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UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE BELAS-ARTES

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DE LISBOA

FACULDADE DE BELAS-ARTES

Lepidoptera (Borboletas) da Coleção

Entomológica do Museu Nacional de História

Natural e da Ciência. Ilustração Científica de

diferentes grupos taxonómicos:

Famílias Noctuidae, Geometridae e outras.

Tetyana Chkyrya

Trabalho de Projeto Mestrado em Desenho

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UNIVERSIDADE DE LISBOA

FACULDADE DE BELAS-ARTES

Lepidoptera (Borboletas) da Coleção

Entomológica do Museu Nacional de História

Natural e da Ciência. Ilustração Científica de

diferentes grupos taxonómicos:

Famílias Noctuidae, Geometridae e outras.

Tetyana Chkyrya

Trabalho de Projeto orientado pelo Prof. Pedro Salgado

E co-orientado pelo Doutor Luís Filipe Lopes

Mestrado em Desenho

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5

Resumo

Trabalho de projeto de ilustração científica de borboletas noturnas. Foi desenvolvido com a coleção entomológica do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), com borboletas noturnas presentes nos territórios de Portugal Continental e Ilha da Madeira e de países Africanos de Língua Oficial Portuguesa como Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O objetivo geral do projeto foi o serviço da Ilustração Científica perante a Ciência, nomeadamente, a divulgação de conhecimentos sobre várias espécies de borboletas noturnas e a demonstração daquilo que a coleção do Museu dispõe, em termos de interesse científico e público a nível nacional e internacional. Foi usado um método de ilustração analógico com recurso a pintura digital. A partir das ilustrações realizadas, foi editado e publicado um livro – “Cem Traças” – que as cataloga e apresenta algumas informações relevantes a nível da história natural.

PALAVRAS-CHAVE

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Abstract

This project aimed to create scientific illustration of moths. It was developed based on the entomological collection of the National Museum of Natural History and Science (MUHNAC), more specifically moths present in the territories of Mainland Portugal and Madeira and African countries like Angola, Mozambique and Sao Tome and Principe. The general objective of the project was to work with scientific illustration in the service of science, communicating knowledge about various species of moths and showcasing the importance of what a museum collection has in terms of scientific and public interest at a national and international level. A method of both traditional drawing and digital painting was used for the illustration process. From the illustrations made, a book - "Cem Traças" (100 Moths) - was edited and published, along with merchandise materials which were used in several science communication activities and in two exhibits.

KEYWORDS

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“Principalmente chamo DESENHO aquela ideia criada no entendimento criado, que imita ou quer imitar as eternas e divinas ciências incriadas”.

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Agradecimentos

O seguinte projeto resulta do trabalho realizado entre 2013 e 2015. A contribuição de algumas pessoas e instituições foi valiosa para o bom desenvolvimento do trabalho e seus objetivos, pelo que aqui se manifestam os sinceros agradecimentos.

Agradeço a Luís Filipe Lopes, do MUHNAC, por ter abraçado este projeto, dedicando-lhe todo o seu conhecimento e atenção.

Ao Professor Pedro Salgado pela inspiração e paixão contagiante ao desenho.

Ao Professor Doutor Pedro Saraiva, coordenador do Mestrado de Desenho, ao Professor Doutor António Pedro Ferreira Marques e aos restantes professores do Mestrado, pela sua orientação e partilha de conhecimento.

Agradece-se ainda à Faculdade de Belas-Artes pela aceitação do tema e por toda a formação facultada ao longo dos últimos anos.

Ao investigador António Bívar de Sousa pelas revisões das ilustrações e à Joana Vieira da Silva pelas revisões aos textos em inglês do Cem Traças.

À Judite Alves, Roberto Keller, Eva Monteiro, Cristiane Bastos-Silveira, Vítor Gens do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, de Universidade de Lisboa, pela recetividade.

Agradeço aos meus amigos, especialmente à Joana Vieira, à Inês Gomes, à Cristina Pinto, à Liliana Almeida, à Lívia Heinerich, à Rita Cardoso à Carolina Silva e aos colegas de Mestrado pelo apoio, pelos momentos e memórias. Também ao meu colega e amigo Pedro Araújo, por estar presente ao meu lado e pela sua paciência durante todo este percurso.

E por ultimo, as minhas palavras de gratidão aos meus pais Olga e Sérgio, que sempre acreditaram em mim.

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Índice

1. Introdução 21

2. O Desenho e Ilustração Científica como forma de transmitir conhecimento científico

22

2.1. O Desenho e o Desenho Científico 22

2.2. Registo fotográfico e Desenho Científico 27

2.3. Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa – Coleção Entomológica

28 2.4. Taxonomia biológica 29 2.5. Família Noctuidae 31 2.6. Família Geometridae 33 3. Trabalho Prático 35 3.1. Processo 39 3.1.1. Desenho Tipo I 40 3.1.1.1. Escolha de espécimes 42 3.1.1.2. Nomenclatura de Espécie 43 3.1.1.3. Fotografia de Estúdio 44

3.1.1.4. Processo de Desenho Analógico 47

3.1.1.5. Processo de Desenho Digital 52

3.1.2. Desenho Tipo II 56 3.1.2.1. Antenas 56 3.1.2.2. Escamas 59 3.1.2.3. Comportamento 61 3.1.2.4. Silhuetas 62 3.1.2.5. Técnica de Aguarela 63

(14)

14

4. Resultados 65

4.1. O Livro “Cem Traças” 65

4.1.1. Paginação do livro 67 4.3. Aplicações 71 5. Discussão 75 6. Considerações finais 77 7. Bibliografia 78 7.1. Webgrafia 81 7.2. Referências Vídeo 82 8. Apêndice de Ilustrações 83

(15)

15

Índice de figuras

Fig. 1 – Gravura de Albrecht Dürer, 1515. 23

Fig. 2 – Xestia c-nigrum (Linnaeus, 1758) Fotografia Tetyana Chkyrya, 2015.

31

Fig. 3 – Foto tirada ao microscópio a um exemplar de Biston betularia. 2015.

33

Fig. 4 – Lagarta de geometrídeo a imitar um galho. Fotografia de Ramón Gimeno.

34

Fig. 5 – Posição caraterística da lagarta de um Geometrídeo. Fotografia de Ramón Gimeno.

34

Fig. 6 – Tabela de ilustrações realizadas. 36

Fig. 7– Caixa entomológica da coleção do MUHNAC (Coleção Mendoça), Fotografia Tetyana Chkyrya, 2015.

40

Fig. 8 – Espécime holótipo da espécie Epiphora macedoi (Darge, Mendes & Bívar de Sousa, 2006), Fotografia Tetyana Chkyrya, 2015.

42

Fig. 9 – André Leão, um dos colaboradores deste projeto, que participou nas primeiras sessões de fotografia das borboletas da coleção. Fotografia Tetyana Chkyrya, 2014.

45

Fig. 10 – Exemplar da espécie Balacra guillemei (Oberthür, 1911). Tetyana Chkyrya, 2014.

45

Fig. 11 – Fotografia de um exemplar de Eurranthis plumistaria, com escala de cores e etiqueta da coleção Entomológica (MUHNAC). 2015.

46

Fig. 12 e 13 – Processo inicial da arte final – linha de contorno e início da mancha. Tetyana Chkyrya, 2015.

48

Fig. 14PanPastel e as esponjas utilizadas na sua aplicação. 49

Fig. 15 e 16 – Processo de aplicação de grafite e esfuminho. Tetyana Chkyrya, 2015.

49

Fig. 17 – Lâmina de x-ato. Utilizada no processo de desenho analógico. 50

Fig. 18 – Fase final do processo analógico. Tetyana Chkyrya, 2015. 51

(16)

16

Fig. 20 e 21 – Fase inicial do processo de aplicação da Layer mask. Tetyana Chkyrya, 2015.

