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AUTOR: Antonio Balian, OAB/GO nº

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Academic year: 2021

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(1)

COMENTÁRIOS SOBRE A INSTRUÇÃO

NORMATIVA Nº 673/04-GSF, PUBLICADA

PELO SECRETÁRIO DA FAZENDA DO

ESTADO DE GOIÁS, QUANTO À

UTILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA DO CRÉDITO

PRESUMIDO DO ICMS AO PEQUENO

PRODUTOR AGROPECUÁRIO PESSOA

FÍSICA.

(2)

VALIDADE DOS ATOS SECUNDÁRIOS

NO JULGAMENTO DO RESP 1225018/PE, ACÓRDÃO

PUBLICADO EM 26/04/2011, O SUPERIOR

TRIBUNAL DE JUSTIÇA ASSIM DECIDIU:

4. A validade das instruções normativas (atos normativos

secundários) pressupõe a estrita observância dos limites

impostos pelos atos normativos primários a que se

subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.),

sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma

exegese que possa irromper a hierarquia normativa

sobrejacente, estarão viciados de ilegalidade.

(3)

ATRAVÉS DO ARTIGO 2º, DA LEI Nº 13.453/99, O ESTADO DE

GOIÁS AUTORIZOU A CONCESSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO

DO ICMS AO PRODUTOR AGROPECUÁRIO E AO EXTRATOR DE

SUBSTÂNCIA MINERAL OU FÓSSIL, NOS SEGUINTES TERMOS:

“Art. 2º Fica o Chefe do Poder Executivo

autorizado, na forma limites e condições que

estabelecer, a conceder:

I - crédito presumido do ICMS ao produtor

agropecuário e ao extrator de substância mineral

ou fóssil, a ser apropriado em substituição à

apropriação de qualquer outro crédito relativo à

aquisição de mercadoria ou bem, ou à utilização

de serviço de transporte ou de comunicação;”

(4)

A FORMA, LIMITES E CONDIÇÕES PARA A UTILIZAÇÃO DO

CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS, ENCONTRA-SE NOS ARTIGOS

63 E 64 DO DECRETO Nº 4.852/97, REGULAMENTO DO CÓDIGO

TRIBUTÁRIO ESTADUAL (RCTE) PUBLICADO PELO CHEFE DO

PODER EXECUTIVO:

Art. 63. Crédito presumido é o valor correspondente ao montante

que o contribuinte é autorizado a apropriar, em substituição à apropriação de qualquer outro crédito relativo à aquisição de mercadoria ou bem, ou à utilização de serviço de transporte ou de comunicação.

§ 1º A opção pela utilização do crédito presumido feita pelo contribuinte deve ser consignada no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências e ser praticada no exercício civil completo, exceto quando a legislação determinar de forma diferente ou a opção ocorrer em exercício corrente, devendo a mesma, neste último caso, alcançar, no mínimo, 31 de dezembro. (Grifamos)

(5)

Art. 64.

É

concedido

crédito presumido ao estabelecimento:

(Grifamos)

(...)

V -

produtor agropecuário ou extrator de substância mineral

ou fóssil, no percentual de até 40% (quarenta por cento) sobre

o valor do imposto devido, em substituição à apropriação de

qualquer outro crédito, atendidos os

limites e as demais

normas estabelecidos em ato do Secretário da Fazenda

, sendo

que a apropriação do crédito presumido deve ser feita (Lei nº

13.453/99, art. 2º, I): (Grifamos)

a)

no momento da emissão do documento fiscal

correspondente à operação, por intermédio do órgão

fazendário;

b)

pelo estabelecimento produtor agropecuário ou extrator de

substância mineral ou fóssil e pelo substituto tributário pela

operação anterior, na forma disposta na legislação tributária.

