VIVIANE MARIA FRANCIO DO VALLI',
AMÁLGAMA DENTAL:
Presente
e
Futuro
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VIVIANE MARIA FRANCIO DO VALLE
AMÁLGAMA DENTAL:
Presente e Futuro
Monografia apresentada ao Curso de Pós-Graduação, em Dentistica Restauradora, na Escola de Aperfeiçoamento Profissional, da Associação Brasileira de Odontologia — SC, como requisito parcial à obtenção do Titulo de Especialista.
Orientador:
Prof. Dr. Mauro Amaral Caldeira de Andrada
DEDICATÓRIA
Ao meu
filho Leonardoe
ao
meuesposo
Josias,que através de
muitoAGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr.
Mauro Amaral Caldeira de Andrada,pela
orientaçãoe
acompanhamento deste trabalho,
Aos
professores e funcionários da EAP —Escola de
AperfeiçoamentoProfissional,
Aos meus
colegas de curso,que através do
intercâmbiode
informações,propiciaram um aumento nos meus conhecimentos,
Aos
meus familiares,que
atravésda
confiançae
motivaçãocolaboraram para a
realização
de mais esta etapa,
1 INTRODUÇÃO 1
2 HISTÓRICO 3
3 AS RESTAURAÇOES DE AMÁLGAMA 8
3.1 Ligas para Amálgama 8
3.2 Preparo Cavitário 14
3.3 0 Mercúrio e sua Toxidade 21
3.4 0 Amálgama frente aos Materiais Alternativos 27
4 DISCUSSÃO 34
5 CONCLUSÃO 37
I INTRODUÇÃO
O amálgama dental tem sido utilizado nos serviços odontológicos há mais de 160 anos, apesar de constar em alguns relatos, o seu surgimento no ano 659 d.C., na China. As ligas comumente usadas, na atualidade, são as com alto
conteúdo de cobre que possibilitam melhores condições, comparadas às ligas com propriedades convencionais (com baixo teor de cobre). A resistência ao
desgaste, o auto-selamento, o fácil manuseio e a durabilidade são caracterisitcas do amálgama dental, embora a liberação do merciu-io, levante controvérsias sobre sua toxicidade e efeitos colaterais. As desvantagens do amálgama, tais
corno a falta de estética e a não adesividade, impulsionaram o surgimento de materiais alternativos para a restauração de dentes posteriores.
Assim, no presente trabalho, visando uma análise completa da utilização do amálgama na restauração de dentes, serão abordados: o processo histórico-evolutivo, tipos de ligas, materiais alternativos, bem como, as questões relativas
presença do mercitrio e sua possível toxicidade, destacando-se a importância da higiene do mesmo.
0 progresso biotecnológico
eas inovações de mercado, visando melhores
resultados estéticos no tratamento dentário, tornou importante a abordagem do
uso do amálgama na odontologia, consider
ando-se as suas características e2 HISTÓRICO
A
históriado
amálgama é marcadapor
informaçõesincompletas e, por
assim dizer, incertas. No entanto,
ouso de
umapasta de prata, como material
obturador, foi relatado a partir do ano de
659 D.C., na China, segundo informamBerry et al.,
1998.Esta massa
émencionada no manuscrito da Dinastia Tang,
o"Matéria Médica", por Su
Kung,que preconizava
ouso de
100partes de
mercArio
misturadas em
45partes de prata
emais
900partes de estanho.
Aproximadamente, um milênio depois, uma espécie de
amálgamacom cobre foi
desenvolvida na Alemanha por
IohannesStocker,
oqual foi
oprimeiro a
chamá-lo
de amálgama (Molin, 1992).
Greener
(1979),relata que por volta dos séculos XVII
eXVIII, um metal
chamado "metal
d'arcet" era amplamente empregado como material restaurador,o
qual era
constituídode
8partes de bismuto,
5partes de chumbo,
3partes de
estanho
euma parte de
mercúrio.Este material causava muito desconforto para
o paciente, já que era plastificado a uma temperatura de 100 °C, indo diretamente
boca do paciente para
inserçãona cavidade. Em
1818,na
França, Regnartsugeriu diminuir a temperatura de
fusão,acrescentando mais
mercúriona
composição.
Em
1819,um
químico inglêschamado Charles Bell, inventou uma espécie
Posteriormente, em 1836, na França, Auguste Onésime Taveau, fez um amálgama de prata, "Patê d' argent", amassando pedaços de moedas de prata e misturando-as com mercúrio em suas mãos.
Por volta do ano de 1830, os irmãos da família Crawcour ganharam muito dinheiro na Europa, apregoando restaurar dentes cariados sem qualquer dor, usando um material que eles chamaram de "Royal Mineral Succedaneum", parecido com a massa de Bell. 0 pretensioso atributo "Royal" sugeria um substituto para o ouro coesivo.
Em 1833, dois dos irmãos Crawcour mudaram-se para Nova York. Lá encontraram dura oposição dos dentistas já estabelecidos, que eram especializados no uso do ouro coesivo (Molin,1992). Os Crawcour tiveram grande sucesso econômico. Entretanto, logo tornou-se claro de que a técnica "sem dor" consistia em preparos cavitários não adequados e sem a remoção do tecido cariado. Isto fez com que as restaurações falhassem, tornando os irmãos Crawcour conhecidos como charlatães.
