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Objetivos de desenvolvimento do milênio

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OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO: AVANÇOS E DESAFIOS DE SANTA CATARINA NO COMBATE À POBREZA

EXTREMA E A FOME E A UNIVERSALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA

Florianópolis 2014

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Dedico este trabalho especialmente à minha mãe, mulher guerreira, que além de dar o dom da vida me ensinou a amá-la e a vivê-la intensamente. À minha querida ‘mami’, todo meu amor, consideração e agradecimento pela sua dedicação, amor, carinho, incentivo, paciência e compreensão, fazendo suas as minhas preocupações, realizações e conquistas. Minha vitória é também resultado de sua força e estímulo para persistir nesta caminhada.

Ainda, dedico a todos aqueles que contribuíram para a realização deste trabalho e que me compreenderam nos momentos mais difíceis.

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comigo em todos os momentos.

Aos meus familiares, mãe, pai, avós, tio, tias, irmão, irmã, primos e primas pelo amor incondicional e que mesmo com as distâncias geográficas e circunstâncias da vida jamais deixaram de acreditar em mim.

Ao professor Baltazar, por todo carinho, paciência e compreensão durante minha trajetória acadêmica.

Às amigas de infância: Bruna Steiner, Carolina Taguchi, Luiza Tzaschel, Maira Mieko e Marcia Morelli. Pela amizade e carinho de sempre, muito obrigada por fazerem parte da minha história.

À AIESEC, especialmente aos membros da AIESEC em Florianópolis que acompanharam minha jornada durante os anos de 2011 a 2014 e àqueles que foram os grandes responsáveis pelo meu ano de 2013: OC Amplifier, OC Closer e aos meus queridos do EB Beyond: Angela Gerolometto, Camila Bellato, Eduardo Curzel, Isadora Ruschel, Jéssica Simioni, Marcela Werutsky, Matheus Allgaier, Moira Assmann e Otávio Picasky. Com vocês vivi o ano mais intenso e incrível da minha vida. Vocês foram fundamentais para que eu me tornasse o que sou hoje.

Ao Movimento Nós Podemos Santa Catarina e à sua coordenação estadual pela confiança no meu trabalho.

E por fim, àqueles que nominalmente não foram citados mas sabem da importância que as palavras de incentivo e motivação tiveram ao longo da jornada de construção deste trabalho.

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“Education is the most powerful weapon which you can use to change the world.” (Nelson Mandela)

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que Santa Catarina terá para que as metas propostas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM 1 e ODM 2 – sejam atingidas até 2015. Procurou ressaltar a importância do papel das Organização das Nações Unidas, por meio de seus programas e agências na construção de um mundo mais justo e igualitário. Através de pesquisa qualitativa, bibliográfico-documental e exploratória, foram levantados dados referentes às instituições ligadas direta e indiretamente com os propósitos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Contribuiu para a sociedade evidenciando o desafio da municipalização dos Objetivos e destacando a importância de inserir o tema na agenda dos munícipios para que a partir dela sejam elaboradas políticas públicas que atendam às necessidades da população catarinense.

Palavras chave: Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Santa Catarina.

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This study aimed to analyze the actions already taken, and identify the challenges that Santa Catarina state will have to achieve the Millennium Development Goals - MDG 1 and MDG 2 – by 2015. Focusing in the importance of United Nations role, through its programs and agencies in build a more just and equal world. Through qualitative, bibliographic-documentary and exploratory research were get data on institutions involved directly and indirectly with the purposes of the Millennium Development Goals. Contributed to the society evidencing the challenges of municipalization goals and emphasizing the importance of including this topic in the cities agenda to build public policies that meet the needs of Santa Catarina citizens.

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1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA...11 1.2 OBJETIVOS...13 1.2.1 Objetivo geral...13 1.2.2 Objetivos específicos...13 1.3 JUSTIFICATIVA...14 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...15 1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA...16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...17 2.1 NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO...17 2.2 ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS...19

3 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS...22

3.1 PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO…...24

3.2 PROGRAMA MUNDIAL DE ALIMENTOS...34

3.3 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA...34

3.4 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA...35

4 O BRASIL E OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO...36

4.1 MOVIMENTO NACIONAL PELA CIDADANIA E SOLIDARIEDADE...40

5 SANTA CATARINA E OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO...41

5.1 MOVIMENTO NÓS PODEMOS SANTA CATARINA...44

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7 DESAFIOS ... 57

7.1 A IMPORTÂNCIA DOS MUNICÍPIOS...60

7.1.1 Ferramentas para a municipalização...63

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 65

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Segundo Diniz e Diniz, 2009, a noção de desenvolvimento tem na Declaração do Milênio1 uma referência paradigmática determinada por valores de liberdade, igualdade, solidariedade, tolerância, respeito à natureza e responsabilidade comum. Com base nesses valores foram definidos oito objetivos, integrados por um conjunto de metas e indicadores, que podemos observar no Quadro 1, como os elementos norteadores do desenvolvimento a ser atingido de forma comum por todos os 189 Estados Membros das Nações Unidas até o ano de 2015.

Quadro 1 - Indicadores associados aos objetivos e metas de desenvolvimento do milênio

Fonte: DINIZ, Marcelo Bentes; DINIZ, Marcos Monteiro. Um indicador comparativo de pobreza multidimensional a partir dos objetivos do desenvolvimento do milênio. v. 13, n. 3, Ribeirão Preto: Economia Aplicada, 2009. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-80502009000300003&lng=en&nrm=iso> Acesso em: 02 jun. 2014.

Ainda, como foi destacado pelo Relatório do Desenvolvimento Humano de 2003, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que se dedica exclusivamente aos assuntos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento

1 Declaração da Cúpula do Milênio das Nações Unidas, realizada em Nova York de 6 a 8 de

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do Milênio (ODM), estes têm um vínculo direto com as capacidades fundamentais que visam a promoção do desenvolvimento humano.

Este trabalho apresenta conceitos de desenvolvimento, definições de organizações internacionais, com enfoque na Organização das Nações Unidas (ONU) e o seu trabalho, principalmente através do PNUD e os objetivos, metas e indicadores definidos a partir da Declaração do Milênio. Além disso, busca trazer informações sobre como Santa Catarina vem no período de 2000 a 2012, avançando no cumprimento destes e verificar o que ainda falta ser feito para que seja alcançado todo o desenvolvimento almejado até 2015.

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA

Após a Segunda Guerra Mundial2, existia na comunidade internacional um sentimento generalizado de que era necessário encontrar uma forma de manter a paz entre os países. Após anos de planejamento e consequentemente muitas discussões, enfim em 1945 é criada a Organização das Nações Unidas.

Nós, os povos das Nações Unidas, determinados a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que, por duas vezes em nossas vidas, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos de homens e mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes de direito internacional possam ser mantidos, e para promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma maior liberdade. E para esses fins, praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e para garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não deve ser usada, salvo em caso de interesse comum, a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social de todos os povos. (UNITED NATIONS, 1945, preamble, tradução nossa).3

2 Conflito militar e bélico de proporção global que aconteceu durante os anos de 1939 e 1945. 3 Texto original retirado do preâmbulo da Carta das Nações Unidas: ”We the peoples of the

United Nations determined to save succeeding generations from the scourge of war, which twice in our lifetime has brought untold sorrow to mankind, and to reaffirm faith in fundamental human rights, in the dignity and worth of the human person, in the equal rights of men and women and of nations large and small, and to establish conditions under which justice and respect for the obligations arising from treaties and other sources of international law can be maintained, and to promote social progress and better standards of life in larger freedom. And for these ends to practice tolerance and live together in peace with one another as good neighbors, and to unite our strength to maintain international peace and security, and to ensure, by the acceptance of principles and the institution of methods, that armed force shall not be used, save in the common interest, and to employ international machinery for the promotion of the economic and social advancement of all peoples.”

