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Revisão: Independência da América Espanhola e Brasil
Teoria
O processo de independência das colônias espanholas
Por volta de 1800, a elite colonial hispano-americana era composta por cerca de 3 milhões de criollos. Essa elite não formava um bloco coeso, subdividindo-se de acordo com os interesses regionais, surgidos em decorrência da própria organização administrativa colonial. No entanto, vale destacar que a maioria desses criollos, ao longo do século XVIII, passou a ser influenciada por importantes movimentos que ocorriam no ocidente. Como muitos jovens costumavam frequentar as universidades europeias, ler livros atuais e se encontrar em lojas maçônicas, os textos iluministas logo se difundiram por esse grupo social, da mesma forma que as notícias de movimentos como as independências dos Estados Unidos e do Haiti e a Revolução Francesa.
Na sociedade colonial espanhola, a possibilidade de ascensão social era baixíssima e, além disso, entre os séculos XVI e XVIII, a condição dos indígenas, mestiços e negros escravizados pouco havia sofrido mudanças. Apesar de alguns mestiços e indígenas possuírem pequenos privilégios, a realidade da maior parte da população era uma condição severa de exploração, com muito trabalho, enquanto para os criollos havia também a alta carga de impostos e poucos benefícios e privilégios, quando comparados aos chapetones.
Essa situação se tornou ainda mais agressiva no século XVIII, quando o
déspota esclarecido Carlos III (1759-1788) promoveu as Reformas Bourbônicas. Ao longo do século XVIII, a fraqueza espanhola ante a ascensão de potências como a Inglaterra, assim como o fracasso em conflitos como a Guerra dos Sete Anos e os gastos militares, colocou a economia espanhola em uma situação delicada.
Dessa forma, interessado em uma redução da dependência econômica espanhola, e também em uma modernização do reino, o rei Carlos III promoveu um conjunto de reformas de caráter liberal e outras claramente pautadas nas práticas mercantilistas.
Dentre elas, podemos citar a manutenção da proibição do comércio entre as colônias e outros reinos (reforçando o exclusivo metropolitano), a continuidade na proibição de indústrias na América, o aumento da força militar, a criação de novas companhias de comércio e do Vice-Reino do Prata, a expulsão dos jesuítas do Império espanhol e, enfim, o aumento da carga tributária entre os colonos.
De fato, as reformas bourbônicas tentaram modernizar a economia espanhola com medidas mais liberais
internamente. No entanto, para as colônias, havia um reforço da prática mercantilista e uma nítida tentativa
de revigorar a colonização. Tais medidas, portanto, foram recebidas com grande insatisfação pelos
habitantes da colônia, que logo se organizaram em importantes movimentos emancipacionistas.
2 As independências da América espanhola.
Nessa conjuntura, as reformas bourbônicas, a ascensão de Napoleão Bonaparte na França e o estabelecimento do Bloqueio Continental contra a Inglaterra foram fundamentais para o processo de independência da América Espanhola.
Para fins didáticos, podemos dividir as lutas coloniais contra a Espanha em três fases:
1. Movimentos precursores – 1780 a 1810
Com as reformas bourbônicas, a população colonial demonstrou-se altamente insatisfeita, e logo movimentos defendendo a emancipação de regiões da colônia surgiram. Essa fase é considerada a primeira etapa do processo de independência e é um importante momento para demonstrar o enfraquecimento do poder da Coroa.
● Rebelião de Tupac Amaru (1780) – Em novembro de 1780, no Vice-Reino do Peru, o líder indígena José Gabriel Condorqui, que se auto proclamava Tupac Amaru II (por ser descendente do antigo imperador Inca), rebelou-se contra a metrópole. Assim, a chamada Rebelião de Tupac Amaru organizou um exército formado por trabalhadores livres, mestiços, indígenas e negros que eram contrários à exploração das camadas mais pobres. Apesar do apoio inicial de alguns criollos, como o movimento se tornou extremamente popular e uma ameaça também para essa elite, estes logo retiraram o suporte, e Tupac Amaru foi capturado. Para servir como exemplo, o líder indígena teve sua língua cortada e o corpo arrastado por cavalos.
