AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, agradeço à minha filha, fazendo votos para que mais tarde compreenda os momentos de ocupação e ausência que a privaram da minha companhia.
Agradeço ainda, a toda a minha família a atenção e a constante disponibilidade.
Em seguida agradeço a todas as pessoas que contribuíram para o meu enriquecimento profissional, proporcionando a execução e elaboração deste trabalho:
Ao Mestre Miguel Ricou Orientador desta dissertação, cujo apoio ao longo destes anos foi decisivo para a consolidação, estruturação e realização deste trabalho. Salienta-se que os seus conhecimentos na área da psicologia e bioética foram fundamentais na estruturação dos meus conhecimentos. Agradeço ainda, a sua disponibilidade e incentivo em todo este meu longo percurso.
Ao Sr. Prof. Doutor Rui Nunes, cuja qualidade científica e pedagógica muito contribuiu, para a estruturação deste trabalho.
À Sr.ª Prof. Doutora Isabel Monteiro da Universidade de Aveiro pela sua ajuda no tratamento estatístico de todos os dados recolhidos, bem como por outras ajudas imprescindíveis.
Aos membros do Serviço de Bioética e Ética Médica, Mestre Ivone Duarte e Dra.
Catarina Canário pelo apoio sempre concedido.
Aos meus colegas do grupo de Mestrado pela amizade e apoio nesta viagem.
A todos os meus amigos que me ajudaram na consulta dos profissionais de educação, profissionais de psicologia e alunos, cujos nomes não vou citar, para não correr o risco de me esquecer de algum muito importante e relevante.
Por fim, agradeço a todos os que directa ou indirectamente colaboraram neste projecto, nomeadamente, aos professores, aos psicólogos e aos alunos, que mesmo não conhecendo, se disponibilizaram a preencher o inquérito.
ÍNDICE GERAL
Introdução 10
PARTE I – Parte Teórica
1 - Noção de Educação 14
1.1 - Etimologia / Definição 14
1.2 - Resenha Histórica 15
1.2.1 - O Direito à Educação no Mundo Actual 20
2 - O Papel da Escola no séc. XXI 24
3 - Sistema Educativo 28
3.1 - Lei de Bases do Sistema Educativo – Lei n 46/86 de 14 de Outubro com as alterações introduzidas pela Lei 115/97 de 19 de Setembro
28
3.2 - Âmbito da aplicação da Lei 28
3.3 - Princípios do Sistema Educativo 30
3.4 - Organização geral
3.4.1 – Organigrama 31
3.4.2 - Administração Geral do Sistema 33
3.5 - Educação Não Escolar 34
3.5.1 - Educação pré-escolar 34
3.5.2 - Educação extra-escolar 34
3.6 - Ensino Básico
3.6.1 - Características essenciais 35
3.6.2 - Organização curricular 36
3.7 - Objectivos do Ensino Básico 36
3.7.1 – no plano pessoal 36
3.7.2 – no plano do relacionamento social 37 3.7.3 – no plano das aquisições cognitivas 37
3.7.4 – no plano do comportamento 37
3.8 - Escolaridade obrigatória 38
3.9 - Ensino Secundário
3.9.1 - Características essenciais 38
3.9.2 - Estrutura e organização 39
3.10 - Modalidades especiais da educação escolar 39
3.10.1 - Educação especial 39
3.10.2 - Apoios e complementos educativos, recursos físicos e recursos educativos
3.10.2.1 - Apoio a alunos com necessidades escolares
específicas 40
3.10.2.2 - Apoio psicológico e orientação escolar e
profissional 40
3.10.2.3 - Acção social escolar 40
3.10.2.4 - Apoio de saúde escolar 41
3.10.2.5 - Apoio a trabalhadores-estudantes 41 4 – Psicopatologias detectadas nos alunos em contexto escolar: 42 4.1 - Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção 44
4.2 - Problemas Comportamentais 46
4.3 - Perturbação do Tipo Alimentar 47
4.4 - Perturbação do Humor 49
4.5 - Perturbação da Ansiedade Generalizada 50
4.6 – Stress 50
4.6.1 - Stress Agudo 50
4.6.2 - Stress Pós – Traumático 50
4.7 - Perturbação de Sono 51
4.7.1 - Insónia Primária 51
4.7.2 - Hipersónia Primária 51
5 - Princípios Éticos na Educação 53
5.1 – Conceito de Ética 53
5.2 – Teorias Éticas 56
5.2.1 – Ética Deontológica 57
5.2.2 – Utilitarismo 58
5.2.3 – Ética das Virtudes 60
5.3 – Princípios Éticos 61
5.4 – Bioética 68
6 - Igualdade de oportunidades na educação 72
6.1- Resenha histórica 73
7 - Os alunos diferentes, os alunos com necessidades educativas especiais
7.1 - A Inclusão da Diferença 79
7.2 - Diferença / Desigualdade 81
7.3 - Diversidade / Insucesso escolar 82
8 - Formação de professores para a diferença 85
PARTE II – Parte Prática 9 – Metodologia
9.1 – Objectivos do estudo 89
9.2 – Tipo de estudo 89
9.3 - Construção do questionário 89
9.4 – O Teste-Reteste 90
9.4.1 – Proporção de concordância do inquérito aos alunos 91 9.4.2 - Proporção de concordância do inquérito aos
professores 93
9.5 - Local de estudo 95
9.6 - Definição da população e selecção da amostra 95 10 - Análise dos dados dos questionários
10.1 – Alunos
10.1.1 - Caracterização da amostra 97
10.1.2 – Caracterização do estudo
10.1.2.1 – com base na sua experiência 98 10.1.2.2 – com base na experiência dos outros 100 10.2 – Professores
10.2.1 - Caracterização da amostra 101
10.2.2 – Caracterização do estudo 103 10.3 - Psicólogos
10.3.1 - Caracterização da amostra 105
10.3.2 – Caracterização do estudo 106
11 – Discussão
11.1 - Alunos 110
11.2 - Professores 114
11.3 - Psicólogos 120
12 – Considerações Finais 123
13 - Bibliografia 129
ANEXOS:
Anexo 1 . Inquéritos
Alunos Professores Psicólogos
Anexo 2 . Estatística
Alunos Professores Psicólogos
Anexo 3
Algumas respostas obtidas nos inquéritos aos alunos às perguntas:
. Sentes que te ajudou?
