MIGUEL MEDINA JAIME
PRODU ¸
C ˜
AO EXCLUSIVA DE B ´
OSONS Z EM COLIS ˜
OES PP
NO EXPERIMENTO CMS/LHC
CAMPINAS
2015
Ficha catalográfica
Universidade Estadual de Campinas Biblioteca do Instituto de Física Gleb Wataghin
Valkíria Succi Vicente - CRB 8/5398 Medina Jaime, Miguel,
M468p MedProdução exclusiva de bósons Z em colisões pp no experimento CMS/LHC / Miguel Medina Jaime. – Campinas, SP : [s.n.], 2015.
MedOrientador: José Augusto Chinellato.
MedTese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Física Gleb Wataghin.
Med1. Bósons Z. 2. Pomerons. 3. Experimento CMS. 4. Grande Colisor de Hádrons (França e Suiça). I. Chinellato, José Augusto,1950-. II. Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Física Gleb Wataghin. III. Título.
Informações para Biblioteca Digital
Título em outro idioma: Exclusive Z boson production in collisions pp at experiment
CMS/LHC
Palavras-chave em inglês:
Z bosons Pomerons
CMS Experiments
Large Hadron Collider (France and Switzerland)
Área de concentração: Física Titulação: Doutor em Ciências Banca examinadora:
José Augusto Chinellato [Orientador] Magno Valério Trinidade Machado Luiz Martins Mundim Filho
Márcio José Menon
Edmilson José Tonelli Magnatone
Data de defesa: 05-11-2015
Dedico esta tese a toda minha fam´ılia, em especial a minha m˜ae Leonor, pai Cristobal, esposa Eugenia Mar´ıa e `a fonte de toda minha inspira¸c˜ao, minha ”filhotinha”Ma´ıara. Amo vocˆes.
Muitas pessoas tiveram um papel marcante e decisivo para que esta tese fosse conclu´ıda. Um homem nunca trabalha s´o, pois carrega consigo m´ultiplas fontes de contato e inspira¸c˜ao, pelas quais deve sempre ser grato. Por isso, este espa¸co ´e dedicado `aquelas pessoas que tiveram um papel marcante e decisivo para que esta Tese fosse conclu´ıda. N˜ao sendo vi´avel nome´a-los a todos, e mesmo correndo o risco da minha mem´oria ocultar uma ou outra, h´a no entanto alguns a quem n˜ao posso deixar de manifestar o meu apre¸co e agradecimento sincero.
Agrade¸co a meu orientador, Jos´e Augusto Chinellato pela orienta¸c˜ao, dedica¸c˜ao, paciˆencia, apoio incondicional, mas sobre tudo pela confian¸ca depositada em mim.
Ao Professor Alberto Santoro, por brindar-me a oportunidade de fazer parte do grupo CMS-UERJ e pela sua hospitalidade e generosidade.
Ao professor Victor Gon¸calves pelos coment´arios, sugest˜oes, explica¸c˜oes e dis-posi¸c˜ao para me ajudar.
Aos professores Edmilson Jos´e Tonelli Manganote, Arlene Cristina Aguilar e Marcio Jos´e Menon pelos seus coment´arios e sugest˜oes. `A professora Carola Dobrigkeit pelas incr´ıveis e sensacionais aulas de f´ısica de part´ıculas, ao professor Orlando L. G. Peres pelas suas excelentes aulas de teoria de campos.
Aos professores da UERJ, Antˆonio Vilela Pereira, Wagner Carvalho, Luiz Mundim, Sandro Fonseca e H´elio Nogima pelos seus coment´arios, hospitalidade, paci-ˆencia para me explicar, e ajuda para resolver problemas tanto de an´alise como burocr´aticos.
Agrade¸co pela amizade, apoio, paciˆencia extrema!, sinceridade na cr´ıtica e por toda forma de ajuda. Em qualquer momento, deixavam de fazer tarefas para me ajudar Diego Matos Figueiredo e Vanessa Menezes Theodoro, tenham a certeza que compartilharei o que pude aprender com vocˆes.
Agrade¸co ao Gustavo Gil da Silveira, pela ajuda, generosidade, hospitalidade e paciˆencia extrema para me explicar.
Aos pesquisadores do CERN, Jonathan Hollar, Laurent Forthomme, Benoit Roland, Marta Ruspa, Mike Albrow e Robert Ciesielki pelos in´umeros coment´arios e sugest˜oes nesta an´alise.
Aos meus amigos da UERJ, Walter Ald´a, Lina Huertas, Dilson de Jesus Dami˜ao, Eliza Melo, pela amizade, hospitalidade e estar sempre dispostos a me ajuda!.
Aos membros examinadores da banca de doutorado: Prof. Dr. Magno Machado, Prof. Dr. Luiz Mundim , Prof. Dr. M´arcio Menon e Prof. Dr. Edmilson Manganote, os quais colaboraram para melhorar na escrita e tamb´em no aprendizado e sobre temas ainda desconhecidos por mim.
dia. Alex, Miguel Angel, Duber, Tapia, Elkin, Jonathan, Julio’s, Juan Andres, Andres, Sandra, Laura, German, Javier, Johana, Diana, Yovany, Mary, Pedro, Paulo, Gabriela, Luiz, Carlos, Victor’s, Bruno’s, Fernanda, etc.
Ao Instituto de F´ısica “Gleb Wataghin”, pela infraestrutura e suporte oferecidos. Tamb´em quero agradecer a todo o pessoal da secret´aria, Armando, Luciana, Miguel e Alessandra por resolver todos os problemas burocr´aticos que surgiram nestes quatro anos.
A minha fam´ılia (sogros e cunhadas), pelo carinho e apoio incondicional em todos os momentos. Vocˆes s˜ao o esteio da minha vida e a base de todos os meus ideais, nunca vou deixar de estar com vocˆes.
E por ´ultimo, agrade¸co ao CMS/CERN pelos dados e infraestrutura para o processamento dos dados, e a CNPq pelo apoio financeiro.
Agrade¸co mesmo! a todos que de alguma forma tiveram participa-¸
A produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z ´e um processo difrativo, teoricamente repre-sentado pela troca de um objeto com os n´umeros quˆanticos do v´acuo (pomeron- IP ), o qual pode ser tratado no modelo padr˜ao no enfoque do mecanismo de dipolo, via fotoprodu¸c˜ao. A carater´ıstica principal deste tipo de processo ´e que os dois pr´otons emergem intactos ap´os a colis˜ao com momentum transverso pequeno. Assim, os pr´otons s˜ao espalhados muito frontais e escapam `a detec¸c˜ao. Portanto, o crit´erio usado para a identifica¸c˜ao de eventos exclusivos de b´osons Z decaindo em par m´uons ´e o n´umero de tra¸cos adicionais no v´ertice, mas ainda resta a possibilidade de haver uma dissocia¸c˜ao de pelo menos um dos pr´otons. Neste caso, a medida da se¸c˜ao de choque respectiva ser´a contaminada.
S˜ao expostos trˆes diferentes m´etodos para a pr´e-sele¸c˜ao de eventos exclusivos. A estrat´egia de an´alise proposta para selecionar eventos exclusivos ´e baseada no decaimento de b´osons Z em pares µ+µ− caraterizados por grande momento transverso, para o qual
exploramos m´uons em uma regi˜ao cinem´atica de momento transverso pT(µ±) > 20 GeV,
massa invariante Mµ+µ− > 40 GeV/c2 e pseudo-rapidez |η| < 2, 5. Adicionalmente a estes
cortes, exigimos “zero tra¸cos” extras no v´ertice e, por ´ultimo que o par de m´uons sejam back-to-back com balan¸co no pT.
Nesta Tese se apresenta um estudo da produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z em colis˜oes pr´oton-pr´oton para energias de centro de massa igual a 7 TeV no experimento CMS/LHC. Esta an´alise foi feita usando simula¸c˜oes para processos de Drell-Yan, fotoprodu¸c˜ao de m´uons e dados coletados pelo detector CMS de colis˜oes pr´oton-pr´oton com √s = 7 TeV durante o ano de 2011, correspondendo a uma luminosidade integrada de 5,09 fb−1. Nenhum candidato a b´oson Z exclusivo foi poss´ıvel de observar, isto devido ao fato da baixa estat´ıstica e o enorme background proveniente de processos de Drell-Yan. Entretanto, a se¸c˜ao de choque para processos de produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z ´e encontrada a ser σexcl(Z → µ+µ−) < 13, 3 fb para um n´ıvel de confian¸ca de 95%. Este ´e o primeiro resultado
preliminar para este tipo de processo na escala de energia de 7 TeV, onde cabe destacar que este limite foi melhorado com respeito a resultados publicados pela colabora¸c˜ao CDF para√s = 1, 9 TeV.
The exclusive Z boson production is a diffractive process theoretically repre-sented by the exchange of an object with the quantum numbers of vacuum (pomeron-IP), which is predicted by the Standard Model in the dipole mechanism approach, via pho-toproduction. The main feature of this type of process is two forward outgoing protons intact after the collision with small transverse momentum, the protons are scattering very front and escape detection. Then, the approach taken to detect exclusive Z bosons events decaying in to muon pair is the number of additional tracks on the vertex, but there is still the possibility of dissociation of at least one proton, then the measurement of cross section will be contaminated.
It’s exposed three different methods for the pre-selection events containing exclusive Z bosons. The strategy proposed to exclusive selection events, is based on the decay of Z bosons on pairs µ+µ− featured by large transverse momentum, for which we
explored muons in a kinematic region with transverse momentum pT (µ+µ−) > 20 GeV,
Invariant mass M (µ+µ−) > 40 GeV/c2 and pseudorapidity |η| < 2.5. The additional cuts, require zero extra tracks on vertex and finally the pair of muons are back-to-back with momentum transverse conservation .
This thesis presents a search for exclusive Z boson production in proton proton collisions at √s = 7 TeV center of mass energy in the experiment CMS/LHC. This analysis was made using simulations to Drell-Yan processes, photoproduction of muon and data collected by the CMS detector on proton proton collisions with √s = 7 TeV in 2011, for 5.09fb−1 integrated luminosity record. No exclusive Z → µ+µ− candidates
are observed, because low statistical and huge background contribution from Drell-Yan processes. But even so, the cross section for the exclusive Z bosons production is found to be σexcl(Z → µ+µ−) < 13.3 fb at 95% C.L. This is the first very preliminary results for 7
TeV, where we highlight that it limit has been improved respect to the results published by the CDF collaboration to √s = 1.9 TeV.
