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Gênero lírico. Prof. Caio Castro

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Academic year: 2021

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Texto

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Gênero lírico

Prof. Caio Castro

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Poema e poesia

Poema é a forma escrita, geralmente produzida em versos, que constitui o texto poético.

Já a poesia é uma atividade de produção

artística ou criação estética, podendo estar

relacionada a objetos, pinturas etc.

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Camões

Amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente

É um contentamento descontente

É dor que desatina sem doer

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Estrofe

Parte de um poema que consiste de uma série de linhas ou versos dispostos em uma certa configuração regular, definidos por metrificação (número de sílabas métricas) e rima (combinação de fonemas) que se repete periodicamente.

Uma estrofe tem geralmente um número regular de linhas, metrificação e rima, constituindo-se em uma seção do poema. No entanto, uma estrofe irregular não é incomum.

No modernismo, encontramos estrofes livres, cuja preocupação maior é com o conteúdo. Dá-se menor importância à metrificação, à rima ou a qualquer outra configuração regular.

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Metrificação

A contagem das sílabas métricas realiza-se até à última sílaba acentuada do verso, ocorra ela na última, penúltima ou antepenúltima sílaba gramatical da palavra (Ex.: mi/nhas / lá/(grimas); meu / de/se/(jo); meu / co/ra/ção).

Contração da última vogal de uma palavra com a primeira vogal da palavra seguinte.

Sinalefa - nome dado à contração quando a vogal do fim da palavra se transforma numa semivogal, formando um ditongo com a vogal que inicia a palavra seguinte (Atrasado ele... = a/tra/sa/du / e/le > a/tra/sa/dwe/le).

Elisão - nome dado à contração quando a vogal do fim da palavra é completamente assimilada pela vogal que inicia a palavra seguinte, desaparecendo (Ela ouviu... = e/la / ou/viu > e/lou/viu).

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Metrificação

Crase - nome dado à contração quando a vogal do fim da palavra é igual à vogal que inicia a palavra seguinte, pelo que elas se fundem numa só (A casa amarela... = a / ca/sa / a/ma/re/la > a / ca/sa/ma/re/la).

Ectlipe - nome dado à contração quando a vogal do fim da palavra é nasal, perdendo a sua nasalidade para formar um ditongo com a vogal que inicia a palavra seguinte (com as colegas... = cõ / as / co/le/gas > cuas / co/le/gas).

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Metrificação

Metrificação é a técnica para se medir um verso. Em Português, ela se apoia na tonicidade das palavras, a escansão; contagem dos sons dos versos. É importante observar que as sílabas métricas diferem das sílabas gramaticais, observando-se as seguintes regras.

1. Contagem das sílabas métricas:

a) só contaremos até a última sílaba tônica de um verso;

b) Havendo encontro de vogais de palavras diferentes, elas podem ser unidas a fim de que se forme uma única sílaba.

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Contando sílabas métricas

úl ti ma flor do cio in cul ta e be

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

és a um tem po es plen dor e se pul tu

Ouro nativo, que na ganga impura

ou ro na ti vo que na gan ga im pu

A bruta mina entre os cascalhos vela…

a bru ta mi na en tre os cas ca lhos ve

Poema Língua Portuguesa, de Olavo Bilac

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Contando sílabas métricas

ba ta ti nha quan do nas

batatinha quando nasce se esparrama pelo chão

se es par ra ma pe lo chão

menininha quando dorme

me ni ni nha quan do dor

põe a mão no coração

põe a mão no co ra ção

Ditado popular

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Contando sílabas métricas

Era uma noite perfumada e lânguida.

(E|ra u|ma|noi|te|per|fu|ma|da e|lân) Contava a brisa amores à folhagem.

Da lua num olhar voluptuoso Envolvia-se cândida paisagem.

Quais lágrimas do céu, brancos orvalhos Trementes penduravam-se dos galhos

Castro Alves

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Contando sílabas métricas

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

(Eu| fi| lho |do| car| bo |no e |do a| mo |ní) Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância

Augusto do Anjos

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Metrificação

2. Classificação do verso quanto ao número de sílabas:

a) Isométricos: são os versos de uma só medida. São classificados como:

monossílabos dissílabos

trissílabos tetrassílabos

pentassílabos (ou redondilha menor) hexassílabos (heróico quebrado)

heptassílabos (redondilha maior) octossílabos

eneassílabos

decassílabos (medida nova) hendecassílabos

dodecassílabos (ou alexandrinos)

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Metrificação

b) Heterométricos: são os versos de diferentes medidas, usados em um mesmo poema. Também são conhecidos como versos livres.

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.

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Rima

A rima é um dos elementos do verso, mas não é essencial ou obrigatório. É apenas uma opção do autor para criar um vínculo de "melodia" e acentuar o final de um verso. Este recurso passou a ser usado na Idade Média pelos trovadores. Atualmente, existem composições poéticas onde as rimas não são usadas, que recebem o nome de Poesia Branca ou Poesia Solta.

As rimas são classificadas quanto à disposição nas estrofes, e de acordo com as classes gramaticais que a compõem. Veja alguns exemplos.

