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Qualidade de vida da pessoa idosa

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA DÉBORA FERRARI FOGAZZI

QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA IDOSA:

PERSPECTIVA DE PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO

Palhoça 2012

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DÉBORA FERRARI FOGAZZI

QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA IDOSA:

PERSPECTIVA DE PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO

Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Educação Física e Esporte da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Educação Física e Esporte.

Orientadora: Profª Msc. Tatiana Rotta

Palhoça 2012

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DÉBORA FERRARI FOGAZZI

QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA IDOSA:

PERSPECTIVA DE PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO

Este trabalho de conclusão foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Educação Física e aprovado em sua forma pelo Curso de Educação Física da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 25 de junho de 2012

Profª Orientadora Tatiana RottaMsc Universidade do Sul de Santa Catarina

Prof. Juliana Freddi

Universidade do Sul de Santa Catarina

Prof. João Geraldo Cardoso

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RESUMO

O conceito de qualidade de vida relaciona-se com a autoestima e o bem estar pessoal. A terceira idade é marcada por episódios capazes de alterar a forma como cada sujeito vive. Assim, a autoestima assume importância, pois se estabelece como avaliação subjetiva que a pessoa faz de si mesma. Nesse contexto, um programa de exercício físico orientado vem acompanhado de benefícios que se manifestam no organismo sob variadas formas, contribuindo para musculatura e flexibilidade, ossos e articulações,bem como para trabalhar as questões de relacionamento social. Este estudo visa apreciar a qualidade de vida da pessoa idosa sob o ponto de vista de um programa de treinamento físico, considerando as influências que a prática regular e orientada de exercício cumprem na qualidade de vida do idoso. Ainda investiga-se a função que a prática do exercício desempenha para a qualidade de vida, levanta-se o perfil físico e emocional da terceira idade como etapa do desenvolvimento humano e as dificuldades encontradas nesta faixa etária, juntamente com os benefícios trazidos pela prática regular e orientada do exercício físico. O estudo aqui apresentado caracteriza-se por ser exploratório com objetivo descrito. A análise dos dados se configura por ser multimetodológica, sendo qualitativa e quantitativa. A população é composta por idosas participantes de um programa de treinamento físico e a amostra selecionada compreende um universo de 10 idosas pertencentes à faixa etária compreendida entre 58 e 79 anos. O instrumento de pesquisa utilizado para o levantamento de dados compõe-se do questionário WHOQOL-100 elaborado pela OMS e entrevista semidiretiva, com informações que serviram de subsídio para as análises quantitativa e qualitativa.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 01 Estado de saúde ... 39 Gráfico 02 Médias apresentadas pelos domínios ... 40 Gráfico 03 Percentual nas facetas apresentado pelas mulheres idosas

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LISTA DE TABELAS

Tabela 01 Médias dos domínios das mulheres idosas pesquisadas ... 40 Tabela 02 Estatística dos domínios entre as mulheres idosas pesquisadas .. 41 Tabela 03 Estatísticas das facetas das idosas pesquisadas ... 43

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LISTA DE QUADROS

Quadro 01 Diferenças entre treinamento funcional e treinamento tradicional 19 Quadro 02 Classificação do nível de atividade do idoso ... 21 Quadro 03 Tipos de personalidade dos idosos ... 25 Quadro 04 Domínios e facetas do instrumento WHOQOL-100 ... 33

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LISTA DE SIGLAS

FCM Frequência Cardíaca Máxima SNC Sistema Nervoso Central

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 11

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA ... 11

1.2 OBJETIVO GERAL ... 12

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 12

1.4 JUSTIFICATIVA ... 12

2 REVISÃO DE LITERATURA ... 15

2.1 PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO VOLTADO PARA O IDOSO .... 15

2.1.1 Treinamento funcional para idosos ... 18

2.2 O ENVELHECIMENTO COMO ETAPA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ... 20

2.3 A CONCEPÇÃO E A MANUTENÇÃO DA AUTOESTIMA NO IDOSO ... 26

3 MÉTODO ... 30

3.1 TIPO DE PESQUISA ... 30

3.2 SUJEITOS DA PESQUISA... 31

3.3 INSTRUMENTOS DE PESQUISA ... 32

3.4 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS ... 34

3.4.1 Treinamento físico funcional ... 35

3.5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ... 36

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS ... 38

5 CONCLUSÃO E SUGESTÕES... 60

REFERÊNCIAS ... 62

APÊNDICE ... 65

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1 INTRODUÇÃO

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA

A manutenção da qualidade de vida do ser humano parece estar intimamente relacionada ao seu estilo de vida e bem estar. Estes aspectos abrangem uma série de fatores capazes de, em composição, atuar de forma a transformar o estilo de vida das pessoas na busca por uma vida saudável, independente e autônoma. O conceito de qualidade de vida possui relação com o estilo de vida e o bem estar pessoal. Estes, por sua vez, envolvem uma cadeia de aspectos como capacidade funcional, nível socioeconômico, estado emocional, interação social, atividade intelectual, autocuidado, suporte familiar, estado de saúde, valores culturais, éticos e religiosidade, estilo de vida, satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e ambiente no qual se vive (DALLA VECCHIA et al., 2005).

A terceira idade é marcada por eventos capazes de alterar a maneira como cada um vive, visto que o arrefecimento das funções vitais é fato evidente, concreto e irreversível. Por isso, a autoestima, considerada como sendo uma avaliação subjetiva, em algum grau, positiva ou negativa, que a pessoa faz de si mesma, assume grande importância para a terceira idade (RENTE e OLIVEIRA, 2002).

Assim, considerando as questões que abrangem qualidade de vida, tem-se que o exercício físico orientado vem acompanhado de benefícios que se manifestam sob todas as formas no organismo. Contribui para a melhora da força, do tônus muscular e da flexibilidade, bem como para o fortalecimento dos ossos e das articulações – fundamentais para pessoas da faixa etária superior aos 60 anos (TAKAHASHI, 2004).

Dessa forma, na tentativa de perceber como esse evento ocorre e contribuir para minimizar os problemas nele intrínsecos, o presente estudo pretende contextualizar e delimitar o tema, considerando a qualidade de vida da pessoa idosa na perspectiva de um programa de treinamento físico.

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Como problema de pesquisa tem-se: Quais influências que a prática regular e orientada de exercício físico exercem na qualidade de vida do idoso, utilizando programa específico de treinamento físico?

1.2 OBJETIVO GERAL

Verificar a influência que a prática regular e orientada de exercício físico exerce na qualidade de vida dos idosos, utilizando programa específico de treinamento físico, considerando os achados da literatura.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Investigar a função que a prática de exercício físico exerce para a qualidade de vida do idoso;

- Compreender a terceira idade como uma etapa do desenvolvimento humano, realizando um levantamento do perfil físico e emocional do idoso;

- Mapear as dificuldades funcionais do idoso e os benefícios trazidos pela prática regular e orientada do treinamento físico.

1.4 JUSTIFICATIVA

A experiência da pesquisadora com a profissão de educadora física em programas de exercício corporal orientado para a pessoa idosa contribuiu para que este estudo tomasse a configuração aqui apresentada. Foi no decorrer de seu percurso profissional que foi possível perceber a carência de informações, de estudos e de programas concretos que pudessem dar conta de atender às necessidades dos idosos que envolvem qualidade de vida, principalmente quando da oportunidade que a pesquisadora teve em exercer atividades profissionais orientadas com grupos desta faixa etária.

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Assim sendo, ao fazer uma análise sobre a evolução constante que marca a sociedade atual, é possível mencionar uma série de temas causadores de preocupação pelas necessidades neles intrínsecas. Um dos assuntos que mais despertam a atenção é aquele que envolve a terceira idade, considerando a melhoria da qualidade de vida e a manutenção da saúde e da autonomia.

Nas palavras de Pont Geis (2003), a velhice se estabelece por ser uma fase da vida que necessita preparo antecipado a fim de que o indivíduo possa vivê-la da melhor forma. O ser humano, ao longo do processo de desenvolvimento, necessita de adaptação física e psicológica a fim de que possa vencer cada uma das etapas e compreender todo o processo que acompanha o envelhecimento, pois passa a conviver com o surgimento de dores articulares e musculares, cabelos brancos, flacidez e problemas respiratórios, cardiológicos e cerebrais.