Lista de Figuras
1.1 Fotoprodu¸c˜ao exclusiva de b´oson Z. . . 22 1.2 Diagrama de Feynman para o processo de Drell–Yan. A colis˜ao de dois
h´adrons gera um par de l´epton e anti-lepton a partir da cria¸c˜ao de um f´oton virtual ou um b´oson Z . . . 24 1.3 Fotoprodu¸c˜ao exclusiva (esquerda) e semi-exclusiva (meio e direita) de
dil´eptons . . . 25 1.4 “Acolinearity” dos m´uons de raios c´osmicos podem parecer como dois tra¸cos
que surgem do ponto de intera¸c˜ao do detector, onde os m´uons s˜ao exatamente back-to-back, com ∆φ = ∆θ = π radianos. . . 26 1.5 Ilustra¸c˜ao dos partons de valˆencia de um pr´oton e suas intera¸c˜oes e flutua¸c˜oes.
a), pr´oton a baixa energia, b) pr´oton a alta energia. Retirado de [26] . . . 36 1.6 Diagramas de Feynman em ordem Next-to-Leading-Order (NLO) que
contri-buem para a produ¸c˜ao de par de m´uons atrav´es de o processo de Drell-Yan, nos quais est´a impl´ıcito o decaimento do γ ∗ /Z num dim´uon. (a) Diagramas de corre¸c˜oes virtuais. (b) Diagramas de aniquila¸c˜ao. (c) Diagramas de espalhamento Compton. . . 37
2.1 Sistema de coordenadas dos referenciais K e K’ para a part´ıcula de carga q e com velocidade ~v. O vetor unit´ario ˆn aponta na dire¸c˜ao da linha de distˆancia r que liga a origem do referencial K’ com o ponto onde o observador se localiza no referencial K. O ˆangulo entre o vetor unit´ario ˆn e o vetor velocidade instantˆanea ~v ´e dado por θ, e a origem do referencial K’ se localiza no ponto vt em rela¸c˜ao a x1 em K. . . 39
2.2 Linhas de for¸ca do campo el´etrico para (a) γ = 1, descrito para uma part´ıcula em repouso, e (b) γ = 3 para uma part´ıcula com velocidade com vetor velocidade instantˆanea na dire¸c˜ao x1[30]. . . 42
2.3 Representa¸c˜ao de uma UPC pela a¸c˜ao dos campos eletromagn´eticos das part´ıculas em colis˜ao. No caso da colis˜ao entre n´ucleos o campo de f´otons ´e proporcional ao n´umero de pr´otons Z [30]. . . 44 2.4 (a) Produ¸c˜ao de m´esons vetoriais em V DM e (b) no modelo de troca de
2-gl´uons [3]. . . 46 2.5 Ilustra¸c˜ao das vari´aveis que podem fornecer a escala dura para pQCD. . . 47 2.6 (a) Diagrama de Feynman representando o mecanismo de fotoprodu¸c˜ao
exclusiva de m´esons vetoriais ou b´oson Z no processo γ∗p em intera¸c˜oes h´adron -h´adron. (b) No formalismo de dipolo, γ∗ flutua num par qq antes de interagir com o alvo A. (c) A ´area acinzentada representa o campo gluˆonico do dipolo. . . 47 2.7 Diagrama de Feynman representando Espalhamento Compton
Profunda-mente Virtual. . . 48 2.8 A se¸c˜ao de choque total (integrada sobre |t| ≤ 1 GeV) para fotoprodu¸c˜ao
de b´osons Z como uma fun¸c˜ao da energia W, para v´arias virtualidades Q dos f´otons. Figura retirada de Referˆencia [9]. . . 49 2.9 Modelo de Glauber [41] para se¸c˜ao de choque diferencial em fun¸c˜ao da
multiplicidade. O parˆametros de impacto determina o tipo de colis˜ao que acontece. . . 51 2.10 Distribui¸c˜oes de Pt para a produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z a n´ıvel de gera¸c˜ao
atrav´es do MC STARlight para diferentes valores de “slope” . . . 52 2.11 Distribui¸c˜oes de ∆φ para a produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z . . . 53 2.12 Distribui¸c˜ao ∆pT para a produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z no STARlight. . . 53
3.1 O complexo de aceleradores do CERN . . . 56 3.2 Angulo de cruzamento θˆ c ' 300 µrad e ´area de sobreposi¸c˜ao na colis˜ao de
dois pacotes de pr´otons. . . 59 3.3 Cobertura aproximado em PT− η dos diferentes detectores atuais (e futuros)
3.4 O detector CMS fig. retirada de https://cms-docdb.cern.ch/cgi-bin/ PublicDocDB/RetrieveFile?docid=11514&version=1&filename=cms_120918_ 03.png . . . 61 3.5 O detector CMS: Fig. retirada de Ref. [49]. . . 62 3.6 Resolu¸c˜ao do v´ertice prim´ario em x (superior esquerdo), y (superior direito)
e z (parte inferior) em fun¸c˜ao do n´umero de tra¸cos utilizadas na reconstru¸c˜ao do v´ertice[50]. . . 64 3.7 Aceptˆancia do Calor´ımetro Eletromagn´etico. . . 66 3.8 Esquema em corte longitudinal do calor´ımetro hadrˆonico do CMS[44]. . . 68 3.9 Resolu¸c˜ao do momento transverso dos m´uons como fun¸c˜ao do momento
transverso usando o sistema de identifica¸c˜ao de m´uons apenas (linha preta pontilhada), o sistema de trajetogr´afia apenas (linha azul tracejada), e ambos (linha vermelha continua). (a) |η| < 0, 8 e (b) 1, 2 < |η| < 2, 4 [44]. . 69 3.10 Arranjo de um quarto do sistema de m´uons do CMS, caracterizando-se as
regi˜oes em termos da terminologia da Ref. [44]. . . 70 3.11 Trajet´oria e sinal das diferentes part´ıculas no detector CMS . . . 71 3.12 Detectores frontais e aceita¸c˜ao em η dos diferentes sub-detectores no CMS. 72 3.13 Reconstru¸c˜ao de um evento real de colis˜ao pr´oton-pr´oton para √s = 7 TeV
ocorrida em 2011, escala em unidades de [cm]. . . 74
4.1 Defini¸c˜ao das regi˜oes de controle para o modo de decaimento µ+µ−. . . 80 4.2 Distribui¸c˜ao de pileup usada como input para gerar o MC Drell Yan
consi-derada nesta an´alise para 7 TeV. . . 83 4.3 Distribui¸c˜ao de pileup para os dados. Esta ´e a forma desejada para nosso MC. 84 4.4 Distribui¸c˜ao data/MC bin a bin, ou seja weight Vs n´umero de v´ertices para
o MC de DY. . . 84 4.5 Distribui¸c˜ao de pesos e sua frequˆencia. . . 85 4.6 Distribui¸c˜ao do n´umero de v´ertices, onde os pontos representam os dados e
as linhas continuas os diferentes Monte Carlo. χ ´e a raz˜ao entre dados e Monte Carlo (χ = data/M C), caso se indique o contrario, . . . 86 4.7 Distribui¸c˜ao do n´umero de v´ertices depois da sele¸c˜ao inclusiva e com “pileup
5.1 Distribui¸c˜ao de massa invariante depois de aplicar o corte “preselection” para o RunB (ver Tab. 4.1) no canal de m´uons, usando as trˆes estrat´egias para a pr´e-sele¸c˜ao. . . 93 5.2 Distribui¸c˜ao de massa invariante depois de aplicar o corte “inclusive” para
o RunB no canal de m´uons, usando as trˆes estrat´egias para a pr´e-sele¸c˜ao. . 94 5.3 Distribui¸c˜ao de massa invariante depois de aplicar o corte “exclusive” para
o RunB no canal de m´uons, usando as trˆes estrat´egias para a pr´e-sele¸c˜ao. . 94 5.4 Distribui¸c˜ao de massa invariante do par de m´uons depois de aplicar a sele¸c˜ao
inclusiva, onde χ = data/MC. . . 96 5.5 Distribui¸c˜ao de pseudo-rapidez depois de aplicar a sele¸c˜ao inclusiva. . . . 97 5.6 (Esq.) Distribui¸c˜ao de pT para o m´uon leading, (Dir..) Distribui¸c˜ao de pT
para o m´uon sub-leading depois de aplicar a sele¸c˜ao inclusiva. . . 97 5.7 (Esq.) Distribui¸c˜ao de ∆PT para o sistema de m´uons, (Dir..) distribui¸c˜ao
de 1 − |∆φ| /π para os m´uons depois de fazer a sele¸c˜ao inclusiva. . . 98 5.8 (Top esquerda) Distribui¸c˜ao de n´umero extra de tra¸cos para baixa
multi-plicidade (nExtratracks<8), (top direita) e (nExtratracks<15), e para alta multiplicidade, neste casso sem fazer corte no n´umero de tra¸cos extras no v´ertice que contem o par de m´uons (Fig. embaixo) a Z depois de fazer a sele¸c˜ao inclusiva. . . 98 5.9 Ajuste para a Distribui¸c˜ao Binomial Negativa do n´umero extra de tra¸cos
na regi˜ao de massa de [80, 100] GeV ver explica¸c˜ao no texto. . . 99 5.10 Distribui¸c˜ao da massa Invariante do par de m´uons ap´os aplicar os cortes
exclusivos, a esquerda sem aplicar o fator de reescalamento obtido com NBD, a direita depois de aplicar o fator NBD sobre a distribui¸c˜ao de DY. 100 5.11 Ajuste do pico da massa do b´oson Z depois da sele¸c˜ao exclusiva com
pt(µ±) > 30 GeV. O fit foi feito , na janela de massa [76, 116]GeV usando
uma convolu¸c˜ao da distribui¸c˜ao relativ´ıstica Breit-Wigner com uma fun¸c˜ao de Gauss adicionada a um fundo descrito por uma fun¸c˜ao exponencial. Em preto para os dados e em vermelho para os MC’s. . . 101
5.12 (a) Eficiˆencia do trigger como fun¸c˜ao do pt dos m´uons ap´os de aplicar os
cortes pt > 25 GeV e |η| < 2, 1 nos m´uons (b) eficiˆencia do trigger em
fun¸c˜ao da pseudo-rapidez dos m´uons ap´os os cortes no pt e η sobre os m´uons.
