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Relatório de Estágio Profissionalizante

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Farmácia Maia

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Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia Maia

maio de 2020 a outubro de 2020

António de Melo Pinto

Orientador: Dr. Luís Miguel Maia

Tutor FFUP: Prof. Doutora Manuela Morato

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Declaração de Integridade

Declaro que o presente relatório é de minha autoria e não foi utilizado previamente noutro

curso ou unidade curricular, desta ou de outra instituição. As referências a outros autores

(afirmações, ideias, pensamentos) respeitam escrupulosamente as regras da atribuição, e

encontram-se devidamente indicadas no texto e nas referências bibliográficas, de acordo

com as normas de referenciação. Tenho consciência de que a prática de plágio e

auto-plágio constitui um ilícito académico.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 15 de novembro de 2020

António de Melo Pinto

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Agradecimentos

Há 5 anos iniciava a caminhada que se viria a tornar na etapa mais desafiante, difícil e prazerosa

da minha vida. Há 5 anos entrava sozinho pela porta da Faculdade de Farmácia da Universidade

do Porto envolto de medos, receios e angústias. Há 5 anos abandonava a minha zona de conforto

e a cidade que me viu nascer e crescer para abraçar uma cidade grande, nova e totalmente diferente

daquilo que estava habituado. Agora, passados 5 anos saio feliz por todos os momentos que

colecionei, por todas as amizades que ganhei e por todo o amor que senti. Saio com a certeza de

que tomei a melhor opção quando decidi embarcar nesta aventura, olhando para trás sem qualquer

arrependimento e muito feliz por ter acertado. Resta-me agradecer a todas as pessoas que

contribuíram para esta etapa da minha vida.

Começando pela Farmácia Maia, a casa que me acolheu durante os meus últimos 5 meses do

estágio curricular e à qual tenho tanto a agradecer. Agradecer à Dra. Maria Adoração Maia por

ser um exemplo de resiliência e por me receber todos os dias com um sorriso e uma palavra de

carinho. Ao Dr. Luís Miguel pela forma como recebeu, pela confiança com que me presenteou,

por todos os bons momentos vividos, pela forma como me transmitiu conhecimentos de forma

tão prática e pela disponibilidade em explicar as dúvidas que me iam surgindo. À Diana

Conceição por me ter recebido muito bem e por estar sempre pronta a ajudar e a explicar. À

Paulinha por ser um exemplo de força, superação, combatividade e ao mesmo tempo um exemplo

de boa disposição. Agradecer à Paulinha por todos os lanchinhos que me proporcionou e pelos

bons momentos. Finalmente, à minha amiga Márcia Amélia por me ter aturado durante os 5 meses

sempre com boa disposição e sempre disponível para me ajudar a evoluir enquanto pessoa e

profissional, vão ficar na minha memória todos os bons momentos que partilhámos e mais que

uma colega ganhei uma amiga. Uma palavra também para a minha Xandrinha que foi, com muita

sorte a minha, a minha companheira durante toda a minha vida académica e para a Rita Teixeira,

que partilharam o local de estágio comigo e que contribuíram para o bom ambiente do mesmo.

Passando pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, gostaria de agradecer a todo o

corpo docente pelos ensinamentos que me incutiram ao longo dos últimos 5 anos, em especial à

Comissão de Estágios e mais especificamente à minha tutora, a Prof. Doutora Manuela Morato,

por toda a disponibilidade, acessibilidade e por me ter orientado de forma muito prática e

eficiente, ao Prof. Doutor Agostinho Almeida por apoiar o meu período de Erasmus. Ao corpo

não docente, uma palavra de agradecimento por toda a paciência, boa disposição e por me terem

feito sentir em casa, foram uma parte muito importante no meu percurso académico.

À Sara Pereira, por ser o meu porto de abrigo, por ser a pessoa que melhor me percebe, por me

ouvir, por me aconselhar e por me amar. Obrigado por nunca me teres deixado desistir e me teres

feito acreditar que eu era capaz quando nem eu próprio acreditava. Obrigado à Faculdade por ter

feito com que os nossos caminhos se cruzassem.

Ao meu GdP, nomeadamente Ana Esperança, Beatriz Giesta, Diogo Fernandes, Diogo Monteiro,

Inês Santos, José Mesquita, Nelson Penelas, Pedro Ribeiro, Rafaela Oliveira, Renato Cruzeiro e

Vítor Gonçalves, por terem sido a minha família durante os 5 anos de faculdade, por terem

partilhado comigo muitos momentos de alegria, mas também momentos de tristeza. Foram vocês

que tornaram esta etapa, a melhor da minha vida. Fica a certeza de que “Isto não acaba aqui”.

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iv

Um agradecimento especial aos meus companheiros de Erasmus, Vítor, Beatriz e José, por se

aventurarem comigo, por todos os bons momentos, por me apoiarem e por me respeitarem. Foram

uns companheirões. Grazie mille.

Aos colegas, amigos de faculdade e afilhada que me acompanharam durante os 5 anos mais

difíceis e gratificantes das nossas vidas, um grande obrigado por terem feito parte da minha

história na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, por me terem acompanhado em

noites intermináveis de estudo e de festa. Foi um prazer partilhar com vocês todos os bons e maus

momentos sabendo que vão ficar para sempre no meu coração.

Tudo isto não seria possível sem o apoio da minha família, mais especificamente, das mulheres

da minha vida, a minha mãe, a minha tia e a minha avó. À minha mãe agradeço toda a educação

e valores por ela incutidos, todos os sacrifícios por ela realizados para que eu pudesse ter todas as

oportunidades para crescer e ser mais e melhor. Agradecer ainda por ser a minha companheira de

vida e por ser a mãe guerreira que toda a gente proclama e em quem tenho tanto orgulho. À minha

tia Cristina, por ser a pessoa mais parecida comigo, por ser a pessoa que me protegeu sempre que

precisei, por ser uma segunda mãe sempre que foi preciso e por ser a pessoa mais altruísta e com

melhor coração que conheço. À minha avó Zezinha, um grande obrigado por ser a minha

companheira, por me ter apoiado durante esta caminhada e por ser a pequenina grande mulher

que é. Às 3, um grande obrigado por todos os sacrifícios e desafios que tiveram de ultrapassar

para que eu pudesse atingir o sucesso, esta conquista é nossa.

À minha restante família, em especial à minha avó Claudete, agradecer por todo o apoio ao longo

da minha vida e por terem contribuído para que pudesse atingir os meus objetivos.

Ao Pedro, por me apoiar permanentemente mesmo quando a distância é muita, por se preocupar

comigo e por ser um grande apoio.

Às tias e tios por afinidade, em especial à minha tia Clarinha, por todo o carinho com que sempre

me trataram, por apoiarem a minha mãe e por me apoiarem a mim.

A todos os meus amigos da Mealhada, obrigado por serem os amigos com quem esqueci todos os

problemas e por me acompanharem desde sempre.

Finalmente, gostaria de agradecer e dedicar esta conquista ao meu pai, Paulo Pinto, aos meus

avôs, José Alberto Melo e António Pinto, por me terem guiado ao longo de todos os anos. Espero

que estejam tão felizes como eu estou. Esta conquista é para vocês e por vocês.

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Resumo

A última etapa do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas corresponde ao estágio curricular em Ciências Farmacêuticas onde são adquiridos conhecimentos técnico-científicos inerentes ao ato farmacêutico. Por outro lado, atualmente pede-se a um farmacêutico que domine mais do que o conhecimento científico, é necessário que domine outras valências, nomeadamente no contacto com o publico, ao nível de saber ouvir, saber tranquilizar e saber comunicar. O estágio curricular surge assim como um desafio ao estudante no qual este funde a valência do conhecimento com a valência da comunicação.