Em 1845, a Sociedade Americana de Cirurgiões Dentistas, baixou uma resolução "pronunciando" o uso do amálgama como uma má prática, obrigando seus membros a assinarem um termo de compromisso, onde quem não respeitasse a resolução seria passível de expulsão. (Greener,1979)
material, tais como, Thomas W. Evans (1848), na França e Dr. Towsend (1855), na Filadélfia, que produziram algumas ligas, cujas fórmulas, não balanceadas,
causaram problemas de encolhimento/expansão (Crawford,1989).
Em 1870, Dr. J. Foster Flagg criou um movimento pró-amálgama, acreditando em seu potencial e defendendo pesquisas para aprimorar o seu uso.
A decisiva contribuição, entretanto, foi feita por Greene Vardiman Black.
Seus estudos da topografia da lesão cariosa, resultaram em sua época, em regras para preparo, baseadas nos principios da "extensão para a prevenção". Estes métodos requeriam materiais com grande resistência nas bordas. Como
consequência, Black iniciou suas pesquisas para desenvolver melhores
amálgamas. (Molin,1992)
Em 1896, Black publicou uma pesquisa, concluindo que uma boa liga deveria conter 72,5% de prata, 27,5% de estanho e no máximo 5% de cobre,
devendo-se adicionar pequena quantidade de mercúrio, suficiente para obter massa plástica para condensação, segundo informa Crawford (1989).
Greener (1979) relata que a partir das conclusões de Black, surgiu no mercado a primeira liga para amálgama, rica em prata, produzida em grande escala: True Dentalloy, 1900 (SSWHITE).
Muitas reclamações infundadas começaram a assustar as pessoas, que
foram incentivadas a recusar as restaurações feitas com amálgama. Na verdade,
diferente da primeira guerra, que se preocupava com o mercúrio, a reclamação recaia sobre o uso da corrente galvânica, produzida por metais diferentes no meio oral, denominada de "galvanism° oral" (Molin,1992).
Em 1963, o aluno de graduação David Innes e o professor de engenharia metalúrgica, Bill Youdelis, ambos canadenses, idealizaram a primeira liga de
fase dispersa. A partir da fórmula original de Black, aumentaram os tradicionais
5% de cobre para 12%. Essa larga quantidade de cobre eliminava a fraca,
plástica e corrosiva fase Y2 (SnHg). A nova fórmula decresceu o "creep" em 600% e aumentou a resistência à compressão para mais de 30%.
0 que levou estes estudiosos de engenharia a pesquisar na Area de
odontologia foi o desafio feito por Ralph Youdelis (dentista) ao irmão Bill Youdelis, incentivando-o a elaborar urna liga para amálgama com propriedades
melhores do que as já existentes.
Dessa forma, Innes e Youdelis, satisfeitos com os resultados obtidos, lançaram a primeira liga de fase dispersa: o "Dispersalloy". Diante dos excelentes resultados clínicos, a Jonhson & Jonhson adquiriu a patente do "Dispersalloy", comercializando-o por muitos anos (hoje a patente pertence
a
Por fim,
Asgar,
em1974,
desenvolveu um novo tipo de liga paraamálgama
denominada "liga decomposição
única"(Tytin,
daSSWhite). 0
novomaterial cm
60%
de prata,27%
de estanho e13%
de cobre por peso, foi concebido a partir da fusão desses elementos.0
resultado mostrava que as partículas continham metais componentes distribuídos em camadas, sendo que a3 AS RESTAURAÇÕES DE AMÁLGAMA
As restaurações feitas com amálgama são, há muito tempo, utilizadas na
odontologia. Atualmente, tem-se questionado sobre a sua utilização, principalmente, quando da necessidade de se manter um melhor padrão estético. Compreende-se que alguns problemas se apresentaram ao longo de sua evolução e aperfeiçoamento, contudo, suas indicações mantém-se até os dias de hoje. Cabe observar, portanto, algumas especificidades que referem à composição de ligas, preparo cavitário, utilização do merciirio e riscos de toxidade e o lançamento no mercado de materiais alternativos.
3.1 Ligas para Amálgama
As ligas para
amálgama são
classificadas de acordo como
teor decobre
e fase gama2.
Sao elas:• ligas com baixo teor de cobre ou também chamadas de ligas convencionais; e,
Enquanto as ligas convencionais apresentam de 4 a 6% de cobre, as enriquecidas, também chamadas de "alto teor" podem conter de 9 a 30% de cobre. (Baratieri et al., 1992)
Segundo Nagem Filho et al. (1991), essas ligas apresentam-se da seguinte forma: as convencionais, podendo ser encontradas nas formas de limalha, esféricas e misturadas; e, as com alto conteúdo de cobre, na forma de misturadas e fase única (esféricas ou esferoidais).
Garone & Oliveira (1990) escrevem que, nas ligas, a reação inicial poderia ser controlada através do tamanho e forma das partículas, pela proporção liga-mercúrio e pela trituração. Partículas menores foram obtidas (finas e micro) e formas diferentes foram produzidas (esféricas). Essas alterações provocaram um aumento de resistência na primeira hora, mas a longo prazo observou-se não haver alteração, mantendo-se igual nos amálgamas convencionais.
Nagem Filho et al. (1991) concluem, portanto, que as ligas consistem essencialmente de prata e estanho, embora outros materiais possam estar presentes como o cobre, zinco, ouro, mercúrio, desde que o fabricante apresente a aprovação da ADA.