● Movimento Comunero (1781) – Em 1781, no Vice-Reino de Nova Granada, colonos insatisfeitos com as reformas criaram uma junta de governo chamada de El Común. Mais uma vez, a camada criolla apoiou inicialmente o movimento; no entanto, com a rápida e massiva adesão dos setores populares e a radicalização promovida por líderes mestiços, como José Antônio do Galan, essa elite econômica logo se afastou. Dessa forma, com o afastamento dos criollos e a prisão de Galan, o movimento que visava a se rebelar contra a metrópole também fracassou e viu seu principal líder ser esquartejado.
2. Rebeliões fracassadas – 1810 a 1816
No início do século XIX, a Europa se tornou palco de uma série de conflitos, que ficaram conhecidos como as Guerras Napoleônicas. Nesse período, os avanços de Napoleão Bonaparte na Península Ibérica, a imposição de José Bonaparte como rei da Espanha (após a prisão de Felipe VII), a difusão do pensamento iluminista (assim como a influência das independências dos Estados Unidos e do Haiti) e o enfraquecimento da administração colonial desencadearam novas lutas por independência nas colônias da América espanhola.
Visto isso, quando o rei Felipe VII foi deposto pelas tropas napoleônicas, os criollos na colônia se organizaram nos cabildos e formaram as Juntas Governativas. Através dessa nova organização, a elite econômica enfraqueceu ainda mais a autoridade metropolitana e passou a conviver com grande autonomia, controlando a administração colonial.
Essa experiência de liberdade, portanto, aguçou os interesses coloniais por uma emancipação definitiva.
Assim, esse período foi marcado por algumas declarações de independência e por alguns sucessos iniciais, como a emancipação da Venezuela, da Colômbia, do México e do Equador, por exemplo, em 1810, assim como da Argentina em 1816.
No entanto, vale destacar que, nessa fase, ficou evidente a falta de concordância entre os colonos e as
dificuldades encontradas para consolidar as independências. Havia, além disso, a falta de apoio externo,
3 pois a Inglaterra, por exemplo, embora tivesse interesse nos mercados americanos, enfrentava ainda os exércitos napoleônicos e tinha que lidar com as dificuldades causadas pelo bloqueio continental.
Apesar dessas lutas e das pequenas vitórias, a derrota de Napoleão não alterou muito a antiga condição colonial, pois, em 1814, Fernando VII voltou ao trono na Espanha e buscou ampliar a repressão aos movimentos de emancipação e reconquistar os territórios perdidos.
3. Rebeliões vitoriosas – 1817 a 1824
Com o retorno de Fernando VII ao poder, as forças realistas, que apoiavam o monarca e eram formadas por alguns criollos leais à metrópole e por chapetones, logo se mobilizaram para frear o processo de emancipação. Dessa forma, apesar das declarações de independências, apenas após 1817 esses movimentos passaram a conquistar definitivamente suas vitórias com lutas sangrentas.
Sob as lideranças de figuras como Simón Bolívar, José de San Martín, Miguel Hidalgo, Manuel Belgrano e Bernardo O’Higgins, os chamados Libertadores da América conseguiram reunir grandes exércitos populares na luta contra as forças realistas. Além disso, interessados em lucrar com a abertura comercial do continente, países como a Inglaterra e os Estados Unidos – através da Doutrina Monroe (expressa na ideia de “América para os americanos”) – também se posicionaram a favor dos processos de independência. Os Estados Unidos se opuseram a qualquer tentativa de intervenção militar, imperialista ou colonizadora, da Santa Aliança (criada durante o Congresso de Viena) no continente americano.
Assim, em diversas partes da América os movimentos emancipacionistas foram conquistando espaço e derrotando as tropas leais à metrópole. A partir de 1820, com as revoluções liberais na Espanha, o poder da metrópole se enfraqueceu ainda mais, possibilitando, enfim, que os exércitos de independência saíssem vitoriosos.
Os libertadores da América
● José de San Martín.
José de San Martín foi um criollo, ou seja, filho de espanhóis, que nasceu em 1778 em Yapeyú (atual Argentina) e teve papel importante nas lutas de libertação da Argentina, do Chile e do Peru. Como San Martín foi educado e viveu parte de sua vida na Espanha, tornou-se, na juventude, um militar das forças espanholas e chegou a atuar com grande importância nas Guerras Napoleônicas ao lado dos espanhóis.
Entretanto, ainda no início do século XIX, a entrada de San Martín para a maçonaria o colocou em contato com as ideias iluministas e com colonos americanos que já se empenhavam nas lutas pela independência. Esse crescente contato, portanto, foi fundamental para uma transformação na mentalidade de San Martín, que renunciou em 1812 ao seu cargo no exército espanhol e se dirigiu para a América.
