05/10/2020
Número: 0600220-73.2020.6.05.0074
Classe: REGISTRO DE CANDIDATURA
Órgão julgador: 074ª ZONA ELEITORAL DE IRARÁ BA Última distribuição : 25/09/2020
Processo referência: 06001981520206050074
Assuntos: Impugnação ao Registro de Candidatura, Registro de Candidatura - RRC - Candidato,
Cargo - Prefeito, Eleições - Eleição Majoritária
Segredo de justiça? NÃO Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO Justiça Eleitoral
PJe - Processo Judicial Eletrônico
Partes Procurador/Terceiro vinculado JUSCELINO SOUZA DOS SANTOS (REQUERENTE)
"UNIDOS POR IRARÁ" 25-DEM / 15-MDB / 23-CIDADANIA (REQUERENTE)
PARTIDO CIDADANIA (REQUERENTE)
PARTIDO DEMOCRATAS (DEM) DIRETORIO MUNICIPAL (REQUERENTE)
MOVIMENTO DEMOCRATICO BRASILEIRO - MDB MUNICIPAL IRARA (REQUERENTE)
PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO-PSB COMISSAO PROVISORIA IRARA-BA (IMPUGNANTE)
ISADORA OLIVEIRA SANTOS FERREIRA (ADVOGADO) TATIANA ROCHA DE ARAGAO MIRANDA (ADVOGADO) ANTONIO CESAR OLIVEIRA JUNIOR (ADVOGADO) JUSCELINO SOUZA DOS SANTOS (IMPUGNADO)
PROMOTOR ELEITORAL DO ESTADO DA BAHIA (FISCAL DA LEI) Documentos Id. Data da Assinatura Documento Tipo 12341 547
EXCELENTÍSSIMO JUÍZO ELEITORAL DA 074 ZONA ELEITORAL DA COMARCA DE IRARA-BAHIA.
“O indeferimento do registro de candidatos notoriamente ímprobos é uma premente necessidade, é um ato irrecusável de legítima defesa da ordem democrática, posto que tais candidaturas são incompatíveis com a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandato, protegidas pela Constituição” Luiz Ismaelino Valente
RCand nº0600220-73.2020.6.05.0074
PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO (PSB) do município de Irará - BA, pessoa jurídica de direito privado, CNPJ nº 24.649.905/0001-55, representado por meio da presidente do Diretório Municipal, Vanely Batista de Lima Valverde, inscrita no CPF sob o nº 630.136.067-20 RG nº 23.286.858-30 e TÍTULO 0108 3155 0507 residente e domiciliada na Avenida Pedro Nolasco de Pinho, 120, complemento casa, bairro centro, no município de Irará Bahia, CEP: 44255 000, residente, através dos seus advogados que a esta subscreve, (PROCURAÇÃO ANEXA) vêm respeitosamente à presença de Vossa Excelência, com fulcro no artigo 3º da LC 64/90 c/c e Lei nº135\2010, oferecer a presente
AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE REGISTRO DE
CANDIDATURA (AIRC)
Em face de JUSCELINO SOUZA DOS SANTOS, candidato a Prefeito pela coligação denominada “UNIDOS POR IRARÁ (DEM, MDB, CIDADANIA)”, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe ,em face das seguintes razões de fato e de direito que passamos a expor:
DOS FATOS
A Coligação denominada “UNIDOS POR IRARÁ (DEM, MDB, CIDADANIA)” protocolizou pedido de registro de seus candidatos e junto com ele a documentação exigida em lei. Ocorre que os fatos da vida pregressa do CANDIDATO A PREFEITO, Sr.JUSCELINO SOUZA DOS SANTOS, apontam para a incompatibilidade com os princípios da moralidade e da probidade, tornando-o inapto para a candidatura, justificando, portanto, o ajuizamento da AIRC. Isto porque atos de improbidade administrativa são a marca registrada dos mandatos eletivos exercidos pelo candidato ao cargo de prefeito ora impugnado.
