NOTA TÉCNICA
Projeto de Lei da Câmara – PLC nº 63 de 2013 (PL nº 2214/2011-CD), que dispõe sobre recursos na Justiça do Trabalho, com parecer apresentado à CCJ do Senado Federal pelo I. Relator, senador Romero Jucá (PMDB-RR), propondo a constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade do Projeto.
Trata-se de proposição de autoria do Deputado Valtenir Pereira (PROS-MT), que encampa projeto do Tribunal Superior do Trabalho – TST a trazer alterações no processamento dos recursos trabalhistas.
O projeto busca imprimir celeridade e efetividade aos provimentos jurisdicionais da Justiça do Trabalho, trazendo-lhe regras que se guiam pelo Princípio Constitucional da Razoável Duração do Processo, assim inscrito: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” (CF, art. 5º, LXXVIII). O projeto propõe alterações em alguns dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a seguir analisados:
- Art. 894.
Referido dispositivo cuida das hipóteses em que cabem o recurso de Embargos ao Tribunal Superior do Trabalho. O projeto original previa multa de até 10 (dez) por cento sobre o valor da causa corrigido, em proveito da parte contrária, em se tratando de embargos tidos por incabíveis nas hipóteses discriminadas no parágrafo 2º. No entanto, diante das dificuldades estabelecidas pelos grupos contrários ao projeto, essa multa foi retirada para se conseguir a aprovação na Câmara dos Deputados.
A Anamatra registra que se tratava de medida de extrema relevância, tendo em vista o congestionamento de recursos endereçados ao TST, com matéria meramente repetitiva e contrária a decisões sumuladas ou reiteradas da Corte Superior Trabalhista, assim como em se tratando de recurso inapto a ser conhecido (por exemplo, por estar intempestivo ou deserto).
O projeto previa, ainda, penalidade caso o recorrente insista em novo recurso contra a decisão denegatória dos embargos, via Agravo à Seção de Dissídios Individuais. Quando referido Agravo for considerado manifestamente inadmissível ou infundado, “o agravante será condenado a pagar ao agravado multa entre 10 (dez) a 15 (quinze) por cento do valor da causa corrigido, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo valor”.
Aqui, uma vez mais, o projeto, em sua redação original, inseria medida de extrema relevância contra a protelação dos feitos levada a cabo perante os tribunais superiores, o que traz sérios gravames para a tramitação não só do feito onde é interposto o recurso, mas à administração judiciária como um todo, ao contribuir com taxas de congestionamento nestas cortes.
- Art. 896.
Trata das hipóteses de cabimento do Recurso de Revista para Turma do Tribunal Superior do Trabalho, contra as decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelos Tribunais Regionais do Trabalho. A finalidade é promover atualizações e aperfeiçoamentos na fase recursal do processo do trabalho.
Texto Original (PL nº 2214/2011-CD) Texto enviado para o Senado Federal
§ 3º. Os Tribunais Regionais do Trabalho procederão, obrigatoriamente, à uniformização de sua jurisprudência e aplicarão, nas causas da competência da Justiça do Trabalho, no que couber, o incidente de resolução de demandas repetitivas previsto no Código de Processo Civil, não servindo a eventual súmula ou a tese aprovada sobre a questão jurídica controvertida, no julgamento do incidente, para ensejar a
§ 3º Os Tribunais Regionais do Trabalho procederão, obrigatoriamente, à uniformização de sua jurisprudência e aplicarão, nas causas da competência da Justiça do Trabalho, no que couber, o incidente de uniformização de jurisprudência previsto nos termos do Capítulo I do Título IX do Livro I do Código de Processo Civil.
admissibilidade do recurso de revista quando contrariar súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho.
§ 4º. Ao constatar o Tribunal Superior do Trabalho, de ofício ou mediante provocação de qualquer das partes ou do Ministério Público do Trabalho, a existência de decisões conflitantes no âmbito do mesmo Tribunal Regional do Trabalho sobre o tema objeto de recurso de revista, determinará o retorno dos autos à Corte de origem, a fim de que proceda à uniformização da jurisprudência, salvo se verificada a ausência dos requisitos extrínsecos de admissibilidade do próprio recurso.
§ 4º Ao constatar, de ofício ou mediante provocação de qualquer das partes ou do Ministério Público do Trabalho, a existência de decisões atuais e conflitantes no âmbito do mesmo Tribunal Regional do Trabalho sobre o tema objeto de recurso de revista, o Tribunal Superior do Trabalho determinará o retorno dos autos à Corte de origem, a fim de que proceda à uniformização da jurisprudência.
- Arts. 896-B.