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Classificação de rima

As rimas podem ser classificadas de acordo com:

• A posição do acento tônico; e

• A distribuição nas estrofes.

Com relação ao acento, podem ser

agudas (as palavras que rimam são oxítonas);

graves (as palavras que rimam são paroxítonas);

esdrúxulas (as palavras que rimam são proparoxítonas).

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Rimas aguda e grave

Agora que a noite estende Alvo lençol de luar

E a bafagem que recende Nos jardins perfuma o ar.

(Raimundo Correia)

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Rimas esdrúxulas

É um flamejador, dardânico

Uma explosão de rápidas ideias

Que com um mar de estranhas odisseias Saem-lhe do crânio escultural, titânico!

Cruz e Sousa

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Tipos de rima

Quanto à disposição ao longo do poema, as rimas classificam-se em alternadas (cruzadas), paralelas (emparelhadas) ou opostas (interpoladas).

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Tipos de rima

Alternadas ou cruzadas são as que ocorrem de forma alternada.

Tire suas mãos de mim A Eu não pertenço a você B Não é me dominando assim A Que você vai me entender B (...)

Será só imaginação? A

Será que nada vai acontecer? B Será que é tudo isso em vão? A

Será que vamos conseguir vencer? B

(Será, Legião Urbana)

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Rimas alternadas

O meu amor não tem importância nenhuma.

Não tem o peso nem

de uma rosa de espuma!

(Cecília Meireles)

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Tipos de rima

Paralelas ou emparelhadas são as que ocorrem de duas em duas.

Aos que me dão lugar no bonde A e que conheço não sei de onde, A aos que me dizem terno adeus B

sem que lhes saiba os nomes seus B

(Poema Obrigado, Carlos Drummond de Andrade)

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Rimas paralelas

Vagueio campos noturnos Muros soturnos

Paredes de solidão

Sufocam minha canção.

(Ferreira Gullar)

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Rimas paralelas

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais (A) E te perder de vista assim é ruim demais (A)

E é por isso que atravesso o teu futuro (B) E faço das lembranças um lugar seguro (B)

Não é que eu queira reviver nenhum passado (C) Nem revirar um sentimento revirado (C)

Mas toda vez que eu procuro uma saída (D) Acabo entrando sem querer na tua vida (D)

(Quem de nós dois, de Ana Carolina)

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Tipos de rima

Interpoladas ou opostas são as que ocorrem de forma oposta.

Você sabe o que é caviar? A Nunca vi, nem comi B

Eu só ouço falar A

Você sabe o que é caviar? A Nunca vi, nem comi B

Eu só ouço falar... A

(Caviar, de Zeca Pagodinho)

Versos brancos são os que não apresentam rima.

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Rimas opostas

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meupensamento.

(Vinícius de Moraes)

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Outros recursos sonoros

Aliteração

É a repetição constante de um mesmo fonema consonantal.

Vozes veladas, veludosas vozes,

Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Violões que choram, Cruz e Souza

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Outros recursos sonoros

Aliteração

Colar de Carolina

Com seu colar de coral, Carolina

corre por entre as colunas da colina.

O colar de Carolina

colore o colo de cal,

torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor do colar de Carolina,

põe coroas de coral nas colunas da colina.

Cecília Meireles

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Outros recursos sonoros

Assonância É a repetição constante de um mesmo fonema

vocálico.

Tanta Tinta

Ah! Menina tonta toda suja de tinta mal o céu desponta!

(Sentou-se na ponte, muito desatenta...

E agora se espanta:

Quem é que a ponte pinta com tanta tinta?...)

A ponte aponta e se desaponta A tontinha tenta limpar a tinta ponto por ponto e pinta por pinta...

Ah! a menina tonta!

Não viu a tinta da ponte.

(Cecília Meireles)

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Outros recursos sonoros

Paronomásia

É o emprego de palavras semelhantes na forma ou no som, mas de sentidos diferentes, próximas umas das outras.

Trocando em miúdos, pode guardar As sobras de tudo que chamam lar As sombras de tudo que fomos nós.

(Chico Buarque)

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Outros recursos sonoros

Paronomásia

É o emprego de palavras semelhantes na forma ou no som, mas de sentidos diferentes, próximas umas das outras.

Ah pregadores! Os de cá achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais

passos.

(Pe. Antônio Vieira)

(31)

Outros recursos sonoros

Paralelismo

É o emprego de palavras ou orações que se correspondem quanto ao sentido.

Vem que eu te quero fraco Vem que eu te quero tolo

Vem que eu te quero todo meu.

(Sem fantasia, de Chico Buarque)

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Faça a escansão dos versos e diga o tipo de rima que apresentam:

1. Gregório de Matos

Discreta e formosíssima Maria

Enquanto estamos vendo claramente Na vossa ardente vista o sol ardente E na rosada face a Aurora fria.

2. Fernando Pessoa O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.

3. Gonçalves Dias

Esta noite- era a lua já morta – Anhangá me vedava sonhar;

Eis na horrível caverna, que habito, Rouca voz começou-me a chamar

Referências

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