53

Fig. 22 e 23 – Fase final da aplicação do processo de aplicação da

layermask. Tetyana Chkyrya, 2015.

53

Fig. 24 – Esquema de layers que determinam a cor. 54

Fig. 25 – Ilustração final da espécie Eurranthis plummistaria (Villers, 1789). Tetyana Chkyrya, 2015.

55

Fig. 26 e 27 – Microscópio usado ao longo do trabalho, na observação das espécies – Leica Mz 9.5 e demonstração da colocação do exemplar para respetiva observação.

57

Fig. 28 – Ilustrações de antenas em ampliação. a- Antena de um noctuídeo (Trichoplusia orichalcea); b- Antena de um geometrídeo (Biston betularia) Grafite sobre papel vegetal e técnica digital, 14,8x21cm, Tetyana Chkyrya, 2015.

58

Fig. 29 – Ilustrações de detalhes de antenas em ampliação. a1- Detalhe da antena de um noctuídeo (Trichoplusia orichalcea); b1- Detalhe da antena de um geometrídeo (Biston betularia), Grafite sobre papel vegetal e técnica digital, 14,8x21cm, Tetyana Chkyrya, 2015.

59

Fig. 30 – Espécime de Trichoplusia orichalcea (Fabricius, 1775). Fotografia: Tetyana Chkyrya, 2015.

60

Fig. 31 – Imagem microscópica das escamas da asa de uma

Trichoplusia orichalcea. Tetyana Chkyrya, 2015.

60

Fig. 32 – Ilustração a partir da imagem microscópica da asa de uma

Trichoplusia orichalcea. Grafite sobre papel, 18,4x21cm. Tetyana Chkyrya, 2015.

60

Fig. 33 – Ilustração de uma Biston betularia, em pose de repouso. Grafite sobre poliéster, 21x29,7cm. Tetyana Chkyrya, 2015.

61

Fig. 34 – Ilustração de uma Trichoplusia orichalcea, em pose de repouso. Grafite sobre poliéster, 21x29,7cm. Tetyana Chkyrya, 2015.

61

Fig. 35 – Ilustração da silhueta de uma Trichoplusia orichalcea. Tinta-da-china sobre papel vegetal e técnica digital, 14,8x21cm. Tetyana Chkyrya, 2015.

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17

Fig. 36 – Ilustração da silhueta de uma Biston betularia. Tinta-da-china sobre papel vegetal e técnica digital, 14,8x21cm. Tetyana Chkyrya, 2015.

62

Fig. 37 – Ilustração da espécie Geodena sp. Aguarela sobre papel. Tetyana Chkyrya, 2015.

63

Fig. 38 – Materiais usados na técnica de aguarela sobre papel. 64

Fig. 39 – Logótipos dos apoios da publicação do livro “Cem Traças”. 66

Fig. 40 – Logótipo da plataforma online de crowdfunding. 66

Fig. 41 – Mockup do livro “Cem Traças”. 68

Fig. 42 – Página de rosto do livro “Cem Traças”. 69

Fig. 43 – Índice do livro “Cem Traças”. 69

Fig. 44 – Páginas 28 e 29 do livro “Cem Traças”. 70

Fig. 45 – Páginas 74 e 75 do livro “Cem Traças”. 70

Fig. 46 e 47 – Fotografias da exposição do projeto “Cem Traças”. 72

Fig. 48 – Convite para a exposição “Cem Traças” no MUHNAC, lançado em 2016.

72

Fig. 49 – Fotografias da exposição “Cem Traças” no MUHNAC. 2016. 73

Fig. 50 e 51 – Fotografias da exposição “Cem Traças” no MUHNAC. 2016.

73

Fig. 52 – Autocolantes criados para acompanhar o projecto “Cem Traças”.

74

Fig. 53 – Ilustração da espécie Nephele aequivalens

Tetyana Chkyrya, 2015.

83

Fig. 54 – Ilustração da espécie Coelonia fulvinotata

Tetyana Chkyrya, 2015.

83

Fig. 55 – Ilustração da espécie Hippotion roseipennis

Tetyana Chkyrya, 2015.

84

Fig. 56 – Ilustração da espécie Hippotion celerio

Tetyana Chkyrya, 2015.

84

Fig. 57 – Ilustração da espécie Temnora fumosa

Tetyana Chkyrya, 2015.

85

(18)

18 Tetyana Chkyrya, 2015.

Fig. 59 – Ilustração da espécie Pseudoclanis tomensis

Tetyana Chkyrya, 2015.

86

Fig. 60 – Ilustração da espécie Pseudobunae tyrrhena

Tetyana Chkyrya, 2015.

86

Fig. 61 – Ilustração da espécie Pseudobunae tyrrhena

Tetyana Chkyrya, 2015.

87

Fig. 62 – Ilustração da espécie Cyligramma latona

Tetyana Chkyrya, 2015.

87

Fig. 63 – Ilustração da espécie Cyligramma latona

Tetyana Chkyrya, 2015.

88

Fig. 64 – Ilustração da espécie Antheua ornata

Tetyana Chkyrya, 2015.

88

Fig. 65 – Ilustração da espécie Balacra guillemei

Tetyana Chkyrya, 2015.

89

Fig. 66 – Ilustração da espécie Phiala sp.

Tetyana Chkyrya, 2015.

89

Fig. 67 – Ilustração da espécie Phiala sp.

Tetyana Chkyrya, 2015.

90

Fig. 68 – Ilustração da espécie Bunaeopsis angolana

Tetyana Chkyrya, 2015.

90

Fig. 69 – Ilustração da espécie Cinabra hyperbius

Tetyana Chkyrya, 2015.

91

Fig. 70 – Ilustração da espécie Menophra maderae

Tetyana Chkyrya, 2015.

91

Fig. 71 – Ilustração da espécie Ascotis fortunata

Tetyana Chkyrya, 2015.

92

Fig. 72 – Ilustração da espécie Xenochlorodes nubigena

Tetyana Chkyrya, 2015.

92

Fig. 73 – Ilustração da espécie Acontia lucida.

Tetyana Chkyrya, 2015.

93

Fig. 74 – Ilustração da espécie Scopula irrorata

Tetyana Chkyrya, 2015.

93

Fig. 75 – Ilustração da espécie Agrotis trux

Tetyana Chkyrya, 2015.

(19)

19

Fig. 76 – Ilustração da espécie Chrysodeixis chalcites

Tetyana Chkyrya, 2015.

94

Fig. 77 – Ilustração da espécie Eumichtis albostigmata

Tetyana Chkyrya, 2015.

95

Fig. 78 – Ilustração da espécie Euplexia dubiosa

Tetyana Chkyrya, 2015.

95

Fig. 79 – Ilustração da espécie Noctua pronuba

Tetyana Chkyrya, 2015.

96

Fig. 80 – Ilustração da espécie Peridroma saucia

Tetyana Chkyrya, 2015.

96

Fig. 81 – Ilustração da espécie Phologophora wollastoni.

Tetyana Chkyrya, 2015.

97

Fig. 82 – Ilustração da espécie Rhodometra sacraria

Tetyana Chkyrya, 2015.

97

Fig. 83 – Ilustração da espécie Spodoptera littoralis

Tetyana Chkyrya, 2015.

98

Fig. 84 – Ilustração da espécie Xestia c-nigrum

Tetyana Chkyrya, 2015.

98

Fig. 85 – Ilustração da espécie Epiphora macedoi

Tetyana Chkyrya, 2015.

99

Fig. 86 – Ilustração da espécie Achaea lienardi

Tetyana Chkyrya, 2015.

99

Fig. 87 – Ilustração da espécie Chiromachla sp.

Tetyana Chkyrya, 2015.

