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Aspectos destacados da alienação parental

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UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

JANICE KOSCHECK

ASPECTOS DESTACADOS DA ALIENAÇÃO PARENTAL

Santa Rosa (RS) 2013

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JANICE KOSCHECK

ASPECTOS DESTACADOS DA ALIENAÇÃO PARENTAL

Monografia final do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Monografia.

UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DCJS – Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientador (a): MSc. Sérgio Luis Leal Rodrigues

Santa Rosa (RS) 2013

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Dedico este trabalho àqueles que dedicaram um pouco de seu tempo se empenhando para me ajudar na sua realização e a todos que desejam pesquisar sobre Alienação Parental.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, acima de tudo, pela vida, força e coragem.

Ao meu orientador MSc. Sérgio Luis Leal Rodrigues pela sua dedicação e disponibilidade.

À minha família e a todos que colaboraram de uma maneira ou outra durante a trajetória percorrida para a construção deste trabalho!

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“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar, pra pensar, na verdade não há.” Renato Russo

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RESUMO

O presente trabalho de pesquisa monográfica faz uma análise sobre os aspectos destacados do ato de Alienação Parental. Inicialmente expõe um conceito, após aborda as características e discute brevemente a Lei de Alienação Parental, a qual explica sobre a temática, e como também traz as medidas cabíveis para o responsável pela alienação. Nessa perspectiva, apresenta um estudo sobre as consequências psicológicas, sociais e jurídicas. Sendo as duas primeiras causadoras de reflexos na formação psíquica e no comportamento da vítima, respectivamente, e, a última, como medida de controle ao alienador e proteção à criança e/ou adolescente, bem como ao genitor alienado. Por fim, destaca decisões jurídicas dos Tribunais informando como os casos de ato de alienação parental estão sendo julgados.

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ABSTRACT

The present work of monographic research is an analysis about the issues highlighted of the act of Parental Alienation. Initially it exposes a concept, after it deals with the characteristics and briefly discusses the Law of Parental Alienation, which explains about the subject, and it brings the appropriate measures for the responsible for alienation. In this perspective it presents a study about the psychological, social and legal consequences. Being the first two causing of reflections in the psychological formation on the behavior of the victim, respectively, and, the last, as a control measure to the alienating and protection to the children and/or adolescents, to the alienated parent. Finally, gives prominence decisions of the courts informing how the cases of act of parental alienation are being judged by the higher courts.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...08

1 PRECISÃO CONCEITUAL...09

1.1 Conceito de alienação parental...09

1.2 Características da alienação parental...13

1.3 A Lei da Alienação Parental...17

2 CONSEQUÊNCIAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL...23

2.1 Psicológicas ... ...24

2.2 Sociais ... ...28

2.3 Jurídicas ... ...32

3 VISÃO JURISPRUDENCIAL ... ...38

3.1 Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul – TJRS ... ...39

3.1.1 Acusação de Alienação Parental...40

3.1.2 Falsa acusação de abuso sexual...41

3.1.3 Tratamento psicológico ou psiquiátrico em caso de indícios de Alienação Parental...43

3.2 Superior Tribunal de Justiça - STJ ... ...45

3.3 Supremo Tribunal Federal – STF...52

CONCLUSÃO ... ...57

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INTRODUÇÃO

O trabalho de pesquisa trata da temática referente a atos de Alienação Parental, tendo por objetivo pesquisar aspectos relevantes sobre a Alienação Parental, desenvolvendo o conceito e apresentando os caracteres da conduta do alienante, para após isso investigar as conseqüências da Alienação Parental, e ainda informar as decisões jurídicas dos Tribunais a respeito do tema.

A pesquisa monográfica foi realizada pelo fato de ser um assunto novo, preocupante e que vem desencadeando inúmeros problemas na vida das vítimas, pois a Alienação Parental causa um desequilíbrio psíquico e uma defasagem no seu comportamento social, sendo que um dos genitores utiliza-se do filho (a) agindo de forma reprovável e astuta para atingir o ex-parceiro (a), sem considerar o sofrimento a que está submetida a vítima.

Para o desenvolvimento do tema, será feita uma pesquisa exploratória, sendo que o primeiro capítulo traz o conceito, as características e um estudo sobre a Lei 12. 318/2010 que regulamenta a prática de alienação parental, a qual traz dados importantes sobre a conceituação, como ela se caracteriza e quais as medidas cabíveis juridicamente para os envolvidos no ato de alienação parental, sendo que há precedentes jurisprudenciais que vêm combatendo satisfatoriamente os casos de alienação parental. Após, no segundo capítulo serão apresentadas e discutidas as consequências do ato de alienação parental nos âmbitos psicológico, social e jurídico.

Por fim, terá a apresentação de dados a respeito de como os Tribunais, sendo eles o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, vem decidindo sobre a matéria da Alienação Parental, e o suporte legal utilizado. Essa visão Jurisprudencial tem por finalidade evitar ou reparar atos de alienação parental, considerando que se os mesmos não forem vislumbrados logo no seu início, e a criança e/ou adolescente, bem como o genitor alienador não serem submetidos a tratamento, as consequências dessa prática poderão se tornar irreversíveis.

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1 PRECISÃO CONCEITUAL

Neste capítulo com o presente trabalho de pesquisa será feita uma abordagem a fim de conceituar o tema proposto que é Alienação Parental, bem como identificar os sujeitos envolvidos nesse ato e investigar de que forma o mesmo acontece.

Ademais, no decorrer da pesquisa sobre esta temática que está assumindo uma grande relevância social, procurar-se-á definir quais são as características do ato que enseja a Alienação Parental, bem como será desenvolvida uma análise a respeito da Lei 12. 318/2010, que foi criada especificamente para dar tratamento jurídico à ocorrência de Alienação Parental.

Nesse sentido, pode-se afirmar que atos de Alienação Parental vêm assumindo uma posição forte e crescente nos dias atuais. Por isso, o tema merece destaque nas várias esferas de conhecimento, principalmente psicológica, social e jurídica, de forma que as mesmas em conjunto possam encontrar soluções adequadas, a fim de prevenir ou acabar com os atos de alienação e evitar consequências mais gravosas às vítimas.

1.1 Conceito de Alienação Parental

Alienação Parental são atitudes desleais que abalam o sistema psicológico da criança e/ouadolescente desenvolvidas por um dos genitores ou por qualquer outra pessoa que busque denegrir os laços de afeto, com o intuito de provocar uma conduta reprovável e de repúdio da vítima para com um dos genitores, com a finalidade de deturpar a imagem desse outro genitor, na maioria das vezes pelo fato de não se conformar com o fim de um relacionamento, a qual está regulada na lei 12. 318, promulgada no ano de 2010.

Segundo Góis (2010)

O exercício da Alienação Parental acontece na medida em que o genitor alienador não permite ao filho alienado a convivência com aquele genitor que não é o seu guardião, em meio a um emaranhado de artifícios, facilmente desenvolvidos por quem detém a guarda do filho.

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Com isso, a criança ou adolescente vítima de Alienação Parental apresenta muitas dificuldades para construir relações sociais, sendo que este problema teve início na falta de socialização familiar, posteriormente adentrando o espaço escolar, no qual o mesmo não conseguirá construir relações saudáveis com amigos e colegas devido a sua desestabilização psicológica causada pela alienação.

Nesse sentido, há de se enfatizar que possui um caráter de urgência tomar medidas para combater os atos de Alienação Parental assim que descobertos, caso contrário, a vítima poderá internalizar esses atos agressivos à sua estabilidade psicológica e tornar-se um sujeito com uma alta defasagem de desenvolvimento tanto físico, quanto psicológico e social, ensejando os sintomas da Síndrome de Alienação Parental.

Entretanto, a Alienação Parental é apenas o ato praticado geralmente por um dos genitores que inconformado com a dissolução conjugal ou somente em decorrência de problemas graves no relacionamento do casal, utiliza-se do (a) filho (a) para afrontar o cônjuge/companheiro, porém o alienador não percebe ou mesmo não se preocupa com os malefícios que está causando à vítima, uma vez que o seu foco é prejudicar e incomodar o outro sujeito da relação. Ocorre que, destes atos inconsequentes de Alienação Parental o sujeito que está sendo alienado, seja a criança e/ou adolescente, pode vir a sofrer graves consequências tanto físicas, quanto psicológicas e sociais, se os atos se perfectibilizarem a ponto de advir em Síndrome da Alienação Parental.