Assim, o presente relatório é relativo ao estágio por mim realizado na Farmácia Maia desde o dia 18 de maio de 2020 ao dia 24 de outubro de 2020. O relatório encontra-se dividido essencialmente em duas partes, na primeira são abordadas todas as atividades, inerentes à dinâmica da farmácia, por mim realizadas e a minha avaliação relativamente às mesmas. Na segunda parte do relatório são apresentados os projetos por mim elaborados e aplicados na Farmácia Maia onde se destaca a campanha de promoção à vacinação denominada “Vacinação em Farmácia”, a qual consistiu na realização de um inquérito à população, num cartaz, num panfleto e em esquemas-resumo. O segundo projeto corresponde a uma formação interna realizada à equipa da Farmácia Maia tendo como tema a “Influência da Dieta na Farmacoterapia”.

Concluindo, o relatório consiste assim no documento no qual partilho todas as vivências e todos os conhecimentos adquiridos durante o período de estágio realizado na Farmácia Maia.

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Índice

Declaração de Integridade ... ii

Agradecimentos ... iii

Resumo ... v

Lista de Abreviaturas ... viiI Parte I – ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA FARMÁCIA COMUNITÁRIA ... 1

1. Farmácia Maia ... 1

1.1. Introdução ... 1

1.2. Localização Farmácia Maia e Horário de Funcionamento... 1

1.3. Recursos Humanos... 2

1.4. Instalações ... 2

1.4.1. Internas ... 2

1.4.1.1. Área de Atendimento ao Público ... 2

1.4.1.2. Sala de atendimento ... 3

1.4.1.3. Backoffice ... 3

1.4.1.4. Escritório do Diretor Técnico ... 3

1.4.2. Externas ... 3 1.5. Utente ... 3 1.6. Fontes de Informação ... 4 2. Gestão da Farmácia ... 4 2.1. Software SPharm® ... 4 2.2. Gestão de Stocks... 5 2.3. Encomendas ... 6

2.3.1. Fornecedores e Realização de Encomendas ... 6

2.3.2. Receção de Encomendas ... 6

2.4. Devoluções e regularizações de produtos ... 7

2.5. Armazenamento ... 7

2.6. Conferência de Prazos de Validade e Conferência de stocks... 8

2.7. Reservas ... 9

2.8. Via Verde do Medicamento ... 9

3. Dispensa de Medicamentos e Produtos de Saúde (MPS) ... 10

3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) ... 10

3.1.1. Prescrição Médica ... 10 3.1.2. Regime de comparticipação ... 12 3.1.3. Processamento do Receituário ... 13 3.2. Psicotrópicos e Estupefacientes ... 13 3.3. Medicamentos manipulados ... 14 3.4. Medicamentos Genéricos (MG)... 14

3.5. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) e Automedicação ... 14

3.6. Medicamentos de Uso Veterinário (MUV) ... 16

3.7. Medicamentos Homeopáticos ... 16

3.8. Suplementos Alimentares e Produtos Fitoterápicos... 17

3.9. Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal ... 17

3.10. Dispositivos médicos (DM) ... 17

3.11. Produtos de Puericultura ... 18

3.12. Preparações Extemporâneas ... 18

4. Serviços Prestados na FM ... 18

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4.2. Programa Troca de Seringas (PTS) ... 19

4.3. Consulta de Nutrição Dieta EasySlim® ... 19

4.4. Administração de vacinas ... 19

4.5. Valormed ... 20

4.6. Operação Luz Verde ... 20

5. Formação contínua ... 20

Parte II – PROJETOS DESENVOLVIDOS NO ESTÁGIO ... 21

1. Projeto I – Vacinação em Farmácia ... 21

1.1. Enquadramento teórico ... 21

1.1.1. Imunidade Inata e Adquirida ... 21

1.1.2. Imunização Ativa e Vacinas ... 23

1.1.3. Tipos de vacinas ... 23

1.1.4. Programa Nacional de Vacinação (PNV) ... 25

1.1.5. Vacinas Extra-PNV ... 26

1.1.5.1. Vacinas contra a Neisseria meningitidis ... 26

1.1.5.2. Vacinas contra o vírus do Papiloma Humano (HPV) no rapaz ... 27

1.1.5.3. Vacinas contra Rotavírus ... 27

1.1.5.4. Vacinas contra varicela ... 28

1.2. Enquadramento Prático, Métodos e Objetivos ... 28

1.3. Resultados ... 29

1.4. Discussão dos Resultados e Conclusão ... 30

2. Projeto II – Influência da Dieta na Farmacoterapia... 31

2.1. Enquadramento Teórico ... 31

2.1.1. Interações Alimentos – Medicamentos ... 31

2.1.2. Mecanismos de Interação Alimentos – Medicamentos... 31

2.1.3. Interações Prejudiciais ... 35

2.1.3.1. Alimentos Ricos em Tiramina – Inibidores da MAO ... 35

2.1.3.2. Alimentos Ricos em Vitamina K – Varfarina ... 35

2.1.3.3. Sumo de Toranja ... 35

2.1.3.4. Erva de São João ou Hypericum perforatum ... 36

2.1.3.5. Chá verde ou Camellia sinensis ... 36

2.1.3.6. Leite ... 36

2.1.3.7. Alimentos ricos em ácido fítico e ácido oxálico - Micronutrientes ... 37

2.1.4. Interações Benéficas ... 37

2.1.4.1. Vitamina D – Alimentos ricos em gordura ... 37

2.1.4.2. Ferro – Vitamina C ... 37

2.1.5. Efeitos de nutrientes na melhoria do efeito de medicamentos ... 38

2.1.5.1. Fitoesterois - Estatinas ... 38

2.2. Enquadramento Prático, Objetivos e Métodos ... 38

2.3. Resultados ... 38

2.4. Discussão dos Resultados e Conclusão ... 39

3. Conclusão Global ... 40

Referências Bibliográficas ... 41

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Lista de Abreviaturas

AAG Alfa-1 Glicoproteína Ácida

ADM Assistência na Doença aos Militares das Forças Armadas ADSE Instituto de Proteção e Assistência na Doença AIM Autorização de Introdução ao Mercado ANF Associação Nacional de Farmácias APC Antigen-Presenting Cell ARS Administração Regional de Saúde BCRP Breast Cancer Resistance Protein Cl Clerance

CM Chylomicrons

DCI Denominação Comum Internacional DGS Direção-Geral de Saúde

DIM Doença Invasiva Meningocócica DM Dispositivos Médicos DT Diretor Técnico EGCG Galato de Epigalocatequina Fab Fragment-antigen binding FEFO First Expire First Out FM Farmácia Maia

FP9 Farmacopeia Portuguesa 9.0 GEA Gastrenterite Aguda GI Gastrointestinal HDL High Density Lipoprotein Hib Haemophilus influenzae tipo b HPV Virus do Papiloma Humano HZ Herpes Zoster

IECA Inibidor da Enzima de Conversão da Angiotensina IMAO Inibidor da Monoamino Oxidase

LDL Low Density Lipoprotein

MATE Multidrug and Toxin Extrusion proteins MenB Vacina meningocócica do grupo B MG Medicamento Genérico

MHC Complexo Principal de Histocompatibilidade MNSRM Medicamento Não Sujeito a Receita Médica MNSRM-EF Medicamento Não Sujeito a Receita Médica de dispensa Exclusiva em Farmácia

MPS Medicamentos e Produtos de Saúde MRP Multidrug Resistance Protein MSRM Medicamento Sujeito a Receita Médica MUV Medicamento de Uso Veterinário OAT Organic Anion Transporter

OATP Organic Anion Transporting Polypeptides OCT Organic Cation Transporter

OMS Organização Mundial de Saúde PAMP Pathogen-Associated Molecular Pattern

P-gP Glicoproteína P

PNV Programa Nacional de Vacinação PRR Pattern Recognition Receptors

PTS Programa de Troca de Seringas PVF Preço de Venda à Farmácia PVP Preço de Venda ao Público PXR Pregnane-X-Receptor