100

Fig. 88 – Ilustração da espécie Cadarena pudoraria

Tetyana Chkyrya, 2015.

100

Fig. 89 – Ilustração da espécie Chrysamma purpuripulcra

Tetyana Chkyrya, 2015.

101

Fig. 90 – Ilustração da espécie Trichoplusia orichalcea

Tetyana Chkyrya, 2015.

101

Fig. 91 – Ilustração da espécie Epiphora albida

Tetyana Chkyrya, 2015.

102

Fig. 92 – Ilustração da espécie Proserpinus proserpina

Tetyana Chkyrya, 2015.

(20)

20

Fig. 93 – Ilustração da espécie Pachymetana fontainei

Tetyana Chkyrya, 2015.

103

Fig. 94 – Ilustração da espécie Azygophleps inclusa

Tetyana Chkyrya, 2015.

103

Fig. 95 – Ilustração da espécie Geodena sp.

Tetyana Chkyrya, 2015.

104

Fig. 96 – Ilustração da espécie Arctia villica

Tetyana Chkyrya, 2015.

104

Fig. 97 – Ilustração da espécie Biston betularia

Tetyana Chkyrya, 2015.

105

Fig. 98 – Ilustração da espécie Adscita jordani

Tetyana Chkyrya, 2015.

105

Fig. 99 – Ilustração da espécie Antheua rodeosemena

Tetyana Chkyrya, 2015.

106

Fig. 100 – Ilustração da espécie Scoliopteryx libatrix

Tetyana Chkyrya, 2015.

106

Fig. 101 – Ilustração da espécie Merrifieldia sp.

Tetyana Chkyrya, 2015.

107

Fig. 102 – Ilustração da espécie Zeuzera pyrina

Tetyana Chkyrya, 2015.

107

Fig. 103 – Ilustração da espécie Euchromia folleti

Tetyana Chkyrya, 2015.

108

Fig. 104 – Ilustração da espécie Cerura iberica

Tetyana Chkyrya, 2015.

108

Fig. 105 – Ilustração da espécie Miniodes discolor

Tetyana Chkyrya, 2015.

109

Fig. 106 – Ilustração da espécie Eurranthis plummistaria

Tetyana Chkyrya, 2015.

109

Fig. 107 – Ilustração da espécie Biston betularia

Tetyana Chkyrya, 2015.

Fig. 108 – Ilustração da espécie Trichoplusia orichalcea

110

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21

1. Introdução

Este relatório descreve o projeto realizado dentro do tema da ilustração científica. Fez-se uma reflexão sobre e empregaram-se as potencialidades da ilustração científica enquanto meio de divulgação de conhecimento.

O trabalho de projeto teve como principal objetivo a comunicação e divulgação de conhecimento científico, através da ilustração científica. Como objetivo paralelo, surge a intenção de divulgar a coleção entomológica do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC). Outros objetivos, ligados às borboletas noturnas, passam pela divulgação da sua diversidade, taxonómica e de formas e padrões, e mesmo para a sua beleza, e do papel de coleções científicas no estudo e registo da biodiversidade.

Dentro do tema das borboletas noturnas, deu-se principal enfoque às Famílias Noctuidae e Geometridae. Além destas duas famílias, estudadas como tema principal, este projeto incorpora outras famílias da Ordem Lepidoptera, a que pertencem todas as borboletas noturnas.

As ilustrações científicas formam o principal corpo de trabalho prático deste projeto, realizada ao longo de um ano. O desenvolvimento deste trabalho resultou na criação de um livro, intitulado “Cem Traças”, publicado com o apoio do MUHNAC, da Associação Tentáculo e o Centre for ecology evolution and environmental changes. Além da publicação do livro, realizaram-se variados suportes e atividades de divulgação.

Para a produção de um livro deste género, a metodologia, materiais e técnicas, usadas na criação das ilustrações, foram planeadas por forma a apresentarem coerência entre si.

Assim, este relatório de projeto divide-se em vários momentos. Em primeiro lugar, uma breve introdução ao conceito e história da ilustração científica, para justificar o uso da mesma enquanto meio de divulgação de conhecimento científico. Seguidamente, apresenta-se uma introdução à coleção entomológica e à taxonomia, campo de estudo científico que lhe é

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inerente. Apresenta-se então a descrição das metodologias e técnicas e, no final, os resultados de todo o processo.

2. O Desenho e Ilustração Científica como forma de transmitir conhecimento científico

2.1. O Desenho e o Desenho Científico

“Desenho”, do latim “designo”. O verbo transitivo “desenhar” significa “fazer o desenho de”. Figurativamente, significa “descrever”.1

Um desenho pode representar desde um pensamento até aquilo que se vê na nossa realidade. É uma ferramenta com a capacidade de comunicar, desde o projetar de uma ideia ou conceito até à sua concretização.

Enquanto técnica, o desenho é um meio para se encontrarem resultados e soluções visuais em termos de registo, de acordo com a informação ou conteúdo que seja necessário transmitir ao observador. É, na sua dimensão maior, tido como um veio de expressão artística individual.

Ao longo do séc. XIV até ao início do séc. XVI, com o desenvolver do Renascimento, o desenho transitou de uma realidade mais didática e simbólica para uma com funções científicas. Alguns dos primeiros autores a quem se poderá atribui o uso do desenho com o objetivo de difundir ou registar conhecimento científico (ilustração científica) foram Leonardo Da Vinci (1452-1519) e Albrecht Dürer (1461-1528).

O desenho enquanto meio de transmissão de conhecimento científico/natural, pode-se apreciar numa das mais famosas obras de Dürer -

“Rinoceronte”2 (fig. 1) – que foi baseada em indicações de outros autores, e não em observação direta, visto que o autor nunca viu o animal ao vivo.

1 Disponível em: https://www.priberam.pt/dlpo/desenho. 2 Disponível em: http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/e71.html

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23

O desenho começava a dar os primeiros passos numa ligação entre a arte e a ciência. Na passagem do séc. XV para o séc. XVI surge uma panóplia de novos conhecimentos, trazidos pelas viagens realizadas na época dos Descobrimentos3. Pela atividade de descoberta e descrição de novas espécies,

usando a ilustração como ferramenta de divulgação desses conhecimentos, desenvolve-se mais a ideia daquilo que se poderia chamar de desenho científico.4

O descobrimento de novas terras, através das viagens realizadas neste período, traz a necessidade de relatar as novas descobertas e de descrever a natureza, sobretudo os novos animais e plantas. Os pioneiros deste tipo de desenho surgem no acompanhamento das expedições de exploração científica e natural5.

No desenrolar do séc. XVIII o desenho já incorpora um caráter descritivo. Este período é marcado por uma maior atividade de identificação e classificação de espécies e desenvolvimento do sistema taxonómico através do sistema proposto por Linnaeus (1707-1778) e subsequentes desenvolvimentos6.

3 FARIA, Miguel. A imagem útil. Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2001. Pág. 73.

4 CRATO, Nuno in Cinco séculos de lustração Científica. Instituto Camões, 2003. Disponível em:

http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/e4.html. Consultado em: 12-12-2015.

5 FARIA, Miguel. A imagem útil. Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2001. Pág. 93.

6 ASSIS, Carlos A. In Professor Carlos Almaça (1934-2010) Estado da Arte em Áreas Científicas do seu

interesse, Lisboa, 2014. Pág. 161.

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24

Nesta época foi desenvolvida uma aproximação metódica e sistemática, mudando o paradigma de um desenho mais fantasiado7 para um desenho mais

naturalista e descritivo, criando os fundamentos daquilo a que hoje se denomina de desenho científico.