Ag3Sn + Hg ---> Ag3Sn + Ag2Hg3 + Sn8Hg
(liga) (mercúrio) (gama) (gama 1) (gama2)
Baratieri et al. (1992), salientam que 30% do amálgama cristalizado pode ser de fase gama, ou seja, partículas de liga que não sofreram o ataque do mercúrio. Lembram esses autores, que esta fase é muito importante durante os
primeiros estágios da reação contribuindo, assim, para a resistência do
amálgama.
Contudo, Osborne et al. (1997), observam que o grande problema dos
sistemas de amálgama com baixo conteúdo de cobre
é
a fase gama 2, a qualrepresenta de 10 a 15% do amálgama e dissolve-se com o passar do tempo. Esta
dissolução resulta em porosidade através da restauração, enfraquecendo a
estrutura significativamente, ou seja, o amálgama literalmente fragmenta-se em
flocos.
Assim, considerando-se que a fase gama 6, aproximadamente, três vezes
mais resistente que a fase gama 1 e sete vezes mais resistente que a fase gama 2,
quanto mais a fase gama estiver retida no amálgama final, mais resistente ele o
será. Nesse sentido, as fases gama 1
e
gama 2 são, respectivamente, menosresistentes que gama. Pode-se concluir, portanto, que a fase gama é um tanto
amálgamas de alto conteúdo de cobre a fase gama dois praticamente não existe (Nagem Filho et al., 1991).
Com o surgimento das ligas com alto conteúdo de cobre, pode-se superar certos inconvenientes apresentados pela liga convencional como, por exemplo,
escurecimento, perda de brilho, corrosão e valamento marginal, através da diminuição ou eliminação da fase estanho-mercúrio (gama 2).
Garone & Oliveira (1990) sustentam que
o
cobre
possuindo afinidadecom o estanho, o seu excesso, ao invés de reagir com o mercúrio e formar a fase
gama
2,reage com
o cobre formando o composto cobre-estanho (Cu6Sn5).Este
composto 6,portanto,
mais resistente A.corrosão
quando comparado à fasegama
2.Alguns
dos
constituintes do amálgama podem causar determinados efeitos,como,
por exemplo, a prata que tem como efeito geral aumentara
expansão do amálgama. A prata ainda contribui para a resistência
ao
enegrecimento, retarda o endurecimento da massa, expande-se e aumenta
a
resistência de borda (Nagem Filho et al., 1991).
Observa-se, portanto, que as ligas para amalgama que apresentam
porcentagens
menores do que 65% de prata irão fornecer restaurações mais susceptíveis ao escurecimento e corrosão (Garone&Oliveira, 1990).do amálgama". Contudo, o zinco melhora a cor, acelera o endurecimento
e
dá plasticidade à massa. Nos amálgamas convencionais, feitos de limalha, a presença de zinco mostrou ser eficiente na integridade marginal.De igual forma, algumas ligas experimentais apresentam na sua composição o flúor na forma de fluoretos. O fluoreto estanoso, se adicionado até 0,5% na composição do amálgama, não altera a tendência à corrosão, resistência
e até a expansão tardia pela contaminação por umidade. No Brasil, entretanto, não é comum a liga para amálgama contendo flúor (Nagem Filho et al., 1991).
Escrevem Osborne et al. (1997), que tradicionalmente, a fórmula do amálgama era encontrada na proporção liga/mercúrio de 5:8. Atualmente, com a técnica introduzida por Eames, que reduziu a quantidade de mercúrio, esta fórmula encontra-se na proporção de 1:1. Assim, esta proporção evita o excesso de mercúrio, pois, quanto menor a quantidade de mercúrio residual na restauração, melhores condições ela apresentará. Com o uso da proporção 5:8, inicia-se a mistura com o excesso de mercúrio, que deverá ser eliminado após a manipulação e através da condensação. Fato este que, se negligenciado,
acarretará prejuízos à restauração. (Nagem Filho et al., 1991)
curto. Amálgamas com alto conteúdo de cobre mostram que a subtrituração provêm melhores resultados do que a supertrituração. A supertrituração ocon-e porque o calor aquece facilmente o amálgama à temperaturas de 71-85 °C, o que induz à sua rápida cristalização, diminuindo a plasticidade da massa. A rápida cristalização e a redução da plasticidade combinam-se para produzir um amálgama mais poroso e que se adaptará de forma deficiente (Osborne et al.,
1997)
Por outro lado, questiona-se também o uso de ligas de partículas esféricas. Notadamente, as ligas ricas em cobre são de forma esférica, fáceis de condensação, com grande adaptabilidade as paredes da cavidade. Contudo, tais ligas podem provocar maior sensibilidade pós-operatória, devido à sua adaptação deficiente e com reais possibilidades de microinfiltração. Para evitar tais problemas, há necessidade de se modificar a técnica de condensação, que deve ser executada em movimentos de lateralidade e angulada a 450, diferente da condensação de ligas do tipo mistura que são menos sensíveis, e podem ser condensadas verticalmente, provendo boa adaptação (Osborne et al., 1997).
3.2 Preparo Cavitfirio
0 aperfeiçoamento de materiais e técnicas de colocação, assim como, a utilização de métodos preventivos para alterar o desenho dos preparos cavitários, têm sido observados quando da utilização do amálgama, onde
mínimas intervenções representam uma solução para a preservação da estrutura dentária.(Berry et al.,1998)
Segundo explicam Stegall & Grande (1988), dentre os princípios que regem a confecção dos preparos cavitários, o que mais chama atenção, é o da
"extensão para a prevenção", preconizado por Black. Este pesquisador admitia
o englobamento de todas as estruturas, as quais "eram consideradas
susceptíveis" à cárie, como por exemplo, as Areas de cicatriculas e fissuras. Muitos dos conceitos que se perpetuaram após Black estão sendo revistos à luz de novos conhecimentos. A concepção biológica do preparo cavitário é tão ou mais importante que a mecânica, restringindo-se à remoção da lesão de cárie.