Apesar de cada ser humano envelhecer de modo particularizado, todos acabam passando por alterações que vão identificar o início da última fase do desenvolvimento humano. Dessa forma, praticar exercício físico na terceira idade se constitui como fundamental ao se pensar na melhoria da qualidade de vida e na manutenção de uma autoestima otimizada.

A redução da força muscular, a fraqueza dos ligamentos e tendões, a redução dos reflexos de ação e reação, a diminuição da massa óssea e muscular e a debilidade na coordenação motora e aptidão física constituem-se modificações naturais que surgem naturalmente a partir do envelhecimento e acabam por interferir na forma e no estilo de vida do idoso, bem como na maneira como ele avalia sua imagem e a resposta aos estímulos (PONT GEIS, 2003).

O envelhecimento físico e funcional não acompanha necessariamente o período cronológico da pessoa. A diferença que determina este nivelamento vai depender de uma série de fatores e, entre eles, está, fundamentalmente, o estilo de vida de cada um. Dessa forma, pode-se afirmar que o sedentarismo é, sem nenhuma imprecisão, um oponente claro para aqueles que buscam qualidade de vida.

Assim considerando, é cada vez mais evidente o efeito benéfico de um modo de vida ativo na conservação da capacidade operacional e da autonomia física e psicológica ao longo do processo que envolve a terceira idade. A sensação de bem

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estar que o movimento proporciona, por si só, já se constitui fator responsável pela longevidade, pois dá conta de manter menores os índices de doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, enfermidades respiratórias e distúrbios mentais (RENTE e OLIVEIRA, 2002).

De acordo com Silva, Pereira e Garcia (1998), as implicações sobre as necessidades fundamentais do idoso em função do aumento crescente da população acabaram por tornar-se motivo de preocupação dos órgãos governamentais responsáveis pela implantação de políticas públicas de ação especificamente voltada para o idoso. Com isso, conforme afirma Mazo (2004), passou-se a considerar a alimentação e a prática de exercício físico adequado, orientado e regular, essenciais para que o envelhecimento possa ser sinônimo de saúde e estilo de vida autônomo e independente.

Levando em consideração todos estes aspectos, torna-se de interesse da comunidade científica a efetivação de estudos que considerem os aspectos que envolvem o envelhecimento humano e as formas possíveis de transformá-lo em um período marcado pela qualidade de vida, saúde e bem estar. Tais estudos levantam a necessidade de implantação de programas de treinamento físico direcionado a esta fase do desenvolvimento humano, a fim de contribuir com o empenho dos profissionais da saúde na intenção de manter a autonomia das pessoas cuja faixa etária ultrapasse os 60 anos.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO VOLTADO PARA O IDOSO

As finalidades para um programa de exercícios precisam estar centradas nas modificações que se fazem mais urgentes e que são decorrentes do processo de envelhecimento do ser humano. Assim, segundo Takahashi (2004), um programa de exercícios deve trazer como direcionamento:

a) melhoramento da flexibilidade, força, coordenação e velocidade;

b) elevação dos patamares de resistência com a finalidade de reduzir as restrições no rendimento pessoal para a realização de atividades cotidianas; c) manutenção da gordura corporal em proporções aceitáveis.

O atendimento a estes aspectos podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida, podendo abrandar os efeitos da redução do nível de aptidão física no cumprimento de atividades cotidianas e na sustentação de um grau elevado de independência e autonomia.

Um programa de exercícios cujo público-alvo seja pessoas em idade avançada precisa proporcionar benefícios no que diz respeito às capacidades motoras que dão amparo à execução das atividades de vida prática, de trabalho e lazer. Os exercícios podem estar voltados para as modificações mais significativas e decorrentes do processo de envelhecimento que envolvem, segundo Takahashi (2004),

a) a promoção de atividades recreativas a fim de produzir endorfina e andrógeno, responsáveis pela sensação de bem estar e consequente recuperação da autoestima;

b) atividades de socialização em grupo e de caráter lúdico;

c) atividades progressivas e moderadas que possibilitem ao organismo um preparo gradual para suportar estímulos cada vez mais intensos;

d) atividades de força, com carga, em especial para a musculatura responsável pela sustentação e postura;

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e) atividades de resistência que visem a redução das restrições físicas de rendimento pessoal;

f) exercícios de alongamento com ganho de flexibilidade e mobilidade;

g) atividades de relaxamento para a diminuição das tensões mentais e musculares.

Takahashi (2004) ainda elucida que os educadores físicos precisam obter, de cada aluno em idade avançada, um minucioso exame médico com atenção para a frequência cardíaca máxima (FCM), entrevista para a realização de um levantamento acerca do período de ausência do aluno em atividades físicas, seu nível de aptidão, idade atual, objetivos com o programa, satisfações ou insatisfações emocionais.

Tendo em mãos uma avaliação completa acerca dos componentes emocionais e físicos do idoso, poderá aplicar as aulas que compõem o programa, respeitando os aspectos individuais de cada aluno e as particularidades do grupo. Esse escopo possibilita a promoção de modificações morfológicas, sociais, fisiológicas, orgânicas e psíquicas de forma segura e funcional (TAKAHASHI, 2004).

Nessa mesma concepção, Weineck (1991) destaca que precisa estar incluído no programa de condicionamento físico para idosos o treino da força dos músculos, da mobilidade das articulações e da resistência. A preocupação em torno destas variáveis se faz necessária em função do notável arrefecimento da força que os músculos sofrem após a faixa etária que compreende os 60 anos. Pelo mesmo motivo, a flexibilidade e a resistência sofrem diminuição, porém, esta perda é mais significativa quando os sujeitos não possuem o hábito de realizar exercícios físicos. Assim, ainda que se verifique redução na capacidade para o trabalho com o avanço da idade, o exercício e o condicionamento físico constante podem contrabalançar tais alterações, compensando-as.

Ao considerar estes aspectos, Okuma (1998, p.51) afirma que:

Cada vez mais estudos vêm evidenciando a atividade física como recurso importante para minimizar a degeneração provocada pelo envelhecimento, possibilitando ao idoso manter uma qualidade de vida ativa. Visto que ela tem potencial para estimular várias funções essenciais do organismo, mostra-se não só um coadjuvante importante no tratamento e controle de doenças crônico-degenerativas (como diabetes, hipertensão, osteoporose), mas é também essencial na manutenção das funções do aparelho locomotor, principal responsável pelo desempenho das atividades da vida diária e pelo grau de independência e autonomia do idoso.

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A mesma autora acrescenta que estudos realizados na área de gerontologia demonstram que a atividade física, combinada com uma alimentação adequada e hábitos de vida apropriados, podem contribuir consideravelmente para a melhora da qualidade de vida dos idosos. O declínio linear das capacidades funcionais tem início aos 30 anos. Suas consequências podem ser minimizadas com a prática do exercício físico, do controle de peso e de uma dieta adequada.

Segundo Okuma (1998), o declínio da capacidade física dos idosos ocorre muito em função do tédio, da inatividade e da expectativa de qualquer enfermidade. Pesquisas mencionadas pela autora indicam que 50% do declínio muscular não ocorrem pelo envelhecimento, mas sim, pela atrofia provocada pelo desuso muscular resultante da inatividade física que caracteriza os países industrializados.

É de conhecimento que o treinamento físico pode ser utilizado para retardar e atenuar o processo que marca o declínio das funções do organismo que são observados com o envelhecimento. O condicionamento promove melhoras “na capacidade respiratória, na reserva cardíaca, no tempo de reação, na força muscular, na memória recente, na cognição e nas habilidades sociais” (CHEIK, 2003, p.48). Cabe destacar que o exercício físico precisa ser realizado de forma a prevenir, ou seja, deve ocorrer antes de a doença apresentar suas manifestações clínicas.