ÍNDICE de QUADROS e TABELAS
Tabela 1 – Significado dos valores de concordância 91
Quadro 1 – Grau de concordância dos itens do questionário realizado aos
alunos 92
Quadro 2 – Grau de concordância dos itens do questionário realizado aos
professores 94
Quadro 3 – Frequência por sexo dos elementos da amostra – alunos 97 Quadro 4 – Frequência por idade dos elementos da amostra – alunos 97 Quadro 5 – Frequência por habilitações literárias dos elementos da amostra –
– alunos 98
Quadro 6 – Frequência dos serviços de psicologia escolar pelos elementos da
amostra – alunos 99
Quadro 7 – Frequência do porquê consultar o Psicólogo Escolar pelos
elementos da amostra – alunos 99
Quadro 8 – Frequência sobre o motivo da consulta dos serviços de psicologia
escolar pelos elementos da amostra – alunos 99
Quadro 9 – Frequência de satisfação com os serviços de psicologia pelos
elementos da amostra – alunos 100
Quadro 10 – Frequência do conhecimento de pessoas que recorreram ao
Psicólogo por parte dos elementos da amostra – alunos 100 Quadro 11 – Frequência do porquê consultar o Psicólogo por parte dos 100
conhecidos dos elementos da amostra – alunos
Quadro 12 – Frequência de satisfação com os serviços de psicologia por
parte dos elementos da amostra – alunos 101
Quadro 13 – Frequência por sexo dos elementos da amostra – professores 101 Quadro 14 – Frequência por idade dos elementos da amostra – professores 102 Quadro 15 – Frequência por habilitações literárias dos elementos da amostra
– professores 102
Quadro 16 – Frequência por experiência profissional ao nível da docência
dos elementos da amostra – professores 102
Quadro 17 – Frequência das psicopatologias detectadas nos alunos por parte
dos elementos da amostra – professores 103
Quadro 18 – Frequência das pessoas a contactar por parte dos elementos da
amostra – professores 103
Quadro 19 – Frequência de psicopatologias dos alunos que são encaminhadas para os serviços de psicologia por parte dos elementos da amostra – professores
104
Quadro 20 – Frequência do acompanhamento da situação do aluno por parte
dos elementos da amostra – professores 104
Quadro 21 – Frequência dos alunos que evoluem positivamente, avaliada por
elementos da amostra – professores 105
Quadro 22 – Frequência por idade dos elementos da amostra – psicólogos 105
Quadro 23 – Frequência por experiência profissional dos elementos da
amostra – psicólogos 106
Quadro 24 – Frequência do horário semanal dos elementos da amostra –
– psicólogos 106
Quadro 25 – Frequência de serviços prestados pelos elementos da amostra –
– psicólogos 107
Quadro 26 – Frequência de problemáticas mais frequentes, nos alunos em
contexto escolar 107
Quadro 27 – Frequência da autorização, por parte o encarregado de
educação, do aluno em intervenção 108
Quadro 28 – Frequência do tipo de encaminhamento dos alunos com
determinado problema 108
Quadro 29 – Frequência do acompanhamento fora da escola por parte dos
elementos da amostra – psicólogos 109
Quadro 30 – Frequência da evolução positiva dos alunos em intervenção 109
INTRODUÇÃO
A escola actual enfrenta um conjunto de desafios que, sinteticamente, se poderão sistematizar em três grandes vias: a massificação do ensino, o aumento da escolarização e a adaptação ao grande desenvolvimento tecnológico da sociedade. As modificações sociais, nomeadamente a globalização da economia, o avanço da ciência e tecnologia e, fundamentalmente, a sociedade de informação, favorecem as possibilidades de acesso dos indivíduos à informação, à ciência, à tecnologia e ao saber.
A sociedade que se gera exige dos indivíduos a combinação de saberes elementares, com novos saberes adquiridos de forma diversa e, nesta perspectiva, os sistemas educativos desempenham um papel central indiscutível. A consciencialização de que a educação e a formação individual são os principais factores de identificação, integração, promoção social e realização pessoal, sempre foram vectores determinantes da igualdade de oportunidades e desempenharam um papel essencial na emancipação, promoção pessoal, social e profissional. Hoje, o conceito de desenvolvimento encontra- -se relacionado com a valorização do recurso humano, nomeadamente na sua capacidade de adquirir e usar princípios éticos fundamentais. Nesta perspectiva, deixa de ser atribuído à escola o papel de transmitir conhecimentos de forma simples, mas exige-se que o processo educativo e formativo tenha a duração que se confunde com o tempo de vida dos indivíduos (processo educativo permanente). A escola mais uma vez é entendida como tendo a função principal de integração social, bem como sendo a promotora do desenvolvimento pessoal. Tem a preocupação constante da inserção em contextos de ensino regular, crianças e jovens, que pelos mais diversos factores, nem sempre tiveram aceitação numa sociedade em mudança constante.
O conceito e papel de escola em Portugal foi-se modificando ao longo das décadas do século XX, sendo legislado pela Lei de Bases do Sistema Educativo – Lei nº 46/861, na qual o Estado garante um dos direitos fundamentais do Homem – o direito à educação, bem como, uma formação base comum a todos os Portugueses, sendo universal e gratuito, e que promove uma efectiva igualdade de oportunidades no acesso e sucesso
1 Com alterações introduzidas pela Lei nº 115/97 de 19 de Setembro de 1997.
escolares. No ensino, os formadores devem nortear a sua prática educativa por princípios éticos, devendo estes estarem interiorizados para fundamentar o seu agir.
A Ética e a Educação têm como objectivo comum o melhor interesse do Homem, dando pertinência a este trabalho que tem como finalidade compreender a importância da ética e os seus princípios na educação. Refere-se a aplicação dos princípios da biomédica de Beauchamp e Childress (1994, 2002) (princípio da autonomia, princípio da beneficência, princípio da não maleficência e princípio da justiça) à educação.
Para Perrenoud (2001) a inclusão de alunos com necessidades educativas especiais ou os alunos ditos “diferentes” no sistema de ensino regular constituiu algo que actualmente é aceite de forma consensual. No entanto, a implementação prática dos princípios necessários para uma escola inclusiva constitui ainda um processo difícil e lento, uma vez que as escolas e os profissionais de educação não estão suficientemente preparados para as exigências que este tipo de escola impõe. Exige alterações significativas em termos de conhecimentos, atitudes e capacidades no sentido de se desenvolverem práticas que respeitem, reconheçam e valorizem as diferenças individuais. Como afirma Mittler (2000), o objectivo da inclusão está, neste momento, no centro tanto da política educativa como da política social.
Existem, contudo, nas nossas escolas, alunos com outras psicopatologias que não se incluem nas necessidades educativas especiais, tais como: perturbação da hiperactividade e défice de atenção, problemas comportamentais, perturbação do tipo alimentar, perturbação da ansiedade, perturbação do humor, stress e perturbação de sono, entre outras.
Pretende-se saber, com o presente trabalho, se os profissionais da educação, em contexto escolar, as identificam, se as encaminham correctamente e se as instituições escolares são sensíveis a esta temática, de forma a responder satisfatória e assertivamente às necessidades dos alunos.
É necessário que haja individualização, personalização, adaptação e diferenciação curricular às necessidades e características de cada aluno. Todos os alunos deverão ter os mesmos direitos e oportunidades, incluindo o direito à diferença e a uma educação
adaptada às suas necessidades. Assim prevalecerá um sistema educativo que promova o sucesso educativo e conceitos como cidadania e civilidade.
PARTE I
PARTE TEÓRICA
1 - NOÇÃO DE EDUCAÇÃO
Educar é instruir, é promover a educação, é transmitir conhecimentos, é dar as condições para que o educando modifique o seu comportamento através de desenvolvimento das suas capacidades físicas, intelectuais e morais. Assim quando se pensa no produto final deste processo entende-se Educação como a actividade que modela, forma e ajusta o ser humano à forma padrão da actividade social.
No entanto, educar é sempre um risco, mas sobretudo, uma oportunidade de desenvolvimento natural, progressivo e sistemático de todas as forças do educando no sentido de atingir um ideal de perfeição.
Educar é a experiência mais comum da condição humana, uma das poucas “coisas” que pode modificar o ser humano, direccionando um caminho e aumentando as suas limitadas possibilidades. Todos os dias em que se aprende algo, não é um dia comum, é um dia importante. Claro que esta visão optimista da vida transforma todos os dias em dias importantes. Desta forma e tal como refere Santos (1996, pág.17), "é preciso aprender dia a dia".