E hoje, de senso comum, que o sucesso nas restaurações com amálgama é
mostram uma fratura marginal maior e mais alto índice de recolocação do que restaurações estreitas. Outros beneficios, associados com a observância de pequenos preparos, incluem a redução do estresse oclusal nas margens e a preservação da força do dente. (Berry et al., 1998)
Em cavidades classe I para amálgama, as paredes vestibular e lingual devem estar convergentes para a oclusal em casos de cavidades com istmo estreito. Em cavidades com istmo amplo, as paredes vestibular e lingual devem
estar paralelas para evitar o enfraquecimento dessas paredes. Os ângulos diedros vestibulo-pulpar e linguo-pulpar devem estar ligeiramente arredondados, pois, conferem ao dente uma maior resistência A. fratura. As margens da cavidade devem se localizar em estrutura dental sadia e sujeitas a mínimos esforços. O contorno da restauração deve ser estendido para incluir esmalte socavado por cáries, respeitando-se os contatos céntricos. (Baratieri et al., 1992)
Para cavidades classe II, as paredes vestibular e lingual da caixa proximal convergem para oclusal. Os ângulos vestíbulo e linguo-gengivais, assim como o áxio-pulpar, são arredondados. Nas cavidades classe II, ditas conservadoras, tipo "almquist", as paredes vestibular e lingual da caixa proximal devem formar um ângulo de 900 com a superficie externa do dente.
A
presença
de sulcos deretenção
na proximal é ainda um assuntocontrovertido. Contudo, alguns autores recomendam a
incorporação
do mesmoao preparo, tais como uma ranhura na caixa proximal do
ângulo pulpo
proximalcom uma broca esférica 1/4
, que
pode propiciar adequadaretenção,
evitando,portanto, o deslocamento, conforme observam
Steagall &
Grande(1988)
eOsborne et al.
(1997).
Em casos onde existe extensa
destruição
dos dentes posteriores, oamálgama
é muito indicado, necessitando muitas vezes deretenções
adicionaisdurante o seu
preparo.
0
uso de pinos pré-fabricados ficou consagrado como fator deretenção
para
restaurações
complexas deamálgama.
Todavia, observaram-seinúmeras
desv
antagens no seu emprego, taiscorno:
• requerem desgaste excessivo da estrutura dental sadia para o seu
correto
posicionamento;
• podem causar trincas e estresse na
dentina;
• oferecem riscos de acidentes no
trans-operatório,
comoperfuração
pulpar
ou periodontal e fratura do pino ou dente;• exigem maior tempo de
colocação;
• dificultam a
condensação
do amálgama ao seu redor, podendo ocorrerVisando, portanto, superar as desvantagens dos pinos pré-fabricados, surgiram várias alternativas para retenções diretas, ou seja, fornecidas pelo próprio material. Um preparo cavitario com caixas e sulcos retentivos pode ser obtido eliminando-se os efeitos nocivos de pinos. Prescreve-se também a confecção de canaletas circunferenciais em toda a parede gengival do preparo cavitario.
Emprega-se, também, o "amalgapin" que consiste em uma técnica retentiva auxiliar para restaurações de amálgama, servindo como alternativa ao
uso de pinos pré-fabricados. Neste caso, são realizadas perfurações dentindrias que receberão o amálgama (pino de amálgama), formando um só corpo com o restante da restauração. Em relação aos pinos o "amalgapin" é mais vantajoso nos seguintes aspectos: menor custo, técnica operatória mais rápida e mais fácil, eliminação de tensões na dentina, pode ser empregado em dentes despolpados e com coroas clinicas curtas, etc. Nesse sentido, escrevem Rocha et al. (1992), que se o compararmos com restaurações metálicas fundidas, o "amalgapin" mostra-se mais econômico, exige menor número de mostra-sessões, possibilita um preparo cavitario mais conservador e oferece menor risco de infiltração marginal.
estruturas sadias do órgão dental, obtendo-se urn
a
cavidade menos conservadora.Cantarelli et al. (1996) relatam que, de forma geral, as restaurações feitas com amálgama sofrem microinfiltração na interface dente/restauração, logo após a sua colocação na cavidade. Algum tempo depois, produtos de corrosão se formam selando essa interface, minimizando o ingresso de bactérias e reduzindo o potencial de sensibilidade pós-operató ria. Alguns estudos realizados mostraram que a aplicação de mon8meros adesivos as paredes do preparo cavitário, antes da condensação do amálgama, tem sido efetiva na diminuição da microinfiltração (Cantarelli et al., 1996). Assim, ao comparar-se
a
sensibilidade pós-operatória em dentes com amálgama adesivo com outros com amálgamas retidos a pino, concluiu-se que os dentes com amálgama adesivo apresentaram menor sensibilidade do que os dentes com amálgama retidos a pino. De igual forma, em relação à presença de sensibilidade, observou-se, que um anoapós
a sua inserção, esta já havia desaparecido. Este achado mostra que, possivelmente, corno
resultado de produtos de corrosão na interface das restaurações com amálgama adesivo WI urna diminuição da microinfiltração. Por isso, pode-se dizer que a baixa sensibilidade inicial, pode ser uma vantagem ( Berry et al.,1998).