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com a finalidade de resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.

Em setembro de 2000, na Cúpula do Milênio das Nações Unidas (UN World

Summit), 189 líderes mundiais analisaram os principais problemas presentes no

mundo e aprovaram um pacto conhecido como a Declaração do Milênio, um comprometimento de parceria global para a redução da extrema pobreza e para a construção de um mundo mais seguro, próspero e igualitário. A Declaração foi elaborada a partir de oito principais objetivos que deverão ser alcançados até 2015, os “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, que no Brasil também são chamados de “Os 8 Jeitos de Mudar o Mundo”, os quais são: (1) Erradicar a extrema pobreza e a fome; (2) Universalizar a educação primária; (3) Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; (4) Reduzir a mortalidade infantil; (5) Melhorar a saúde materna; (6) Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças; (7) Garantir a sustentabilidade ambiental; (8) Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. (BRASIL, 2010).

Depois de diversos estudos e avaliações sobre as principais fraquezas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em 2005, cinco anos após a primeira Cúpula do Milênio, foi realizada a “Cúpula do Milênio +5”, com a meta de avaliar o andamento das iniciativas e corrigir eventuais lacunas existentes. Já em setembro de 2010, na “Cúpula do Milênio +10”, o mundo renovou o compromisso para acelerar o progresso em direção à realização desses objetivos.

Dentro de suas agências e programas, a ONU, conta com, entre outros, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que em seus esforços internacionais, trabalham direta e indiretamente para o alcance das Metas do Milênio que serão melhor elucidadas nesse trabalho. Cabe ressaltar que trata-se de um esforço comum das Nações Unidas, governo, empresas e sociedade civil para o alcance e cumprimento dos compromissos assumidos no combate à extrema pobreza e a fome e a universalização do ensino básico.

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No que tange ao atingimento dos dois primeiros ODM, sabendo que ainda temos tempo até o prazo final para o cumprimento destes, quais foram as principais mudanças e resultados alcançados em Santa Catarina no período de 2000 a 2012 e como o estado buscará enfrentar os desafios para cumprir suas metas até o ano de 2015?

1.2 OBJETIVOS

Com o propósito de interagir em sistemáticas que culminem em sucesso nos resultados, segue os objetivos deste trabalho.

1.2.1 Objetivo geral

Este trabalho tem como objetivo geral analisar as ações já realizadas e ainda identificar os desafios que Santa Catarina terá para que as metas propostas nos ODM1 e ODM2 sejam atingidas até 2015.

1.2.2 Objetivos específicos

Para o cumprimento do objetivo geral, seguem-se os objetivos específicos deste trabalho:

a) destacar conceitos de desenvolvimento;

b) descrever os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio;

c) compreender a importância do conhecimento do tema para a sociedade civil;

d) levantar dados que apresentem a realidade catarinense no contexto do cumprimento dos dois primeiros ODM no período de 2010 a 2012;

e) verificar quais são os principais desafios que Santa Catarina terá para o cumprimento das metas relacionadas aos dois primeiros ODM até 2015.

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Na realidade brasileira, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio ainda não fazem parte do cotidiano da população brasileira, muitos sequer sabem que eles existem. Já aqueles que sabem da existência, tampouco possuem interesse em aprofundar seu conhecimento acerca do assunto e desconhecem como proceder para que tais objetivos sejam alcançados. Porém, para as bilhões de pessoas que vivem na extrema pobreza, passam fome, não tem acesso às condições básicas de higiene, saúde e educação, essa realidade é completamente diferente, eles representam o significado de uma vida mais digna, saudável e produtiva. Para o sistema internacional, os ODM são a base na qual a política de desenvolvimento está baseada e, para todas as pessoas da Terra, eles são o tema central para a construção de um mundo mais seguro, pacífico e igualitário.

O Brasil vem avançando com as metas que dizem respeito à redução da fome e miséria, ao oferecimento de educação básica de qualidade para todos, a igualdade entre os sexos e a valorização da mulher, ao combate à AIDS, malária e outras doenças. No entanto os desafios continuam a ser importantes demais para falharem, e ficarem esquecidos, principalmente devido ao grande nível de disparidade e desigualdade da sociedade brasileira, entre suas regiões geográficas e nos próprios municípios de uma mesma região.

É importante mostrar às comunidades que esse, apesar de ser um compromisso global, deve ser assumido por todos. O envolvimento da sociedade civil, governo, empresas e organizações do terceiro setor fazem com que as informações sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio circulem de forma recorrente e qualificada, permitindo que todos se sintam parte da mudança que é desejada e responsáveis pelos avanços alcançados. Além de medir e celebrar os reais avanços que vem sendo conseguidos é importante que sejam identificados possíveis retrocessos e que ações sejam tomadas para a resolução dos problemas apontados e enfrentamento aos desafios que surgirem.

Para o bom cumprimento das metas e acompanhamento dos avanços que o Brasil e Santa Catarina vêm desenvolvendo deve-se, além do conhecimento específico sobre cada objetivo e meta, também conhecer melhor as formas de atuação das Nações Unidas nas diversas esferas de desenvolvimento humano e social. Os efeitos desse desenvolvimento afetam a sociedade em que vivemos, seja de forma

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direta ou indireta, e quem de alguma forma está sendo beneficiado por políticas públicas ou aqueles que trabalham em prol do alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Para a autora, trabalhar em prol da responsabilidade social é, não apenas agir a favor de uma causa mas, também, informar-se mais sobre o assunto, conhecê-lo com maior profundidade, disseminá-lo na comunidade acadêmica e sociedade de uma forma geral e gerar questionamentos de como esta deve contribuir para proporcionar melhores condições e qualidade de vida para todos.

Difundir a importância do cumprimento das metas torna a sociedade, além de mais justa, humana e igualitária, menos alienada aos assuntos relacionados ao tema que é de grande valia para o desenvolvimento humano de todas as camadas da população. A autora deseja contribuir com o levantamento de dados e informações relevantes ao conhecimento dos ODM para sociedade civil com o objetivo de uma maior mobilização desta em prol do alcance dos ODM, principalmente no seu estado de origem, Santa Catarina.

Profissionalmente, atuando como secretária administrativa do Movimento Nós Podemos Santa Catarina (MNPSC), a autora pretende aprofundar seus conhecimentos acerca do tema tratado neste artigo para que possa envolver-se mais nos assuntos relacionados aos desafios enfrentados pelo Movimento para o alcance dos ODM e assim auxiliar, com as funções que lhe cabe, um papel relevante junto à organização e seus membros.

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para Galliano (1986, p.6) “método é um conjunto de etapas, ordenadamente dispostas, a serem vencidas na investigação da verdade, no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim.” Já em relação a Ciência o autor (1986, p.16) considera ser “[...] o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade.”

“A pesquisa é a atividade nuclear da Ciência. Ela possibilita uma aproximação e um entendimento da realidade a investigar. A pesquisa é um processo permanentemente inacabado.” (FONSECA, 2002, p. 20).

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métodos descritivos e exploratórios, utilizando-se a pesquisa bibliográfico-documental e foram empregadas técnicas qualitativas, através de análise por meio estatístico.

“O Método Científico é um instrumento insubstituível empregado pela Ciência na sondagem da realidade.” (GALLIANO, 1986, p. 44).

Quadro 2 – Procedimentos metodológicos

Quanto à natureza Básica

Quanto aos objetivos Descritiva e exploratória Quanto à abordagem do problema Qualitativa

Quanto aos procedimentos Documental e bibliográfico.

Fonte: Elaboração do autor, 2014.

1.5 ESTRUTURA DA PESQUISA

Inicialmente apresenta-se os objetivos da pesquisa e a justificativa que fizeram a autora realizar a mesma. Em sequência trabalha-se a fundamentação teórica de trabalho de conclusão de curso com noções de desenvolvimento e conceitos sobre organizações internacionais.