As expedições de San Martín o levaram da Argentina ao Peru; mas, antes da independência definitiva do Peru, as tropas de San Martín, que já haviam conquistado grande parte da região, encontraram-se em Guayaquil, no Equador, com as forças de um outro importante líder separatista, o venezuelano Simón Bolívar. No encontro em Guayaquil, apesar de não divergirem quanto à importância das independências, os projetos políticos almejados por Bolívar e por San Martín eram opostos.
O argentino, educado na Espanha, era um monarquista e acreditava que a melhor forma de consolidar as
independências e garantir o reconhecimento destas seria mantendo o continente fragmentado e
governado por nobres europeus em um regime de monarquia constitucionalista, que poderia evitar
futuras guerras. Bolívar, por sua vez, defendia um projeto de independência completamente oposto, e,
pela falta de apoiadores, após o encontro em Guayaquil, decidiu abrir mão de seu projeto e voltar para a
Argentina.
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● Simón Bolívar.
Nascido na atual Venezuela, Bolívar fazia parte da camada criolla da sociedade e contava com grande prestígio econômico, uma educação iluminista e grande preparo militar. Graças a essa formação, aos poderes econômicos e à popularidade entre as camadas mais pobres, o criollo venezuelano teve papel de destaque na emancipação política das colônias espanholas, ficando conhecido, portanto, como “O Libertador”.
Enquanto San Martín realizou expedições pelo Sul e pela costa chilena, Bolívar, ao contrário, protagonizou o processo de independências das colônias ao Norte da América do Sul, sendo a grande liderança nas emancipações da Venezuela (1817), Colômbia (1819) e Equador (1821), onde formou a nação independente e republicana da Grã-Colômbia em 1821.
A construção da Grã-Colômbia, portanto, já revelava o quanto os ideais de Bolívar e seus projetos políticos divergiam dos de San Martín. Diferente do libertador argentino, o líder venezuelano almejava unificar a América em uma grande confederação republicana, defendendo, assim, ideias que ficaram conhecidas como pan-americanistas.
A proposta do Pan-americanismo foi discutida no Congresso do Panamá (1826); no entanto, os esforços de Bolívar não foram suficientes para manter as regiões que ajudou a libertar unidas. Seus ideais se chocaram com os interesses das oligarquias locais e com a oposição da Inglaterra e dos Estados Unidos, que não consideravam interessante a formação de uma confederação que garantisse a união e força às regiões recém independentes. Após o fracasso no Panamá, a América Latina fragmentou-se politicamente em pequenos Estados soberanos, governados pela aristocracia criolla.
O processo de independência do Brasil
A independência do Brasil ocorreu na conjuntura da Revolução Liberal do Porto, deflagrada em Portugal em 1820. Com as exigências das Cortes Constituintes de 1820 pelo retorno da Família Real e pela recolonização do Brasil, D. João VI, pressionado, decidiu retornar à Lisboa, mas deixou na capital seu filho, o príncipe herdeiro Pedro de Alcântara.
Asim, durante o período entre 1820 e 1822, as relações entre Brasil e Portugal se estremeceram cada vez mais com os diversos decretos ordenados pelas Cortes portuguesas, que
limitavam a autonomia das províncias brasileiras, o poder do Príncipe Regente e de seus ministros.
Visto isso, dois grupos políticos se mostravam insatisfeitos com as novas imposições portuguesas e foram fundamentais para a articulação da Independência do Brasil, sendo eles: o grupo dos liberais, organizados sobretudo no Partido Brasileiro (na época não existiam partidos políticos; logo, era apenas um grupo com ideias próximas e formado por brasileiros) e liderados pelo jornalista do Rio de Janeiro Joaquim Gonçalves Ledo; e, por outro lado, os Bonifácios, liderados por José Bonifácio de Andrada, em São Paulo.
Em 1821, um dos momentos mais sensíveis do processo, as Cortes portuguesas passaram a insistir cada vez
mais no retorno do príncipe a Portugal, com a instalação no Brasil de uma junta governativa. Nessa conjuntura,
políticos, grandes latifundiários e jornalistas que apoiavam a permanência de D. Pedro e estavam insatisfeitos
com as ordens portuguesas passaram a se encontrar no chamado Clube da Resistência, organizado pelo
mineiro José Joaquim da Rocha, que ajudou a reunir 8 mil assinaturas em um documento entregue a D. Pedro,
pedindo sua permanência no Brasil.
