Roteiro de aula Aula 11 (03.05.2010 – segunda feira)
Direito Processual Penal I Turma: 4º semestre
OBS: Mero roteiro de aula. Proibido divulgação e reprodução. Somente para alunos do 4º semestre que cursam a disciplina de Processo Penal I.
AÇÃO PENAL – (Continuação)
-Ação Penal Pública condicionada a requisição do Ministro da Justiça:
Requisição é um ato político, porque há certos crimes em que a conveniência da persecução penal está subordinada a esta conveniência política.
-Natureza Jurídica: Condição específica de procedibilidade -Hipóteses de requisição:
Art. 7, § 3º, b do CP (crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil)
Art. 141,I, c.c §un do art. 145 do CP(crimes praticados contra a honra do presidente da republica e chefe de governo estrangeiro)
-Prazo: A lei não prevê prazo, portanto entende-se que pode ser feita a qualquer tempo.Não está sujeita a decadência, porém o crime praticado está sujeito a prescrição.
-Destinatário: MP
-Conteúdo:CPP silenciou. Segundo a doutrina deve conter: qualificação da vítima, qualificação do autor da infração e a exposição do fato.
-Retratação da requisição:
1ª corrente:Para Capez, Tourinho e Paulo Rangel não deve ser admitida,pois a lei não contempla expressamente e ademais por se tratar de um ato político, partindo do governo por meio do MJ, há de revestir-se de seriedade, ser fruto de uma ampla reflexão acerca da conveniência ou não do oferecimento da requisição.
2ª corrente: Para Jorge Alberto Romeiro, Luiz Flávio Gomes, Denilson Feitosa: Admitem desde que feia antes do oferecimento da peça acusatória.
-Vinculação da requisição: Segundo Tourinho, não vincula o MP nem quanto a pessoa, nem quanto a capitulação dos fatos,(eficácia objetiva e subjetiva da requisição), apenas o autoriza a desempenhar suas funções
- Início da ação penal pública (condicionada ou incondicionada):
- Através da DENÚNCIA: peça inicial da ação penal. Comunica infração, aponta autor, pede o processo
- conteúdo DENÚNCIA: art. 41, CPP - prazo DENÚNCIA: vide quadro abaixo:
REU PRESO REU SOLTO
CPP- art. 46 5 dias 15 dias
Crime eleitoral- Lei 4737, art. 357
Crime contra a economia popular-Lei 1521/51, art. 10, §2º 2 dias 2 dias Abuso de autoridade-Lei 4898/65, art. 13 48h 48h
CPP Militar 5 dias 15 dias
Lei de Drogas-Lei 11343/06, art. 54
10 dias 10 dias
OBS: Excesso de prazo não invalida a denúncia, só provoca relaxamento da prisão no caso de indiciado preso; imposição de sanção administrativa ao Promotor desidioso; ação peal privada subsidiária da pública.
-Rejeição da denúncia: Art. 395 do CPP
-OBS: Quando se inicia o processo? Para STJ e STF o processo só se inicia com o recebimento da denúncia ou queixa (art. 396 do CPP). (STF Inq 2033/DF - STJ Resp 659.081/SP)
- AÇÃO PENAL PRIVADA:
a.Conceito: É aquela em que o Estado, titular exclusivo do direito de punir, por razões de política criminal, transfere a legitimidade para a propositura da ação penal à vítima ou a seu representante legal. Trata-se conforme já mencionado em aula de legitimação extraordinária (substituição processual, ou seja, a vítima defende um interesse alheio - do Estado na repressão do delito-, em nome próprio).A distinção básica que se faz entre ação penal privada e ação penal pública reside na legitimidade ativa
b. Início da ação: através da queixa, independente do tipo
c.Fundamento: Evitar que o streptus judicii (escândalo do processo)provoque no ofendido um mal ainda maior do que a impunidade do criminoso, decorrente da não propositura da ação.
d.Espécies:
I- ação penal privada propriamente dita ou exclusivamente privada:Pode ser proposta pelo ofendido ou seu representante legal, curador especial, nas hipóteses legais e ainda admite sucessão processual pelo CCADI nos casos de ausência ou morte do ofendido.
II- ação penal privada personalíssima: Seu exercício compete única e exclusivamente ao ofendido (ex.: art. 236, CP) e a mais ninguém.Vedado até mesmo ao representante legal e não há sucessão processual.
Há apenas um caso dessa espécie de ação penal: crime de induzimento a erro essencial ou ocultação de impedimento (art. 236 e § único do CP).
No caso de ofendido incapaz, seja em virtude de pouca idade (menor de 18 anos), seja em razão de enfermidade mental, a queixa não pode ser exercida haja vista a incapacidade processual do ofendido (incapacidade de estar em juízo) e a impossibilidade de o direito ser manejado por representante legal ou curador especial nomeado pelo juiz.Neste caso a decadência não corre contra o incapaz simplesmente porque está impedido de exercer o direito de que é titular.