Cheik (2003) afirma que as intervenções que possuem a finalidade de reabilitar precisam ser programadas de maneira a atender às necessidades do sujeito. Dessa forma, precisa ser mantida regularmente ao longo da vida para que, ao chegar à terceira idade, o indivíduo possa usufruir de melhorias na qualidade de vida e acréscimo na longevidade. Além disso, o exercício constante e bem orientado leva a pessoa a participar de maneira mais efetiva da vida social, resultando em um bem estar biológico, psicológico e físico. Esses fatores contribuem para uma melhoria considerável de vida, pois ao realizar o exercício físico há liberação de endorfina e dopamina pelo organismo, possibilitando o aparecimento de um efeito tranquilizante e analgésico posterior ao exercício, contribuindo para a manutenção de um estado de equilíbrio psicossocial mais estável diante das ameaças do ambiente externo.

Vale lembrara diferença entre o conceito de atividade física – que se constitui como uma expressão genérica que pode ser definida como um movimento qualquer do

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corpo produzido pelos músculos esqueléticos, resultando em gasto energético maior do que aqueles produzidos pelos níveis de repouso – e do exercício físico, que se estabelece por ser uma atividade física planejada, estruturada e repetitiva, cujo objetivo consiste em aumentar ou conservar a saúde e aptidão física (CHEIK, 2003).

Segundo Fogaça (2004), os efeitos colaterais promovidos pela prática do exercício, da mudança de dieta e do estilo de vida são sempre benéficos. Aliado a isso, essas mudanças podem ajudar na reversão de doenças inerentes a esta etapa da vida, fazendo com que a maioria dos idosos se sinta muito melhor tão rapidamente que a modificação do fator de risco, ou mais alguns meses de vida, ou o medo da morte, passa a ser motivo para a presença de um maior prazer em viver. Tratamento que foca apenas a medicação, sem cuidar das dimensões psicológicas, emocionais e espirituais da saúde e da cura, contribui para fazer com que o indivíduo perca a oportunidade de transformar sua vida de modo a torná-la mais prazerosa e significativa.

2.1.1 Treinamento funcional para idosos

De acordo com Carneiro (2010), o corpo humano é desenhado para trabalhar de forma integrada, com a musculatura operando em processo de ativação sequencial específica a fim de produzir um movimento desejado. Em cada movimento efetuado, há o envolvimento de diversos músculos, onde cada um deles realiza uma função diferente. O sistema nervoso central (SNC), além de cumprir diferentes funções motoras, é responsável por ativar os músculos e organizar esses movimentos. Por intermédio de diversos sinais emitidos ao SNC, partindo da pele, das articulações e dos músculos, são detectados pormenores acerca da disposição de cada parte do corpo em relação ao ambiente proposto e as outras partes corporais, a velocidade do movimento e o ângulo articular.

Dias (2011) salienta que o treinamento funcional originou-se a partir da fisioterapia e reabilitação. Sua característica principal estava centrada na utilização de exercícios onde os pacientes reproduziam os movimentos efetuados cotidianamente, em casa ou no trabalho, possibilitando, dessa forma, um retorno à vida normal e às funções laborais após uma lesão ou intervenção cirúrgica. Dessa forma, se a tarefa

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ocupacional do paciente solicitasse levantamentos de peso repetidos, a reabilitação teria como objetivo possibilitar um retorno a essa função o mais breve, com boa execução e sem dor.

Assim, de acordo com o autor, o conceito de treinamento funcional começou a ser empregado no desenvolvimento de programas que visavam uma melhora no desempenho e condicionamento físico, bem como para tornar mínimos os prováveis prejuízos que a prática da atividade física poderia provocar. Hoje em dia, diversos profissionais são favoráveis a essa metodologia, a despeito das escassas publicações científicas demonstrando benefícios desse treinamento em comparação com os treinamentos tradicionais. Empregar o treinamento funcional como tática de treino faz referência a um rompimento dos paradigmas estabelecidos e, assim sendo, é necessário fazer uma identificação sobre as vantagens que este método tem em relação aos treinamentos tradicionais. Dias (2011), nesse sentido, realiza uma caracterização acerca do treinamento funcional. Esta analogia pode ser verificada no Quadro 1, abaixo.

Treinamento não funcional Treinamento funcional

Isolado Integrado

Rígido Flexível

Limitado Ilimitado

Uniplanar Multiplanar

Quadro 01 – Diferenças entre treinamento funcional e treinamento tradicional Fonte: Dias (2011, p.24)

De acordo com as informações disponibilizadas por Dias (2011), pode-se observar que no treinamento funcional, o condicionamento físico é administrado por intermédio de exercícios integrados. Essa integração possui a finalidade de alcançar padrões de movimentos mais competentes. O treinamento isolado proporciona resultados no que diz respeito ao acréscimo de massa muscular e força. Isso ocorre porque permite a presença de fadiga individual dos músculos. Por outro lado, no treinamento funcional, há uma maior proximidade dos movimentos realizados no

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cotidiano e que envolvem integração de movimentos, atendendo à especificidade – um dos mais importantes princípios do treinamento.

Dias (2011) acrescenta que os benefícios promovidos pela atividade física na execução de tarefas funcionais em idosos têm sido pesquisados em função da redução da capacidade funcional que incide em virtude da alteração nos sistemas musculoesquelético e nervoso nessa idade. Dessa forma, investigações têm sido realizadas a fim de verificar se exercícios que envolvem resistência muscular, assim como exercícios com ênfase no alongamento ou no equilíbrio, promovem uma melhora na capacidade de realização de tarefas funcionais em idosos.

Em uma ampla revisão de literatura acerca do treinamento de força e envelhecimento, Macaluso e De Vito (2004), apud Dias (2004), analisaram, contudo, que raros estudos investigaram o quanto a realização de tarefas funcionais na prática de exercício desenvolve de maneira efetiva a sua realização no cotidiano. Na síntese efetuada tendo como fundamento este estudo, foi possível observar que parece ser o treinamento funcional uma estratégia que permite a manutenção dos ganhos por um período maior de tempo. Ao favorecer o desempenho do cotidiano do idoso, há um incremento em seu convívio social, físico e de lazer.

Dessa forma, o treinamento funcional vem sendo bem aceito por essa população, pois mostra benefícios expressivos às atividades diárias. Cabe destacar que o exercício físico não deve ser estimulado apenas nesta faixa etária, mas ao longo de todas as fases que envolvem o desenvolvimento humano.

2.2 O ENVELHECIMENTO COMO ETAPA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

A expressão terceira idade foi criada pelo gerontologista francês Huet e passou a existir na tentativa de expressar novos modelos de comportamento de uma geração que se aposenta e envelhece ativamente (MEDEIROS, 2003).

Entretanto, este processo, além de ser diferente de pessoa para pessoa, ainda conta com seis principais fatores que influenciam para que o processo de envelhecimento do corpo ocorra: tempo, hereditariedade, meio ambiente, dieta, estilo

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de vida e nível de condicionamento físico. Segundo Medeiros (2003), o grau de atividade do idoso pode ser classificado da seguinte maneira (Quadro 2):

Nível Classificação Características

I Fisicamente incapaz Não realiza nenhuma AVD e tem total dependência dos outros. II Fisicamente dependente Realiza alguma ABVD: caminha pouco, banha-se, veste-se,

alimenta-se, transfere-se de um lugar para outro, necessita de cuidados de terceiros.

III Fisicamente frágil Faz tarefas domésticas leves: prepara comida, faz compras leves, pode realizar algumas AIVD e todas as ABVD, pode fazer atividades domésticas.

