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O CRÉDITO TRIBUTÁRIO

Rénan Kfuri Lopes

Sumário:

I- INTRODUÇÃO

II- O LANÇAMENTO

II.1. Lançamento administrativo e judicial

II.2. Classificação do lançamento

III- CAUSAS SUSPENSIVAS DO CRÉDITO

TRIBUTÁRIO

III.1.

A moratória

III.2. O depósito integral

III.3. A interposição de recurso

administrativo

III.4. Concessão liminar em mandado de

segurança

IV- CAUSAS EXTINTIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

IV.1.

O pagamento

IV.2.

A compensação

IV.3.

A transação

IV.4.

A remissão

IV.5.

Decadência e Prescrição

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I- INTRODUÇÃO

A advocacia empresarial tem convívio direto com o direito tributário. Além das perspectivas pouco otimistas do mercado, os empresários brasileiros sofrem com os impostos cobrados por nossa legislação tributária em todos os níveis: municipal, estadual e federal.

E essa angústia não advém exclusivamente da carga tributária e de uma legislação protecionista do Estado, mas também do desconhecimento da matéria por alguns fiscais, felizmente a minoria, bem como dos operadores do direito, desavisados dos preceitos legais em pauta.

O advogado é participante ativo desde o início da fiscalização, não permitindo atos abusivos e ilegais praticados pelos fiscais; atua na impugnação dirigida à instância administrativa a quo contra o lançamento do débito fiscal; recorre à instância administrativa ad

quem competente (Conselhos ou órgãos equivalentes). No âmbito

judicial, os procedimentos judiciais mais comuns são: mandado de segurança, ação declaratória ou anulatória de débito, embargos à execução, consignação em pagamento, e outras adequadas a cada caso concreto.

O art.139 do CTN conceitua o crédito tributário como uma obrigação jurídica tributária: “O crédito decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” (art. 139 do CTN).

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Destarte, o propósito de trazer deste estudo é realçar as premissas básicas que envolvem o “Crédito Tributário”, necessárias para uma compreensão primária do tema em estudo.

II- O LANÇAMENTO

A apuração do crédito tributário através de inspeção do fisco é retratada pelo ato administrativo intitulado “lançamento”. No

lançamento identifica-se o valor certo e líquido do crédito tributário

levando em conta o fato gerador, o objeto da obrigação, a identificação do contribuinte e a Fazenda Pública credora, esclarecendo o prazo, onde e como o contribuinte fará o pagamento.

Importante frisar que se a lei não fixar prazo para o pagamento do tributo devido1, a obrigação vencerá em 30 dias após a notificação

do lançamento ao sujeito passivo (art. 160 do CTN).

Por gozar a lei tributária de ultratividade2, o lançamento

retroage seus efeitos à data da ocorrência do fato gerador, regendo-se em consonância com a lei vigente naquela época, não regendo-se permitindo alterar se a posteriori a lei tenha sido ab-rogada ou derrogada, ou mesmo que a nova seja mais benéfica (art. 144 do

1 A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas

condições que estabeleça (art. 160, parágrafo único do CTN).

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CTN). Insta ressaltar que a lei mais benéfica em regra não retroage, salvo se trouxer disposição expressa de retroação.

Por se tratar de um ato administrativo, obriga o agente fiscal a proceder ao lançamento de acordo com a lei, sob pena de responsabilidade profissional (art. 142, parágrafo único do CTN).

II.1. Lançamento administrativo e judicial

Notificado o contribuinte do lançamento contra si do crédito tributário, poderá tomar dois caminhos:

- na esfera administrativa, ofertar impugnação propugnando pela nulidade se verificados vícios insanáveis (ilegalidade), redução total ou parcial do valor apurado (CTN, art.145,I); Recurso de Ofício (CTN, art. 145,II) e por iniciativa de ofício da autoridade administrativa se ocorrer às hipóteses previstas no art. 149 (CTN, art.145, III);

- na esfera judicial, buscando a inconstitucionalidade da lei tributária, a declaração de nulidade e anulação total ou parcial do procedimento administrativo por erros de forma ou para reconhecer indevido o crédito tributário.

II.2. Classificação do lançamento

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- misto ou por declaração, realizado pelo fisco em concurso com o contribuinte, v.g.,IR, II, IE, ITCMD e ITBI3.

Pode o próprio declarante tomar a iniciativa de retificar a declaração prestada, buscando reduzir ou excluir o tributo, desde que comprove em que se funde e antes de notificado o lançamento do mesmo (art. 147, §1º do CTN). O exame desse pleito de retificação por erro na declaração estará a cargo da autoridade administrativa a que competir a revisão daquela (art. 147, §2º do CTN).