Em Portugal, um nome pertinente para o desenvolvimento do desenho científico neste século foi Vandelli, naturalista nascido em Pádua em 1716, tendo vindo para o país durante a Reforma Pombalina, a convite do Marquês de Pombal. Em 1780, Vandelli foi o criador da Casa do Risco do Jardim Botânico da Ajuda, onde se formaram os ilustradores que realizaram desenhos das espécies descobertas um pouco por todo o império colonial. Através das expedições de reconhecimento no fim do séc. XVIII, das quais se distinguem as viagens filosóficas do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, se produziram ilustrações bastante rigorosas realizadas por José Joaquim Freire e Joaquim José Codina8.

Os desenhos tinham o propósito de registar, representando aquilo que não fosse possível transportar, fossem espécimes da flora ou fauna, ou mesmo paisagens. Vandelli, enquanto “mentor” da filosofia aplicada ao desenho nesta época, dizia:

“Ora os objectos (…) que não podem ser transportados, como as habitações, montes, rios, fontes, árvores grandes, animais ferozes, e ainda algumas plantas com as suas flores, de que haja receio que não se possam conservar perfeitas, e então estes todos devem ser debuxados, e se possível, iluminados com toda a exactidão.”

Nesse sentido, o desenho chamado científico, manteve-se numa relação estreita com a ciência9. Esta ligação torna o desenho dependente do

desenvolvimento das necessidades científicas, assumindo como pelouro a parte da comunicação visual, sobrepondo os conteúdos científicos às preocupações estéticas.

7 HODGES, E.R.S (Ed.)The Guild handbook of scientific illustration. 2nd edition. New Jersey, John Wiley &

Sons. 2003. Pág. XI

8 FARIA, Miguel. A imagem útil. Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2001. Pág. 93. 9 FARIA, Miguel. A imagem útil. Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2001.Pág. XI.

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O caso das viagens filosóficas é um exemplo daquilo que se tem como um dos fundamentos do desenho científico10 – o trabalho em equipa entre

artistas e cientistas em que se ocorre numa multidisciplinaridade que tem como objetivo final a descrição de temas através de imagética rigorosa.

Visto que o pensamento, surgido no séc. XVIII, inerente à prática do desenho científico, não sofreu grandes alterações, as mudanças visíveis nesta área deram-se, por outro lado, a nível dos materiais e técnicas. Nas tecnologias de representação, na impressão, na reprodução, na observação e nos instrumentos ópticos notou-se uma evolução contínua até hoje.

Mesmo com as mudanças nos materiais e métodos, um elemento comum ao longo da história do desenho científico é o rigor. Para o trabalho prático deste projecto em específico, o que interessa num desenho é a representação fiel de uma determinada espécie, de acordo com certas convenções, no caso das borboletas, para a ilustração de insetos. Isto é, há que produzir uma ilustração que apresente as caraterísticas-chave para a exata identificação da espécie11. Em par com o saber científico, o desenho averigua a

informação necessária para esse resultado, criando assim uma imagem que represente a espécie na sua multiplicidade, e não de um só exemplar, casualmente anómalo. Ao longo de cerca de cinco séculos, foi moldada a área à qual se dá o nome de desenho científico e, sobre a forma que esta assume na atualidade, se trabalhou este tema. Hoje em dia é ainda defendida uma visão de uma ligação entre o artista e o cientista, pela comunidade de ilustradores científicos a nível internacional, através da Guild of Natural Science Illustrators¸ fundada e com sede em Washington, D.C., E.U.A. em 196812.

Desde os seus primórdios que o desenho científico se preocupa em descrever um objeto, ou seja, explicá-lo através de diferentes perspetivas, descrições e cortes. Entre várias capacidades o desenho científico pode servir a ciência como um tipo de comunicação visual, capaz de transmitir a

10FARIA, Miguel. A Imagem útil. Universidade Autónoma de Lisboa, Lisboa, 2001. Pág. 82. 11Ibidem, Pág. 362.

12 HODGES, E.R.S (Ed.)The Guild handbook of scientific illustration. 2nd edition. John Wiley & Sons, New

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26

complexidade da vida biológica, geológica ou antropológica, através da imagem desenhada.

As técnicas e métodos que se podem empregar num desenho deste género são variadíssimas, mas todas trabalham para um propósito comum – explicar um fato científico e a divulgação dessa informação.

Neste sentido pode-se dizer que a arte está ao serviço da ciência, e para que o desenho seja desenvolvido corretamente é necessária uma ligação forte entre estas áreas e nomeadamente entre investigador e artista, devendo o primeiro comunicar ao segundo quais aspetos do elemento a ilustrar devem ser apresentados.

Ao avançar para a criação de uma ilustração científica há vários elementos a serem tidos em conta13. Primeiramente há que conhecer o objeto a representar, sendo importante uma pesquisa prévia antes de iniciar o desenho. De seguida, e de acordo com os requisitos do projeto, há que definir as técnicas a usar para melhor demonstrar as propriedades do objeto. Os materiais a usar também são alvo de criteriosa escolha, pois disso depende a rapidez e qualidade de execução, a definir para cada caso específico.

Finalmente há que considerar questões como o público-alvo e a finalidade dos desenhos produzidos – que tipo de reutilização vão ter e de que tipo de reprodução e exposição serão alvo.

Definidas as metodologias, a finalidade de um desenho científico é, invariavelmente, a transmissão de conhecimento.

(27)

27

2.2. Registo fotográfico e desenho científico

A fotografia surgiu após o desenho científico e em muitos casos veio substituí-lo. No entanto, em variadas instâncias, o desenho é ainda a melhor opção para mostrar de maneira consistente, detalhada e clara as estruturas e morfologia daquilo que se quer representar.

O desenho é capaz de recriar aquilo que normalmente não se vê. As eventuais falhas e imperfeições de um exemplar a ser ilustrado podem ser corrigidas e as partes que estejam em falta, reconstruídas. Posto isto, não se pode esquecer a fotografia. Ela é aliada dos ilustradores científicos, enquanto recurso base, vital para a realização de diversas fases do trabalho.

(…) A fotografia capta o momento e a informação que lhe está associada. A ilustração, e o desenho científico na sua essência, é uma explicação. O desenho seleciona a informação relevante, omite o desnecessário, simplifica, sintetiza. O desenho permite a composição de vários elementos não disponíveis em simultâneo, faz uma gestão da profundidade de campo e da iluminação do modelo, elimina sujidade e fatores de ruído, e tem a extraordinária capacidade de reconstruir partes escondidas ou danificadas. O desenho científico é concebido e desenvolvido para transmitir níveis de informação selecionados e muito específicos, de acordo com os objetivos e públicos predeterminados.

A fotografia não tem estas capacidades, mas terá também o seu papel, seja na comunicação científica ou numa perspetiva estética. Além disso, não se pode deixar de referir a sua importância crucial como material de referência para o desenvolvimento de uma ilustração.14

Em vários casos o desenho científico apresenta uma grande vantagem - a capacidade de explicar numa só imagem aquilo que a fotografia, em termos de informação, carece de várias imagens para fazer.

Tendo em conta que o processo para realizar um desenho científico engloba uma observação atenta por parte do ilustrador, este tipo de desenho

(28)

28

permite ao artista contribuir com informação natural e morfológica que pode passar despercebida ao cientista.

2.3. Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa – Coleção Entomológica

Por forma a compreender a origem da coleção entomológica e o seu valor, procurando a sua divulgação, aqui se apresenta um breve olhar à sua nobre história.

A história do MUHNAC remonta ao séc. XVIII, em 1768, quando é criado o Real Gabinete de História Natural da Ajuda, uma das mais antigas iniciativas na área da História Natural em Portugal, seguindo o movimento de outros países da Europa.

O responsável científico é Domingos Vandelli (1735-1816)15,

considerado como o responsável por enraizar os estudos da História Natural em Portugal e aí criar, no Real Gabinete de História Natural da Ajuda, a primeira escola de ilustração científica portuguesa16.