IV Fisicamente independente

É capaz de realizar todas as AIVD. Realiza trabalhos físicos leves, é capaz de cuidar da casa e ter hobbies e atividades que demandam baixo consumo de energia. Aqui estão incluídos os idosos que vão desde os que mantêm um estilo de vida que demanda muito pouco da condição física até aqueles muito ativos, mas sedentários. V Fisicamente apto/ativo Realiza trabalho físico moderado, esportes de resistência e jogos. É

capaz de fazer todas as AAVD e a maioria dos hobbies. Tem aparência física mais jovem que seus pares da mesma idade. VI Atleta Realiza atividades competitivas, podendo competir em nível

internacional e praticar esportes de alto risco. Quadro 02 – Classificação do nível de atividade do idoso

Fonte: American Geriatrics Society apud Medeiros 2003, p.02. Legenda:

AVD: Atividades da vida diária

ABVD: Atividades básicas da vida diária AIVD: Atividades intermediárias da vida diária AAVD: Atividades avançadas da vida diária

A relação com a área da saúde torna-se mais frequente na terceira idade devido à fragilidade que o corpo assume nesta fase da vida. É comum que o indivíduo inicie a preocupação com a sua saúde após os 40 anos. Nessa etapa há uma convergência ao acúmulo de doenças crônicas, em grande parte benigna e passível de ser controlada se diagnosticada de forma precoce. Os acidentes passam, nesta fase, a se constituírem como preocupantes a partir dos 60 anos, pois ocorrem com maior frequência. A principal causa são as quedas, com ênfase para a fratura de fêmur. Cerca de 10% dos idosos que sofrem uma queda, acabam por falecer em decorrência dela (MEDEIROS, 2003).

O autor ainda destaca que as dificuldades físicas são assinaladas por perdas nos aspectos sensoriais. Atualmente, os avanços da área médica permitem que estes

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prejuízos sejam corrigidos ou compensados por intermédio da utilização de próteses ou estímulos sensoriais nas regiões afetadas.

Nóbrega et al. (1999, p.01) afirmam que “o envelhecimento é um processo contínuo durante o qual ocorre declínio progressivo de todos os processos fisiológicos”. O autor acrescenta que um estilo de vida ativo e saudável pode contemporizar as alterações morfológicas e funcionais que vão aparecendo com a idade. A figura 1 demonstra, esquematizado, o ciclo vicioso do envelhecimento.

Figura 01 – O ciclo vicioso do envelhecimento Fonte: Nóbrega et al. 1999, p.01.

Rufino Neto (1994) destaca que qualidade de vida boa ou excelente é aquela que oferece mínimas condições para que os sujeitos que estão nela inseridos possam desenvolver suas potencialidades ao máximo, entendendo-se como potencialidades os atos de viver, sentir ou amar, trabalhar, produzindo bens e serviços, fazendo ciências ou artes. Para os idosos, desempenhar tais atividades, tanto no plano concreto (produzir bens e serviços) como no plano subjetivo (viver, sentir, amar), torna-se fundamental para que percebam que suas potencialidades estão sendo desenvolvidas ou incrementadas.

O acréscimo da probabilidade de vida acabou por desencadear conhecimentos mais amplos sobre as alterações fisiológicas que podem ocorrer no aparelho cardiovascular e no sistema músculo-esquelético. Entretanto, permanece o

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problema que diz respeito à definição da demarcação estreita entre envelhecimento natural e alterações patológicas.

Nesse sentido, Nóbrega et al. (1999) salientam que o envelhecimento pode estar associado a adulterações estruturais cardíacas, cuja tendência é individualizada. Sobrevém o aumento da massa cardíaca na proporção de 1 a 1,5g/ano, entre a faixa etária de 30 a 90 anos de idade. As paredes que compõem o ventrículo esquerdo aumentam ligeiramente de espessura, bem como o septo interventricular, mesmo em ausência de doenças cardiovasculares, mantendo, contudo, apontadores ecocardiográficos normais. Tais alterações possuem relação com a majorada rigidez da aorta, motivando aumento na impedância ao esvaziamento do ventrículo esquerdo, com natural ampliação da pós-carga.

De forma paralela, ocorre deposição de tecido colágeno, em especial na parede posterior do ventrículo esquerdo. A infiltração colágena do miocárdio amplia a rigidez do coração, mas a função sistólica permanece sem alteração, incidindo, por outro lado, uma diminuição da complacência ventricular com perda da função diastólica, gerando uma ampliação do tempo de relaxamento ventricular. É admissível que tais achados possuam relação com a redução da recaptação de cálcio por intermédio do retículo sarcoplasmático (NÓBREGA et al., 1999).

Quanto ao sistema muscular, Nóbrega et al. (1999) afirmam que no homem ele atinge maturação plena aos 20 e 30 anos de idade. Entre os 30 e os 40 anos a força máxima continua a ser estável ou apresenta reduções pouco expressivas. Em torno dos 60 anos é possível observar uma redução da força máxima muscular que pode variar entre 30 e 40% - esse percentual corresponde a uma perda de força que varia em torno de 6% por década vivida na faixa dos 35 aos 50 anos de idade e, a partir dos 50 anos, 10% por década.

No idoso também acontece redução da massa óssea, que acomete mais frequentemente as mulheres e, em coeficientes mais marcantes, caracteriza a osteoporose, que pode contribuir para a ocorrência de fraturas em acidentes. Depois dos 35 anos, há uma natural alteração da cartilagem articular. Esta alteração, combinada com modificações biomecânicas adquiridas ou não, provoca, no decorrer da

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vida, degenerações distintas que vão determinar o comprometimento da função locomotora e da flexibilidade, ocasionando um risco elevado de lesões.

No que diz respeito às características mentais do idoso, estudos sobre a personalidade e o envelhecimento demonstram que há uma disposição ao equilíbrio da personalidade na terceira idade. Segundo Medeiros (2003, p.04) “nos idosos que apresentam nível de educação elevado, que se mantêm ativos, com responsabilidades, com plena aptidão funcional e boa saúde, geralmente não se observam grandes alterações da personalidade”.

No entanto, Medeiros (2003, p.04), nessa mesma concepção, ainda afirma que “o indivíduo que não conseguiu uma situação estável na sua juventude e na idade adulta, sente-se irrealizado e infeliz. Suas aspirações não foram satisfeitas e ele corre o risco de ter problemas psicológicos agora”.

Estudos a respeito da personalidade dos idosos identificaram cinco tipos diferentes que variam entre dois grupos (Quadro 3).

Grupo Tipo Características

Adaptaram-se ao envelhecimento

Construtivo Bem integrado, respeitado, estável, que desfruta daquilo que a vida lhe proporciona.

Dependente É passivo, voluntariamente desengajado e satisfeito, senhor da cadeira de balanço, pois enfim, pode descansar.

Defensivo Ativo, rígido, disciplinado, individualista, se dedica a muitas atividades por não conseguir ficar parado. Não se adaptaram ao

envelhecimento

Colérico Culpa o mundo e as pessoas pelos seus insucessos pessoais, tem pouca ambição quanto ao futuro, vida social instável e padrões econômicos precários, luta contra as manifestações do envelhecimento. Pessimista Apresenta constante decréscimo de nível

sócio-econômico e, sem história de vida, odeia a si mesmo, é deprimido, isolado e geralmente exagera sua falta de capacitação física e psicológica, se fazendo de vítima. Aceita a triste velhice, mas tem a morte como a sua libertação desta existência insatisfatória.

Quadro 03 – Tipos de personalidade dos idosos Fonte: Medeiros, 2003, p.04.

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A questão que envolve ser ou parecer velho é polêmica. Pinheiro Júnior (2004) aponta que classificar uma pessoa como sendo velha inicia de forma imprecisa, com a questão cronológica a partir do nascimento. A velhice, segundo o autor, se estabelece como um estado de espírito que se condiciona a fatores múltiplos, como personalidade. Não há um conceito fechado onde se possa enquadrar a velhice e restringir sua significação.

Beauvoir (1990) afirma que na maioria das sociedades aos velhos não é permitida uma morte semelhante a dos bichos. Ao contrário, é cercada de um cerimonial onde se reivindica (ou finge reivindicar) seu consentimento. Em outra perspectiva, muitas sociedades possuem deferência às pessoas de idade avançada apenas quando estão lúcidas e vigorosas, mas livram-se delas no momento em que se tornam decrépitas e senis. Com isso, afirma-se que o fenômeno da exclusão do idoso, além de um cuidado global na busca pelo seu entendimento, vai depender de uma observação relativizada acerca das culturas que o produzem. Além, evidentemente, de um olhar mais apurado para as diferenças de gêneros. “A velhice não tem o mesmo sentido nem as mesmas consequências para os homens e para as mulheres” (p.104).