técnica permite não so inibir a microinfiltração marginal inicial, como também diminuir o preparo cavitario, dando suporte intracorondrio as cúspides enfraquecidas, melhorando a resistência à fratura, e permitindo, portanto, uma rápida restauração de elementos dentais amplamente destruidos, que no passado, só seriam recuperados através de restaurações metálicas fundidas. Com o advento do amálgama adesivo tem-se a possibilidade de se ignorar retenções adicionais como sulcos, canaletas, pinos e perfurações e centralizar a atenção apenas na remoção do tecido cariado, permitindo, portanto, um preparo cavitário de forma mais conservadora e com maior resitência (Cantarelli et al.,
1996).
cúspides, quando existe esmalte socavado e por razões econômicas (Cordeiro & Basso, 1999).
Outro material que possui pequena adesividade à estrutura dental é o Cimento de Ionômero de Vidro. Contudo, a sua associação com o amálgama é possível na tentativa de diminuir a microinfiltração e aumentar a retenção da restauração.
0 principio lógico desta técnica, reside na comprovação de que o material
adesivo une-se com
a estrutura dental e, ao mesmo tempo, com a liga paraamálgama. Existem três opções para sua obtenção. A primeira opção, consiste na utilização de um sistema adesivo dentindrio de cura dual (o amálgama é
Embora muitos estudos demonstrem resultados positivos, deve-se promover um maior número de pesquisas e acompanhar o resultado clinico a longo prazo. Mesmo porque, alguns resultados têm demonstrado que, o amálgama adesivo não deve ser a única forma de retenção, já que, apresentou valores menores de retentividade comparado ao pino rosquedvel e arnalgapin (Torres et al., 2001).
3.3 0
Mercúrio e
a
sua toxidadeA restauração de amálgama só é possível gaps As características únicas apresentadas pelo mercúrio. E, é justamente por causa deste elemento, que a utilização das restaurações com amálgama tern sido discutida por muitos pesquisadores de diversos países, onde muitos afirmam que o mercúrio é responsável pela ocorrência de graves doenças degenerativas, de etiologia e cura desconhecida, tais como Alzheimer e Esclerose múltipla (Silveira et al., 2000).
Assim, não tem sido somente por motivos de saúde que o amálgama foi julgado, mas também por razões ambientais. Essa preocupação teve inicio em
crianças nasceram com graves deformidades fisicas. Pesquisadores descobriram altos níveis de mercúrio, inclusive em alguns alimentos. A descoberta levou à parada do uso de mercúrio naquele pais (Felippe et al., 1999).
O mercúrio existe em três formas maiores: elementar, inorgânico e orgânico. Estas tits formas são diferentes em suas propriedades fisicas e químicas, suas taxas de absorção e excreção e seu modelo de distribuição nos tecidos. 0 mercúrio elementar é o mais volátil dos três, e o vapor do mercúrio no ar é a forma mais predominante do mercúrio elementar (ADA, 1998).
Os componentes orgânicos do mercúrio podem ser muito tóxicos, como o metil-mercúrio. Do mesmo modo, sais inorgânicos de mercúrio são altamente tóxicos, mais por seu efeito cáustico, que dissolve a camada do trato gastrointestinal do que pelo próprio efeito tóxico do mercúrio, 0 vapor do mercúrio tem alta pressão podendo ser absorvido pelos pulmões, sendo potencialmente perigoso para o paciente, o profissional e o pessoal auxiliar (Osborne & Godoy, 1995).
A liberação ocorre devido A. abrasão da escova dental ou do bolo alimentar. A quantidade de mercúrio liberada é afetada principalmente pelo tipo de liga usada. Ligas com alto conteúdo de cobre são mais estáveis e perdem menos mercúrio em relação As ligas convencionais. Muitos trabalhos mostram não haver evidências de que esses níveis acarretem contaminação, uma vez que são inferiores aos de outras fontes, como por exemplo, a alimentar. Alguns alimentos apresentam mercúrio na sua composição, como mostra o Quadro 1.
Quadro 1 — indices de mercúrio em alguns alimentos (*)
ALIMENTOS MG/KG DE MERCtRIO
BATATA 4,4 mg/kg
FRUTAS 4,8 mg/kg
CARNE DE PORCO 97,6 mg/kg
PÃO BRANCO 14,7 mg/kg
PÃO DE CEREAIS 26,2 mg/kg
PEIXES DO MAR 200 mg/kg
PEIXES DO RIO 250 mg/kg
ATUM 366 mg/kg
(*) Fonte: Felippe et al., 1999.
de cabeça, irritabilidade, transmissão nervosa vagarosa, perda de peso, perda de apetite, problemas gastrointestinais, estresse psicológico
e
gengivite (ADA,1998).
Algumas teorias revelaram que alguns distúrbios imunes ou auto-imunes podem ser desenvolvidos pela liberação do
mercúrio
do amálgama. Cite-se, como exemplo, a publicação do jornal "Diário da Suécia", onde se afirmava queo mercúrio
do amálgamaé
fator causal de doenças, tais como: esclerosemiastenia grave, reumatismo
e
asma, entre outras. Citando comoo
único tratamento efetivo, a remoção do amálgama. Constata-se, portanto, que podem ser apontados fatores psicológicos que podem influenciar em vários fatores imunológicos. Nesse sentido,o
susto domercúrio
pode ser mais potente que o própriomercúrio.