Assim, Gardner (apud GOMES, 2013 p. 29, grifo do autor) afirma que

A alienação parental é um distúrbio da infância que aparece quase exclusivamente no contexto de disputa de custódia de crianças. Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra um dos genitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz a “lavagem cerebral, programação, doutrinação”) e contribuições da própria criança para caluniar o genitor – alvo. Quando o abuso e/ou a negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser justificada, e assim a explicação da Síndrome da Alienação Parental para a hostilidade da criança não é aplicável.

Neste âmbito de reflexão, é possível analisar que o sujeito alienador atua tão fortemente na esfera psicológica da criança e/ou adolescente que faz com que o mesmo (a) acredite em tudo que o alienador lhe fala a respeito do seu pai/mãe. Quando a vítima

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internaliza o que o alienador lhe diz, ela começa a praticar atos típicos provenientes do processo da alienação, como por exemplo repudiar a mãe ou pai, falar “mal” dele(a), não querer visitá-lo(a), dizer que não gosta mais dela(e), etc.

No entanto, todos esses atos que a vítima já alienada produz não são adeptos de sua vontade, é notório que são reproduções advindas da alienação sofrida, tanto que a criança e/ou adolescente na verdade não quer acreditar no que o alienador lhe impõe, porém acaba fazendo ou dizendo coisas que lhe foram codificadas para não magoar o alienador, ainda que esteja negando um sofrimento que está “a tona” dentro dele (a) e que cedo ou tarde trará graves consequências, provavelmente irreversíveis.

Nas palavras de Silva (apud GOMES, 2013, p. 37, grifo do autor)

A SAP é uma patologia psíquica gravíssima que acomete o genitor que deseja destruir o vínculo da criança com o outro, manipulando-a afetivamente para atender motivos escusos. A SAP deriva de um sentimento neurótico de dificuldade de individuação, de ver o filho como um indivíduo diferente de si, e ocorrem mecanismos para manter uma simbiose sufocante entre pai/mãe e filho, como a superproteção, dominação dependência e opressão sobre a criança. O pai/mãe acometido (a) pela SAP não consegue viver sem a criança, nem admite a possibilidade de que a criança deseje manter contatos com outras pessoas que não com ela/ele. Para isso, utiliza-se de manipulações emocionais, sintomas físicos, isolamento da criança de outras pessoas, com o intuito de incutir-lhe insegurança, ansiedade, angústia e culpa. Por fim, e o que é mais grave, pode chegar a influenciar e induzir a criança a reproduzir relatos de eventos de supostas agressões físico/sexuais atribuídas ao outro genitor, com o objetivo único de afastá-lo do contato com a criança. Na maioria das vezes, tais relatos não tem veracidade, dadas certas inconsistências ou contradições nas explanações, ou ambivalência de sentimentos, ou mesmo comparação (por exemplo, resultado negativo em um exame médico); mas tornam-se argumentos fortes o suficiente para requerer das autoridades judiciais a interrupção das visitas e/ou a destruição do poder familiar do suposto agressor (o outro genitor).

O alienador quer buscar uma solução para o conflito instaurado na sua relação conjugal, e ao perceber que não há mais o que fazer para reestabelecer o vínculo, faz do elo existente entre o casal que são os filhos, uma forma de coação moral que é a prática de Alienação Parental com uma única finalidade, satisfazer seu ego deturpando a imagem do outro genitor perante a criança, ainda que isso cause malefícios incontornáveis para o resto da vida do (a) alienado (a). Nessa perspectiva, é de suma importância considerar a diferença entre SAP e Alienação Parental para que possa ser compreendido como acontece o processo de Alienação Parental até o desencadeamento da Síndrome, sendo que ambos não se confundem.

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Segundo Gomes (2013, p. 45-46)

Ambas se complementam estando intimamente ligadas, e seus conceitos não se confundem. Alienação Parental é desconstituir para a criança, a figura parental de um dos seus genitores por intermédio de uma campanha de desmoralização, e marginalização do seu genitor tendo como objetivo afastá-lo do seu convívio e transformá-lo em um estranho para a criança. Essa campanha não está restrita somente ao guardião da criança, e pode ser praticada dolosamente ou não, por um terceiro ou um agente externo. Há casos em que os avós também promovem a Alienação Parental, sendo possível que qualquer pessoa com ou sem relação parental com a criança pratique esse processo. A Síndrome de Alienação Parental diz respeito aos efeitos emocionais e as condutas comportamentais desencadeados na criança que é ou foi vítima desse processo. Grosso modo, são as sequelas deixadas pela Alienação Parental.

Desse modo, é notável que os conceitos de SAP e Alienação Parental possuem um cunho similar, mas que não podem ser confundidos, sob pena de não haver um entendimento de como ocorre o processo, e não alcançar ajuda ao sujeito alienado /vítima que sofre com a Alienação e muito mais se desencadear a Síndrome. A alienação são os atos praticados pelo alienador de deturpação da imagem do outro genitor perante a criança e/ou adolescente, fazendo este/ este se revoltar e desacreditar no pai/mãe e a Síndrome são as questões emocionais, danos e sequelas que a vítima possa vir a sofrer.

Assim, consoante Peleja Junior (2010)

A alienação parental deixa profundas sequelas. A partir do momento em que é programada para não gostar de um dos genitores ainda na infância, a criança entra em conflito, pois é obrigada a ficar ao lado de um e contra o outro. Os traumas permanecem e somente na maioridade há a noção de seu comportamento. O sentimento de culpa a acompanha durante a toda a fase adulta. Na maioria das vezes, o trauma da separação é insuperável sem o apoio de profissionais especializados – psiquiatras e psicólogos.

Desse modo, a criança e/ou adolescente irá ter uma aflição dentro de si que poderá perpassar toda a sua vida. Por isso, se faz demasiadamente necessário que os pais saibam superar as situações de dissolução de vínculo, considerando que os filhos não merecem passar por tanto sofrimento causado por motivos fúteis e egoístas.

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1.2 Características

A Alienação Parental é um instituto bastante recente na nossa sociedade, haja vista que décadas atrás, antes da possibilidade de separação judicial ou divórcio, praticamente não havia casos de Alienação Parental, pois se tinha a ideia que o casamento era indissolúvel e em não havendo dissolução do vínculo matrimonial não havia motivo para a prática de alienação.Na sociedade atual, a Alienação Parental vem crescendo constantemente, sendo que se instituíram novas modalidades familiares, desde a família monoparental, união estável até a união homoafetiva, todas elas passíveis da conduta de Alienação Parental desencadeada por um dos sujeitos que detém a autoridade sobre a vítima.

Assim, com a estruturação dessas famílias e a probabilidade de dissolução delas que está aceita social e juridicamente na legislação contemporânea, a criança e/ou adolescente envolta nessa situação fica vulnerável e não pode se sentir abandonada, agredida ou perturbada por esse conflito.

Entretanto, com o novo tratamento dado às famílias no Brasil, a própria idéia de guarda sobre os filhos do casal que dissolveu a relação vem mudando, pois antigamente era tradição a idéia de que a guarda dos filhos era da mãe, fato este que já vem mudando, sendo que hoje o que se busca é o melhor trato para a criança. Logo, o detentor de autoridade ou até mesmo genitor que detém melhores condições de cuidar da criança e/ou adolescente ficará com a guarda dos filhos. Em consequência dessas mudanças sobre quem fica com a guarda, brigas entre ex-companheiros pelo convívio da prole passaram a ocorrer de forma mais frequente.

Dias (apud BUOSI, 2012, p. 53-54), afirma que

Com a nova formação dos laços familiares, os pais tornaram-se mais participativos e estão muito mais próximos dos filhos. E, quando da separação, desejam manter de forma mais estreita o convívio com eles. Não mais se contentam com visitas esporádicas e fixadas de forma rígida. A busca da mantença do vínculo parental mais estreito provoca reações de quem se sentiu preterido.