RM Receita Médica

SABA Solução Antissética de Base Alcóolica

SAMS Serviço de Assistência Médico-Social do Sindicato Quadros Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários SI Sistema Informático

SIP Sociedade de Infeciologia Pediátrica SNS Serviço Nacional de Saúde SPP Sociedade Portuguesa de Pediatria

TDAH Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade UGT Glucuronosiltransferase

VASPR Vacina contra Sarampo, Parotidite epidémica e Rubéola

Vd Volume de Distribuição

VIH Virus da Imunodeficiência Humana

VKORC1 Complexo 1 da Vitamina K Epóxido Redutase VLDL Very Low-Density Lipoprotein

VVZ Virus Varicela-Zoster XO Xantina Oxidase

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Parte I – ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA FARMÁCIA COMUNITÁRIA 1. Farmácia Maia

1.1. Introdução

O estágio profissionalizante corresponde à última etapa na formação de um farmacêutico correspondendo assim ao momento onde devemos aplicar e consolidar tudo o que aprendemos ao longo dos últimos cinco anos e ainda adquirir outras valências. Esta etapa desempenha também um papel muito importante no que diz respeito ao contacto com outras pessoas, ao nível da equipa da farmácia ou ao nível do contacto com os utentes. Desta forma, o estágio constitui uma etapa de aprendizagem profissional, mas acima de tudo pessoal.

Ao longo do estágio curricular realizado na Farmácia Maia (FM) pude vivenciar e aprender todos os processos inerentes à dinâmica de uma farmácia comunitária e do ato farmacêutico. Todos os aspetos supracitados encontram-se assim relatados na primeira parte do presente relatório. Por outro lado, tive a oportunidade de elaborar e colocar em prática dois projetos com o intuito de trazer benefícios à farmácia e aos utentes com quem contactei. Por sua vez, os projetos encontram-se analisados na segunda parte do relatório, onde explico os projetos elaborados, os métodos e ainda os resultados obtidos com os mesmos.

Assim, as atividades realizadas na FM foram distribuídas temporalmente de forma a que eu adquirisse o máximo de conhecimento e as realizasse de forma mais eficiente, sendo que após a aprendizagem de uma tarefa, esta foi por mim realizada autonomamente e de forma constante ao longo do restante estágio. As atividades por mim realizadas encontram-se representadas na Tabela.1 de forma a que seja percetível a minha evolução durante o estágio realizado.

1.2. Localização Farmácia Maia e Horário de Funcionamento

Na interceção da Rua Arquitecto Marques da Silva com a Rua do Campo Alegre localiza-se a FM fazendo parte integrante de um prédio habitacional, sendo que a FM corresponde ao rés-do-chão do mesmo edifício. A FM localiza-se, portanto, numa das principais artérias da cidade do Porto numa zona bastante movimentada onde se encontram diferentes serviços, desde restaurantes, laboratório de análises clínicas, escola, correios e hotéis. Esta variedade de serviços na zona envolvente da FM faz com que os utentes que recorrem à mesma apresentem situações muito diversificadas desde diferentes faixas etárias e até diferentes nacionalidades. O facto de a FM estar inserida num edifício habitacional faz com que os moradores passem

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pela FM e cumprimentem os seus colaboradores diariamente estabelecendo-se uma relação de entreajuda e respeito muito importante.

A FM durante as primeiras semanas de estágio e fruto das condicionantes inerentes à pandemia funcionou das 9h-19h durante a semana e ao sábado das 9h-14h. Posteriormente alterou o seu horário passando a funcionar das 8h30-20h e ao sábado das 8h30-14h.

1.3. Recursos Humanos

De acordo com o Decreto-Lei nº307/2007, de 12 de junho, a equipa da Farmácia Maia deve ser constituída por dois farmacêuticos de forma a que aquando da ausência do Diretor Técnico (DT) exista um farmacêutico capaz de o substituir1. Desta forma a equipa da FM é constituída por duas técnicas de farmácia, Dra. Márcia Sousa e Dra. Ernestina Bicho e por três farmacêuticos, Dr. Luís Miguel Maia, Dra. Diana Conceição e a Dra. Maria Adoração Maia, sendo a última a DT e proprietária da FM. As consultas de nutrição realizadas na FM encontram-se à responsabilidade da Dra. Ana Moreira e são realizadas semanalmente. A equipa da farmácia fica assim completa com duas auxiliares de limpeza. Durante o período de estágio coincidi na FM com duas colegas estagiárias, Alexandra Barbosa e Ana Rita Teixeira também estudantes do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas.

1.4. Instalações 1.4.1. Internas

As instalações da FM encontram-se divididas na área de atendimento ao público, numa casa de banho, numa sala de atendimento, num escritório do diretor técnico, backoffice e um pequeno armazém seguindo o artigo 29º do Decreto-Lei nº307/2007 e garantindo desta forma “a segurança, conservação e preparação dos medicamentos” assim como “a acessibilidade, comodidade e privacidade dos utentes e do respetivo pessoal.”1

1.4.1.1. Área de Atendimento ao Público

A área de atendimento ao público está dividida em 4 balcões de atendimento, no entanto devido às medidas de distanciamento social aplicadas a espaços fechados derivadas da pandemia da COVID-19 apenas dois balcões se encontram em funcionamento. De referir que em todos os balcões de atendimento ao público se encontram acrílicos a fazer de barreira entre o funcionário da farmácia e o utente sendo que no inicio do meu estágio existiam também fitas de forma a sinalizar a distância de segurança a que os utentes se deviam encontrar do balcão de atendimento. É também na área de atendimento ao publico que podemos observar Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) expostos em lineares nos quais podemos observar desde produtos de dermocosmética, a produtos de puericultura, antigripais entre outros MNSRM. Os MNSRM encontram-se ainda armazenados nas gavetas localizadas na área de atendimento ao público uma vez que são medicamentos com muita procura e por isso encontram-se numa zona de fácil acesso. As medições bioquímicas e a medição da tensão arterial passaram a ser aqui realizadas de forma a assegurar um maior distanciamento e evitar a entrada dos utentes no interior da sala de atendimento, o que poderia colocar em risco os colaboradores da FM. Segundo a Resolução do Conselho de Ministros n.º 33-A/2020, a FM disponibiliza também na zona de atendimento ao público um dispensador de Solução Antissética de Base Alcoólica (SABA) para usufruto dos utentes.2

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3

As medidas de distanciamento e a colocação de acrílicos a meu ver não influenciaram em nada a minha aprendizagem, considerando mesmo que os acrílicos devem ser uma medida que deve permanecer no pós-pandemia, pois garantem uma maior segurança quer para o utente quer para os funcionários da farmácia.

1.4.1.2. Sala de atendimento

A sala de atendimento é o local onde se realizam as consultas de nutrição EasySlim® e onde se localiza um pequeno laboratório onde foi possível a preparação de SABA, sendo aqui também que se realizam as administrações de injetáveis e onde se encontra o frigorifico que armazena todos os medicamentos termolábeis que necessitam de ser acondicionados a condições especificas. Anteriormente à pandemia, era aqui que se realizavam todos os serviços farmacêuticos devido à maior privacidade e comodidade.

1.4.1.3. Backoffice

No backoffice podemos encontrar um balcão com um computador com o respetivo Sistema Informático (SI) onde se realiza a receção de encomendas, a posterior gestão de reservas, a conferência de faturas e onde se verificam os preços de venda ao público (PVP) e os preços de venda à farmácia (PVF). Numa zona adjacente ao balcão estão armazenados todos os Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) e alguns MNSRM.

1.4.1.4. Escritório do Diretor Técnico

O escritório do diretor técnico corresponde ao local onde o mesmo realiza formações e reuniões com representantes dos diversos laboratórios e de diferentes entidades como a Associação Nacional de Farmácias (ANF). O escritório era assim o local onde se trata de decisões comerciais e burocráticas.

