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Efeito do comprimento do implante na tensão induzida por overdentures com um implante em modelos fotoelásticos

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Academic year: 2021

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Universidade Estadual de Campinas

Faculdade de Odontologia de Piracicaba

Giovana Maria Camilo de Oliveira

Efeito do comprimento do implante na tensão

induzida por overdentures com um implante em

modelos fotoelásticos

Piracicaba 2017

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Giovana Maria Camilo de Oliveira

Efeito do comprimento do implante na tensão

induzida por overdentures com um implante em

modelos fotoelásticos

Dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de

Odontologia de Piracicaba, da Universidade Estadual

de Campinas, como parte dos requisitos exigidos para

obtenção do título de Mestra em Clínica Odontológica,

Área Prótese Dental.

Orientador: Prof. Dr. Rafael Leonardo Xediek Consani

Este exemplar corresponde à versão final da dissertação defendida pela aluna Giovana Maria Camilo de Oliveira, e orientada pelo prof. Dr. Rafael Leonardo Xediek Consani

Piracicaba 2017

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Dedico este trabalho

à minha querida flor, Rosa.

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Agradecimento especial

A Deus, pela proteção, por guiar meu caminho e minhas decisões.

Ao meu Orientador, Rafael Leonardo Xadiek Consani, Professor da Área de Prótese Total da Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP, pelo grande exemplo de competência e dedicação. Agradeço imensamente pelos conhecimentos transmitidos, pelo imprescindível apoio e contribuição para a execução deste trabalho. Além disso, agradeço pela grande amizade,

fundamental nestes anos.

À minha colega de Pós-Graduação, Julia Trevizam Campana, por toda contribuição para a execução deste trabalho. Agradeço por toda disposição em me ajudar, pelo apoio e conselhos. Torço muito por seu sucesso.

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Agradecimentos

À Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na pessoa do Magnífico Reitor, Prof. Dr. José Thadeu Jorge e à Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP, na pessoa do seu Diretor, Prof. Dr. Guilherme Elias Pessanha Henriques e Diretor Associado, Prof. Dr. Francisco Haiter Neto.

À Profa. Dra. Cínthia Pereira Machado Tabchoury, coordenadora geral dos programas de Pós-graduação da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas.

À Profa. Dra. Karina Gonzales Silvério Ruiz, coordenadora do programa de Pós-graduação em Clínica Odontológica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas.

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, pela concessão de bolsa de estudo no período de março de 2016 a fevereiro de 2017, Processo PROEX AUX-PE-PROEX nº 1778/2014.

Aos docentes do Departamento de Prótese e Periodontia, da área de concentração de Prótese Dentária da Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP, Profa. Dra. Altair Antoninha Del Bel Cury, Prof. Dr. Frederico Andrade e Silva, Prof. Dr. Mauro Antônio de Arruda Nóbilo, Prof. Dr. Velentim Adelino Barão Profa. Dra. Renata Cunha Matheus Rodrigues Garcia, Prof. Dr. Wander José da Silva, e Prof. Dr. Wilkens Aurelio Buarque e Silva, pelo convívio e conhecimentos transmitidos que contribuíram à minha formação acadêmica.

Aos docentes membros da banca de qualificação, Flavio Aguiar, Cindy Goes e Marina Pizzani, pelas considerações, sugestões e elogios. Foram de suma importância para conclusão desta etapa.

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À secretária Eliete Lima Marim, e ao técnico de laboratório Eduardo Pinez Campos, pela ajuda e agradável convivência durante o curso de Pós-Graduação.

Aos meus pais Alaor Francelino de Oliveira e Maria Zoraide Camilo da Fonseca Campanelli, Devo a vocês tudo o que tenho e sou hoje, vocês são os pilares da minha existência e a razão da minha vida. Obrigado por todo amor. Ao Ricardo Antonio Campanelli, por ser uma referência de equilíbrio na minha vida e por contribuir tanto com a minha formação. Amo vocês.

Ao meu irmão Bruno Francelino de Oliveira e cunhada Ludmila Travagini Milla, por serem meus grandes exemplos de conquista, garra e determinação. Obrigada por todo apoio, incentivo e vibração a cada conquista.

À minha pequena, Bárbara Campanelli, por toda admiração e doçura. Que eu possa ser referencial na sua vida, este é o meu maior presente.

Aos amigos e colegas de Pós-Graduação da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Adaías Mattos, Bruno Zen, Cláudia Brilhante, Conrado Caetano, Heloísa Pantaroto, Jairo Cordeiro, Marina Pisani, Moisés Nogueira, Paolo Di Nizo, Ricardo Caldas, Sales Barbosa, Thamara Beline, e Vagner Reginato, pelo convívio e experiências trocadas.

Aos colegas de graduação, Lorena Brito, Matheus Óboli, Fernanda Xavier, Fernanda Minomi, Diego Guirra, Mateus Favero, Renata Pelegrini, Mayara Yoshizaki, Pamella Motta e Lucas Barra, pelos anos de convivência, amizade, diversão e apoio. Vocês foram fundamentais na minha formação.

Ao Gabriel Meloto, pela companhia e apoio incessantes por grande parte deste processo. Fomos um grande aprendizado, dividimos grandes momentos. Que a vida nos reserve muitos deles. Obrigada.

À Gabriela Porto e Isabela Bandeira, os grandes presentes que esta faculdade me trouxe para a vida. Vocês representam para mim o verdadeiro

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significado de amizade. Obrigada pelos momentos de compreensão e incentivo. Vocês foram e são minha família fora de casa. Amo vocês.

À Carolina Kamachi, não existem palavras que possam descrever o significado da sua amizade. Esteve comigo em grandes momentos, me ensinou, me apoiou, se orgulhou. Minha eterna gratidão. Amo você.

À Camila Lino, por fazer parte da minha vida há tantos anos, você contribuiu com a pessoa que sou hoje, obrigada pela grande amizade.

Ao Vinicius Pochetto Cracasso, por todo apoio e carinho, obrigada por surgir no final dessa jornada e ser uma das pessoas mais incentivadoras que convivi. Com toda reciprocidade que nos cabe, desejo que a vida lhe reserve grandes momentos, assim como a grande pessoa que você é.

Ao colega de profissão Alex Guilger, por compartilhar do seu conhecimento clínico e dividir experiências. Obrigada.

Às queridas amigas, Nathalie Tiemi, Wanessa Rodrigues, Marcela Bianchin, Izadora Baroni, Camila Angelo, Samantha Tchassi, Luana Macedo e Nelliane Vellozo, pela troca de experiências, ensinamentos e por dividirem momentos incríves e tão marcantes na minha vida.

À todos os meus familiares, amigos e pessoas que indiretamente torceram por mim, contribuindo para a concretização deste trabalho.

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RESUMO

O objetivo neste estudo foi verificar as tensões induzidas por overdentures com um implante com diferentes comprimentos (7, 9 e 11 mm) em modelos fotoelásticos mandibulares de Classe II, submetidas ao carregamento axial. Inicialmente foi obtida uma matriz em gesso com formato mandibular com altura de 13mm, com um orifício na linha mediana para colocação do análogo do implante. Por meio de uma moldagem de transferência da matriz, foram obtidos moldes em silicone, onde foram parafusados os implantes e vertida a resina fotoelástica para obtenção dos modelos fotoelásticos (n=1) para os grupos A, B e C. Nos modelos da matriz de gesso foram confeccionadas próteses totais convencionais superior e inferiores pelo método tradicional e posteriormente foi realizada captura do o’ring mandibular pela técnica direta. Para análise fotoelástica foi utilizada a técnica de transmissão plana, com polariscópio circular (PTH-A-01/LPM-UFU-MG) acoplado a uma câmera digital, a qual gerou imagens para ser realizada a análise qualitativa. Como resultado, no grupo A e no grupo B observa-se tensões concentradas no ápice do implante e região basal do modelo, sendo que no grupo A observou-se maior concentração de tensão, já no grupo C, nota-se que o modelo apresenta tensões concentradas no ápice do implante, região basal do modelo e na região cervical do implante. Em todos os grupos houve aumento das intensidade das franjas conforme aumento da carga axial. A partir disso, conclui-se que a tensão se concentrou predominantemente ao redor do ápice dos implantes, qualquer que fosse o comprimento; quanto maior o comprimento do implante, menor a concentração da tensão; quanto maior o carregamento axial, maior a concentração de tensões.