Retirado de Ref.[75]. . . 102 5.13 (Esq.) Distribui¸c˜ao de massa invariante depois de aplicar todos os cortes
exclusivos.. . . 105 5.14 Diferentes distribui¸c˜oes para √s = 8 TeV e uma luminosidade integrada de
∼ 20 fb−1, depois de aplicar os cortes inclusivos com pt> 30 GeV . De cima
para embaixo e de esquerda a direita. Massa invariante, pseudo-rapidez, ∆pt, 1 − |∆φ| /π, n´umero de v´ertices prim´arios e distribui¸c˜ao de n´umero
Lista de Tabelas
1.1 Previs˜oes te´oricas para dσdy|y=0 na produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z usando o
mecanismo de dipolo. Para√s = 1, 96 TeV no Tevatron e para√s = 14 TeV no LHC. Os valores apresentados para 7-8 TeV forem obtidos aplicando uma interpola¸c˜ao conforme ´e descrita no texto. . . 22 1.2 N´umero de eventos esperados de produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z no
experi-mento CMS/LHC para √s = 7 e 8 TeV, para luminosidades de ∼ 5 fb−1 e ∼ 20 fb−1, respetivamente. Estas luminosidades foram gravadas no detector CMS nos anos 2011 e 2012, respectivamente. . . 23
2.1 Valores para colis˜oes pp no LHC, onde ωmax ´e a m´axima energia dos f´otons,
Wmax
γp ´e a m´axima energia no centro de massa do sistema f´oton-pr´oton, e
Wmax
γγ ´e a m´axima energia no centro de massa para o sistema f´oton-f´oton.
O valor ωmax foi calculado usando a Eq.(2.14) com rp = 0, 7 fm [31], outros
autores [35] definem que ωmax pode ser de at´e 10% da energia do pr´oton.
Este valor ´e escolhido arbitrariamente devido ao fato do raio do pr´otons rp
n˜ao estar bem definido, este ´ultimo ´e usado para 14 TeV. . . 45
3.1 Propriedades dos est´agios de acelera¸c˜ao do complexo de aceleradores LHC para pr´otons. . . 57 3.2 Resumo das principais caracter´ısticas dos v´arios subsistemas do detector de
trajetografia. O n´umero de discos que corresponde a um ´unico na tampa terminal. A localiza¸c˜ao especifica da regi˜ao r(z) ocupada por cada tambor (endcap) subsistema . . . 63
4.1 Amostra de dados analisada nesta Tese com sua respectiva luminosidade in-tegrada ´ Ldt para o estudo de produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z no canal de m´uons. A luminosidade ´e dependente do trigger , onde T1≡HLT Mu13Mu8 e T2≡ HLT Mu17 Mu8. . . 76 4.2 Amostras de Monte Carlo, com efeito de empilhamento, normalizadas para
cada um dos per´ıodos de aquisi¸c˜ao de dados. . . 88
5.1 Na primeira linha indico o n´umero total inicial de eventos analisados, nas linhas subsequentes mostro o n´umero de eventos que restou ap´os os diferentes cortes para o conjunto de dados Run2011B (ver tab. 4.1). . . 93 5.2 Resultados da an´alise para a eficiˆencia dos trigger e identifica¸c˜ao de m´uons
em dados de 2011. . . 102 5.3 Resumo das incertezas sistem´aticas que afetam o sinal. . . 103 5.4 Compara¸c˜ao direta entre as an´alise FSQ-12-009 e FSQ-12-010 . . . 106
Sum´
ario
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
Sum´ario
1 Introdu¸c˜ao 19
1.1 O Modelo Padr˜ao das part´ıculas elementares e a QCD . . . 27
1.2 Vari´aveis e Conceitos B´asicos . . . 28
1.2.1 Processos hadrˆonicos difrativos . . . 30
1.2.2 Cinem´atica . . . 31
1.3 Colis˜oes pr´oton-pr´oton e produ¸c˜ao de b´osons Z no LHC . . . 35
1.3.1 Produ¸c˜ao exclusiva pp → pZp . . . 37
2 Fotoprodu¸c˜ao 38 2.1 Dinˆamica relativ´ıstica de campos eletromagn´eticos . . . 40
2.1.1 M´etodo de F´oton Equivalente . . . 43
2.2 Produ¸c˜ao exclusiva de m´esons vetoriais e o formalismo de dipolo . . . 45
2.3 Modelo STARlight . . . 50
2.3.1 Produ¸c˜ao de B´osons Z no STARlight . . . 51
3 O experimento CMS 55 3.1 O acelerador LHC . . . 55
3.2 O detector CMS . . . 60
3.2.1 Sistema de Trajetografia . . . 62
3.2.2 Calor´ımetro Eletromagn´etico . . . 63
3.2.3 Calor´ımetro Hadrˆonico . . . 66
3.2.4 Sistema de Identifica¸c˜ao de M´uons . . . 67
3.2.5 Detec¸c˜ao de Part´ıculas . . . 70
3.2.6 Detectores Frontais . . . 71
3.2.6.1 CASTOR . . . 72
3.2.6.2 ZDC . . . 73
3.2.7 Sistema de gatilho (Trigger) . . . 73
3.3 Evento real . . . 74
4 An´alise de dados 75 4.1 Sele¸c˜ao de Eventos . . . 75
4.1.1 Pr´e-sele¸c˜ao . . . 77
4.1.2 Cortes Inclusivos e Exclusivos . . . 79
4.2 A Normaliza¸c˜ao . . . 80
4.3 Pileup . . . 82
4.3.1 Pileup reweighting . . . 83
4.4 Sinal e Background . . . 85
4.5 Incertezas sistem´aticas e estat´ısticas . . . 90
5 Resultados 92 5.1 Pr´e-sele¸c˜ao . . . 92
5.2 Produ¸c˜ao Inclusiva de B´oson Z . . . 95
5.3 Produ¸c˜ao Exclusiva de B´oson Z . . . 99
5.4 Eficiˆencia e aceitˆancia . . . 101
5.5 Se¸c˜ao de choque para o Z exclusivo . . . 103
5.6 Considera¸c˜oes finais e perspectivas . . . 104
6 Conclus˜oes 108
1
Introdu¸
c˜
ao
Na d´ecada dos sessenta do seculo passado, a Quebra Espontˆanea de Simetria (QES) marcou um interessante papel nos avan¸cos na constru¸c˜ao do Modelo Padr˜ao, pois por um lado conjecturava a existˆencia de part´ıculas elementares at´e ent˜ao n˜ao previstas pela teoria (c, t, b), mas por outro esta abordagem permitiu o estudo de uma das quest˜oes fundamentais do Modelo Padr˜ao: a gera¸c˜ao de massa das part´ıculas elementares1. O Mecanismo da Quebra de Simetria Eletro-Fraca adotado no modelo padr˜ao
´e mecanismo Brout-Englert-Guralnik-Hagen-Higgs-Kibble [1], mas popularmente conhecido como mecanismo de Higgs2, o qual ´e respons´avel por dar massa `as part´ıculas fundamentais
e aos mediadores da intera¸c˜ao fraca, os b´osons vetoriais W+, W− e o Z. O mecanismo de
Higgs al´em de dar massa as part´ıculas, tamb´em prevˆe a existˆencia de uma nova part´ıcula fundamental chamada B´oson de Higgs ou b´oson escalar (spin-0). Desde ent˜ao, o b´oson de
1A Quebra espontˆanea de simetria ´e necess´aria para gerar as massas para os b´osons W± e Z0, mantendo
a teoria renormaliz´avel . Uma vez que a intera¸c˜ao fraca ´e conhecido por ser uma for¸ca de curto alcance,
os trˆes mediadores da for¸ca (o W± e Z) devem ser massivos. No entanto, a adi¸c˜ao de termos de massa
para estes b´osons na lagrangiana do Modelo Padr˜ao viola invariˆancia de calibre local SU (2)× U (1).
2As massas dos f´ermions podem ser geradas no modelo padr˜ao sem exigir o b´oson escalar de Higgs, por
Higgs passou a ser o observ´avel f´ısico mais relevante a ser detectado experimentalmente a fim de se confirmar o mecanismo de gera¸c˜ao de massa das part´ıculas atrav´es da QES. Para este objetivo foram constru´ıdos aceleradores de part´ıculas tais como o LEP no CERN e o Tevatron no Fermilab, por´em, sem sucesso em detect´a-lo ate os anos 2000. Assim, foi projetado e constru´ıdo o maior acelerador de part´ıculas do mundo, o Grande Colisor de H´adrons (Large Hadron Collider - LHC), onde um dos principais objetivos al´em da busca de poss´ıveis sinais que denunciarem a existˆencia de uma nova f´ısica, era tamb´em a procura do b´oson de Higgs, para o qual forem desenhados e montados os experimentos multi-prop´osito CMS e ATLAS. Finalmente, no ano 2012, depois de d´ecadas de busca, foi anunciado conjuntamente pelas colabora¸c˜oes CMS e ATLAS a evidˆencia experimental de um b´oson de massa 125 GeV /c2 [2], onde al´em desta nova part´ıcula fundamental para o
modelo padr˜ao, n´os tamb´em temos hoje uma enorme quantidade de dados experimentais a altas energias, que por v´arias raz˜oes continuam atraindo grande interesse: i) permite-nos testar o modelo padr˜ao em escalas de energia3 nunca antes alcan¸cadas, ii) melhorar as medidas e diminuir as incertezas nos resultados experimentais e iii) obter as primeiras medidas de processos com se¸c˜oes de choque muito pequenas (da ordem de ∼fb).
