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Arq. NeuroPsiquiatr. vol.46 número2

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Academic year: 2018

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A N Á L I S E S D E L I V R O S

T H E P R E L U D E TO T H E M I G R A I N E ATTACK. W. K. AMERY , A. WAUKIER, editores. Um volume com 213 páginas (12,5 x 22,5cm). Baillière Tindall, 1986.

E s t e livro é o fruto de Simpósio Internacional, realizado em 1985 pela Sociedade B e l g a de Enxaqueca e pela J a n s e n Research Foundation. A hemicrania, enigmática afecção paroxística, ainda s e reveste de muitas indagações. Diversas áreas de pesquisa têm se desenvolvido, procurando responder a aspectos do problema. Entre eles, destaca-se o estudo de fatores que agem como «gatilho». T r ê s artigos abordam esse tema. Dalessio e col. revêem determinantes endógenos e psicológicos; Debney e col., fatores físicos; inventário de substâncias que eventualmente exercem papel de gatilho é apresentado por Olesen. P a r t e interessante desse livro é reservada para fenômenos premonitórios da enxaqueca. Blau excursiona pelos sintomas cerebrais, alimentares, de equilíbrio eletrolítico e musculares, os quais são distinguidos em fenômenos excitatórios e inibitórios; chega a concluir que a enxaqueca é processo primário com respostas vasculares secundárias. Harding e Gale, investigam os sintomas precoces de hipoxia e da hipoglicemia cerebrais. Um papel da dopamina na patogenia da enxaqueca é sugerido, pela semelhança que se observa entre os sintomas da enxaqueca e os efeitos clínicos dos agentes dopaminérgicos, assim como pelos achados bioquímicos e pelos efeitos do tratamento precoce com o domperidone, que é bloqueador dos receptores dopaminérgicos periféricos (Amery e col.). A terceira parte do livro se destina ao estudo da aura da enxaqueca, em que são revistas suas caracterís-ticas clínicas ( L e r a ) . Capítulo sobre alucinações e enxaquecas é escrito por Diamond e col.; os fenômenos alucinatórios são classificados em alucinações específicas (visuais, escotomas simples, aspectos de fortificação ou fotopsias), em alterações de humor (em que sensações «forçadas», eventualmente desagradáveis, precedem a crise) e em alterações da função intelectual. Cliford Rose se incumbe do estudo dos equivalentes migranosos, isto é, aqueles distúrbios transitórios que substituem o ataque, mas em que falta cefaléia. E n t r e esses distúrbios inclui a amnésia global transitória, pelo menos em algumas de suas formas, a enxaqueca cardíaca (dor precordial, pseudo-angina enxaquecosa ou angina innocens), enxa-queca abdominal (vômitos cíclicos, síndrome periódica ou dores de crescimento). E n t r e esses vários tipos de aura, os escotomas cintilantes e a síndrome dígito-lingual são as formas mais frequentes. Atribui-se classicamente a aura da enxaqueca a fenômenos de excitação e extinção, ambos caracterizados por certo alastramento. Provavelmente, origina-se do córtex cerebral e até recentemente considerava-se a isquemia localizada como seu meca-nismo mais provável. Spierings, em revisão sobre a patogenia da aura enxaquecosa, a favor dessa teoria de hipoxia tissular, invoca dois mecanismos básicos: a vasoconstrição arterial e um aumento dos circuitos artério-venosos. Uma terceira teoria, também defendida por Spierings, atribui os sintomas a processo conhecido como depressão alastrante ou fenômeno de Leão. O próprio Aristides Leão, no capítulo seguinte responde à indagação: o que é a depressão alastrante cortical? Os trabalhos de Moskowitz e seus colaboradores são estudados em capítulo especial em que se salienta a relevância das projeções dos neurônios trigeminais nas cefaléias vasculares. Referem-se à terapêutica da enxaqueca os três últimos capítulos: efeitos de drogas sobre a depressão alastrante cortical (Marrannes e col.), sobre a aura (Lous) e medidas utilizáveis durante a aura.

Em resumo, é muito interessante este volume, focalizando especificamente os preâmbu-los e o desencadear dos ataques enxaquecosos, de forma a estimular as investigações sobre os mecanismos desta fase precoce das enxaquecas. Provavelmente a compreensão dessas fases iniciais do ataque ocasionará atitudes mais racionais para a terapêutica da própria afecção.

ROBERTO MELARAGNO FILHO

C L I N I C A L D I S O R D E R S O F MEMORY. AMAN U. KHAN. Um volume com 272 páginas (16 x 25cm). Plenum Medical Books, New York, 1986.

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pode ser conceituada como o armazenamento de potenciais comportamentais aprendidos através do tempo. Pode agora também ser compreendida como o resultado de modifi-cações funcionais persistentes do SNC induzidas por influxos ambientais e por atividades do organismo. A neurobiologia da memoria é, estudada e as indagações formuladas pelos psicólogos são investigadas em bases biológicas. O capítulo 2 é dedicado à avaliação da memória, por vários grupos de teste. Nenhum processo é ideal e amplamente satisfatório; não há testes biológicos que indiquem déficit de memória. No capítulo seguinte, discri-minam-se as drogas que poderiam exercer influência no aprendizado e na memória: inventário de agentes farmacológicos é acompanhado de estudo crítico sobre os efeitos putativos de cada um deles. O efeito do álcool no comprometimento da memória é tema de um capítulo específico; de fato, o SNC é um dos órgãos mais sensíveis a seus efeitos tóxicos e as atrofias cerebrais progressivas, verificadas pelo CT em alcoólatras crônicos, são analisadas. Os neurotransmissores, neuromoduladores e hormônios têm sido exausti-vamente estudados quanto ao seu papel nos processos mnésicos: breve revisão é dedicada ao papel da noradrenalina, da dopamina, do sistema serotonérgico e de certos hormônios. O capítulo 6, «Memória nas Doenças Degenerativas do Sistema Nervoso», inicia-se pela doença de Alzheimer, seguindo-se a doença de P i c k antes de considerar outras.

