China. Desde a reunificação à Mãe Pátria, em 20 de Dezembro de 1999, a economia global de Macau tem-se expandido a uma taxa compósita de 12,4% por ano. Em 2012, o rendimento médico per capita foi de USD76.000. Macau tem sempre privilegiado o sistema de mercado livre, não estabelecendo nenhum controlo monetário; o mercado e as instituições financeiras funcionam de modo livre e o fluxo de fundos é também livre, tudo isto constituindo uma base para um bom e livre sistema económico. Actualmente há 29 bancos a funcionar no sistema bancário em Macau com origens diferentes: China, Taiwan, Região Administrativa Especial de Hong Kong, Singapura, Estados Unidos da América, Inglaterra e Portugal. Em Abril de 2013, os depósitos em Renmibi em Macau ocupavamm 10% dos depósitos totais. Apesar de este tipo de transacções ter sido iniciado tardiamente, a regularização das transacções transfronteiriças em Renmibi foi desenvolvida de modo acelerado. A regularização das transacções transfronteiriças em Renmibi em 2011 foi dez vezes mais, comparadas com as do ano de 2010, enquanto as de 2012 registaram um aumento de 60%. No primeiro trimestre do ano 2013, o aumento substancial continuou, correspondendo a um aumento de 80% no mesmo período do ano transacto, valor este que já atingiu 40% do valor total do ano transacto.

Serviços e produtos em Renminbi no Sistema Bancário de Macau

9) O comércio em Renminbi foi apenas destinado a indivíduos e determinados sectores quando iniciou o seu funcionamento em 2004. Com o desenvolvimento e o apoio das políticas nestes anos, os bancos de Macau podem fornecer às empresas do exterior uma série de serviços e produtos em Renminbi, incluindo depósitos, câmbios, remessas, financiamentos e gestão de fortunas.

Todas as empresas, incluindo as empresas do exterior, podem abrir contas de depósitos e conversão em Renminbi nos bancos de Macau. Os bancos que

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Page 5 funcionam em Macau podem fornecer diversos serviços e produtos de regularização de transacções às empresas do exterior, tais como contas de regularização de transacções em Renminbi, câmbios em Renminbi e remessas em Renminbi para regularização das transacções e até financiamentos às importações e exportações feitos caso a caso. Os bancos em Macau também podem fornecer às empresas uma série de financiamentos comerciais em Renminbi, bem como “non-deliverable forward” e “deliverable forward” em Renminbi, para que as empresas possam efectuar “hedge” contra as exposições ao Renminbi. As entidades comerciais e as instituições financeiras podem emitir títulos em Renminbi em Macau. As mesmas também podem utilizar fundos em Renminbi para colocar directamente em produtos de investimento fornecidos pelos bancos de Macau ou no mercado “offshore” de Renminbi de Hong Kong.

10) Razões do desenvolvimento das actividades em Renminbi através de Macau  Macau tem desempenhado um relevante papel de plataforma, no âmbito

da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, com base nas suas especiais condições geográficas e históricas. Macau é a única cidade da China que pode manter numa relação especial com os países de língua portuguesa. Estes países englobam Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. O Governo Central presta grande atenção em relação a este assunto. Em 2003, foi estabelecido o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. Em Novembro de 2010, Wen Jiabao, Primeiro Ministro da República Popular da China, participou na 3.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação entre a China e os países de língua portuguesa e anunciou uma série de políticas para promover o papel de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa, esperando que Macau possa desempenhar um “papel nuclear” de fomento das actividades de regularização de transacções em Renminbi, que pode salientar o papel de plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa. De facto, Macau pode estender esta plataforma aos países da América Latina:

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Page 6  O comércio entre a China e os países de língua portuguesa registou um notável desenvolvimento. Em 2012, o comércio entre a China e os países de língua portuguesa atingiu a USD128,8 mil milhões, corresponde a 10,1% do aumento comparado com o do ano anterior, verificando-se uma grande procura de serviços financeiros. Na prestação de serviços financeiros práticos ao comércio, Macau também pode perfeitamente encarnar o seu papel de plataforma. Com estes privilégios de plataforma, os serviços e produtos em Renminbi dos referidos bancos podem ser estendidos aos países de língua portuguesa e até aos países da América Latina;