- direto ou de ofício, sua constituição é prevista em lei ou quando o tributo não tenha outra forma de ser lançado (CTN, art.149). É de incumbência exclusiva do Fisco, sendo o contribuinte apenas notificado do crédito tributário a saldar, v.g., IPTU.

- por homologação ou autolançamento, é aquele realizado pelo contribuinte “ad referendum”, mas fiscalizado pela Fazenda Pública, v.g., ICMS, IPI, ISS e IOF.

Permite-se o pagamento antecipado pelo obrigado com a finalidade de extinguir o crédito tributário, mas mesmo assim, estará condicionada a ulterior homologação do lançamento (art. 150, §1º do CTN), no prazo estabelecido por lei. Não existindo prazo fixado, a homologação será até 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º CTN).

O lançamento só passará a ter eficácia, após regularmente notificado o contribuinte por intermédio de carta com aviso de

3 “O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de

terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matérias de fato, indispensáveis a sua efetivação” (art. 147 do CTN).

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recebimento. Se nula a notificação, o lançamento não produz qualquer efeito, impondo-se seja refeito.

III- CAUSAS SUSPENSIVAS DO CRÉDITO

TRIBUTÁRIO

Depois de constituído regularmente o crédito, só poderá sofrer modificação, extinção ou ter sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos que a lei prever, sendo vedado ao fisco dispensá-lo fora dessas situações (CTN, art.141).

São causas de suspensão do crédito tributário: - moratória (art. 151, I do CTN);

- depósito do seu montante integral (art. 151, II do CTN);

- reclamações e os recursos, nos termos da lei, reguladoras do processo tributário administrativo

(art. 151, III do CTN);

- concessão de medida liminar em mandado de segurança (art. 151, IV do CTN);

- concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (art. 151, V do

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- parcelamento (art. 151, VI do CTN): Foi introduzido com a

LC 104/01, mas a doutrina já o admitia4.

III.1. A moratória

A moratória tem natureza de medida política fiscal, quando presentes circunstâncias que atingem a capacidade econômica do contribuinte, obediente ao princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, prorrogando o prazo normal do recolhimento através de uma lei criada especialmente com esse propósito. Só atinge os créditos definitivamente constituídos à data da lei ou do despacho que a conceder, ou cujo lançamento já tenha sido iniciado àquela data por ato regularmente notificado ao sujeito passivo (CTN,art. 154).

Tem regras especiais a moratória, podendo ser concedida em caráter geral ou individual. Na categoria geral, a moratória pode ser concedida (i) pela pessoa política competente (CTN, art.152,I,a) e (ii) pela União, quanto aos tributos de competência dos Estados, Distrito Federal e Municípios, quando conceder simultaneamente às obrigações de direito privado (CTN, art.152,I,b). Na categoria

individual, a moratória pode ser concedida por despacho da

autoridade administrativa, se tiver autorizada por lei (CTN, art.152,II), podendo circunscrever a sua aplicabilidade a determinada região do território da pessoa política competente, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos (CTN, art.152, parágrafo único).

4 O parcelamento deve ser concedido por meio de lei específica e não exclui a

incidência de juros e multas, aplicando, subsidiariamente, ao parcelamento, as disposições relativas à moratória (CTN, arts. 155- A, 155-A §1º e 150-A, §2º).

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Importante frisar que a moratória individual, por não gerar direito adquirido, é passível de revogação de ofício, quando constatado que o contribuinte-beneficiário:

- não satisfazia as condições da moratória;

- deixou de satisfazer as condições da moratória; - descumpriu ou deixou de cumprir as obrigações

condicionantes.

A moratória revogada permite a cobrança do crédito tributário, acrescido de juros moratórios e não aproveita aos casos de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo ou terceiro em benefício daquele (CTN, arts.154, parágrafo único e 155,I e parágrafo único).

III.2. O depósito integral

O contribuinte pode efetuar ao depósito integral do crédito tributário cobrado pela Fazenda Pública, que com ele não concordar, para fins de afastar a mora e suspender a sua exigibilidade5. Esse depósito será integral, realizado na por via administrativa ou judicialmente (ação anulatória ou declaratória, antes ou depois do lançamento), e será corrigido monetariamente. Obtendo êxito na ação judicial, o contribuinte levantará o depósito judicial e, se derrotado, o depósito servirá como pagamento (conversão de depósito em renda).

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A interposição de recurso administrativo recebido com efeito suspensivo dentro do contencioso administrativo torna defeso a exigibilidade pelo fisco. Por não gerar as decisões administrativas o efeito da imutabilidade típica da coisa julgada das decisões judiciais, o contribuinte não está obrigado a peregrinar pelas vias administrativas através de impugnações e recurso, podendo questionar seus direitos diretamente pela via judicial, através dos meios adequados à sua pretensão.