As representações da velhice, com o passar dos tempos, demonstram os níveis de relações existentes entre idosos e os interesses da coletividade naquilo que se refere ao seu destino. Significa dizer, de acordo com Beauvoir (1990), que é o sentido e o sistema global de valores que os homens atribuem à sua vivência, que vai definir o sentido e o valor da velhice. De forma inversa, é por intermédio do modo pelo qual uma sociedade se comporta com seus idosos que ela revela sem enganos a verdade, por vezes mascarada, de seus princípios e de seus fins.

2.3 A CONCEPÇÃO E A MANUTENÇÃO DA AUTOESTIMA NO IDOSO

Ser idoso é uma condição concreta que determina, de certa maneira, um processo extremamente complexo e desconhecido com implicações tanto para aquele que o vivencia quanto para a sociedade que o assiste. A velhice pode ser encarada como uma decorrência natural da vida do ser humano, porém, é exatamente neste período que perdas físicas e afetivas ocorrem com maior intensidade.

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De acordo com Rente e Oliveira (2002), há o aparecimento dos medos, das inseguranças, das incertezas, das perdas, das doenças e consequentes visitas a médicos, bem como a execução de exames cujo alto custo obriga o sujeito a encarar mensalidades do plano de saúde que a aposentadoria, geralmente mínima, mal consegue amortizar. Todos estes fatores acabam por se constituir em preocupações inerentes à velhice, afetando sobremaneira a constituição e a manutenção da autoestima.

Perdas psicológicas e afetivas são decorrências comuns na velhice e podem aparecer em associação com perdas motoras e manifestações somáticas, assinaladas pela redução da capacidade funcional, calvícies, envelhecimento cutâneo, entre outras. As alterações físicas inerentes ao envelhecimento debatem-se com uma sociedade que visivelmente discrimina indivíduos considerados não atraentes, em uma cadeia de situações habituais. Estes indivíduos estão mais suscetíveis a encontrar ambientes sociais que oscilam do não responsivo ao rejeitador, desencorajando o desenvolvimento de habilidades sociais e de um autoconceito favorável. Nesse sentido, é possível afirmar que a sociedade pode ser um protótipo de preocupações com as medidas do corpo, as dietas excessivas, os comportamentos insalubres de controle de peso e compulsões alimentares (CHAIM, 2009).

A autora também afirma que sujeitos às pressões, os indivíduos dessa sociedade podem suportar sérias deformidades em sua imagem corporal. O conceito que envolve imagem corporal pode ser definido como a experiência psicológica de uma pessoa sobre a aparência e o funcionamento do seu próprio corpo. É a forma pela qual o corpo aparece para o sujeito mesmo, satisfazendo à representação mental do próprio corpo. Alguns idosos renunciam o próprio envelhecimento em função da imagem que possuem acerca de si mesmos, desenvolvendo sentimentos de autodesvalorização e de baixa autoestima.

A autoestima pode ser tipificada como um sentimento, um apreço e uma consideração que a pessoa sente a respeito de si própria – o quanto ela se aprecia, de que forma ela se vê e o que pensa sobre ela mesma. É combinada por sentimentos de competência e de valor pessoal, adicionada de autorespeito e autoconfiança, refletindo a apreciação implícita da competência de lidar com os desafios da vida (CHAIM, 2009).

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A presença de uma autoestima favorável, que conduz o indivíduo a sentir-se confiante, acomodado à vida, competente e merecedor, é imprescindível para a obtenção de uma vida satisfatória. Distinguir a relação que o idoso sustenta com seu corpo e as consequências disto para a apreciação que faz dele mesmo são essenciais para que os profissionais da área de saúde apreciem, em suas avaliações e intervenções, todos os fatores que envolvam a saúde do indivíduo, sejam eles psicológicos, físicos, mentais e emocionais, objetivando compreender e estimular o idoso holisticamente (CHAIM, 2009).

Na concepção de Benedetti, Petroski e Gonçalves (2003), para o indivíduo, a imagem corporal tem um desempenho fundamental na consciência de si. A imagem corporal é tanto imagem mental quanto percepção. Assim, “se a percepção do corpo é positiva, a autoimagem será positiva, e se há satisfação com a imagem do seu corpo, a autoestima será melhor” (p.70). A imagem do corpo pode ser transformada pela prática de atividades físicas que envolvem ginástica, dança e outras atividades que, se bem orientadas e realizadas, alteram a postura corporal.

A transformação na postura é modificada a todo o momento em que é realizado um novo movimento. Este é o motivo pelo qual os movimentos que envolvem o corpo atuam de maneira positiva, visto que utilizam reflexos posturais que não são próprios da consciência humana. O exercício físico orientado por profissional capacitado se constitui como eficiente no momento em que se faz necessário modificar a imagem corporal e diminuir a rigidez das formas do corpo (BENEDETTI, PETROSKI e GONÇALVES, 2003).

Os autores ainda destacam que o desenvolvimento de uma autoimagem positiva consiste em alimentar a certeza na capacidade de levar uma vida plena. Com o processo de envelhecimento há um arrefecimento da autoimagem e da autoestima. O ser humano é atrelado ao seu corpo, às suas habilidades, roupas, cabelos, bem como à integração e harmonia na relação com o seu eu interior. A atividade física proporciona a possibilidade de envelhecer ativamente, proporcionando autonomia e independência por mais tempo com um melhor conceito a respeito de si mesmo.

Na fase denominada terceira idade, os idosos começam a apresentar limitações intelectuais e físicas que vão se tornando evidentes quando da realização de

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atividades da vida diária. A falta de terapia ocupacional, de disposição física e interesse, contribui ainda mais para que estas limitações se evidenciem, levando à invalidez e ao abatimento moral e abrindo as portas para doenças crônico-degenerativas que, associadas a outras patologias, passam a ser responsáveis pela perda progressiva de autonomia e, por conseguinte, da imagem e estima corporal (BENEDETTI, PETROSKI e GONÇALVES, 2003).

Valores sociais sem base na realidade ou preconceitos acerca do envelhecimento exercem um impacto negativo na autoestima de pessoas com idade avançada. A sociedade atual possui como hábito valorizar o que é jovem e bonito em detrimento do idoso que, muitas vezes, chega a ser considerado, de maneira equivocada, como velho, incapaz ou feio. Isto intervém na sua autoestima, visto que as opiniões que ele faz acerca de si estão, de certa forma, vinculadas a este julgamento tendencioso que a sociedade lhe impõe (MIRANDA, 2009).

Segundo a autora, nessa concepção, a atividade física aparece com um fator favorável. É ela que vai agenciar uma modificação expressiva no esquema corporal e, em decorrência, na autoimagem e autoestima. Com a execução desta modalidade de atividade, idosos contritos podem se tornar mais ativos. Além disso, há expressiva probabilidade de que haja perda de peso, o que contribui para melhorar a avaliação sobre sua imagem corporal.

Pelos motivos expostos anteriormente, a atividade física é apreciada como uma admirável aliada para o processo de envelhecimento, além dos benefícios já experimentados com a prática desta atividade para a saúde de idosos. A atividade física auxilia os idosos a passar pelos declínios do processo de envelhecimento de uma maneira mais positiva, encontrando em cada etapa do seu ciclo vital mais potencialidades que restrições, mesmo quando a idade já está em processo adiantado. Um idoso com saúde e autonomia pode cuidar de sua aparência física, destinar um período do dia para fazer coisas que aprecia, aprender coisas novas e lançar mão de uma virtude obtida com o passar dos anos: a sabedoria(MIRANDA, 2009).

Benedetti, Petroski e Gonçalves (2003) afirmam que fazer com que os idosos apliquem melhor o tempo que lhes resta de modo saudável, independente, autônomo e com melhor qualidade de vida é um desafio.

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Por isto, este estudo propõe a inclusão da prática sistemática de exercícios físicos na rotina dos idosos como forma de contribuir para sua autoestima. Exercícios físicos funcionam como fatores de restauração da saúde que ajustam maior equilíbrio nesta fase da vida.