No LHC, os b´osons Z s˜ao produzidos em grandes quantidades nas colis˜oes p-p de altas energias4. Dentro dos diferentes mecanismos de produ¸c˜ao, encontra-se a produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z. Este fenˆomeno ´e muito interessante e relevante na compreens˜ao do modelo padr˜ao e na procura de nova f´ısica al´em do modelo padr˜ao, pois neste processo se vˆem envolvidas as trˆes intera¸c˜oes que descreve o Modelo Padr˜ao; eletromagn´etica, fraca e forte. Este tipo de processo encaixa-se perfeitamente no marco citado no paragrafo anterior, pois em primeiro lugar, a se¸c˜ao de choque envolvida ´e muito pequena (da ordem de fb), de forma que mesmo num detector como o CMS com grande luminosidade integrada e com grande energia de centro de massa, ser˜ao produzidos poucos eventos. Esta classe de intera¸c˜ao envolvem pequena troca de momento transversal (. 1 GeV), de forma que n˜ao poderiam ser tratadas perturbativamente pela Cromodinˆamica Quˆantica (pQCD)5. A
rea-¸c˜oes que ocorrem nessa escala de energia s˜ao classificadas como ”suaves” (ou soft em inglˆes).
3Ou equivalentemente a distˆancias na escala de 10−19
m por o fato de que ~c ≈ 197 MeV · fm.
4Em colisores de h´adrons, os b´osons Z de vida extremamente curta τ = 10−25s, s˜ao detectados
predominantemente usando seu decaimento leptˆonico. Os decaimentos hadrˆonicos s˜ao geralmente
muito dif´ıceis de separar do ru´ıdo de fundo produzidos pelas intera¸c˜oes de QCD.
5Apesar da aceita¸c˜ao da QCD como a teoria que descreve as intera¸c˜oes fortes, esta ´e incapaz de fazer
predi¸c˜oes sobre rea¸c˜oes que ocorrem a uma escala de distˆancia maior que o tamanho m´edio do raio de
Assim, na ausˆencia de uma escala dura, a pQCD n˜ao ´e aplic´avel e os modelos fenomenol´ogicos, que tˆem sido frequentemente o instrumento no desenvolvimento da ´area, ainda fornecem as melhores descri¸c˜oes dispon´ıveis. Uma descri¸c˜ao consistente com os dados de intera¸c˜oes fortes envolvendo pequeno momento transferido ´e dada pela teoria de Regge [3], na qual as intera¸c˜oes s˜ao muito bem descritas com a introdu¸c˜ao de um objeto que explica o crescimento da se¸c˜ao de choque total com a energia [4, 5, 6], chamado de pomeron, que ´e a singularidade dominante no plano complexo do momento angular, a altas energias. O pomeron tem os n´umeros quˆanticos do v´acuo e n˜ao corresponde a nenhuma part´ıcula conhecida. Espera-se que suas ressonˆancias associadas sejam glueballs [7, 8], e n˜ao ressonˆancias convencionais. A implementa¸c˜ao do Modelo de Regge na QCD seria um grande passo para a compreens˜ao plena das intera¸c˜oes fortes.
Na tese de doutoramento aqui apresentada, ´e feita um estudo para observar e extrair resultados experimentais da produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z a partir dos dados obtidos com o detector CMS nas intera¸c˜oes pp a 7 TeV. A produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z ´e um processo difrativo, teoricamente representado pela troca de um objeto com os n´umeros quˆanticos do v´acuo (pomeron P). Este processo pode ser descrito no enfoque do mecanismo de dipolo no MP, via fotoprodu¸c˜ao [9], e ´e representando pelo diagrama de Feynman da Figura (1.1), onde um dos pr´otons emite um f´oton virtual o qual flutua para um par quark anti-quark (q ¯q) os quais s˜ao espalhados elasticamente pela troca de dois gl´uons emergentes do outro pr´oton, e se materializa num b´oson Z, al´em disso, os dois pr´otons emergem intactos ap´os a colis˜ao com momento transverso pequeno6, perdendo apenas um pouco de sua energia, mas permanecem ainda dentro do tubo do feixe7. Este
mesmo mecanismo tamb´em fornece a fotoprodu¸c˜ao dos m´esons vetoriais J/ψ e Υ(2S) recentemente observado no CMS [10] ALICE [11] e LHCb [12].
O primeiro limite superior experimental para a se¸c˜ao de choque de produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z foi reportada pela colabora¸c˜ao CDF[13] para √s = 1.96 TeV σexcl(Z) < 0, 96 pb e dσdy|y=0 < 0.25 pb para 95% C.L. A se¸c˜ao de choque prevista no
6O momento transverso dos pr´otons depois da intera¸c˜ao ´e aproximadamente p
T w √
s
2 sin θ e
relaciona-se com o momento transferido da relaciona-seguinte forma: p2T w −t, assim pr´otons s˜ao espalhados muito
frontais e escapam `a detec¸c˜ao. Futuramente com o detector CT-PPS (CMS-Totem Precision Proton
Spectrometer) ∼220m os pr´otons ir˜ao ser detectados.
7Com o novo detetor CT-PPS localizado a ∼ 220 m do ponto de intera¸c˜ao IP5 que esta planejado a entrar
em opera¸c˜ao em 2016 ir´a ser poss´ıvel detectar estes pr´otons, e portanto iremos ter mais informa¸c˜oes
Figura 1.1: Fotoprodu¸c˜ao exclusiva de b´oson Z.
LHC para a produ¸c˜ao exclusiva de Z0 para √s = 14 TeV ´e dσ
dy ∼ 1, 4 fb [14], dσ
dy|y=0 ∼ 1 fb
[9] e dσdy|y=0 ∼ 2 fb [15]. Uma teoria al´em do Modelo Padr˜ao do pomeron prediz uma
se¸c˜ao de choque muito maior, possivelmente de uma ordem de magnitude maior [16]. Na Tabela 1.1 apresento as previs˜oes te´oricas dispon´ıveis na literatura para a produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z usando o mecanismo de dipolo, no Tevatron para √s = 1, 96 TeV e no LHC para √s = 14 TeV, para 7-8 TeV n˜ao tˆem sido feitos c´alculos, mas segundo [14], espera-se um comportamento da se¸c˜ao de choque com a energia do centro de massa como σ (γp → Zp) ∝ W1,73, onde W2 ∝√s, assim obtemos que σ
z(exc)∝
√
s0,9 e portanto σzExcl(7 TeV) /σzExcl(14 TeV) ≈ 0, 73. Assim, numa primeira aproxima¸c˜ao espera-se que a
se¸c˜ao de choque diferencial seja ∼ 0, 75 do valor para 14 TeV.
dσ dy|y=0 (fb) V.P. Gon¸calves M.V.T. Machado [9] L. Motyka G. Watt [14] A. Cisek W. Schafer A. Szczurek [15] Tevatron LHC 0,05 ∼1 0,077 1,4 0,2 ∼2 7-8 TeV ∼ 0, 8 ∼1 ∼ 1, 5
Tabela 1.1: Previs˜oes te´oricas para dσdy|y=0 na produ¸c˜ao exclusiva de
b´osons Z usando o mecanismo de dipolo. Para √s = 1, 96 TeV no
Tevatron e para√s = 14 TeV no LHC. Os valores apresentados para 7-8
TeV forem obtidos aplicando uma interpola¸c˜ao conforme ´e descrita no
texto.
Com o intuito de saber a ordem de grandeza do n´umero de eventos esperado de b´osons Z produzidos exclusivamente e da viabilidade de detectar eles no experimento CMS8, podemos fazer uma primeira estimativa atrav´es da equa¸c˜ao:
8Para energias de 7 e 8 TeV, o detector CMS coletou uma luminosidade integrada no canal de m´uons de
Nevt = σexc(Z) Lint× Branch(Z → µ+µ−), (1.1)
onde σexc≈ (dσ/dy ) ∆y, sendo ∆y = 5 a aceptˆancia no detector CMS9, Linta luminosidade
integrada, e Branch(Z → µ+µ−) a probabilidade do b´oson Z de decair em par de m´uons.
Assim, usando os valores apresentados na tabela 1.1, Branch (Z → µ+µ−) ≈ 0, 037, para uma luminosidade integrada Lint(7 TeV) ≈ 5 fb−1 e Lint(8 TeV) ≈ 20 fb−1 no canal de
m´uons, obtemos os valores apresentados na Tabela 1.2 com base nos c´alculos te´oricos dos diferentes autores. 7 TeV Lint ≈5 fb−1 8 TeV Lint≈20 fb−1 V.P. Gon¸calves M.V.T. Machado [9] ∼0,8 ∼3,3 L. Motyka G. Watt [14] ∼0,7 ∼2,6 A. Cisek W. Schafer A. Szczurek [15] ∼1,3 ∼5
Tabela 1.2: N´umero de eventos esperados de produ¸c˜ao exclusiva de
b´osons Z no experimento CMS/LHC para √s = 7 e 8 TeV, para
lumi-nosidades de ∼ 5 fb−1 e ∼ 20 fb−1, respetivamente. Estas luminosidades
foram gravadas no detector CMS nos anos 2011 e 2012, respectivamente.
Como podemos ver na Tabela 1.1, o n´umero de eventos esperado ´e baixo. Logo, para poder atingir-lo, devemos usar uma boa estrat´egia, que nos permita fazer a sele¸c˜ao de eventos exclusivos de b´osons Z.
