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Acórdão
APELAÇÃO C1VEL N° 001 2005 024 523-0/001
RELATOR Dr José Aurelio da Cruz — Juiz Convocado
APELANTE Maria das Graças Belo B de Souza — Adv Maria José Rodrigues Filha e outro
APELADO AGF Brasil Seguros S/A — Adv Fernando Gondim R Júnior e outra
EMENTA PRELIMINAR Terceiro que demanda diretamente contra a seguradora Ilegitimidade passiva Insubsistência Beneficiário que pode cobrar
• indenização contratual prevista em seu favor
Precedentes do STJ Rejeição
- Segundo o STJ, o terceiro beneficiário pode mover ação direta contra a seguradora, ainda que não tenha feito parte do contrato
APELAÇÃO CÍVEL Responsabilidade civil Contrato de seguro Acidente automobilístico Morte de terceiro não-passageiro Culpa do segurado Sinistro acobertado pelo contrato de seguro Indenização devida Fixação que deve se ater aos limites contratuais Provimento parcial
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• - Realizando-se sinistro acobertado pelo contrato de
seguro c, estando presentes os requisitos ensej adores da responsabilização cix II, é devida a indenização, que deverá ser fixada dentro limites contratuais
Vistos, relatados e discutidos estes autos acima identificados Acorda a Segunda Câmara Civel do Tribunal de Justiça da Paraiba, por unanimidade, Rejeitar a preliminar No mérito, por igual votação, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO
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RELATÓRIO
a 4107, I r r.C1 .•. • APELAÇÃO CIVEL -
na
eprt?Hem N° 001 2005 024 523-0/001Cuida-se de Apelação Cível (fls 233/239) interposta por Maria das Graças Belo B de Souza contra sentença de fls 230/232, proferida pelo Juizo de Direito da 6' Vara Cível da Comarca de Campina Grande, que, extinguindo o feito com resolução de mérito, nos termos do art 269, I, da Lei Ad j etiva Civil, julgou improcedente a ação de cobrança ajuizada em face de AGF Brasil Seguros S/A
Em seu arrazoado, alega o apelante que o vergastado decisum merece reforma integral diante da possibilidade de se intentar ação indenizatória de acidente de transito diretamente contra a seguradora contratada pelo proprietário do veiculo em que tenha firmado contrato de seguro com a empresa secuntána Afirma ainda que o juiz sentenciante não observou que a apelante é beneficiária da justiça
gratuita ao condená-la nas custas e honorários advocaticios
•
Contra-razões apresentadas 'as fls 246/256, suscitando preliminarde ilegitimidade passiva e refutando, no mérito, as alegações do apelante
Instada a se pronunciar, a douta Procuradoria de Justiça emitiu parecer de fls 263/269, opinando pelo provimento do apelo
É o que importa relatar VOTO
O presente recurso de apelação pretende reformar integralmente a sentença recorrida No entanto, de início, cumprc analisar a preliminar de • '- ilegitimidade passiva que, rejeitada pelo ''verbérado &muni, foi novamente suscitada
• pelo recorrido em suas contra-razões
Preliminar de Ilegit'imtdade Passiva
A questão levantada cinge-se cm saber se o terceiro, que não participou da realização do contrato de seguro, pode ou não demandar diretamente contra a seguradora para obter indenização decorrente de sinistro acobertado pelo referido contrato
Ora, o entendimento que prevalece na j urisprudência do STJ é o de que o terceiro, que foi vítima em acidente automobilismo, pode mover a ação de indenização por danos pessoais e materiais diretamente contra a seguradora que tenha
contratado com o veiculo envolvido no acidente Os efeitos da relação contratual não se
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restringiriam, portanto, sis partes contratantes, admitindo-se a estipulação em favor deterceiros, como ocorre nos contratos de seguro em que o beneficiário pode ser uma
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pessoa indeterminada, mas determinável, quando da ocorrência do sinistroAPELAÇÃO CÍVEL
N. 001 2005 024 523-0/001
Nesse sentido, ilustra aresto da Colenda Corte Especial, in verbis
"CIVIL E PROCESSUAL CIVIL CONTRATO DE SEGURO LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM BENEFICIÁRIO ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO OCORRÊNCIA ART
1098, CC DOUTRINA RECURSO PROVIDO I — A legitimidade para exercer o direito de ação decorre da lei e depende, em regra, da titulandade de um
411,
direito, do interesse juridicamente protegido,conforme a relação jundica de direito material • existente entre as partes celebrantes II — As relações
jurídicas oriundas de um contrato de seguro não se encerram entre as partes contratantes, podendo atingir terceiro beneficiário, como ocorre com os seguros de vida ou de acidentes pessoais, exemplos clássicos apontados pela doutrina III — Nas estipulações em favor dc terceiro, este pode ser pessoa futura e indeterminada, bastando que seja determinável, como no caso do seguro, em que se identifica o beneficiário no momento do sinistro IV — O terceiro beneficiário, ainda que não tenha feito parte do contrato, tem legitimidade para ajuizar ação
111 direta contra a seguradora, para cobrar a indenização
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contratual prevista em seu favor V — Tendo falecido no acidente o terceiro beneficiário, legitimados ativos adcausarrj, no caso, os seus pais, em face da ordem da vocação hereditária "1