Na sequência, são apresentados os capítulos de desenvolvimento, que trazem, além da Organização das Nações Unidas, suas agências e programas como: em 3.1 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): em 3.2 Programa Mundial de Alimentos; em 3.3 Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura; em 3.4 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Após esse aporte teórico, convencionou-se estruturar o trabalho de modo que ficassem explicados os seguintes assuntos: em 4. O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio; em 5. Santa Catarina e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para que servissem de base para a conclusão dos: em 6. Avanços; em 6.1 Avanços no Combate à Pobreza Extrema e a Fome; em 6.2 Avanços na Universalização da Educação Primária; em 7. Desafios; em seguida, em 7.1 A Importância dos Municípios e por último são realizadas as considerações

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Pretende-se com este trabalho buscar informações que sejam relevantes para o estudo e análise dos diferentes assuntos envolvidos no histórico, no decorrer e na conclusão dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e para isto foram identificados os seguintes temas e fontes relevantes a seguir.

2.1 NOÇÕES DE DESENVOLVIMENTO

Os conceitos mais modernos sobre desenvolvimento foram elaborados, no início do século XX, no período subsequente à Segunda Guerra Mundial. De acordo com Abreu (2008, p.20) foi “no período pós segunda guerra Mundial, [que] o tema do desenvolvimento ganhou grande destaque na agenda internacional, bem como na academia, em especial entre os economistas.” Naquele momento, a promoção da reconstrução das áreas que haviam sido devastadas pela guerra era a prioridade.

A ideia de desenvolvimento ocupou, por décadas, lugar importante na agenda internacional e doméstica dos Estados. Ela sustentou modelos de políticas públicas e de industrialização, bem como canalizou investimentos para os países tidos como subdesenvolvidos e, de alguma maneiram transformou, hipoteticamente, sociedades tradicionais em sociedades modernas. (SANTOS FILHO, 2005, p. 13).

Nesse contexto do novo ordenamento mundial pós-guerra, em meio ao conflito bipolar da Guerra Fria, “permite-se [...] identificar [que] os agentes necessários às transformações [desejadas pela comunidade internacional são] as organizações internacionais recém-criadas, os Estados nacionais e as elites modernizadoras.” (SANTOS FILHO, 2005, p. 35).

São esses agentes que permitirão a difusão da inovação e a construção das estruturas internas necessárias para o desenvolvimento, ao progresso e à modernização. Por meio de suas agências especializadas e de cooperação funcional, as Nações Unidas irão canalizar investimentos destinados a suprir deficiências econômicas desses Estados, fomentando o seu desenvolvimento e a sua modernização. (SANTOS FILHO, 2005, p.35).

Na agenda do desenvolvimento do novo século, segundo Campos, 2005, p. 8-9,

As contribuições teóricas vêm no sentido de redefinir o que é o desenvolvimento e de tratar o tema em uma perspectiva multidisciplinar, de forma a incluir a diversidade da realidade econômica e social dos países integrados por fatores econômicos, sociais e políticos.

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Observamos, portanto, que “o desenvolvimento não é [mais] medido mais pelas taxas de crescimento do produto, mas pelo número de crianças matriculadas nas escolas e pelo número de leitos hospitalares, a exemplo dos Objetivos do Milênio.” (CAMPOS, 2005, p. 9)

Como bem sintetiza Santos Filho (2005, p. 33) a respeito do debate sobre o desenvolvimento:

[...] apesar de suas inúmeras interpretações e de quais seriam os meios eficazes para promovê-lo, partilharão um núcleo comum derivado da transição de uma sociedade tradicional – identificada equivocadamente como subdesenvolvida e situada em um estágio anterior às modernas – para uma sociedade moderna no modelo ocidental. [...] A questão central era que, acatando a ideia de desenvolvimento nos termos em que ela foi proposta, aceitar-se-ia, necessariamente, determinada concepção de mudança social orientada pelos pressupostos evolutivos e organicistas.

O desenvolvimento pode ser entendido, segundo Furtado (2000, apud SANTOS FILHO, 2005, p. 33), com base em dois significados distintos:

No primeiro deles, refere-se “à evolução de um sistema social de produção à medida que estes, mediante a acumulação e o progresso das técnicas, torna-se mais eficaz, ou torna-seja, eleva a produtividade do conjunto de sua força de trabalho”. Em sua segunda acepção, o desenvolvimento se refere ao nível no qual o progresso alcançado atende à satisfação das necessidades humanas.

A globalização e as conexões geradas pelas novas tecnologias estão afetando a população de uma forma inimaginável há anos atrás. As áreas de finanças, alimentação, saúde e crises energéticas tem mostrado que tem-se cada vez menos fronteiras e barreiras entre os países. Observamos esse fator principalmente nas mudanças climáticas e outras ameaças ecológicas que trazem o desenvolvimento sustentável não mais como uma alternativa mas como uma necessidade e depende de três pilares: desenvolvimento social, crescimento econômico e proteção ambiental. (UNITED NATIONS, foreword, 2011, tradução nossa).4

Portanto, pode-se inferir que, num contexto atual, desenvolvimento é sinônimo de qualidade de vida da população atrelada ao crescimento econômico e com sustentabilidade de recursos para garantir e manter estes fatores.

4 Texto original retirado do prefácio do livro ‘Basic facts about the United Nations’: Advances in

technology are connecting and affecting us all in ways we could not have imagined even a decade ago; financial, food, health and energy crises have shown no respect for national borders; and climate change and other ecological threats have highlighted that sustainable development depends equally on three component pillars: social development, economic growth and environmental protection.

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2.2 ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

Por se tratar de um assunto que ganhou destaque no cenário internacional durante o final do século XIX e criou forças em meados do século XX – mesmo que as organizações internacionais tenham tido relevância na política internacional no século anterior – convencionou-se trabalhar com dados referentes aos anos que se seguiram às grandes guerras, embora haja diversas bibliografias que tratam do histórico das relações internacionais, que apresentam algumas das formas mais antigas destas relações, principalmente no âmbito comercial (que não se fazem relevantes para a compreensão deste estudo).

Com o aumento das relações internacionais e a crescente necessidade de cooperação entre os Estados, surgem novos atores no cenário internacional. De acordo com Herz e Hoffmann (2004, p. 31;37), o favorecimento do enorme crescimento no número de organizações internacionais (governamentais e não-governamentais) na segunda metade do século XX deu-se após o período das grandes guerras, através do desenvolvimento econômico, das inovações tecnológicas e do próprio crescimento do número de Estados no sistema internacional. “A maior parte das organizações internacionais com as quais convivemos hoje foi criada [nesse período] [...]”.

Como bem reforça Araujo (2002, p. 4) pode-se concluir que “foi justamente o entrelaçamento de relações entre os Estados, seja por força de intercâmbio comercial, ou motivos outros de natureza diplomática, que tornou possível a criação desses organismos [internacionais de interesse comum]”.

Os Estados, para Seitenfus (2008, p. 31) ao manterem suas prerrogativas tradicionais de exercício do poder:

Concordaram em criar mecanismos multilaterais dotados de instrumentos capazes de atuar nos mais diversos campos, inclusive de forma preventiva, como, por exemplo, quando se trata da manutenção da paz e da segurança internacionais. Todavia, as funções das organizações internacionais são percebidas de forma diferenciada pelos Estados-Membros.

Um evento de fundamental importância para o entendimento das organizações internacionais e posteriormente à criação da Organização das Nações Unidas, segundo Herz e Hoffmann (2004, p. 35) foi:

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A criação da Liga das Nações, ao final da Primeira Guerra, [...], muito embora a organização tenha entrado para a história como um ícone de insucesso, tendo sua vida útil terminada com a violência que se espalhou pela Europa nos anos 30. Tratava-se da primeira organização internacional universal voltada para a ordenação das relações internacionais a partir de um conjunto de princípios, procedimentos e regras, claramente definidos.