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3MÉTODO

3.1 TIPO DE PESQUISA

A pesquisa, de acordo com Gil (2009), se constitui por ser um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. Seu objetivo é descobrir respostas para problemas mediante a utilização de procedimentos científicos. Com isso, pode-se afirmar que a pesquisa social é um processo que, valendo-se da metodologia científica, permite a obtenção de novos conhecimentos nos domínios da realidade social.

O estudo proposto está centrado na aplicação imediata de uma realidade circunstancial, caracterizando-se por ser exploratório com objetivo descrito. Exploratório, porque possui como finalidade esclarecer e modificar conceitos e ideias, proporcionando uma visão geral acerca do fato, a fim de elucidar da melhor forma o problema de pesquisa. Nesse contexto, há o envolvimento do pesquisador em todas as etapas, distanciando-se dos princípios da pesquisa científica acadêmica e respondendo, em especial, às necessidades de populações que compreendem aquelas mais carentes nas estruturas sociais contemporâneas e levando em conta suas aspirações e potencialidades de conhecer e agir. Com esta metodologia, há o incentivo do desenvolvimento autônomo e, por isso, autoconfiante, a partir de uma relativa independência do exterior (GIL, 2009).

A análise dos dados se configura, de acordo com Gil (2009), por ser multimetodológica, sendo qualitativa e quantitativa, pois além de deixar evidente uma relação dinâmica (um vínculo) entre o mundo real e o sujeito (o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito) ainda se configura por ser traduzida em números. A pesquisa é qualitativa porque há a necessidade de interpretação dos fenômenos e de atribuição de significados exigindo, nesse caso, a presença do pesquisador como instrumento-chave e uma análise dos dados realizada de forma indutiva. E quantitativa, porque é um método de pesquisa social que utiliza técnicas estatísticas.

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Nesse sentido, será adotada uma postura crítica com relação a todas as informações alcançadas para que a fundamentação teórica da pesquisa possa ser apurada com base na autoregulação e autocorreção do processo do pensamento.

O senso crítico envolveria [...] o fato de não aceitarmos, de maneira automática, as opiniões alheias. Nesse sentido, implicaria uma postura receptiva crítica, que estivesse sempre predisposta a questionar as afirmações de terceiros. O indivíduo dotado de senso crítico caracterizar-se-ia, portanto, como um espírito continuamente indagador, convencido de que é sempre possível dar um passo para trás, recuar para questionar os fundamentos, a veracidade e a logicidade das informações com que lidamos (MÁTTAR NETO, 2002, p.36).

Sendo assim, com base nas afirmações do autor, a bagagem de informações coletadas por intermédio da interferência no campo de pesquisa, dos diálogos com os idosos e da revisão de literatura vão se estabelecer como prioritárias para a etapa de análise e interpretação, conferindo significado aos dados coletados.

3.2 SUJEITOS DA PESQUISA

A população desta pesquisa é composta por idosos participantes de um programa onde os alunos realizaram aulas de ginástica duas vezes por semana. A amostra selecionada é composta por um universo de 10 idosos, do sexo feminino, pertencentes à faixa etária compreendida entre 58 e 79 anos.

Habitantes de uma localidade litorânea, estes idosos são, em sua maioria, filhos de pescadores radicados na ilha. Vivem da pesca, dos alugueis de residências e pousadas. Pertencem à classe denominada média e, quanto ao nível de escolaridade, situam-se no Ensino Fundamental completo.

O critério de exclusão fundamentou-se em não acolher à pesquisa, os idosos com restrições médicas e os que apresentavam disfunções cardíacas e respiratórias.

Ao grupo selecionado de idosos foram proporcionadas atividades que envolvem atividade física, socialização e entretenimento voltados para a terceira idade, com foco na melhoria da qualidade de vida. Dessa forma, a pesquisa procura demonstrar que aos idosos é possível proporcionar uma vida saudável desde que haja

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um programa de condicionamento físico direcionado e adequado à faixa etária que compreende a 3ª idade.

3.3 INSTRUMENTOS DE PESQUISA

O instrumento de pesquisa utilizado como uma das formas de obtenção de dados para este estudo é a escala WHOQOL-100, verificável no Anexo 1, de propriedade da Organização Mundial da Saúde (OMS, 1998; FLECK, 1999) e disponibilizado a qualquer pesquisador. O questionário contém perguntas de múltipla escolha, abordando os domínios físico, psicológico, nível de independência, relações sociais, ambiente e aspectos espirituais/religião/crenças.

Concomitante ao referido questionário, consta a solicitação de dados de escolaridades, sexo, idade, estado civil e condição de saúde e data de nascimento, intitulada pela OMS (1998) de Ficha de Informações sobre o Respondente. Esta ficha pode ser conferida no Anexo 2.

Segundo Gil (2009), a técnica de investigação por questionário é composta por um conjunto de questões submetidas ao grupo de pessoas com o propósito de obter informações acerca do campo das subjetividades (conhecimentos, crenças, interesses, expectativas, comportamento) e objetividades (peso, altura, constituição física, histórico funcional e corporal).

O projeto WHOQOL-100 foi elaborado em colaboração com 15 centros que atuaram considerando, simultaneamente, distintas culturas. O WHOQOL-100 compõe-se de 100 questões que buscam avaliar compõe-seis Domínios: Físico, Psicológico, Nível de Independência, Relações sociais, Meio-ambiente e Espiritualidade/Crenças Pessoais.Assim, foram determinadas Facetas para cada questão, tendo como ponto principal a consideração sobre o quanto as perguntas fornecem de informações acerca da qualidade de vida nas culturas destes 15 povos. Os Domínios e suas respectivas Facetas podem ser conferidos no Quadro 04.

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Domínio Faceta Domínio 1 Físico 01. Dor e desconforto 02. Energia e fadiga 03. Sono e repouso Domínio 2 Psicológico 04. Sentimentos positivos

05. Pensar, aprender, memória e concentração 06. Autoestima

07. Imagem corporal e aparência 08. Sentimentos negativos

Domínio 3

Nível de Independência

09. Mobilidade

10. Atividades da vida cotidiana

11. Dependência de medicação ou de tratamentos 12. Capacidade de trabalho

Domínio 4 Relações Sociais

13. Relações pessoais

14. Suporte (apoio) social espaço 15. Atividade sexual

Domínio 5 Ambiente

16. Segurança física e proteção 17. Ambiente no lar

18. Recursos financeiros

19. Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade 20. Oportunidades de adquirir novas informações e habilidades 21. Participação em, e oportunidades de recreação/lazer 22. Ambiente físico: (poluição/ruído/trânsito/clima) 23. Transporte

Domínio 6

Aspectos Espirituais Religião e Crenças Pessoais

24. Espiritualidade/religião/crenças pessoais.

Quadro 04 – Domínios e facetas do instrumento WHOQOL-100 Fonte: Rugiski, Pilatti e Scandelari, 2005, p.03

A aplicação do questionário WHOQOL-100e da Ficha de Informações sobre o Respondente visa atender ao objetivo desse estudo em relação à compreensão da qualidade de vida de idosos praticantes de programa de treinamento funcional. As respostas fornecidas vão proporcionar dados fundamentais para o estudo a fim de que seja possível descrever as características da população pesquisada.

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Dessa forma, houve a necessidade de observar a determinação da forma e do conteúdo das questões, a quantidade e ordenação das perguntas e a construção das alternativas realizadas pela OMS quando da constituição da escala WHOQOL-100, em consonância com sua validação (GIL, 2009).

De forma concomitante à aplicação do questionário, foi realizada entrevista semidiretiva. Essas informações serviram de subsídios para compor a análise dos dados, considerando a percepção dos pesquisados em relação aos Domínios (Físico, Psicológico, Nível de Independência, Relações Sociais, Ambiente e Aspectos Espirituais/Religião/Crenças) abrangidos pelo questionário WHOQOL-100.

3.4 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS

A coleta de dados foi realizada em etapas sucessivas. A primeira etapa consistiu na aplicação do questionário WHOQOL-100e da Ficha de Informações sobre o Respondente, referenciando os aspectos gerais da qualidade de vida do idoso. Concomitante a esta etapa foi aplicada uma entrevista semidiretiva, aberta, complementando as respostas fornecidas pelo questionário WHOQOL-100, a fim de que pudesse estar caracterizada a forma qualitativa.