DA REJEIÇÃO DAS CONTAS DO EXERCÍCIO
FINANCEIRO DE 2006
PELA CÂMARA MUNICIPAL DE IRARÁ
É fato incontroverso que a Câmara Municipal de Irará julgou no ano de 2008 as contas do exercício financeiro de 2006, conforme faz prova o Decreto Legislativo nº004\2008.
A lei nº135\2010 em seu Art.1º, I, g, é clara no sentido que o prazo da inelegibilidade passa a contar da decisão da Câmara de Vereadores, haja vista que já foi convencionado pelo STF que quem define a data de julgamento de contas é a Casa Legislativa por se tratar de matéria interna corporis.
O STF no julgamento do Recurso Extraordinário- RE 848826, que é exclusivamente da Câmara Municipal a competência para julgar as contas de governo e as contas de gestão dos prefeitos, cabendo ao Tribunal de Contas auxiliar o Poder Legislativo municipal, emitindo parecer prévio e opinativo, que somente poderá ser derrubado por decisão de 2/3 dos vereadores. Pois bem, no caso específico de Irará, o processo tombado sob nº. 0000693-16.2012.805.0109, não suspende os efeitos do Decreto Legislativo nº004\2008 e sim os efeitos da decisão\opinativo do Tribunal de Contas, tanto é verdade que a decisão do juiz desta mesma zona eleitoral reconheceu isso no Processo nºxxx, indeferindo assim o registro de candidatura do postulante ao cargo de prefeito que ora novamente restará impugnado, não apenas no que concerne ao julgamento das contas de 2006 como também de 2009, conforme se constata adiante nesta ação.
DA REJEIÇÃO DAS CONTAS DO EXERCÍCIO DE 2008 PELO
TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS-TCM-BAHIA.
Em 07 de abril de 2011, foi publicado pelo DOE o Parecer Prévio n. 212/11, este Opinando pela REJEIÇÃO DAS CONTAS da Prefeitura Municipal de Irará relativas ao exercício 2008, sendo o gestor o IMPUGNADO, apesar de este usado todos os recursos permitidos na Lei Orgânica do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia. Portanto, alguns itens merece devido destaque conforme seguem:
descumprimento do artigo 42, da Lei de Responsabilidade Fiscal, em razão da insuficiente disponibilidade de caixa no último ano do mandato, para pagamento das despesas inscritas em “restos a pagar”;
contabilização de R$ 1.249.910,65 em créditos adicionais suplementares por excesso de arrecadação, sem indicação dos recursos correspondentes, em descumprimento ao art. 167, V, da Constituição Federal;
descumprimento do art. 212 da Constituição Federal, aplicando em educação R$ 9.011.082,26, correspondentes a 24,22% da receita resultante de impostos, quando o mínimo exigido é de 25%.
As conclusões consignadas nos Relatórios e Pronunciamentos técnicos submetidos à análise desta Relatoria levam a registrar, ainda, as seguintes ressalvas:
descumprimento do artigo 29-A, da Constituição Federal, transferindo R$ 35.954,30 de duodécimos a menor ao Legislativo;
contabilização de R$ 564.326,66 em créditos adicionais suplementares por anulação de dotações sem o respectivo Decreto do Poder Executivo que promoveu sua abertura;
descumprimento de determinação deste Tribunal, quanto ao não pagamento de 4 multas vencidas até 2008, imputadas ao Gestor destas contas no total de R$ 35.600,00;
despesas de R$ 80.681,55 realizadas indevidamente com recursos do FUNDEB, em desvio de finalidade
não encaminhamento das contas à Câmara Municipal no prazo para fins de disponibilidade pública, em descumprimento do art. 95, § 2º da Constituição Estadual, e do art. 54, parágrafo único e 55, da Lei Complementar nº 06/91;
reincidência na omissão na cobrança de multas e ressarcimentos imputados a agentes políticos do Município;
reincidência no Relatório deficiente do Sistema de Controle Interno; reincidência na tímida cobrança da dívida ativa;
existência de déficit orçamentário, demonstrando que o Município gastou mais do que arrecadou;
divergência detectadas nos valores registrados nos balancetes mensais e os Anexos que compõem esta Prestação de Conta, que afetam o resultado da Execução Orçamentária e Patrimonial do exercício, demonstrando descontrole na elaboração das peças contábeis;
falta da remessa e publicação dos Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária e de Gestão Fiscal;
pagamento ilegal de 13º salário a Secretário Municipal;
descumprimento do § 4º, do art. 9º, da Lei Complementar nº 101/00, em face da realização após o encerramento do prazo legal das audiências públicas para avaliar o cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre;
descumprimento da Resolução TCM nº 1.251/07, em virtude da ausência do Parecer do Conselho Municipal de Educação;
descumprimento da Resolução TCM 1.060/05 (itens 18, 19, 29, 30 e 39 do art. 9º), a exemplo do Inventário Patrimonial sem contemplar todos os bens constantes no ativo permanente;
outras ocorrências consignadas no Relatório Anual expedido pela CCE, a exemplo do descumprimento da Lei nº 8.666/93 no processamento de licitação, ausência do procedimento de R$ 78.645,81 em casos legalmente exigíveis com móveis (R$ 8.698,00), passagens (R$ 9.947,81), produção e eventos (R$ 60.000,00), fragmentação de despesa de R$ 40.361,85 para fugir ao procedimento com material de consumo, totalizando R$ 119.007,66 (fls. 457 e 458), dentre outras.