Alguns autores tem também determinado que
o
mercúrio do amálgamadental tern efeitos deletérios na
reprodução,
determinando a relação entre aconcentração
total demercúrio
nos cabelos de dentistas mulherese
seusfracassos reprodutivos. Entretanto, na Suécia, em estudo relatado por Molin (1992), incluindo mais de oito mil resultados de gravidez, referente malformações, baixo peso ao nascer
e
sobrevida perinatal,o único
desvio que seencontrou foi uma baixa taxa de morte perinatal da prole de dentistas em
A possibilidade de reações tóxicas no paciente, provenientes de traços de
mercúrio, que penetram nos dentes ou, ainda, a sensibilidade devida à dissolução
de sais de mercúrio das superficies do amálgama é muito remota. A estimativa mais realista sugere que o mercúrio do amálgama não contribui de forma significativa para a exposição total a que o paciente vive sujeito. Uma pequena parte da população é sensível ao mercúrio, o que também é verdade, em relação a muitos elementos químicos.
Uma pesquisa realizada na Suécia envolvendo 1.462 mulheres provou não
haver correlação entre restaurações a amálgama e doenças cardiovasculares, diabetes, cancer, depressão e fadiga (ADA, 1998).
Outros estudos usaram como alvo profissionais de odontologia, uma vez
que estes apresentam um índice de exposição ao mercúrio 2 a 4 vezes mais alto do que a população em geral, devido ao manuseio do mercúrio em consultório. A conclusão, entretanto, mostrou que cirurgiões dentistas vivem mais e não possuem índice mais elevado de esclerose múltipla, doença de Alzheimer,
cancer, problemas cardiacos, artrites e nem qualquer outra doença que qualquer outra classe profissional possa ter (Osborne et al., 1997).
Assim, recomenda-se no trabalho odontológico, em especifico, nas
• os instrumentos que entram em contato com
o
amálgama devem ser lavados antes de serem esterilizados;• restaurações removidas devem ter critérios objetivos de troca, sendo removidas com alta refrigeração
e
sucção, com profissionale
assistentes protegidos por óculos,máscaras e
luvas;• ligas ricas em cobre, assim como material encapsulado, deveriam ser mais recomendados, dificultando
o
contato como
mercúrio.A ADA recomenda que a armazenagem de
resíduos
seja feita em recipientes inquebráveis, em local bem ventiladoe
fora da sala de atendimento; que restos sejam guardados em recipientes herméticos contendo hipossulfito de sódio (solução fixadora de radiografias)e
queo
ambiente do consultório seja defácil limpeza
e
bem arejado (Felippe et at, 1999).3.4 0 amalgama
frente aos materiais alternativos
0 aumento de materiais restauradores que competem com o amálgama tem sido muito grande; contudo, este ainda permanece como o mais comumente usado material restaurador. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, o amálgama representa mais de 75% das obturações colocadas. (Ziskind et al.,
1998 e Dunne et al., 1997).
Escreve Alexandre Henrique Susin (2001) que,
"Observamos atualmente uma incansável luta com o objetivo de desqualificar o amálgama devido à sua falta de estética e, mais recentemente, a presença de mercúrio tem sido motivo de muitas polêmicas, porém devemos reconhecer que estamos diante de uma nova ordem ecológica, atualmente pensamos em aspectos nunca antes imaginados e que influem diretamente na nossa vida e na manutenção de nossa saúde e do planeta. Por isso, acreditamos que os fundamentos observados pelos defensores da extinção do amálgama do meio odontológico devam ser considerados, porém acreditamos que esteja havendo uma supervalorizag do de alguns aspectos por eles defendidos. 0 que temos de certeza é que o amálgama ainda é o melhor material restaurador direto para restaurações em dentes posteriores e continuará a ser utilizado por muito tempo, no mínimo pela sua abrangência".
dental, a estética e a biocompatibilidade. Entretanto, segundo Baratieri et al. (1998), estes materiais alternativos apresentam muitas desvantagens, tais como: são mais caros que o amálgama; a técnica operatória é mais critica; apresentam contração de polimerização, infiltração marginal e expansão higroscópica.
Observa-se ainda que o amálgama possui características fisiológicas similares ao esmalte dental. Em ligas convencionais ocorre uma pequena
contração com a absorção do mercúrio, seguida de uma breve expansão. Em ligas modernas, como as com alto conteúdo de cobre ocorre uma minima mudança dimensional, comparada com os compósitos e cimentos de ionõmero de vidro, tanto convencional como o
fotopolimerizável,
que tem uma grandecontração,
gerando estresse para a estrutura dental econseqüente
dor nopós-operatório.
Os cimentos de
ionômero
de vidro não possuem propriedades mecânicasadequadas para o uso em restaurações definitivas. Muitas restaurações de ionõmero de vidro apresentam problemas devido à fratura de sua própria estrutura, pelo fato de apresentarem baixa força mecânica. Apesar da expectativa criada pela liberação de flúor, cáries secundárias tem sido encontradas e
são
Uma vantagem particular do amálgama é a adaptação marginal, que com o passar do tempo vai melhorando. Ocorre um selamento marginal em virtude do acúmulo de produtos corrosivos no micro espaço dente/restauração. Portanto, um amálgama antigo tem margens mais bem seladas que um amálgama novo. Em todos os outros materiais, a adaptação marginal se deteriora com o passar do tempo. Este fator valoriza o amálgama, que apresenta melhores resultados, comparativamente a outros materiais. Assim, é este selamento marginal que contribui para a baixa incidência de carie recorrente (Dunne et al., 1997).