O contato com a amostra ocorreu ao longo da execução do programa. O questionário foi aplicado de forma pessoal e individual, sendo que a pesquisadora elaborava a pergunta e mostrava todas as possibilidades de resposta para que ao idoso fosse oportunizada a possibilidade de optar por uma alternativa. Ao mesmo tempo da aplicação do referido questionário, foi feita uma entrevista semidiretiva complementar ao preenchimento do questionário. As perguntas que foram realizadas pela pesquisadora estavam vinculadas ao tipo de resposta que os idosos forneciam ao questionário WHOQOL-100. Isso justifica o fato de ela ser realizada de forma concomitante.

Os dados qualitativos a partir da entrevista semidiretiva foram fundamentais para a realização de uma avaliação acerca das percepções que os idosos possuíam sobre os domínios levantados por ocasião da aplicação do questionário WHOQOL-100 (Físico, Psicológico, Nível de Independência, Relações Sociais, Ambiente e Aspectos

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Espirituais/Religião/Crenças), a fim de complementar os dados quantitativos acerca da qualidade de vida do idoso. A necessidade de se complementar com dados qualitativos provém de que algumas percepções do idoso sobre estes temas não estão explicitadas no conteúdo do questionário visto que não havia espaço para a manifestação, em função de que as respostas se constituíam por múltipla escolha.

Todos os entrevistados assinaram o Termo de Consentimento (Anexo 3) para explicitar a sua intenção em participar do estudo que o profissional responsável do Programa Projeto Viver Ativo estava desenvolvendo.

O resultado da pesquisa estará à disposição da população entrevistada, na forma escrita, impressa, bastando que seja solicitado o seu envio.

3.4.1 Treinamento físico funcional

Foram desenvolvidas, neste programa, 24 aulas em um espaço de tempo compreendido de dois meses. O Projeto iniciou em março e estendeu-se até abril de 2012. Os encontros ocorreram três vezes por semana e cada aula teve duração de 60 minutos.

As aulas foram divididas em parte inicial, principal e final, com tempo médio de, respectivamente, 10, 40 e 10 minutos, totalizando 60 minutos de atividade voltada para seu conforto e bem estar. As dúvidas dos alunos eram dirimidas ao longo dos procedimentos e, ao final, foi proporcionado espaço para que os idosos pudessem manifestar suas opiniões sobre como se sentiam ao final de cada sessão. Na parte principal das aulas foram observados os tempos e modos de cada aluno, a fim de que pudessem ser respeitadas as suas limitações. Ao longo do programa, as alunas foram levadas a considerarem questões referentes a seu corpo, seus movimentos e as sensações provocadas por eles. Todas essas considerações foram levadas em conta pela pesquisadora, a fim de compor uma análise sobre o andamento das aulas.

Os encontros eram estruturados com base nos princípios que regem o treinamento físico para o idoso, atentando para o fato de que é necessário beneficiar suas capacidades motoras – responsáveis por proporcionar sustentação para a execução de atividades do dia a dia, trabalho e lazer. Como o envelhecimento produz

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alterações significativas, foi proporcionada ênfase para atividades que pudessem produzir endorfina e andrógeno, que considerassem socialização e ludicidade, que servissem de suporte a estímulos progressivamente intensos, que trabalhassem sustentação, postura, resistência física, flexibilidade, mobilidade, alongamento e relaxamento.

Ao mesmo tempo, as aulas ministradas aos pesquisados tinham como foco o respeito sobre as características que pautam o desenvolvimento humano na fase da terceira idade e a ampliação e manutenção da qualidade de vida de cada componente da população pesquisada.

3.5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Sendo o estudo quantitativo e qualitativo, os dados quantitativos foram armazenados em programa Excell 2010 e tabulados em formato de estatística descritiva (média, desvio padrão) dos fatores que compõem o questionário WHOQOL-100 em todas as suas Dimensões (Física, de Vida Diária, de Qualidade de Vida, Emocional, de Trabalho, de Movimento e Crenças), bem como a ficha que acompanha o instrumento.

Para analisar os dados coletados de forma qualitativa optou-se pela técnica de análise das percepções que os sujeitos externavam à pesquisadora por ocasião da entrevista. Assim, foi possível apresentar uma proposta de organização dos dados qualitativos de natureza verbal, alcançados por intermédio dos depoimentos prestados nesta ocasião. Tais depoimentos foram colhidos pela interposição da entrevista semidiretiva. Dessa forma, o material verbal coletado foi analisado, retirando-se de cada depoimento as considerações verbalizadas pelos entrevistados, levando em conta as suas percepções acerca dos temas (Domínios e Facetas) levantados pelo WHOQOL-100.

De acordo com Lefevre, Crestana e Corneta (2003), é possível que uma exposição de resultados de pesquisas qualitativas – cujos depoimentos estabelecem-se como matéria prima, sob a configuração de um ou múltiplos discursos, escritos na primeira pessoa do singular – acabe transformando-se em recurso que visa expressar o

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pensamento de um agrupamento, como se este agrupamento fosse o emissor de um dado discurso.

Para este estudo foram selecionados, de cada resposta individual a uma questão, os trechos mais significativos das respostas fornecidas pela amostra. A esses trechos vão corresponder ideias centrais que sintetizarão o conteúdo discursivo manifestado.

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4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS

De acordo com Famed (2005), apud Rugiski, Pilatti e Scandelari (2005, p.01), o WHOQOL Group define qualidade de vida como sendo “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. A elaboração desta conceituação possibilitou, dessa forma, a construção de um instrumento – o WHOQOL-100 – que consiste em um questionário para avaliação da qualidade de vida com base em três aspectos básicos: subjetividade, multidimensionalidade e presença de dimensões positivas e negativas.

As questões que compõem o referido questionário WHOQOL-100 foram elaboradas para uma escala de respostas do tipo Likert, com uma escala de intensidade (nada até extremamente), capacidade (nada até completamente), frequência (nunca até sempre) e avaliação (muito insatisfeito até muito satisfeito e muito ruim até muito bom) (RUGISKI, PILATTI e SCANDELARI, 2005).

A fim de realizar um levantamento a respeito das informações básicas dos entrevistados, foi preenchida, por cada um deles, a Ficha de Informações sobre o Respondente (OMS, 1998). Os dados levantados a respeito de informações envolvem sexo, idade, nível educacional, estado civil e estado de saúde. As perguntas constantes desta ficha de informações foram respondidas pelos entrevistados, sob orientação da pesquisadora, que esclareceu aos idosos os motivos pelos quais aquelas informações seriam relevantes sem, no entanto, direcionar as respostas.

De acordo com Medeiros (2003), a denominação 3ª idade passou a ser utilizada a fim de expressar padrões de comportamento de uma geração ativa que se aposenta e envelhece considerando graus de atividade que exercem influência neste processo. Estes fatores envolvem tempo, hereditariedade, meio ambiente, dieta, estilo de vida e nível de condicionamento físico.

As entrevistadas que colaboraram para a execução deste estudo são do sexo feminino, pertencentes à faixa etária compreendida entre 58 a 79 anos (sendo uma com 58 anos, uma com 60 anos, uma com 61 anos, uma com 63 anos, uma com 68 anos, uma com 69 anos, uma com 74 anos, uma com 78 anos eduas com 79 anos).

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Quanto ao nível educacional, 20% possui curso superior completo, 10% tem Ensino Médio completo, 10% Ensino Fundamental completo e 60% Ensino Fundamental incompleto. A maioria das entrevistadas possui estado civil viúva (50%), mas uma parcela considerável (40%) declara-se casada e 10% são solteiras.

Como é possível verificar no Gráfico 01, 80% das entrevistadas declaram possuir boa saúde (40%) ou nem ruim, nem boa (40%). Nesse sentido, de acordo com o gráfico de Medeiros (2003), a maioria das entrevistadas está no nível IV (fisicamente independente) e V (fisicamente ágil/ativo), com capacidade para exercer atividades intermediárias e avançadas da vida diária.

