Meditações
Circulares
QUISSAK JR.
1 de Janeiro de 1976 Quissak Jr.
(Síntese de conceitos sobre o Bem, Verdade e Beleza de fragilidade do mal entendido histórico que cultiva o materialismo dialético e horizontal do descaminho tecnológico de redescoberta da
vida e seu sentido.)
O SÉCULO DO NADA
MEDITAÇÃO I
1. Ao longo de todo processo de investigação
autêntica, o surgimento das chamadas fases
dá-se em função da mecânica cujo fundamento
envolve um caráter de decorrência natural cada
etapa cumprida na obra criada nada mais representa que justo reflexo de idêntico itinerário nas latitudes internas do eventual criador.
2 . A Liberdade é esférica.
3. Só o fruto da criatividade, que fruto é da liberdade.
4. Em função da implícita responsabilidade
do arbítrio, o ato de criar, se efeito – da
liberdade, ganha sua ideal grandeza como causa
dessa mesma liberdade solene e irrefutável depoimento do caráter livre e esférico da natureza humana.
5. Diminuiu-se o homem na proporção em que nos diminuímos, privando-o da liberdade.
6. Ninguém peca contra terceiros, mas sempre contra si próprio.
7. Todo constrangimento causado ao semelhante, envolve antes de mais nada uma diminuição do próprio constrangedor.
8. A Norma cria seu reflexo.
9. O pejorativamente libertário e aleatório não é livre prisioneiro que é de falsa concepção de liberdade.
10. O egoísmo, a hipocrisia, a presunção e principalmente o caráter horizontal das conveniências episódicas rompem a beleza plena em trezentos e sessenta graus da liberdade.
11. O Estado livre será um Estado/Esférico.
MEDITAÇÃO II
12. Assim pois ao Homem, Suprema finalidade reitero a minha Fé, revitalizando em nova etapa, o meu solitário encantamento.
13. Conserve o ideal de perfeição todo modelo aprisionado na mente é copiado na vida.
14. A natureza não anda aos saltos na sua dinâmica. Dela fazendo parte, sob inspiração de idêntico critério, cumpri vinte e cinco anos no exercício das coisas da Arte. Nunca necessariamente para o norte, menos ainda em
termos de escalada. A escada não é para subir,
mas para descer (pois que o infinitamente pequeno se confunde com o infinitamente
grande e o que está em baixo é igual ao que está em
cima).
15. Tão longo aprendizado foi superiormente honroso.
16. O Verbo conquista-se. Merecê-lo implica
em sê-lo, na proporção de partícula a imagem e
semelhança.
17. Não há honra maior que tentá-lo.
18. Renascer da poeira para o Todo Divino. Integrar-se ao UM, compondo a Suprema Unidade.
19. É a descoberta da Luz, da Vida e seu sentido pelo arbítrio e Fé, pelo trabalho e compreensão e principalmente pela via das lágrimas do conhecimento.
20. Chora quem busca o saber, quem descerra os véus, quem coleciona informações.
21. Chora quem julga – pois tem medo. 22. Chora quem se presume vítima das próprias limitações.
23. O objeto do conhecimento envolve perspectiva infinita. Percorrê-la pelo prazer cego da conquista do conhecimento horizontal, implica confissão da própria cegueira, que impedirá a identificação da Sabedoria e sua sutileza, no confronto com o conhecimento, escondida nos simples grãos de poeira dos caminhos pisados.
24. O preconceito do dogma parcializa e cega.
25. Cem mil vezes diria aos garimpeiros da quantidade, aos colecionadores de metros e quilos do conhecimento dogmático e de superfície: lembre-se da poeira sob seus pés.
QUISSAK JR.
e compreensão - anunciará a chegança da Sabedoria.
27. Quem é sábio sorri.
28. A ansiedade, o medo e a presunção não encontram eco no espírito sábio.
29. Se porventura através do caricato senso de avaliação, alguém julgar ter encontrado o último dos homens tísico, aos farrapos, abandonado à margem da estrada e se tal homem, traiçoeira e habitualmente julgado pelas aparências sorrir docilmente ao passante injusto, certamente tal homem será um sábio.