Atualmente tais discussões ainda tem força de argumentação, pois muitas mães ainda acreditam serem detentoras da guarda efetiva dos filhos após uma dissolução afetiva com o

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companheiro. Todavia, as decisões jurídicas tem sido no sentido de valorar o bem-estar da criança e/ou adolescente, com a prolação de sentenças de guarda compartilhada para preservar o máximo possível essa separação emocional que sofre a criança e evitando o ato de alienação pelos pais.

Consoante Buosi (2012, p. 54)

Tais decisões encontram respaldos culturais, haja vista que muitas mães ainda, na contemporaneidade, acreditam que o direito de ficar com os filhos após a separação é exclusivamente delas. Porém, juridicamente as decisões atuais decidem pela guarda compartilhada, quando há verificação da possibilidade de ambos os pais conviverem harmoniosamente no cuidado da criança no que se refere aos papéis parentais. Assim, criança, pai e mãe conseguem exercer sua parentalidade de forma a preservar os vínculos existentes entre eles.

Com o abalo do fim de um relacionamento o casal vem se desestabilizando a muito tempo e os filhos sentem esses desentendimentos, ainda que não sejam demonstrados por brigas expostas diante dos filhos, mas um dia após o o outro e a vida vai passando sem maiores problemas. Mas, no momento de legalizar oficialmente a separação há uma ruptura emocional de grande porte no ex-casal, o que na maioria das vezes atinge os filhos, que acostumados com os laços familiares sofrem com a separação dos pais, daí porque a decisão dos operadores do Direito pela guarda compartilhada quando possível, para evitar a mudança quanto ao vínculo direto do casal com a criança.

Porém, quando o cônjuge/companheiro não se conforma com o fim do relacionamento, há a necessidade deste ter a posse exclusiva sobre os filhos para afrontar o outro genitor. Nesses casos, se instaura o ato de Alienação Parental, pois a única “arma” que resta ao cônjuge frustrado para desafiar o outro genitor e tê-lo por perto são os filhos.

Nesse sentido, Buosi (2012, p. 58-59) apregoa que

A partir do momento que um dos pais, por um problema pessoal com o ex-cônjuge, utiliza-se de seu filho como uma forma para causar-lhe sofrimento e afastar da criança um dos genitores que também o ama, causa consequências gravíssimas no desenvolvimento desta e do ex-parceiro afastado. O Estatuto da Criança e do Adolescente, mediante os arts. 3º, 4º e 130, determina que o menor não pode ser submetido a qualquer tipo de tortura, seja física ou psicológica, por quem quer que seja, mormente por aqueles que tem o dever de protegê-lo. Nesse processo de manipulação das crianças, a imagem do ex-parceiro passa a ser destruída e desmoralizada perante o filho, que é utilizado como instrumento da raiva e

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agressividade para com o pai. A criança passa a odiá-lo e areditar que ele lhe faz mal e não o ama, querendo ao longo do tempo cada vez mais afastar-se do genitor.

Contudo, é preciso considerar que o ato de alienação pode advir de ambos os lados, sendo alvo de agressões tanto o pai quanto a mãe, o que na contemporaneidade tem sido muito comum essa alternância, principalmente decorrente das mudanças nas entidades familiares e nos contextos culturais pré-existentes.

O discurso verbal do genitor alienador é sempre no sentido de proteger os interesses do filho, de fazê-lo se sentir o melhor possível, que tudo que faz é pensando integralmente no seu bem-estar. Porém, quando se faz uma análise mais profunda da realidade, é possível conferir que o processo que está sendo cada vez mais intensificado pelo alienador trata-se de Alienação Parental proveniente do inconformismo com o vínculo afetivo com o genitor afetado. Que tudo que o alienador diz não passa de formas de manipulação para com a criança e/ou adolescente, a fim de criar comportamentos futuros na vítima que possam prejudicar diretamente o laço afetivo com o genitor alvo das agressões.

Desta feita, segundo Podevyn (apud BUOSI, 2012, p. 80-82, grifo do autor)

Para que se possa identificar um genitor alienador, o autor lista algumas características:

- o “esquecimento” de avisar os compromissos da criança em que a outra parte seria importante, tais como consultas médicas, reuniões escolares, competições e festas, e posteriormente ficar mencionando à criança a ausência do genitor pelo fato de não se importar com ela;

- não repassar os recados deixados à criança;

- ficar em contato telefônico insistente durante o período em que a criança está com a outra parte;

- dizer que se sente abandonado (a) e sozinho (a) quando a criança sai de casa; - querer realizar o programa preferido da criança exatamente no dia da visita do outro genitor;

- apresentar o (a) namorado (a) aos filhos como seu novo pai ou nova mãe;

- ridicularizar todos os presentes que foram dados pelo ex-cônjuge, dentre outros comportamentos que visem denigrir o genitor alienado.

Silva (apud BUOSI, 2012, p. 81-82, grifo do autor) complementa esses comportamentos clássicos do alienador, demonstrando essa situação quando o indivíduo,

- negar-se a passar as ligações telefônicas para o filho;

- convidar a criança para realizar vários passeios e atividades prediletos, exatamente no período em que deveria estar com o outro genitor;

- interceptar a correspondência dos filhos com aquele, seja por MSN, Internet, e-mail, Orkut,Facebook, cartas ou qualquer forma de comunicação;

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- impedir o outro genitor de exercer seu direito de visitar a criança;

- buscar a anuência de pessoas próximas, tais como mãe, novo cônjuge, tios e amigos na campanha de desvalorização do outro cônjuge e na “lavagem cerebral” dos filhos;

- não consultar o outro genitor acerca de decisões importantes na vida da criança, tais como cirurgia ou tratamento médico, escolha da religião ou escola etc;

- deixar a criança com outras pessoas e não com o próprio genitor quando sair de férias ou algum compromisso longo, ainda que tal pessoa queira ficar com a criança; - ameaçar constantemente os filhos se eles telefonarem ou se comunicarem com o genitor de alguma forma;

- culpabilizar incessantemente o outro genitor pelo mau comportamento da criança; - dar indícios a todo o momento que irá levar a criança para longe, como forma de ameaça.

Sendo assim, o genitor alienador aparece como um ser superprotetor dos filhos, que faz tudo somente para tê-los por perto, que não consegue ter consciência do mal que está causando aos mesmos, pela raiva que está sentindo do ex- parceiro, e toma comportamentos vingativos com intencionalidade, utilizando-se de atos alienadores para atingir o outro através dos filhos. É possível notar que o desespero do sujeito alienador torna-se tão profundo que acaba demonstrando aos filhos os seus ressentimentos, mostrando-se como abandonado e rejeitado pelo ex-companheiro, fazendo com que os filhos acreditem nisso e fiquem com pena dele, levando-os a crer nos defeitos do outro genitor.

Comumente quando os filhos são ainda pequenos são realizados abusos psicológicos realizados sutilmente sem que os envolvidos percebam, mas sempre e já tentando internalizar na criança aspectos desmoralizadores do seu pai/mãe.

Nessa ótica, Buosi (2012, p. 84-85, grifo do autor), elenca algumas frases que caracterizam indícios de Alienação Parental

-Cuidado ao sair com seu pai (ou mãe). Ele (a) quer roubar você de mim. - Seu pai (sua mãe) abandonou vocês!

- Seu pai (sua mãe) me ameaça, vive me perseguindo!

- Seu pai (sua mãe) não nos deixa em paz, vive chamando ao telefone. - Seu pai (sua mãe) é desprezível, vagabundo (a), inútil....

- Vocês deveriam ter vergonha do seu pai (sua mãe)!

- Cuidado com seu pai (sua mãe), ele (ela) pode abusar de você! - Eu fico desesperada quando você sai com seu pai! (sua mãe) - Seu pai (sua mãe) é muito violento (a), ele (ela) pode bater em você!

-Tá vendo? Seu pai (sua mãe) quer mandar me prender porque você não quer ir com ele!

Com o passar do tempo e as práticas reiteradas de alienação a criança e /ou adolescente vítima já dizem não querer mais estar perto do genitor alienado, pois já incutiram

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tudo que o alienador disse insistentemente para ele/ela. Nesse momento ainda não é tarde para tentar coibir os efeitos já causados pela alienação, pois a vítima não tem consciência de seus atos e do seu “querer”, todavia, se nenhuma estratégia for criada, há um grande risco de ser desenvolvida a Síndrome decorrente da Alienação e a vítima se tornar um sujeito frustrado emocional e socialmente.