Para Herz e Hoffmann (2004, p.9) “As organizações internacionais são hoje parte central da política internacional e da vida social em diferentes partes do mundo. A prática profissional, a compreensão do mundo que nos cerca e o exercício da cidadania exigem atenção ao tema.”

Muitas das normas com as quais convivemos, tais como aquelas referentes à administração do déficit público, à proteção das crianças ou aos procedimentos diante de epidemias, são debatidas e geradas nas organizações internacionais. Algumas das questões políticas, econômicas, sociais e culturais que mais nos afetam só podem ser compreendidas inteiramente se levarmos em conta o papel e o funcionamento das organizações internacionais. (HERZ; HOFFMANN, 2004, p.9).

As Organizações Internacionais (OI) são as principais responsáveis por colocar em ação os tratados internacionais concluídos pelos Estados. Segundo Seitenfus (2008, p. 26-33) “estas seriam uma associação voluntária entre Estados, constituída através de um tratado que prevê um aparelhamento institucional permanente.” Sendo também, dotadas de personalidade jurídica distinta dos Estados que as compõem, objetivando a busca de interesses comuns, através da cooperação entre seus membros.

O tratado constitutivo de uma organização internacional objetiva estabelecer os direitos e obrigações dos Estados-Membros com as organizações internacionais e, muitas vezes, entre os Estados-Membros. Portanto, a criação e o funcionamento de uma organização internacional depende do tratado constitutivo, como dele também depende o respeito aos direitos e deveres dos Estados-Membros em suas relações reciprocas. Por esta razão, os Estados mais débeis ingressam nas organizações internacionais em busca de legitimação e segurança. (SEITENFUS, 2008, p. 33).

O surgimento das OI, de acordo com Herz e Hoffmann (2004, p. 20) ocorre através de:

Regimes internacionais [que] produzem organizações internacionais, ou seja, elas emergem como resultado da existência de normas e expectativas comuns. Alguns regimes produzem um conjunto de organizações, como é o caso do regime de proteção aos direitos humanos; outros são administrados a partir de um conjunto de organizações mais abrangentes.

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Para que haja de fato uma cooperação internacional de forma institucionalizada, utiliza-se a esfera de organismos internacionais, tais como as organizações internacionais governamentais (OIG), formadas por Estados, como as organizações internacionais não-governamentais (OING). De acordo com Herz e Hoffmann (2004, p. 18) “A rede de organizações internacionais faz parte de um conjunto maior de instituições que garantem certa medida de governança global.”

Normas, regras, leis, procedimentos para a resolução de disputas, ajuda humanitária, a utilização de força militar, programas de assistência ao desenvolvimento, mecanismos para coletar informações são algumas das práticas que produzem a governança global. (HERZ; HOFFMANN, 2004, p.18).

Observando as recentes mudanças na política mundial, percebe-se que houve drásticas mudanças no ambiente no qual as organizações internacionais atuam. “A crescente consciência aos problemas sociais, ambientais e de saúde pública, de natureza global, o desenvolvimento tecnológico, o acesso à internet e a própria proliferação de organizações internacionais compõem esse quadro, tornando portanto, as organizações internacionais, um tema em constante mutação e que tem gerado um debate cada vez mais intenso entre os especialistas na área de relações internacionais. (HERZ; HOFFMANN, 2004, p.39).

Neste âmbito das OI “está em curso um processo social complexo em que normas são criadas. Conhecimento é formado, e tarefas que cabem à comunidade internacional são definidas, tais como gerar desenvolvimento”, sendo funções fundamentais das organizações internacionais a prestação de serviços de manutenção da paz e desenvolvimento social e econômico. (HERZ; HOFFMANN, 2004, p.23).

Ultrapassando os limites do político, Seitenfus (2008, p.26) analisa que:

As OI demonstram que os interesses nacionais dos Estados-Membros podem vir a combinar-se muito melhor na vida prática a partir do momento em que são encontrados elementos de interesse complementar, e que se manifestam atitudes de solidariedade entre eles. A multiplicação de entidades internacionais de natureza técnica e especializada que gravitam em volta das Nações Unidas representam claro exemplo desta tendência.

Para que se possa melhor compreender o papel das organizações internacionais no contexto da nova ordem mundial, dar-se-á prosseguimento ao estudo da mais importante OI em atuação, a Organização das Nações Unidas.

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3 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

Não há como começar a dissertar sobre a Organização das Nações Unidas sem que seja feita uma breve introdução sobre o contexto na qual ela foi criada. Mais de um século atrás, em 1899, foi realizada em Haia, a primeira Conferência Internacional da Paz para a elaboração de instrumentos multilaterais para a resolução pacífica de conflitos e prevenção de guerras. A Conferência adotou a Convenção para a Solução Pacífica de Conflitos Internacionais e estabeleceu a Corte Permanente de Arbitragem, que iniciou seus trabalhos em 1902. Posteriormente, em 1919, foi concebida durante a Primeira Guerra Mundial, através do Tratado de Versalhes, a Liga das Nações, com o objetivo de promover a cooperação internacional e alcançar a paz e a segurança. Embora a Liga das Nações não tenha conseguido alcançar seus objetivos e evitar a Segunda Guerra Mundial, cessando suas atividades em função deste conflito, os diálogos sobre a necessidade de resolução pacífica de conflitos só aumentavam. Dando prosseguimento ao assunto, após algumas deliberações, em 1945, delegados de 50 países se reuniram na cidade de São Francisco (Estados Unidos) na Conferência das Nações Unidas sobre Organizações Internacionais. Lá, com um forte compromisso de acabar com o flagelo da guerra, foi elaborada e aprovada a Carta das Nações Unidas, assinada por cinquenta e um Estados5 em junho de 1945 pelos então Estados-Membros da ONU. Além da forte presença do Novo Mundo (vinte e dois Estados) a Conferência de São Francisco6 contou com representantes europeus, alguns asiáticos e poucos africanos, pois somente África do Sul, Egito, Etiópia e Libéria eram países independentes àquela época. Aclamada por unanimidade e saudada como o advento de um novo tempo para as relações internacionais, a Carta de São Francisco, criando a Organização das Nações Unidas, foi assinada de forma solene, com a presença do Presidente Harry Truman7, em 26 de junho de 1945. (UNITED NATIONS, 2011, p. 3, tradução nossa).

5 Foram eles: África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bélgica, Bielorrússia, Bolívia,

Brasil, Canadá, Tchecoslováquia, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dinamarca, Egito, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Etiópia, Filipinas, França, Grécia, Guatemala, Haiti, Holanda, Honduras, Índia, Irã, Iraque, Iugoslávia, Líbano, Libéria, Luxemburgo, México, Nicarágua, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, República Dominicana, Reino Unido, Síria, Turquia, Ucrânia, URSS, Uruguai e Venezuela.

6 A Conferência de São Francisco teve seu início no dia 25 de abril de 1945 e encerrou seus

trabalhos no dia 25 de junho do mesmo ano.

(23)

“Sucessora legal e lógica da Liga das Nações, a ONU representa o ápice do processo de institucionalização dos mecanismos de estabilização do sistema internacional, iniciado no século XIX.” (HERZ; HOFFMANN, 2004, p.37)

De acordo com Herz e Hoffmann (2004, p.38):

O novo ativismo da ONU e de suas agências foi uma característica marcante do período pós-Guerra Fria. O processo decisório no Conselho de Segurança foi descongelado, e a organização foi chamada a exercer um papel central na administração da segurança internacional. Observa-se também um ressurgimento das atividades das agências funcionais com a criação de novas agências e maior ênfase em temas como meio ambiente, assistência humanitária, combate às atividades criminais e epidemias, além da proteção aos direitos humanos.