Os eventos de produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z possuem uma assinatura experi-mental caracter´ıstica, dentre as principais delas destacamos: i) este processo de produ¸c˜ao ´e caracterizado por um v´ertice principal formado a partir de um par de m´uons µ+µ− sem
outras part´ıculas, ii) as part´ıculas no estado final proveniente do decaimento de Z devem ter grande momento transversal pT (µ+) e pT (µ−), iii) os m´uons s˜ao produzidos na sua
maior parte centralmente no detector iv) al´em de grande massa invariante mµ+µ−. Mas esta
assinatura tamb´em ´e acess´ıvel via fotoprodu¸c˜ao exclusiva e quase-exclusiva (”inel´astica” ou ”dissocia¸c˜ao de pr´otons”), onde um ou ambos os pr´otons incidentes dissociam-se em um sistema de baixa massa que escapa da detec¸c˜ao, designado como p∗. Assim, o evento com
9A aceptˆancia na vari´avel rapidez y = 1 2ln
E−p
z
E+pz
produ¸c˜ao exclusiva de m´uons (Z → µ+µ−) precisa ser distinguido de outros eventos que
produzam o mesmo estado final de dois m´uons. As principais rea¸c˜oes com esse perfil s˜ao:
• Em ordem dominante, no LHC, um b´oson Z ´e produzido atrav´es de aniquila¸c˜ao de um quark e um anti-quark do mesmo sabor. O par quark anti-quark aniquilam-se criando um f´oton virtual ou um b´oson Z que ent˜ao decaem em um par de l´eptons com cargas opostas. Como o LHC ´e um colisor de pr´otons [44], nenhum anti-quark de valˆencia est´a presente numa colis˜ao. O anti-quark surge do mar ( sea ), a partir da divis˜ao de gl´uons ( gluon splitting ) que s˜ao continuamente trocados entre os quarks de valˆencia do pr´oton. O outro quark que se aniquila para formar o Z pode ser um quark de valˆencia ou um quark do mar (ver Figura 1.2). Este processo ´e conhecido na literatura com o nome de processo de Drell-Yan [17], onde cabe notar que mesmo sendo um processo n˜ao exclusivo, pelo fato de que os pr´otons dissociados escapam da detec¸c˜ao, nosso sinal exclusivo vai ser contaminado por este processo n˜ao exclusivo.
Figura 1.2: Diagrama de Feynman para o processo de Drell–Yan. A colis˜ao de dois h´adrons gera um par de l´epton e anti-lepton a partir da cria¸c˜ao de um f´oton virtual ou um b´oson Z .
• O processo de produ¸c˜ao exclusiva de dil´eptons ´e esperado tamb´em na eletrodinˆamica quˆantica (QED) atrav´es de processos de fotoprodu¸c˜ao, pγγp → pl+l−p como se mostra na Figura 1.3 (“exclusive”) . Este processo foi medido recentemente pela colabora¸c˜ao CMS[18]. A fotoprodu¸c˜ao exclusiva de par de l´eptons pode ser calculada de forma fi´avel, no ˆambito da QED, com incertezas de menos do que 1%, associadas com o fator de forma do pr´oton. Uma caracter´ıstica ´unica deste tipo de processo ´e o pequeno momento transversal e back-to-back no ˆangulo azimutal (definido como 1−|∆φ (µ+µ−) /π|), derivam-se das muito pequenas virtualidades dos f´otons trocados.
Figura 1.3: Fotoprodu¸c˜ao exclusiva (esquerda) e semi-exclusiva (meio e direita) de dil´eptons
A menos que sejam detectados ambos os pr´otons emergentes, a produ¸c˜ao semi-exclusiva de dois f´otons, envolvendo dissocia¸c˜ao simples ou dupla de pr´otons (Figura 1.3, meio e direita), torna-se um fundo irredut´ıvel que tem de ser subtra´ıdo. O processo de dissocia¸c˜ao de pr´otons ´e menos bem determinada teoricamente, e em particular requer corre¸c˜oes significativas devido ao re-espalhamento do pr´oton. Este efeito ocorre quando h´a intera¸c˜oes fortes entre os pr´otons, al´em da intera¸c˜ao de dois f´otons. Estas contribui¸c˜oes extras podem alterar as distribui¸c˜oes cinem´aticas dos m´uons do estado final. Adicionalmente, tamb´em podem produzir h´adrons de baixo momento. Como resultado, o processo de dissocia¸c˜ao de pr´otons tem significativamente diferentes distribui¸c˜oes cinem´aticas em compara¸c˜ao com o caso exclusivo puro, permitindo uma separa¸c˜ao entre a fotoprodu¸c˜ao exclusiva e semi-exclusiva10.
• Outra poss´ıvel contamina¸c˜ao poderia surgir de m´uons de raios c´osmicos, que produ-ziriam uma assinatura semelhante ao sinal exclusivo Z → µ+µ−. Quando um m´uon
de raios c´osmicos atravessa a regi˜ao de intera¸c˜ao, este pode parecer como dois m´uons que surgem da regi˜ao de intera¸c˜ao, como ´e mostra na Figura 1.4, onde os tra¸cos s˜ao exatamente back-to-back, com ∆φ = ∆θ = π. Assim, para reduzir estas eventuais contribui¸c˜oes dos m´uons de raios c´osmicos11, o ˆangulo de abertura tridimensional
do par de m´uons, definido como o arco-cosseno do produto escalar normalizado do momento vetorial dos m´uons, ´e requerido a ser menor do que 0, 95π (ver Figura 1.4).
10A fim de suprimir mais o fundo proveniente da dissocia¸c˜ao de pr´otons, ´e requerido back-to-back no ˆangulo
azimutal (1 − |∆φ (µ+µ−) /π| < 0, 1) e uma diferen¸ca escalar em o pT (|∆pt(µ+µ−)| < 1, 0 GeV) dos
dois m´uons.
11Quando o b´oson Z ´e “boosted ” do referencial de repouso ao referencial de laborat´orio o ˆangulo entre o
Figura 1.4: “Acolinearity” dos m´uons de raios c´osmicos podem parecer
como dois tra¸cos que surgem do ponto de intera¸c˜ao do detector, onde os
m´uons s˜ao exatamente back-to-back, com ∆φ = ∆θ = π radianos.
No restante deste cap´ıtulo, resumimos alguns conceitos b´asicos e aspectos relevantes do Modelo Padr˜ao, assim como as principais ideias da cromodinˆamica quˆantica em colis˜oes pr´oton-pr´oton que devem ser compreendidos em qualquer an´alise de colisores de h´adrons. J´a no cap´ıtulo 2 discutiremos com maior profundidade o mecanismos de fotoprodu¸c˜ao, al´em de fazer uma breve introdu¸c˜ao aos c´alculos te´oricos para a se¸c˜ao de choque dos processos σγp→Zp via mecanismo de dipolo, tamb´em enfatizo sobre alguns cortes
cinem´aticos que devem ser aplicados a fim de detetar eventos de produ¸c˜ao exclusiva de b´osons Z. No cap´ıtulo 3 ser˜ao descritos com detalhes o acelerador LHC e o detetor CMS e cada um de seus sub-detetores ´e descrito. No cap´ıtulo 4 fa¸co uma descri¸c˜ao da metodologia adotada para a reconstru¸c˜ao dos eventos, assim como os cuidados e considera¸c˜oes que forem levadas em conta nesta an´alise. Tamb´em apresento a estrat´egia adotada para medir ou obter um limite superior para a produ¸c˜ao de b´osons Z exclusivos. J´a no cap´ıtulo 5 apresentamos os resultados preliminares, assim como as considera¸c˜oes e perspetivas. Finalmente, no cap´ıtulo 6 encerramos esta tese com as conclus˜oes do trabalho desenvolvido ao longo de meu doutoramento.
1.1 O Modelo Padr˜
ao das part´ıculas elementares e a
QCD
O Modelo Padr˜ao de f´ısica de part´ıculas descreve os constituintes fundamentais da mat´eria e suas intera¸c˜oes, este classifica as intera¸c˜oes fundamentais da natureza em 3 tipos: forte, fraca e eletromagn´etica (o MP n˜ao leva em considera¸c˜ao a intera¸c˜ao gravitacional que ´e considerada desprez´ıvel na f´ısica das part´ıculas elementares). De acordo com ele, toda a mat´eria ordin´aria ´e composta por part´ıculas fundamentais: 6 l´eptons (e 6 anti-leptons) e 6 quarks, os quais s˜ao f´ermions massivos de spin 1/2 divididos em 3 fam´ılias [19]. As intera¸c˜oes elementares entre quarks e l´eptons podem ser categorizadas, grosso modo, por dois setores principais: (i) o Eletrofraco, com quebra espontˆanea da simetria SU (2)L× U (1)Y e (ii) o Forte, com simetria SU (3)C de cor preservada.
Cada tipo de intera¸c˜ao se propaga como um campo que tem como mediador, o ”quantum” do campo. O mediador da intera¸c˜ao eletromagn´etica ´e um b´oson de gauge sem massa, i.e. o f´oton. Os mediadores da intera¸c˜ao fraca s˜ao os b´osons vetoriais massivos, Z e W± , que tˆem spin 1, o Z ´e neutro e os W± tˆem carga +1 (W+) e -1 (W−). A teoria de Glashow-Weinberg-Salam descreve as intera¸c˜oes eletromagn´etica e fraca na chamada intera¸c˜ao eletrofraca, a qual ´e invariante sob transforma¸c˜oes locais de calibre do grupo SU (2)L× U (1)Y.
A teoria ligada `as intera¸c˜oes fortes ´e a Cromodinˆamica Quˆantica (QCD), a qual ´e descrita pelo grupo SU (3)C, que tem como mediador da intera¸c˜ao entre os quarks, oito12 gl´uons sem massa. Ao contr´ario dos mediadores da for¸ca eletrofraca, os gl´uons podem interagir entre si. Uma consequˆencia desta auto-intera¸c˜ao ´e que a “constante” de acoplamento13αsda QCD diminui `a medida que a escala de energia aumenta, conduzindo `a
12S´o existem 8 esp´ecies de gl´uons. Isso se deve ao fato de que, se existisse uma nona combina¸c˜ao de
cor-anticor para os gl´uons, essa combina¸c˜ao s´o poderia ser um singleto, ou seja, al´em de ser um
mediador, tamb´em seria uma part´ıcula livre, observ´avel, que poderia ent˜ao ser trocada entre dois
singletos (como um pr´oton e um p´ıon por exemplo), o que implicaria uma intera¸c˜ao forte de longa
distˆancia, o que n˜ao ´e verdade. Sabe-se experimentalmente que a intera¸c˜ao forte ´e de curt´ıssimo
alcance (. 1 fm).