Trindade (2010 apud MENDES, 2012), destaca que

A destruição de vínculos pode vir a perdurar por um longo tempo, instalando-se assim um processo de cronificação, que não mais permitirá sua restauração, fazendo da morte simbólica da separação uma morte real do sujeito.

Na concepção de Podevyn (apud TRINDADE; MENDES, 2012)

[...] a Síndrome de Alienação Parental pode produzir nas crianças problemas como depressão crônica, incapacidade de adaptação em ambiente psicossocial normal, transtornos de identidade e de imagem, desespero, sentimento incontrolável de culpa, sentimento de isolamento, comportamento hostil, falta de organização e, externos, levar ao suicídio.

Pode-se então compreender que essa série de fatores problemáticos que são gerados por essa síndrome, pode afetar diretamente no comportamento da criança, que faz com que a prejudique nas relações sociais e interpessoais, da convivência familiar estendendo-se ao espaço de relações escolares. A convivência familiar é considerada fator essencial da personalidade infanto-juvenil, pois a criança não cresce de maneira saudável, sem a construção de um vínculo afetivo estável e verdadeiro com os genitores.

1.3 A Lei de Alienação Parental

A lei 12. 318/2010 que trata sobre Alienação Parental, foi criada para resguardar os direitos da vítima e punir o alienador, disciplinando o combate ao comportamento da Alienação Parental, ação essa anterior à instalação da Síndrome, que trata dos pais que começam a fazer a campanha denegritória contra o outro genitor, sem motivos justificáveis, a fim de afastar a criança/adolescente do mesmo. Paralelo à lei, existem decisões jurisprudenciais direcionadas a esse assunto que está cada vez mais crescente e polêmico nos dias atuais, pois existe a necessidade de se prevenir a Alienação Parental, que é um fator de grande relevância, pois uma vez instaurada a Síndrome de Alienação Parental pode ser tarde

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demais para tentar reparar os seus prejuízos. Para tanto, é com esse objetivo que a doutrina e a jurisprudência tem um papel muito importante na expansão da matéria para as famílias e sociedade.

Nessa ênfase, o Direito de família é uma das áreas jurídicas que trata das relações familiares, sendo fundamental para a estruturação dos sujeitos envolvidos nessa relação, pois as relações sociais se iniciam na constituição familiar e necessitam de uma proteção legal, considerando que com essa base o indivíduo possui sustentação para criar outros vínculos sociais.

Conforme Buosi, (2012, p. 115)

A conjugação dos direitos e deveres fundamentais elimina qualquer dúvida no que tange à irrestrita consideração da criança e do adolescente como pessoa em desenvolvimento, que exercem papel ativo no próprio processo educacional, e não como objeto das ações e dos direitos de terceiros, principalmente dos adultos. Tornaram-se co-partícipes das diretrizes da própria vida, à medida que vão adquirindo discernimento. É através desse processo-principalmente através da relação com seus pais - que se constrói sua dignidade e se edifica a sua personalidade. Fazem-se necessários, portanto, o relacionamento com o outro e a percepção da alteridade.

Com base nesses pressupostos, é possível afirmar que a Lei de Alienação Parental é uma tentativa formal de coibir a prática de atos que possam inibir o contato da criança e/ou adolescente com um dos genitores que é parte integrante da construção de sua personalidade enquanto sujeito em constante desenvolvimento. A referida lei assumiu essa função de garantir o direito fundamental para a criança e/ou adolescente de uma convivência familiar saudável, a fim de evitar que pais, bem como detentores de guarda ou vigilância tenham sobre eles demasiada e inadequada autoridade parental, na busca apenas de seus interesses pessoais preterindo, na maioria dos casos, a criação dos próprios filhos.

No dizer de Buosi (2012, p. 116)

Os pais precisam criar seus filhos pautados nos princípios da Paternidade/Maternidade Responsável e da Doutrina da Proteção Integral, pois na medida em que têm condutas alienadoras para com eles, entram em conflitos com esses alicerces constitucionais e não cumprem esses escopos principiológicos. [...] a Lei de Alienação Parental vem afastar do estado de direito a idéia de que a alienação parental não existe, tendo em vista que, a partir da sua tipificação, ela se torna formalizada e passa a ter mais valor diante da sociedade, dando mais segurança aos

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operadores do direito de caracterizá-la e tomar as decisões jurídicas cabíveis à proteção das crianças nessa situação.

A lei trata do ato da Alienação Parental e em nenhum momento menciona a Síndrome da Alienação Parental, pois aborda somente o termo Alienação Parental, que define como processo consciente ou inconsciente no qual geralmente o genitor guardião da criança desencadeia uma campanha difamatória contra o outro genitor para afastar a criança e/ou adolescente deste; campanha esta muitas vezes lenta, mas hostil e perigosa, que pode trazer graves consequências. Esse fenômeno, para Maria Berenice Dias, também pode ser chamado de implantação de falsas memórias (BUOSI, 2012, p. 117).

Na maioria das vezes, o fenômeno da Alienação Parental ocorre dentro dos lares de forma tão secreta que demora para chegar até o conhecimento do judiciário e mesmo do genitor alienado, mas os danos causados à vítima em virtude do tempo, já podem ter sido tão profundos a ponto de ter se tornado Síndrome. Por isso, para que essas condutas sejam conhecidas e reprimidas o quanto antes foi promulgada a Lei específica de Alienação Parental, sendo que nela há previsão para que o processo tramite com mais celeridade que os outros, quando comprovada a Alienação Parental.

Para Buosi (2012, p. 119)

Mesmo que já houvesse instrumentos jurídicos para coibir a Alienação Parental, uma lei específica demonstra-se salutar na medida em que assinala ao público em geral, incluindo operadores do direito e da psicologia, a existência dos fatos de alienar parentalmente, dando respaldo ao público jurídico de como combatê-la, na tentativa de promover um impacto cultural da importância: a parentalidade deve ser exercida de maneira saudável, sob pena de diversas consequências emocionais aos filhos.

Assim, o artigo 2° da lei 12. 318/2010 apresenta um conceito de Alienação Parental:

Considera-se ato de Alienação Parentala interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Os incisos do artigo 2° da lei descrevem atos de caráter exemplificativo para caracterizar a Alienação Parental, pois seria impossível elencar taxativamente todas as formas,

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haja vista que as facetas do alienador são inúmeras para tentar deturpar a imagem do outro genitor perante a vítima.

Enquanto que, o art. 3º da lei traz a tona o Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana (CF, art. 1°, inc. III), pelo fato de a Alienação Parental retirar da criança ou adolescente o convívio saudável com o genitor, dificultando seu desenvolvimento psicossocial. Por isso, este princípio merece destaque junto à lei para enfatizar o direito da criança e adolescente a uma vida digna no seio familiar.

Art. 3º A prática de ato de Alienação Parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda.

O referido artigo também resguarda direito a dano moral para a criança ou adolescente, bem como para o genitor alienado, pois tamanho pode ser o mal causado pelo alienador na constituição dos laços afetivos entre ambos ao praticar ações diretas para afetar o relacionamento das vítimas.

No tocante ao artigo 4º, caput e parágrafo único, o mesmo faz menção a normas processuais que quando declarado indício de ato de alienação parental, em ação autônoma ou incidental, o processo terá tramitação prioritária e após ouvir o Ministério Público, o juiz determinará as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do adolescente, inclusive para proporcionar sua convivência com o genitor ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, exceto os casos em que há iminente risco e prejuízo à criança ou adolescente atestado por profissional eventualmente designado pelo juiz para acompanhamento das visitas.

Os casos de Alienação Parental são de difícil constatação pelo juiz, pois exige experiência de profissionais preparados para identificar esses traços característicos da alienação. Assim, profissionais especializados na área de psicologia, assistência social e psiquiatria podem auxiliar o magistrado na colheita de dados para fundamentar a sua decisão pautada em laudos, testes psicológicos e estudos sociais referentes àquele caso concreto. Desse modo, o art. 5º, caput e parágrafos. 1º, 2° e 3º, prevê requisitos objetivos e subjetivos para os procedimentos de perícia psicológica ou biopsicossial, inclusive, se necessário, por

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equipe multidisciplinar, a requerimento do juiz de ofício ou a pedido do Ministério Público. É importante ressaltar que todos os atos praticados no processo devem ser sensíveis a atender o respeito à criança ou adolescente na fase mais delicada de sua formação.