Para Abreu e Florêncio (2008, p. 111), a Organização das Nações Unidas:

Com pouco mais de 60 anos de existência [...] [ainda exibe] uma importante trajetória na promoção do desenvolvimento. De certa forma, nascem juntos a ONU e o conceito de desenvolvimento, ambos criações do imediato pós-guerra. O mundo se encontrava então diante de três desafios: a reconstrução europeia; a construção dos países socialistas diante da Guerra Fria; e a superação do subdesenvolvimento nos países do Sul.

Foram quatro os objetivos principais perseguidos pela Carta das Nações Unidas. Sua redação enfatizou, em primeiro lugar, que a ONU lutará para “manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim, tomar coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz”. A Carta diz ainda que as Nações Unidas deverão lutar para “conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua e religião”. (FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO, 2009, p.2)

Duas questões centrais que, de acordo com Nina (2008, p. 113), norteavam os debates na ONU sobre o conceito de desenvolvimento, continuarão presentes por muitas décadas: a participação do Estado e do mercado no processo de desenvolvimento; e o papel dos fatores externos e internos na promoção do desenvolvimento.

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internacionais estabelece ações na esfera global e padroniza o entendimento sobre os objetivos e as políticas para o desenvolvimento, contribuindo de forma assertiva para a ampliação do conceito de desenvolvimento, ao incorporar as esferas ambiental e de direitos humanos. (CAMPOS, 2005, p.9)

Um dos fatos mais notáveis quando se estuda o papel da ONU no desenvolvimento é a capacidade da nova instituição de arregimentar um grupo de economistas de extraordinário talento e de mobilizá-los para trabalhos de análise econômica que resultaram em documentos criativos e pioneiros sobre comércio internacional, pobreza e desenvolvimento econômico. Os exemplos desse papel inovador da ONU foram tão abundantes, que os responsáveis pela elaboração de uma história intelectual das Nações Unidas foram levados a repensar as categorias de Max Weber na análise do fenômeno da burocracia. Assim, Louis Emerrij e Richard Jolly procuram indicar que, em alguns casos, as instituições podem gerar uma tensão entre autoridade e poder cujo resultado tende a ser a aceitação de uma convivência ampla com a criatividade, certamente um traço pouco usual das burocracias. (NINA, 2008, p. 113).

A convivência entre os Estados, segundo Amorim (2008, p. 9):

Será tão mais harmoniosa quanto maior for o respeito às normas acordadas multilateralmente. É somente por meio da negociação e do diálogo que podemos avançar na solução dos conflitos. Também é por meio deles que devemos tratar as questões de interesse global, como o desenvolvimento e o meio ambiente. Não há instituição internacional melhor aparelhada para executar essas tarefas do que a ONU, o foro universal por excelência.”

Dando continuidade aos estudos sobre a Organização das Nações Unidas, será dada ênfase nos quatro principais organismos que trabalham em prol dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio destacados nesse trabalho. Na sequência será evidenciado o PNUD, que é o programa diretamente responsável pela regulamentação e acompanhamento dos ODM a nível internacional.

3.1 PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD)

Conforme afirma Seitenfus, (2008, p. 162):

Vinte anos após a sua criação, as Nações Unidas sofreram adaptações institucionais para enfrentar o desafio do subdesenvolvimento da maioria dos Estados Membros. Para tanto, criaram-se duas estruturas: a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento8 é a agência líder da rede global de desenvolvimento da ONU e trabalha ajudando países a alcançar suas metas de desenvolvimento, principalmente no que se refere ao combate à pobreza, a promoção de uma governança democrática e na prevenção de crises, protegendo o meio ambiente e combatendo as mudanças climáticas em prol do desenvolvimento humano. O PNUD está presente em 166 países do mundo, colaborando com governos, a iniciativa privada e com a sociedade civil para ajudar as pessoas a construírem uma vida mais digna. Em todas as suas atividades, o PNUD encoraja a proteção dos direitos humanos e a igualdade de gênero e raça. Desde 2000, o programa fomenta também o comprometimento e a discussão em prol do alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Além disso, essa rede visa garantir que os países em desenvolvimento tenham acesso aos recursos e conhecimentos necessários para o alcance das metas dos ODM. (UNITED NATIONS, 2011, p. 32, tradução nossa).

De acordo com Seitenfus (2008, p. 164) com o objetivo de unificar as operações de ajuda ao desenvolvimento:

O PNUD propõe-se a racionalizar os programas multilaterais de pré-investimento. Trata-se de um programa de assistência técnica que objetiva oferecer condições para que os verdadeiros investimentos para o desenvolvimento sejam realizados. [...] O PNUD não executa seus programas de assistência técnica. Ele simplesmente financia, coordena e avalia os projetos que são executados por terceiros. Portanto, o PNUD aplica a chamada doutrina da institucionalização programática e da terceirização.

De acordo com o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (2013), ele:

[...] executa diversos projetos em diferentes áreas. Neles, o Programa oferece aos parceiros apoio técnico, operacional e gerencial, por meio de acesso a metodologias, conhecimentos, consultoria especializada e ampla rede de cooperação técnica internacional. Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento humano, o combate à pobreza e o crescimento do país nas áreas prioritárias, o PNUD Brasil tem a constante missão de buscar alinhar seus serviços às necessidades de um país dinâmico, multifacetado e diversificado. Os projetos são realizados em parceria com o Governo Brasileiro, instituições financeiras internacionais, setor privado e sociedade civil.

Com relação a atuação no Brasil, o mesmo ressalta que:

8 “Criado através da resolução 2029 da XX Assembleia Geral da ONU, em 22 de novembro de

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Presente no Brasil desde a década de 60, a atuação do PNUD no país tem tido como temas centrais o desenvolvimento de capacidades, ciência e tecnologia, a modernização do Estado e o fortalecimento de suas instituições, o combate à pobreza e à exclusão social, a conservação ambiental e uso sustentável de recursos naturais. Através do desenvolvimento e implementação de projetos de cooperação técnica em parcerias com instituições nacionais, o PNUD Brasil visa apoiar: implementação de políticas para fortalecer setores críticos para o desenvolvimento humano; promoção dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio; desenvolvimento de capacidades institucionais nos governos federal, estaduais e municipais; e fortalecimento do papel da sociedade civil e do setor privado na busca do desenvolvimento humano e sustentável. Neste sentido, estas parcerias têm se desenvolvido em diversas áreas temáticas, como políticas sociais, governança democrática, segurança pública, e meio ambiente buscando responder aos desafios específicos do Brasil e às demandas do país dentro de uma visão integrada de desenvolvimento.

Através da atuação de Jorge Chediek, coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e representante-residente do PNUD no Brasil, o Programa vem, no campo de políticas sociais, trabalhando com as áreas de saúde, educação, esportes, cultura, turismo e desenvolvimento social, incluindo temáticas e ações como: desenvolvimento de capacidades; aplicação e desenvolvimento de metodologias; sistemas de informação, de monitoramento e avaliação; formação e treinamento; desenvolvimento curricular; inovações pedagógicas e metodológicas; revisões de normas e regulamentos; construção de mecanismos de controle social e metodologias de construção de consenso; tecnologia e informação em saúde; epidemiologia; vigilância sanitária; políticas preventivas; humanização da gestão da saúde; saúde suplementar; combate ao HIV/AIDS; estudos e pesquisas; transferências de renda; desenvolvimento humano local; justiça econômica e mercados inclusivos. (NAÇÕES UNIDAS, 2011)

Devido à grande importância da implementação das políticas públicas para atingir as necessidades brasileiras, viu-se como estratégico para o país a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para garantir melhores condições de vida à população e gerar esforços para o alcance das metas propostas. A seguir, buscou-se trazer os elementos principais que norteiam os oito ODM.