30. Para ele, a dor, miséria e sofrimento não têm sentido. Sua compreensão dos fenômenos e natureza dos mesmos têm a fôrça de absorvê-los.
31. Assim, o escravo do conhecimento da superfície, epitelial sofre, atém-se ao episódico e dele transforma-se em vítima.
32. Dá-se o contrário com o sábio, cujo meigo sorriso tangencia o Absoluto.
33. Quem É, sabe que Foi e Será pois habita a frequência da eternidade. O Universo não possui um lixo em separado: o que aqui está, estava e estará.
MEDITAÇÃO III
34.Ter um por que pintar deve anteceder em
muito a preocupação de ter O que pintar.
35. O Fato só compõe a natureza Divina quando expressão do Verbo (evidente que não no sentido apenas da palavra, que como som de gênese magicamente fasciculada, é síntese oral, é ordem alquímica como fator de transmutação mas também e principalmente no sentido do SER em comunhão com o Absoluto).
36. Assim o Ser antecede o ter e o haver.
37. O Verbo só é conjugado em tempo de Fé. 38. O racionalismo castra-o.
39. A Fé traduz a realidade de um universo Pensamento/Vivo.
40. Os cinco sentidos vulgares deformam tal realidade. Mais ainda – traem-na.
41. Assim, o universo não é uma grande
máquina – mas um grande pensamento.
42. O racionalismo é horizontal e menor. Divorciado da Fé não a utiliza na bancada de investigação.
43. Somente se prova o que é aparentemente
tangível, inteligível aos cinco limitadíssimos sentidos, que superpovoam de leviandades formais as prateleiras de fácil localização no nosso cérebro, com produtos de fácil consumo, na análise e julgamento de episódicas e aparentes realidades.
44. A realidade maior, cujo acesso somente se viabiliza pelas vias da Fé, não ocuparia apenas ridícula percentagem do nosso potencial intelectual ou espiritual como queiram mas
todo o SER, numa coreografia silenciosa e solene
de justa integração.
45. Somente se conhece o que se é.
46. O universo não é uma realidade em separado. Ou nós estamos nele e ele não existe,
melhor não sobrevive, divorciado, separado de
nós.
47. Só se conhece aquilo que integramos. 48. Conhecer pelas vias do racionalismo, corresponde apenas em presumir e a presunção, se filha do conhecimento, não o é certamente da sabedoria, que nasce da Fé.
49. Prover o objeto da Fé é negá-la como fonte básica de força e energia que faz a si mesma.
MEDITAÇÃO IV
50. O Universo, no sentido de Corpo Divino, faz-se a si mesmo – incessantemente.
51. Dá-se o mesmo conosco.
52. A destruição de uma galáxia (por dantesco que pareça), é, no silencioso festival de transformações do Corpo Divino, um fator de Bem e Beleza.
53. A compreensão da transitoriedade formal dá-nos enlevo no íntimo propósito da própria edificação.
54. O Universo existe quando em nós Ele é vivificado, quando nos vivificamos.
QUISSAK JR.
55. Se construídos a chegança da Luz nos transformará em construtores.
56. A grandeza da obra resultará proporcional, na medida que n’Ele estivermos e Ele em nós.
MEDITAÇÃO V: AO H O M E M A L A D O
57. O Espólio de uma juventude morta é o futuro não vivido.
58. Se a maioria dos homens emprega a primeira parte de suas vidas em tornar a outra miserável, melhor teria sido não vivê-la.
59. O arbítrio da jovem desesperança causa-nos compaixão.
60. O longo e cego itinerário dos velhos na louca corrida em perseguição do Nada causa-nos riso.
61. A Babel quantitativa é ilógica miragem contemporânea dos que não tiveram tempo ou visão para perceber o macro no micro, e o Divino na poeira surrada dos caminhos.
62. O norte está no sul.
63. O que está embaixo é igual ao que está em cima.
64. O tempo não é um rio, mas um lago. 65. Há apenas a Eternidade regendo a natureza do UM.
66. O universo não possui – afirmo-o novamente – um lixo em separado. N’ele tudo esteve, está e estará. O que Foi, É e Será.