No art. 6º há um rol de medidas exemplificativas para inibir ou atenuar as práticas de Alienação Parental:

Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a a convivência de criança ou adolescente com genitor, em ação autônoma ou incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não, sem prejuízo da correspondente responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, segundo a gravidade do caso:

I- Declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador; II- Ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado; III- Estipular multa ao alienador;

IV- Determinar acompanhamento psicológico e/ou psicossocial;

V- Determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão; VI- Determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente; VII- Declarar a suspensão da autoridade parental.

Na concepção de Buosi (2012, p. 133)

O traço preponderante desse rol de providências a serem tomadas pelo Judiciário em casos de alienação parental não é punitivo, mas sim de preservação ao equilíbrio e qualidade de vida do psicológico da criança e do adolescente. A lei está longe da intenção de estigmatizar ou adotar medidas de vingança ou violência comparável aos próprios atos cometidos de alienação parental, mas busca preservar o direito fundamental da criança e adolescente de convivência familiar saudável.

Nesse sentido, o magistrado possui livre arbítrio para decidir em cada caso concreto qual medida é mais pertinente ao interesse da criança e adolescente, mesmo que necessite aplica-las cumulativamente. Todas as decisões judiciais devem ser com respaldo ao melhor desenvolvimento físico, psicológico e social da criança e adolescente fazendo jus ao seu convívio com o genitor alienado, sempre que possível. Além disso, as medidas tomadas devem vir ao encontro de readequar o comportamento do alienador, fazendo com que o mesmo volte a agir de forma saudável em relação às vítimas.

O art. 7º trata da preferência de guarda ao genitor que viabilizar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, nas hipóteses em que seja inviável a guarda compartilhada. Todavia, tal decisão não faz coisa julgada material, só formal, por isso, o regime de visitas ou a detenção da guarda pode ser modificado a qualquer tempo.

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A competência em razão do lugar para ajuizamento de ações fundadas em direito de convivência familiar é o foro do último domicílio da criança ou adolescente, sendo irrelevante de acordo com o disposto no art. 8º a alteração de domicílio, sendo que o que determina é o último, antes da mudança.

Assim, destaca o parágrafo 8º:

“A alteração de domicílio da criança ou adolescente é irrelevante para a determinação da competência relacionada às ações fundadas em direito de convivência familiar, salvo se decorrente de consenso entre os genitores ou de decisão judicial.”

Para refletir sobre a Lei de alienação Parental é possível concluir que a mesma regulou a matéria de direito de família “convivência familiar” de forma adequada e satisfatória, visto que aborda o conteúdo para o melhor desenvolvimento e proteção da personalidade da criança ou adolescente, explanando condições para esse tratamento e dando criteriosidade para os magistrados aplicar a lei aos casos concretos.

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2 CONSEQUÊNCIAS DA ALIENAÇÃO PARENTAL

Este segundo capítulo tem por objetivo abordar as conseqüências desencadeadas sob vários aspectos na formação da personalidade da criança ou adolescente, provenientes da prática da alienação parental. Para tanto, far-se-á uma análise sob três âmbitos, quais sejam conseqüências psicológicas, sociais e jurídicas para buscar compreender as formas que a vítima pode ser atingida pelo ato sofrido, bem como os familiares e sociedade no geral tomar conhecimento dos meios que podem ser utilizados para impedir o alienador de continuar manipulando sua vítima, pois esta precisará de ajuda, uma vez que ela enquanto sujeito alienado não terá condições psicológicas de perceber o ato para se defender.

Nesse sentido, faz-se importante compreender que na separação do casal o desequilíbrio e o estresse são causas normais do fato, porém os pais quando rompem seus relacionamentos afetivos deveriam empreender o melhor de si pra preservarem a integridade psíquica dos filhos e juntos ajudá-los a compreenderem e superar a fase da separação dos genitores, pois quando as atitudes dos pais são sinceras nas informações e esclarecimentos prestados aos seus filhos, demonstrando que a separação é apenas entre os adultos e que os laços de afeto e amor entre pais e filhos devem permanecer, os reflexos característicos da dissolução de laços afetivos são amenizados e o ato de alienação parental não encontra assento.

Por outro lado, percebe-se que quando esse conceito de dissolução da vida conjugal não está bem esclarecido entre os genitores há um grande risco de ocorrer alienação parental, pois na maioria dos casos, ainda que de forma inconsciente, um dos genitores utiliza-se dos filhos para atingir a moral do ex-parceiro, sem se dar conta do mal que está causando aos mesmos. Deste modo, essa vingança pode ser desenvolvida de diversas formas conforme estudado no capítulo anterior, desde simples agressões verbais difamando o outro genitor até acusações mais fortes como imputar a este prática de abuso sexual a fim de tentar obstruir a relação afetiva entre ambos.

Segundo a doutrinadora Maria Berenice Dias, (2009, p. 418), que aborda o tema da alienação parental ou a implantação de falsas memórias. Essa prática vem sendo utilizada de forma recorrente e irresponsável. Muitas vezes, quando a ruptura da vida conjugal, um dos cônjuges não consegue elaborar adequadamente o luto da separação e o sentimento de

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rejeição, de traição, faz surgir um desejo de vingança, desencadeando um processo de destruição, de desmoralização, de descrédito do ex-parceiro.

Assim, a criança ou adolescente que vivencia os atos de alienação parental demonstra desde o momento da ocorrência e em certos casos num futuro bem próximo as conseqüências do conflito em que foi submetida/o. Sob essa afirmação, há de se entender que as crianças e adolescentes envolvidos em situações de alienação parental apresentam diversos comportamentos e sentimentos que geram prejuízos ao desenvolvimento de sua personalidade, principalmente na questão psicológica, na qual essa criança acaba se afastando das outras, por medo, culpa e insegurança, afetando sua formação adulta que, devido aos transtornos, pode desenvolver condutas graves quando adulto, tornando-se um sujeito de difícil convívio social.

Segundo Sousa (2010, p. 166), as conseqüências da criança exposta a tais conflitos, geram diversos sintomas como ora demonstra-se ansiosa, ora deprimida, agressiva, transtornos de identidade, comportamento hostil, desorganização mental e às vezes suicida, demonstra também a dependência ao alcoolismo e o uso de drogas.

Segundo o doutrinador Richard Gardner apud Rolf Madaleno (2011, p. 448)

A alienação parental é um transtorno que se desenvolve primordialmente, em um contexto de disputa pela guarda. Sua principal manifestação e a campanha de difamação da criança em relação a um de seus pais. É o resultado da combinação de inculcação de um pai que está programando seu filho (lavagem cerebral) com a própria contribuição da criança ao vilipêndio do genitor rechaçado.

Nessa ótica, os pais “jogam” com a estrutura psíquica dos filhos, para de alguma forma atingir o ex-cônjuge. Diante disso, ocorre uma inversão de funções, onde os pais deveriam ser os responsáveis de manter os filhos salvos de todas as formas de negligência, discriminação ou qualquer tipo de violência e não o fazem, ao contrário causam a eles apenas sensação de desconforto e desequilíbrio.

2.1 Psicológicas

A alienação parental causa à criança e/ou adolescente um desequilíbrio de grande monta, acarretando a Síndrome da Alienação Parental, pois a vítima sente-se confusa e

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desorientada diante de tantas brigas, pressões e desentendimento entre os genitores, sendo que o rompimento do liame parental acarreta consequências drásticas na vida do infante alienado.

Nesse sentido, ocorre uma ruptura no seu desenvolvimento como um todo, pois num primeiro momento com o início da alienação a vítima sente-se dividida entre os dois genitores e num segundo momento quando a alienação já se perpetuou vai se formando uma lacuna no desenvolvimento psíquico e emocional da criança ou adolescente, de forma que a mesma sente-se desorientada e desmotivada pela falta de incentivo, harmonia e estrutura familiar. Isto porque a vítima nessa fase da vida necessita de apoio, o que não ocorre, pois o alienador não está preocupado com o bem estar da vítima e sim em causar malefícios no outro genitor por intermédio da alienação.