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ABSTRACT

The aim of this study was to verify the stress induced by overdentures with one implant with different lengths (7, 9 and 11 mm) in Class II mandibular photoelastic models submitted to axial loading. Initially, a mandibular gypsum matrix with a 13 mm height was obtained, with a hole in the median line for placement of the implant analogue. By means of a matrix transfer molding, silicone molds were obtained, where the implants were screwed and the photoelastic resin was poured in order to obtain the photoelastic models (n = 1) for the groups A, B and C. Plaster cast were made upper and lower conventional total prostheses by the traditional method and later the mandibular o'ring was captured by the direct technique. In the photoelastic analysis was utilized the plan transmission technique with circular polariscope (PTH-A-01/LPM-UFU-MG) attached to a digital câmera. As a result, in group A and in group B, there are concentrated tensions at the apical border of the implant and basal region of the model, and in group A it was observed a higher concentration of tension, already in group C, it is noticed that the model presents stresses concentrated at the apical border of the implant, basal region of the model and at the cervical region of the implant. In all groups there was an increase in the fringes intensity as the axial load increased. Based on these results, it can be concluded that the tension was concentrated predominantly around the inferior edge of the implants, whatever the length; As longer as the implant length, lower the stress concentration; as higher as the axial loading, higher stress concentration.

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Sumário

1 INTRODUÇÃO... 13

2 REVISÃO DA LITERATURA ... 17

2.1 Fotoelasticidade ... 17

2.2 Histórico ... 18

2.3 Fotoelasticidade de Transmissão Plana ... 22

2.4 Overdentures ... 23

3 PROPOSIÇÃO... 36

4 MATERIAL E MÉTODOS ... 37

4.1 Confecção dos modelos e próteses ... 38

4.2 Fotoelasticidade ... 46

4.2.1 Carregamento dos modelos no polariscópio circular ... 46

4.2.2 Parâmetros fotoelásticos ... 46

4.2.3 Determinação das franjas isocromáticas ... 47

4.2.4 Leitura das ordens de franjas ... 48

4.2.5 Fotografias ... 48

4.2.6 Análise dos resultados ... 49

5 RESULTADOS ... 49

6 DISCUSSÃO ... 53

7 CONCLUSÃO ... 56

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1 INTRODUÇÃO

Ainda que a expectativa de vida dos brasileiros tenha aumentado, os indicadores de saúde bucal continuam insatisfatórios. Os danos causados pela falta de manutenção dos dentes aumentam com a idade, motivando a necessidade de reabilitações protéticas, geralmente não oferecidas pelo serviço público (Colussi et al., 2002 ). Esse fato acarreta maior quantidade de pacientes desdentados parciais ou totais que necessitam de tratamento que restabeleçam fonação, mastigação, conforto e estética (Sheiham et al., 2001).

Com a ausência dos dentes naturais, as pessoas sofrem mudanças nos hábitos alimentares, estado geral da saúde, bem-estar físico e psicológico e, geralmente, apresentam prejuízos em relação à qualidade de vida (Koshino et al., 2006). A falta dos dentes pode ser decorrente de diversos fatores, como cáries, traumas ou doença periodontal. Os dentes são suportados pelo osso alveolar que o mantém fixo no alvéolo; porém, sem os dentes o osso alveolar deixa de receber estímulos iniciando o processo de reabsorção óssea que ocorre pelo desuso e ausência de estímulos pela força mastigatória (Frost et al., 2003). Assim, a reabsorção do rebordo alveolar apresenta-se como um processo irreversível, crônico, progressivo e cumulativo (Atwood et al., 1971). Entretanto, a literatura mostra que são necessárias mais informações detalhadas a respeito dos fatores que influenciam a reabsorção óssea (Wyatt et al., 1998; Duyck et al., 1999; Carlsson et al., 2004, Kocabalkan et al., 2005; Lerner et al., 2012).

Considerada por muitos anos como o único tratamento para reabilitar desdentados totais, a prótese total convencional apresenta limitações, como retenção e estabilidade. Esses fatores estão relacionados com a anatomia do rebordo, condições da mucosa, quantidade e qualidade da saliva, presença de distúrbios neuromusculares e nível de tolerância ao uso (Telles et al., 2009). Além da falta de conforto, a fonética e a mastigação também ficam

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comprometidas, gerando desagrado que afeta a autoestima dos pacientes (Bonachela et al, 2002).

O uso de implantes dentais minimizou as limitações das próteses totais convencionais, uma vez que a osseointegração dos mesmo melhora a retenção e estabilidade das próteses. Dentre as reabilitações com implantes, as overdentures para pacientes desdentados apresenta-se como uma boa alternativa ao tratamento convencional, uma vez que estudos apontam função bucal melhorada com a utilização de próteses sobre implantes (Albrektsson et al., 1987; Chen et al., 2002; Awad et al., 2003), proporcionando maior satisfação, eficiência mastigatória, melhora da auto-estima, estética e maior qualidade de vida aos desdentados totais (Van Steenberghe et al., 1990; Jemt et al., 1995; Carlsson et al., 2010). Além disso, o implante favorece a manutenção do alvéolo porque o osso recebe novamente os estímulos mecânicos e sensoriais (Jemt et al., 1995).

Apesar de a reabilitação com overdentures mostrar significante índice de sucesso clínico, alguns estudos evidenciam possíveis falhas causadas pelo tratamento (Ichikawa et al., 1996), devido ao excesso da carga mastigatória, quantidade insuficiente de osso, falha de osseointegração, higienização deficiente, falha no planejamento cirúrgico e/ou protético e fatores biomecânicos (Tada et al., 2003).

Tem sido alegado que a função biomecânica dos implantes difere daquela dos dentes naturais em consequência da falta do ligamento periodontal (Lindhe et al., 1997), o que possibilita que a carga mastigatória sobre o implante ultrapasse o limite fisiológico do osso, causando falha da osseointegração. O ligamento periodontal permite que o dente se movimente até 100 μm; porém, o implante consegue se movimentar somente 10 μm limitado pela resiliência do osso alveolar (Watanabe et al., 2000). Portanto, é essencial que a força mastigatória seja distribuída entre prótese, implante e osso alveolar para que as tensões induzidas sejam de menor intensidade e mais homogêneas (Skalak et al., 1983; Rangert et al., 1989; De Boer et al., 1993).

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Estudos sugerem que a retenção de overdentures por um implante seria adequado e poderia resultar em sucesso quando comparada às retidas por vários implantes (Cordioli et al., 1997; Alsabeeha et al., 2011; Harder et al., 2011). No entanto, relata-se maior taxa de falhas naquelas retidas por um implante (Lidellow et al., 2010). Por outro lado, overdentures com dois implantes têm sido considerado o tratamento de escolha para reabilitar mandíbulas desdentadas (Thomason et al., 2009). Entretanto, àquelas com um implante têm sido também indicadas devido à redução do custo e para mandíbulas com menor quantidade óssea alveolar porque, nesses casos, a colocação de vários implantes tem indicação restrita (Liddelow et al., 2007). Embora estudos tenham mostrado que overdentures com um implante promovam resultados clínicos similares aos obtidos com maior número de implantes, (Cordioli et al., 1997; Liddelow et al., 2007; Walton et al., 2009; Alsabeeha et al., 2009; Lidellow et al., 2010; Alsabeeha et al., 2011; Harder et al., 2011; Alvarenga et al., 2013) maior evidência técnica seria necessária para embasar a indicação generalizada para diferentes condições clinicas (Alsabeeha et al. 2009). Ainda não se sabe na literatura qual o melhor design de implante para overdenture com implante único. O comprimento do implante é uma das características do desenho do implante que merece especial atenção por influenciar na distribuição de tensões, entretanto a literatura é inconclusiva quanto ao comprimento ideal do implante para overdentures com implantes únicos.