13A constante de acoplamento da QCD em ordem dominante ´e dada por:
αs Q2 ≈ 12π (33 − 2nf) ln Q2 Λ2 QCD
onde Q ´e o quadrimomento transferido, nf ´e o n´umero de sabores e ΛQCD ´e a constante de escala
da QCD. N˜ao ´e poss´ıvel determinar o valor de ΛQCD teoricamente na QCD, ela ´e extra´ıda dos
chamada liberdade assint´otica de quarks e gl´uons no limite de grande momento transferido (ou de curtas distˆancias de intera¸c˜ao) [20]. Por outro lado, a inexistˆencia dessas entidades como campos livres na natureza conduz `a hip´otese de confinamento, no regime de pequeno momento transferido (grandes distˆancias). Apenas estados ligados incolores como m´esons (q ¯q) e b´arions (qqq) s˜ao experimentalmente observ´aveis.
Assim, na QCD temos duas escalas de intera¸c˜ao caracter´ısticas, ou melhor, dois regimes de intera¸c˜ao, um ´e o regime associado com processos de grandes momentos transferidos, correspondendo as intera¸c˜oes duras, onde a constante de acoplamento αs
´e pequena e podemos usar a QCD perturbativa. O outro regime est´a associado com processos de baixo momento transferido, correspondendo as intera¸c˜oes suaves, onde a constante de acoplamento torna-se grande, tal que uma expans˜ao perturbativa n˜ao ´e mais poss´ıvel. Neste regime n˜ao-perturbativo, a abordagem fenomenol´ogica da teoria de Regge [21] fornece a melhor descri¸c˜ao das se¸c˜oes de choque hadrˆonicas. Na Teoria de Regge, a intera¸c˜ao entre h´adrons em altas energias pode ser entendida por meio da troca de uma “part´ıcula” hipot´etica conhecida como Pomeron, a principal caracter´ıstica desta “part´ıcula”
s˜ao seus n´umeros quˆanticos, sendo idˆenticos aos do v´acuo (ou seja, sem cor, sem carga, etc.) e, portanto, pode ser atribu´ıdo a ele o papel de agente mediador respons´avel das intera¸c˜oes difrativas, caracterizada por uma lacuna de rapidez no estado final.
Do ponto de vista da QCD a altas energias, ´e estabelecido que o pomeron ´e composto por p´artons, onde a representa¸c˜ao partˆonica mais simples do Pomeron ´e aquela em que sua estrutura de valˆencia consiste de uma combina¸c˜ao singleto de cor como um par de gl´uons [22, 23].
1.2 Vari´
aveis e Conceitos B´
asicos
Conforme foi dito, eventos difrativos se caracterizam por grandes lacunas de rapidez no estado final em que nenhuma part´ıcula ´e produzida. A rapidez ´e definida como:
y = 1 2ln E + pz E − pz , (1.2)
Q2, muito maiores do que ΛQCD , o acoplamento efetivo entre quarks e/ou gl´uons se torna pequeno
e assim, a intera¸c˜ao forte pode ser tratada perturbativamente. Nessa regi˜ao, os quarks e gl´uons se
comportam como part´ıculas quase livres (liberdade assint´otica). Por outro lado, para pequenos valores
de Q2, regi˜ao onde Q2≈ Λ2
QCD , o acoplamento quark-gl´uon se torna alto e c´alculos perturbativos n˜ao
onde E ´e a energia da part´ıcula e pz ´e a componente do momento ao longo do eixo z. Uma
carater´ıstica desta vari´avel ´e que ela ´e invariante frente `as Transforma¸c˜oes de Lorentz na dire¸c˜ao z14. i.e. y T.L.→ y0 = y + 1 2ln 1+β 1−β
. Assim, qualquer diferen¸ca de rapidez ´e invariante sobre um boost de Lorentz permanecendo a mesma em todos os sistemas colineares, o que a torna uma vari´avel muito ´util para este tipo de estudo. Por outro lado, no limite de altas energias, onde p m, tem-se que E ' |p| e a rapidez ´e diretamente relacionada com ˆangulo de espalhamento θ especificando a dire¸c˜ao de movimento com rela¸c˜ao a dire¸c˜ao z y = 1 2ln 1 + cos θ 1 − cos θ = 1 2ln 1 + cos2 θ 2 − sin 2 θ 2 1 − cos2 θ 2 + sin 2 θ 2 ! = 1 2ln cosθ2 sinθ2 !2 = − ln tanθ 2 . (1.3)
Portanto, no limite onde a part´ıcula est´a viajando com velocidade pr´oxima a da luz p m, ou na aproxima¸c˜ao que a massa da part´ıcula ´e pr´oxima de zero, a rapidez ´e aproximadamente igual `a pseudo-rapidez15 η, a qual ´e definida como
η = − ln tanθ 2 . (1.4)
O uso da vari´avel pseudo-rapidez ´e mais conveniente, pois o ˆangulo polar θ da part´ıcula pode ser medido diretamente do detector. Al´em disso, uma outra carater´ıstica importante desta vari´avel ´e que a diferen¸ca de pseudo-rapidez ∆η = |η2− η1| ´e invariante
sob transforma¸c˜oes de Lorentz.
14Aplicando um boost na dire¸c˜ao z (E, p
T, pz) boost−−−−→(γ (E + βpz) , pT, γ (pz+ βE)) , temos que
yboost= 1 2ln γ (E + βpz) + γ (pz+ βE) γ (E + βpz) − γ (pz+ βE) = 1 2ln β (E + p z) + (E + pz) −β (E − pz) + (E − pz) = 1 2ln E + pz E − pz +1 2ln 1 + β 1 − β = y +1 2ln 1 + β 1 − β
15Para o caso mais geral, a rela¸c˜ao entre rapidez e pseudo-rapidez pode ser encontrada em termos do
momento transverso e da massa da part´ıcula como
y = ln q m2+ p2 Tcosh 2 η + pTsinh η pm2+ p2 ⊥
1.2.1
Processos hadrˆonicos difrativosA seguir, apresentamos as defini¸c˜oes de processos difrativos suaves em altas energias e revisamos a cinem´atica desses processos. Do ponto de vista te´orico, um processo hadrˆonico difrativo, em altas energias, ´e definido como [24]:
Um processo no qual n˜ao h´a troca de n´umeros quˆanticos (h´a troca de n´umeros quˆanticos do v´acuo) entre as part´ıculas que participam da intera¸c˜ao.
Em outras palavras, a difra¸c˜ao ´e um tipo de intera¸c˜ao que ocorre a altas energias, toda vez que part´ıculas resultantes da intera¸c˜ao tˆem os mesmos n´umeros quˆanticos que as part´ıculas incidentes. Por meio dessa defini¸c˜ao ´e poss´ıvel identificar os seguintes processos difrativos em altas energias:
• Espalhamento el´astico; quando exatamente as mesmas part´ıculas incidentes emergem ap´os a colis˜ao16:
1 + 2 → 10+ 20. (1.5)
• Disssocia¸c˜ao simples; quando uma das duas part´ıculas emerge intacta ap´os a colis˜ao enquanto a outra d´a lugar a um grupo de part´ıculas com os mesmos n´umeros quˆanticos que a incidente:
1 + 2 → 10+ X2 ou 1 + 2 → X1+ 20. (1.6)
• Disssocia¸c˜ao dupla; quando cada part´ıcula incidente da origem a um grupo de part´ı-culas finais e cada grupo com os mesmos n´umeros quˆanticos d´a respectiva part´ıcula incidente:
1 + 2 → X1+ X2. (1.7)
N˜ao entanto, experimentalmente, nem sempre ´e poss´ıvel identificar todos os produtos de uma rea¸c˜ao, o que torna a defini¸c˜ao acima insuficiente para determinar se um evento ´e difrativo, pois n˜ao sabemos se os sistemas resultantes da intera¸c˜ao possuem os mesmos n´umeros quˆanticos das respectivas part´ıculas incidentes. Ent˜ao ´e conveniente
16Os estados denotados com 0 representam os mesmos estados iniciais com diferentes configura¸c˜oes
fornecer uma defini¸c˜ao operacional ou alternativa da difra¸c˜ao:
Um processo difrativo em altas energias ´e caracterizado por uma grande lacuna de (pseudo) rapidez, e n˜ao suprimida exponencialmente, no estado final.
Isto significa, por exemplo, que uma rea¸c˜ao como a (1.7) ´e difrativa se uma grande lacuna de rapidez (i.e., uma larga separa¸c˜ao angular) ´e observada entre X1 e X2.
Entretanto, podem existir alguns eventos do tipo (1.7) que apresentam uma grande lacuna de rapidez, embora sejam de natureza n˜ao difrativa. O n´umero de eventos desse tipo dever´a ser exponencialmente suprimido. Se ∆η ´e a lacuna de rapidez do estado final, a distribui¸c˜ao de eventos difrativos ´e
dN
d∆η ∼ cte; (1.8)
j´a para os eventos n˜ao difrativos, caracterizados por distribui¸c˜oes do tipo exponencial, temos: dN d∆η ∼ e −∆η . (1.9)
1.2.2 Cinem´
atica
No que segue, tratamos a cinem´atica dos espalhamentos el´astico e dissocia-tivo simples em altas energias[24]. Para isso, consideremos o caso de um processo de espalhamento (gen´erico) de dois corpos
1 + 2 → 3 + 4, (1.10)
denominado processo exclusivo de dois corpos. Nesse contexto, o espalhamento el´astico Eq. (1.5) constitui um caso particular da Eq. (1.10), no qual as part´ıculas interagentes permanecem inalteradas no estado final (embora em configura¸c˜oes cinem´aticas distintas).
vari´aveis de Mandelstam (invariantes relativ´ısticos) definidas abaixo:
s = (p1 + p2)2,
t = (p1 − p3)2, (1.11)
u = (p1 − p4)2,
as quais obedecem a rela¸c˜oes de v´ınculo
s + t + u =
4
X
i=1
m2i. (1.12)
O v´ınculo estabelece que apenas duas das vari´aveis s, t e u s˜ao independentes. Usualmente, adotamos as vari´aveis s e t como independentes em estudos de amplitudes dos processos el´asticos. Assim, pela Eq. (1.11) podemos identificar a vari´avel s como o quadrado da energia do centro de massa da intera¸c˜ao e t como o quadrado do momento transferido entre as part´ıculas interagentes. Isto d´a origem a uma diferen¸ca importante entre topologias de intera¸c˜ao. No canal s, as part´ıculas 1 e 2 aniquilam-se e produzem uma part´ıcula real (ou ”ressonˆancia”), a qual subsequentemente vai decair. O termo ressonˆancia ´e usado porque a amplitude de espalhamento para o processo aumenta abruptamente quando √
s ≈ m, apenas para frequˆencias ressonantes. O canal t envolve a troca de uma part´ıcula virtual entre 1 e 2, e cinematicamente o quadrado do quadrimomento transferido ´e negativo.