As viagens filosóficas, realizadas por alunos de Vandelli, das quais uma das mais conhecidas é a de Alexandre Rodrigues Ferreira ao Brasil, enriqueceram e tornaram conhecido o Real Gabinete da Ajuda.

O Gabinete viria a dar origem ao atual Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Ao longo de mais de 240 anos, as suas coleções aumentaram e, em 1836 foram transferidas para as instalações da Real Academia das Ciências de Lisboa, dando origem ao Museu de Lisboa, que por sua vez seria também transferido, em 1858 para a Escola Politécnica de Lisboa, onde se manteria até à atualidade.17

Em 1978, houve um incêndio que praticamente destruiu por completo as coleções zoológicas. A coleção entomológica existente na altura praticamente

15 Médico e naturalista paduano (de Pádua, Itália), principal responsável pela introdução do sistema

lineano em Portugal. CERÍACO, L. in Professor Carlos Almaça (1934-2010) Estado da Arte em Áreas Científicas do seu interesse, Lisboa, 2014. Pág.332.

16 SALGADO, Pedro in Provas de Professor Especialista. Instituto Superior de Educação e Ciências,

2012. Pág. 111.

17 CERÍACO, L. in Professor Carlos Almaça (1934-2010) Estado da Arte em Áreas Científicas do seu

(29)

29

desapareceu e a coleção atual é formada por colheitas posteriores e por doações de outras instituições e colecionadores privados.

De entre as coleções do Museu, a coleção entomológica, cuja disciplina aí exercida é a Entomologia18, insere-se na área da Zoologia e encontra-se

organizada de forma taxonómica. Incluí alguns espécimes que são holótipos e parátipos19.

2.4. Taxonomia biológica

Na coleção entomológica a taxonomia é um dos principais campos de estudo e, sobre ela, se versou uma parte da pesquisa para este trabalho, nomeadamente na nomenclatura das espécies ilustradas.

A taxonomia biológica agrupa os seres vivos em categorias organizadas de forma hierárquica. Esta disciplina das ciências biológicas tem como o objetivo de nomear, descrever e classificar os organismos. Cada grupo a que um organismo é classificado é denominado de taxon, sendo a espécie considerada a unidade básica da classificação biológica. A classificação biológica é organizada pela seguinte ordem hierárquica (são apresentados apenas alguns dos principais taxa):

- Reino - Filo - Classe - Ordem - Família - Tribo - Género - Espécie

18 A Entomologia é a área científica que estuda os insetos. DAHLEM, Gregory e RIVERS, David. The

Science of Forensic Entomology, John Wyley & Sons, Ltd, 2014. Pág. 47.

19 Holótipo é o espécime ou ilustração usado pelo autor no momento da descrição de uma nova espécie.

(30)

30

Ao nível taxonómico as borboletas, pertencem ao Reino Animal, ao Filo

Arthropoda20, à Classe Insecta e por fim à Ordem Lepidoptera.

Da Ordem Lepidoptera existem diversas Famílias representadas na coleção entomológica do MUHNAC, com espécies um pouco de todo o mundo, mas com forte representação da Península Ibérica e África, sobretudo dos países com forte ligação histórica a Portugal.

Destas famílias foram selecionadas duas como tema principal para este trabalho: Noctuidae e Geometridae, dentro das quais se ilustraram principalmente espécies de Portugal Continental e Ilhas e de África.

(31)

31

2.5. Família Noctuidae

Esta família é a que contém mais espécies de borboletas21 (mais de

35.000). Apesar da comum associação às traças que danificam os têxteis, nenhuma espécie desta família o faz. No entanto, existem espécies que são causadoras de outro tipo de danos, como por exemplo a espécie Mythimna unipuncta (Haworth, 1809)22 (que é uma praga no território dos Açores).

A maioria das espécies nesta família é de cor acastanhada (fig.2), com tórax e abdómen robustos e rotinas de voo noturno. Quando estão em repouso dispõem as suas asas anteriores numa posição que se assemelha a uma tenda, sobre o corpo.

Sendo que um dos objetivos deste trabalho é o de sensibilizar o público para insetos que, regra-geral, não têm grande atenção ou são vistos de forma negativa e de forma simplista, apesar do seu importante papel nos ecossistemas, tais como a polinização e formação dos solos, entre outras. Esta família é um bom exemplo destes casos.

Fig. 2 – Xestia c-nigrum (Linnaeus, 1758) Fotografia Tetyana Chkyrya, 2015.

21 CALLE, José A. Noctuidos Españoles, Dirección General de la Producción Agraria, Servicio de Defensa

contra Plagas e Inspección Fitopatológica, 1982. Pág. 13.

22 VIEIRA, Virgílio. Métodos de luta contra Mythimna unipuncta (haworth) (lepidoptera: noctuidae), uma

praga secular nos açoresin IV Encontro Nacional de Protecção Integrada. Ed. Universidade dos Açores, 1999. Pág. 327.

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32

As borboletas desta família são as que, à partida, parecem menos variadas. No entanto, no trabalho de ilustração os detalhes apresentados salientam diferenças de forma e padrão que à primeira vista não são facilmente reconhecidas. O padrão de cores das asas é definido por pequenas escamas23,

que as recobrem, e apenas são observáveis ao microscópio.

Desta família foram ilustradas 16 espécies, das quais 15 integram o livro

“Cem Traças”.

23 Escamas, que são podem, metaforicamente falando, ser comparadas aos pixeis, por conseguirem criar

um padrão constituído por milhares de pontos. HODGES, E.R.S (Ed.) The Guild handbook of scientific illustration. 2nd edition. New Jersey, John Wiley & Sons. 2003. Pág.220.

(33)

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2.6. Família Geometridae

Cerca de 20.00024 espécies, pertencentes à família Geometridae, foram

já descritas.

A maioria tem o corpo pequeno e as asas grandes. Várias borboletas desta família são muito semelhantes em aparência, com as borboletas diurnas. Podem apresentar um padrão mais colorido, e as asas podem surpreender pela sua variedade, mas há um aspeto da sua morfologia que é um fator diferenciador das outras famílias – as antenas.

As suas antenas25 (fig.3) – uma particularidade desta família, revelam

uma invulgar estrutura plumosa. Estas são um importante elemento geralmente usado para diferenciar borboletas noturnas das diurnas, mas nesta Família são uma caraterística taxonómica usada mesmo para a diferenciação de espécies. No trabalho de ilustração, as antenas foram alvo de grande atenção e pretende-se demonstrar em detalhe este aspeto em cada espécie.

24 BLOOMSBURY (Ed.) Concise Butterfly & Moth guide, Ed. Bloomsbury, London, 2014. Pág. 15. 25 as antenas plumosas pertencem geralmente aos machos.

Fig.3 – Foto tirada ao microscópio a um exemplar de Biston betularia. 2015.

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34

Esta família ganhou o nome de Geometridae por causa das lagartas das suas borboletas que, ao se deslocarem, parecem medir os passos assim como um geómetra mede a terra (fig.4 e 5).26

Quanto ao seu cromatismo, sendo uma família tão grande e diversa, existem espécies com tons vivos e outras com padrões mais neutros. Podem ser avistadas de dia mas a sua atividade concentra-se de noite.

26 REDONDO, V.M., GASTÓN, F.J. & GIMENO, R. Geometridae Ibericae. Ed. Apollo Books, Stenstrup,

2009. Pág.9.

Fig. 4 – Lagarta de geometrídeo a imitar um galho. Fotografia de Ramón Gimeno.

Fig. 5 – Posição caraterística da lagarta de um Geometrídeo. Fotografia de Ramón Gimeno.