Remeta-se o presente processo à Assessoria Jurídica desta Casa, para fins de representação ao Ministério Público, tendo em vista a constatação de descumprimento do art. 42, da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além de ter imputado ao mesmo multa no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) e com fulcro no art. 5º, inciso I, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.028, de 19/10/2000 multa no valor de R$ 27.000,00 (vinte e sete mil reais), correspondentes a 30% dos seus vencimentos anuais, a serem recolhidas aos cofres públicos municipais e devolução ao Erário Municipal o valor de R$ 8.437,50 (oito mil, quatrocentos e trinta e sete reais e cinquenta reais), com recursos pessoais, decorrente de pagamento ilegal de 13º salário a Secretário Municipal.
Examinando-se o art. 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar nº 64/90, alterada pela Lei Complementar nº 135/2010, observa-se que o legislador indicou, que os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário , para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição.
Portanto, a finalidade, pois, da entrega de direitos políticos ao cidadão para que possa ser investido no comando de um município ou de um país não deve ser distorcida. Não pode o beneficiário desse direito dele utilizar-se para chegar ao poder e dizimar o patrimônio público. A liberação do acesso aos cargos da Administração à pessoa comprovadamente desonesta atenta contra a própria sobrevivência do Estado enquanto veículo de realização dos mesmos interesses coletivos.
De outro lado, cumpre analisar a questão da insanabilidade das irregularidades verificadas no âmbito do Tribunal de Contas e referendada pela Câmara Municipal de Vereadores de Irará-Bahia. Uma irregularidade é dita insanável quando não puder ser convalidada. Ou seja, quando se tratar de irregularidade que não envolva apenas de violação a aspectos formais, mas que está contida na essência do próprio ato examinado, impossível de ser corrigida. Nas palavras de CÂNDIDO (1999, P. 185) representa uma irregularidade “insuprível e acarreta uma situação de irreversibilidade na administração pública e seus interesses, além de se caracterizar como improbidade administrativa”.
“Tal decisão, para ensejar a anexação desse efeito cominatório, deverá versar sobre a rejeição de contas por existência de irregularidade insanável, assim compreendidas também aquelas irregularidades que não tragam prejuízo ao erário, mas que atentem contra a moralidade, a economicidade, a razoabilidade, a publicidade, ou qualquer outro valor tutelado pelo ordenamento jurídico.”
Também CASTRO (2008, 223) compartilha do entendimento de que a “irregularidade insanável, capaz de gerar a inelegibilidade desta alínea, é aquela que traz em si a nota da improbidade administrativa, por causar prejuízo ao patrimônio público ou atenta contra os princípios norteadores da Administração”.