(6)

ESTÁ BASTANTE CLARO NO ARTIGO 63,

§ 1º, DO RCTE, QUE O CRÉDITO

PRESUMIDO DO ICMS É CONCEDIDO,

POR OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. OU

SEJA, SUA UTILIZAÇÃO NÃO É

OBRIGATÓRIA. BASTA O FISCO

(7)

DE ACORDO COM O ARTIGO 64, INC. V, “a” e “b”

DO MESMO REGULAMENTO, A APROPRIAÇÃO DO

CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS PODE SER FEITA:

(a) No momento da emissão do documento fiscal

por

intermédio

do

órgão

fazendário

(produtor/extrator não credenciado),

OU

;

(b) Pelo estabelecimento produtor/extrator (...).

(obs.: a forma referida na alínea “b” consiste no

credenciamento, conforme está disposto no § 1º,

do Art. 173, do RCTE, adiante transcrito).

(8)

A INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº

673/04-GSF, FOI PUBLICADA DISPONDO, EM

TEXTO ÚNICO, SOBRE O

CREDENCIAMENTO (AUTORIZAÇÃO) AO

PRODUTOR AGROPECUÁRIO OU

EXTRATOR, PARA A EMISSÃO DE

DOCUMENTO FISCAL PRÓPRIO E SOBRE O

CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS.

(9)

CONFORME CONSTA NA EMENTA, O REFERIDO

ATO ADMINISTRATIVO FOI EXPEDIDO TENDO

EM VISTA O DISPOSTO NOS ARTS. 64, V (JÁ

COMENTADO), 159, PARÁGRAFO ÚNICO, 173,

PARÁGRAFO ÚNICO, 358 E 520, TODOS DO

DECRETO Nº 4.852/97 - (RCTE).

Vejamos o teor destas normas

(10)

Art. 159.

A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1-A, deve ser

emitida pelo contribuinte, sempre que (Convênio

SINIEF SN/70, Arts. 18):

I -

promover a saída de mercadoria;

(...)

Parágrafo único.

O produtor agropecuário ou o

extrator de substância mineral ou fóssil, deve

emitir Nota Fiscal, modelos 1 ou 1-A, nas hipóteses

previstas neste artigo, quando for autorizado a

emitir sua própria nota fiscal, ou em outras

situações previstas em ato do Secretário da

Fazenda.

(11)

Art. 173. O estabelecimento de produtor agropecuário e o

extrator de substância mineral ou fóssil, pessoa natural ou jurídica, emitem, por intermédio da AGENFA em cuja circunscrição se localizar o seu estabelecimento, a Nota Fiscal de Produtor, modelo 4 (Convênio SINIEF SN/70, art. 58):

I - sempre que promoverem saída de mercadoria; (...)

NOTA: O § 1º vigorou como parágrafo único até 19.08.05, quando foi renumerado pelo art. 2º do Decr. nº 6.225, de 25.08.05.

§ 1º O contribuinte produtor agropecuário e o extrator de substância mineral ou fóssil, podem ser autorizados a emitir, em substituição a Nota Fiscal de Produtor, modelo 4, a sua própria Nota Fiscal, modelos 1 ou 1-A, desde que este solicite o seu credenciamento à delegacia fiscal em cuja circunscrição se localizar o seu estabelecimento e sejam atendidas as demais exigências previstas na legislação tributária.

(12)

Art. 358.

Ato do Secretário da Fazenda, relativamente aos

documentos de informações, deve estabelecer:

I -

a sua criação, os seus modelos, o número e destinação

de suas vias;

II -

a forma, o período, o prazo e o local de sua

apresentação;

III -

a dispensa ou a exigência da sua apresentação,

relativamente a determinados grupos de contribuintes,

em vista das peculiaridades da atividade econômica

exercida;

IV -

a instituição, se necessário, de outros documentos

de informações, contábeis ou fiscais;

(13)

Art. 520.

Os casos omissos neste

regulamento são resolvidos pelo Secretário

da Fazenda a quem compete expedir as

normas

necessárias

à

sua

total

aplicabilidade, podendo, inclusive avocar a

si

qualquer

decisão

originariamente

atribuída a outro órgão ou autoridade,

ressalvadas as competências legais deferidas

privativamente a cargo ou função.