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A Cúpula do Milênio, realizada pela Organização das Nações Unidas em 2002, teve como objetivo buscar reverter os problemas que emergiram durante algumas conferências internacionais anteriores. Desse encontro, nasceu a Declaração do Milênio, que estabeleceu os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, observados na Figura 1, baseada em um plano e calendário viáveis para atender às necessidades humanas, tendo como finalidade reduzir as desigualdades sociais e melhorar a qualidade de vida das pessoas, deixando estipulado o prazo final até 2015 para que os países cumprissem as Metas do Milênio. A proposta foi endossada por líderes de todas as nações filiadas à ONU por meio deste grande pacto civilizatório. (BRASIL, 2013, p. 6)

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram definidos para tentar dar uma resposta aos grandes problemas mundiais que foram objeto de discussão durante as conferências internacionais ocorridas nos anos 90. Nesses encontros foram debatidos temas como população, meio ambiente, gênero, direitos humanos, desenvolvimento social e outros, que vieram à tona como forma de protesto ao modelo de desenvolvimento econômico e social vigente, [...] [contemplando] questões básicas de cidadania e de dignidade humana. São [estes] objetivos de desenvolvimento humano que nos dão a chance de construir um mundo melhor e mais justo para todos e todas.

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Fonte: PORTAL ODM. Material de divulgação: 8 jeitos de mudar o mundo. 2014e. Disponível em: <http://www.portalodm.com.br/imagem/1/8-jeitos-de-mudar-o-mundo>.

De acordo com a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e Secretaria Geral da Presidência da República:

As metas dos ODM não foram criadas para ser um modelo único. Elas devem se adequar ao contexto de cada país ou região, tendo em vista o comprometimento com a aceleração do desenvolvimento humano. Cada país realizou pequenos ajustes nos ODM, aprimorando-os, principalmente em relação às metas e indicadores, procurando adequá-los a suas próprias necessidades e circunstâncias. A adaptação dessas metas ao contexto nacional e a criação de novas metas geraram a necessidade de também se desenvolver novos indicadores para medi-las. O processo de ajuste das metas e dos indicadores foi longo e contou com a participação de diversos ministérios e órgãos do Governo Federal, além de programas e organismos das Nações Unidas. (BRASIL, 2013, p. 8-9)

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Ao propor uma agenda que conglomera as dimensões econômica, social e ambiental, os ODM representam um grande avanço em relação a outros planos de desenvolvimento mundial porque incentivam a participação conjunta de cidadãos, governos e sociedade para avançar rumo ao desenvolvimento humano. (BRASIL, 2013, p. 9).

Ban Ki-Moon, Secretário-Geral da ONU, enfatiza no prefácio do Relatório de acompanhamento dos ODM que:

As ações decorrentes da busca pelos ODMs já ajudou a retirar milhões de pessoas da pobreza, salvou vidas, assegurou que crianças fora das escolas pudessem ter acesso à educação. Mais ainda, diz Ban Ki-Moon, que este esforço contribuiu para reduzir a mortalidade materna, expandir oportunidades para as mulheres, aumentar acesso a água potável e livrar muitas pessoas de doenças mortais e incapacitantes. Entretanto, ele também nos alerta de que há ainda muito por se fazer no empoderamento de mulheres e meninas, ma promoção do desenvolvimento sustentável e na proteção aos mais vulneráveis nos efeitos devastadores das múltiplas crises, sejam elas guerras, desastres climáticos, e volatilidade nos preços de comida e energia. (AKERMAN, 2011)

Como chama atenção Comin et al. apud Diniz e Diniz (2009), existem dois níveis do desenvolvimento humano para se levar em conta [...]. Um relaciona-se com a formação das capacitações humanas, estando relacionados aos níveis de saúde e educação, por exemplo e o outro vinculado a como essas capacitações são utilizadas.

De acordo com Movimento Nacional Pela Cidadania e Solidariedade e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2013, p. 10):

Os ODM contemplam a participação social desde o início. A própria Declaração do milênio destaca a democracia participativa social como o ambiente ideal para o cumprimento das metas. Diz a Declaração: “Os homens e as mulheres tem o direito de viver a sua vida e de criar os seus filhos com dignidade, sem fome e sem medo da violência, da opressão e da injustiça. A melhor forma de garantir esses direitos é através de governos de democracia participativa baseados na vontade popular”.

Os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), detalhado em metas e indicadores, constituem o compromisso dos 191 países presentes à Assembleia Geral da ONU de 2000, incluindo o Brasil, de trabalharem para um mundo pacífico, justo e sustentável.

Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apud Movimento Nós Podemos Santa Catarina (2011b, p. 14), revelam que:

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Quando se consegue atingir as metas de determinado ODM, se estará, simultaneamente, influenciando outros ODM. A mortalidade infantil, por exemplo, está diretamente associada à incidência de doenças infectocontagiosas, bem como à oferta precária de serviços públicos básicos como água e saneamento [...].

Na sequência serão apresentados, de forma mais descritiva, os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, suas metas e indicadores.

3.1.1.1 Objetivo 1: Erradicar a extrema pobreza e a fome

Este objetivo propõe a erradicação da extrema pobreza e da fome. Para tal, os desafios são: reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população que vive com renda abaixo da linha da pobreza e a proporção da população que sofre com a fome. Trabalhar nessas metas exige programas de geração de renda, redução da elevada desigualdade entre ricos e pobres e direito à alimentação saudável para todos. (PORTAL ODM, 2014a).

De acordo com Robeyns (2005, apud DINIZ; DINIZ, 2009):

A pobreza extrema se caracterizaria como uma forma de privação da liberdade econômica, com consequências a outras formas de liberdade, tais como: liberdade política e liberdade social. Não obstante, a perspectiva da capacitação serve não como uma teoria para explicar a pobreza, mas uma ferramenta a partir da qual poderia se conceituar e avaliar esse fenômeno.

Ainda, de acordo com Diniz e Diniz (2009):

Não é plenamente consensual na literatura econômica a definição de pobreza. A conotação mais usual a "entende" como um estado de carência, a partir de um critério definido, em geral, de caráter objetivo. Segundo Hagenaars e de Vos (1988), em seu estudo voltado a apresentar as diferentes definições existentes, é possível considerar três grandes grupos de definições: A. Pobreza é ter menos do que é objetivamente definido, mínimo absoluto; B. Pobreza é ter menos do que os outros na sociedade; e, C. Pobreza é o sentimento de não se ter o bastante para sobreviver. Assim, no primeiro caso a pobreza assume um sentido absoluto; no segundo caso, um caráter relativo e no terceiro caso, ambos.

“A equivalência do subdesenvolvimento à pobreza e a atribuição de suas causas ao ‘atraso técnico na produção’ e à ‘escassez de capital’ vão possibilitar a identificação de atributos endógenos ao sistema social e a articulação das soluções

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em termos dos elementos primários da sociedade a ser alterados para se conseguir a prosperidade.” (SANTOS FILHO, 2005, p. 30)

3.1.1.2 Objetivo 2: Universalizar a educação primária

Este objetivo visa garantir que, até 2015, todas as crianças, de ambos os sexos, de todas as regiões, independentemente da cor, raça e sexo, concluam o ensino fundamental, que é equivalente ao ensino básico. Aqui, o esforço é pela melhoria da qualidade do ensino e pela ampliação do número de anos de estudo. (PORTAL ODM, 2014c).

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (2011, p.2):

No Brasil, para que haja essa garantia de que todas as crianças, de ambos os sexos, de todas as regiões do País, independentemente da cor, raça e sexo, terminem o ensino fundamental, o grande esforço é pela melhoria da qualidade do ensino e pela ampliação do número de anos de estudo.

3.1.1.3 Objetivo 3: Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

Este objetivo tem como meta, até 2015, promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, eliminando as disparidades em todos os níveis de ensino. Aqui, trata-se também de combater o preconceito, ampliar as chances das mulheres no mercado de trabalho, com melhores empregos, salário igual ao dos homens para iguais funções e maior participação feminina na política. Eliminar a disparidade entre os sexos no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis de ensino, até 2015. “Impulsionar os direitos das mulheres e das crianças permite o avanço da humanidade.” (PORTAL ODM, 2014d).

