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(1)

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA

MESTRADO EM ECOLOGIA E PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

RUY CHAVES BOZZA JUNIOR

BIODIVERSIDADE, DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E INTERAÇÕES

ECOLÓGICAS DE MELIPONÍNEOS (HYMENOPTERA, APOIDEA) EM

PARQUES URBANOS DE GOIÂNIA – GOIÁS, REGIÃO

CENTRO-OESTE

Goiânia 2009

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RUY CHAVES BOZZA JUNIOR

BIODIVERSIDADE, DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E INTERAÇÕES

ECOLÓGICAS DE MELIPONÍNEOS (HYMENOPTERA, APOIDEA) EM

PARQUES URBANOS DE GOIÂNIA – GOIÁS, REGIÃO

CENTRO-OESTE

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ecologia e Produção Sustentável da Universidade Católica de Goiás como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Ecologia e Produção Sustentável.

Orientador: Prof. Dr. Francisco Leonardo Tejerina-Garro

Goiânia 2009

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Dados Internacionais de Catalogação da Publicação (CIP) (Sistema de Bibliotecas PUC Goiás)

Bozza Junior, Ruy Chaves.

B793b Biodiversidade, distribuição espacial e interações ecológicas de Meliponíneos (Hymenoptera, Apoidea) em parques urbanos de Goiânia - Goiás, Região Centro-Oeste [manuscrito] / Ruy Chaves Bozza Junior.-- 2009.

55 f.; il.; grafs.; 30 cm.

Dissertação (mestrado) -- Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Programa de Mestrado em Ecologia e Produção

Sustentável, Goiânia, 2009.

“Orientador: Prof. Dr. Francisco Leonardo Tejerina-Garro”. 1. Abelha. 2. Cerrados. 3. Ecologia. I. Garro, Francisco Leonardo Tejerina. II. Título.

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RUY CHAVES BOZZA JUNIOR

BIODIVERSIDADE, DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E INTERAÇÕES

ECOLÓGICAS DE MELIPONÍNEOS (HYMENOPTERA, APOIDEA) EM

PARQUES URBANOS DE GOIÂNIA – GOIÁS, REGIÃO

CENTRO-OESTE

APROVADO EM _____/_____/____/

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Francisco Leonardo Tejerina-Garro – CBA/UCG (Orientador)

Prof. Dr. Antonio Jose Camillo de Aguiar - UnB (Membro)

Prof. Dr. Jales Teixeira Chaves Filho – MEPS/UCG (Membro)

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DEDICATÓRIA

Aos meus pais: Maria da Penha Lebre Bozza e Ruy Chaves Bozza (in memoriam)

À minha esposa: Aparecida de Fátima Oliveira Bozza Com todo meu amor e carinho.

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AGRADECIMENTOS

Ao Programa de Mestrado da Universidade Católica de Goiás, pela oportunidade de realização do curso.

Ao Prof. Dr. Francisco Leonardo Tejerina-Garro, pela amizade, dedicação e estímulo durante o desenvolvimento da pesquisa.

À Mestre, Profª. Aparecida de Fátima Oliveira Bozza, bióloga do Instituto do Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás, pelo carinho, compreensão, apoio no trabalho de pesquisa e ajuda na formatação.

Ao Prof. Dr. Afonso Pereira Fialho e Prof. Dr. José Paulo Pietrafesa pela colaboração como avaliadores na banca de qualificação.

Ao Mestre, Prof. Roberto Malheiros, diretor do Instituto do Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás, pela carta de apresentação ao mestrado, pela colaboração, compreensão e apoio durante os trabalhos de pesquisa.

Ao Prof. Dr. Horieste Gomes, pelo incentivo, apoio e carta de apresentação.

Ao Prof. Dr. Altair Sales Barbosa pelo incentivo e empréstimo de material bibliográfico.

Ao Dr. Binômino da Costa Lima pela amizade, apoio e incentivo ao longo dos anos.

À Dra. Silvia Regina de Menezes Pedro do Laboratório de abelhas da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP – USP) pela gentileza na recepção e identificação das abelhas.

À Bióloga Mariana Nascimento Siqueira, Gerente de Unidades de Conservação/AMMA pela gentileza, amizade, autorização para a realização dos trabalhos de campo e em especial pelo magnífico trabalho na classificação das árvores.