1.4.2. Externas

Relativamente às Instalações Externas, a FM carateriza-se por uma grande fachada verde com o letreiro “Farmácia Maia” e uma cruz verde na qual é possível observar o horário de funcionamento da FM. A FM apesar de se localizar num prédio habitacional apresenta uma entrada independente do restante prédio, o que facilita a separação do fluxo para a FM e para os habitantes do prédio. Nas vitrines da FM podemos observar diverso material publicitário assim como informações relevantes à frequência da mesma.

Durante o meu estágio ajudei a colocar marcas no chão no exterior da FM de forma a que os utentes respeitassem a distância de segurança e colaborei em todas as atividades necessárias à manutenção das instalações externas.

1.5. Utente

O utente assume um papel central no funcionamento da FM, ou seja, todas as decisões tomadas na dinâmica da FM são com o objetivo de trazer benefícios à saúde de todas as pessoas que frequentam a farmácia. Os utentes caraterizam-se por serem de diversas faixas etárias, desde pessoas mais novas a pessoas mais idosas, cada qual com problemas inerentes às suas idades.

Os utentes habituais eram assim pessoas polimedicadas, sendo as principais patologias apresentadas a Hipertensão Arterial, a Diabetes Mellitus, a Osteoporose e doenças do foro psiquiátrico. Por outro lado, eram comuns utentes com problemas pontuais desde sintomas gripais, a problemas gastrointestinais ou a problemas alérgicos que vinham à FM pedir o respetivo aconselhamento farmacêutico e a consequente indicação. Outro dos aspetos que considerei mais gratificante na realização deste estágio foi o facto de poder praticar diferentes línguas para comunicar com o utente, tendo praticado o inglês, o

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espanhol e o italiano. Desta forma, este contactar com utentes de diferentes nacionalidades e origens também contribuiu para o meu desenvolvimento pessoal e profissional. A FM pauta-se não só por um atendimento eficiente mas por um atendimento agradável e simpático que se foca no bem estar do utente, sendo que essa forma de atendimento se reflete numa fidelização e no estabelecimento de uma relação de amizade e carinho entre os utentes da FM e os seus colaboradores.

Desta forma, os utentes olham para a FM como um local onde são bem recebidos, ouvidos com atenção e tratados da melhor forma sempre com o bem-estar do utente como foco principal.

1.6. Fontes de Informação

Inerente à profissão farmacêutica encontra-se a obrigação do farmacêutico se encontrar informado e atualizado no que diz respeito a todos os assuntos relacionados com o ato farmacêutico, ainda para mais numa altura de pandemia como a que vivemos atualmente.

Desta forma, a principal fonte de informação existente na FM corresponde ao Sistema Informático (SI) onde podemos encontrar a informação necessária a um ato farmacêutico eficiente. Uma vez que existe um fácil acesso à internet em toda a FM, é possível também utilizar fontes de informação como o Infomed ou o Drugs.com. Por outro lado, é possível ainda na FM consultar outras fontes de informação como a Farmacopeia Portuguesa 9 (FP9), o Prontuário Terapêutico, o Formulário Galénico Português e o Índice Nacional Terapêutico.

Durante o meu estágio recorri essencialmente ao Resumo das Caraterísticas do Medicamento (RCM) dos medicamentos através do SI presente na FM, no entanto quando este não se encontrava disponível recorri diversas vezes ao Infomed, base de dados de medicamentos de uso humano administrada pelo Infarmed e mais pontualmente ao Drugs.com de forma a perceber se existia alguma interação relevante. O caso no qual tive de recorrer ao Drugs.com correspondeu a uma utente que me questionou se havia algum problema na toma de um medicamento de contraceção de emergência, neste caso o Levonorgestrel, com Rivaroxabano, um agente antitrombótico que a utente utilizava como terapêutica habitual. Através da plataforma Drugs.com pude ter a certeza que não existe nenhum risco na administração concomitante dos dois medicamentos.

2. Gestão da Farmácia 2.1. Software SPharm®

A Farmácia Maia utiliza como software de trabalho o SPharm®, sendo a entidade responsável a SoftReis, que apresenta todas as funcionalidades necessárias para uma mais rápida, fácil e intuitiva gestão de toda a dinâmica da FM sendo que toda a informação relevante para a gestão da mesma encontra-se centralizada no SI.

Mais concretamente, o SI permite fazer uma gestão muito eficiente da farmácia uma vez que através do mesmo conseguimos realizar alterações à ficha dos utentes, guardar determinações de colesterol, triglicerídeos e outras informações que consideremos pertinentes para um melhor acompanhamento do utente. É através do SI que se realizam as encomendas a fornecedores, a receção de encomendas, a dispensa de medicamentos e produtos de saúde, a definição de stocks mínimos de produtos e é a partir do qual que podemos gerar as listas para a realização da gestão dos prazos de validade sendo que as devoluções e regularizações a fornecedores assim como a gestão de reservas também podem ser realizadas a partir do SI.

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Desta forma, o SI desempenha um papel preponderante na dinâmica da farmácia de tal forma que a esta dinâmica é praticamente dependente de um bom funcionamento do SI.

Uma das principais vantagens que observei neste software foi o facto de ter um acesso muito rápido ao RCM, ser bastante organizado e intuitivo. No meu caso não tive grande dificuldade na sua utilização o que facilitou a minha aprendizagem. Como desvantagens comparativamente ao SiFarma2000, denotei a fraca informação no ato da dispensa do medicamento relativamente a conselhos a fornecer ao utente como a posologia, o modo de administração, o que tornaria o atendimento e o ato da dispensa ainda mais fácil e intuitivo. Por outro lado, o acesso não tão fácil a estas informações obrigou-me a conhecer melhor as mesmas de forma a que não perdesse tempo durante o atendimento. Uma das peripécias que ocorreu durante o meu estágio, foi que durante um dia normal de funcionamento da FM a internet deixou de funcionar o que dificultava a abertura das receitas eletrónicas. A solução sugerida por mim e aceite pelos restantes membros da equipa consistiu em partilhar a internet a partir do telemóvel da farmácia e assim retomar a normalidade de funcionamento até que o problema fosse resolvido.

2.2. Gestão de Stocks

A gestão de stocks é uma das atividades mais importantes para uma boa gestão da farmácia pois é importante que os stocks estejam sempre em conformidade com os stocks existentes no SI de forma que não ocorram incongruências em toda a dinâmica da farmácia.

A gestão de stocks permite assim perceber que produtos se encontram em falta e adotar as medidas necessárias para que não ocorra uma rutura de stock ao nível desse produto. A gestão de stocks começa no atendimento aos utentes pois é bastante importante que exista atenção por parte dos colaboradores da farmácia a utentes que regularmente pedem medicamentos e produtos de saúde que normalmente não são apresentados em stock e que por isso têm de ser encomendados. Esta atenção ao detalhe permite que o stock mínimo desse produto possa ser alterado com o intuito de suprimir a necessidade daquele utente. O stock mínimo e máximo de um produto facilita toda a dinâmica da gestão de stocks pois quando é atingido o stock mínimo é gerada uma encomenda automática, posteriormente aprovada por um operador, de forma a repor o stock adequado do produto.

Assim, a gestão de stocks corresponde a uma atividade fundamental para um bom funcionamento da farmácia, uma vez que uma má gestão de stocks pode contribuir para uma falha num stock de um produto e por isso colocar em causa a continuidade da terapêutica de um utente. Por outro lado, uma gestão de stocks atenta às necessidades dos utentes pode levar a um maior contentamento dos mesmos pois percebe que a farmácia tem em conta as necessidades da população para a qual trabalha e se preocupa em ter todos os produtos necessários ao bem-estar dos utentes.