O Tribunal Superior Eleitoral entende que irregularidade insanável “é aquela que indica ato de improbidade administrativa, assim como definida na Lei nº 8.429/92 ou qualquer forma de desvio de valores” (Recurso Ordinário nº 588/PR, Relator Min. Fernando Neves. Publicado em sessão em 23.09.2002). Observa-se que o traço distintivo de uma irregularidade sanável de outra dita insanável está, portanto, não apenas vinculada à questão da correção do ato, mas também na nota de má-fé por parte do agente.
Sob esse ângulo, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que “a má-fé, consoante cediço, é premissa do ato ilegal e ímprobo e a ilegalidade só adquire o status de improbidade quando a conduta antijurídica fere os princípios constitucionais da Administração Pública coadjuvados pela má-intenção do administrador” (REsp 909446/RN, DJe 22.04.2010)
Por outro lado, a Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010, que alterou a redação conferida ao art. 1º, inciso I, alínea “g” da Lei Complementar nº 64/90, adotou o entendimento adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral, ao determinar que somente será configurada a inelegibilidade quando “configure ato doloso de improbidade administrativa”.
Esse também é o pensamento de CÂNDIDO (1999, p. 187) que defende que “compete à Justiça Eleitoral apontar, frente ao caso concreto, se a irregularidade é sanável ou insanável, bem como se ela se elege, ou não, como improbidade administrativa, para os fins a que se refere o art. 1º, I, e, da LC nº 64/90, ora resumidamente aqui analisado”.
DA REJEIÇÃO DAS CONTAS PELA CÂMARA MUNICIPAL DE
IRARÁ-EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2008.
Excelência, é fato incontroverso que quem julga as contas de Prefeito é a Câmara Municipal de Vereadores, não restando maiores desdobramentos sobre o tema que inclusive encontra-se pacificado em nossa Suprema Corte, senão vejamos:
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. COMPETÊNCIA PARA JULGAR CONTAS DO CHEFE DO EXECUTIVO. A questão posta nos autos --- competência exclusiva da Câmara Municipal para julgar as contas do Chefe do Executivo, atuando o Tribunal de Contas como órgão opinativo --- nitidamente ultrapassa os
interesses subjetivos da causa.
(RE 597362 RG, Relator(a): Min. EROS GRAU, julgado em 09/04/2009, DJe-104 DIVULG 04-06-2009 PUBLIC 05-06-2009 EMENT VOL-02363-11 PP-02291 )
Nesta esteira de entendimento, a Câmara Municipal de Irará, seguindo o parecer técnico nº167\11 exarado pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, rejeitou as contas do ex-gestor, ora impugnado, Sr. Juscelino Souza dos Santos referente ao exercício de 2008, comprovado através do Decreto Legislativo nº05 de 04 de junho de 2013.(cópia do decreto legislativo anexo).
Logo, resta claro que o Sr.Juscelino Souza dos Santos encontra-se inelegível sob todos os fundamentos e entendimentos admitidos em nosso ordenamento jurídico pátrio, quer seja a corrente que defende os termos da Lei da Ficha Limpa em sua plenitude e alcance, quer os que defendem os últimos entendimentos do STF sobre a competência exclusiva da Câmara de Vereadores para julgar as contas do prefeito. Ademais a Câmara de Vereadores nada mais fez que convalidar o Parecer Técnico do Tribunal de Contas quando identificou os atos insanáveis configuradores de improbidade administrativa.
DA CONDENAÇÃO PELO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DA BAHIA TCM-BA-DELIBERAÇÃO Nº646\2012-TERMO DE OCORRÊNCIA Nº06121\12 EM RAZÃO DO DESCUMPRIMENTO DO PARECER PRÉVIO Nº212\11
O Tribunal de Contas dos Municípios-TCM\BA, condenou o ora impugnado Juscelino Souza dos Santos, conforme deliberação 646\2012 por falta de
justificativa e comprovação documental das saídas de numerário da conta específica do FUNDEB, condenando o mesmo ao ressarcimento com recursos pessoais da quantia de R$20.522, 74(vinte mil, quinhentos e vinte e dois reais e setenta e quatro centavos), além de multa no valor de R$800,00(oitocentos reais), conforme cópia da decisão anexa.
Conforme se depreende o impugnado é recorrente e contumaz na prática de violação dos Princípios Norteadores da Administração Pública, notadamente quando por reiteradas vezes se nega a cumprir as exigências impostas pela lei.