Conforme Delia Suzana Pedrosa e José Maria Bouza (apud MADALENO, 2011, p. 449, grifo do autor)

O progenitor que estabelece um caminho de obstrução de contato de seu filho com o outro genitor aproveita-se de um sentimento de impunidade e procede com uma espécie de lavagem cerebral dos filhos, os quais, com suas mentes em estado de desenvolvimento possuem uma alta capacidade de absorção. Esses pais contam a favor de sua nocividade, com um tempo por demais longo e sem nenhum controle para depositar as sementes do ódio e rancor, emergentes de seus próprios problemas muito mal resolvidos e de sua incapacidade de aceitar os filhos como sendo de geração comum.

Esta alienação parental se não for inibida e a vítima submetida a tratamento, trará graves conseqüências para o âmbito psicológico desde o momento inicial da alienação, causando falta de progressão na aprendizagem até a vida adulta, pois poderá tornar-se uma pessoa insegura, com transtornos psicológicos, inclusive vivenciando a mesma situação dos genitores com seu cônjuge e filhos, ou até mesmo não conseguirá constituir laços familiares.

As conseqüências psicológicas causam grandes malefícios para a vida da criança ou adolescente, pois estão ligadas diretamente com a formação de sua personalidade, da qual irá decorrer seu desenvolvimento social conforme fora estruturada sua concepção psíquica. Nesse sentido, a criança e/ou adolescente vítima de Alienação Parental pode sofrer graves distúrbios psiquiátricos, passando a revelar doenças psicossomáticas, mostrando-se deprimida, ansiosa, nervosa e, principalmente, agressiva.

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Deste modo, o desenvolvimento da psique do indivíduo deve ser preservado de riscos e atos que possam prejudicar sua estruturação, daí a importância da não ocorrência de ato de alienação parental, principalmente porque é nessa fase da infância e adolescência que acontece este processo de formação da subjetividade do ser humano, a qual terá respaldos em toda a sua vida adulta.

Consoante Buosi (2012, p. 87, grifo do autor)

Nessa construção psíquica pessoal, o afeto do amor toma um lugar indispensável, sem o qual dificilmente haverá uma condução adequada dessa estruturação da personalidade. O “amor não é uma qualidade instintiva, mas que depende da aprendizagem de pautas relacionais, da convivência e dos exemplos que fazem sua inscrição no psiquismo”.

Com isso, uma das consequências do ato de alienação parental é a vítima vir a sofrer demasiadamente de falta de auto-estima, comportamento depressivo, atrasos escolares, sendo estes fatores responsáveis pela sua formação psíquica denegrida e agredida de forma covarde e cruel pelo alienador. É possível afirmar que esse trauma vivenciado e internalizado pela criança ou adolescente, se não tratado em tempo, irá perpassar toda a sua vida, podendo causar perdas irreversíveis em seu comportamento.

Ainda sob essa análise é possível abordar uma conseqüência psicológica de grande relevância que é o “efeito bulmerangue”, o qual ocorre quando a criança ou adolescente vitimada por ato de alienação parental se torna adulta e consciente das atitudes agressivas e injustas que teve para com o genitor alienado e passa a sentir raiva do alienador culpando-o por ter prejudicado sua relação afetiva com o outro genitor. Este sentimento de culpa e remorso que a vítima vivencia lhe traz muito sofrimento, impedindo-a de ter uma vida tranqüila, sendo que a mesma perde toda a motivação de construir uma relação saudável em seu dia-a-dia, pois não consegue se libertar desse trauma vivenciado na infância e adolescência.

Nessa concepção, a vítima de alienação parental está carregada de tamanho desconforto emocional que é capaz de comprovar a origem de seus danos psíquicos, pedindo indenização por danos morais ao genitor alienador, passando a ter muito rancor deste, buscando reconstruir os vínculos que foram cortados cruelmente com o alienado. Contudo, às vezes essa nova aproximação pode mais acontecer, ora porque não conseguiu mais

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localizá-lo, ora porque faleceu, é nessa situação que o sofrimento da vítima torna-se ainda mais gravoso, sendo que sentimentos de angústia e falta tomam conta do sujeito que pode levá-lo a crises de depressão, envolvimento com álcool, drogas e até tentativas de suicídio.

Nesse sentido Silva ensina que

Quando a criança, tempos mais tarde, percebe que foi manipulada por um dos genitores e se dá conta do quanto foi enganada e injusta para com o outro, passa a sentir ódio do alienador e em muitas situações chega a se manifestar até mesmo judicialmente, querendo ir morar com o genitor alienado, buscando reconstruir os vínculos e momentos que já foram perdidos. (SILVA apud BUOSI, 2012, p. 91).

Outra consequência que podemos destacar, segundo a autora Analicia Martins de Sousa (2010, p. 168), é que o genitor alienador denuncia o outro por agressão, maus tratos ou abuso sexual contra a criança e adolescente sem que isso tenha ocorrido efetivamente. As falsas denúncias são referidas como uma forma de abuso psicológico, uma vez que as crianças seriam influenciadas e submetidas a mentiras, e ao mesmo tempo teriam que passar por avaliações com o objetivo de se esclarecer a verdade.

Nesse sentido, é importante compreender que ao lado da alienação parental surge a síndrome das falsas memórias. Segundo Rolf Madaleno (2010, p. 453)

A síndrome da falsa memória, na alienação parental, surge e serve como conceito e tem sido utilizado para definir a lembrança que um indivíduo traz acerca de abusos sexual cometidos contra ele na infância, sendo depois constatado que tal fato não aconteceu. A construção de falsas memórias advém de lembranças implantadas por outras pessoas que tenha o escuso interesse em prolongar uma estratégia de persuasão que nem sempre é percebida num primeiro momento. As falsas denúncias ou falsas memórias surgiram como ampliação das estratégias destinadas a desvincular um filho do outro genitor e essas estratégias costumam ocorrer em quatro ocasiões: a) às vésperas de uma separação; b) após uma separação; c) às vésperas de ingresso de uma ação judicial de disputa de guarda e visitas; d) no contexto concreto de uma ação judicial.

No dizer da doutrinadora Graciela Manonellas (2005, p. 116 apud MADALENO 2010, p. 454), há dificuldade para a comprovação da malícia das falsas denúncias ou memórias, pois são armadas complexas provas e cínicas testemunhas, não com a intenção de condenar o denunciado, mas para usar esses mendazes fatos no juízo da família a fim de dificultar o contato desse progenitor com seus filhos e postergar até onde for possível o estabelecimento de um regime de visitas, cujo direito é muito fácil de obstruir diante da gravidade de uma

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denuncia mendaz de abuso sexual, maus tratos físicos, violência ou ameaças de um pai ao seu vulnerável filho, e só o fato da denúncia já cumpre sua tarefa de distanciar o genitor falsamente acusado, especialmente notória lentidão de um processo familiar. Neste triste espetáculo patrocinado pela cautela de proteção à vulnerável criança surge um ator/genitor que quer impedir as visitas do outro que se esmera e desespera para não perder o contato com seu filho. As crianças são as maiores vítimas da Alienação Parental e seus efeitos psicológicos são profundamente nefastos, mas que infelizmente, o genitor alienador não consegue enxergar, pois ele mesmo se coloca como vítima de um tratamento injusto e cruel por parte do outro ascendente, e sua vingança cria corpo utilizando os filhos, com os quais cria um pacto de lealdade, para afastar-lhes do não guardião.

No entanto, é fundamental para o restabelecimento do bem – estar da vítima que de imediato seja detectada a presença da alienação parental, a fim de evitar e controlar ao máximo os males já causados, pois caso contrário com o passar do tempo a situação pode se tornar irreversível. Diante disso, a vítima sofre muito com o estímulo negativo do alienador contra um dos genitores, principalmente pelo fato da criança ou adolescente ter uma relação de afeto com o mesmo e a partir das alienações sentir-se confusa e obrigada a desrespeitá-lo e criar dificuldades na relação de pai e filho.

2.2 Sociais

A criança e/ou adolescente vítima de alienação parental possui uma série de fatores problemáticos no âmbito psicológico, que faz com que os prejudique nas relações sociais e interpessoais, da convivência familiar estendendo-se ao espaço escolar, vivenciando dificuldades de relacionamento, sendo este o aspecto social no qual a criança ou adolescente sofrerá demasiadamente, pois a partir de então será obrigado a construir relações de convivência, só que a inibição causada pela alienação parental fará com que se sinta constrangido, inibido e até mesmo diminuído, podendo com isso sofrer discriminações pela falta de contato com as pessoas do grupo.