Para reabilitar mandíbulas severamente reabsorvidas tem sido utilizado implantes curtos, enxertos ósseos e lateralização do feixe vásculo-nervoso alveolar inferior. Entretanto, alguns fatores podem afetar o sucesso dos implantes curtos, como quantidade e qualidade óssea, magnitude da força oclusal, presença de hábitos parafuncionais, posição do implante no arco e nível de estabilidade primária do implante. Porém, a simplicidade da técnica e menor falha são as principais características do uso de implantes curtos, evitando procedimentos complementares como a reconstrução da mandíbula por meio de enxertos ósseos e/ou retalhos osteomusculares (Alvarenga et al.,

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2013). Atualmente, implantes menores de 10 mm de comprimento (curtos) também podem ser usados na região anterior, sendo que as condições anatômicas da mandíbula determinam a correta seleção (Misch et al., 2005).

A literatura descreve diferentes métodos para mensuração de tensões em componentes protéticos, tais como fotométrico (Jemt et al., 1996), análise por elementos finitos (Kunavisarut et al. 2002; Sevimay et al., 2005), análise fotoelástica (Mahler et al., 1955) e análise da distorção vertical linear associada ao teste do parafuso único usando microscópio óptico (Takahashi et al., 2003, Hecker et al., 2003).

A análise fotoelástica tem sido aplicada na Odontologia como um método experimental que avalia a tensão induzida, considerada responsável pela falha da estrutura, fundamentando-se na propriedade óptica de materiais plásticos e translúcidos e em exibir padrões de cores representativos das tensões (franjas). Os materiais fotoelásticos se comportam de forma anisotrópica quando submetidos a um estado de tensão/deformação, demonstrando diferentes índices de refração em variadas direções ao longo do implante (De Torres et al., 2011), sendo possível quantificar as tensões por meio da “lei óptica das tensões” (Markarian et al., 2007).

Nos materiais que apresentam propriedades fotoelásticas, as mudanças do índice de refração ocorrem durante a aplicação da carga. Assim, a análise fotoelástica é usada para transformar forças mecânicas, produzidas em estruturas geométricas complexas, em padrões de luz visível que indicam a localização e intensidade dessas forças, sendo uma ótima ferramenta para avaliação biomecânica (Pameijer et al., 1970; Pereira et al., 2015).

Com base nessas considerações e na ausência de estudos que tenham

comparado o efeito de diferentes comprimentos de implante na biomecânica de overdentures com implante único e também a utilização de implantes curtos para sua ancoragem, o objetivo do presente estudo foi avaliar as tensões induzidas em modelos fotoelásticos simulando mandíbula de Classe II para

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diferentes planejamentos de overdentures com diferentes comprimentos de implantes.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Fotoelasticidade

Doyle & Phillips (1978) alegaram que o nome fotoelasticidade reflete a natureza do método, ou seja, foto implica no uso da luz e técnicas ópticas, enquanto elasticidade relaciona-se com o estudo de tensões e deformações ocorridas em corpos elásticos.

Alvarez & Strohaecker (1999) citaram várias técnicas experimentais utilizadas para determinar a distribuição de tensões/deformações em sistemas estruturais. Dentre elas estão os métodos numéricos como elementos finitos e os métodos experimentais tais como extensiometria e fotoelasticidade.

Araújo (2006) reportou que o nome fotoelasticidade indica a natureza do método empregado, usando luz associada à técnicas ópticas, enquanto elasticidade refere-se ao estudo de tensões e deformações de modelos elásticos.

Araújo (2010) relatou que no caso da técnica fotoelástica por transmissão, um material plástico transparente submetido a um estado de tensão-deformação exibe uma propriedade denominada dupla refração ou anisotropia óptica. A luz polarizada que o atravessa, obtida por polariscópio, permite a determinação das direções e dos gradientes das tensões principais por meio da interpretação dos parâmetros ópticos observados. Quando a luz branca é utilizada, os efeitos ópticos se manifestam como franjas coloridas e quando a luz monocromática é usada há uma série alternada de franjas pretas e brancas. A ordem das franjas em um ponto está relacionada com o estado de

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tensão existente no modelo de acordo com a “Lei óptica das tensões". A fotoelasticidade permite rápida análise qualitativa do estado de tensão, por meio da observação de efeitos ópticos. Assim, a fotoelasticidade de transmissão pode ser usada na solução de problemas num estado plano ou tridimensional, necessitando a confecção de modelos. Existe também a técnica fotoelástica que determina a distribuição de tensões em superfícies, conhecida como fotoelasticidade por reflexão que dispensa modelos.

2.2 Histórico

Noonam (1949) empregou a metodologia fotoelástica no interior de uma estrutura homogênea. Por meio do polariscópio foi possível visualizar as tensões no modelo. O polariscópio plano possibilita um campo de visão escuro por meio de polarizadores de eixos cruzados e um campo de visão claro com polarizadores de eixos paralelos. Dessa forma, é possível visualizar as franjas de duas maneiras, as isocromáticas que são as franjas coloridas, as quais evidenciam a intensidade das tensões e as isoclínicas, linhas escuras relacionadas com a direção das tensões.

Mahler & Peyton (1955) descreveram a fotoelasticidade como um método experimental para analisar as tensões relacionadas às falhas em estruturas. Devido às irregularidades das formas dentais, enfatizaram que esse método é individualmente aplicável às situações dessas estruturas. Essa metodologia consiste na obtenção de um modelo fotoelástico da estrutura a ser analisada, simulando a intensidade e a direção das forças aplicadas no modelo fotoelástico de forma semelhante às condições da estrutura real. A força aplicada aos modelos produz internamente tensões que se difundem de acordo com a direção dessas forças, a forma e o modo de sustentação. A base de sustentação dos padrões e a fixação desses nas bases são aspectos posteriores à fase de construção que devem ser observados com atenção. Por apresentar a propriedade de refração dupla, o material fotoelástico permite que

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um raio incidente de luz seja resolvido em dois raios que passam ao longo do plano principal do material.

Glickman et al. (1970) empregaram a técnica fotoelástica na análise da distribuição de tensões no periodonto de sustentação. O trabalho elaborado por esses autores representou um passo decisivo para a validação da fotoelasticidade como metodologia de pesquisa na área odontológica. Nesse trabalho, eles observaram as tensões induzidas no periodonto de sustentação antes e após a contenção de dentes com um pôntico intercalado. Para comprovar a validade do método, compararam a situação analisada em cortes histológicos de dentes em condições similares, nos quais se visualizava a destruição óssea angular na mesma localização do modelo.

Fernandes (1971) descreveu a fotoelasticidade como uma técnica experimental para análises de tensões e deformações extremamente úteis em peças e estruturas que apresentam formas geométricas e condições de carregamento complexas. Nesses casos, os métodos analíticos e estritamente matemáticos tornam-se muito trabalhosos ou mesmo inviáveis, o que possibilitou a alternativa da análise experimental fotoelástica.

Fisher et al. (1975) estudaram a fotoelasticidade e reportaram como fator favorável a possibilidade de analisar a distribuição de tensões em corpos com morfologia complexa, nos quais os métodos analíticos puramente matemáticos, tais como elementos finitos, por exemplo, são de difícil aplicação ou mesmo impraticáveis.