(14)

OCORRE QUE, A REFERIDA INSTRUÇÃO

POSITIVOU EM SEU TEXTO,

CONDIÇÕES

NÃO

PREVISTAS NA HIERARQUIA NORMATIVA DO

ICMS E SOBRETUDO NÃO PREVISTAS NA LEI Nº

13.453/99, QUE AUTORIZOU O CHEFE DO

PODER EXECUTIVO CONCEDER O CITADO

REGIME FISCAL, SUBSTITUTIVO DA REGRA

GERAL DE COMPENSAÇÃO ENTRE DÉBITOS E

(15)

VEJAMOS OS DISPOSITIVOS DOS ARTIGOS 2º E

3º, DA I.N. 673/04-GSF, QUE ESTABELECEM

CONDIÇÕES PARA O CREDENCIAMENTO

(SUPOSTAS OPÇÕES) NÃO PREVISTAS NA

LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL.

Art. 2º

O produtor agropecuário ou o extrator de

substância mineral ou fóssil, inscrito no Cadastro de

Contribuintes do Estado de Goiás - CCE -, por meio

de credenciamento, pode ser autorizado a emitir a sua

própria Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, se, no exercício

imediatamente anterior, tiver auferido receita bruta

anual do conjunto de seus estabelecimentos:

(16)

Art. 2º

(...):

I -

inferior ou igual a R$3.500.000,00 (três milhões e

quinhentos mil reais), desde que, cumulativamente:

a)

adote o regime periódico de apuração e pagamento do

ICMS com escrituração dos livros fiscais;

b)

faça escrituração contábil;

c)

apure o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer

Natureza - IR - pelo lucro real;

II -

superior a R$3.500.000,00 (três milhões e quinhentos

mil reais) desde que adote o regime periódico de apuração

e pagamento do ICMS com escrituração dos livros fiscais.

(17)

OBSERVA-SE QUE, O CREDENCIAMENTO NA FORMA DO ARTIGO

2º,

INCISO I

, DA I.N. 673/04,

EXIGE

DO PRODUTOR/EXTRATOR DE

MENOR PORTE (RECEITA BRUTA < 3.500.000,00) ESCRITURAÇÃO

CONTÁBIL E APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELO LUCRO

REAL.

OCORRE QUE, TAIS EXIGÊNCIAS (CRITÉRIO MEDIANTE

VINCULAÇÃO À RECEITA BRUTA) QUANTO À OBRIGAÇÃO DE

FAZER, CONFORME AS ALÍNEAS “b” E “c”) NÃO ESTÃO PREVISTAS

NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL.

SÃO NORMAS FEDERAIS DESTINADAS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE

GRANDE PORTE. (CONFIRA-SE: DECRETO-LEI 1598/77, ART. 7º, E

(18)

TAIS CONDIÇÕES, ALÉM DE NÃO PREVISTAS NA

LEGISLAÇÃO DO ICMS, SÃO DISCRIMINATÓRIAS, PELO

FATO DE QUE, O CREDENCIAMENTO NA FORMA DO

ARTIGO 2º., NÃO VINCULA A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO

PRESUMIDO. OU SEJA, POR ESTE ARTIGO O

PRODUTOR/EXTRATOR (P. JUR.) PODE APROPRIAR-SE

DO CRÉDITO DO IMPOSTO PROVENIENTE DAS

ENTRADAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS, COMO É A

REGRA GERAL DE COMPENSAÇÃO ENTRE DÉBITOS E

(19)

POR SUA VEZ, O PEQUENO PRODUTOR/EXTRATOR

PESSOA FÍSICA, TECNICAMENTE IMPOSSIBILITADO DE

ATENDER AS EXIGÊNCIAS DO ART. 2º, QUE, REPITA-SE,

SÃO PRÓPRIAS DAS PESSOAS JURÍDICAS DE GRANDE

PORTE, FICA OBRIGATORIAMENTE, SUBMETIDO AO

CRÉDITO PRESUMIDO NA FORMA DO ART. 3º, O QUE

NÃO CONDIZ COM AS NORMAS DO RCTE CONCESSIVAS

DO CREDENCIAMENTO, NÃO CONDIZ COM O CITADO

REGIME DO CRÉDITO PRESUMIDO E MENOS AINDA,

COM A REGRA GERAL DE COMPENSAÇÃO DO ICMS.