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35

3. Trabalho Prático

O projeto teve o objetivo de divulgar a coleção de insetos do MUHNAC, em específico as borboletas noturnas desta coleção, das famílias Noctuidae e

Geometridae através da ilustração científica.

Para atingir este objetivo, pretendeu-se criar um catálogo, que foi

publicado em forma de livro, com o título de “Cem Traças”. Além da publicação deste catálogo, foram criados diversos produtos associados, tendo em vista a divulgação deste grupo e da coleção entomológica, tais como: i) merchandise, como postais, autocolantes, posters e um pequeno jogo, em forma de um

puzzle simples; ii) um blog e um perfil na rede social facebook para o projeto Cem Traças; iii) atividades de divulgação científica, como a participação na Noite Europeia dos Investigadores e outras atividades; iv) exposição do trabalho no centro de Ciência Viva da Floresta em Proença-a-Nova.

As ilustrações para o livro “Cem Traças”, foram desenvolvidas em conjunto com o colega de mestrado Pedro Araújo. Visto que o tema do projeto seria semelhante, juntaram-se esforços de forma a produzir um catálogo ilustrado de 100 traças da coleção entomológica do MUHNAC. De forma a obter 100 ilustrações, cada ilustrador propôs-se a realizar 50.

As técnicas de ilustração foram apuradas e alinhadas, de forma a garantir a coerência entre o trabalho dos dois ilustradores.

Houve sempre um acompanhamento do investigador e curador da coleção entomológica, que proporcionou informação sobre como abordar a questão da identificação de espécies e sua correta representação.

Neste trabalho foram ilustradas traças de diversas Famílias, sendo apresentadas duas Famílias de borboletas como tema principal:

- Geometridae; - Noctuidae.

Além destas duas Famílias, e para que este projeto e o catálogo pudessem representar de forma mais abrangente a variedade das borboletas noturnas, foram ilustradas outras famílias de lepidópteros: Arctiidae,

(36)

36

Bombycidae, Cossidae, Crambidae, Erebidae, Eupterotidae, Lasiocampidae, Limacodidae, Nolidae, Notodontidae, Pterophoridae, Saturniidae, Sphingidae e

Zygaenidae.

Na tabela (fig.6) organizada de forma cronológica, enunciam-se as ilustrações feitas para o projeto, incluindo para cada espécime de referência os dados taxonómicos relativos à família e à espécie, o número de coleção, a técnica utilizada e o tempo de execução.

Em alguns casos foi feita mais do que uma ilustração da mesma espécie, de forma a estudar a pose da borboleta em repouso. As ilustrações finais, na sua totalidade, podem ser observadas no apêndice de ilustrações.

Família Espécie Nº de Coleção Técnica Tempo de exec. Nº de Anexo

Sphingidae Nephele aequivalens MB07-000134 Grafite s/ papel + digital - 48

Sphingidae Coelonia fulvinotata MB07-000020 Grafite s/ papel + digital 6H15 49

Sphingidae Hippotion roseipennis MB07-000422 Grafite s/ papel + digital - 50

Sphingidae Hippotion celerio MB07-000320 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h20 51

Sphingidae Temnora fumosa MB07-000186 Técnica mista s/ poliéster +

digital - 52

Sphingidae Euchloron megaera MB07-000250 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h10 53

Sphingidae Pseudoclanis tomensis MB07-000076 Técnica mista s/ poliéster +

digital 7h 54

Saturniidae Pseudobunae tyrrhena MB07-017104

Técnica mista s/ poliéster + digital (usada para

stopmotion)

- 55

Saturniidae Pseudobunae tyrrhena Coleção

didática

Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h20 56

Noctuidae Cyligramma latona MB07-005228 Técnica mista s/ poliéster +

digital 9h55 57

Noctuidae Cyligramma latona Coleção

didática

Técnica mista s/ poliéster +

digital 7h55 58

Notodontidae Antheua ornata MB07-005223 Técnica mista s/ poliéster +

digital 6h05 59

Arctiidae Balacra guillemei Coleção

didática

Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h 60

Eupterotidae Phiala sp. MB07-005247 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h 61

Eupterotidae Phiala sp. MB07-005249 Técnica mista s/ poliéster +

digital - 62

Saturniidae Bunaeopsis angolana MB07-005192 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h45 63

Saturniidae Cinabra hyperbius MB07-005212 Técnica mista s/ poliéster +

(37)

37

Geometridae Menophra maderae MB07-004338 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h20 65

Geometridae Menophra maderae MB07-004397 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h40 -

Geometridae Ascotis fortunata MB07-004403 Técnica mista s/ poliéster +

digital 6h40 66

Geometridae Xenochlorodes nubigena MB07-004394 Técnica mista s/ poliéster +

digital 2h40 67

Noctuidae Acontia lucida MB07-004319 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h15 68

Geometridae Scopula irrorata MB07-004340 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h20 69

Noctuidae Agrotis trux MB07-004230 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h30 70

Noctuidae Chrysodeixis chalcites MB07-004315 Técnica mista s/ poliéster +

digital 7h 71

Noctuidae Eumichtis albostigmata MB07-004266 Técnica mista s/ poliéster +

digital 6h 72

Noctuidae Euplexia dubiosa MB07-004259 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h40 73

Noctuidae Noctua pronuba MB07-004233 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h40 74

Noctuidae Peridroma saucia MB07-004235 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h25 75

Noctuidae Phologophora wollastoni MB07-004279 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h50 76

Geometridae Rhodometra sacraria MB07-004341 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h 77

Noctuidae Spodoptera littoralis MB07-004313 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h25 78

Noctuidae Xestia c-nigrum MB07-004239 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h05 79

Saturniidae Epiphora macedoi ♂ MB07-017055 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h10 80

Saturniidae Epiphora macedoi ♀ MB07-017057 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h55 -

Noctuidae Achaea lienardi MB07-033579 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h15 81

Arctiidae Chiromacla sp. MB07-033671 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h15 82

Crambidae Cadarena pudoraria MB07-033635 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h40 83

Limacodidae Chrysamma purpuripulcra MB07-005272 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h40 84

Noctuidae Trichoplusia orichalcea MB07-033626 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h45 85

Saturniidae Epiphora albida MB07-017504 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h55 86

Noctuidae Miniodes discolor MB07-033644 Técnica mista s/ poliéster +

digital 6h 87

Sphingidae Proserpinus proserpina MB07-000010 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h30 88

Lasiocampidae Pachymetana fontainei MB07-033662 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h35 89

Cossidae Azygophleps inclusa MB07-033668 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h15 90

Geometridae Geodena sp. MB07-033624

Técnica mista s/ poliéster + digital (usada para

stopmotion)

- 91

(38)

38

Geometridae Ourapteryx sambucaria MB07-033675 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h05 -

Arctiidae Arctia villica MB07-032886 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h40 92

Geometridae Biston betularia MB07-033679 Técnica mista s/ poliéster +

digital 3h55 93

Zygaenidae Adscita jordani MB07-008927 Técnica mista s/ poliéster +

digital 2h40 94

Notodontidae Antheua rodeosemena MB07-005854 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h45 95

Noctuidae Scoliopteryx libatrix MB07-033834 Técnica mista s/ poliéster +

digital 5h15 96

Pterophoridae Merrifieldia sp. MB07-002920 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h35 97

Cossidae Zeuzera pyrina MB07-009704 Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h10 98

Arctiidae Euchromia folleti Coleção

Didática

Técnica mista s/ poliéster +

digital 4h35 99

Notodontidae Cerura iberica MB07-006138 Técnica mista s/ poliéster +

digital 7h 100

Geometridae Trichoplusia orichalcea Coleção

Didática Técnica mista s/ poliéster 1h45 101

Geometridae Biston betularia Coleção

Didática Técnica mista s/ poliéster 2h15 102

Geometridae Eurranthis plumistaria MB07-033683

Técnica mista s/ poliéster + digital (usada para

stopmotion)

- 103

(39)

39

3.1. Processo

As Famílias Geometridae e Noctuidae foram selecionadas como tema principal. Foi feito um estudo sobre estas famílias e foram identificados aspetos da sua morfologia e cor, para os quais a ilustração científica poderia contribuir de forma rigorosa para a sua descrição. A seleção de espécies a ilustrar foi feita em conjunto pelos ilustradores e o investigador, de forma a mostrar a diversidade destas famílias.