É sabido que um indivíduo deprimido não possui qualquer objetivo para a sua vida, não há perspectivas para ele, pois vive frustrado com a realidade de seu dia-a-dia num sofrimento constante em seu interior. Assim, proveniente dessa má-formação de sua subjetividade, desse abalo psicológico poderá decorrer muitos outros problemas desde a

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infância como retração, notas baixas, sensação de não ter valor algum, até a adolescência envolvimento com entorpecentes, álcool e há chances ainda de chegar à vida adulta como um indivíduo sem anseios e completamente deturpado socialmente.

Assim é o entendimento de Buosi (2012, p.87), que as crianças ou adolescentes envolvidos em atos de alienação parental apresentam diversos comportamentos e sentimentos que geram prejuízos ao desenvolvimento de sua personalidade, principalmente sentimentos de baixa estima, insegurança, culpa, depressão, afastamento de outras crianças, medo, que podem gerar transtornos de personalidade e de conduta graves na vida adulta. Todavia, é dever do Estado, dos pais e da sociedade no geral, expresso no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Constituição Federal, protegê-los em seu desenvolvimento para que sejam adultos saudáveis no futuro, de modo a garantir-lhes a educação, o respeito, a convivência familiar e comunitária.

Por isso, Estado, família e sociedade conjuntamente devem tomar atitudes positivas em relação às crianças e adolescentes, proporcionando-lhes uma vivência social harmoniosa. Nessa perspectiva, considerando que a família se constitui como sendo a base da sociedade, é de muito bom senso que os pais tenham atitudes positivas para com os filhos desde o seio familiar, para que sejam educados e instigados a assumir uma postura crítica e digna perante a sociedade.

Ainda, na concepção de (BUOSI, 2012, p. 114), os pais são as primeiras experiências que a criança passa a ter com o mundo externo, por isso é nessa relação parental que o indivíduo busca modelo para o seu desenvolvimento. Assim, essa família tem responsabilidades e deveres em relação a essa criança, definindo a autoridade parental como poder jurídico e dever de proteção à criança e/ou adolescente, devendo-lhe proporcionar os direitos fundamentais, que são indispensáveis para que possa viver de forma digna, adentrando no espaço social fora do âmbito familiar com mais segurança e destreza nas relações com o outro.

Nesse sentido, uma criança e/ou adolescente que sofre violência psíquica por atos de alienação parental vivencia dia-a-dia traumas profundos, ficando inviabilizada sua relação com o outro de tal forma a hostilizar seu comportamento. Todavia, esse fato não deve passar despercebido, sendo de suma importância detectar a ocorrência da alienação, pois os pais

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devem preservar a integridade da criança e não deturpá-la por motivos egoístas e infundados como, por exemplo, com a fútil intenção de atingir o outro genitor.

Nessa ótica, segundo Madaleno (2011, p. 449-450)

Dentro dessa dura realidade de pais que jogam com a estrutura psíquica dos filhos para atordoarem, com suas desinteligências mentais, a harmonia familiar, urgentes demandas devem interromper esse círculo criminoso de alienação parental. A sociedade quer pais vigilantes e juízes atentos, na busca da eficiente correção processual desses covardes desmandos contra a inocência e impotência de uma criança ou adolescente. Devem ser priorizadas decisões judiciais capazes de preservar com rapidez a estabilidade emocional e a formação espiritual de filhos, vítimas inocentes e indefesas da Síndrome de Alienação Parental (SAP). Há dentro desse descabro mental uma completa inversão de funções, porque são os pais que devem satisfazer as necessidades afetivas dos filhos, deixando-os a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Quando um pai não tem condições de proteger sua prole e ainda incapaz e se serve da inocência do rebento para atingir o outro genitor, este guardião não tem nenhuma condição psicológica de ser o fio condutor e uma relação de afeto com o filho e muito menos se habilita para ser seu guardião e educador.

Nessa concepção, faz-se necessário reafirmar com precisão que os pais têm papel de grande relevância na educação dos filhos para adentrar no espaço social, sendo que neste se inicia todo enlace das relações sociais e depois apenas se perpetua nos demais espaços da sociedade como a escola, por exemplo, que é o primeiro convívio da criança após o contato que outrora era exclusivo com a família. Por isso, se a criança tiver uma infância e adolescência pautada em uma relação saudável de convivência familiar certamente não sofrerá dificuldades de relacionamento social, porém se os pais não honrarem com o seu dever de propiciar esse ambiente à criança, e ainda denigrindo a formação de sua personalidade com atos de alienação, certamente esse sujeito será uma criança e um adolescente que não se enxerga em relação ao outro, vivendo apenas na sua individualidade, frustrado consigo mesmo.

Sendo assim, é possível afirmar que sendo a família o primeiro grupo social de contato da criança, se ela tiver déficit de atenção e formação psíquica deturpada nesse convívio, com certeza terá muito mais dificuldade de relacionamento nos próximos grupos que progressivamente surgirão no seu dia-a-dia, iniciando-se pelo espaço escolar, passando da infância à adolescência, na qual poderá passar por uma crise perpétua de existência, possivelmente envolvendo-se com substâncias altamente prejudiciais à sua saúde física e

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psicológica, como consumo de drogas e álcool para suprir o vazio que está sentindo, até chegar à vida adulta como um ser humano depressivo e sem objetivos.

Sob este aspecto, analisa-se que uma criança e/ou adolescente que sofre alienação parental se isola dele nele mesmo, isolando-se de todos que o rodeiam, assumindo comportamentos individualistas e defensivos, prefere estar sozinho brincando que na companhia de outros colegas e amigos, sendo que a única pessoa que é capaz de tirar-lhe deste mundo nebuloso e sombrio é o próprio genitor alienador. A vítima internaliza os conceitos que a ela foram incutidos e passa a ter condutas antissociais, as quais se tornam absolutamente prejudiciais ao seu desenvolvimento em sociedade, pois se enche de sentimentos de revolta e rebeldia para desabafar a tristeza que sente devido à falta do outro genitor e o ódio que guarda dentro de si por acreditar em tudo que lhe é posto como verdade contra aquele.

De acordo com (LIMA, 2012)

A criança necessita de um ambiente saudável, cheio de amor e carinho e que garanta um bom convívio social para seu desenvolvimento e formação individual. Assim, ao mesmo tempo em que os pais têm o dever de prestar aos filhos meios saudáveis para o seu desenvolvimento, têm também o direito de participar da sua criação e educação. Ou seja, trata-se de direito dos pais decidirem acerca de questões referentes à educação e formação dos filhos e também dever, ao passo que aos pais é devido observar e atender as necessidades dos filhos.

Entretanto, estes transtornos antissociais lhe causam muitos malefícios, considerando que todos somos sujeitos sociais e não podemos viver senão em comunidade. Para tanto, uma criança e/ou adolescente em plena fase de formação de personalidade precisa de contato com os vários grupos de seu natural convívio, ocorre que com esse comportamento típico de quem é vítima de atos de alienação os mesmos terão grande dificuldade de inserção nesse meio, seja porque não despertarão interesse refugiando-se em si mesmos, seja pela razão de que o próprio grupo irá excluí-lo pelo fato de ser um indivíduo disperso, deprimido e sem motivações.

Dessa forma, uma criança ou um adolescente sem ideais, cheio de maus propósitos para a sua vida, certamente tornar-se-á um adulto abatido, atordoado e com uma depressão mais profunda, o que lhe constituirá em amargura cujo fim pode ser a morte por suicídio, ou

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por outro lado um ser humano que vive sem saber o que realmente quer para o seu futuro, totalmente em crise de personalidade, pois a formou com deficiência de sentimentos e bons exemplos, podendo com isso buscar a felicidade em caminhos árduos e fatais.

2.3 Jurídicas

A Alienação Parental no Brasil está regulamentada pela Lei 12.318, de 26 de agosto de 2010, que se instituiu como uma ferramenta jurídica importante para amenizar os efeitos e conseqüências deste ato, a qual foi criada para resguardar os direitos da vítima e punir o alienador, sendo que também há decisões jurisprudenciais direcionadas a este assunto que está cada vez mais crescente e polêmico nos dias atuais.