Brodsky et al. (1975) estudaram a metodologia fotoelástica que

constituiu-se de grande credibilidade. Assim, foi correlacionada

fotoelasticamente a movimentação ortodôntica das raízes dentais com histopatologias que podem se desenvolver. Partiram do princípio que, quando uma força é aplicada ao dente, originam-se áreas de tensão e compressão nos ligamentos periodontais. Nas áreas de pressão suave ou leve, o tecido ósseo é reabsorvido e, nas áreas sem tensão, é neoformado. O movimento ortodôntico

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ocorre, portanto, como resultado da resposta celular no interior das estruturas do periodonto de sustentação do dente. Nas áreas de pressão intensa, a reabsorção óssea torna-se deletéria. O movimento dental nessa área é acompanhado por reabsorção gradativa e contígua ao espaço medular. Concluíram que existe correlação positiva entre o modelo fotoelástico e a amostra histológica. Nas áreas de tensão do modelo, o material histológico correspondente demonstrou o ligamento periodontal estirado. Onde o modelo demonstrou pressão, a secção histológica evidenciou correspondente compressão nas fibras periodontais. Quando maiores concentrações de franjas estavam presentes nos modelos, surgiam áreas de hialinização no material histológico. A utilização de um modelo fotoelástico isotrópico e homogêneo, juntamente com a técnica histológica, demonstrou movimentação radicular tanto em termos celulares como em termos mecânicos.

Vahidi (1978) demonstrou que houve diferença no deslocamento do tecido que reveste o rebordo residual mandibular. O tecido imediatamente adjacente ao último dente suporte é menos resiliente que aqueles da região da papila piriforme ou retromolar. O tecido do rebordo não se desloca de acordo com um esquema geométrico, mas de forma diferente ao longo do rebordo e coincide com o que é imposto pela base da prótese. Entretanto, o resultado foi um desnível elevado de tensão e resiliência e as áreas menos resilientes distribuíam melhor as forças. A limitação da área sob a ação de forças pode induzir à ruptura do tecido e ao risco de danos ao osso alveolar subjacente.

Thayer & Caputo (1980) enfatizaram que o método fotoelástico tem sido bastante utilizado na Engenharia e na Indústria, proporcionando análise qualitativa dos esforços no interior de uma estrutura homogênea quando submetida às condições de esforços desejados.

Campos Júnior et al. (1986) descreveram a metodologia da fotoelasticidade na pesquisa odontológica. Segundo os autores, a metodologia consiste em construir, com material apropriado, a resolução bi ou tridimensional

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do protótipo em estudo. Obtendo-se esse padrão nas dimensões ou escala do protótipo e submetendo-o a forças externas e atravessando-o com um feixe de luz polarizada, tem-se a apresentação de faixas brilhantes, denominadas franjas ou bandas que podem ser analisadas quantitativa e qualitativamente. A contagem dessas franjas ou bandas, se multiplicada por um fator de calibração, fornece com precisão as tensões internas que correspondem ao protótipo original se submetido às mesmas forças. Como vantagem desse método, citam a possibilidade da visualização conjunta das tensões internas nos corpos, as quais podem ser medidas e fotografadas enquanto em outros métodos analíticos são necessários gráficos e esquemas de distribuição de forças construídos a partir de dados numéricos. Outra vantagem é a possibilidade de analisar a distribuição de forças em corpos de morfologia complexa. Desse modo a fotoelasticidade permite a aplicação direta da teoria matemática da elasticidade; porém, possui algumas limitações por ser técnica indireta, como exigir a reprodução acurada do original, a intensidade da carga não deve ultrapassar o limite de resistência do material e o modelo utilizado deve estar livre de tensões prévias às forças aplicadas e exige cuidados especiais de tratamento térmico, dependendo do material empregado.

Caputo & Standle (1987) desenvolveram uma técnica que utiliza modelos com lealdade geométrica. Em relação à técnica tridimensional inédita, diferencia-se na maneira como as tensões são vistas. Pelo fato de a técnica quase-tridimensional não restringir a distribuição de tensões em um plano, pode-se considerar como restrição; porém, apresenta boa fidelidade geométrica como benefício, assim como a possibilidade da aplicação de diversos sistemas de forças em diferentes áreas do modelo. Diferente do método bidimensional, não existe restrição para planificar as forças e tensões e diferentemente do método tridimensional, não há a necessidade de destruir o modelo para a aquisição dos dados. Como desvantagem dessa técnica quase-tridimensional surge a restrição de alcançar a adequada distribuição das tensões, em três dimensões, no interior do modelo fotoelástico.

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Laganá (1992) alertou para o fato de que a fotoelasticidade também possui algumas limitações. Principalmente por ser uma técnica indireta exige modelos com reprodução extremamente fiel do original, sobretudo quando se requer a determinação quantitativa das tensões. Conforme a autora, é preciso estar sempre atento à quantidade máxima de esforços externos a ser aplicados, de forma a não ultrapassar o limite de resistência do material fotoelástico.

Gil (1999) ressaltou que a fotoelasticidade é um método indireto e necessita de corpos-de-prova adequados para o estudo. A resistência do material fotoelástico limita a determinação quantitativa das tensões. Assim, os resultados podem se tornar alterados quando as forças aplicadas tiverem intensidade muito próxima dos valores de limite de resistência dos materiais.

Cruz (2004) descreveu a utilização de um aparelho de aplicação de carga envolvendo a análise de tensões por meio do método fotoelástico. O aparelho é constituído por duas bases paralelas, superior e inferior, ambas quadradas (15 cm x 15 cm) e quatro pilares de apoio. No centro da base inferior, encontra-se um pistão pneumático ligado por mangueiras ao compressor e a uma plataforma de apoio do crânio que, de acordo com a inclinação mandibular, aplica-se força no modelo fotoelástico, incidindo da mandíbula para a maxila cargas da ordem de zero a 10 bar, sucessivamente.

2.3 Fotoelasticidade de Transmissão Plana

Gomide (1990) alegou que a fotoelasticidade pode ser aplicada em qualquer estado de tensão; porém, pode ser mais facilmente utilizada no estudo do estado plano de tensões que requer a confecção de modelos feitos de materiais transparentes, homogêneos, isotrópicos, lineares e possuindo certas propriedades ópticas. A propriedade óptica fundamental é que os materiais possuam dupla refração temporária ou anisotropia óptica, quando submetidos a estados de tensões-deformações. Modelos similares são

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construídos e as cargas que melhor simularem as reais são aplicadas no modelo. Utilizando uma fonte de luz branca, os efeitos ópticos se manifestam como bandas coloridas (cromáticas), cobrindo a faixa do espectro visual. Através da luz monocromática, os efeitos ópticos se manifestam como uma série alternada de bandas pretas e brancas que tem um número de ordem num ponto, dependendo da intensidade de carga. Em geral, pontos críticos em modelos planos ocorrem em contornos livres (furos, entalhes, filetes). A fotoelasticidade plana tornou-se uma ferramenta poderosa na determinação da distribuição de tensões ou fator de concentração de tensões, associadas a esses problemas. Em pontos no interior do modelo bidimensional pode-se obter apenas a leitura da tensão cisalhante máxima, e os valores individuais das tensões principais só serão obtidos com a utilização de dados suplementares ou emprego de métodos numéricos.