Assim, foram criados dois desenhos tipo: o desenho tipo I, em que as metodologias e materiais utilizados, foram pensados tendo em vista a produção de ilustrações a figurar no livro “Cem Traças” e nos outros suportes de divulgação ao público. O desenho tipo II consiste em vários temas e técnicas que respondem à necessidade do ilustrador de estudar mais profundamente algumas partes das borboletas, para servir de apoio à criação de ilustrações do tipo I. Para este propósito foram utilizados dois exemplares de borboletas noturnas – um espécime de Biston betularia (Linnaeus, 1758) da Família

Geometridae, e um espécime de Trichoplusia orichalcea (Fabricius, 1775) da Família Noctuidae. Estes desenhos incidiram sobre pormenores de antenas, pormenores de escamas das asas, poses de repouso e por fim, realizaram-se silhuetas, de maneira a estudar a forma-chave dos espécimes. Estes estudos não foram utilizados para nenhuma forma de publicação.

Seguidamente, descrevem-se as metodologias e materiais utilizadas ao longo do processo do projeto de ilustração em ambos os desenhos tipo. As técnicas usadas foram ajustadas e afinadas, de forma a cumprir com as objetivos definidos.

(40)

40

3.1.1. Desenho Tipo I

Este desenho tipo foi desenvolvido com o objetivo de criar ilustrações de rigor científico, pensadas para integrar a publicação de um livro, denominado

“Cem Traças”. Por aconselhamento do curador decidiu-se ilustrar as borboletas numa só vista, a dorsal, tendo em conta o objetivo de apresentar o maior número de caraterísticas morfologicamente importantes. Por outro lado, a demanda de criar ilustrações apelativas para o público, também influenciou esta escolha.

A vista dorsal permitiu ilustrar as borboletas de asas abertas, de modo a demonstrar o padrão na sua totalidade e dar uma noção de dimensão relativa das borboletas.

Esta vista é também coerente com a forma como o material entomológico, presente na coleção do MUHNAC, está organizado.

Na coleção, os espécimes preparados estão dispostos em caixas entomológicas, alfinetados e em poses de asas abertas, de forma a apresentar as caraterísticas morfológicas relevantes para cada espécie. (fig. 7). As ilustrações desta etapa pretendem seguir esta convenção.

Fig. 7– Caixa entomológica da coleção do MUHNAC (Coleção Mendoça), Fotografia Tetyana Chkyrya, 2015.

(41)

41

Este grupo abrange 57 ilustrações ao todo, das quais 50 formam parte integrante do livro, denominado “Cem Traças”, realizado em parceria com o MUHNAC.

Para a realização destas ilustrações completas teve de ser feita uma pesquisa preliminar, específica de cada caso. Esta pesquisa teve como objetivo a verificação e procura de referências, para a apresentação de todos os elementos necessários à correta descrição das espécies. O processo para a criação de cada ilustração, a nível global, foi planeado na seguinte sequência:

1 – Escolha de espécimes para ilustrar, a partir da coleção entomológica do MUHNAC;

2 – Pesquisa relativa à nomenclatura de espécies27, através de chaves de identificação, fotografias e ilustrações;

3 – Fotografia em estúdio;

4 – Processo de Desenho Analógico;

5 – Processo de Desenho Digital.

As ilustrações seguiram os passos acima enunciados. A partir da escolha dos exemplares a ilustrar, fez-se a pesquisa relativa à identificação da espécie. A fotografia e recolha de referências fotográficas alheias à coleção do MUHNAC, são a base para realizar o desenho.

27 A pesquisa de nomes científicos verificou-se necessária no caso de alguns exemplares preservados na

coleção do MUHNAC. Existem exemplares que estão presentes na coleção apenas com os dados científicos suficientes para dar entrada na base de dados (local de captura, etc.) Além destes, com o nome científico errado, existem outros com o nome em falta. Ao escolher exemplares a ilustrar, é necessário verificar a identificação da sua espécie, sendo esta confirmada pelo investigador. Posteriormente, o ilustrador deve recolher referências para estudos preliminares e ilustrações.

(42)

42

3.1.1.1. Escolha de espécimes

Através de um processo criterioso escolheram-se os exemplares, tendo em conta vários critérios. O critério principal foi a escolha de exemplares de espécies dentro das Famílias do tema principal desta dissertação – Noctuidae

e Geometridae. Por outro lado, a relevância científica dos espécimes para a coleção entomológica do MUHNAC, foi tida em conta. A relevância científica para a coleção traduz-se nos dados que estão associados aos espécimes, como a determinação da espécie ou o local e data de captura. Além disso os exemplares de destaque, como holótipos (espécimes que são a base para a identificação de uma espécie), são de importância científica. Um exemplo - no conjunto de ilustrações, apresenta-se um exemplar (fig.8) que é holótipo, da espécie Epiphora macedoi (Darge, Mendes & Bívar de Sousa, 2006) da Família

Saturniidae.

Tendo em conta a aplicação das ilustrações no produto final, “Cem

Traças”, procurou-se escolher borboletas que através da sua morfologia e cromatismo, resultassem em imagens apelativas. Por outro lado, selecionaram-se borboletas cuja ilustração as valoriza pela informação apreselecionaram-sentada, que não é vista a olho nu.

Fig. 8 – Espécime holótipo da espécie Epiphora macedoi (Darge, Mendes & Bívar de Sousa, 2006)

(43)

43

Por vezes escolheram-se exemplares que não tinham a espécie identificada. Os ilustradores, recorrendo ao aconselhamento do curador, fizeram essa identificação que depois foi verificada pelo mesmo e pelo investigador especialista de Lepidoptera António Bívar de Sousa. Estes momentos contribuíram para enriquecer a coleção entomológica do MUHNAC dando entrada a identificações e correções de nomes de espécies na base de dados. Numa outra instância, foram escolhidos espécimes da coleção didática

– uma coleção onde os exemplares não têm informação sobre o local e data de colheita, logo não sendo suficientes para fazer parte da coleção principal do MUHNAC. No entanto, por possibilitar a variedade de borboletas apresentada, decidiu-se incorporá-las no projeto. Para todos os efeitos é descrito na tabela de ilustrações (fig. 6) acima de qual das coleções é proveniente cada exemplar. Visto que existem exemplares na coleção que apresentam alguma degradação, procurou-se escolher, sempre que possível, exemplares em bom estado de conservação. Este fator auxilia à realização da ilustração, enquanto referência, pela quantidade de informação e pelo posicionamento das asas. Nos casos em que não foi possível esta escolha, procedeu-se à reconstrução dos elementos danificados (no campo da morfologia e da cor) usando outros espécimes ou referência fotográfica.