Sempre que reparava num utente que ia à FM à procura de um produto e a FM não o apresentava em stock repetidamente, procurava falar com os restantes colaboradores de forma a colocar o stock mínimo daquele produto num número que a equipa considerasse adequado. Um exemplo consistiu numa utente que foi várias vezes à FM pedir Diclofenac Bluepharma® 10mg/g Gel 100g, no entanto sempre que a utente

recorreu à FM, a farmácia não apresentava o produto em stock e por isso tinha de realizar encomenda espontânea sempre que a utente se dirigia à FM. Assim, falei com a restante equipa de forma a averiguar se existia pertinência em colocar stock mínimo daquele produto.

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2.3. Encomendas

2.3.1. Fornecedores e Realização de Encomendas

A realização de encomendas de forma a adquirir medicamentos e produtos de saúde pode ser realizada através dos armazenistas ou diretamente aos laboratórios.

Os principais armazenistas com que a FM trabalha correspondem à Cooprofar® (Cooperativa dos Proprietários de Farmácia) e à Alliance Healthcare®. Por outro lado, as encomendas realizadas diretamente aos laboratórios corresponderam essencialmente à GlaxoSmithKline®, à Pierre Fabre® ou à Angelini®.

As encomendas durante o período de estágio eram realizadas duas vezes por dia, uma ao fim da manhã e outra ao fim do dia, no entanto antes da pandemia era normal a realização de três encomendas diárias. Simultaneamente à encomenda da manhã à Cooprofar® eram selecionados medicamentos que o sistema designava como esgotados, mas que na realidade se encontravam rateados sendo que posteriormente se contactava a Cooprofar® de forma a tentar encomendar os medicamentos, mesmo estes vindo de outros armazéns do país ou demorando mais de um dia para chegar. Todos os produtos que a Cooprofar® não possuía, mesmo depois do contacto telefónico, eram encaminhados através de encomenda para a Alliance Healthcare®.

Outra forma de realizar encomendas era através do gadget disponibilizado pela Cooprofar®, através do qual era possível saber se o produto em questão se encontrava esgotado, proceder à sua encomenda ou perceber se era comercializado. A maioria das reservas era então realizada maioritariamente pelo gadget ou em casos em que não era possível encontrar o produto no gadget, era realizado um contacto telefónico no qual realizávamos a encomenda. Caso a Cooprofar® não comercializasse o produto em questão era contactada a Alliance Healthcare® e em caso positivo procedia-se à respetiva encomenda.

Relativamente às encomendas realizadas diretamente aos laboratórios, através dos seus delegados comerciais maioritariamente, estas são realizadas quando são necessárias quantidades maiores de diversos produtos e nas quais existem benefícios económicos para a farmácia comparativamente às encomendas realizadas aos armazenistas.

A realização das encomendas da manhã e da tarde nunca foi realizada por mim autonomamente, no entanto, o pedido de medicamentos rateados e a consequente encomenda dos mesmos foi uma tarefa por mim realizada diariamente. Na minha perspetiva é uma rotina muito importante na dinâmica da farmácia pois os medicamentos rateados correspondiam a produtos muito requisitados pelos utentes e que era de fundamental importância tê-los na farmácia. A possibilidade de encomendar através do gadget da Cooprofar® é uma mais valia para a farmácia pelo rápido acesso e comodidade. A realização destas

encomendas espontâneas também tem a vantagem de suprimir as necessidades de forma bastante rápida (muitas vezes os utentes requisitavam um produto de manhã e o produto chegava à tarde).

2.3.2. Receção de Encomendas

A receção de encomendas é realizada no backoffice, num espaço destinado para o efeito, e corresponde a uma das atividades que são possíveis realizar no SPharm®. Neste, os passos para uma receção de encomenda eficiente são fáceis e intuitivos.

Esta tarefa era realizada duas vezes por dia, uma de manhã e outra à tarde correspondente à encomenda da parte da tarde do dia anterior e à encomenda da manhã do mesmo dia. O primeiro passo para uma correta receção da encomenda consiste em armazenar os produtos termolábeis no respetivo local de

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armazenamento e só depois era processada a restante encomenda. Após a verificação de todos os produtos e o consequente registo no SI, observavam-se as flutuações de PVF e realizavam-se os consequentes e possíveis ajustes dos PVP. Adicionalmente, era neste processo que é possível a introdução dos prazos de validade bem como a verificação do estado de conservação dos medicamentos que chegavam à farmácia. No caso dos MNSRM com um curto prazo de validade e todos os medicamentos e produtos de saúde em mau estado de conservação eram imediatamente devolvidos aos armazenistas ou fornecedores. Na fase final da receção de encomendas era então introduzido o número da fatura sendo esta posteriormente colocada num local específico para posterior analise.

Desta forma, toda a dinâmica da farmácia está dependente de uma correta receção de encomenda, uma vez que uma receção deficiente vai originar discordâncias em toda logística inerente à farmácia.

A meu ver a receção de encomendas corresponde ao processo mais importante na dinâmica da farmácia uma vez que é onde se realizam tarefas que são de primordial importância para o bom funcionamento da farmácia. Uma receção deficiente e desatenta pode originar incoerências nos restantes processos inerentes à farmácia como a gestão de reservas, de stocks e consequentemente interferir com a dispensa de medicamentos. A receção de encomendas foi uma atividade por mim realizada diariamente e foi de extrema importância para começar a contactar e a conhecer todos os medicamentos disponíveis na farmácia desde substância ativa, apresentação, função e nome comercial.

2.4. Devoluções e regularizações de produtos

Os motivos para a realização de uma devolução são diversos, podendo acontecer quando: um utente realiza uma reserva e o produto não corresponde ao esperado; o PVF sofreu uma alteração demasiado significativa e, portanto, não é do interesse da farmácia apresentar no seu stock; ocorreu um engano no pedido; reservas que não ficam pagas no ato da reserva e o produto não é levantado nas primeiras 48h após a criação da reserva. Todos os MSRM cuja data de validade expira num período próximo são também devolvidos ao armazenista ao contrário do que acontece com os MNSRM.

As devoluções são na minha opinião um processo muito importante para uma gestão eficiente da farmácia uma vez que uma não devolução atempada pode significar no futuro um prejuízo para a farmácia pois o produto acaba por não ser vendido e desta forma não existir retorno para a farmácia, por esta razão mais importante que realizar a devolução é realizá-la atempadamente para que o armazenista aceite o produto e para que este não se torne num encargo para a farmácia. Durante o meu estágio realizei este processo sempre que foi necessário e sempre que considerei pertinente. Aconteceram diversas vezes situações em que tentávamos devolver um produto e este não era aceite pelos armazenistas, na maioria das vezes porque já passava do período definido para um produto ser passível de ser devolvido.

2.5. Armazenamento

O armazenamento é a atividade realizada simultaneamente à receção de encomendas de forma a diminuir a entropia no backoffice da farmácia. O armazenamento corresponde a uma atividade muito importante pois deve permitir o correto acondicionamento dos medicamentos e produtos de saúde de forma a que estes se mantenham nas condições ideais para a dispensação para os utentes. Por outro lado, é importante um correto armazenamento nos sítios correspondentes de forma a que toda a equipa da farmácia saiba onde está determinado medicamento e não dê fruto a confusões aquando da dispensa.

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Após a receção da encomenda e a etiquetagem no caso dos MNSRM, os medicamentos são então armazenados sendo que os produtos termolábeis são imediatamente colocados no frigorifico aquando da chegada à FM. O frigorifico está então dividido em colírios, insulinas, hormonas, vacinas e ainda um espaço dedicado a reservas que necessitam de estar armazenadas no frigorifico. A temperatura do frigorifico é mantida constante entre 2 a 4ºC.