Segundo o autor Rolf Madaleno (2010, p. 451)

Podem ser também agentes da alienação não apenas os pais, assim como os avós ou quaisquer pessoas que tenham a responsabilidade sobre a guarda ou vigilância da criança, como ocorre ainda na guarda de uma família acolhedora ou por ato de uma babá, estando qualquer um deles ou em abjeto e malicioso concerto de usurpação da inocente vontade da criança, tratando de estabelecer uma campanha de desqualificação da conduta do outro genitor; ou de dificultar a autoridade parental do genitor não guardião; ou de dificultar o contato com o outro ascendente; dificultar o exercício da convivência familiar; omitir deliberadamente a genitor informações pessoais e relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, medicas e alterações de endereço; apresentar falsa denuncia contra o genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; mudar o domicilio para local distante, sem justificativa, visando dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.

O art. 3º da lei reafirma o disposto no art. 1º, inc. III, da CF, resguardando o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, o qual merece destaque nessa abordagem a respeito das consequências jurídicas do ato de alienação parental, pois a criança e/ou adolescente tem o direito de conviver com ambos os genitores, principalmente nessa fase de desenvolvimento psicossocial de formação pela qual passa, qual seja a infância ou a juventude.

Nesse sentido, o afastamento do genitor alienado do convívio da criança e/ou adolescente fere direito fundamental destes, prejudicando gravemente o processo de formação de sua personalidade, causando-lhe angústia e sofrimento pela falta de todos os sentimentos

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inatos dos pais para com os filhos que são tão importantes para os mesmos sentirem-se seguros e felizes no decorrer da vida.

Como é sabido, nessa fase da infância ou juventude a vítima encontra-se mais vulnerável a manipulações, assim uma vez ocorrido o ato e o alienador conseguindo atrair a confiança da criança e/ou adolescente, certamente acarretará graves prejuízos ao seu desenvolvimento tanto psicológico quanto social se o ato de alienação não for descoberto logo no início, pois o alienador incute ideias na mente da vítima, fazendo-a acreditar que tais fatos são verdades, o que faz com que a mesma torne-se prisioneira desses pensamentos e odeie o seu outro genitor, ainda que isso lhe traga muito sofrimento.

Diante disso, pode-se dizer que tamanha é a lesão caudada à criança ou adolescente desde a época do ato de alienação trazendo respaldos até a fase adulta, que este conjunto encadeado de atos de manipulação constitui abuso moral, sendo que com base no art. 6º da Lei de alienação parental decorre responsabilidade civil ao alienador, ensejando danos morais por essa prática tão lastimável, dos quais fazem jus tanto a criança ou adolescente quanto o genitor alienado.

No mesmo entendimento, explicita Hironaka (apud BUOSI, 2012, p. 124)

Essencialmente justo, de buscar-se indenização compensatória em face de danos que os pais possam causar a seus filhos por conta de uma conduta imprópria, especialmente quando a eles são negados a convivência, o amparo afetivo, moral e psíquico, bem como a referência materna ou paterna concretas, o que acarretaria a violação de direitos próprios da personalidade humana.

Com isso, a criança e/ou adolescente após libertarem-se do sentimento de rancor, ódio e revolta estimulado pelo genitor alienador, passa a analisar e mudar seu pensamento em relação às suas atitudes de desprezo contra o alienado, só que ao deparar-se com essa cruel realidade pode ser que não haja mais tempo para reparação de tais atos. É movido por essa revolta e desespero que sente dentro de si que a vítima quer voltar-se contra o genitor alienador para fazê-lo reparar de alguma forma o mal causado, ainda que por vez seja irreparável dependendo das circunstâncias. Assim, vítima e genitor alienado tem direito a indenização por danos morais, pois o mesmo ato lesivo vitimou ambos que tiveram de se afastar devido ao caos que se instaurou sobre suas vidas, o que deixou sequelas que nunca serão sanadas.

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Conforme Buosi (2012, p. 125)

O instituto jurídico do dano moral deve ser tratado com razoabilidade, não visando monetarizar o afeto a qualquer custo ou fomentar a vingança entre os indivíduos que deveriam constituir relações amorosas, mas sim compensar a prática irregular advinda da alienação e culpabilizando e punindo o alienante diante desses atos inadequados.

Considerando que a criança e/ou adolescente detém o direito de ter uma convivência saudável no grupo familiar, assim que descoberto e declarado o ato de alienação parental em ação autônoma ou incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária para evitar que a morosidade dos procedimentos se torne aliada para a prática de alienação parental.

O poder judiciário determinará com urgência medidas provisórias necessárias para preservar a integridade física e psicológica da criança e/ou adolescente, evitando ao máximo seu afastamento do genitor ou reaproximando-os se restar prejudicada a convivência em virtude dos atos de alienação, assegurando aos mesmos garantia de visitação, ainda que assistida por profissional designado pelo juiz quando houver risco de danos à saúde da criança e/ou adolescente, principalmente em casos de denúncias graves como abuso sexual, por exemplo, a fim de evitar que com o afastamento do alienado os atos se perpetuem e tragam prejuízos cada vez mais irreversíveis à vítima.

Para (BUOSI, 2012, p. 127, grifo do autor)

Considerando o exposto, a separação total do acusado com o menor deve ser a última alternativa, salvo conjunto probatório muito robusto, pois a justiça deve sempre buscar soluções para que essa convivência seja mantida, podendo ser até mesmo assistida ou restrita a locais públicos, como shoppings e praças, sendo instrumento capaz de demonstrar à criança que a sua percepção está distorcida ante os casos de alienação da criança perante outra realidade vivenciada.

Nesse sentido, no momento em que forem caracterizados atos de alienação parental que estejam dificultando a convivência da criança e/ou adolescente com o genitor, é dever do juiz se utilizar de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, de acordo com a necessidade do caso.

Diante do fato, o poder judiciário diante das evidências dos atos, poderá cumulativamente ou não declarar a alienação parental e advertir o alienador, ampliar o regime

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de convivência familiar em favor do genitor alienado para tentar contornar a situação ou evitar a instalação da síndrome da alienação parental se ainda houver tempo, e se for o caso de não adiantar as advertências do juiz, este também tem a faculdade pela lei de estipular multa ao alienador com a finalidade de frear suas atitudes para com a vítima.

Além dessas medidas, o juiz poderá se julgar necessário determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial do alienador, quando ainda não instalada ou também se já instalada a síndrome decorrente dos atos de alienação que se caracteriza por ser uma grave degradação psicológica na vítima, para que haja um contorno da situação, a fim de tornando-la menos gravosa e cruel, sendo que sem prejuízo dessas medidas diante da gravidade do caso pode haver além de reparação civil em danos morais, até uma condenação penal ao alienador.

Conforme o caso, o magistrado poderá determinar a alteração da guarda, sendo que a atribuição da guarda dar-se-á por preferência ao genitor que viabiliza a efetiva convivência da criança ou adolescente com o outro genitor quando não for possível a viabilização da guarda compartilhada.

Consoante Figueiredo e Alexandridis (apud BUOSI, 2012, p. 139)

Independe da guarda concedida ser unilateral ou compartilhada, ou até mesmo de qual dos genitores tem o exercício, tal decisão que determinou essa condição não faz coisa julgada material, apenas formal, sendo que por isso há a possibilidade de alterar a qualquer tempo o regime de visitas ou o detentor da guarda. Diante disso, o genitor que detém a guarda, mas realiza práticas de alienação parental para com alguém que detenha responsabilidade parental perante a criança, pode ter a guarda modificada em qualquer tempo.

Nas hipóteses em que o alienador esteja conturbando o convívio da vítima com o genitor alienado utilizando-se para isso de mudança de endereço rotineiramente de forma abusiva, o juiz poderá fixar cautelarmente o domicílio da criança e/ou adolescente e inverter a obrigação de levar para ou retirá-lo da residência do genitor, por causa das alternâncias dos períodos de convivência familiar.

Nesse tocante às medidas previstas na lei da alienação parental que podem ser lançadas mão pelo judiciário para inibir ou atenuar seus efeitos, em casos mais extremos quando nenhuma medida mais branda for suficiente para controlar ou acabar com as violações

Referências

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