DO DIREITO
Há que se ressaltar que a lesão à moralidade na gestão pública e à probidade administrativa são questões essenciais ao próprio Estado Democrático de Direito e é da essência do modelo representativo que o agente eleito pelo povo exerça o poder em seu nome, como seu mandatário. Tal prerrogativa não pode ser conferida a pessoa que, no exercício desse mandato utilize a função pública para auferir benefícios particulares, ou para beneficiar a terceiros em detrimento da coletividade, como tem sido a prática recorrente do ora Representado. A Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) é o instrumento jurídico adequado para livrar a administração pública e a sociedade de tão grande dano.
A Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) destina-se ao reconhecimento da inelegibilidade do candidato, seja por ausência de alguma/s das condições de elegibilidade, seja por incidência de alguma/s das causas de inelegibilidade.
A representação em apreço encontra respaldo na Lei Complementar n.º 64/90, que em seus artigos 3º e 24, dispõem:
Art. 3º. Caberá a qualquer candidato, a partido político, coligação ou ao Ministério Público, no prazo de 5 (cinco) dias, contados da publicação do pedido de registro do candidato, impugná-lo em petição fundamentada.
Art. 24 -Nas eleições municipais, o Juiz Eleitoral será competente para conhecer e processar a representação prevista nesta Lei Complementar, exercendo todas as funções atribuídas ao Corregedor-Geral ou Regional, constantes dos incisos I a XV do art. 22 desta Lei Complementar, cabendo ao representante do Ministério Público Eleitoral em função da Zona Eleitoral as atribuições deferidas ao Procurador-Geral e Regional Eleitoral, observadas as normas do procedimento previstas nesta Lei Complementar.
Conforme se depreende a AIRC é a via processual adequada para a argüição de inelegibilidades constitucionais (art. 14, §§ 3º, 4º, 6º e 7º, da CF/88) e infraconstitucionais (LC 64/90).
A presente Impugnação tem fundamento na configuração de inelegibilidade do Impugnado por ato de improbidade, com base na Lei Complementar 64/90, art. 1º, I, "g" , após as alterações da Lei Complementar 135/2010, a qual assim ficou evidente:
"Art. 1º São inelegíveis: I - para qualquer cargo:
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição.
O parágrafo 9º do artigo 14 da Constituição Federal estabelece o princípio da moralidade como condição de elegibilidade deixando claro que só pode ser candidato aquele que atender a este preceito constitucional. A Carta Magna determina que seja considerada a vida pregressa do candidato, senão vejamos:
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito;
II - referendo; III - iniciativa popular (...)
§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 4, de 1994)".
Percebe-se, claramente, que a norma contida no § 9º do artigo 14 da CF tem uma finalidade específica, qual seja, proteger a probidade administrativa e a moralidade para o exercício do mandado, considerando, para tanto, a vida pregressa do candidato. Nesse sentido, é perfeitamente possível constatar a preponderância do elemento teleológico para a interpretação do referido dispositivo.
A sociedade brasileira, com o intuito de se prevenir contra atos de improbidade e garantir a transparência na gestão da coisa pública, através de seus representantes Constituintes, inseriu na Carta Política de 1988 princípios a que deve ser submetida a Administração Pública e ao mesmo tempo prevê a sanção para aqueles que violam tais princípios veja-se: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
(...)”.
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação prevista em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
A probidade administrativa é uma forma de moralidade administrativa que mereceu consideração especial da Constituição, que pune o ímprobo com a suspensão de direitos políticos (art. 37, §4º). A probidade administrativa consiste no dever de o “funcionário servir a administração com honestidade, procedendo no exercício das suas funções, sem aproveitar os poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira favorecer”. O desrespeito a esse dever é que caracteriza a improbidade administrativa. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e correspondente vantagem ao ímprobo ou outrem”. (In: Curso de Direito Constitucional Positivo, 26ª ed. Malheiros Editores: São Paulo, 2006. p. 668).