2.4 Overdentures

Wyatt (1998) realizou uma revisão de literatura para entender melhor a relação entre tratamentos protéticos e a preservação do rebordo. O estudo comparou próteses totais convencionais, parciais fixas e removíveis e também as implantossuportadas. A partir dessa problemática, foi verificado que quando os dentes estão ausentes a reabsorção ocorre, influenciada também pelo tipo de pessoa, número de dentes remanescentes e sua distribuição, e relação entre os arcos e quantidade de tempo com ausência desses elementos. A utilização de próteses sobre implantes tem mostrado menor taxa de reabsorção óssea, mas não está isenta dela. Overdentures também proporcionam menor taxa de reabsorção, mas em áreas posteriores é semelhante às removíveis, podendo gerar alterações oclusais indesejáveis, sobrecarregando os implantes. Comparando overdentures e proteses totais convencionais, observou-se que a reabsorção na região anterior e posterior da mandíbula foi menor no primeiro ano nas overdentures. A presença de próteses influenciou a reabsorção do osso alveolar e também após as extrações dentais, o rebordo passa por

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acelerada reabsorção seguida por um momento no qual a reabsorção é lenta e progressiva. Nesse estudo o autor elegeu como tratamento de escolha, no sentido de preservar o osso alveolar, a utilização de próteses fixas implantossuportadas.

Menicucci et al. (1998) estudaram os tipos de retenções para

overdentures utilizando o método por elemento finito para avaliar as tensões

geradas nos rebordo e osso peri-implante. Para isso foi confeccionado dois modelos: um com dois implantes e fixação com barra-clipe e outro, também com dois implantes; porém, com fixação do tipo o´ring. Foi feita aplicação de carga pontual de 35 N no primeiro molar para os dois modelos. Como resultado os autores observaram que a retenção barra-clipe gerou maior tensão peri-implante e que o sistema o´ring gerou maior tensão no rebordo posterior do lado oposto (balanceio). Os autores atribuíram estes resultados à presença ou não de conexão entre os retentores e também aos movimentos de torção mandibular quando em oclusão.

Duyck et al. (1999) avaliaram os sistemas de retenção em overdentures, selecionando cinco pacientes, nos quais foram instalados dois implantes na mandíbula em região de canino. Os pacientes receberam uma overdenture com conexão barra-clipe (com e sem extensões bilaterais) ou do tipo o´ring. Usando extensômetros ligados à superfície exterior dos pilares, as forças axiais e momentos de flexão em ambos os implantes de apoio foram quantificadas. Registos foram feitos durante a aplicação de 50 N em sete posições pré-determinadas ao longo da superfície oclusal da prótese e durante oclusão máxima. As diferenças só foram observadas nos momentos de flexão, sendo maiores no grupo do sistema barra-clipe com extensões bilaterais.

El-Sheikh et al. (1999) mediram as forças nos implantes suporte de uma

overdenture verificando se os tipos de retenção podem influencia-las. Para

isso, utilizaram réplicas de mandíbulas edêntulas feitas com resina epóxi reforçada com carbono, utilizando três tipos de sistemas de fixação: o´ring,

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barra-clipe e um modelo semelhante com cantilevers posteriores. As mandíbulas foram submetidas à forças semelhantes às fisiológicas. Foram utilizados strains gauges para a medição das tensões e foram detectadas menores valores de força nos suportes para os modelos contendo o sistema

o´ring. Concluiu-se que variação na concepção da superestrutura tem

influência nas forças transmitidas pelos implantes de estabilização da mandíbula reabilitada com overdenture, quando em situações semelhantes às encontradas clinicamente.

Burns (2000) realizou uma revisão de literatura, na qual buscava avaliar os consensos e controvérsias do tratamento com overdentures. Como consenso, o autor verificou que o edentulismo era um problema de saúde nos EUA e continuaria sendo motivo de preocupação no futuro; retenção e estabilidade em próteses convencionais são um grande problema neste tipo de reabilitação; o índice de sucesso de implantes dentários em região anterior de mandíbula é maior; o uso de overdenture apresenta vantagens quando comparado às próteses convencionais; implantes em região anterior da mandíbula podem atrasar o processo de reabsorção óssea; no tratamento com

overdenture, a resposta óssea peri-implante é melhor; as maiores

complicações do tratamento ocorrem durante o primeiro ano. Como controvérsias, o autor verificou que a quantidade de implantes necessários para o tratamento não estava definido; a necessidade de conexão entre os implantes em região anterior não estava determinada; e que a Odontologia estaria experimentando, talvez, um novo padrão de tratamento para mandíbula desdentada.

Raghoebar et al. (2000) realizaram um estudo clínico para avaliar três tipos de tratamento para mandíbula desdentada. Em 90 pacientes insatisfeitos com as próteses que utilizavam, ofereceram três opções de tratamento: novo conjunto de próteses totais convencionais, novo conjunto de próteses totais após cirurgia pré-protética ou instalação de overdenture. Avaliaram, por meio de questionários (antes, 1 e 5 anos após) a satisfação e a capacidade de

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mastigação dos pacientes. Após análise, concluíram que o maior nível de satisfação foi relacionado ao grupo que recebeu como tratamento a

ovendenture.

Freeman et al. (2001) avaliaram a reabilitação de 19 pacientes com

overdenture implanto-retida (2 implantes) e prótese superior convencional. O

acompanhamento foi feito num período médio de 11,5 anos; e durante esse acompanhamento, apenas um implante foi perdido. Todos os pacientes continuaram usando as próteses com sucesso, necessitando apenas de reajustes decorrentes do afrouxamento, perda e fratura nos clips de fixação; complicações nos tecidos moles; e ainda, barras fraturadas. Posteriormente, nove pacientes tiveram as barras substituídas pelo sistema o´ring, o que reduziu significativamente a quantidade de reajustes necessários. Os autores concluíram que o uso de overdentures mandibulares com dois implantes é uma ótima opção para o tratamento de pacientes desdentados, por ser uma forma simples e de fácil adequação, além de apresentar maior estabilidade e retenção.

Wright et al. (2002) avaliaram o índice de reabsorção do rebordo mandibular posterior com dois tipos de tratamento: overdentures implanto-retidas por dois implantes com sistema de retenção barra-clipe; e prótese fixa com cantilever sobre 5 ou 6 implantes. O acompanhamento foi feito por 7 anos e os índices foram medidos por traçados digitais em radiografias panorâmicas. Obteve-se como resultado 1,1% de reabsorção anual nos usuários de

overdenture e 1,6% de aposição óssea anual nos usuários de próteses fixas.

Com isso os autores concluíram que pacientes reabilitados com overdentures mandibulares demonstraram menores taxas de reabsorção do rebordo residual mandibular posterior, enquanto que os pacientes reabilitados com próteses mandibulares fixas com cantilever demonstraram aposição óssea na mesma área.

(27)

Tokuhisa et al. (2003) confeccionaram um modelo mandibular em resina com dois implantes e uma overdenture removível com a superfície do modelo recoberta por uma camada de material para moldagem simulando a mucosa. Além disso, foram utilizados os sistemas de retenção o´ring, barra-clipe e magneto. A fim de comparar as tensões geradas na interface implante/prótese, foi aplicada força vertical gradual até 50 N, aumentando de 5 em 5 N, no primeiro molar esquerdo. O sistema o´ring foi o que transmitiu menor tensão aos implantes de suporte. A partir desses resultados os autores concluíram que o sistema o´ring pode ser vantajoso quanto à diminuição de tensão e movimentação da prótese quando comparado com outros sistemas de retenção.

Chung et al. (2004) compararam os sistemas de retenção confeccionando modelos mandibulares desdentados com dois implantes posicionados na região de canino, e respectivas ovendentures, sendo 5 para cada tipo de sistema de retenção. Os sistemas testados foram barra Hader/clipe de metal, Locator LR rosa, Locator LR branco, bola Spheroflex, ímã Shiner, ímã Maxi, ímã Magnedisc, ERA branco e ERA cinza. Com os resultados, os tipos de retenção foram divididos em alta, média, baixa e muito baixa características de retenção; sendo eles: alta (cinza ERA), média (Locator LR branco, bola Spheroflex, barra Hader/ clipe de metal, ERA branco), baixa (Locator LR rosa) e muito baixa (ímã Shiner, Maxi ímã e ímã Magnedisc).