Relativamente aos medicamentos que não são armazenados no frigorifico, são armazenados na zona de atendimento ao publico (lineares e gavetas), numa zona próxima do local de receção de encomendas, podendo ainda ser conservados no armazém ou na sala de atendimento. Os medicamentos que se encontram próximos dos balcões de atendimento são aqueles que apresentam muita procura e são essencialmente MNSRM tais como anti-histamínicos, antipiréticos e anti-inflamatórios, antidiarreicos, antieméticos, medicamentos contracetivos e podemos encontrar ainda dispositivos médicos como testes de gravidez, escovas de dentes, pensos entre outros produtos. Nos lineares, por sua vez, encontram-se expostos apenas MNSRM desde produtos de dermocosmética, anti-histamínicos, antidiarreicos, laxantes, venotrópicos entre muitos outros. No backoffice encontramos essencialmente MSRM que se encontram divididos em medicamentos de marca e medicamentos genéricos, organizados por ordem alfabética da marca e de substância ativa, respetivamente. Nesta zona podemos ainda encontrar espaços destinados ao armazenamento de fraldas, vitaminas, medicamentos vaginais, supositórios e tiras pertencentes ao protocolo da diabetes. Os medicamentos estupefacientes/psicotrópicos encontram-se num espaço definido para os mesmos. Finalmente, no armazém e na sala de atendimento encontramos exclusivamente MNSRM que apresentam um elevado stock e para os quais não existe espaço nem nos lineares nem na zona próxima dos balcões de atendimento.

O armazenamento segue o princípio First Expire First Out (FEFO), de forma a garantir que os produtos a ser primeiramente dispensados são os produtos cujo prazo de validade expira primeiro. A FM segue ainda todas as exigências ao nível de humidade e temperatura sendo que a humidade relativa é mantida a um nível inferior a 60% enquanto que a temperatura é mantida constante a um nível inferior a 25ºC.

Assim, o armazenamento é de fundamental importância de forma a garantir que os medicamentos e produtos de saúde são dispensados no correto estado de conservação e apresentação.

A fase de armazenamento dos produtos correspondeu também a uma fase muito importante na minha adaptação à FM pois permitiu o primeiro contacto com os medicamentos e ainda ficar a saber onde se localizavam, evitando assim que aquando do atendimento ficasse desorientado sem saber onde estava um determinado produto. O armazenamento foi uma tarefa por mim realizada diariamente.

2.6. Conferência de Prazos de Validade e Conferência de stocks

A conferência de prazos de validade e conferência de stocks tinha como principal objetivo corrigir incongruências entre o stock do SI e o stock existente na FM mas também retirar produtos cujo prazo de validade se esteja a aproximar. Estas atividades tinham por base listagens geradas pelo SI.

Assim, todos os meses é realizada a conferência de prazos de validade de forma a que produtos que estejam próximos do término da validade sejam recolhidos e no caso dos MSRM estes possam ser devolvidos aos distribuidores. No caso dos MNSRM estes são recolhidos para que se tentem dispensar o mais rápido possível. Caso não se consigam dispensar os MNSRM até ao término da validade, a FM

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contacta os fornecedores de forma a tentar devolver os mesmos. A conferência e recolha de produtos a chegar ao fim do prazo de validade é feita com uma antecedência de dois meses em relação ao período em que os medicamentos terminam a sua validade. Quando o prazo de validade gerado pelo SI não corresponde ao que se encontra em stock procede-se à alteração do mesmo no SI ficando sempre o prazo de validade que expira na data mais próxima. Simultaneamente à conferência dos prazos de validade realiza-se a conferência de stocks pois sempre que se confere o prazo de validade confere-se se o stock gerado pelo SI está concordante com o existente na FM, caso contrário procede-se ao acerto do mesmo.

A conferência de prazos de validade corresponde a um dos processos fundamentais na dinâmica da FM, permite-nos ter a certeza de que todos os produtos que dispensamos se encontram dentro do prazo de validade assim como permite que se proceda a devolução dos mesmos aos respetivos laboratórios e armazenistas não originando prejuízo para a FM. Relativamente à conferência de stocks é extremamente importante pois garante que, aquando da requisição de um medicamento e produto de saúde (MPS) por parte de um utente, tenhamos a certeza que o stock está correto não nos induzindo em erro. Quando existiam discordâncias no stock procurava ajuda para verificar se de facto não estava correto e posteriormente procedíamos ao acerto do mesmo. A conferência de prazos de validade e stocks foi uma atividade por mim realizada mensalmente.

2.7. Reservas

As reservas, à semelhança das restantes atividades também passam pelo SI, sendo um processo bastante simples e dinâmico. Uma das vantagens que o SI apresenta relativamente às reservas é o facto de emitir avisos aquando da chegada, imprimir talões aquando da finalização da receção da respetiva encomenda e o mais útil enviar mensagem telefónica para o respetivo utente a avisar que o produto já se encontra na farmácia.

As reservas na FM encontram-se organizadas em reservas pagas e não pagas, sendo que se encontram em locais distintos. As reservas correspondem a medicamentos que a FM não apresentava em stock e o utente optou por esperar que a farmácia encomendasse. As reservas são assim divididas em reservas pagas e reservas não pagas. As reservas pagas correspondem, como o nome indica, a produtos que ficaram pagos no momento da reserva. Por outro lado, as reservas não pagas correspondem a produtos que o utente preferiu não pagar aquando do momento da reserva, mas sim no levantamento e por este motivo, caso não o levante até 48 horas depois da receção do produto, o mesmo é devolvido ao fornecedor.

As reservas foram realizadas por mim diversas vezes, diariamente, e considero-as de extrema utilidade pois permite que a farmácia consiga corresponder aos diversificados pedidos dos utentes em relativo curto espaço de tempo, sendo que muitas vezes as reservas eram realizadas de manhã e o MPS chegava de tarde, o que era muito vantajoso para o utente que evitava de se deslocar a outra farmácia. As reservas na maioria das vezes eram encomendadas através do gadget da Cooprofar® (onde se realizam encomendas espontâneas, verificação de stocks do armazenista e verificação das encomendas realizadas). Durante o meu período de estágio também tive a oportunidade de realizar reservas para a vacina da gripe denotando uma grande afluência devido à importância da mesma em período de pandemia.

2.8. Via Verde do Medicamento

A Via Verde do Medicamento segundo a Circular Informativa N.º 019/CD/100.20.200 do Infarmed, I.P. tem como principal objetivo facilitar o acesso a medicamentos pertencentes à lista de

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medicamentos cuja exportação/distribuição intracomunitária é sujeita a notificação prévia ao INFARMED, I.P.3 Para o utente ter acesso a este canal de distribuição é necessário ter consigo uma receita válida, sendo que a farmácia realiza a respetiva encomenda e esta é depois encaminhada para o distribuidor aderente, suprimindo assim a necessidade do utente.

3. Dispensa de Medicamentos e Produtos de Saúde (MPS)

Os farmacêuticos correspondem aos profissionais de saúde mais próximos da população e são eles os primeiros a quem a população recorre para responder aos seus problemas do dia a dia. Desta forma, os farmacêuticos desempenham um papel preponderante na ligação entre o médico e o utente sendo de fundamental importância a preparação dos mesmos para dar resposta aos desafios que enfrenta diariamente. O farmacêutico tem assim como dever dispensar medicamentos e produtos de saúde de forma consciente e refletida seguindo sempre as Boas Práticas Farmacêuticas (BPF) tendo sempre em mente o objetivo de proteger o utente relativamente a um uso inadequado dos medicamentos e o consequente efeito nefasto para a saúde do mesmo. Os medicamentos de uso humano podem ser classificados em MSRM, MNSRM e Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica de dispensa Exclusiva em Farmácia (MNSRM-EF).