 A cooperação financeira entre Macau e os países de língua portuguesa tem adquirido um desenvolvimento notável. Em Macau, alguns bancos chineses já celebraram acordos de cooperação com instituições financeiras dos países de língua portuguesa, tais como: a Sucursal de Macau do Banco da China com o Banco de Fomento de Angola S.A.R.L., e o Moza Banco S.A. com o Banco BPI S.A. celebraram protocolos, enquanto o Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A. celebrou acordos de cooperação com o Banco Espírito Santo e o Millenmium BCP, respectivamente. As empresas-mãe dos sucursais portugueses em Macau também têm uma rede de sucursais ampla nos países de língua portuguesa. Para além disso, através das sucursais e filiais em Macau, os bancos chineses reforçaram a interacção com os congéneres do exterior. A interacção e a cooperação entre os bancos chineses e portugueses passou a ser mais ampla e utilizada com a plataforma de Macau e a sua rede tornou-se mais extensa.

O Renminbi como instrumento de investimento

11) O desenvolvimento do Renminbi como instrumento de investimento está a captar mais atenção de todos os cantos do Mundo. Nos últimos anos, inumerosos títulos “Dim Sum” , certificados de depósitos e fundos de investimento têm sido desenvolvidos no mercado “offshore” de Renminbi em Hong Kong. A extensão dos programas QFII e RQFII permite que os investidores elegíveis das instituições possam escolher diferentes tipos de produtos de investimento “onshore” e “offshore”. Shanghai está a construir as

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Page 7 necessárias infra-estruturas financeiras para Centro “onshore” do Renminbi. As infra-estruturas incluem o Centro de gestão de activos em Renminbi, o Centro de regularização transfronteiriça em Renminbi e o Centro de inovação de produtos financeiros em Renminbi. Por outro lado, a Província Guangodong, região pioneira da reforma económica da China, procedeu a planos de desenvolvimento de actividades em Renminbi em Qianhai e nas Ilhas Hengqing, que são considerados como regiões pioneiras para o desenvolvimento das actividades financeiras.

12) Sendo a entidade responsável pela gestão da Reserva Financeira do Governo, a Autoridade Monetária de Macau também efectuou investimentos no mercado “onshore” em Renminbi, através de uma “quota CIBM” do Banco da China, com autorização concedida pelo Banco Popular da China. Também investiu no mercado “offshore” de Renminbi em Hong Kong, como complemento da carteira do mercado “onshore”. Do ponto de vista global, com o aumento do peso do Renminbi na regularização das transacções internacionais e no investimento, a internacionalização da Renminbi trará mais oportunidades ao mercado, quer aos investidores da China, quer aos investidores “ offshore”.

13) As moedas dos mercados emergentes, como é o Renminbi, podem adquirir mais quotas nas moedas de reserva tradicional; no entanto, no seu próprio mercado financeiro têm de ser introduzidas reformas, passando a ser mais abrangente , mais dinâmico e mais internacional. Sob a situação do controlo cambial cada vez mais amplo, o mercado financeiro deve fornecer acessos fáceis aos não residentes para conhecerem os instrumentos de investimento, devendo o fornecimento de moeda ser suficiente.

14) Actualmente, a China tem dois centros financeiros principais: Shanghai é o Centro “onshore” do Renminbi, que se encontra em processo de desenvolvimento como centro financeiro internacional, enquanto Hong Kong está vocacionado para actividades “offshore”. O desenvolvimento de outros centros “offshore” de Renminbi, tais como Londres, Singapura e Taiwan também estão em vias de desenvolvimento.

15) O relacionamento sólido de Macau com as regiões periféricas, como Hong Kong, Shanghai e província de Guangdong, acrescido dos laços especiais estabelecidos com os países de língua portuguesa, facilita a transformação de

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Page 8 Macau como plataforma de prestação de serviços, no âmbito do desenvolvimento acelerado das actividades comerciais e de investimento entre a China e os países de língua portuguesa. Assim, é claro que os países da América Latina podem, igualmente, aproveitar esta plataforma de serviços. Macau dispõe de um sistema financeiro aberto e estável e está bem preparado para se envolver activamente na próxima etapa da internacionalização do RMB e na aparente ascensão do RMB no mundo das múltiplas moedas.

16) Finalmente, estou contente por ter a oportunidade de partilhar as minhas experiências e impressões sobre este assunto. Permitam-me que manifeste os meus votos de sucesso, a esta reunião de abertura. Muito obrigado a todos!

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