Visser et al. (2005) com estudo clínico analisaram a condição dos tecidos peri-implantes, durabilidade, proservação, satisfação do paciente e acompanhamento do tratamento de pacientes com ovendentures mandibulares implanto-retidas com 2 ou 4 implantes. Participaram do estudo 60 pacientes, com altura de rebordo de 12 a 18 mm. Os pacientes foram separados aleatoriamente em dois grupos; A, no qual foram instalados 2 implantes (n=30) e B, no qual os pacientes receberam 4 implantes (n=30). Os pacientes foram avaliados através de exames clínicos e radiográficos 6 semanas após a conclusão do tratamento, e também nos 5 anos seguintes (a cada ano).

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Apenas um implante falhou (Grupo B) e obteve-se como resultado não haver diferença significativa entre os dois grupos quanto ao tecido peri-implante; também não houve diferença quanto à satisfação dos pacientes. Porém, no quesito proservação, houve maior necessidade de correções protéticas no grupo A; no entanto, no que diz respeito aos tecidos moles, houve maior intervenção no grupo B. Concluíram que não houve diferença significativa no tratamento com overdentures utilizando dois ou quatro implantes.

Michelinakis et al. (2006) investigaram se a distância entre os implantes e os tipos de sistema para retenção podem influenciar o tratamento com overdentures implanto-retidas por dois implantes. Para isso, confeccionaram três modelos de gesso pedra, cada um com dois análogos de implantes, com distâncias entre eles de 19, 23 e 29 mm. Três tipos de sistema de retenção foram utilizados: barras Hader, o’rings e magnetos. Foram confeccionados 45 modelos para avaliação da tensão vertical inicial e distância entre implantes. Com os resultados, os autores concluíram que a distância entre os implantes pode afetar a retenção inicial dependendo do tipo de sistema de fixação, e que o desempenho do sistema de fixação varia de acordo com a distância estabelecida.

Liddelow e Henry (2007) buscavam diminuir os custos do tratamento protético com overdentures, investigando a previsibilidade de simplificar esse tipo reabilitação mandibular por meio da cirurgia de estágio único e da carga imediata sobre o implante na linha média. Realizaram um estudo clinico em 28 pacientes, com idade média de 69,8 anos, utilizando próteses totais convencionais inferiores insatisfatórias. Foi colocado um implante na região da linha média, e para fixação da prótese optou-se pelo sistema o’ring. Após 3 e 12 meses foram aplicados questionários para avaliar a satisfação dos pacientes. Três implantes não tiveram estabilidade primária suficiente para que fosse possível efetuar o carregamento imediato e, por isso, foram tratados com protocolos de duas fases. Para os demais pacientes foi possível o carregamento imediato e o implante se manteve até a proservação de 12

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meses. A satisfação dos pacientes foi alta com aumento significativo em todos os parâmetros de conforto e funcionais quando comparadas às próteses convencionais. Os autores concluíram que o carregamento imediato do implante na linha média da mandíbula é um tratamento vantajoso quanto ao custo, retenção e conforto do paciente.

Celik e Uludag (2007) verificaram que não havia clareza nos estudos sobre a influência dos tipos de retenção e inclinação do implante na distribuição de tensões, quando overdentures eram apoiadas sobre 3 implantes. A fim de elaborar um estudo para esclarecer estas questões, confeccionaram dois modelos fotoelásticos com 3 implantes em cada um; sendo que no primeiro modelo os implantes eram paralelos entre si e orientados verticalmente, e no segundo, dois implantes foram colocados 20 graus divergentes a partir do centro do implante. Para cada modelo foram estudados 4 sistemas de retenção, sendo Locator, o´rings, barra-clipe e barra-clipe conjugados a o´rings distais. Foi feita aplicação de uma força vertical de 135 N na fossa central do primeiro molar direito. As tensões resultantes foram monitoradas e registradas fotograficamente. Os autores concluíram que no modelo com implantes verticais e inclinados, os menores níveis de tensão foram observados no sistema o’ring e barra-clipe conjugados. Nos modelos verticais, as tensões não foram bem distribuídas no sistema o’ring.

Wolfart et al. (2008) estudando dois casos clínicos concluíram que a utilização de overdenture implanto-retida por um implante na região anterior de mandíbula com sistema de retenção o’ring seria uma opção vantajosa para reabilitações de desdentados totais inferiores. O procedimento aumentou a estabilidade e retenção quando comparadas às próteses totais convencionais, além de baixo custo e um meio simples de tratamento. A partir desses resultados iniciais, os autores concluíram que essa reabilitação pode ser um tratamento promissor para pacientes edêntulos, simples e de menor custo e pode ser recomendado para pacientes que não podem pagar o tratamento com

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dois implantes. Ressaltaram que há necessidade de acompanhamento clínico em longo prazo.

Maeda et al. (2008) estudaram a biomecânica de overdentures suportadas por um implante, utilizando modelos in vitro com análogos de implante e sistemas de retenção o’ring e magneto e forças de 50 N em cinco locais na oclusal. Com medidores de tensão colocados na superfície do implante foram registradas as forças laterais e os deslocamentos tridimensionais da base da prótese. Concluíram que do ponto de vista biomecânico, as overdentures suportadas por um implante mostraram desempenho similare às suportadas por dois implantes.

Alsabeeha et al. (2009) realizaram uma revisão de literatura buscando maior informação a respeito de ovendentures com implante único. Além disso, também descreveram técnicas cirúrgicas e protéticas para esta nova abordagem de tratamento. Nas bases de dados Pubmed, Medline e Embase realizaram a busca através da palavra chave “mandibular overdenture single

implant”, utilizando artigos publicados até agosto de 2008. Um número limitado

de artigos foram encontrados, sendo que na maioria, tratava-se de casos clínicos e estudos de curto prazo. Os autores concluíram que a partir de um número limitado de estudos a respeito do assunto, o uso desta técnica não pode ser recomendada.

Alsabeeha et al. (2010) realizaram um estudo clínico buscando determinar a estabilidade primária de três diferentes diâmetros de implantes (3,75, 4,0 e 8,0 mm) colocados na linha média de mandíbulas desdentadas para casos de overdentures. Foram incluídos no estudo 36 pacientes, totalizando 36 implantes em linha média da mandíbula, e a estabilidade primária mensurada com um dispositivo magnético. Concluíram que quanto maior o diâmetro, maior a estabilidade primária; também que variáveis do paciente, como sexo, qualidade e quantidade óssea, e idade não influenciaram a estabilidade primária.

(31)

Liddelow e Henry (2010) pretenderam num estudo clínico simplificar a reabilitação com overdentures mandibulares, utilizando cirurgia de estágio único e carga imediata das próteses, além da utilização de um implante na linha média da mandíbula para suporte, visando a analisar a vantagem dessa técnica. Obtiveram como amostra com 35 pacientes que utilizavam próteses convencionais mandibulares e estavam insatisfeitos por vários motivos, como pouca retenção, instabilidade, feridas causadas pela prótese e problemas fonéticos. Neste estudo, o implante MK III Branemark com superfície oxidada foi comparado com o implante usinado MK III Branemark clássico, separando os pacientes aleatoriamente em dois grupos, de acordo com os tipos de implantes. Como sistema de retenção foi utilizado o’ring fixado na prótese já existente. O acompanhamento clínico foi feito 3, 12 e 36 meses após o início do tratamento. Dos oito implantes com superfície usinada, três falharam, indicando maior taxa de insucesso, e esse implante não foi mais utilizado no estudo. Dos implantes com superfície oxidada, um não apresentou estabilidade primária para ser carregado imediatamente e foi feito em duas fases; os outros 25 alcançaram estabilidade primária e foram acompanhados até 36 meses. A satisfação dos pacientes foi maior tanto nos quesitos estéticos quanto nos funcionais. Os autores concluíram que dentro das limitações do estudo e ao longo de uma observação de 3 anos, a carga imediata para overdenture mandibular com um implante com superfície oxidada e prótese existente pode fornecer resultado benéfico com valor financeiro mínimo.