A memória nos acidentes vasculares cerebrais é assunto do capítulo seguinte. No encéfalo, a exclusão de área ou áreas de seu parênquima pode condicionar sofrimento em vários aspectos, inclusive nos complexos processos da memória. Assim, são revistas suces-sivamente as isquemias crônicas do encéfalo, o ataque isquêmico-transitório, os grandes enfartes cerebrais e a demência dos multi-enfartes. A memória habitualmente é compro-metida em infecções crônicas do SNC, entre as quais Khan enumera e estuda a sífilis do SNC, infecções virais crônicas, a poliencefalite esclerosante subaguda, a leucoencefalo-patia multifocal progressiva, as encefalites espongiformes progressivas e seqüelas a longo prazo de meningites bacterianas da infância. Doenças crônicas sistêmicas que podem ocasionar dano cerebral com dano comprometimento da memória são analisadas, seguin-do-se o estudo de distúrbios de memória no trauma craniano. Menção especial é feita para as desordens funcionais da memória, a principiar pelas ocasionadas pela depressão (pseudodemência). Outras afecções psiquiátricas podem se apresentar sob forma de desor-dens mnesicas sendo consideradas esquisofrenia, autismo e várias desordesor-dens dissociantes. Menção é também feita a aspectos não necessariamente patológicos, como pequenas lacunas de memória, memória do sonho e a amnésia do sonho. O capítulo 12 é de transcendental importância prática: as alterações da memória que acompanham o envelhecimento. É conceito habitualmente aconceito a redução da memória paralelamente ao envelhecimento. E n t r e -tanto, avaliação para se determinar a quantidade e o tipo de déficit da memória do idoso não chegou a resultados definitivos.

Encerra este livro o capítulo concernente às estratégias para o tratamento das altera-ções de memória. É capítulo crítico, em que K h a n realça o valor do treinamento das habilidades cognitivas. Evidentemente, essas estratégias não se revestem de maior valor em pacientes com doenças cerebrais. «Clinicai Disorders of Memory» é recomendado para neurologistas, internistas, psiquiatras e geriatras.

ROBERTO MELARAGNO FILHO

S L E E P AND I T S D I S O R D E R S I N C H I L D R E N . C. GUILLEMINAULT, editor. Um volume com 216 páginas. Raven Press, New York, 1987.

Diferentes especialistas tratam neste livro de temas atuais e importantes sobre o sono na infância e adolescência. Oferecem visão geral da fisiologia do sono e da respi-ração, dados normativos do polissonograma no neonato e sobre patologias mais comuns na infância. No primeiro capítulo, encontramos excelente revisão dos aspectos polêmicos do estagiamento do sono nos primeiros meses de vida, incluindo os prematuros. William Dement e seus colaboradores escrevem sobre o sono na pré-adolescência e adolescência, levantando hipóteses provocativas sobre os desvios fisiológicos do sono e suas conseqüên-cias. A fisiologia respiratória durante o sono é detalhada em capítulo baseado em revisão bibliográfica extensa. As parassonias são motivo de dois capítulos, ambos com dados epidemiológicos interessantes.

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diagnósticas desta patologia na infância, com base nos dados da polissonografia e do teste da latência múltipla. A relação entre apnéia e a síndrome de morte súbita na infância ( S I D S ) é bem discutida, sendo salientado que, se apnéia do sono não explica a maior parte dos casos de SIDS, esta tem grande importância por si mesma pela alta morbidade que acarreta. Os dois últimos capítulos são dedicados a aspectos do sono em doenças neurológicas, enfatizando-se os achados em deficientes mentais e nas epilepsias.

ADEMIR BAPTISTA DA SILVA

ACADEMIA BRASILEIRA D E NEUROLOGIA

MENSAGEM DO P R E S I D E N T E

Meus prezados amigos,

Aproxima-se a data da realização do XIII Congresso Brasileiro de

Neurologia: 24-29 de setembro de 1988. Conseguimos para sede deste

evento o Centro de Convenções Anhembi, o local mais adequado que

temos.

Numerosos especialistas estrangeiros estarão presentes mostrando-nos

o avanço de nossa especialidade nos centros mais adiantados do mundo.

Numerosos especialistas nacionais estarão também presentes, mostrando

sua experiência nos mais diversos temas neurológicos.

No sentido de intensificarmos os laços com especialidades co-irmãs,

colocamos em nosso programa temas de neurofisionologia clínica, fisiatria,

fonoaudiologia e foniatria.

Essa ampla abordagem será feita em forma de Simpósios, Mesas

Re-dondas, Conferências, Sessões de Vídeo, Temas Livres e Sessões de Poster.

A programação social será bastante acolhedora.

Tudo isso de nada adiantará se não tivermos o apoio dos senhores

no sentido de divulgarem este evento em seu meio e no sentido de estarem

aqui para comemorarmos juntos mais esta demonstração de maturidade

científica de nossa Academia.

Meus amigos, conto com todos os senhores! Até o nosso XIII

Con-gresso Brasileiro de Neurologia.

Referências

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