III- ação penal privada subsidiária da pública
Proposta nos crimes de ação penal pública condicionada ou incondicionada, quando o MP deixa de fazê-lo no prazo legal. É a única exceção a regra prevista na própria CF, à regra da titularidade exclusiva do MP sobre a ação penal pública (art. 29, CPP ,art. 5º, LIX e 129, I da CF).
Somente é cabível em face da inércia do MP.
Para alguns autores é necessário que a vítima seja individualizada. Ex: Tráfico de drogas, não possui vítima individualizada.
O prazo para oferecimento da queixa subsidiária: 6 meses a partir da data em que se esgota o prazo do MP (art. 38 do CPP).A expiração do prazo não gera a extinção da punibilidade, só gera a perda da oportunidade da vítima agir em juízo.Fala-se aqui em decadência imprópria.
No caso de ação penal privada subsidiária da pública o MP poderá: I-repudiar a queixa, hipóteses na qual estará o MP obrigado a oferecer denúncia substitutiva. II-Pode ainda aditar a queixa, tanto para incluir dados secundários como para incluir co-réus ou outros fatos delituosos.III-Se o querelante for negligente, o MP reassume o pólo ativo da ação penal (ação penal indireta- art. 29 do CPP).
e.Titular: ofendido ou seu representante (art. 30 do CPP e art. art. 100, § 2 do CP) Na técnica do código:
Ofendido denomina-se querelante Acusado denomina-se querelado. f. Prazo para oferecimento da queixa :
Regra Geral: 6 meses contados do dia em que o autor vier a saber quem é o autor do crime (art. 38 do CPP).
Exceções:
1.Ação penal privada personalíssima: art. 236, § único:6meses contados a partir do trânsito em julgado da sentença que por motivo de erro ou impedimento anule o casamento.Se a vítima for menor o prazo não corre até que ela atinja a maioridade.
2.Crime de ação privada contra a propriedade imaterial que deixar vestígios, sempre que for requerida a prova pericial:30 dias contados da homologação do laudo
3.Ação penal privada subsidiária da pública: art. 38 do CPP- 6 meses a partir da data em que se esgotar o prazo para denúncia
O prazo para o oferecimento da queixa é decadencial, portanto material, contando-se de acordo com o art. 10 do CP, ou seja, inclui-se o dia do início.Exceto na ação penal privada subsidiária da pública, isto porque o decurso do prazo não acarretará a extinção da punibilidade, já que o MP poderá a qualquer tempo antes da prescrição, oferecer denúncia.
g.Legitimidade para oferecimento da queixa:
I. Vítima maior de 18 anos: ela mesma pode oferecer queixa
II. Vítima menor de 18 anos, mentalmente enfermo ou retardado mental:quem oferece é seu representante legal (qualquer pessoa que de alguma forma seja responsável pelo menor).
III. Se houver colidência de interesses entre a vítima menor, mentalmente enfermo ou retardado mental e seu representante legal: juiz nomeia curador especial (art. 33 do CPP). IV.menor de 18 anos, mentalmente enfermo ou retardado mental, sem representante legal: curador especial (art. 33 do CPP)
OBS: A decadência do direito de queixa do representante legal atinge o direito do menor?Há duas correntes:
1ª corrente:Para Luis Flávio Gomes e Eugênio Pacelli:a decadência para o representante legal acarreta a extinção da punibilidade, mesmo que o menor não tenha completado 18 anos.
2ª corrente: Maioria da doutrina e STJ: (Guilherme Nucci, Fernando Capez, Mirabete, STJ (HC 53893/GO)):não há que se falar em decadência de um direito que não pode ser exercido.Assim ainda que o representante legal não tenha oferecido a queixa no prazo legal, permite-se a vítima representar quando completar a maioridade.Haverá na hipótese dois prazos decadenciais, um para a vítima a partir dos 18 anos e outro para o representante legal a contar a partir do conhecimento da autoria
- Morte do ofendido ou declaração de ausência: art. 31 do CPP.Ocorrerá sucessão processual. O direito de queixa passa ao Cônjuge, Companheiro, Ascendente, Descendente ou Irmão (CCADI).
OBS1:No tocante aos companheiros reunidos pelo laço da união estável, tem-se q a CF/88 no art. 226, §3, reconhece a união estável como entidade familiar. Assim no conceito de cônjuge deve ser incluído os companheiros.
OBS 2: Esta ordem é preferencial e taxativa.
Prevalece a vontade de quem tem interesses na persecução
-Prazo no caso de morte do ofendido ou ausência judicialmente declarada, caso a decadência não tenha se operado, começa a correr no dia em que o CCADI tomarem conhecimento da autoria (art. 38, § ún do CPP).
É necessário destacar que o querelante se não tiver capacidade postulatória deverá constituir um advogado, através de procuração com poderes especiais para apresentar a queixa, onde deverá constar a menção ao fato criminoso e o nome do querelado. A exigência de poderes especiais na procuração pode ser suprida se o querelante assinar a petição junto com o advogado.( art. 44 do CPP)
A finalidade do art. 44 do CPP é a fixação da responsabilidade por denunciação caluniosa no exercício do direito personalíssimo de queixa.