3.1.1.4 Objetivo 4: Reduzir a mortalidade na infância

Este objetivo busca, até 2015, reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015 a mortalidade de crianças menores de cinco anos de idade. O caminho para reduzir esse número dependerá de muitos e variados meios, recursos, políticas e programas, dirigidos às crianças, às famílias e às comunidades. (PORTAL ODM, 2014h).

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Este objetivo visa, até 2015, reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna. Ele só será alcançado com a promoção integral da saúde das mulheres em idade reprodutiva. A presença de pessoal qualificado na hora do parto será o reflexo do desenvolvimento de sistemas integrados de saúde pública. (PORTAL ODM, 2014f).

3.1.1.6 Objetivo 6: Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças

Este objetivo tem como meta, até 2015, ter detido e começado a reverter a propagação do HIV/AIDS, malária e outras doenças, detendo sua propagação e começando a inverter a tendência atual. Para tal, dependerá fundamentalmente do acesso da população à informação e aos meios de prevenção e de tratamento, sem descuidar da criação de condições ambientais e nutritivas que estanquem os ciclos de reprodução dessas doenças. (PORTAL ODM, 2014b).

3.1.1.7 Objetivo 7: Garantir a sustentabilidade ambiental

Para que este objetivo tenha sucesso é necessário garantir a sustentabilidade ambiental, tendo importantes desafios a serem superados até 2015, são eles: a integração dos princípios da sustentabilidade às políticas nacionais; o acesso permanente e sustentável à água potável segura e esgotamento sanitário; reverter a perda de recursos ambientais; e a melhoria dos assentamentos precários. Estima-se que até 2020, tenha-se alcançado uma melhora significativa na vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de bairros degradados. (PORTAL ODM, 2014g).

3.1.1.8 Objetivo 8: Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

Dentre todos este é o mais abrangente dos objetivos. Para estabelecer uma parceria para o desenvolvimento este objetivo precisa da colaboração direta de toda a população. Tem como metas a cooperação com os países em desenvolvimento; formular e executar estratégias que permitam trabalho digno e produtivo aos jovens; e em cooperação com o setor privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, especialmente nos setores de informação e comunicação. Além disso,

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avançar no desenvolvimento de um sistema comercial e financeiro aberto, baseado em regras, previsível e não discriminatórias; atender às necessidades especiais dos países sem acesso ao mar e dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento; tratar globalmente o problema da dívida dos países em desenvolvimento, mediante medidas nacionais e internacionais de modo a tornar a sua dívida sustentável em longo prazo; e em cooperação com as empresas farmacêuticas, proporcionar o acesso a medicamentos essenciais a preços acessíveis, nos países em vias de desenvolvimento. (PORTAL ODM, 2014j).

Pelas metas da ONU, para se alcançar esse objetivo, é necessário: formular e executar estratégias, em cooperação com os países desenvolvidos, que permitam que os jovens obtenham um trabalho digno e produtivo; proporcionar acesso a medicamentos essenciais a preços acessíveis em países em vias de desenvolvimento, em cooperação com as empresas farmacêutica; e, em cooperação com o setor privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, em especial das tecnologias de informação e de comunicações. O crescimento econômico sustentado, a redução da vulnerabilidade externa, a estabilidade política e o aprimoramento das políticas sociais têm permitido ao País uma atuação mais proativa no cenário internacional, com base no compartilhamento de conhecimentos e de experiências bem sucedidas de desenvolvimento. Coerente com os esforços empreendidos no âmbito dos programas nacionais de combate à pobreza e à exclusão social, o Brasil tem instado a comunidade internacional a assumir a responsabilidade pela segurança alimentar global. No plano interno, a busca é para dar maior capacidade às administrações públicas para desenvolver e implementar políticas públicas para um aumento da inclusão social. Em uma federação complexa como a brasileira isto envolve esforços para tornar a gestão municipal, eficiente e eficaz, capaz de acelerar a execução dos investimentos públicos; de manter as políticas sociais; de realizar ações de diversificação da economia local; bem como de melhorar o ambiente de negócios e a qualidade do gasto público. (BRASIL, 2013, p.88)

O ex-Secretário Geral da ONU, Kofi Annan (2005, apud MARTENS, 2005 p.4) ressalta:

A necessidade de estabelecer uma parceria global entre os países ricos e pobres, um passo que já havia sido combinado na Conferência de Monterrey, sobre o Financiamento do Desenvolvimento, e na Cúpula de Johanesburgo, sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2002. Tais medidas orientam que os países em desenvolvimento devem: assumir a principal responsabilidade por seu próprio desenvolvimento, combater a corrupção e tomar as decisões políticas necessárias para promover o crescimento e aumentar os recursos internos.

Nos próximos três capítulos será exposto o papel dos programas relacionados aos ODM 1 e 2, que são responsáveis, mesmo que indiretamente, por auxiliar no alcance destes Objetivos.

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O Programa Mundial de Alimentos (PMA) é a maior organização humanitária do mundo e a agência de linha de frente da ONU na luta contra a fome global. Desde a sua fundação em 1963, o programa alimentou mais de 1,6 bilhão de pessoas mais pobres do mundo, e investiu mais de 41,8 bilhões dólares no desenvolvimento e na ajuda de emergência. Ao longo dos anos, o programa atingiu centenas de milhões de pessoas em mais de 80 países, utilizando-se da assistência alimentar para atender às necessidades de emergência e de apoio ao desenvolvimento econômico e social de diversos países providenciando alimentos e outras ajudas para onde são mais necessários. (UNITED NATIONS, 2011, p. 37, tradução nossa).

3.3 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA

De acordo com Seitenfus (2008, p. 211)

A exemplo do que ocorreu quando do nascimento de outros organismos internacionais, foi precisamente no final da Segunda Guerra Mundial que permitiu a reunião de uma conferência especifica onde se criaram as condições para o surgimento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A uma primeira conferência realizada na Virginia (EUA), em 1943, seguiu-se a Conferência de Quebec, em 1945, onde foi aprovado o estatuto da nova organização. Em 1951, a FAO foi instalada em Roma.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO) é a principal agência para a agricultura, silvicultura, pesca e desenvolvimento rural no sistema das Nações Unidas. O dia internacional da alimentação, é celebrado anualmente em 16 de outubro, marcando nesta data a fundação da FAO em 1945. A organização trabalha para erradicar a pobreza e a fome, promovendo o desenvolvimento agrícola, a melhoria da nutrição e a busca da segurança alimentar. Essa segurança existe quando todas as pessoas, a qualquer momento e de forma suficiente, têm acesso físico e econômico a alimentos seguros e nutritivos para satisfazer as suas necessidades e preferências alimentares para uma vida ativa e saudável. (UNITED NATIONS, 2011, p. 42, tradução nossa).

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Presente em mais de 130 países, a FAO oferece assistência ao desenvolvimento; fornece conselhos aos governos nas áreas de política e planejamento; recolhe, analisa e divulga informações; e atua como um fórum internacional para o debate sobre as questões alimentares e agrícolas. Além disso, possui programas especiais para ajudar os países a se prepararem para eventuais crises alimentares e também presta ajuda humanitária. (UNITED NATIONS, 2011, p. 42, tradução nossa).

São objetivos da FAO: a) Fomentar as pesquisas científicas na área agrícola; b) Contribuir para a melhoria das técnicas de produção, comercialização e distribuição de produtos alimentícios de origem agrícola; c) Melhorar a conservação dos recursos naturais; d) Divulgar conhecimentos; e) Sob demanda, conceder assistência técnica aos Estados; f) Propiciar a adoção de uma política internacional em benefício dos principais produtos agrícolas. (SEITENFUS, 2008, p. 211).