5 Assim, desafiando as Cortes portuguesas e os soldados do general português Jorge Avillez, que estavam no Rio de Janeiro, D. Pedro, no dia 9 de janeiro de 1822, supostamente declarou: "Como é para o bem de todos e para a felicidade geral da nação, estou pronto: Diga ao povo que eu vou ficar". Esse ficou conhecido como o Dia do Fico, e marcou o processo de Independência do Brasil, ao contrariar as exigências das Cortes portuguesas.
Apesar de D. Pedro ter logo em seguida nomeado José Bonifácio como Ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, mostrando a forte aproximação entre os dois, o futuro imperador, por outro lado, não deixou de ouvir as forças liberais e Joaquim Gonçalves Ledo, que sugeriam a criação de uma Assembleia Constituinte e a eleição para os nomes que a comporiam. Então, D. Pedro, ainda em 1822, além de decretar o Cumpra-se em maio (ordenando que as exigências portuguesas só teriam validade se aprovadas pelo Príncipe Regente), convocou, em junho, as eleições para a Constituinte.
Visto isso, nota-se que as medidas decretadas por D. Pedro e a movimentação de seus apoiadores tornavam o Brasil cada vez mais distante de Portugal e davam ao país a conquista da autonomia desejada por uma grande parcela da elite agrária, comercial e política brasileira. Ainda nesse contexto, outra grande influência de destaque para a emancipação, que também apoiou D. Pedro na decisão do Dia do Fico, foi sua esposa, Leopoldina de Habsburgo.
A princesa, que se tornara regente durante a viagem de D. Pedro em agosto para a província de São Paulo, recebeu novos decretos portugueses, que suspendiam a Assembleia Constituinte, exigiam o retorno imediato de D. Pedro a Portugal e declaravam os ministros brasileiros como traidores. Visto isso, D. Leopoldina se reuniu com os ministros e assinou, ainda em 1822, a Declaração de Independência do Brasil de Portugal.
A carta foi entregue para D. Pedro no dia 7 de setembro, enquanto ainda estava em São Paulo. Nesse momento, o então Príncipe Regente teria tomado conhecimento das novas exigências portuguesas, da declaração elaborada por D.
Leopoldina e José Bonifácio e, supostamente, teria organizado seus soldados declarando a emancipação brasileira de Portugal com o famoso grito da independência. Ao retornar à capital, D. Pedro foi coroado no Campo de Santana no dia 12 de outubro de 1822, sendo aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.
Vale destacar que, apesar da declaração, a independência não foi conquistada de forma tão pacífica, visto que os soldados portugueses se encontravam presentes no Brasil e não aceitaram a emancipação, assim como focos de resistência em algumas províncias ainda apoiavam as cortes portuguesas. Desse modo, com um exército organizado com mercenários e soldados estrangeiros e com apoio da Inglaterra, os grupos que ainda resistiam nas províncias do Maranhão, Bahia, Pará e Piauí foram rapidamente derrotados.
Por fim, naturalmente, não bastava solucionar os desentendimentos provinciais. Para que o Brasil tivesse condições de estabelecer um Estado autônomo e soberano, era fundamental que outras importantes nações reconhecessem a sua independência. Em 1824, buscando cumprir sua política de aproximação com as outras nações americanas, os Estados Unidos da América reconheceram a independência do Brasil.
Restavam, portanto, as negociações diplomáticas entre Brasil e Portugal para que a antiga metrópole
reconhecesse, enfim, a independência. Os diálogos foram mediados pela Inglaterra, que apoiou a causa
brasileira e ajudou a costurar o Tratado de Paz, Amizade e Aliança. Através desse acordo, o Brasil assumiu o
pagamento de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas para Portugal (na prática, a dívida lusa
com a Inglaterra foi transferida para o Brasil) e, enfim, Portugal reconheceu a emancipação da antiga colônia
americana.