Numa sociedade sedenta de projectos, de valores individuais e de aprendizagens, a grande oportunidade da escola é apostar numa proposta educativa sólida, concreta e robusta que vise “educar” o Homem, principalmente numa época em que se reforça a autonomia das escolas e dos valores educacionais.
Os professores, nunca se podem esquecer que para educar os outros, é necessário ter vontade de aprender com eles. O que aprendemos, quando aprendemos a aprender? E o que se aprende quando somos educados? O que é a educação?
1.1 – Etimologia / Definição
É do senso comum a noção de que educar consiste em alimentar as crianças e jovens, bem como cultivar o seu espírito através da ciência e dos bons costumes.
Para Durkheim (1972), educação é a acção exercida pelas gerações adultas sobre as que ainda não estão maduras para a vida social, tendo por objectivo suscitar na criança um determinado número de estados físicos, intelectuais e morais que a sociedade política, no seu conjunto e o meio social, ao qual está particularmente destinada, reclamam.
A palavra “Educação” tem a sua origem etimológica no latim dux que significava
"chefe" indicando uma magistratura, um título de nobreza; daqui surge a palavra
"duque" (Pimenta, 1999). Daquela raiz emergiu o verbo latino ducere, "levar", que gerou o termo "conduzir". Deste verbo, surgiriam muitas outras palavras, como producere que significa "levar para a frente", deducere que tem o sentido de "trazer para dentro" ou ainda traducere que é "levar para um outro lado". A partícula latina e significa o movimento de dentro para fora – somada ao ducere, deu origem à palavra educação: como colocar as ideias para fora.
1.2 - Resenha Histórica
Já nas sociedades mais ancestrais e primitivas se educava de uma forma pouco organizada, simples e sempre com um sentido prático (por exemplo distinguir plantas comestíveis de venenosas), com o intuito de que estes saberes se transmitissem de geração em geração, dos mais velhos para os mais novos.
Com o surgir das grandes civilizações (Antigo Egipto, China, Império Persa, entre outras) surgem sistemas educacionais organizados e destinados a elites (sacerdotes, médicos, escribas, etc.).
Segundo Guimarães (1974) os filósofos gregos Sócrates2, Platão3 e Aristóteles4 foram sem dúvida os grandes orientadores da história da pedagogia e da educação. Para Aristóteles a principal finalidade da educação era ensinar a compreender e a apreciar o bem.
2 470 a.C. – 399 a.C..
3 428 a.C. – 347 a.C..
4 384 a.C. – 322 a.C..
Os romanos, a partir do século IV a.C., tinham como função difundir o saber e a cultura greco-romana entre os povos, promovendo a oportunidade do ensino da leitura, da escrita e dos números.
Na Idade Média entre o século V e até ao século XVIII a Igreja teve o monopólio do ensino/educação, pois a religião dominava e influenciava a sociedade (Pernoud, 1981).
O ensino era assegurado pelos religiosos que dominavam o conhecimento, isto é, estes ensinavam a ler e a escrever. Foi também neste período que as Universidades se começaram a organizar, e através delas que a chama da cultura clássica se voltou a reacender. Salientamos ainda, que foi nesta época que se desenvolveram as ciências tais como a Medicina, Astronomia, Matemática, Química, etc.
Entre 1540 e 1759 os Jesuítas – Padres da Companhia de Jesus – em Portugal foram educadores, confessores e pregadores da corte portuguesa, dedicando-se a um vasto leque de outras tarefas, tais como o ensino do catecismo, obras de caridade, visitas a pessoas hospitalizadas e / ou encarceradas (Gonçalves, 2008)5. No campo da educação chegaram a dirigir 30 estabelecimentos de ensino que formavam a única rede escolar orgânica e estável do País. O ensino era gratuito e aberto a todas as classes sociais porque a Companhia de Jesus só aceitava iniciar uma nova escola quando existisse uma fundação que assegurasse os meios necessários para o seu funcionamento. Em meados do século XVIII, o número total de alunos rondava os 20.000, numa população de 3.000.000 habitantes, com a igreja a continuar a dominar o ensino em Portugal.
A escola era tradicional, o ensino era realizado pelo professor, enquanto o aluno era um
“ser passivo”, com as suas regras baseadas no autoritarismo e normas disciplinares rígidas. As aulas eram centradas no professor, que por sua vez transmitia os conhecimentos através dos exercícios de fixação.
Foi no século XVIII, mais concretamente em 1759, no reinado de D. José I, que o Ministro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal Sebastião José de Carvalho e Melo6 decidiu interromper a actividade dos Padres Jesuítas através da sua expulsão do
5 Portal dos Jesuítas Portugueses.
6 Segundo o Dicionário Histórico, nasceu em Lisboa a 13 de Maio de 1699, e faleceu em Pombal a 8 de Maio de 1782.
território e colónias portuguesas, por motivos de natureza política e ideológica (Azevedo, 1990). Relativamente à educação, Gomes (1989) afirma que foram introduzidas alterações significativas, pois até então esta estava sob a responsabilidade da Igreja e passou-a para o controle do Estado. No ensino primário aprovou uma lei7 que organizava a instrução primária de uma forma muito complexa para a época. Para Teodoro (1982, pág. 45) “ é a Marquês de Pombal que cabe dar início, no nosso País, à institucionalização da instrução pública, nomeadamente com a publicação da carta de Lei de 6 de Novembro de 1772, que institui e oficializa os chamados <estudos menores>. O Estado, pela primeira vez, chama a si os encargos da instrução, retirando ao clero, definitivamente, um monopólio e um serviço que detinha desde a Idade Média”. Quanto ao ensino superior, por exemplo, extinguiu a Universidade de Évora, pertença dos Jesuítas, e reformou profundamente a Universidade de Coimbra. Esta reforma universitária incluiu também a proibição da frequência de alunos com ascendência judaica, estendendo-se esta proibição ao quadro docente. Em 1777 ocorreu a morte de D. José e o poder de Marquês de Pombal encaminhou-se para o final.
Após a tomada do poder pelos liberais8 (1777-1826) ocorreu uma importante reforma no ensino protagonizada por Rodrigo da Fonseca Magalhães9, em 1835, que estabeleceu a gratuitidade e obrigatoriedade do ensino. Ainda assim, no final do século XIX, segundo Teodoro (1982), Portugal era um país de analfabetos, pois 69,7% da população maior de sete anos não sabia ler nem escrever (maioritariamente do sexo feminino). A burguesia republicana, nestes últimos anos de monarquia, contestava o tipo de ensino vigente e solicitavam medidas de combate ao analfabetismo.
Segundo um estudo10 do Ministério da Educação (2001) com a implantação da 1ª República democrática e liberal, em 1910, o sistema educativo revelou um carácter progressivo, mas não o suficiente para baixar o nível de analfabetismo da população portuguesa. Ou seja, se no início da República 70% da população era analfabeta, volvidos vinte anos ainda cerca de 60 % desta se mantinha na mesma condição. A 29 de
7 Lei de 6 de Novembro de 1772.
8 Seguidores do Liberalismo, doutrina político-económica, caracterizada pela abertura e tolerância a vários níveis e que surgiu na época do Iluminismo.
9 Político Liberal português.
10 Estudo intitulado “Breve Evolução Histórica do Sistema Educativo”, 2001.
Março de 1911 foi promulgada a Lei de Reorganização do Ensino Primário11, criando- -se o ensino oficial infantil; este novo nível de ensino nunca foi posto em prática, salientando-se que, pelo facto de Portugal ter estado envolvido na Primeira Grande Guerra Mundial, pode ter atrasado todo e qualquer desenvolvimento.