3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM)

Os MSRM podem ser caraterizados segundo o Decreto-Lei n.º 176/2006 como medicamentos que: “a) Possam constituir um risco para a saúde do doente, directa ou indirectamente, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica;

b) Possam constituir um risco, directo ou indirecto, para a saúde, quando sejam utilizados com frequência em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam;

c) Contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja actividade ou reacções adversas seja indispensável aprofundar;

d) Destinem-se a ser administrados por via parentérica.”4

Desta forma e como o nome indica, correspondem a medicamentos que apenas podem ser dispensados com uma Receita Médica (RM) válida prescrita por um profissional de saúde prescritor. Os MSRM podem ainda ser classificados medicamentos de RM renovável que correspondem a medicamentos utilizados em tratamentos prolongados ou crónicos, medicamentos de RM especial que correspondem a todos medicamentos psicotrópicos ou estupefacientes que possam ser utilizados para fins ilícitos ou causem toxicodependência e, finalmente, medicamentos de RM restrita que são medicamentos dispensados a nível hospitalar ou ambulatório utilizados no tratamento de determinadas patologias.4

3.1.1. Prescrição Médica

A prescrição é realizada através de uma RM sendo esta um documento que serve de comunicação entre o médico prescritor e o farmacêutico. Nas RM deve constar a Denominação Comum Internacional (DCI) da substância ativa prescrita, a forma farmacêutica, a dosagem, a apresentação e a posologia a aplicar pelo utente. Esporadicamente, a receita pode apresentar a DCI por marca ou indicação do titular de Autorização de Introdução no Mercado (AIM) quando por exemplo, não existe medicamento genérico comparticipado no mercado ou exista apenas medicamento de marca ou então justificação por parte do prescritor quanto à insusceptibilidade de substituição do medicamento prescrito. As justificações podem estar relacionadas com o índice terapêutico estreito, intolerância ou reação adversa ou ainda o facto de assegurar a continuidade de um tratamento com duração superior a 28 dias.5 Atualmente existem 3 tipos de

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RM entre as quais a receita manual, receita eletrónica materializada (em papel) e receita eletrónica desmaterializada (sem papel). Na FM as receitas manuais eram raras comparativamente às receitas eletrónicas sendo que existe uma clara tendência para o abandono das receitas manuais e mesmo das eletrónicas materializadas passando a maioria das receitas médicas a serem eletrónicas desmaterializadas.

Relativamente às RM manuais, estas apenas podem ser utilizadas em caso de inadaptação do prescritor, em caso de falência informática, prescrição no domicílio ou até um máximo de 40 receitas por mês. As receitas manuais apenas são consideradas válidas se apresentar o número da receita, a vinheta identificativa do local de prescrição, vinheta identificativa do médico prescritor, identificação da especialidade médica, regime de comparticipação, nome e número de utente, a data de prescrição e finalmente a assinatura do prescritor. As receitas manuais apenas podem conter um máximo de quatro produtos farmacêuticos, sendo que apenas dois por linha e um máximo de quatro embalagens por receita. No entanto, existe uma exceção para medicamentos de dose individual, pelo que podem ser prescritas até quatro embalagens por linha. As RM com prescrição manual apresentam validade de apenas 30 dias sendo que deve ser escrita com a mesma caneta, não dever ser rasurada (caso aconteça deve ser acompanhada da rubrica do médico prescritor) e o número da receita deve estar intacto.5 Um dos inconvenientes deste tipo de RM prende-se pelo facto da dispensa ter de ser realizada de uma vez o que impede ao utente a dispensa faseada dos medicamentos. Aquando da apresentação deste tipo de receita, o farmacêutico deve analisar todos os quesitos necessários à aceitação da mesma analisando todos os aspetos supracitados. Após a análise atenta da RM é impresso um documento no verso da mesma que posteriormente é assinado pelo utente sendo posteriormente arquivada.

As RM eletrónicas, como já referido, podem apresentar dois formatos: a receita eletrónica materializada (em papel) e a receita eletrónica desmaterializada (sem papel) sendo que a principal diferença entre estes dois tipos de prescrição prende-se na forma de apresentação essencialmente. Na receita eletrónica materializada podem ser prescritos até 4 medicamentos distintos, num total de 4 embalagens por receita, no máximo podem ser prescritas 2 embalagens por medicamento, no caso do medicamento prescrito se apresentar sob a forma de embalagem unitária podem ser prescritas até 4 embalagens do mesmo medicamento ou até 12 embalagens no caso de medicamentos de longa duração. A validade deste tipo de receitas é de 30 dias sendo renovável até 6 meses. Na receita eletrónica desmaterializada cada linha de prescrição contém apenas um medicamento sendo que apenas pode conter 2 embalagens no caso de tratamento de média curta duração e por isso validade de 60 dias ou até a um máximo de 6 embalagens por medicamento em casos de tratamento de longa duração tendo uma validade de 6 meses. No caso de o medicamento corresponder a embalagens unitárias podem ser prescritas 4 ou até 12 em casos de tratamento prolongado. Exceções de posologia, doente crónico estabilizado ou ausência prolongada do país é possível prescrever com um número de embalagens superior aos limites previstos anteriormente.5

Concluindo as receitas eletrónicas, em ambos os casos, são apresentados os códigos de dispensa, código de opção e o número da receita o que permite a dispensação da mesma. A principal diferença entre as RM eletrónicas e as RM manuais corresponde à possibilidade de dispensa faseada, o que é possível nas RM eletrónicas ao contrário das RM manuais.

Durante o meu estágio na FM contactei com todos os tipos de RM, sendo que notei uma clara transição para as receitas desmaterializadas o que a meu ver é uma vantagem comparativamente às RM manuais,

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pois as últimas requerem uma maior atenção aos pormenores e muitas vezes os medicamentos prescritos são de difícil perceção. Por outro lado, as receitas eletrónicas desmaterializadas apesar de serem mais eficientes não são muito práticas devido sobretudo à baixa literacia digital presente na população idosa e pelo facto de os utentes não a conseguirem consultar. Durante o meu estágio tive de procurar várias vezes qual a receita que o utente pretendia no seu telemóvel uma vez que este não tem acesso aos medicamentos contidos em cada RM o que muitas vezes se tornava num processo moroso. Por isto, as RM mais adequadas ainda continuam a ser as eletrónicas materializadas.

3.1.2. Regime de comparticipação

Aquando da dispensação de um MSRM, o utente, normalmente, não paga o PVP na sua totalidade uma vez que existe uma percentagem que se encontra ao encargo do estado, ou seja, existe uma percentagem do PVP que é comparticipada. O valor ou percentagem de comparticipação varia consoante o regime de comparticipação do utente (geral ou especial) e o escalão de comparticipação onde se encontra o medicamento em questão. No que ao SNS diz respeito, os medicamentos encontram-se organizados por um sistema de preços referência que é aplicado a medicamentos comparticipados incluídos em grupos homogéneos (conjunto de medicamentos com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, forma farmacêutica, dosagem e via de administração, no qual se inclua pelo menos um medicamento genérico existente no mercado). O preço de referência para cada grupo homogéneo é definido pelo PVP do medicamento genérico existente no mercado que faça parte do grupo e que apresente o PVP mais elevado.6 Assim, os medicamentos encontram-se organizados segundo os seguintes escalões: Escalão A - a comparticipação do Estado é de 95% do preço de venda ao público dos medicamentos; Escalão B - a comparticipação do Estado é de 69% do preço de venda ao público dos medicamentos; Escalão C - a comparticipação do Estado é de 37% do preço de venda ao público dos medicamentos; Escalão D - a comparticipação do Estado é de 15% do preço de venda ao público dos medicamentos.