III.4. Concessão liminar em mandado de segurança

Se o juiz conceder liminar em mandado de segurança, o crédito tributário ficará suspenso, até que seja revogada em instâncias superiores ou denegada a ordem por sentença, valendo ressaltar, que a apelação interposta não tem efeito suspensivo.

IV- CAUSAS EXTINTIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

O art.156 do CTN relaciona as causas extintivas, e ocorrendo quaisquer das situações abaixo, desaparece a exigibilidade do crédito tributário:

São causas de extinção do crédito tributário: - pagamento (art. 156, I do CTN);

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- transação (art. 156, IIII do CTN);

- remissão (art. 156, IV do CTN);

- prescrição e decadência (art. 156, V do CTN);

- conversão do depósito em renda (art. 156, VI do CTN); - pagamento antecipado e a homologação do lançamento

nos termos do disposto no art. 150, §§1º e 4º (art. 156,

VII do CTN);

- consignação em pagamento, conforme art.164 § 2º do CTN (art.156,VIII do CTN);

- decisão administrativa irreformável em favor do

contribuinte para extinguir o crédito tributário;

- decisão judicial favorável ao contribuinte, passada em

julgado para extinguir o crédito tributário (art. 156, X do

CTN);

- dação em pagamento em bens imóveis (art. 156, XI do CTN).

IV.1. O pagamento

O pagamento é a satisfação do valor da obrigação/prestação do crédito tributário (pode ocorrer desconto pela antecipação do pagamento - CTN, art.160 parágrafo único), no seu vencimento ou apontado no lançamento (CTN,art.160- se não constar o prazo no lançamento, conta-se 30 dias do recebimento da notificação do lançamento). O pagamento é feito na repartição ou banco onde o contribuinte encontrar-se domiciliado (CTN, art.159); em moeda

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IV.2. A compensação

Requisitos indispensáveis para suceder a compensação com crédito tributários vencidos ou vencíveis: se o fisco tem um crédito e o contribuinte outro crédito líquido e certo para com o fisco, sendo previsível legalmente esse encontro de contas para fins de extinção recíproca (CTN, art.170). É vedado para fins de compensação, aproveitar crédito que sua constituição esteja sub iudice (CTN, art.170-A). A compensação de crédito tributário pode ser pedida através de mandado de segurança (STJ, Súmula 213).

Muito comum que o pagamento se concretize através de título da dívida pública em condições de ser resgatada, pois se trata de dinheiro. Ela pode vir através de compensação, resultando no pagamento. O pagamento em cheque somente se considera extinto com a sua liquidação (CTN, art.162 § 2º).

Também se opera a compensação quando verificado administrativamente ou judicialmente o crédito do contribuinte a procedência do pedido de repetição de indébito, total ou parcial, caso tenha procedido com o pagamento de tributo indevido, pois a Fazenda não pode se enriquecer ilicitamente, recebendo o que não lhe seja devido (CTN, art.165).

IV.3. A transação

A transação é um acordo que somente se perfaz com base em permissibilidade de uma lei especial indicando a autoridade

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específica para celebrar essa concessão recíproca entre a Fazenda e o contribuinte (CTN, art.171). Como é sabido, a Fazenda está impedida de transacionar livremente com o contribuinte, em virtude do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público.

IV.4. A remissão

O perdão do débito tributário é chamado remissão. Só poderá ser concedido por intermédio de lei, já que, como dito, não dispõe a Fazenda direito de transacionar ou perdoar débitos tributários (CF, art. 150 § 6º). Ressalva se faz em relação ao ICMS, cabendo a lei complementar regular a forma como, mediante liberação dos Estados e Distrito Federal, as isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. O art.172 nos seus incisos I,II,III,IV e V prescrevem que a lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado (sujeito a revogação de ofício nos casos do art.155 do CTN) para fins de remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I - à situação econômica do sujeito passivo; II - ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto à matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; IV - a considerações de equidade, em relação com as características pessoas ou materiais do caso; V - as condições peculiares à determinada região do território da entidade tributante.

Com efeito, a Fazenda torna-se ao mesmo tempo credor e devedor do mesmo tributo, como ocorre no caso de herança vacante,

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sujeito ativo ou o sujeito passivo sem deixar sucessor, para sub-rogar nos direitos e deveres do sucedido, nos limites da herança.