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Ao Econ. Ronaldo Vieira, Diretor de Áreas Verdes e Unidades de Conservação/AMMA, pela autorização para a realização dos trabalhos de campo.

À Bióloga Marize Moreira, Gerente de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre/AMMA, pela gentileza, colaboração e autorização para a realização dos trabalhos de campo.

Ao Sr. Wilmar Pires da Silva, Gerente do Parque Flamboyant, pela gentileza, apoio e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

Ao Sr. Antônio Lemes dos Santos, Gerente do Parque Areião, pelo apoio e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

Ao Sr. Severino Ferreira dos Santos, Gerente do Parque Bosque dos Buritis, pela gentileza, apoio e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

Ao Sr. André Luiz Sales Dias, Diretor do Parque Mutirama, pela autorização para a realização da pesquisa.

Ao Sr. Arnaldo Alves Ferreira, Coordenador de manutenção do Parque Mutirama, pelo apoio e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

Ao Sr. Odorico, Gerente do parque Botafogo, pela gentileza, apoio e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

Ao Sr. Jeferson Pires Mendonça, Gerente do parque Vaca Brava, pelo apoio e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

Ao Biólogo Wilquer Bleodeom Rodrigues Nunes, estagiário da Gerência de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre pela inestimável ajuda, apoio e acompanhamento durante as visitas aos parques.

À acadêmica de biologia Tatiane Longo, estagiária da Gerência de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre pelo acompanhamento durante as visitas ao parque Areião.

Aos membros da Guarda Municipal, Divisão Ambiental, pela segurança e colaboração durante o desenvolvimento da pesquisa.

À doutoranda do Centro de Biologia Aquática (CBA), Tatiana Lima de Melo, pela gentileza e presteza em auxiliar no esclarecimento de dados.

Aos colegas de turma do mestrado, Roberto Leandro, Leonardo Couto (in

memoriam), Izaldete, Danielle, Leonardo Ítalo, Lucas, Paulo Célio, Paulo Rafael,

Adriana, Juliana e a todos aqueles que neste espaço de tempo trilharam comigo este caminho à procura do conhecimento.

À Secretária do Mestrado, Cristhiane, pela amizade, apoio e dedicação.

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“Aprenda como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer amanhã”

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RESUMO

Este estudo foi realizado em seis parques urbanos (Flamboyant, Areião, Bosque dos Buritis, Mutirama, Botafogo e Vaca Brava) da cidade de Goiânia, Estado de Goiás. Duas perguntas pretendem ser respondidas: i) as comunidades de Meliponini são semelhantes nos parques urbanos amostrados? ii) quais entre as variáveis ambientais consideradas (duas físico-químicas: temperatura do ar, umidade relativa do ar; duas relacionadas às colméias: tipo de substrato usado e localização no estrato arbóreo) influenciam as comunidades de Meliponini? Duas amostragens foram realizadas em cada parque sendo uma no período da seca (agosto 2008) e outra na chuva (novembro 2008). Em cada parque foram delimitados dez transectos de 100x20m, onde foi realizada a localização visual de colméias, coletado o material biológico e medida as variáveis ambientais. Foram coletadas 11 espécies de Meliponini. As espécies mais abundantes foram Nannotrigona testaceicornis (24% de abundância total), Tetragonisca angustula (21%) e Scaptotrigona postica (19%). O Parque Bosque dos Buritis exibiu valores elevados de riqueza (9) e número efetivo de espécies (NEE = 2,4), enquanto que os parques Areião e Vaca Brava apresentaram os mais baixos valores de riqueza e NEE (1,9 e 1,6, respectivamente). A análise de Morisita-Horn indica que as comunidades de Meliponini do parque Areião são semelhantes aos outros parques amostrados, exceto o parque Mutirama. O resultado da análise de co-inercia executado, considerando a comunidade de Meliponini e o substrato, foi significativo (p = 0.007, explicaram 99,04% da inércia total). O substrato preferido por Meliponini para a construção de colméias são árvores da família Leguminosae e Apocynaceae. Preferência é observada por ocos em árvores, como também para alturas entre 0 a 5 m para colméias internas e 15 a 20 m para externas. As condições naturais aliadas a atividades antrópicas parecem influenciar a composição e estrutura das comunidades de Meliponini.

Palavras chave: Cerrado; abelhas neotropicais; ecologia urbana; Fabaceae; Apocynaceae.