A menção ao fato criminoso na procuração deve ser de fato concreto, o simples nome iuris do crime não atende a finalidade do art. 44.
Caso haja irregularidades na procuração outorgada pelo querelante, o juiz, aplica por analogia o art. 37 do CPC, não devendo rejeitar desde logo a peça inicial, abrindo prazo para que o vício seja sanado.Não havendo o magistrado fixado um prazo entende-se que os vícios podem ser sanados desde que antes do prazo decadencial. (entendimento dominante, neste sentido STF – Inq 1696/SP, STJ, Resp 879.749/BA). Todavia há decisões do próprio STF e STJ que permitem o saneamento do vício da procuração mesmo q depois do prazo decadencial. (STF HC 84397/DF e STJ RHC 16221/MG)
-Art. 37 do CPP: Fundações, associações e sociedades legalmente constituídas podem promover a ação penal privada, devendo entretanto ser representada por seus diretores, ou pessoas indicadas no estatuto
h. Princípios da ação penal privada: I-Oportunidade / conveniência
O ofendido ou seu representante legal podem optar pelo oferecimento ou não da queixa crime.Aplica-se antes do início do processo.
II-Disponibilidade (art. 4 CPP)
É um desdobramento da oportunidade e conveniência.
Na ação penal privada, a decisão de prosseguir ou não até o final é do ofendido, que poderá dispor da ação durante o processo até o trânsito da sentença penal condenatória, através do perdão ou da perempção.
III-Indivisibilidade (art. 48 do CPP)
O ofendido não pode escolher dentre os ofensores qual irá processar. Ou processa todos ou não processa nenhum.Sob pena de renúncia tácita ao não incluído, a qual se comunica aos demais. Fiscal da indivisibilidade: MP. MP não pode aditar queixa crime para incluir co-autores, pois não tem legitimidade para tanto. Deve, portanto pedir a intimação do querelante para que o faça, sob pena de q a renúncia concedida a um dos autores do crime a todos se estenderá.
IV-Intranscendência
A ação penal só pode se proposta contra quem se imputa a prática do delito V-Inércia da jurisdição
Ao juiz não é dado iniciar o processo de ofício.
ATENÇÃO!!!Não há em nosso ordenamento jurídico o processo judicialiforme, o art. 26 do CPP não foi recepcionado pela CF/88.
VI-Ne bis in idem
Ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato.
Convenção americana de direitos humanos (PSJCR) - art. 8, item 4. i. Crimes de ação penal privada no CP:
-Art. 138, 139 e 140 do CP, salvo as exceções do art. 145 do CP; -Art. 161, § 1º, I e II do CP;
-Art. 163, caput, § único, IV do CP -Art. 164 c.c art. 167 do CP
-Art. 179, § único do CP
-Art. 184 caput c.c 186, I do CP -Art. 236 e § único do CP -Art. 345, § único do CP.
j.Renúncia, perdão, decadência e perempção nos crimes de ação penal privada - RENÚNCIA do direito de queixa (art. 49 do CP)
- ato unilateral: desistência do direito de ação -princípio da oportunidade, conveniência
- antecede à propositura da ação penal privada -não depende de aceitação
-Pode ser expressa ou tácita: expressa: art. 50, CPP; tácita: atos incompatíveis com o direito de queixa, (ex.: laços de amizade – fazer prova)
- indivisibilidade da renúncia: concedida a um doa autores, estende-se aos demais
- Em regra a renúncia só cabe na ação penal privada. Exceção: Art. 74 da Lei 9099/95 (renúncia ao direito de representação)
- Não admite retratação (art. 104 do CP)
- DECADÊNCIA(Art. 38 do CPP):É a perda do direito de ação penal privada ou de representação pelo seu não exercício no prazo legal(6 meses).
-PEREMPÇÃO (art. 60 do CPP): É a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal exclusivamente privada ou personalíssima, em virtude da desídia do querelante.
- Hipóteses de perempção: art. 60, CPP
- sanção jurídica cominada ao querelante (inércia, negligência) - não se aplica na ação penal privada subsidiária da pública
- não se confunde com preclusão: esta apenas impede a prática de um ato processual. -PERDÃO DO OFENDIDO (art. 51 do CPP):É o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir com o processo já em andamento, perdoando seu ofensor, com a conseqüente extinção da punibilidade caso o perdão seja aceito.
- Está ligado ao princípio da disponibilidade - crimes de ação privada
- não se aplica na ação penal privada subsidiária da pública - querelante desiste do prosseguimento da ação
- O perdão só pode ser concedido durante o curso do processo, após a queixa, e até o trânsito em julgado da sentença condenatória.
- ato bilateral: depende de aceitação do querelado. Esta aceitação pode ser expressa ou tácita. O silêncio do querelado significa aceitação (art. 58 do CPP)
- Indivisibilidade: Se concedida a um dos querelados aproveita aos demais, desde que haja aceitação: art. 51, CPP