Com o golpe de estado de 28 de Maio de 192612 entrou uma nova era – o Estado Novo13 – que encerrou o período do liberalismo em Portugal e que tinha como intuito educacional o ensino primário universal, obrigatório e gratuito (Teodoro, 1982). É já com o Oliveira Salazar14 no governo que se tornou possível a frequência escolar por todas as crianças e que se pretendeu a formação e consolidação de uma escola nacionalista, tendo por fim, preparar os novos Homens e as novas Mulheres que iriam servir a sociedade portuguesa, sustentada em três pilares fundamentais – Deus, Pátria e Família. O ensino primário reduzia-se apenas à aquisição das técnicas de leitura, da escrita e do cálculo, assim como ainda se incutia nos alunos o respeito por determinados valores e hierarquias sociais. O edifício escolar era de pobre construção e nas salas de aula o material escolar e didáctico escasseava. Os docentes (regentes escolares) apenas tinham que possuir a instrução primária como habilitações literárias necessárias para exercer funções, donde provinha também um baixo vencimento mensal. Não será difícil entender o motivo desta decisão quando na biografia de Oliveira Salazar escrita por António Ferro (1933), se pode ler: “Quando cheguei à idade de aprender a ler comecei logo a frequentar a escola primária de Santa Comba Dão (…). O meu pai, aborrecido, porque eu não fazia grandes progressos, tirou-me da escola e mandou-me ensinar por um homenzinho que dava lições particulares num compartimento da sua casa térrea. (…) E aqui tem como eu aprendi a ler com um percursor rural dos tais postos de ensino.”. Estamos perante uma sociedade tradicional, rural e imutável.
Após a Segunda Guerra Mundial15 deu-se um forte desenvolvimento industrial e tecnológico no nosso país. Ocorreu um forte êxodo da população rural para o meio urbano, dando origem a uma profunda alteração na estrutura social portuguesa. Ocorreu em Portugal, em Abril de 1974, uma revolução política que permitiu a conquista da democracia, liberdade e da cidadania plena, que pôs termo ao regime do Estado Novo.
11 Lei de João de Barros e João de Deus Ramos.
12 Sendo a República governada por António Maria da Silva.
13 Regime ditatorial, vigente em Portugal, entre 1933 e 1974.
14 António de Oliveira Salazar governou Portugal desde 1936 a 1968.
15 1939 – 1945.
Segundo Teodoro (1982, pág. 24) ” no campo do ensino, o 25 de Abril possibilitou a introdução de alterações profundas na escola portuguesa e na situação profissional dos professores, bem como o lançamento de algumas reformas significativas. O 25 de Abril tornou possível a gestão democrática das escolas, a democratização dos conteúdos de ensino, o acesso de maior número de crianças provenientes de camadas populares à educação, a democratização da prática desportiva, medidas visando a valorização da profissão docente e algumas reformas estruturais como a unificação do ensino secundário geral, superando-se a clássica distinção entre ensino liceal e ensino técnico profissional, e a reforma das Escolas do Magistério Primário”.
Ainda segundo o mesmo autor, decorrente do processo democrático de 1974 surgiu o designado ciclo preparatório, com a duração de dois anos. Assim, a educação passa a estar organizada entre a escola primária, com duração de quatro anos, à qual se segue o ciclo preparatório, com a duração de dois anos com carácter tendencialmente universal e obrigatório.
Com a aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo – Lei nº 46/86 de 14 de Outubro16, a escolaridade obrigatória passou de seis para nove anos e será percorrida por todos os alunos segundo uma única via. Mas este prolongamento deveria ter sido acompanhado por acções pedagógicas, apoios sociais às famílias, entre outras iniciativas, com a finalidade de evitar o abandono e o insucesso escolar.
Ocorre, então, uma profunda renovação da estrutura do ensino primário, passando pela criação de um ensino anterior a este designado de ensino pré-escolar. Esta educação pré- -escolar visa, fundamentalmente, o desenvolvimento intelectual, afectivo e social das crianças, visto que estas têm um grande potencial de desenvolvimento desde o nascimento até à idade escolar.
Os edifícios escolares muito pequenos e degradados no regime anterior, assim como a carência de materiais e deterioração dos mesmos, proporcionam a degradação do ambiente material e humano da escola, factores que contribuíram fortemente para o insucesso e abandono escolares. Tornou-se necessário a reconstrução e reconversão da rede escolar com edifícios maiores e com melhores condições, quer a nível de materiais escolares e equipamentos didácticos, quer a nível do desenvolvimento de uma rede de transportes escolares.
16 Com alterações introduzidas pela Lei 115/97 de 19 de Setembro.
Apostou-se ainda na formação inicial e contínua dos professores, bem como na implementação de um sistema de formação coerente, tendo como base o grau superior de qualificação científica e pedagógica de todos os professores e educadores.
Em Portugal surge a “Educação para todos” como sendo um conceito de democracia e que garante o direito universal ao ensino. Toda a comunidade social, a família e a própria escola cooperam para que este direito seja concretizado, com vista a uma sociedade culta, justa e com valores, baseados sempre na dignidade da pessoa humana.
Actualmente, a educação que vai desde a infância até à idade adulta, passando pelos ensinos pré-escolar, básico, secundário e superior, visa a inter-relação entre o meio social e a escola. Exige-se o domínio da língua materna, de duas línguas estrangeiras e das ciências exactas e experimentais. Esta “escola de cidadãos” tem de se orientar para a construção de uma cidadania activa, participativa e consciente. Fundamentalmente pretende-se construir um percurso de desenvolvimento do ser-humano, das suas capacidades morais e de discernimento de valores.
As universidades encontravam-se em profunda crise em 1974. Caracterizavam-se por um elevado insucesso escolar, um elevado rigor na selecção dos estudantes (até com carácter discriminatório sócio-económico e geográfico), e um baixo número de alunos face à população. Após a revolução de 1974 procedeu-se à democratização do ensino superior, promovendo a igualdade de oportunidade no acesso. Segundo Teodoro (1982, pág. 69) ”apesar das vicissitudes desse tempo, registaram-se formas de degradação extrema, transformações positivas e responsáveis em muitas escolas superiores: democratização da gestão;
recrutamento de novos docentes de elevada competência científica e pedagógica; remodelação dos currículos, expurgando-os dos valores fascistas e acompanhando a evolução científica e técnica”.
1.2.1 - O Direito à Educação no Mundo Actual
O direito à educação é um valor incontestado, uma conquista na maior parte da sociedade actual, podendo até mesmo afirmar-se, por toda a sociedade actual. Este direito internacional deve ser imparcial perante as múltiplas visões do mundo. Deve ter a dimensão ética que lhe permita resolver os grandes problemas da Humanidade.
O direito à educação, além de ser um direito em si, é um direito que possibilita a realização de outros direitos fundamentais. De acordo com Jover (2001), o direito à educação é um direito de segunda geração, visto que não consta nas primeiras declarações do período moderno. A sua implantação a nível internacional iniciou-se na segunda metade do século XIX e propagou-se até a segunda metade do século XX, altura em que foi acordada a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)17. Assim, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, diz no seu artigo XXVI:
“1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos no que diz respeito a ensino elementar e fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino, técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve ser assegurado a todos, em plenas condições de igualdade, em função do mérito.
