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Brazil. J. Polit. Econ. vol.27 número1

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Academic year: 2018

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O livro Regional Monetary Policyde Car-los J. Rodríguez-Fuentes, da Universidade de La Laguna, publicado pela Routledge em 2006, tra-ta de tema extremamente relevante, mas pouco estudado na literatura econômica. O próprio au-tor coloca algumas possíveis razões para isso: a) adoção do referencial teórico ortodoxo que per-cebe a moeda como um elemento neutro em re-lação às variáveis reais da economia e, assim, a esfera financeira apenas refletiria o comporta-mento dos elecomporta-mentos reais das economias regio-nais e, neste caso, o foco de análise deveria ser a dinâmica real dessas economias; b) as regiões não teriam como implementar políticas monetárias específicas e próprias e c) o caráter aberto dessas economias as fariam ter uma enorme flexibilida-de na oferta flexibilida-de liquiflexibilida-dez, o que tornaria esse fator sem importância para explicar a trajetória de cres-cimento das mesmas (p. 34). Outras explicações podem ser adicionadas a estas, todavia é sobre estes elementos que o autor desenvolve seus ar-gumentos.

No primeiro capítulo são analisados os me-canismos de transmissão da política monetária. Ali o autor está teorizando no contexto do mo-delo IS-LM para mostrar que na perspectiva or-todoxa os mecanismos de transmissão da políti-ca monetária para a esfera real são muito mais uma questão de elasticidade e da flexibilidade atribuída ao modelo do que diferenças na essên-cia dos mesmos. Para defender esse argumento, o autor realiza uma análise extremamente didá-tica e bem elaborada dos modelos monetaristas,

“keynesiano”, novo clássico, novo keynesiano e da nova síntese neoclássica. Este capítulo é mui-to útil para realizar marcos divisórios na teoria monetária ortodoxa e é de interesse tanto de lei-tores preocupados com teoria monetária pura quanto daqueles interessados em suas repercus-sões regionais. Trata-se, portanto, de um mate-rial de uso adequado para cursos de economia monetária em geral.

O segundo capítulo aborda o referencial teórico que assume a endogeneidade da oferta monetária. Aqui estabelece-se uma discussão com o capítulo anterior, em que grande parte do refe-rencial teórico assumia a exogeneidade da oferta monetária. Por outro lado, o capítulo também é crítico em relação a uma posição meramente aco-modacionista sobre a oferta de moeda, pois as implicações para a análise da interferência da moeda sobre as economias regionais também fi-cam prejudicadas nesse caso, ainda que por ra-zões diferentes das do capítulo anterior.

O terceiro capítulo apresenta o modelo teó-rico pós-Keynesiano para análises do papel do sistema financeiro no desenvolvimento regional. Neste caso, as questões monetárias passam a es-tar voltadas especificamente para a dimensão re-gional. Este capítulo guarda estreita relação com os trabalhos desenvolvidos por Sheila Dow, que, juntamente com Victoria Chick, faz o prefácio do livro. Aqui o autor trabalha dentro de uma pers-pectiva de moeda endógena, onde a preferência pela liquidez tem um papel central. Neste caso, os bancos têm o poder de determinar de forma

157 Revista de Economia Política 27 (1), 2007

Revista de Economia Política, vol. 27, nº 1 (105), pp. 157-158 janeiro-março/2007

Resenha

Regional Monetary Policy

Rodríguez-Fuentes, Carlos J.,

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definitiva e irreversível a oferta de moeda, e ao fazer isso definem conjuntamente com os investi-dores a trajetória de crescimento dessas econo-mias. Assim, dentro desta perspectiva, não é a es-trutura econômica diferenciada das regiões que gera impactos distintos da política monetária, mas sim o comportamento dos agentes que interagem com a estrutura produtiva diferenciada e ambos, conjuntamente, levam a trajetórias de criação e expansão da liquidez heterogêneas, o que con-duz, necessariamente, a trajetórias distintas de crescimento. Este talvez seja o capítulo central do livro.

O quarto capítulo realiza uma vasta e cui-dadosa revisão de literatura sobre o papel da po-lítica monetária no desenvolvimento regional. Pa-ra tanto, caPa-racteriza três grupos diferentes de trabalho. O primeiro refere-se a estudos de natu-reza empírica, que procuram estabelecer os im-pactos das políticas monetárias nacionais sobre as regiões. O segundo tem uma motivação mais teórica e procura avançar no sentido de, partin-do de marcos teóricos bem estabelecipartin-dos em eco-nomia monetária, fazer análises que conduzam a observações de como agem os mecanismos de transmissão em termos regionais, como o públi-co e os banpúbli-cos interagem no processo de criação de moeda em sistemas regionalmente diferencia-dos etc. Finalmente, apresenta-se um terceiro gru-po, reunindo trabalhos que visam a estabelecer um vínculo entre economia regional e processos de unificação monetária. Nesse grupo encontra-se uma grande variedade de estudos que analisam

os impactos diferenciados da política monetária seguida pelo Banco Central europeu.

O quinto capítulo trabalha com evidências empíricas sobre as idéias apresentadas nos capí-tulos anteriores e está centrado em dois aspectos essenciais: a) na efetividade da política monetá-ria do Banco Central europeu no que tange à es-tabilidade de preços e b) na análise dos resulta-dos desiguais da política monetária em uniões monetária com desigualdades regionais marcan-tes. O autor foca suas observações empíricas em resultados obtidos para a Espanha e desenvolve a análise de forma bastante sofisticada e aprofun-dada. Conclui-se , neste capítulo, que a política monetária seguida pelo Banco Central europeu não tem obtido resultados expressivos na redu-ção das desigualdades inflacionárias entre seus países. Com relação à desigualdades regionais ve-rificadas em uniões monetárias, o autor observa que elas tendem a se manter nesse tipo de pro-cesso.

O livro é muito útil e interessante para dois grupos de pessoas. Por um lado, aqueles interes-sados em teoria monetária têm muito a ganhar com os capítulos teóricos mais gerais. Por outro lado, aqueles interessados em economia regional têm uma abordagem nova, ampla e profunda dos papéis que o sistema financeiro tem a desempe-nhar na dinâmica de desenvolvimento regional.

Adriana Moreira Amado Professora do Departamento de Economia da Universidade de Brasília

Referências

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