67. O homem que se julga dono do conhecimento, sempre limitado, hipócrita e ironicamente arbitra sua coreografia ou chora e sofre no recesso de travesseiros em noites mal dormidas, em vigílias de tormento, mórbido acalanto de anjos caídos.
68. A indiferença que tantos alegam ter é um mito. Só é indiferente aquele que estando vivo, julgando-se vivo verdadeiramente está morto sem sabê-lo.
69. O homem só vê a Luz quando renasce para Ela. É a vitória da Fé e do arbítrio sobre a casuística.
70. Conhece-te e irá conhecê-Lo.
71. Tóque levemente sua pele e a mente
saberá. Seja, Ele irá sabê-lo. Nesse exato instante
fará parte dEle.
72. À humanidade contemporânea não resta sentido à vida; ele foi perdido, rompeu-se o mágico cordão umbilical que a unia à sua idade alada. Triste e consentida amnésia camuflou o pórtico da luz exatamente onde ela a humanidade sempre estava e está – na esfera louca que se desfaz.
73. A luz disfarçada escondeu-se sutilmente nas dobras de sentidos abandonados. Em nós.
74. O que julga conhecer, sofre é o mistério do conhecimento e presunção.
75. O que é sábio, sorri; é o mistério da compreensão e sabedoria.
76. Que o homem reassuma sua efetiva dimensão sendo o próprio Espaço/Tempo, reintegrando-se ao Corpo e Espírito Divinos.
77. Que recolha dos escombros de um mundo de sombras fragmentos de Luz e com Eles reconstrua suas vestes e suas asas.
MEDITAÇÃO VI
78. (A propósito do surgimento de nova fase no meu exercício das coisas da Arte).
79. Dizer que sofri vinte e cinco anos no enlevo da criação, reflete indisfarçável força de expressão.
80. Pintar foi sempre um ato de amor e alegria.
81. Eventual e discutível tristeza não seria devida ao ato em si de pintar ou à coreografia da criatividade, sempre de desafio e encantamento. Muito menos ainda como decorrência da singularidade profissional.
82. Jamais pretendi refleti-la na obra criada (lembrando de passagem que Arte não é muro de lamentações), na sua temática ou até mesmo no seu fundamento filosófico.
83. Simplesmente a natural preocupação do conhecimento colocava trevas e sombras em paralelismo, consequentemente no mesmo plano com a Luz, como suas antíteses ou parceiras alquímicas.
QUISSAK JR.
84. Igualmente o bem e o mal e os demais
contrários compunham a aparente estabilidade conceitual de enganoso dualismo.
85. Penso que hoje sei que a sombra e o mal (para deter-me apenas em dois acanhados
exemplos) são filhos do conhecimento – portanto
apenas humanos. Não são filhos da sabedoria,
pois para Ela a sombra e o mal não existem, pois não compõem como ingredientes e
fundamentalmente a natureza-primeira de Deus
ou do UM – como queiram.
86. São simplesmente frutos ou filhos adotivos da mente limitada que julgamos saber, presume. Suas origens prendem-se ao episódio, limitado e circunstancial.
87. Há apenas o Bem, pois somente Ele é divino.
88. A infatigável, febricitante e eterna transformação do Corpo Universal do micro ao macro implica num ato ou acontecimento perene de Bem com todas as suas correspondências escoando na intimidade de todas as escalas, em todos os seus aspectos na infinita gama de valores guardados entre tais extremos mesmo quando de destruição e morte aparentes.
89. Só o Bem é Absoluto. 90. O mal é episódico.
91. A Luz, regra que define o Espírito Divino. 92. A sombra, o mal, a mentira, não compõem a nível de dualismo a substância do UM.
93. Assim, havia apenas, no meu esforço de permanente aprendiz, falsa compreensão da natureza do Bem e do Mal ou da Luz e das Trevas.
94. Era enfim devido a um enfoque, que o conhecimento por si só não poderia melhorar.
95. Só o advento de justo amadurecimento, que o arbítrio e razão não guardam potência para antecipar, poderia permitir tal acontecimento.
MEDITAÇÃO VII
96. Ao renascimento da consciência de Liberdade.
Guaratinguetá, Terra das Garças Brancas. Quissak Jr. 76