Em uma análise sistemática, a própria Lei Complementar 64/90, em seu artigo 23, afirma a existência do princípio da moralidade na seara eleitoral. E o legislador vai mais além: permitiu ao tribunal analisar caso a caso se aquele candidato ao cargo público é suspeito ou insuspeito, in verbis:
Art. 23. O Tribunal formará sua convicção pela livre apreciação dos fatos públicos e notórios, dos indícios e presunções e prova produzida,
atentando para circunstâncias ou fatos, ainda que não indicados ou alegados pelas partes, mas que preservem o interesse público de lisura eleitoral.
Recurso Eleitoral. Registro de candidatura. DRAP. Coligação majoritária e proporcional. Ata de convenção do DEM.Coligação majoritária. Ausência do nome de todos os partidos. Deferimento parcial. Exclusão dos partidos nãocitados.Omissão na ata de convenção do Democratas. Ausência de indicação dos nomes de todos os partidos integrantes da coligação. Falha suprida por meio de elementos constantes nas demais atas, que indicam a convergência de vontades dos partidos paracompor coligação majoritária. Deferimento do pedido de habilitação corn todos os partidos indicados no DRAP. Recurso a que se dá provimento.
(TRE-MG - REL: 20970 MG, Relator: MAURÍCIO PINTO FERREIRA, Data de Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 14/08/2012).
RECURSO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2016. REGISTRO DE CANDIDATURA. INDEFERIMENTO. DRAP. IRREGULARIDADE. CONVENÇÃO PARTIDÁRIA. AUSÊNCIA DO NOME DE ALGUNS DOS PARTIDOS.
INDICAÇÃO. NOME. VICE-PREFEITO.
INTEMPESTIVIDADE. IRREGULARIDADE SANÁVEL. POSSIBILIDADE. COMPLEMENTAÇÃO. ÓRGÃO PARTIDÁRIO. PROVIMENTO. 1. A ausência dos nomes de alguns dos partidos que compõe a coligação, nas atas das convenções de outros, no caso concreto, configurou mera irregularidade formal, tendo em vista que, do conjunto das circunstâncias, depreender-se que era intenção de todas as agremiações coligar ao pleito majoritário; 2. A ausência do nome do Candidato a Vice-Prefeito na ata de convenção do partido ao qual filiado consiste em mero erro formal, cuja omissão pode ser suprida pelo órgão de direção partidária (desde que não contrarie o que deliberado em convenção), tratando-se de mera complementação, não havendo que se falar em intempestividade na escolha do candidato. 3. Recurso conhecido e provido para deferir o registro da Coligação ao pleito majoritário.
(TRE-PA - RE: 9393 NOVO REPARTIMENTO - PA, Relator: CARLOS JEHÁ KAYATH, Data de Julgamento:
23/09/2016, Data de Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 23/09/2016)
DO PEDIDO
Pelo exposto, conclui-se que o IMPUGNADO, Sr. JUSCELINO SOUZA DOS SANTOS não reúne condições de elegibilidade, uma vez que teve as contas municipais sob sua gestão REJEITADAS pelo TCM e pela Câmara de Vereadores do Município de Irará-Bahia. Portanto, nos termos da legislação supra citada, requer-se, observados o rito processual e o prazo consignado no artigo 3º da Lei Complementar 64/90, seja julgada procedente a presente impugnação e reconhecida à inelegibilidade do impugnado, e indeferido o pedido de registro da sua candidatura.e visando a efetivação dos princípios da moralidade e da prevenção social, haja vista que o mesmo teve as contas dos exercícios financeiros de 2006 e 2008, julgadas rejeitadas pelo TCM-BA e Câmara Municipal de Irará-Bahia, além de ter sido condenado em vários termos de ocorrências pelo TCM-Bahia;
Protesta provar o alegado por todos meios em direito admitidos, especialmente depoimentos pessoal e a juntada de documentos.
Nestes termos Pedem deferimento.
Irará, 04 de setembro de 2020.
ANTONIO CESAR OLIVEIRA JÚNIOR OAB\BA nº31.735
Tatiana Rocha de Aragão Miranda. OAB/BA 14.084
Isadora Oliveira Santos Ferreira 65064 OAB BA