Referido dispositivo, acrescentado pelo projeto original à CLT, contemplava a possibilidade de se impor multa ao agravante, em benefício da parte contrária, quando manifestamente inadmissível ou infundado o Agravo, assim declarado em votação unânime pela turma recursal, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo valor. Mais uma vez houve alteração neste dispositivo na Câmara dos Deputados. O texto recebido pelo Senado Federal traz uma redação enxuta, o que na avaliação da Anamatra prejudicou a proposta do projeto de lei. Vejam o quadro comparativo:
Texto Original (PL nº 2214/2011-CD) Texto enviado para o Senado Federal
Art.896-B. O Ministro relator denegará seguimento ao Recurso de Revista ou ao Agravo de Instrumento: I – se a decisão recorrida estiver em consonância com a iterativa, notória e atual jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, ou com súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho, ou com súmula do Supremo Tribunal federal, cumprindo
“Art. 896-B. Aplicam-se ao Recurso de Revista, no que couber, as normas do Código de Processo Civil relativas ao julgamento dos Recursos Extraordinários e Especial repetitivos.”
ao relator indicá-la;
II – nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação, ou de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco de admissibilidade.
§1º. Da decisão denegatória caberá Agravo, no prazo de 8 (oito) dias.
§2º. Quando manifestamente inadmissível ou infundado o Agravo, assim declarado em votação unânime, a turma condenará o agravante a pagar ao agravado multa entre 1(um) e 10 (dez) por cento do valor da causa corrigido, em proveito da parte contrária, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito do respectivo valor.
Como dito acima, a imposição de penalidades à parte que se vale do processo, notadamente das hipóteses de recurso à Corte Superior Trabalhista, para procrastinar a decisão definitiva do processo, são de extrema relevância para o Poder Judiciário. As consequências de tais atos de procrastinação não estão adstritas às partes da ação em que a medida é intentada, mas repercutem sobre toda a gestão judicial.
- Art. 897-A.
Referido dispositivo contempla o efeito modificativo dos Embargos Declaratórios. As penalidades decorrem do que a doutrina tem estudado como “assédio processual”, ou seja, quando a parte maneja toda uma gama de incidentes e recursos processuais, não para resolver a controvérsia, mas com o intuito de adiar ao máximo a sua decisão. Daí a tendência do ordenamento jurídico em coibir tais condutas, notadamente na Justiça Laboral, onde a grande maioria dos créditos perseguidos é de natureza alimentar. No entanto, o texto inicial trazia três parágrafos de extrema relevância dentro do art. 897-A, ou seja, previa a imposição de penalidades à parte que se valer da medida para protelar o feito. Entretanto, esses parágrafos foram suprimidos pelos deputados, que seriam os seguintes:
§ 4º. Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal condenará o embargante a pagar ao embargado multa, em montante líquido desde logo fixado, não excedente a 5 (cinco) por cento sobre o valor corrigido da causa.
§ 5º. A renovação de Embargos de Declaração considerados protelatórios implicará multa de até 10(dez) por cento sobre o valor corrigido da causa, em montante líquido desde logo fixado.
§ 6º. A interposição de qualquer outro recurso fica condicionada ao depósito do valor de cada multa.
- Art. 899.
O projeto inicialmente mencionava que os recursos serão interpostos por petição e terão efeito meramente devolutivo, e trata da obrigatoriedade da parte indicar, em caso de mandato tácito, a ata de audiência que o configura. A Associação Nacional dos Magistrados da Magistratura do Trabalho (Anamatra) entende que se tratava de medida importante, uma vez que inúmeros recursos requerem grande demanda de tempo na análise de seus pressupostos de admissibilidade, justamente porque a parte não junta procuração ou substabelecimento em nome do advogado que subscreve a peça recursal e é necessário buscar-se a configuração do mandato tácito em centenas de folhas dos autos, notadamente, encontrar a ata de audiência em que o advogado que assina o recurso compareceu para assistir o cliente em juízo. Mais uma vez a redação original foi deformada a fim de tornar possível a tramitação do projeto. Assim foi suprimido o novo parágrafo 7º do art. 899. Vejam a diferença entre as redações:
Texto Original (PL nº 2214/2011-CD) Texto enviado para o Senado Federal
§ 7º. Sob pena de não conhecimento do recurso, na hipótese de mandato tácito o recorrente indicará a ata
de audiência que o configura.
§ 8º Quando o Agravo de Instrumento tem a finalidade de destrancar recurso de revista que se insurge contra decisão que contraria a jurisprudência uniforme do TST, consubstanciada nas suas súmulas ou em orientação jurisprudencial, não haverá obrigatoriedade de se efetuar o depósito referido no § 7º deste artigo. (NR)
Conclusão.
Apesar dos principais pontos terem sido suprimidos do texto original ao longo da tramitação do referido Projeto, a ANAMATRA entende que o Projeto merece a aprovação dos senhores senadores. A futura Lei será o início para outros aperfeiçoamentos na sistemática processual da Justiça do Trabalho.
Brasília, 22 de abril de 2014.
PAULO LUIS SCHMIDT Presidente da ANAMATRA