2. A educação deve aspirar ao pleno desenvolvimento da personalidade humana e ao fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A educação deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, assim como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm, por prioridade, o direito de escolher o género de educação a dar aos seus filhos.
4. A educação deve aspirar ao pleno desenvolvimento da personalidade humana e ao fortalecimento do respeito pelos respeitos do homem e pelas liberdades fundamentais”.
Quanto ao ponto 1 do artigo XXVI. – “Toda a pessoa tem direito à educação” – afirmar um direito à educação intelectual e moral é reconhecer o papel indispensável dos factores sociais na própria formação do ser-humano. É assumir uma responsabilidade maior do que assegurar a possibilidade do ensino da leitura, da escrita ou do cálculo; significa exactamente garantir a todas as crianças o pleno desenvolvimento das suas capacidades mentais e a aquisição de conhecimentos, assim como de valores morais e éticos que correspondam ao exercício dessas funções, até à adaptação à vida social (cada ser humano adquire um conjunto de aptidões que o distinguem). Presume-se também a gratuitidade da educação. Em Portugal o Estado assume os encargos do funcionamento das escolas públicas quer ao nível de instalações, quer ao nível de funcionários docentes
17 Adoptada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948.
e não docentes. Quanto aos alunos menos favorecidos economicamente, são subsidiados na aquisição de manuais, materiais e uso de transportes escolares; mas este apoio ainda permanece insuficientemente generalizado, muito condicionado e seleccionado. O ensino elementar, entenda-se como ensino básico, é obrigatório para todas as crianças em idade escolar (até completarem quinze anos).
No que concerne ao ponto 2, denota-se que nesta declaração houve a preocupação de colocar em evidência as obrigações da sociedade na educação das crianças e jovens. No entanto denota-se ainda a preocupação com o associar do desenvolvimento humano com a solidariedade e respeito pelo semelhante, podendo ser considerados estes os objectivos sociais da educação. A Declaração faz referência, ainda, a um dos maiores problemas com que se debatem os educadores, a Educação Internacional, que será um ensino ministrado em todas as escolas e que visa a manutenção da paz e o reforço do espírito de compreensão entre os povos.
No ponto 3 salienta-se que “Os pais têm, por prioridade, o direito de escolher o género de educação a dar a seus filhos”; o artigo XXVI confere aos pais o direito de decidir a respeito da educação a ser ministrada aos seus educandos ou filhos. Nas nossas sociedades e apesar das transformações da estrutura da família, esta continua a ser um pilar fundamental. Na realidade a escola tem tudo a ganhar com a aproximação dos pais e/ou encarregados de educação nos problemas escolares. Esta aproximação leva a uma informação mútua e este intercâmbio resulta numa ajuda recíproca. Pode até ocorrer uma divisão de responsabilidades, realizando-se desta forma, a síntese desejada entre a família e a escola.
Quanto ao ponto 4 – “ A educação deve visar o pleno desenvolvimento da personalidade humana e o reforço do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais” – salienta-se que este ponto do artigo não se limita a afirmar o direito à educação;
determina qual a função fundamental da educação, ou seja, promover o desenvolvimento pleno da personalidade. Este desenvolvimento é acompanhado pelo respeito dos direitos e liberdades de todas as personalidades. Não propondo nenhuma definição de personalidade, permite o desenvolvimento em plena liberdade de todas elas.
Assim se entende que o direito à educação não é apenas o acesso à frequência da escola, é também o direito a uma educação que vise o pleno desenvolvimento da personalidade e o direito à construção de um raciocínio e de uma consciência moral e ética.
2 - O PAPEL DA ESCOLA NO SÉCULO XXI
Durante várias décadas, em Portugal, o ensino, particularmente o conceito de ensino básico, não existiu com o significado e designação que lhe foi conferido pela actual Lei de Bases do Sistema Educativo.
De acordo com Teodoro (1982), até 1968 o conhecido como ensino primário tinha como base a “educação para todos”, pois este conceito integrou-se com o contexto social e político do Estado Novo. Este ensino caracterizava-se pela interiorização e memorização de conhecimentos essenciais, pela homogeneização de normas de conduta pessoal e social e pela aquisição de técnicas elementares (leitura, escrita, cálculo).
Existia um único professor que leccionava segundo um conjunto de orientações rígidas e já prescritas. Este ensino baseava-se na repetição e memorização dos conteúdos, na correcção dos erros, no poder autoritário e disciplinar do docente. As aprendizagens resultantes deste processo mantinham-se estáveis durante quase toda a vida dos alunos.
No final do 4º ano existia o exame da 4ª classe. Era este ensino que garantia o bom funcionamento da sociedade.
Ainda segundo o mesmo autor, entre 1968 e 1986 no domínio educativo de Hermano Saraiva18 e Veiga Simão19, e do processo democrático de 1974, ocorre o fim do isolamento político e económico do país. Nesta altura, o conceito “educação para todos”
alastrou-se ao designado ciclo preparatório, com a duração de dois anos. Assim, a educação passa a estar organizada entre a escola primária, com duração de quatro anos e com carácter universal e obrigatório, à qual se segue o ciclo preparatório, com a duração de dois anos com carácter tendencialmente universal e obrigatório. Neste ciclo, foi introduzido o saber dividido por várias disciplinas, com vários professores e com metodologias diferentes, com espaços e tempos de aulas próprios, com regras e normas pessoais e com uma organização do trabalho escolar mais exigente. Estávamos perante uma escolaridade obrigatória de 6 anos, cuja prioridade da política educativa era
18 José Hermano Saraiva – Ministro da Educação Nacional de 19 de Agosto de 1968 a 15 de Janeiro de 1970.
19 José Veiga Simão – Ministro da Educação Nacional de 15 de Janeiro de 1970 a 25 de Abril de 1974.
possibilitar a um maior número de crianças uma educação de base que não fosse apenas instrução, mas sim um pouco mais longa, exigente e consistente.
Em 1986, é aprovada a Lei de Base do Sistema Educativo – Lei nº 46/86 de 14 de Outubro – onde se define pela primeira vez o conceito de ensino básico. O ensino básico é a educação fundamental, obrigatória para as crianças desde os seis aos quinze anos de idade. Tem a duração de nove anos, distribuídos por três ciclos: o primeiro ciclo, com a duração de quatro anos; o segundo ciclo, com a duração de dois e o terceiro ciclo, com a duração de três anos. Este alongamento temporal visava o desenvolvimento pessoal, cognitivo, psicológico, afectivo e relacional que permitisse graus mais elevados de autonomia e responsabilidade pessoal. A função de cada ciclo seria a de aprofundar, complementar e alargar os objectivos e competências do ciclo anterior.
No artigo 7º. da Lei de Bases do Sistema Educativo pode-se ler a intenção em “assegurar uma formação geral comum a todos os portugueses…”; assim o ensino básico é destinado a todos, é universal (ou seja, a todos os jovens independentemente da etnia, características pessoais, ideologia, condições sociais, género, religião, entre outros), gratuito (artigo 6º.
- a gratuitidade no ensino básico abrange propinas, taxas e emolumentos relacionados com a matrícula, frequência e certificação, podendo ainda os alunos dispor gratuitamente do uso de livros e material escolar, bem como de transporte, alimentação e alojamento, quando necessários). Portanto o Estado garantia o direito a uma justa e efectiva igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolares. Deste modo, o Estado garante um dos direitos fundamentais do Homem – o direito à educação.