Os grupos e subgrupos terapêuticos que constituem os diferentes escalões são definidos em portaria pelo Ministério da Saúde. Nos casos de pensionistas cujo rendimento total anual não exceda 14 vezes o salário mínimo nacional a percentagem de comparticipação acresce 5% no caso do escalão A e acresce 15% no caso dos medicamentos pertencentes aos medicamentos do escalão B, C e D. No que se refere aos medicamentos genéricos, a comparticipação é de 100% no caso dos pensionistas referidos anteriormente.6 Existe um Regime Especial para determinadas patologias especificas como a psoríase, o lúpus e a doença de Alzheimer no entanto este regime de comparticipação apenas pode ser aplicado em determinadas indicações terapêuticas e o médico prescritor deve colocar na RM o despacho correspondente à comparticipação.6 Relativamente aos medicamentos manipulados, apenas são comparticipados em situações especificas, sendo que a percentagem de comparticipação corresponde a 30% do respetivo preço.7

Em Portugal, existem ainda subsistemas de comparticipação que se encontram divididos em públicos e privados. O principal subsistema de comparticipação público corresponde à Instituto de Proteção e Assistência na Doença (ADSE). No que se refere a subsistemas de comparticipação privados, atualmente existe uma grande variedade como é o exemplo do Serviço de Assistência Médico-Social do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SAMS Quadros) ou da Assistência na Doença aos Militares das Forças Armadas (ADM). Aquando da dispensa de medicamentos com comparticipação destes subsistemas de saúde, o utente deve fazer-se acompanhar do documento que lhe confere esse direito e

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informar o farmacêutico ou técnico de farmácia que o possui de forma a que estes possam selecionar o subsistema de saúde no SI e realizar a dispensa dos medicamentos conforme a comparticipação correspondente. Sempre que ocorre a dispensa de medicamentos segundo um subsistema de saúde, é necessária a introdução do número de beneficiário (presente no documento comprovativo) que valida a comparticipação. Simultaneamente à impressão da fatura, é impresso um documento relativo às comparticipações que deve ser assinado ou rubricado pelo utente e posteriormente arquivado.

No decorrer do meu estágio tive a oportunidade de contactar com diversos subsistemas de saúde, não sentindo grandes problemas na realização do atendimento. De notar apenas que muitas vezes os utentes esquecem-se de avisar o farmacêutico ou técnico de farmácia quanto ao facto de apresentarem esse benefício o que muitas vezes pode dar origem a confusões pois consideram que temos acesso a informação quando isso não acontece.

3.1.3. Processamento do Receituário

Mensalmente é realizado o processamento do receituário que consiste na organização das receitas manuais. As receitas médicas (RM) manuais são primeiro organizadas tendo em conta as respetivas entidades e planos de comparticipação sendo depois organizadas consoante o lote, cada lote apresenta 30 receitas e cada receita encontra-se assim numerada com o lote e o correspondente número dentro do lote, ou seja, de 1 a 30. Após esta organização, as RM manuais são analisadas minuciosamente de forma a conferir a sua validade e garantir que não existe nenhum aspeto que inviabilize a comparticipação por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Após o processamento das receitas manuais, é gerado um verbete de identificação de lote e finalmente a relação de resumos de lote sendo que as receitas comparticipadas pelo SNS são enviadas para a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, por sua vez, as receitas comparticipadas por outras entidades são enviadas para ANF.

3.2. Psicotrópicos e Estupefacientes

Os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes correspondem a medicamentos que podem causar habituação física e psíquica derivada da sua ação ao nível do Sistema Nervoso Central, adicionalmente, estes medicamentos são frequentemente utilizados para fins ilícitos. Estes dois aspetos fazem com que seja muito importante um controlo ao nível da dispensação, armazenamento e prescrição desta classe de medicamentos.

O controlo de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes encontra-se legislado pelo Decreto‐ Lei n.º 15/93, de 22 de janeiro. Aqui podemos encontrar todos os medicamentos incluídos nesta classe assim como as regras de controlo inerentes à sua utilização e as consequências em caso de tráfico. O mesmo decreto define que estes medicamentos devem ser armazenados num local longe do olhar do utente devidamente trancado, não identificado e apenas conhecido pela equipa da farmácia.8 Aquando da dispensa destes medicamentos, o SI necessita de determinados dados relativos ao médico prescritor, ao utente (nome completo e morada) e ao adquirente (nome completo, morada, número e data de validade do cartão de cidadão/bilhete de identidade e data de nascimento). No caso de não apresentar consigo o documento de identidade, a carta de condução ou outro elemento seguro de identificação, pode ser utilizada para o mesmo efeito. No caso de estrangeiros deve ser utilizado o passaporte, anotando a data de entrega e assinando.8 Posteriormente à recolha dos dados, o SI emite um documento com toda a informação recolhida e com o nome do responsável pela dispensa sendo este posteriormente arquivado no local específico para o efeito.

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3.3. Medicamentos manipulados

O medicamento manipulado é definido segundo o Decreto-Lei n.º 95/2004 como sendo qualquer fórmula magistral (preparação obtida segundo receita médica onde está identificado o doente para quem se destina) ou preparado oficinal (preparação obtida seguindo indicações compendiais de uma Farmacopeia ou Formulário) preparado e dispensado sob a responsabilidade de um farmacêutico.9

A FM apesar de ter nas suas instalações um pequeno laboratório, não realiza a preparação de manipulados sendo que quando é necessário um medicamento manipulado este é requisitado à Farmácia Serpa Pinto. Devido à necessidade mundial de produção de soluções antisséticas, a FM decidiu produzir SABA tendo em consideração as normas determinadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A SABA produzida na FM foi acondicionada em recipientes adequados, devidamente rotulados sendo posteriormente comercializada em duas apresentações, uma de 100 mL e outra de 300 mL.

3.4. Medicamentos Genéricos (MG)

O Medicamento Genérico é definido segundo o Decreto-Lei n.º 176/2006 como “medicamento com a mesma composição qualitativa e quantitativa em substâncias activas, a mesma forma farmacêutica e cuja bioequivalência com o medicamento de referência haja sido demonstrada por estudos de biodisponibilidade apropriados”.4

Esta classe de medicamentos é identificada pela sigla “MG” presente na embalagem, o nome, a dosagem e a forma farmacêutica. Os MG caraterizam-se por serem mais baratos comparativamente aos medicamentos de marca. Assim, o farmacêutico ou técnico de farmácia deve avisar o utente quanto à existência de um medicamento com a mesma substância ativa, dosagem, forma farmacêutica e apresentação com um preço mais baixo assim como os medicamentos que são comparticipados pelo SNS e os que apresentam preços mais baixos no mercado. Desta forma, as farmácias devem ter disponíveis em stock para venda três medicamentos com a mesma substância ativa, dosagem, forma farmacêutica e apresentação de entre os que correspondem aos cinco preços mais baixos de cada grupo homogéneo, devendo dispensar o de menor preço, salvo se for outra a opção do utente.10

As ilações que posso retirar do meu estágio relativamente aos MG correspondem ao facto destes, embora corresponderem a uma classe há muito tempo conhecida pelos portugueses, serem ainda vistos com muito ceticismo, pois muitas vezes as pessoas olham com desdém para o facto de serem medicamentos mais baratos e que por isso são de menor qualidade o que corresponde a uma ideia completamente errada. Por outro lado, existe já uma grande parte da população que confia plenamente na eficácia destes medicamentos não tendo preferência relativamente aos medicamentos de marca.

3.5. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) e Automedicação

Os MNSRM e os MNSRM-EF correspondem aos medicamentos que não apresentam as exigências anteriormente mencionadas para serem definidos como MSRM.

Na sua generalidade, os MNSRM não são comparticipados pelo estado e o seu perfil de segurança e as suas indicações terapêuticas fazem com que possam ser dispensados sem que seja necessária uma RM. A sua dispensa deve ser acompanhada de um aconselhamento farmacêutico adequado alertando para o uso correto do medicamento, para a duração de tratamento e para a indicação a que é destinado garantindo desta forma a maximização da eficácia do mesmo. O farmacêutico desempenha um papel preponderante na dispensa de MNSRM, uma vez que é o profissional que melhor conhece o medicamento e que é capaz de

Referências

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