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Exercícios
1. (Enem 2009) A formação dos Estados foi certamente distinta na Europa, na América Latina, na África e na Ásia. Os Estados atuais, em especial na América Latina — onde as instituições das populações locais existentes à época da conquista ou foram eliminadas, como no caso do México e do Peru, ou eram frágeis, como no caso do Brasil —, são o resultado, em geral, da evolução do transplante de instituições europeias feito pelas metrópoles para suas colônias. Na África, as colônias tiveram fronteiras arbitrariamente traçadas, separando etnias, idiomas e tradições, que, mais tarde, sobreviveram ao processo de descolonização, dando razão para conflitos que, muitas vezes, tem sua verdadeira origem em disputas pela exploração de recursos naturais. Na Ásia, a colonização europeia se fez de forma mais indireta e encontrou sistemas políticos e administrativos mais sofisticados, aos quais se superpôs. Hoje, aquelas formas anteriores de organização, ou pelo menos seu espírito, sobrevivem nas organizações políticas do Estado asiático.”
GUIMARÃES, S. P. Nação, nacionalismo, Estado. Estudos Avançados. São Paulo: Edusp, v. 22, no 62, jan.- abr. 2008 (adaptado).
Relacionando as informações ao contexto histórico e geográfico por elas evocado, assinale a opção correta acerca do processo de formação socioeconômica dos continentes mencionados no texto.
a) Devido à falta de recursos naturais a serem explorados no Brasil, conflitos étnicos e culturais como os ocorridos na África estiveram ausentes no período da independência e formação do Estado brasileiro.
b) A maior distinção entre os processos histórico-formativos dos continentes citados é a que se estabelece entre colonizador e colonizado, ou seja, entre a Europa e os demais.
c) À época das conquistas, a América Latina, a África e a Ásia tinham sistemas políticos e administrativos muito mais sofisticados que aqueles que lhes foram impostos pelo colonizador.
d) Comparadas ao México e ao Peru, as instituições brasileiras, por terem sido eliminadas à época da conquista, sofreram mais influência dos modelos institucionais europeus.
e) O modelo histórico da formação do Estado asiático equipara-se ao brasileiro, pois em ambos se
manteve o espírito das formas de organização anteriores à conquista.
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2. (Enem 2009) No tempo da independência do Brasil, circulavam nas classes populares do Recife trovas que faziam alusão à revolta escrava do Haiti:
Marinheiros e caiados Todos devem se acabar, Porque só pardos e pretos O país hão de habitar.
(AMARAL, F. P. do. Apud CARVALHO, A. Estudos pernambucanos. Recife: Cultura Acadêmica, 1907.)
O período da independência do Brasil registra conflitos raciais, como se depreende:
a) dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças.
b) da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a rejeição à opressão da Metrópole, como ocorreu na Noite das Garrafadas.
c) do apoio que escravos e negros forros deram à monarquia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as injustiças do sistema escravista.
d) do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos demonstravam contra os marinheiros, porque estes representavam a elite branca opressora.
e) da expulsão de vários líderes negros independentistas, que defendiam a implantação de uma república negra, a exemplo do Haiti.
3. (Enem 2014) A transferência da corte trouxe para a América portuguesa a família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português.
Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808.
NOVAIS, F A JALENCASTRO, LE (Org) História da vida privada no Brasil ‘to Paule: Cia. das Letras, 1997,
Os fatos apresentados se relacionam ao processo de independência da América portuguesa por terem a) incentivado o clamor popular por liberdade.
b) enfraquecido o pacto de dominação metropolitana.
c) motivado as revoltas escravas contra a elite colonial.
d) obtido o apoio do grupo constitucionalista português.
e) provocado os movimentos separatistas das províncias
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4. (Enem 2011) “No clima das ideias que se seguiram à revolta de São Domingos, o descobrimento de planos para um levante armado dos artífices mulatos na Bahia, no ano de 1798, teve impacto muito especial; esses planos demonstravam aquilo que os brancos conscientes tinham já começado a compreender: as ideias de igualdade social estavam a propagar-se numa sociedade em que só um terço da população era de brancos e iriam inevitavelmente ser interpretados em termos raciais.”
MAXWELL, K. Condicionalismos da Independência do Brasil. In: SILVA, M. N. (coord.) O Império luso-brasileiro, 1750- 1822. Lisboa: Estampa, 1966.