Em materiais como resina composta, o desgaste, a fratura das restaurações, a deterioração marginal, a descoloração e a infiltração marginal com o aparecimento de caries secundarias, são as principais razões de falhas e limitações na longevidade das resinas compostas (Hickel & Manhart, 2001).
O amálgama também apresenta grande longevidade clinica quando comparado com outros materiais, especialmente quando colocado em grandes cavidades sujeitas A. forças oclusais (Dunne et al., 1997). De igual forma, as cerâmicas representam uma boa alternativa na restauração dental. Elas têm boa estética, contudo, são frágeis. Seu preparo demanda tempo clinico maior que o amálgama dental, além de seu custo ser mais elevado (Eley, 1997).
surgido no mercado. Muitos, modificados pelos fabricantes, para se adaptarem
as exigências dos consumidores (Bottino et al., 2001).
E de se observar, ainda, que o amálgama dental é o que oferece menores
problemas em relação à sensibilidade operatória. Porquanto, um isolamento do
campo operatório é necessário para providenciar uma restauração mais durável,
a contaminação pode ainda permitir uma restauração aceitável, pelo menos
durante um curto tempo. Este aspecto o difere de outros materiais que,
simplesmente, não podem ser utilizados quando em presença de saliva, fluido
gengival e sangue (Dunne et al., 1997).
Uma das desvantagens do amálgama 6,
sem
davida, a falta de adesão àestrutura dental.
Faz-se
necessário,portanto, a
confecçãode uma
forma especialda cavidade para a colocação do material, o que pode causar fratura dentária, já
que
muitas vezes
é
necessário remover a estrutura dental sadia para conseguir aforma de
resistência(Dunne et al.,
1997).As novas resinas
compostas, condensáveis, são adesivas,e
foram
introduzidas no mercado, visando substituir o amálgama. Apresentam, contudo,
algumas vantagens sobre as resinas tradicionais que são: alto conteúdo de carga
inorgânica, embalagens em doses ¡Micas, profundidade de polimerização,
radiopacidade, resistência de média
e
alta, baixa contração de polimerização ebaixa taxa ao desgaste. Quanto as desvantagens, podem ser observadas: a
limitado e provável aumento da sensibilidade operatória, além da dificuldade de confeccionar o ponto de contato (Borba et al., 2001).
Segundo informam Baratieri et al. (1998), o amálgama, também, pode estar sujeito à corrosão, coexistindo também a preocupação com a biocompatibilidade, devido a liberação de ions metálicos no meio bucal. A presença do amálgama próximo de restaurações de metais preciosos, pode causar a corrente galvânica (Galvanismo). 0
ouro
é um metal precioso que apresenta qualidades superiores ao amálgama, mas que demanda maior tempoclinico e laboratorial
para
a
sua fabricação. Tem um custo sete a oito vezes maior que uma restauração de amálgama e, embora, se saiba de sua longevidade, não apresenta condições estéticas tal qual o amálgama (Eley,1997)
Conforme
Dunne et
al. (1997), outras desvantagens significativas do amálgama são, ainda, a falta de estética e a toxicidade devido a exposição mercuria. Um dos materiais alternativos lançados são as ligas baseadas no metal gálio, onde este é utilizado como substituto do mercúrio. As restaurações feitas com este material se assemelham esteticamente aos amálgamas. No entanto, estudos clínicos realizados não aprovaram esse material, que mesmo após constantes modificações apresentam-se extremamente sensíveis à técnica e muito susceptiveis à contaminação por umidade, mesmo após seremRestaurações feitas com liga de gálio apresentam grande número de fratura de borda, tanto de corpo quanto de parede dental, o que leva a maior
sensibilidade dental. Durante a confecção da restauração, a pegajosidade apresentada pela liga é excessiva, necessitando de longa limpeza após a restauração concluida. Com relação à corrosão e ajuste marginal, o desempenho clinico das restaurações com ligas de gálio 6, também, considerado sofrível. (Scholz Jr., 2001)
Outra alternativa, utilizada para a redução do mercúrio no amálgama, foi a substituição de parte do mercúrio necessário para a trituração, pelo elemento índio. Quando o amálgama é triturado com Hg-In, a liberação de vapores de mercúrio é menor, pois a rápida formação de uma película de óxidos contribui para a redução da liberação do mercúrio devido à formação de uma barreira efetiva A. evaporação (Pagani et al., 1999).
Na verdade, nenhum material
éabsolutamente seguro,
emuitos problemas
são
associados ao uso dos
compósitosde resinas, tais como:
• o
uso de
peróxidosque
geram radicais livres na polimerização de compósitos de resinas (sabe-se, ainda, que os peróxidos são conhecidos por promoverem tumores de pele);• os radicais livres produzidos durante a polimerização que podem, também, estar envolvidos no desenvolvimento de alguns tipos de
• os
dimetacrilatosque são componentes da resina e podem ser
enzimaticamente
degradados por
enzimaspresentes na saliva e fluido
gengival,aumentando a taxa de toxicidade; e,
• o
BisGMAque interfere nos
estrógenosnaturais e pode atacar os
receptores de
estrogêniosnas células.
Estes
estudos baseiam-se em algumas reclamações,de que
compósitosresinosos e
selantesusados na odontologia restauradora podem contribuir para o
câncer
de mama e de testículos, como também, têm
sido responsabilizados poruma
diminuiçãona taxa de esperma.