Para entender um pouco sobre a informa¸c˜ao que estas vari´aveis podem nos fornecer, vamos analisar o caso simples de espalhamento el´astico de part´ıculas com mesma massa, por exemplo o caso pp → pp, no sistema de centro massa, obtemos[25]
s = 4 k2+ m2p ; (1.13)
t = −2k2(1 − cos θ) ; (1.14)
onde mp representa a massa do pr´oton, k o momento no c.m. e θ o ˆangulo de espalhamento
no c.m.. No limite de altas energias, i.e. s m2, da Eq. (1.13) e Eq.(1.14) obtemos a seguinte rela¸c˜ao aproximada entre o ˆangulo de espalhamento θ e as vari´aveis s e t:
cos θ ' 1 + 2t
Ainda nesse caso, segue que o momento transversal das part´ıculas 3 e 4 no estado final da Eq.1.10
pT '
√ s
2 sin θ, (1.16)
relaciona-se com o momento transferido da seguinte forma:
p2T ' −t. (1.17)
Um outro caso particular de processo dessa natureza ´e representado pelo espalhamento dissociativo simples, o qual ´e definido pela Eq. (1.6). Nesse caso, al´em das vari´aveis s e t, a especifica¸c˜ao completa da cinem´atica do processo (1.6) requer ainda informa¸c˜ao sobre a “massa invariante” do sistema X,
MX2 = (p1+ p2− p3) 2
, (1.18)
onde o quadrimomento p3 ´e o mesmo quadrimomento p01 da Eq. (1.6). Assim, a descri¸c˜ao
cinem´atica do processo inclusivo simples pode ser feita a partir do trio de vari´aveis: [s, t, M2
X] . Neste caso, utilizando a aproxima¸c˜ao de altas energias, obtemos as seguintes
rela¸c˜oes aproximadas com o ˆangulo de espalhamento, θ, e momento transversal, pT
cos θ ' 1 + 2t s − M2 X ; (1.19) p2T = p23sin2θ w −t 1 −M 2 X s . (1.20)
Outra vari´avel muito usada na cinem´atica difrativa, ´e a vari´avel de Feynmann, xF , definida como:
xF ≡
|p3z|
p1
, (1.21)
a qual representa a fra¸c˜ao de momento da part´ıcula inicial, carregada pela part´ıcula espalhada. Por outro lado, no espalhamento hadrˆonico de altas energias, o momento transverso da part´ıcula 3 ´e tipicamente |pT| . 0, 5 GeV, logo |p3z| ' p3 e portanto
|p3z| ' |p3| '
s − M2 X
no limite em que s, M2
X m2i, p2T , a vari´avel de Feynman pode ser reescrita como:
xF ' 1 − M2 X s ; (1.23) e definimos ξ como ξ ≈ M 2 X s = 1 − xF, (1.24)
que ´e interpretada como a fra¸c˜ao de momento perdida pela part´ıcula espalhada. Podemos ent˜ao, levando em considera¸c˜ao as equa¸c˜oes (1.20) e (1.23), escrever t como:
t ' −p
2 T
xF
. (1.25)
Tradicionalmente, os processos hadrˆonicos em altas energias s˜ao categorizados em duas classes distintas: processos “suaves” ( soft ) e “duros” ( hard ). Do ponto de vista cinem´atico, os processos denominados suaves caracterizam-se por grandes distˆancias de intera¸c˜ao ( R ∼1 fm), logo por escalas de momento transferido de ordem t´ıpica
|t| ∼ 1/R2 =⇒ |t| . 0.1 GeV. (1.26)
J´a os chamados processos “duros” envolvem escalas de distˆancia pequenas, tipicamente R < 1 fm e, portanto, de grande momento transferido (|t| & 1 GeV2 ). Outras vari´aveis cinem´aticas utilizadas no estudo do espalhamento inel´astico profundo (DIS ), s˜ao:
• W → energia total do sistema no referencial do centro de massa γ∗p
• Q2 → virtualidade do f´oton (γ∗ ) emitido pelo pr´oton.
A virtualidade Q2 do f´oton ´e: Q2 = −q2, onde q ´e o quadrimomento de γ∗
[8]. O motivo do sinal negativo ´e que, no DIS, q2 < 0. O motivo para um f´oton virtual,
e consequentemente a virtualidade Q2, definida dessa maneira, ´e positiva. Al´em dessas
trˆes vari´aveis cinem´aticas, h´a uma quarta vari´avel muito utilizada no estudo do DIS. ´E a vari´avel x de Bjorken, definida como
x = Q 2 2mpν = Q 2 W2+ Q2− m2 p ,
onde mp ´e a massa do pr´oton e ν ´e a energia transferida pelo pr´oton atrav´es do f´oton
virtual. A vari´avel x de Bjorken, assume apenas valores: 0 < x < 1. No regime de Bjorken, i.e. Q2 → ∞, ν → ∞ e Q2/(2m
pν) = cte finita, esta vari´avel ´e interpretada como a fra¸c˜ao
do momento hadrˆonico que ´e carregada por um de seus constituintes internos.
Nos processos de DIS, a vari´avel x possui valores t´ıpicos bem pequenos, x < 10−2. O regime cinem´atico de x pequeno ´e aquele no qual W2 ´e bem grande, sendo muito maior do que Q2 e do que m
p. Nesse regime x pode ser aproximado por:
x ≈ Q
2
W2.
Em geral, quando se fala em “variar x”, fica impl´ıcito que Q2 esta sendo fixo,
e que a energia ´e que est´a sendo variada. Por isso, a express˜ao “pequeno x”, que ser´a bastante usada nesta tese, ´e sinˆonimo de alta energia.
1.3 Colis˜
oes pr´
oton-pr´
oton e produ¸
c˜
ao de b´
osons Z no
LHC
O comportamento das se¸c˜oes de choque de espalhamento hadrˆonico el´astico Eq. (1.5) com a energia no centro de momento, √s, e com o quadrado do momento transferido, −t, constitui pe¸ca chave para a compreens˜ao dos fenˆomenos difrativos suaves em altas energias. Nesta tese, estamos preocupados com a produ¸c˜ao de b´osons Z em colis˜oes pp em processos “suaves”. Mas, sabemos que os processos de produ¸c˜ao de b´osons Z envolve intera¸c˜oes com pequenas e grandes transferˆencias de momento. i.e suaves e duros respectivamente (soft & hard ), logo, necessitamos entender os efeitos de ambos, a fim de ser capazes de extrair previs˜oes te´oricas para a se¸c˜ao de choque do b´oson Z. Portanto, n´os precisamos saber as distribui¸c˜oes de momentos dos p´artons, i.e. quarks e gl´uons, dentro dos pr´otons da colis˜ao.
Os pr´otons s˜ao compostos de quarks e gl´uons. Em intera¸c˜oes de baixa energia, a estrutura interna do pr´oton pode ser tomados como uma cole¸c˜ao de trˆes quark de valˆencia: dois do tipo up e um do tipo down, os quais interagem atrav´es da troca de gl´uons (ver Fig. 1.5). A Figura 1.5a ilustra um pr´oton a baixa energia. A configura¸c˜ao inicial pode flutuar em estados que contenham gl´uons adicionais ou at´e mesmo produzir pares quark-antiquark.
Figura 1.5: Ilustra¸c˜ao dos partons de valˆencia de um pr´oton e suas intera¸c˜oes e flutua¸c˜oes. a), pr´oton a baixa energia, b) pr´oton a alta energia. Retirado de [26]
Os pares de qq adicionais assim produzidos s˜ao conhecidos como quarks do mar. Os quarks de valˆencia determinam os n´umeros quˆanticos do pr´oton. Na figura 1.5b, ilustra-se um pr´oton de alt´ıssima energia, vemos que as flutua¸c˜oes s˜ao em maior n´umero. Neste segundo cen´ario, devido `a dilata¸c˜ao de Lorentz, uma carga de teste poderia “visualizar” os p´artons dentro do pr´oton como sendo efetivamente livres.
Em ordem dominante, no LHC, os b´osons Z s˜ao produzidos atrav´es do processo de Drell-Yan: este processo em ordem mais baixa em teoria de perturba¸c˜oes para a produ¸c˜ao de dil´eptons ´e (leading order - LO ) descrito pela aniquila¸c˜ao de um quark e um anti-quark (qq) do mesmo sabor, como ´e mostrado na Figura 1.2, e em ordens superiores, com contribui¸c˜oes de qg, qq e gg. Os diagramas de Feynman para c´alculos em Next-to-leading-order (NLO) s˜ao mostrados na Figura (1.6), onde basicamente podemos observar que descreve a produ¸c˜ao de b´osons Z em associa¸c˜ao com jatos. Por outro lado, sabemos que o LHC ´e um colisor de pr´otons, e nenhum anti-quark de valˆencia est´a presente numa colis˜ao, assim o anti-quark surge do mar (sea), a partir da divis˜ao de gl´uons (gluon splitting) que s˜ao continuamente trocados entre os quarks de valˆencia do pr´oton. O outro quark que se aniquila para formar o Z pode ser um quark de valˆencia ou um quark do mar. Cabe destacar que qualquer processo que possa ser descrito pelo intercˆambio de um b´oson Z, tamb´em pode ser descrito pelo intercˆambio de um f´oton virtual γ∗. Entretanto, para os eventos na regi˜ao do p´olo do Z estudado nesta Tese, a troca de Z ´e a dominante e o Q2 do processo ´e muito alto (Q2 = M2
Z∼104 GeV
2). Assim, os p´artons interagindo nos
pr´otons s˜ao assintoticamente livres; isto significa que os diagramas podem ser calculados perturbativamente. Por outro lado, quando a distribui¸c˜ao de rapidez do b´oson Z ´e y ≈ 0, os p´artons colidindo tˆem pequenas fra¸c˜oes de momento x. Para grandes valores de |y|, tipicamente um p´arton tem grande x, e o outro tem pequeno x. No entanto, a regi˜ao mensur´avel de rapidez no CMS ´e |y| < 2, 4, e portanto, os valores de x permanecem na faixa
Figura 1.6: Diagramas de Feynman em ordem Next-to-Leading-Order
(NLO) que contribuem para a produ¸c˜ao de par de m´uons atrav´es de o
processo de Drell-Yan, nos quais est´a impl´ıcito o decaimento do γ ∗ /Z
num dim´uon. (a) Diagramas de corre¸c˜oes virtuais. (b) Diagramas de
aniquila¸c˜ao. (c) Diagramas de espalhamento Compton.
de 5 × 10−4 < x < 5 × 10−2. Os p´artons colidindo neste regime s˜ao predominantemente p´artons do mar, provenientes de gl´uon spliting. Como resultado, o espectro de rapidez do Z fornece informa¸c˜oes sobre a distribui¸c˜ao gl´uons para pequeno x[27].