O temor do radicalismo da luta negra no Haiti e das propostas das lideranças populares da Conjuração Baiana (1798) levaram setores da elite colonial brasileira a novas posturas diante das reivindicações populares. No período da Independência, parte da elite participou ativamente do processo, no intuito de:
a) instalar um partido nacional, sob sua liderança, garantindo participação controlada dos afro- brasileiros e inibindo novas rebeliões de negros.
b) atender aos clamores apresentados no movimento baiano, de modo a inviabilizar novas rebeliões, garantindo o controle da situação.
c) firmar alianças com as lideranças escravas, permitindo a promoção de mudanças exigidas pelo povo sem a profundidade proposta inicialmente.
d) impedir que o povo conferisse ao movimento um teor libertário, o que terminaria por prejudicar seus interesses e seu projeto de nação.
e) rebelar-se contra as representações metropolitanas, isolando politicamente o Príncipe Regente, instalando um governo conservador para controlar o povo.
5. (UNITAU SP/2018) "Eu desejo, mais do que qualquer outro, ver formar-se na América a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riquezas do que pela liberdade e glória. Ainda que aspire à perfeição do governo da minha pátria, não posso persuadir-me de que o Novo Mundo seja, no momento, regido por uma grande república. [...] É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o Novo Mundo uma única nação com um só vínculo, que ligue suas partes entre si e com o todo”.
(BOLÍVAR, Simón. Cartas da Jamaica". BELLOTTO, M. L. e CORREA, A. M. M. (org.) Simón Bolívar. Política. São Paulo: Ática, 1983, p. 84 e p. 89.) A “ideia grandiosa” citada no documento de Simón Bolívar refere-se a:
a) Ao federalismo, isto é, à criação de uma confederação de estados latino-americanos, contando, inclusive com o Brasil, já que todos tinham a mesma origem, língua e religião.
b) A um pacto americano que incluía todos os estados de norte a sul, inclusive EUA, com o objetivo de afastar as ameaças colonialistas europeias à soberania latino-americana.
c) A uma América única, geográfica e administrativa, um Estado comum, do qual fariam parte todas as antigas colônias europeias, independentemente das diferenças de línguas, costumes e religiões.
d) Ao pan-americanismo, que afirmava a existência de uma consciência e de uma identidade hispano- americana/latino-americana comum, que superava os "nacionalismos" locais e regionais.
e) Ao pan-americanismo, que propunha a “América para os americanos”, a não criação de novas
colônias na América e a defesa do continente contra os ataques à soberania latino-americana.
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6. (UFPR/2020) Considere o texto abaixo: A emancipação fora conseguida num contexto de violência generalizada, que causara a morte de centenas de milhares de pessoas, em especial na Colômbia, na Venezuela, no México e no Haiti. Os países que sofreram menos baixas foram Brasil, Equador, Paraguai e os da América Central. Os sofrimentos da população foram agravados pelos deslocamentos, como o
“êxodo oriental” no Uruguai em 1811 e a fuga em massa dos partidários da independência do Chile, que tiveram de emigrar de Concepción para Santiago em 1817.
DEL POZO, José. História da América Latina e do Caribe: dos processos de independência aos dias atuais.
Trad. Ricardo Rosenbusch. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 2009, p. 41.
Considerando as informações do trecho acima, os conhecimentos sobre o contexto histórico e os aspectos sociais e políticos da independência dos países latino-americanos e do Caribe, é correto afirmar:
a) As políticas liberais que surgiram na década de 1850, no processo de consolidação das independências, favoreceram a aquisição de terras pelas comunidades indígenas.
b) Líderes políticos como Bolívar e Bernardo O’Higgins, entre outros, passaram a apoiar a independência do Brasil em 1822, e, sobretudo, incentivaram a instauração do regime monárquico.
c) A participação das mulheres nos processos de independência assumiu somente o papel atribuído a elas nesse tipo de conflito, como o de preparar comida para as tropas e cuidar dos feridos.
d) Com o fim dos conflitos, os países emancipados da região saldaram as pesadas dívidas que contraíram com os bancos ingleses.
e) Somente Cuba e Porto Rico não se emanciparam, permanecendo como colônias espanholas até 1898.
7. (Univag MT/2019) Os criollos perderam a confiança no governo dos Bourbons e passaram a duvidar da real disposição da Espanha a defendê-los. Seu dilema era premente, já que estavam presos entre o governo colonial e a massa do povo. Nessas circunstâncias, quando a monarquia entrou em crise em 1808, os criollos não puderam permitir que o vácuo político se instaurasse, nem que suas vidas e propriedades ficassem sem proteção. Convencidos de que, se não aproveitassem a oportunidade, forças mais perigosas o fariam, tiveram de agir rapidamente para antecipar-se à rebelião popular.
John Lynch. “As origens da independência da América espanhola”.