Esta reforma educativa foi-se tornando mais exigente face à evolução dos tempos, nomeadamente no que diz respeito à reorganização de programas e manuais escolares, à formação contínua de professores, à avaliação dos alunos, à reformulação dos modelos de organização e gestão escolar, à autonomia das escolas, etc.
Depois de várias análises e avaliações ao sistema educativo detectaram-se inúmeros pontos fracos: elevado insucesso escolar em determinadas disciplinas (Língua Portuguesa e Matemática), desmotivação e mau comportamento por parte dos alunos, má preparação pelo ciclo anterior, etc.
Perante este cenário, e não questionando as finalidades do ensino básico apenas se deve corrigir o excesso de benevolência por parte de alguns profissionais, a falta de responsabilidade por parte dos alunos, e quem sabe, a falta de qualidade e eficácia de que o ensino público era apelidado pela maioria da opinião pública.
É do conhecimento geral que o nível de exigência dos conhecimentos científicos fora diminuindo à medida que a massificação e a heterogeneidade da população escolar aumentou. Esta diminuição da exigência de conhecimentos foi uma das formas que se encontrou para não se promover a exclusão escolar, devido à grande diversidade sócio- -cultural.
Presentemente a educação centra-se no desenvolvimento de competências essenciais, entendendo o Departamento do Ensino Básico como competência essencial “… noção ampla de competência, que integra conhecimentos e atitudes e que pode ser entendida como saber em acção ou em uso. Deste modo não se trata de adicionar a um conjunto de conhecimentos um certo número de capacidades e atitudes, mas sim de promover o desenvolvimento integrado de capacidades que viabilizam a utilização dos conhecimentos em situações diversas, mais familiares ou menos familiares aos alunos.” (Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais – DEB20, 2001).
O currículo21 do aluno do Ensino Básico fica então organizado em duas grandes áreas:
as áreas curriculares disciplinares (disciplinas nucleares) e as áreas curriculares não disciplinares22 – Decreto de Lei nº 209/ 2002 23de 17 de Outubro.
A clarificação das competências a atingir no final da Educação Básica sustentam-se num conjunto de valores e princípios dos quais se salienta:
. a construção e a tomada de consciência da identidade pessoal e social;
. a participação na vida cívica de forma livre, responsável, solidária e crítica;
. o respeito e a valorização da diversidade dos indivíduos e dos grupos quanto às suas pertenças e opções…
20 DEB – Departamento de Educação Básica.
21 Segundo Roldão, M. C. (1999, pág.24) currículo é o “conjunto das aprendizagens que, por se considerarem socialmente necessárias num dado tempo e contexto, cabe à escola garantir e organizar”.
22 Áreas Curriculares Não Disciplinares: Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica.
23 Decreto de Lei nº 209 / 2002 de 17 de Outubro define as alterações à Organização Curricular.
Como afirma Ponte (1997, pág.1), "o papel fundamental da escola já não é o de preparar uma pequena elite para estudos superiores é proporcionar à grande massa os requisitos mínimos para uma inserção rápida no mercado de trabalho". Pelo contrário o seu papel passou a ser o de preparar a totalidade dos jovens para se inserirem de modo criativo, crítico e interveniente numa sociedade cada vez mais complexa, em que a capacidade de discernir oportunidades, a flexibilidade de raciocínio, a adaptação a novas situações, a persistência e a capacidade de interagir e cooperar são qualidades fundamentais. É neste contexto que se situa o papel da escola no século XXI: educar para o pleno desenvolvimento humano, nas suas mais diversas facetas. Há um regresso dos valores às políticas educativas e à educação escolar. A educação moral do cidadão está no coração da própria acção educacional.
3 - O SISTEMA EDUCATIVO
Define-se como Sistema Educativo “ o conjunto de meios pelo qual se concretiza o direito à educação, que se exprime pela garantia de uma permanente acção formativa orientada para favorecer o desenvolvimento global da personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade”24.
3.1 - Lei de Bases do Sistema Educativo
Na Lei de Bases do Sistema Educativo – Lei nº 46/86 de 14 de Outubro, com alterações introduzidas pela Lei 115/97 de 19 de Setembro – encontra-se definido o quadro geral do Sistema Educativo. A Constituição da República Portuguesa25 definiu os princípios gerais pelos quais se deve reger a política educativa, levando à caducidade da Lei de Veiga Simão (nunca regulamentada), surgindo uma nova Lei de Bases do Sistema Educativo. Segundo esta Constituição é da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre o sistema de ensino.
Esta Lei resultou de uma pressão social, nomeadamente na década de 80, proveniente dos sindicatos de professores, associações de pais e de estudantes, conscientes da necessidade de clarificação e actualização da estrutura do sistema escolar e de evitar a tomada de medidas avulsas, por vezes até antagónicas e incoerentes (tomadas pelos sucessivos governos até então). Assim, a presente Lei visava um quadro de estabilidade que se concretizava num plano de desenvolvimento a médio prazo do sector educativo.
A Lei é constituída por 64 artigos, agrupados em 9 capítulos. Os capítulos e os artigos têm epígrafes, isto é, têm títulos que indicam a natureza e o conteúdo do respectivo capítulo ou artigo.
3.2 - Âmbito da aplicação da Lei
Este tema está contido no artigo 1º. do capítulo I dividido em cinco números. Em primeiro lugar é indicado que a Lei estabelece o quadro geral do Sistema Educativo. É enunciado o direito constitucional à educação segundo três fundamentos: o pleno
24 Lei de Bases do Sistema Educativo - capítulo I – artigo 1º. - número 2.
25 Aprovada e decretada pela Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976.
desenvolvimento global da personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade, sendo estes os objectivos a que se destinam o sistema educativo.
Outro princípio importante é o que define que a responsabilidade de desenvolvimento do sistema educativo pertence a instituições públicas, particulares e cooperativas, com clara repartição de responsabilidades e iniciativas e consequente desresponsabilização ou menor participação do Estado. Este princípio vem manifesto noutras situações, por exemplo, em relação à educação pré-escolar (5º. - 5)26, à educação extra-escolar (23º. - -5), à educação especial (18º. - 6) e ao ensino particular e cooperativo (55º. - 56º. - 1).
A essência geral da Lei consagra uma forte presença estatal no sistema educativo que contaria esta repartição por outras entidades sociais, permanecendo uma certa indefinição da Lei relativamente às competências de cada um.
Outro aspecto importante diz respeito ao âmbito geográfico do sistema educativo, sendo que do ponto de vista territorial são dois os territórios onde o sistema educativo português se pode desenrolar: o território nacional (continental e regiões autónomas) e todas as iniciativas desenvolvidas em países estrangeiros (onde existam comunidades portuguesas e que tenham interesse pelo desenvolvimento e divulgação da cultura portuguesa). Desta forma fica impossibilitado a definição de modelos educativos, finalidades e conteúdos programáticos diferenciados sobre o ponto de vista regional – o sistema educativo é único e uniforme em todo o território português.
Curricularmente, apenas o ensino superior pode diversificar os seus modelos, não dependendo das regiões, mas apenas das instituições. Os planos curriculares do ensino básico e secundário são estabelecidos à escala nacional, podendo as suas componentes apresentar características de índole regional e local, quando estas se justificarem pelas condições sócio-económicas (47º. - 4 e 5).