1.3.1 Produ¸
c˜
ao exclusiva pp → pZp
Al´em dos b´osons Z produzidos via processos de Drell-Yan, o LHC oferece um ambiente favor´avel para explorar a produ¸c˜ao do b´oson Z por meio do mecanismo de fotoprodu¸c˜ao, onde tamb´em ´e poss´ıvel produzir os b´osons Z exclusivamente, em associa¸c˜ao com nenhuma outra part´ıcula exceto os pr´otons. O processo ´e representando pelo diagrama da Figura (1.1) e ´e previsto pelo Modelo Padr˜ao via fotoprodu¸c˜ao, onde um pr´oton emite f´otons virtuais (γ∗), o qual flutua num par qq que ´e dispersado pela troca de dois gl´uons do outro pr´oton. O par de quarks se materializam num b´oson Z que posteriormente decai em par de m´uons17. O mesmo mecanismo fornece a fotoprodu¸c˜ao dos m´esons vetoriais J/ψ e Υ(1S, 2S, 3S) recentemente reportado no LHCb[12] e CMS[57]. Cabe destacar que a troca de dois gl´uons conserva a cor do processo, fazendo que os pr´otons emergem intactos ap´os a colis˜ao com momento transverso pequeno (< 1 GeV).
17Vale lembrar que tamb´em pode decair no canal de el´etrons ou de quarks (jatos), mas como estamos
2
Fotoprodu¸
c˜
ao
Indo al´em das intera¸c˜oes difrativas, caracterizadas por uma lacuna de rapidez no estado final [3], as intera¸c˜oes eletromagn´eticas possuem propriedades semelhantes `a troca de pomerons com os n´umeros quˆanticos do v´acuo, ou seja, produzindo uma lacuna de rapidez no estado final do processo. Por outro lado, em aceleradores, uma fra¸c˜ao das colis˜oes ir˜ao ocorrer com grande parˆametro de impacto, onde intera¸c˜oes por meio da troca de f´´otons entre os pr´otons ser´a mais prov´avel, pois a distˆancia de intera¸c˜ao ser´a muito maior que a escala de a¸c˜ao da for¸ca forte, suprimindo as intera¸c˜oes com troca de gl´uons. Estes tipos de colis˜oes s˜ao conhecidas como colis˜oes ultra-perif´ericas, onde os pr´otons incidentes ir´a emitir f´otons, ocorrendo processos do tipo f´oton-f´oton(γγ) ou de sub-processos duros f´oton-pr´oton(γp).
Um parˆametro fenomenol´ogico utilizado para determinar a geometria das colis˜oes pr´oton-pr´oton, pr´oton-n´ucleo e n´ucleo-n´ucleo ´e a centralidade [30]. Esta grandeza permite estimar o n´umero de n´ucleons participantes da intera¸c˜ao no processo, e define alguns tipos de colis˜oes que ocorrer˜ao em aceleradores: colis˜oes centrais possuem centralidade 0%, entre 10% e 70% s˜ao chamadas colis˜oes n˜ao-centrais, de 70% a 90% s˜ao colis˜oes
Figura 2.1: Sistema de coordenadas dos referenciais K e K’ para a
part´ıcula de carga q e com velocidade ~v. O vetor unit´ario ˆn aponta na
dire¸c˜ao da linha de distˆancia r que liga a origem do referencial K’ com
o ponto onde o observador se localiza no referencial K. O ˆangulo entre
o vetor unit´ario ˆn e o vetor velocidade instantˆanea ~v ´e dado por θ, e a
origem do referencial K’ se localiza no ponto vt em rela¸c˜ao a x1 em K.
perif´ericas, e acima de 90% s˜ao designadas como colis˜oes ultra-perif´ericas (Ultraperipheral Collisions - UPC ). As colis˜oes perif´ericas ocorrem com grandes parˆametros de impacto, que correspondem a centralidades maiores que 70%, mesmo que estes valores n˜ao sejam exatamente contabilizados, podem ser inferidos pelo mapeamento do estado final produzido. Para as colis˜oes ultra-perif´ericas, a abordagem te´orica empregada para efetuar predi¸c˜oes das se¸c˜oes de choque, utiliza a aproxima¸c˜ao de f´oton equivalente, onde a se¸c˜ao de choque hadrˆonica ´e fatorizada em termos da se¸c˜ao de choque do subprocesso partˆonico de interesse e do fluxo de f´otons provenientes de um dos h´adrons incidentes, de um pr´oton no caso de processos γp, ou de ambos os pr´otons em subprocessos γγ. Com isso, produ¸c˜oes eletromagn´eticas ser˜ao favorecidas, o que possibilita a an´alise de um conjunto de dados de colis˜oes n˜ao-centrais, onde efeitos da for¸ca forte se fazem menos presentes. Recentemente, o trabalho de Motyka e Watt [14] aplica a ideia de processos ultraperif´ericos para a produ¸c˜ao de m´esons vetoriais e do b´oson vetorial Z em colis˜oes γp.
2.1 Dinˆ
amica relativ´ıstica de campos eletromagn´
eticos
Uma das principais grandezas empregadas na teoria eletromagn´etica ´e o tensor intensidade do campo [28, 29], dado por1:
Fαβ = ∂αAβ − ∂βAα=
0 −Ex −Ey −Ez
Ex 0 −Bz By Ey BZ 0 −Bx Ez −By Bx 0 , (2.1) onde ∂α = ∂/∂x α = 1 c ∂ ∂t, − ∂ ∂x, − ∂ ∂y, − ∂ ∂z
, dessa forma, a transforma¸c˜ao dos campos eletromagn´eticos ~E e ~B de um referencial K para um referencial K’ obedece a lei
F0αβ = ΛαδΛβγFδγ, (2.2)
ou seja, aplicar-se as transforma¸c˜oes de Lorentz ao tensor intensidade de campo Fαβ .
Efetuando uma transforma¸c˜ao de um referencial K para um referencial K’ que se move com velocidade ~v em rela¸c˜ao ao primeiro, os campos ~E e ~B s˜ao expressos neste novo referencial na forma ~ E0 = γL ~E + ~β × ~B − γ 2 L γL+ 1 ~ β ~β · ~E, (2.3) ~ B0 = γL ~B − ~β × ~E − γ 2 L γL+ 1 ~ β ~β · ~B. (2.4)
A principal caracter´ıstica que se pode observar neste resultado ´e correla¸c˜ao existente nos campos descritos no referencial em movimento. Sendo independentes no referencial K, os campos ~E e ~B passam a descrever conjuntamente ambos os campos el´etrico e magn´etico do referencial K’ . Uma consequˆencia importante deste efeito ´e observado em campos eletromagn´eticos que pode ser vista no movimento de part´ıculas carregadas.
Agora, vamos considerar uma part´ıcula de carga el´etrica q movimentando-se na dire¸c˜ao x3 com velocidade v como se mostra na Figura 2.1. Sem perda de generalidades,
vamos supor que para o tempo t = t0 = 0 o origem dos dois sistemas coincide, assim, com o
1Coordenadas espa¸co-tempo adotado xµ
x0= ct, x1= x, x2= y, x3= z
passar do tempo a posi¸c˜ao P da part´ıcula no sistema de coordenadas K’ tem coordenadas x02 = b, x03 = 0, x01 = −vt0, assim
r0 = q
b2+ (vt0)2. (2.5)
Como a coordenada x1 (e, consequentemente, r0 ) somente dependem do tempo
t0 , esta ´e ´unica vari´avel que necessita ser transformada a fim de expressar a posi¸c˜ao da part´ıcula em rela¸c˜ao ao observador em P,
t0 = γLt = γL t − v 2 c2 x1 , (2.6)
assim, no referencial de repouso da part´ıcula temos que
E10 = −qvt 0 r03 , (2.7) E20 = qb r03, (2.8) E30 = B30 = B20 = B10 = 0. (2.9)
Expressando os campos ~E0 e ~B0 em rela¸c˜ao ao referencial2 K as componentes
n˜ao-nulas s˜ao E1 = E10 = − qvγLt (b2+ γ2 Lv2t2) 3/2, (2.10) E2 = E20 = qbγL (b2+ γ2 Lv2t2) 3/2, (2.11) B3 = γLβE20 = βE2, (2.12)
onde os efeitos relativ´ısticos sobre a intensidade do campo s˜ao mais vis´ıveis quando v → c. Primeiro, podemos notar a presen¸ca do campo magn´etico induzido na dire¸c˜ao x3 o qual ´e
igual ao campo el´etrico transverso E2 para β → 1. Por outro lado, da Fig. 2.1 podemos
ver que o campo el´etrico aponta na dire¸c˜ao do vetor radial unit´ario. Assim, expressando o campo el´etrico ~E em termos da posi¸c˜ao instantˆanea r da part´ıcula em rela¸c˜ao ao ponto P, com b = r sin θ e vt = −r cos θ, e combinando E1, E2 e E3 podemos escrever o campo
2Os campos ~E e ~B s˜ao descritos pela inversa da Eq. (2.3) e Eq. (2.4), onde a transforma¸c˜ao inversa ´e