Harder et al. (2011) avaliaram a evolução clínica, qualidade de vida ligada à saúde oral (QVRSB), e a capacidade de mastigação de pacientes com próteses totais mandibulares retidas por um implante colocado na linha média da mandíbula. Foram incluídos no estudo pacientes que já faziam uso de próteses totais convencionais, e foram tratados com um implante na linha média de mandíbula, utilizando retenção o´ring. Foram realizadas avaliações no começo do tratamento e 4 semanas após. O estudo foi composto pela análise de 11 pacientes e o período médio de avaliação foi de 43 meses.

(32)

Nenhum implante falhou durante o período, mas foram necessários reparos em 4 próteses. A capacidade de mastigação dos pacientes melhorou além de ser verificado aumento na QVRSB, mostrando-se como um tratamento vantajoso.

El-Sheikh et al. (2012) buscaram simplificar o tratamento de overdenture com a cirurgia de um estágio e carregamento protético imediato num único implante. Vinte pacientes desdentados com próteses totais mandibulares insatisfatórias foram incluídos no estudo. A reavaliação foi realizada aos 3, 6 e 12 meses, abordando situações clínica e radiográfica, além de ser aplicado questionário para avaliar o nível de satisfação dos pacientes. Todos os implantes mantiveram-se nos 12 meses de avaliação e os pacientes mostraram-se satisfeitos em todos os quesitos avaliados. Os autores concluíram que overdentures realizadas com estágio único e um implante posicionado em linha média da mandíbula podem ser um tratamento eficaz.

Cheng et al. (2012) estudaram a satisfação dos pacientes e a eficiência mastigatória quando reabilitados com overdentures mandibulares retidas por implantes únicos usando anexos Locator ou magnético. Quesitos ligados à satisfação do paciente, como fala, mastigação, conforto, estabilidade e retenção foram avaliados 3 meses após o início do tratamento. Os resultados clínicos foram significativamente melhorados com overdentures mandibulares retidas por implante único usando Locator ou anexos magnéticos. Não foi observada diferença entre os dois tipos de encaixes.

Mumcu et al. (2012) realizaram um estudo com 62 pacientes, questionando a satisfação e qualidade de vida relacionadas às overdentures. Para inclusão no estudo, os pacientes deveriam utilizar overdentures mandibulares com o sistema barra-clipe ou o´ring, variando o número de implantes interforames, podendo ser de dois a quatro implantes. A relação observada entre a satisfação do paciente e o número de implantes não foi estatisticamente significante, bem como para o tipo de encaixe. Na capacidade de higienização, valores mais elevados foram obtidos com pacientes

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portadores de overdentures com quatro implantes e encaixe barra-clipe. Os autores concluíram que overdentures implantossuportadas por quatro implantes, e encaixe barra-clipe podem proporcionar melhor qualidade de vida relacionada à saúde bucal. O número de implantes ou tipo de anexo pode influenciar na satisfação do paciente.

Grageda e Rieck (2013) observando a gama de estudos realizados com

overdentures com implante único mostrando elevado nível de satisfação dos

pacientes, descreveram um caso clínico utilizando essa reabilitação. Após extração dos dentes remanescentes da mandíbula foi realizada carga imediata dos implantes. Depois de 6 semanas o paciente retornou e foi realizada radiografia panorâmica para avaliação da osseointegração do implante, e constatando uma situação favorável ao sucesso foi colocado encaixes do tipo Locator e feita moldagem para confecção da overdenture. O paciente retornou para proservação de 24 horas, uma e três semanas após a instalação da prótese. Mesmo depois de dois anos de acompanhamento, nenhuma complicação foi relacionada. Os autores concluíram que os resultados confirmaram os relatados em estudos anteriores, nos quais esse tipo de tratamento mostrou maior probabilidade de sucesso, além de ser uma reabilitação simples e de baixo custo.

Liu et al. (2013) utilizando o método por elemento finito em três dimensões (FEA 3D) avaliaram a distribuição de forças ao redor do implante, osso peri-implante e estabilidade de overdentures mandibulares suportadas por números diferentes de implantes e diferentes tipos de carga. Foram modeladas quatro mandíbulas para realização do estudo por elementos finitos 3D, usando um e quatro implantes com sistemas de retenção Locator. Sobre elas, foram aplicados dois tipos de carga: 100 N com carga vertical sobre os incisivos inferiores e 100 N com carga vertical e inclinada sobre o primeiro molar esquerdo. A overdenture suportada por um implante com força vertical sobre os incisivos mostrou rotação do implante, mas não foi observado aumento de tensão no osso peri-implante. Na overdenture suportada por dois implantes, a

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rotação foi mais acentuada em torno da linha média entre os dois implantes e a tensão nos pilares foi maior que nos outros modelos. Nas overdentures suportadas por três e quatro implantes nenhuma tensão exagerada foi observada nem no osso nem nos pilares. Os autores concluíram que os valores de tensão no osso peri-implante estavam dentro do limite fisiológico nos quatro modelos; quando foi feita a aplicação de carga nos incisivos inferiores, o modelo com dois implantes apresentou valores maiores de tensão nos pilares e no osso peri-implante, além de instabilidade que pode ser solucionada com a instalação de um terceiro implante; o modelo com um implante mostrou menor tensão no pilar e no osso e a estabilidade da prótese não foi comprometida, mostrando-se uma boa opção de tratamento.

Grover et al. (2014) realizaram um estudo para avaliar overdentures instaladas com único implante e sistema de retenção tipo magneto, relacionando com melhora da qualidade de vida ligada à saúde bucal (QVRSB), e eficiência mastigatória de usuários de próteses totais convencionais. Dez pacientes desdentados e insatisfeitos com as próteses foram selecionados para o estudo e as próteses antigas foram substituídas por overdentures. Os pacientes foram separados em dois grupos: com overdenture convencional (A) e overdentures com arco reduzido (B). Os grupos utilizaram as próteses nos primeiros 3 meses e depois inverteram os modelos. Foram feitas análises clínicas, radiográficas, e aplicação de questionários para medir a QVRSB. A eficiência mastigatória foi avaliada usando amendoim como alimento teste. Os autores observaram aumento no nível de satisfação dos pacientes depois do tratamento; quanto ao tipo de prótese, houve preferência do arco convencional em relação ao arco reduzido. Concluíram que as

overdentures implantossuportadas por um implante melhora a qualidade de

vida do paciente desdentado.

Tavakolizadeh et al. (2015) realizaram um estudo para verificar o nível ósseo e a satisfação do paciente com overdentures sobre um e dois implantes. Foram selecionados 20 pacientes, sendo separados aleatoriamente em dois

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grupos, com um e dois implantes. Foi feito acompanhamento dos pacientes, sendo examinados com 6 e 12 meses após instalação dos implantes. Foram realizadas radiografias e questionários para avaliar satisfação dos pacientes. Todos os implantes atingiram estabilidade primária suficiente para carga imediata. A satisfação dos pacientes foi maior e não houve diferença significante entre os dois grupos. A reabsorção óssea marginal foi pequena e não mostrou diferença significante entre os dois grupos. Os autores concluíram que as overdentures sobre um implante podem ser um eficaz método de tratamento.

