ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2012
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RINCIPAIS ALTERAÇÕESF
ISCAIS1. IRC – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas
Taxa única de IRC de 25% - o IRC volta a ter uma taxa única de 25%, tendo sido eliminadas as taxas mais favoráveis, designadamente, a taxa de 12,5% para a matéria coletável até 12.500€, assim como as taxas de 10% e 15% do regime de Interioridade;
Derrama estadual – a parte do lucro superior a 1.500.000€ e até 10.000.000€ passa a ser tributada a 3% e foi criada uma nova tributação de 5% para o lucro tributável superior a 10.000.000€;
Pagamento adicional por conta – se o lucro tributável relativo ao período de tributação anterior for superior a 1.500.000€ e até 10.000.000€ o pagamento adicional por conta é igual a 2,5% do excedente de 1.500.000€. Se o lucro tributável for superior a 10.000.000€ aplica-se a taxa de 4,5% à parte que o exceda;
Dedução dos prejuízos fiscais – o período de reporte dos prejuízos apurados em 2012 e seguintes é alargado, o prazo de reporte dos prejuízos fiscais passa de 4 para 5 anos mas é introduzido um limite à dedução, por exercício, correspondente a 75% do lucro tributável apurado;
Prejuízos fiscais – foi eliminada a norma que fazia depender a dedução de prejuízos fiscais em dois anos consecutivos da certificação legal de contas por revisor oficial de contas;
Despesa com equipamentos e software de faturação – a dispensa de comunicação prévia das desvalorizações excecionais decorrentes do abate de programas e equipamentos informáticos de faturação, que sejam substituídos em consequência da exigência de certificação de software de faturação, mantém-se para 2012. São também considerados como gasto fiscal do período, em 2012, as despesas com a aquisição de programas e equipamentos informáticos de faturação certificados.
2. IRS – Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares
Subsídio de refeição – o valor do subsídio de refeição excluído de tributação de IRS (e de Segurança Social) é reduzido de 6,41€ para 5,12€. O contrato coletivo de trabalho no setor da Construção estipula o valor mínimo de 5,65€, pelo que a diferença será tributada em IRS e Segurança Social. No mesmo sentido, o pagamento através de vales de refeição é reduzido de 7,26€ para 6,83€;
Reduz-se o limite de isenção nas indemnizações/compensações pela cessação de contratos de trabalho – a indemnização por rescisão de contrato é excluída de tributação em IRS até ao limite de 1 (antes 1,5) x o valor médio das remunerações regulares com carácter de retribuição sujeitas a imposto, auferidas nos últimos 12 meses x n.º de anos ou fração de antiguidade;
Taxa liberatória – a taxa liberatória de IRS das mais-valias na alienação de ações, de participações sociais e de rendimentos de capitais aumenta para 25%;
Deduções à Coleta – nos juros dos empréstimos à habitação a dedução passa de 30%
para 15%, com o limite de 591€ e apenas para contratos celebrados até ao final de 2011 (foi eliminada a possibilidade de dedução da amortização de capital). Nas Rendas, a dedução também passa de 30% para 15% das rendas pagas, com o limite de 591€.
Está ainda previsto a eliminação faseada, em quatro anos, das deduções com juros relativos a contratos de crédito à habitação celebrados até 31/12/2011 e, em seis anos, nos contratos de arrendamento;
Limitação geral às deduções à coleta – são criados limites de 1.250€, 1.150€ e 1.100€ para as deduções à coleta para os contribuintes cujo rendimento coletável se situe no 3º, 4º e 5º escalão do IRS, respetivamente. Estes limites são majorados em 10% por cada dependente que não seja sujeito passivo de IRS. Os dois últimos escalões do IRS não têm direito a qualquer dedução;
Taxa adicional de solidariedade – é criada uma taxa adicional de 2,5% sobre o rendimento coletável do último escalão, aplicável em 2012 e 2013;
Taxas gerais – os valores da tabela prática de IRS mantém-se inalterados, quer dos escalões de rendimentos quer das taxas aplicáveis;
Reporte de perdas – o período de reporte dos prejuízos apurados em 2012 e seguintes das categorias B (rendimentos profissionais e empresariais), F (rendimentos prediais) e G (mais-valias relativas à alienação de imóveis e outras) passa de 4 para 5 anos.
3. IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado
Alteração ao regime de renúncia à isenção do IVA nas operações relativas a bens imóveis – na transmissão ou locação de bens imóveis com renúncia à isenção de IVA por sujeitos passivos que tenham entre si relações especiais o valor tributável é o valor normal de mercado;
Liquidação oficiosa de IVA – caso não seja apresentada a declaração periódica de IVA, a Direção Geral de Impostos, com base nos elementos de que disponha, procede à liquidação oficiosa de IVA, estabelecendo os seguintes limites mínimos: (i) um valor
anual igual a 6 vezes a retribuição mínima mensal garantida (2.910€), para os sujeitos passivos com um volume de negócios igual ou superior a 650.000€ (periodicidade mensal); (ii) um valor anual igual a 3 vezes a retribuição mínima mensal garantida (1.455€), para os sujeitos passivos com um volume de negócios inferior a 650.000€
(periodicidade trimestral);
Restituição do IVA suportado pelas IPSS e Santa Casa da Misericórdia – reintrodução da possibilidade das IPSS e da Santa Casa da Misericórdia obterem a restituição, agora em montante equivalente a 50%, do IVA suportado nas aquisições de bens ou serviços relacionados com a construção, manutenção e conservação de imóveis utilizados na prossecução dos seus fins estatutários.
4. IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis
Aumento das taxas de IMI em 0,1 ponto percentual – para 0,3% a 0,5% (antes de 0,2% a 0,4%) aos prédios urbanos avaliados, nos termos do Código do IMI, e para 0,5%
a 0,8% (antes de 0,4% a 0,7%), para os restantes prédios urbanos;
Coeficiente de localização – o limite máximo é aumentado de 2 para 3,5 e deixa de ser aplicado um coeficiente superior nas zonas de elevado valor de mercado imobiliário. O coeficiente de localização pode ainda, em situações de habitação dispersa em meio rural, ser reduzido para 0,35;
Aplicação aos terrenos para construção do coeficiente de ajustamento de áreas (Caj) – o qual passará a ser aplicado às edificações autorizadas ou previstas, em função do número de afetações e da discriminação da área. Quando existir mais do que uma afetação e não seja possível estabelecer a discriminação da área, aplica-se a tabela da afetação economicamente dominante;
Valor Patrimonial Tributário (VPT) – a atualização do VPT dos prédios urbanos comerciais, industriais e serviços passa a ser anual, com base no coeficiente de desvalorização da moeda. Para os restantes prédios urbanos (habitação, terrenos para construção e outros) mantém-se a atualização trienal com base em 75% do coeficiente de desvalorização da moeda;
Valor patrimonial dos terrenos para construção – quando o documento comprovativo de viabilidade construtiva apenas faça referência aos índices do PDM, os peritos avaliadores passam a ter de estimar, fundamentadamente, a respetiva área de construção, tendo em consideração, nomeadamente, as áreas médias de construção da zona envolvente;
Isenção de IMI na aquisição de prédios urbanos destinados a habitação própria e permanente do sujeito passivo ou do seu agregado familiar - passa a ser aplicável apenas quando o rendimento coletável desse agregado, para efeitos de IRS, no ano
anterior, não seja superior a 153.300€. O período de isenção a conceder passa a ser três anos, aplicável a prédios urbanos cujo valor patrimonial tributário não exceda 125.000€. As mesmas condições aplicam-se à primeira transmissão de prédios de habitação destinados ao arrendamento, iniciando-se o período de isenção a partir da data da celebração do primeiro contrato de arrendamento;
Prédios devolutos – elevação das taxas de IMI do dobro para o triplo nos prédios urbanos devolutos há mais de um ano;
Aquisição de terrenos para construção ou de prédio que tenha passado a figurar no inventário de uma empresa que tenha por objeto a sua venda – a suspensão da tributação passa a iniciar-se a partir do ano da comunicação da afetação a esses fins;
Prédios detidos por entidades residentes em “paraísos fiscais” – aumento da taxa aplicável de 5% para 7,5%, para os prédios detidos por entidades com domicílio fiscal em país, território ou região sujeitos a um regime fiscal mais favorável, constantes de lista aprovada pelo Ministério das Finanças.