- Grifei À guisa de corroboração, é o julgado deste Areópago, que vaticina
"RESPONSABILIDADE CIVIL Acidente automobilístico Culpa Danos materiais Comprovação Seguradora Legitimidade passiva
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Resp 257880/RJ, Recurso Especial 2000/0043135-4 Relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (1088) Órgão julgador T4 Quarta Turma Data do julgamento 03/04/2001 Data da publicação/Fonte DJ 07 10 2002, p 261, RSTJ vol 168 p 377a 48h. .11~ —• ' s ", •
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pAPELAÇÃO CIVEL *II • No 001 2005 024 523-0/001
Responsabilização limitada ao valor da cobertura Apelos desprovidos I Presentes os requisitos ensej adores da responsabilização civil, e devida indenização que repare a contento os prejuízos decorrentes do ato ilícito II O entendimento atual da jurisprudência do STJ e de que o terceiro que foi vitima em acidente automobilístico pode mover ação de indenização por danos pessoais e materiais diretamente contra a seguradora que tenha contratado com o veículo envolvido no acidente" 2
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Ao prever o contrato a indenização devida por danos materiais e
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corporais a terceiros, a seguradora e o segurado estipularam, a rigor, uma vantagempatrimonial em favor de terceiro, pessoa indeterminada no momento da celebração do ajuste, porém determinável quando da ocorrência do sinistro
Sendo assim, o terceiro beneficiário goza de legitimidade para pleitear a indenização prevista no contrato de seguro, desde que atenda aos requisitos previstos na avença, notadamente ter sofrido o dano, nos moldes descritos nas cláusulas contratuais pertinentes
Desse modo, pode a seguradora ser demandada pelo recorrente, que tem legitimidade para atuar no pólo ativo, razão por que é imperiosa a rejeição da preliminar
01,
Mérito
No mérito, :a prètensão da apelante Merece ser parcialmente acolhida, senão vejamos
Ab intuo, cumpre observar que a condenação da recorrente em custas processuais e honorários advocatícios deve ser afastada, considerando que a assistência judiciária gratuita foi deferida h fl 24
Noutro diapasão, verifica-se que haveria responsabilidade civil da apelada em relação 'a apelante, em razão de acidente de trânsito que provocou a morte do esposo da demandante por culpa do segurado, consoante certidão de fl 21
2 1JP13 Apelat.ao CaNt.I N° 025 2003 007190 3/001, Relator Des Antonio nas De Quetroga Ano 2006, Data Julgamento 28/3/2006 Dar] de Publicas ran 30/V2006, Naturert Orgao Julgtdor 2'Camara Cível Ornem Patos
41L e.wire.~. 1»11"-LI I z&rgi APELAÇÃO CÍVEL °Pid It/Ent.PS r No 001 2005 024 523-0/001
Ora, o argumento ventilado na sentença de que o contrato daria cobertura somente a acidentes envolvendo passageiros do segurado não prospera No caso em apreço, conforme apólice acostada aos autos 'as fls 08 e 50, deflui-se que houve contratação de garantias relativas a danos a terceiros passageiros e não-passageiros
Analisando o manual do corretor acostado pelo próprio apelado, infere-se que, em relação a terceiros não-passageiros, as garantias cobertas pelo seguro seriam os danos materiais e corporais, conforme dispõe o item "4", do titulo "Condições contratuais do Seguro de Responsabilidade Civil Facultativo — Veiculos" (fl 88), que prescreve
"O presente contrato cobre responsabilidade civil do
segurado em acidente de trânsito, exclusivamente por • danos materiais e corporais involuntariamente
causados a terceiros, através da utilização do veiculo segurado"
- Destaquei
A seu turno, a cláusula 1 1, alinea "a", conceitua dano corporal como sendo qualquer doença, invalidez ou môrte Nessa esteira, a morte do esposo da ora recorrente seria sinistro acobertado secuntanamente, valendo ressaltar que os únicos riscos excluidos seriam, conforme item 5 -(fl 88), sinistros em competições ou os decorrentes de responsabilidades assumidas contratualmente sem a prévia anuência da seguradora
111
•
Sendo assim, a seguradora tem o dever de indenizar o dano corporal nos termos Contratuais Tal indenização teria valor máximo de R$ 20 000,00 reais (fls 08 e 50) e, o que sobejar a este lim." ite, seria completada pelo recorrido
No caso, considerando que a morte é um dano corporal de difícil reparação, fixa-se a indenização em R$ 15 000,00 (quinze mil reais)
Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL AO APELO, fixando a indenização por dano corporal em R$ 15 000,00 (quinze mil reais)
É COMO voto
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Presidiu 'a Sessão a Exma Desembargadora Maria das Neves do
N.) gito Araújo Duda Ferreira Relator Dr José Aurélio da Cruz Participaram do
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141J1
_APELAÇÃO CIVEL -rifa
N. 001 2005 024 523-0/001
subsutun a Desembargadora Marta de Fátima M Bezerra Cavalcanti), Maria das Neves do Egito Araújo Duda Ferreira e José Aurélio da Cruz (Juiz convocado para substituir o Desembargador Marcos Cavalcantt de Albuquerque)
Presente ao julgamento a Exma Dra Maria do Socorro Silva Lacerda, Promotora de Justiça convocada
Sala de Sessões da Segunda Câmara Cível, do Egrégio Tribunal de Justiça da Paraiba, João Pessoa, 22 de janeiro 2008
1110 • DR • ' :4 Au JO P RUZ
ELATIR
LF/16 • • ‘Ã.‘..00:d.aiuria
Registrado etn,12j (01
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