Bryant et al. (2015) realizaram um estudo randomizado de 5 anos para analisar a satisfação de pacientes com overdentures sobre um e dois implantes. Foram selecionados 86 pacientes com idade média de 67 anos, e foram aleatoriamente alocados em dois grupos. Foi realizado questionário de satisfação antes da colocação dos implantes, bem como a 2 meses, 1, 3 e 5 anos após. Conclui-se que não houve diferença significativa na satisfação dos pacientes após 5 anos, e que são necessários mais estudos para avaliar o tratamento com implante único.

(36)

3 PROPOSIÇÃO

O propósito neste estudo foi analisar as tensões induzidas por

overdentures retidas por um implante de diferentes comprimentos em modelos

fotoelásticos mandibulares, quando submetidas a diferentes carregamentos axiais.

A hipótese estudada foi que diferentes comprimentos de implantes e

diferentes valores de carregamento axial promoveriam diferentes

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4 MATERIAL E MÉTODOS

O estudo avaliou as tensões induzidas por ovendentures mandibulares com sistema de retenção o’ring Mini CM (Neodent, Curitiba, PR) suportadas por um implante cone Morse (TitamaxCM; Neodent), tendo como variável o comprimento (7, 9 e 11 mm), com plataforma de 4.0 mm de diâmetro. Foram aplicadas cargas axiais com intensidades de 10, 20 e 30 kfg simulando a oclusão entre próteses maxilar e mandibular. Um modelo maxilar e outro

(38)

mandibular (Figura 1) foram confeccionados com gesso especial tipo IV (Durone; Dentsply, Petrópolis, RJ).

em moldes de silicone laboratorial. Pela técnica convencional foram confeccionadas uma prótese total superior e três overdentures mandibulares, as quais induziram tensões nos modelos fotoelásticos.

Figura 1 – Modelo maxilar e mandibular.

4.1 Confecção dos modelos e próteses

O modelo mandibular foi moldado com silicone laboratorial (Silicone Master; Talmax Produtos de Prótese Dentária, Curitiba, PR) com o propósito de obter três modelos mandibulares em gesso especial tipo IV (Durone; Dentsply, Petrópolis, RJ).

Depois da confecção, os modelos mandibulares foram separados aleatoriamente para a colocação dos implantes, em: 1) modelo A - Implante de 7 mm colocado na linha média da mandíbula; 2) modelo B - Implante de 9 mm colocado na linha média da mandíbula; e 3) modelo C - Implante de 11 mm colocado na linha média da mandíbula.

Para padronizar a posição dos implantes foram confeccionadas guias de acrílico. As guias foram posicionadas no modelo de gesso orientadas por dois

(39)

pontos referenciais demarcados na região posterior (trígono retromolar) e outro na linha média da mandíbula (Figura 2). As guias serviram para orientação das perfurações a serem feitas nos rebordos dos modelos de gesso, objetivando a colocação dos análogos.

Figura 2 – Guias de acrílico com os pontos referenciais demarcados (setas).

Depois do posicionamento das guias, as perfurações foram feitas com broca de carboneto de tungstênio multilaminada esférica nº 2 (FGXL; Ad. Burs, Gloucester, UK) acoplada ao micromotor (LB100; Beltec, Araraquara, SP), com velocidade de 45.000 rpm. Para delimitar a profundidade da perfuração no modelo de gesso foi colocado um referencial na haste da broca. Em seguida, o diâmetro superior da perfuração foi ampliado para ficar com a mesma dimensão do orifício da guia, ou seja, ligeiramente maior que o diâmetro da perfuração para possibilitar a colocação do análogo no modelo de gesso, que foi fixado com gesso (Figura 3).

(40)

O análogo foi fixado no transferente para moldagem e, este ao braço do delineador para conferir paralelismo. Nessa etapa, não foi necessário posicionar o implante no modelo de gesso porque não se tratava do modelo definitivo de resina fotoelástica. Em seguida, o transferente para moldeira aberta foi parafusado no análogo antes da moldagem (Figura 4).

Figura 4 – Transferente para moldeira aberta parafusado no análogo.

Para moldagem de

transferência foi utilizado

silicone Silicone Master

(41)

fabricante. O silicone foi vertido até a altura da cabeça do transferente num recipiente de plástico e o modelo com o transferente posicionado no centro. Após a presa do material, o modelo de gesso foi removido e o implante cone morse posicionado no molde de silicone.

No molde de silicone foi confeccionado o modelo de resina fotoelástica (Araldite; Araltec Produtos Químicos, Guarulhos, SP) formulada à base de bisfenol A modificado com fluido reativo (Gy-279 BR) e endurecedor à base de amina ciclo-alifática (HY 2964), com constante óptica de 0,468 kgf/mm (Cariello, 2007). Para a eliminação de possíveis bolhas, o recipiente contendo a resina foi colocado numa câmara de pressão a 70 kgf/cm2 por 5 minutos. Em seguida, o molde foi preenchido lentamente com a resina fotoelástica (Figura 5). Após a polimerização da resina fotoelástica (72 horas), os parafusos de fixação foram removidos dos transferentes e o modelo fotoelástico foi retirado do molde. O aspecto do modelo obtido era translúcido e em condições apropriadas para análise fotoelástica.

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O acabamento do modelo foi realizado manualmente com lixas de carboneto de silício (Norton; ASD, São Paulo, SP) de granulação decrescente (600 a 120) refrigeradas com água e, posteriormente, com pasta de pedra pomes e branco de Espanha em torno mecânico. Para cada comprimento do implante foi obtido um modelo fotoelástico (n=1) objetivando quantificar as tensões exercidas pelas overdentures.

Uma prótese total convencional maxilar antagonista e três overdentures mandibulares foram confeccionadas nos modelos de gesso. Nesses modelos foram feitas as bases de prova e os planos de cera para orientação maxilar e

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mandibular. Os conjuntos foram relacionados no articulador semi-ajustável Mondial 4000 (Bio-Art, São Carlos, SP) (Figura 6) de acordo com as referências: guia condilar de 30 graus, ângulo de Bennett de 15 graus e pino incisal em zero grau.

(44)

Num dos conjuntos de próteses, os dentes artificiais Vivodent PE e Orthosit PE

(Ivoclar; Vivadent, Barueri, SP) foram

montados nos planos de cera superior e inferior relacionados no articulador. Após a montagem dos dentes, ajuste oclusal e

escultura em cera, uma muralha de silicone (Zetalabor; Zhermack, Rovigo, Itália) foi construída na face vestibular dos dentes das próteses articuladas, com o propósito de padronizar a montagem dos dentes mandibulares das demais overdentures.

As bases das próteses foram feitas com resina acrílica incolor QC-20 (Dentsply), na proporção de 23 g de polímero para 10 mL de monômero e manipulada conforme as recomendações do fabricante. Na fase plástica, a resina foi colocada sobre o modelo de gesso incluído na mufla e, antes da prensagem inicial, uma folha de celofane foi colocada separando a resina acrílica do modelo de gesso previamente isolado com alginato de sódio (Cel-Lac; SS White, Rio de Janeiro, RJ). Depois da prensagem inicial, a mufla foi

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aberta, o celofane retirado, o excesso de resina removido, o isolante (Cel-Lac) novamente aplicado, a mufla fechada e transferida para o grampo de contensão. A resina foi polimerizada em água em ebulição por 20 minutos. Após esfriamento da mufla em temperatura ambiente, a prótese foi demuflada, acabada e polida pelos métodos tradicionais (Figura 7).

Figura 7 - Próteses mandibular e maxilar acabadas e polidas.

Em seguida foi demarcado o local da captura da cápsula na porção interna da base da prótese. Após perfuração, a cápsula foi colocada no o´ring e uma porção de resina acrílica transparente ativada quimicamente (Clássico) foi inserida na perfuração. A prótese foi posicionada sobre o conjunto modelo-cápsula e estabilizada até que a resina se polimerizasse. Decorrido esse tempo, a prótese foi removida com a cápsula incorporada na base da prótese.

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