(20)

Art. 3º

O produtor agropecuário ou o extrator de substância

mineral ou fóssil, pessoa jurídica ou física, inscrito no CCE,

independentemente do atendimento das condições

estabelecidas no art. 2º, pode, também, por meio de

credenciamento, ser autorizado a emitir a sua própria Nota

Fiscal, modelo 1 ou 1-A,

desde que

adote o regime

periódico de apuração e pagamento do ICMS, com

escrituração dos livros fiscais,

utilizando-se do crédito

presumido

previsto no art. 14 em substituição à apropriação

(21)

COMO SE VÊ, O ARTIGO 3º, DISPÕE SOBRE O

CREDENCIAMENTO MEDIANTE A

CONDIÇÃO

DE

UTILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA DO CRÉDITO

PRESUMIDO, AO PASSO QUE, ESTE REGIME

FISCAL FOI CONCEDIDO E REGULAMENTADO

COMO OPÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE.

(CONFIRA-SE O §1º DO ARTIGO 63, DO

(22)

CERTO É QUE, O DIREITO À APROPRIAÇÃO DO

CRÉDITO DO IMPOSTO PROVENIENTE DAS

ENTRADAS, ESTÁ ASSEGURADO NO ARTIGO

155, § 2º, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO

FEDERAL, DISCIPLINADO NOS ARTIGOS 19 E 20

DA LEI COMPLEMENTAR Nº 87/96 E LEGISLADO

NO ARTIGO 58, INCISO I, DO CÓDIGO

TRIBUTÁRIO ESTADUAL.

(23)

AS DECISÕES PROFERIDAS PELO TRIBUNAL DE

JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, RELATIVAMENTE À

LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DA IN

673/04-GSF, TÊM SIDO CONTROVERTIDAS.

OBSERVA-SE QUE, NESTA MATÉRIA, A 2ª. E A 4ª.

CÂMARAS CÍVEIS, PROFERIRAM DECISÕES

MOTIVADAS NO SENTIDO DE QUE, A REFERIDA

INSTRUÇÃO NORMATIVA FACULTA AO

CONTRIBUINTE A ESCOLHA ENTRE UMA OU OUTRA

DAS POSSIBILIDADES DE CREDENCIAMENTO, NÃO

(24)

POR OUTRO LADO, RECENTE ACÓRDÃO

PUBLICADO PELA 6ª CÂMARA CÍVEL DO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA/GO AFIRMOU A

INCONSTITUCIONALIDADE DA REFERIDA

NORMA.

(25)

“O

PRINCÍPIO

DA

NÃO-CUMULATIVIDADE,

PREVISTO NO ARTIGO 155, § 2º, INCISO II, DA

CARTA MAGNA, NÃO PODE SER MITIGADO PELA

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 673/2004 DE AUTORIA

DE AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FAZENDÁRIA,

QUE DETERMINA O APROVEITAMENTO DO

CRÉDITO DE ICMS SOBRE UM VALOR PRESUMIDO,

QUANDO CERTO O VALOR DA OPERAÇÃO

ANTECEDENTE NA CADEIA NEGOCIAL”

(26)

NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO,

O TRIBUNAL DE JUSTIÇA ACRESCENTOU O SEGUINTE:

“À guisa de esclarecimento didático, enfatizo que a

norma atacada, Instrução Normativa nº.

673/2004-GSF, apresenta um nítido viés de persecução

tributária, misturando obrigações e direitos diversos

com o fim de forçar, destaco outra vez, por vias

transversas, o não aproveitamento de créditos de ICMS

por parte dos contribuintes, decorrentes do princípio

constitucional da não cumulatividade, insculpido no

artigo 155, § 2º., inciso I, da Carta Magna.”

(27)

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