Estes problemas associados aos
compósitospodem ser questionados.
4 DISCUSSÃO
O amálgama dental é utilizado na odontologia restauradora há mais de 160 anos e continua sendo um material efetivo apesar do constante aprimoramento dos materiais estéticos.
Segundo Dunne et al. (1997), comparativamente a alguns materiais alternativos, o amálgama é de fácil colocação e requer pouco tempo operatório. Sua adaptação marginal com o passar do tempo vai melhorando, devido ao acúmulo de produtos corrosivos na interface dente/restauração. Apresenta, de igual forma, longevidade clinica
quando
comparadoà
outros materiais, especialmente, quando colocados em grandes cavidades sujeitasà
forças oclusais. E menos sensível a técnica, diferente de outros materiais que não obtém resultados clínicos aceitáveis quando utilizados napresença
de sangue, saliva e fluido gengival.apesar da estética apresentada, as principais limitações na longevidade dessas resinas.
Para Torres et al. (2001) e Cantarelli et al. (1996) o chamado "amálgama adesivo", tenta unir as propriedades adesivas do ionõmero de vidro, adesivos
dentindrios e cimentos resinosos de cura dual, com as boas propriedades, já citadas do amálgama dental, na tentativa de obter melhor retentividade e diminuir o problema de remoção do tecido dental sadio. Para Torres et al. (2001), o uso deste sistema deve ser feito com cautela, pois estudos realizados demonstraram um resultado não muito eficiente quando comparados com os tipos de retenções já existentes, corno pinos rosquedveis, amalgapins e
canal etas.
Sabe-se que nenhum material é totalmente seguro para uso na cavidade bucal e várias controvérsias têm surgido sobre o emprego do amálgama dental, principalmente, porque tem o merciirio como um de seus componentes. Silveira et al., em 2000, relatou que muitos países responsabilizam o mercúrio, liberado das restaurações de amálgama, pela ocorrência de muitas doenças degenerativas, entre as quais, Alzheimer e a Esclerose
prole de dentistas-mulheres, que não resultaram em problemas significativos em comparação ao restante da população.
A própria ADA, em 1998, relatou que não foram detectados problemas de saúde, provocados pela liberação de mercúrio do amálgama dental, devido As baixas taxas existentes. Entretanto, a controvertida discussão com relação toxicidade mercurial e a falta de estética do amálgama dental, são fatores importantes que motivam a pesquisa de materiais alternativos. Nesse sentido, as resinas compostas ganharam destacada importância, sendo consideradas por Baratieri et al. (1998),
como
biocompativeis.Entretanto,
Eley,em
1997, responsabilizava alguns doscomponentes das resinas, tais como, os
dimetacrilatose
o BisGMA,de terem efeitos tóxicos e
quepoderiam causar
algunstipos de
câncer e defeitos hormonais.Para a American Dental Association (1998), as inúmeras informações cientificas disponíveis e os demonstrados beneficios do amálgama dental ao longo dos anos, parece não justificar o seu abandono. Silveira et al. (2000), acredita que, apesar da evolução dos materiais adesivos, ainda não se pode
propagar a
"morte" do amálgama dental. Éde
se observar, portanto, que os5 CONCLUSÃO
O amálgama dental é considerado, atualmente, como o material mais abrangente na odontologia restauradora, quer seja por seu baixo custo, ou pela
facilidade no trabalho odontológico, ou ainda, pelos bons resultados que vem apresentando desde o século passado.
Até o presente momento, os materiais que competem com o amálgama dental não podem ser considerados como substitutos, mas tão somente como materiais alternativos. Em sua grande maioria, esses materiais alternativos apresentam características, que deixam a desejar quando comparados ao amálgama dental.
Os estudiosos de materiais odontológicos, têm pesquisado no decorrer de todos estes anos, um material que concilie as boas características do amálgama
com a estética e a adesividade das resinas e materiais adesivos. A pressão mercadológica e a procura de materiais estéticos "da cor dos dentes" faz com que estes materiais sejam valorizados e amplamente estudados, comparados ao amálgama dental.
Acredita-se que, brevemente, os serviços de odontologia restauradora possam contar com um material que apresente a estética das resinas compostas
chega, deve-se, ainda, utilizar o amálgama dental, que apresenta muitas indicações, já que outros materiais alternativos, apesar de muito evoluídos, ainda continuam limitados.
Assim, pode-se concluir afirmando que,
• o amálgama dental é um material efetivo, de fácil colocação, requer pouco tempo operatório, com boa adaptação marginal progressiva (devido ao acúmulo de produtos corrosivos na interface dente/restauração), longevidade clinica, em especifico quando colocado em grandes cavidades sujeitas à forças oclusais e é menos sensível à técnica;
• as resinas compostas são um material de eleição, quando o objetivo é a estética e a conservação dos tecidos dentais. Contudo, apresentam as seguintes limitações: insuficiente resistência ao desgaste, dificuldade de obtenção de contatos proximais, infiltração marginal, contração de polimerizaçã'o e aparecimento de cáries secundárias; • o amálgama adesivo (que une as propriedades adesivas do ionômero
• a controvérsia maior situa-se, no entanto, em relação à toxidade
mercurial. Muitas teorias afirmam ser o amálgama responsável por
diversas doenças imunes e auto-imunes, provocadas pela liberação do
mercúrio. No entanto, as informações cientificas disponíveis, na
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