Gráfico 01-Estado de saúde Fonte: a autora

Os gráficos seguintes demonstram o percentual relativo às respostas fornecidas pelas entrevistadas por ocasião da aplicação do questionário composto tendo-se como fundamento a escala WHOQOL-100, considerando os Domínios: Físico (1), Psicológico (2), Nível de Independência (3), Relações Sociais (4), Ambiente (5), Aspectos Espirituais/Religião/Crenças (6).

Os resultados, considerando os Domínios, vão traçar um perfil da qualidade de vida das entrevistadas e, em comparação com a literatura, confirmar a interferência de um programa de exercícios físicos para a manutenção e melhora desta qualidade.

0 1 4 4 1 0 2 4 6

Muito ruim Fraca Nem ruim, nem boa

Boa Muito boa Como está a saúde

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Tabela 01: Média dos domínios das mulheres idosas pesquisadas

Idosas Dom 1 Dom 2 Dom 3 Dom 4 Dom 5 Dom 6

A 15 10,4 12,25 8 9,25 12 B 12,7 12 13,75 11 11,25 14 C 11,7 12 14,5 13 13,125 16 D 11 12,4 13,25 12,3 12,5 16 E 10,7 12,4 14 15,3 13,625 17 F 11 13,2 14 14,7 14,5 18 G 11,7 14 13,25 15,7 14,5 18 H 11,7 14,2 13 15,7 14,375 20 I 11,7 13,6 13 16 15,75 20 j 14 14,2 13 16,7 16,875 20 Fonte: a autora

De acordo com a Tabela 01, em relação aos seis domínios do instrumento WHOQOL-100, que avalia a qualidade de vida das mulheres idosas pesquisadas, é possível destacar o Domínio 6 (Aspectos Espirituais/Religião/Crenças Pessoais), em que a maioria optou como fator importante entre os outros domínios, com exceção para a pesquisada A que indicou o Domínio 1 (Físico). Os Domínios 4 (Relações Sociais) e 5 (Ambiente) foram indicados na sequência como importantes na qualidade de vida em detrimento dos Domínios 1 (Físico), 2 (Psicológico), 3 (Nível de Independência) para a maioria das pesquisadas.

Gráfico 02 – Médias apresentadas pelos domínios Fonte: a autora 50,63 55,25 58,75 61,46 59,84 81,88 58,90 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Físico Psicológico Nível de… Relações Sociais Ambiente Aspectos… TOTAL

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O Gráfico 02 demonstra que em relação aos domínios indicados como mais importante na qualidade de vida, destacam-se os Aspectos Espirituais, Religião e Crenças Pessoais com 81,88%, seguido de Relações Pessoais com 61,46%. Contudo, os outros Domínios (Ambiente, Nível de Independência e Psicológico) apresentaram-se próximos ao de Relações Pessoais, variando de 55,25% até 59,84%. Com menor índice, o Domínio Físico (50,63%) indicou como sendo muito importante esse aspecto na qualidade de vida das entrevistadas.

Tabela 02 – Estatística dos domínios entre as mulheres idosas pesquisadas

Domínio Média Padrão Desvio Mínimo Valor Máximo Valor

Físico 12,10 1,40 10,67 15,00 Psicológico 12,84 1,22 10,40 14,20 Nível de Independência 13,40 0,66 12,25 14,50 Relações Sociais 13,83 2,74 8,00 16,67 Ambiente 13,58 2,20 9,25 16,88 Aspectos Espirituais/Religião/ Crenças pessoais 17,10 2,69 12,00 20,00 Total 13,42 1,44 10,60 15,56 Fonte: a autora

A Tabela 2 demonstra evidências para a média no Domínio 6 (Aspectos Espirituais/Religião/Crenças Pessoais), com 17,10. Para o desvio padrão, salienta-se os Domínios 4 (Relações Sociais) e 6 (Aspectos Espirituais/Religião/Crenças Pessoais), com 2,74 e 2,69, respectivamente. No valor mínimo, destaca-se o Domínio 3 (Nível de Independência) e Domínio 6 (Aspectos Espirituais/Religião/Crenças Pessoais), com 12,25 e 12,00, respectivamente. Para o valor mínimo, o Domínio 6 (Aspectos Espirituais/Religião/Crenças Pessoais).

O Quadro 4 apresenta as Facetas respectivas a cada Domínio, sendo que: 1. Domínio 1 (Físico): Dor e Desconforto; Energia e Fadiga; Sono e

Repouso;

2. Domínio 2 (Psicológico): Sentimentos Positivos; Pensar, Aprender, Memória e Concentração; Autoestima; Imagem Corporal e Aparência; Sentimentos Negativos;

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3. Domínio 3 (Nível de Independência): Mobilidade; Atividades da Vida Cotidiana; Dependência de Medicação ou de Tratamentos; Capacidade de Trabalho;

4. Domínio 4 (Relações Sociais): Relações Pessoais; Suporte Social; Atividade Sexual;

5. Domínio 5 (Ambiente): Segurança Física e Proteção; Ambiente no Lar; Recursos Financeiros; Cuidados de Saúde e Sociais; Oportunidades de Adquirir Novas Informações e Habilidades; Participação e Oportunidades de Recreação e Lazer; Ambiente Físico; Transporte;

6. Domínio 6 (Aspectos Espirituais Religião e Crenças Pessoais): Espiritualidade, Religião e Crenças Pessoais.

Assim considerando, a Tabela 3 apresenta a descrição estatística por facetas, levando em conta as respostas fornecidas pelas idosas pesquisadas.

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Tabela 03 – Estatística por facetas das mulheres idosas pesquisadas

FACETA MÉDIA DESVIO PADRÃO MÍNIMO VALOR MÁXIMO VALOR Dor e desconforto 12,90 3,21 5,00 16,00 Energia e fadiga 12,60 2,12 10,00 17,00 Sono e repouso 12,60 1,51 11,00 15,00 Sentimentos positivos 12,30 4,08 7,00 19,00 Pensar, aprender, memória e

concentração 13,40 3,75 5,00 17,00 Auto-estima 14,30 3,23 9,00 19,00 Imagem corporal e aparência 13,00 1,49 11,00 15,00 Sentimentos negativos 12,80 4,16 6,00 18,00

Mobilidade 12,20 1,40 9,00 14,00

Atividades da vida cotidiana 13,20 0,79 12,00 14,00 Dependência de medicação ou

de tratamentos 11,60 4,12 4,00 17,00 Capacidade de trabalho 15,80 4,52 4,00 20,00 Relações pessoais 15,20 2,30 10,00 17,00 Suporte (apoio) social 13,60 3,86 6,00 19,00 Atividade sexual 12,70 2,26 8,00 15,00 Segurança física e proteção 12,60 1,43 9,00 14,00 Ambiente no lar 13,60 4,72 5,00 19,00 Recursos financeiros 13,90 1,10 12,00 15,00 Cuidados de saúde e sociais:

disponibilidade e qualidade 14,40 2,59 9,00 18,00 Oportunidades de adquirir novas

informações e habilidades 13,20 4,37 5,00 19,00 Participação em, e oportunidades de recreação/lazer 13,70 2,91 9,00 18,00 Ambiente físico: (poluição/ruído/trânsito/clima) 13,30 1,89 11,00 17,00 Transporte 13,90 2,23 11,00 17,00 Espiritualidade/religião/crenças pessoais 17,10 2,69 12,00 20,00

Qualidade de Vida do ponto de

vista do avaliado 14,30 3,37 9,00 19,00 Fonte: a autora

A Tabela 03 salienta que em relação às facetas provenientes dos domínios expostos acima, da amostra de 10 mulheres idosas, identifica-se que a Atividade da Vida Cotidiana apresentou o melhor desvio padrão (0,79), com média de 13,20, seguidos de Recursos Financeiros (Domínio 5 – Ambiente), com desvio padrão 1,10 e média de 13,90,ou seja, ambas as pesquisadas destacam essas facetas como relevantes para sua qualidade de vida, especificamente do Domínio 3 (Nível de

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