IV.5. Decadência e Prescrição

No direito tributário, antes do lançamento pode ocorrer a

decadência, ou seja, a perda do direito não exercitado por um

determinado tempo previsto em lei, resultando no desaparecimento do direito inerte, e , via de conseqüência, desaparecendo do mundo jurídico a possibilidade de sua cobrança. Mas depois do lançamento, pode surgir a prescrição, ou seja, a perda da pretensão da Fazenda agir administrativa ou judicialmente na busca do direito de cobrar o crédito tributário, dentro do princípio da segurança jurídica, que não se admite o prolongamento no tempo das obrigações patrimoniais. Insta pontuar, que o crédito tributário prescrito, mesmo que indevido, não enseja o direito do contribuinte reivindicar a cobrança via ação de repetição de indébito.

É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para a Fazenda lançar tributos direto ou por declaração (CTN, art.173), contando-se:

- do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (CTN,art. 173, I); - do dia da decisão anulatória por vício formal o lançamento

anteriormente realizado (CTN,art. 173, II). Assim, pode-se verificar que a Fazenda tem um prazo de 5 anos para anular e mais 5 anos para lançar a partir da anulação, não se permitindo repetir esse procedimento;

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- da tomada de qualquer providência administrativa para alcançar (CTN, art. 173, parágrafo único).

É também de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para a Fazenda lançar tributos por homologação. Esse prazo é contado da data do fato imponível, mesmo que a Fazenda não o tenha homologado, exceto se o fisco comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art.150 § 4º). Comprovado essas ilicitudes, o prazo para o lançamento segundo o CTN é de 20 (vinte) anos, embora boa parte da doutrina só admita o prazo limite de 10 (dez) anos estabelecido pelo novo Código Civil vigente.

O prazo prescricional para a fazenda cobrar o seu crédito regularmente lançado é de 05 (cinco) anos, contado da data de sua constituição, ou que tornar definitiva a decisão administrativa, ou que transitar em julgado a decisão judicial que tenha reformado ou anulado (CTN, art.165 II e III).

Para buscar a repetição de indébito judicialmente por pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido, tem de ficar atento ao prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contado da data que o crédito foi extinto pelo próprio contribuinte (CTN, arts. 168, I e 165 I e II). Mas para interromper esse prazo prescricional basta a distribuição da ação judicial.

A ação anulatória contra decisão administrativa que denegou o pedido de repetição de indébito prescreve em 02 (dois) anos (CTN, art.169).

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- a inscrição da dívida ativa no livro próprio suspende a prescrição por 180 (cento e oitenta) dias (=06 meses) ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo (art. 2º, §3º da Lei 6830/80);

- ajuizada a execução fiscal se o contribuinte não for encontrado para citação ou ainda que encontrado se não tiver bens sobre os quais possa recair a penhora, o processo fica suspenso por 01 (um) ano. Após a suspensão, nada requerendo a Fazenda nos próximos 05 (cinco) contados do término do prazo de suspensão, ocorrerá a prescrição intercorrente, gerando a extinção do processo de execução.

Existem, ainda, as causas interruptivas da fluência do prazo prescricional, concatenadas no art.174 parágrafo único do CTN. São elas:

- a citação pessoal feita ao devedor. Diferentemente para a Lei 6830/80 que aponta o despacho do Juiz que ordena a citação (art. 8º, §2º da Lei 6830/80)6;

- a medida cautelar do protesto judicial (CTN, art. 174, parágrafo único, II do CTN);

- qualquer medida judicial (interpelação) visando constituir o devedor em mora (CTN, art. 174, parágrafo único, III); - qualquer providência extrajudicial que explicite o

reconhecimento do débito por parte do contribuinte, como sói ocorrer nos pedidos de parcelamento (CTN, art. 174, parágrafo único, IV).

6 STJ, Súmula 106: proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na

citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência.

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O prazo decadencial e prescricional para a cobrança dos débitos previdenciários é de 10 (dez) anos (Lei n. 8.212/91, arts.45 e 46 respectivamente). Há divergência na doutrina, alguns juristas de escol sustentando a inconstitucionalidade desses dispositivos, pois caberia à Lei Complementar ditar regras gerais em matéria relativa a legislação tributária, sobretudo quando se trata de decadência e prescrição (CF, art. 146, III, “b”).

IV.6. Consignação em pagamento

Pode o contribuinte proceder à consignação em pagamento judicialmente, quando houver a recusa por parte da Fazenda do recebimento de tributo ou penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória (CTN, art.164,I); ou subordinação e descumprimento das exigências legais administrativas (CTN, art.164,II); sofrer exigência por mais de uma pessoa jurídica de direito público de tributo idêntico ao mesmo fato gerador (CTN, art.164,II). Julgada procedente a consignação, o valor depositado se resolve em crédito para a Fazenda. Mas se decidida pela improcedência parcial ou integral, o contribuinte na parte devida responderá pelo valor principal corrigido, mais juros moratórios, multas devidas, sem prejuízo das penalidades cabíveis (CTN, art. 164, §2º do CTN).

Sub censura.

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