3.1.1.2. Nomenclatura de espécie

Aqui se descreve o procedimento que foi seguido para a pesquisa relacionada com a identificação das espécies. Após a escolha dos exemplares a partir da coleção entomológica, que melhor se adeqúem a ser ilustrados, realiza-se uma pesquisa que incide sobre os nomes científicos dos mesmos, ou seja, qual a sua espécie. A determinação da espécie é importante para manter o rigor científico da ilustração. Numa primeira instância esta pesquisa é feita na base de dados da coleção do MUHNAC. Caso o nome do espécime já esteja determinado, verifica-se se está atual, se não foi alterado por investigadores e especialistas. Por vezes, os nomes científicos apresentam desatualizações e é necessário corrigir esse dado. Noutros casos o nome científico está

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44

incorretamente determinado ou não está presente de todo. Para esses momentos, é necessário realizar uma pesquisa através de bases de dados científicas alheias ao MUHNAC. Através de livros / catálogos, guias, e através da internet. Usaram-se os sites como: Africanmoths.com e Afromoths.net, que apresentam bases de dados com fotografia, permitindo a comparação entre o espécime do MUHNAC e os espécimes nessas bases de dados. De acordo com a determinação da espécie, recorreu-se à plataforma online GBIF.org para a verificação das Famílias. Todas as ilustrações passaram pela revisão de um especialista na área – investigador António Bívar de Sousa – de forma a garantir a correta identificação de todas as espécies ilustradas.

Durante esta pesquisa vão-se recolhendo referências fotográficas para além do material disponível na coleção do MUHNAC, por forma a poder observar mais exemplares de cada espécie, evitando usar um só exemplar como referência absoluta. A pesquisa de outros exemplares permite realizar uma ilustração rigorosa da espécie, realçando as caraterísticas gerais da mesma e ocultar as eventuais falhas ou especificidades de um exemplar específico que tenha servido como referência. Foi selecionado um exemplar específico para servir de referência principal à ilustração de cada espécie, procurando verificar que este seja um bom representante da espécie.

À medida que se desenvolveu esta pesquisa foram-se realizando

sketches, que são aprovados pelo investigador para que a ilustração final seja correta. O trabalho de ilustração foi sendo acompanhado e discutido com o curador, de modo que em vários casos não se chegou a algo tão formal como aprovação de sketches.

3.1.1.3. Fotografia em estúdio

A fotografia dos espécimes foi feita no estúdio disponível no departamento de Zoologia do MUHNAC. A fotografia é a referência principal para a realização da ilustração das espécies servindo de base para o estudo do padrão, cores e morfologia. É desta forma uma fase essencial neste projeto.

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45

O estúdio foi preparado com um fundo cinzento28, onde se coloca o

exemplar a fotografar (fig.9). De ambos os lados do exemplar, estão instalados dois flashes, com tripé, que permite o seu ajuste. O flash do lado esquerdo é ajustado de maneira a que ilumine de forma ligeiramente mais intensa do que o

flash direito29.

28 O fundo é de cor cinzenta, e não branca, para que a luz dos flashes não ilumine em demasia o objeto a

ser fotografado. Isto pode causar reflexos indesejados, que adulteram o cromatismo do exemplar.

29 HODGES, E.R.S (Ed.)The Guild handbook of scientific illustration. 2nd edition. New Jersey, John Wiley &

Sons. 2003. Pág.97.

Fig. 9 – André Leão, um dos colaboradores deste projeto, que participou nas primeiras sessões de fotografia das borboletas da coleção. Fotografia

de Tetyana Chkyrya, 2014.

Fig. 10 –Exemplar da espécie Balacra guillemei (Oberthür, 1911).

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46

A borboleta a fotografar é então posicionada num suporte, que permite o posicionamento do exemplar no processo de fotografia (fig.10).

É importante incluir na fotografia, junto com o espécime as etiquetas que providenciam a sua identificação única. Além disso são colocadas escalas, milimétrica e cromática, que permitem a edição e ajustes de cor da fotografia assim como a produção das escalas usadas no livro “Cem Traças”.

A câmara usada para a fotografia dos exemplares foi uma DSLRCanon EOS 7D30. Devido à pequena dimensão dos exemplares, a lente usada foi uma

Canon EF 100mm f/2.8L IS USM.

A edição digital das fotografias executa-se no Photoshop. Através do equilíbrio de níveis e outras ferramentas31, tem como objetivo preparar a

fotografia para o processo de desenho analógico. Primeiramente converte-se a

30 Esta máquina foi usada ao longo de todo o trabalho realizado para esta dissertação.

31 O equilíbrio de níveis permite controlar os vários canais de brilho e contraste. Outras ferramentas

utilizadas são, por exemplo, a eliminação do fundo através de Layer mask – ferramenta que permite apagar e/ou restaurar o que foi apagado, sem perder nada da imagem original, uma espécie de borracha com “back up”.

Fig. 11 – Fotografia de um exemplar de Eurranthis plumistaria, com escala de cores e etiqueta da coleção

Entomológica (MUHNAC). 2015

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imagem para o modo monocromático (greyscale32) e ajustam-se os níveis e eleva-se o valor de contraste. O contraste é ligeiramente aumentado, para que o contorno fique mais evidenciado na impressão. A imagem em preto e branco é particularmente útil, pois a cor, na primeira fase de desenho, é um elemento que causa ruído desnecessário.

Em determinados casos, foi necessário um alinhamento das asas. Para este efeito, foram empregados dois métodos. No primeiro, a fotografia foi impressa e ajustada por meio de recortes e montagens, procedendo-se depois ao desenho de contorno inicial. No segundo método, a mesma montagem foi feita no Photoshop e posteriormente impressa para realizar o desenho de contorno.

A fotografia é impressa, em formato A4 em papel normal de impressão (90gr/m2). A partir desta fase, inicia-se o processo de desenho analógico.

3.1.1.4. Processo de Desenho Analógico

Tendo como base a fotografia, nesta fase cria-se um desenho monocromático, sobre papel ou poliéster que é posteriormente colorido no

Photoshop. Este desenho incidirá sobre o corpo (tórax e abdómen), cabeça e um par de asas. Não se desenha o segundo par de asas pois a criação deste é feita em digital, duplicando o primeiro. Isto assegura a simetria das asas, sem dar espaço a eventuais erros na representação do padrão e tornando o trabalho mais rápido. Procurou-se esta simetria após discussões com o curador da coleção sobre qual o nível de simetria que se deveria dar às ilustrações no que diz respeito às asas. Este procedimento não foi aplicado às antenas, porque resolveu-se criar algum movimento na composição da ilustração nalguns casos, também após uma decisão discutida com o curador.

A fotografia selecionada para referência é impressa em dimensão A4. As ilustrações são feitas também neste formato, opção tomada para que depois as mesmas possam ser reduzidas para o formato do livro (120x185mm) ou usadas num tamanho maior para apresentação como em exposições, por

32Greyscale é um modo que o Photoshop contém, que faz com que a imagem a ser trabalhada fique em

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exemplo. Coloca-se a folha de poliéster, também em formato A4, por cima da impressão da fotografia. O poliéster foi escolhido depois de se terem realizado experiências em papel de 90gr/m2 para o desenho monocromático. O póliester tem diversas vantagens sobre o uso do papel permitindo uma transferência mais rápida da fotografia para o mesmo e por permitir a raspagem, usada para eventuais correções e recuperar brilhos no desenho. O poliéster é fixado por cima da fotografia para se realizar a transferência. (fig. 12).

Ao criar o contorno, é possível corrigir as eventuais falhas do exemplar real. Ao realizar as correções e, para assegurar uma representação fiel, recorre-se à observação de outros exemplares da mesma espécie, tanto da coleção do MUHNAC como de bases de dados científicas contendo imagens de outros espécimes.

Concluído o desenho de contorno, o passo seguinte é a utilização de

PanPastel33 (fig.14). Através deste material, pretende-se cobrir com mancha toda a área branca, delimitada pelo contorno. Deste modo, cria-se uma base do padrão das asas (fig. 13).

33PanPastel é um pastel seco que, aplicado com uma esponja adequada para o efeito, permite cobrir a

área do desenho com uma mancha suave e uniforme.

Fig. 12 e 13 – Processo inicial da arte final – linha de contorno e início da mancha. Tetyana Chkyrya, 2015.

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