Finalmente, não menos importante e inédito é a atribuição de toda a responsabilidade e coordenação da política educativa a um único ministério (o Ministério da Educação),
26 Os números e/ou alíneas, colocados entre parêntesis no meio/fim do texto, referem-se ao número do artigo da Lei de Bases, e/ou números e alíneas do mesmo artigo. Por exemplo, (5º.) refere-se ao artigo 5º. da Lei; (5º. - 5) indica-se o número 5 do artigo 5º. da Lei; e por último (5º.
– 5 b) refere-se à alínea b) do número 5 do artigo 5º. da Lei.
sendo que a educação em todas as instituições a nível territorial, seja, regulamentada pela acção político-governamental do Ministério da Educação.
3.3 - Princípios do Sistema Educativo
Os princípios consagrados ao longo de toda a Lei são três: princípios gerais, princípios organizativos e princípios específicos ou particulares. Os dois primeiros são princípios consagrados nos artigos 2.º e 3.º e são de orientação geral, e o último é de natureza finalista.
Em relação ao conjunto de princípios gerais salientam-se:
- o direito à educação e à cultura;
- a promoção da democratização do ensino, garantindo o direito a uma justa e efectiva igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolares;
- liberdade de aprender e ensinar e com tolerância para as escolhas possíveis;
- o impedimento para o Estado de programar a educação e a cultura segundo qualquer directriz filosófica, estética, política, ideológica ou religiosa;
- o ensino é não confessional;
- o direito à criação de escolas cooperativas e particulares.
Também é estruturada uma definição de modelo de cidadão a ser educado, assim o cidadão ideal deverá ser:
- livre;
- responsável;
- autónomo;
- solidário;
- possuidor de um espírito:
. democrático e pluralista;
. respeitador dos outros e das suas ideias;
. aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões;
. crítico e criativo relativo ao meio social;
. capaz de uma reflexão consciente relativo aos valores espirituais, estéticos, morais e cívicos;
- possuidor de capacidade para o trabalho, para a vida activa e ainda para a utilização criativa dos tempos livres.
A Lei define o modelo de cidadão mas não define o modelo de sociedade em que o cidadão se vai inserir. Pode-se concluir que o Homem é o centro do processo educativo, com uma nítida valorização deste na sociedade onde se inclui a escola. Este aspecto confirma-se pelo posicionamento da Lei no que se refere à valorização da dimensão humana do trabalho (2º. - 4), isto é, numa relação indivíduo/trabalho, a formação do indivíduo faz-se com vista, não à sua adequação ao trabalho, mas antes com a sua adequação à dimensão humana.
A sociedade portuguesa é concebida em termos da identidade nacional e de fidelidade à matriz histórica de Portugal, no quadro da tradição universalista europeia e da independência e solidariedade entre todos os povos do mundo. Define-se uma hierarquia de modelos históricos sociais: português, europeu e mundial.
Finalmente, consideram-se os princípios que influenciam directamente o modelo organizativo do sistema educativo, que visam:
– assegurar a formação:
. moral e cívica;
. para o trabalho (sempre tendo em atenção os interesses, capacidades e vocação) - descentralizar, desconcentrar e diversificar as estruturas e acções educativas;
- desenvolver a participação das populações nas acções educativas, nomeadamente alunos, docentes e famílias, na definição da política educativa, na administração e gestão do sistema escolar e na experiência pedagógica quotidiana;
- assegurar a existência de uma escolaridade de segunda oportunidade;
. assegurar a igualdade de oportunidade para ambos os sexos.
No entanto, nem todos os princípios referenciados têm a devida expressão no desenvolvimento, real, da Lei.
3.4 - Organização Geral do Sistema Educativo 3.4.1 – Organigrama
A Lei ocupa-se de todo o sistema educativo, sendo que a maior parte, 62 dos 64 artigos, referem-se à educação escolar ou sistema de ensino.
A educação não escolar está distribuída por dois tipos de educação de carácter diferente:
educação pré-escolar e educação extra-escolar. A educação pré-escolar antecede a educação escolar, articulando-se entre si. A educação extra-escolar pode-se realizar em qualquer momento da vida, não significando que não ocorra na escola, mas que vá para além desta (ex. actividades de alfabetização, de aperfeiçoamento, actualização cultural e científica).
A Lei organiza o Sistema Educativo dividindo-o em três sistemas diferenciados:
- educação pré-escolar;
- educação escolar;
- educação extra-escolar.
O sistema de educação escolar, sistema escolar ou sistema de ensino é constituído por três partes/níveis sequenciais:
- ensino básico;
- ensino secundário;
- ensino superior.
O ensino básico desenrola-se ao longo de nove anos, organizados por três ciclos sequenciais, sendo designados por: 1º, 2º e 3º ciclos, com a duração, respectivamente, de quatro, dois e três anos.
O ensino secundário tem a duração de três anos, compreendendo o 10º, 11º e 12º ano.
O ensino superior organiza-se no ensino universitário e no ensino politécnico. A duração dos cursos do ensino superior é variável, dependendo do grau académico conferido, existindo uma articulação entre este e a complexidade.
A Lei introduziu várias alterações, nomeadamente, na extensão do ensino básico para nove anos obrigatórios. No entanto os três ciclos deste ensino passam a ser articulados como um todo entre si, pelas correspondentes organizações curriculares e respectivos conteúdos, constituindo um todo único.
No quadro seguinte pretende-se fazer uma breve síntese entre o sistema de ensino anterior e aquele que é definido pela Lei actual:
Organigrama anterior à Lei Organigrama definido pela Lei actual Ensino primário
Ensino preparatório
Ensino secundário unificado
Ensino secundário complementar (+12º ano)
Ensino universitário
Ensino superior politécnico
Ensino básico (1ºciclo) Ensino básico (2ºciclo) Ensino básico (3ºciclo) Ensino secundário Ensino universitário Ensino politécnico
3.4.2 - Administração geral do sistema
Tal como foi referenciado anteriormente, é atribuída a responsabilidade pela coordenação da política do sistema educativo a um único ministério, presumivelmente o Ministério da Educação, sendo o topo, da hierarquia administrativa relativamente a questões educativas, que têm como competências:
- concepção , planeamento e definição do sistema educativo;
- coordenação global e avaliação da execução do normativo aplicado ao sistema educativo;
- inspecção e tutela em geral;
- definição dos normativos relativamente à rede escolar, da tipologia das escolas e do seu apetrechamento;
- garantia da qualidade dos meios didácticos em especial dos manuais escolares.
Num segundo patamar ou nível encontra-se a administração, que são os departamentos regionais de educação (4º. - 2). São consideradas estruturas centralizadas, que se ocupam de todos os sectores educativos. As competências da administração regional são inúmeras, salientando-se as seguintes:
- orientação administrativa das escolas;
- colocação dos docentes;
- colocação do pessoal não docente;
- orientação e apoio pedagógico;
- definição do ano escolar;
- regime de frequência de alunos;
- construções de espaços escolares;
- apetrechamento das escolas;
- gestão da acção social;
- apoio psicológico e orientação escolar e profissional;
- apoio de saúde escolar;
- etc.,
A Lei prevê ainda, um terceiro nível dedicado a estruturas de carácter local que assegurem a interligação do sistema educativo com a comunidade (43º. - 2), com a participação das autarquias e municípios.
Assim, concluímos que a administração envolve a participação, a todos os níveis, dos alunos, dos professores, das famílias, das autarquias, de entidades das actividades sociais, económicas e culturais e ainda instituições de carácter científico.