5. IMT – Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis
Adquirentes residentes em “paraísos fiscais” – aumento de 8% para 10% da taxa de IMT aplicável à aquisição de prédios por entidades com residência ou sede em país, território ou região sujeito a um regime fiscal mais favorável;
Caducidade de benefícios – tendo sido atribuídos benefícios que caduquem, o prazo de prescrição do IMT conta-se a partir da data em que os benefícios ficaram sem efeito;
Pedido de reembolso do IMT – revogação do mecanismo previsto no código do IMT que permitia ao contribuinte requerer o reembolso do imposto indevidamente pago, para o Ministro das Finanças, no prazo de 4 anos após a liquidação.
6. Imposto do Selo
Transmissões gratuitas – alargamento do prazo de caducidade de 4 para 8 anos, no caso de imposto incidente sobre transmissões gratuitas ou aquisições onerosas de imóveis;
Pedido de reembolso do Imposto de Selo – revogação do mecanismo previsto no código do IS que permitia ao contribuinte requerer o reembolso do imposto indevidamente pago, para o Ministro das Finanças, no prazo de 4 anos quando indevidamente cobrado;
Constituição de Garantias – isenção, em 2012, das garantias prestadas a favor do Estado ou das Instituições de Segurança Social, no âmbito do pagamento de prestações de dívidas exigíveis em processo executivo ou de operações de recuperação de créditos fiscais e da segurança social.
7. Benefícios Fiscais
Exclusão à cláusula de caducidade – os benefícios fiscais relativos às SGPS (isenção de tributação de mais valias) e à reorganização e reestruturação de empresas (isenção de IMT, IS, emolumentos e encargos legais) deixam de estar sujeitos à cláusula de caducidade prevista no Estatuto de Benefícios Fiscais (EBF) e, portanto, passam a vigorar por tempo indeterminado;
São prorrogados vários benefícios fiscais, mas sujeitos à cláusula de caducidade prevista no EBF, designadamente a criação líquida de emprego para jovens e empregados de longa duração, o Regime dos FIM, FII, fundos de pensões e fundos poupança reforma, e a eliminação da dupla tributação económica dos lucros distribuídos por sociedades residentes nos PALOP e Timor Leste;
Fundos de Investimento Imobiliário (FII) – aos rendimentos prediais obtidos por FII pode deduzir-se o encargo relativo ao IMI, além dos encargos de manutenção e conservação de imóveis.
8. Justiça Tributária e Garantias dos Contribuintes
Aumento do valor das coimas – aumento generalizado, na ordem dos 50%, dos valores mínimos e máximo das coimas a diversas infrações tributárias;
Juros de mora – é revogado o prazo máximo de 3 anos, sendo calculados até ao pagamento da dívida fiscal;
Pagamento em prestações – possibilidade de requerer o pagamento em prestações até à data da marcação da venda dos bens penhorados.
9. Autorizações Legislativas
Criação de um regime que institua e regule a emissão e transmissão eletrónica de faturas e outros documentos com relevância fiscal, designadamente recibos de rendas e documentos de transporte de bens em circulação. Nesse âmbito, o Governo poderá criar uma dedução até 5% dos gastos com IVA.
A leitura desta informação não dispensa a consulta da legislação em apreço.
Informamos ainda que a AICCOPN vai proximamente promover a conferência "A Construção em Portugal e no Mundo", a realizar no dia 20 de Janeiro de 2012, cujo programa poderá consultar aqui