3.4 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA (UNESCO)

Segundo Seitenfus (2008, p. 235) “a primeira tentativa de criar uma estrutura internacional dedicada às questões educacionais foi feita, em 1913, pelo governo da Holanda. A guerra, no entanto, impediu sua concretização.” Posteriormente, no âmbito da Liga das Nações, foi criada uma Comissão de Cooperação Intelectual e, em 1942, foi redigido um projeto de estatuto para a cooperação intelectual e científica.

Criada em 1946, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) trabalha para criar as condições para o diálogo entre as civilizações, culturas e povos, com base no respeito pelos valores compartilhados e voltadas para o desenvolvimento sustentável, de uma cultura de paz, respeito pelos direitos humanos e também a redução da pobreza. As áreas de atuação da UNESCO são: educação, ciências naturais, ciências sociais e humanas, cultura e comunicação e informação. Suas preocupações específicas incluem: alcançar a educação para todos; promover pesquisas nas áreas de ciência natural e social através de programas científicos internacionais e intergovernamentais; apoiar a expressão das identidades culturais; proteger e melhorar o patrimônio natural e cultural mundial; e promover a

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capacidades de comunicação dos países em desenvolvimento.

A convenção que deu origem à UNESCO define, em seu primeiro artigo, seus objetivos. Trata-se de “contribuir para a paz através da educação, ciência e cultura”, fazendo com que uma estreita colaboração internacional venha a fazer respeitar “a justiça, a lei, os direitos humanos e as liberdades fundamentais” sem distinção de raça, sexo ou idioma. (SEITENFUS, 2008, p. 235).

A UNESCO busca, na esfera da educação, “eliminar o analfabetismo, desenvolver o ensino básico e melhorar os manuais escolares.” (SEITENFUS, 2008, p. 236).

A partir dos próximos capítulos será feita a análise dos dados brasileiros e catarinenses, que refletem essas realidades no que concerne os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, salientando o papel do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade que, junto ao PNUD e a Secretaria Geral da Presidência da República, trabalha para o alcance dos ODM.

4 O BRASIL E OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO

A Secretaria de Relações Institucionais e a Secretaria-Geral da Presidência da República (2013, p.5) “[...] acreditam que a gestão administrativa apoiada na plataforma dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio traz avanços significativos para a população dos municípios brasileiros.”:

Temos a crença de que trabalhar com os ODM significa mais do que cumprir uma sugestão da Organização das Nações Unidas (ONU) para tornar o mundo melhor e mais justo. Significa aplicar toda a nossa energia transformadora no desenvolvimento humano, na busca pela garantia da dignidade de homens e mulheres, na luta pelo acesso à cidadania e na inclusão dos excluídos.

A estratégia principal do governo brasileiro para alcançar as Metas do Milênio é avançar na mobilização de todos os setores da sociedade e a Secretaria-Geral da Presidência da República, no âmbito do Governo Federal, “tem como principal atribuição intermediar as relações entre o governo e as entidades da sociedade civil no relacionamento e articulação com os movimentos sociais, entidades patronais e de trabalhadores.” (SECRETARIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS; SECRETARIA-GERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2013, p. 9-10).

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De acordo com Amorim (2008, p.12), “a ação contra a fome e a pobreza, lançada por iniciativa do Presidente Lula em 2004, é um exemplo do empenho brasileiro em colocar o desenvolvimento no topo da agenda internacional.” E ressalta ainda que:

O tema do desenvolvimento tem sido historicamente um elemento central para a política externa brasileira, sobretudo no âmbito multilateral. Desde nossa contribuição pioneira à UNCTAD, estivemos presentes nos principais debates que se travaram sobre o assunto.

“Em geral, o histórico do país mostra que os maiores desafios permanecem ao nível local em particular no que se refere à capacidade das autoridades locais para gerenciar e implementar eficazmente políticas públicas socioeconômicas para localização dos ODM.” (AKERMAN, 2011).

A Secretaria de Relações Institucionais e a Secretaria-Geral da Presidência da República (2013, p.9) destacam que “a participação social é fundamental para o alcance das metas. Além das prioridades da adoção de políticas públicas com desenvolvimento sustentável a situação do Brasil está amparada também na participação social.”

Na certeza que, deve-se investir na criação e fortalecimento de núcleos regionais em todo país, o Governo Federal, o MNCS e o PNUD vêm realizando seminários para o que o processo de municipalização avance. “Este é outro desafio do Governo Federal: apoiar a implantação dos Núcleos de ODM na maioria das regiões e dos municípios brasileiros como forma de impulsionar o processo de municipalização dos ODM.” Tratando-se da participação social, são o exemplo mais claro da fraternidade e da solidariedade do povo brasileiro que sempre se esforça para transformar o Brasil em um país mais justo e igualitário para todos, a concepção, criação e apoio aos Núcleos estaduais, regionais e municipais dos ODM. (SECRETARIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E A SECRETARIA-GERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2013, p. 12-13).

O governo brasileiro não está sozinho nessa árdua tarefa. A participação da sociedade civil, consolidada por meio dos Movimentos estaduais, regionais e municipais, tornam o Brasil um exemplo para o mundo em relação à participação social nos ODM. De acordo com Brasil (2014):

O desempenho brasileiro só foi possível em função da participação social e de uma série de políticas públicas colocadas em curso nos últimos anos que trouxeram impactos positivos sobre os ODM. Há bons indicadores, mas há

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políticas públicas que vêm aproximando o Brasil do cumprimento das metas. Em algumas áreas o país tem que avançar. Em outras, os indicadores positivos já são realidade. [...] a meta da ONU de reduzir a fome e a pobreza extrema até 2015 à metade do que era em 1990 foi alcançada pelo Brasil em 2002. Em 2007, a meta nacional de reduzir a porcentagem de pobres a um quarto da de 1990, apesar de mais ambiciosa, também foi cumprida e superada em 2008.

Segundo Movimento Nós Podemos Santa Catarina (2011b, p.10):

O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes de 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil”. Estas palavras foram pronunciadas pela presidenta Dilma Roussef na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no último mês de setembro. E não há dúvida de que as transformações ocorridas nos últimos anos impactaram positivamente na qualidade de vida dos brasileiros e das brasileiras. [...] Um bom termômetro dessa melhoria são as ações do governo brasileiro para cumprir os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Já em 2003, o governo criou um grupo interministerial para acompanhar o andamento das metas do milênio no país. Por meio do lançamento de quatro relatórios nacionais de acompanhamento, foi possível verificar que o Brasil tem grandes chances de cumprir as metas estabelecidas até 2015.

Observamos que, de acordo com Brasil (2014), nos últimos anos, houve avanços significativos em termos de acesso e rendimento escolar de crianças e jovens no Brasil:

Em 2009, 95,3% da faixa etária de 7 a 14 anos frequentavam o ensino fundamental. No mesmo ano, 75% dos jovens que haviam atingido a maioridade concluíram o ensino fundamental. [...] o Brasil convive com uma baixa taxa de conclusão escolar, que pode ser explicada pelos elevados índices de repetência e de evasão. No entanto, a educação básica brasileira já atende a 98% da população: mais de 50 milhões de crianças e jovens. Da educação infantil ao ensino médio, são dois milhões de professores. [...] O investimento em educação básica foi R$ 114,3 bilhões em 2012, um aumento de 19,12% em relação a 2011. Também em relação a 2011, houve reajuste de 21,2 % no valor mínimo investido por aluno.

Segundo Movimento Nós Podemos Santa Catarina (2011b, p.11):

O salário mínimo aumentou e a renda de aposentados e pensionistas também. As políticas sociais do governo e as de geração de empregos contribuíram para a ampliação do mercado interno. O acesso universal à educação primária também avançou; a taxa de matrícula das crianças em idade escolar está em cerca de 95% e o analfabetismo entre jovens de 15 a 24 anos foi reduzido.

Referências

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