3.5 - Educação Não Escolar
No seguimento do anteriormente exposto a educação não escolar é constituída por dois sectores: a educação pré-escolar e a educação extra-escolar.
3.5.1 - Educação pré-escolar
É o sector da educação que precede a educação escolar, integrando crianças desde os três anos de idade até ao ingresso no primeiro ciclo do ensino básico. Apresenta uma especificidade e autonomia em relação à educação escolar, apresentando, ainda, objectivos próprios. Revela uma natureza não preparatória do primeiro ciclo do ensino básico. São desempenhadas por profissionais qualificados os denominados educadores de infância.
3.5.2 - Educação extra-escolar
“Visa, numa perspectiva de educação permanente e de continuidade da acção educativa, aumentar os conhecimentos de cada um e desenvolver as suas potencialidades em complemento da formação escolar recebida ou em suprimento da que não pode obter” (23º. - 1). Esta educação é distinta da educação escolar, pois adquirem-se saberes e conhecimentos que não são certificadas por diplomas, resultando sim, um crescimento ou benefício interior.
Assim, a educação extra-escolar realiza-se, fundamentalmente, em quatro domínios diferentes:
- alfabetização e educação de adultos;
- actividades de reconversão e aperfeiçoamento profissional, pelo desenvolvimento das aptidões tecnológicas e do saber técnico;
- educação cívica;
- educação para a ocupação dos tempos livres.
3.6 - Ensino Básico
3.6.1 - Características Essenciais
A presente Lei alterou profundamente o ensino básico, nomeadamente, a sua estrutura, organização filosófica e até concepção.
O ensino básico passou a ter características como:
- extensão de nove anos;
- organização em três ciclos sequenciais;
- unidade global ao longo dos três ciclos;
- no sentido desta sequencialidade, cada ciclo tem como função completar, alargar e aprofundar o ciclo anterior ( desaparece a ideia anterior de cada ciclo preparar o próximo);
- a subordinação dos objectivos específicos de cada ciclo aos objectivos gerais, conferindo desta forma uma unidade global ao ensino básico;
- a gradual passagem de professor único , no primeiro ciclo, para o professor por disciplina, no terceiro ciclo, passando pelo professor por área no segundo ciclo. Assim previne-se a passagem brusca de um só professor (1º ciclo) para um elevado número de docentes (3º ciclo);
- a possibilidade de lhe ser conferido o diploma no final do ensino básico, tal como, o certificado de aproveitamento de qualquer ano ou ciclo;
- existência de escolas especializadas do ensino básico no domínio do ensino artístico ou educação física ou desportiva;
- unidade do modelo de administração escolar .
3.6.2 - Organização Curricular
A organização curricular é diferente nos três ciclos, assim:
- o primeiro ciclo está organizado de uma forma interdisciplinar, coordenada por um único professor, coadjuvado por áreas especificas, por exemplo, educação física e educação artística;
- o segundo ciclo esta organizado em áreas interdisciplinares, tais como:
. formação humanística;
. formação artística;
. formação física e desportiva . formação científica e tecnológica;
. educação moral e cívica.
- o terceiro ciclo está organizado por disciplinas integrando áreas vocacionais diversas, sendo essas do âmbito:
. humanístico;
. literário;
. artístico;
. físico e desportivo;
. científico e tecnológico.
Os planos curriculares podem integrar o ensino da religião e moral católica ou outras religiões, a título facultativo. Os planos curriculares do ensino básico são estabelecidos a nível nacional, podendo, no entanto, ser flexíveis e conter componentes regionais.
3.7 - Objectivos do Ensino Básico
O objectivo essencial do ensino básico “é assegurar uma formação geral comum a todos os portugueses” (7º. - a). Salienta-se que o ensino básico proporciona uma formação que é geral e não específica, que é ainda, comum e não diferenciada socialmente, bem como, é universal pois é destinada a todos a toda a população.
Ao se efectuar a análise dos objectivos podem juntar-se em vários grupos ou planos, tais como:
3.7.1 - plano pessoal, onde se pretende a descoberta e o desenvolvimento:
. dos interesses e aptidões de cada um;
. do espírito criativo e da criatividade;
. da capacidade de memória e de raciocínio;
. do sentido moral e da sensibilidades estética;
. das aptidões físicas e motoras.
3.7.2 - no plano do relacionamento social pretende-se:
. a realização individual em harmonia com a solidariedade social;
. o desenvolvimento da maturidade cívica e sócio - afectiva;
. a aquisição de atitudes autónomas, civicamente responsáveis e democraticamente intervenientes;
. o desenvolvimento da consciência nacional, numa perspectiva do humanismo universalista e da solidariedade e da cooperação internacional;
. o aprofundamento desta consciência nacional pelo desenvolvimento da língua, da história e da cultura portuguesa.
3.7.3 - no plano das aquisições cognitivas pretende-se:
. combinar o saber e o saber fazer, a teoria e a prática, a cultura escolar e a cultura do quotidiano;
. promover interesse pela actualização de conhecimentos tendo em vista uma permanente valorização pessoal do saber;
. promover no desenvolvimento curricular a valorização e a organização dos saberes, tendo em vista a possibilidade:
- do prosseguimento de estudos;
- da inserção em esquemas de formação profissional;
- da aquisição de métodos e instrumentos de trabalhos pessoal e em grupos que levem à valorização da dimensão humana do trabalho.
3.7.4 - no plano do comportamento, cabe à escola:
. criar condições de promoção escolar e educativa para todos os alunos;
. colabora com as famílias , pela participação no processo de informação e orientação educacionais;
. e , por fim, dedicar atenção especial às crianças com necessidades educativas especiais.
3.8 - Escolaridade Obrigatória
A escolaridade obrigatória coincide com a duração do ensino básico, ou seja, ocorreu um alargamento para nove anos (6º. – 1). A Lei define os limites de frequência, ou seja tem início aos seis anos e termina aos quinze anos (6º. – 2, 3 e 4).
O ensino básico além de obrigatório é também gratuito, mas essa gratuitidade está especificada na Lei da seguinte forma:
- pela isenção do pagamento de propinas, taxas e emolumentos relacionados com a matrícula, frequência e certificação;
- a possibilidade de se dispor gratuitamente do uso de livros e material escolar;
- a possibilidade do uso de transporte, alimentação e alojamento, quando necessários.
Com a imposição da escolaridade obrigatória o Estado teve que garantir a gratuitidade do ensino. Teve ainda que garantir actividades de apoio e complemento educativo, tais como:
- apoios a alunos, do ensino básico, com necessidades escolares específicas;
- apoio psicológico e orientação escolar e profissional;
- acção social escolar;
- apoio de saúde escolar.
Estes apoios e complementos educativos pretendem promover e contribuir para o sucesso da escolaridade obrigatória.
3.9 - Ensino Secundário 3.9.1 - Características Essenciais
O ensino secundário compreende o 10º, 11º e 12º anos de escolaridade e representa uma mudança qualitativa em relação ao ensino básico, pois deixa de ser geral e comum e passa a ser especializado e diversificado. Deixa ainda de ser obrigatório e acrescendo a isso a preocupação essencial de preparação para a vida activa, baseada numa formação tecnológica, resultante da síntese entre o pensamento e a acção, ente a teoria e a prática.
Podem-se resumir os objectivos fundamentais do ensino secundário como sendo a preparação de um cidadão tecnologicamente especializado, capaz de contribuir para o