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ABSTRACT

This study was accomplished in six urban parks (Flamboyant, Areião, Bosque dos Buritis, Mutirama, Botafogo and Vaca Brava) of Goiânia city, Goiás State. Two questions intend to be answered: i) are the Meliponini community similar in the parks urban sampled? ii) which among the considered environmental variables (two physiochemical: air temperature, air relative humidity of the air; two related to the beehives: type of used substrate and location in the arboreal stratum) influence the Meliponini assemblages? Two samplings were accomplished in each park being one in the low waters period (August 2008) and other in the high waters (November 2008). In each park, they were delimited ten transects of 100x20m, where the visual location of beehives was accomplished, collected the biological material and measured the environmental variables. It was collected 11 species of Meliponini. The most abundant species were Nannotrigona testaceicornis (24% of total abundance),

Tetragonisca angustula (21%) and Scaptotrigona postica (19%). The Bosque dos

Buritis Park displayed elevated richness values (9) and specific number of species (NEE = 2.4), whereas the Areião and Vaca Brava parks presented the lowest richness and NEE values (1.9 and 1.6, respectively). The analysis of Morisita-Horn indicates that the Meliponini community of the Areião Park are similar to these of the other parks sampled, except Mutirama Park. The result of the co-inertia analysis performed considering the Meliponini community and the substrate was significant (p = 0.007; 99.04% of the total inertia explained).The substrate preferred by Meliponini for the construction of beehives is trees of the Leguminosae and Apocynaceae family.Preference is observed by hollow spaces of trees, as well as for heights < 5 m for internal beehives and between 15 to 20 m for external ones. The natural conditions allied to anthropogenic activities seem to influence the composition and structure of Meliponini community.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Localização dos parques amostrados na área metropolitana de

Goiânia, Goiás. ... 21 Figura 2: Parques amostrados na área urbana de Goiânia, Goiás. ... 22

Figura 3: Curvas de riqueza por parque amostrado resultantes da análise de

rarefação. ... 31 Figura 4: Ordenação da interação Meliponini-substrato (a), das comunidades de

Meliponini (b) e do substrato (c) resultantes da análise de co-inércia. ... 36 Figura 5: Comparação das médias da temperatura e umidade por parque

(12)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Caracterização dos parques urbanos amostrados em Goiânia, GO. ... 20

Tabela 2: Abundância por espécie de Meliponini considerando os períodos de

seca e chuva de 2008 nos parques amostrados. ... 30 Tabela 3: Valores do índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’) e do número

efetivo de espécies (NEE) por parque amostrado. ... 32 Tabela 4: Valores da similaridade entre parques amostrados resultantes da

análise de Morisita-Horn. ... 33 Tabela 5: Estatísticas da análise de co-inércia. ... 34 Tabela 6: Valores da correlação (r) entre a abundância e a altura (m) da

localização do ninho no substrato. ... 37 Tabela 7: Média e desvio padrão (DP) da temperatura e umidade do ar. ... 39

(13)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO. ... 13

2. MATERIAIS E MÉTODOS. ... 19

2.1. CARACTERIZAÇÃO DOS SÍTIOS DE ESTUDOS. ... 19

3. PROTOCOLOS AMOSTRAIS. ... 25

3.1. MATERIAL BIOLÓGICO. ... 25

3.2. VARIÁVEIS AMBIENTAIS 26 3.3. ANÁLISES DOS DASOS COLETADOS. ... 26

4. RESULTADOS. ... 29

5. DISCUSSÃO. ... 40

6. CONCLUSÃO. ... 45

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. ... 46

(14)

1. INTRODUÇÃO

O Brasil apresenta megadiversidade de espécies (MITTERMEIER et al., 2005) considerando, entre outros, os seis biomas de maior relevância (Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia, Caatinga, Pantanal e Campos sulinos) (WWF, 2008). O Cerrado é considerado o segundo maior bioma brasileiro e inclui, entre outros, o estado de Goiás (RIBEIRO e WALTER, 1998). Este bioma foi classificado como hotspots em virtude da elevada quantidade de espécies endêmicas e modificação da paisagem (MYERS et al., 2000; SILVA e BATES, 2002; BRANDON et al., 2005).

Em relação à entomofauna do Cerrado, estima-se que seja composta por mais de 90.000 espécies de insetos (DIAS, 1996) e calcula-se que em sua flora possa haver entre 4 e 10 mil espécies de plantas vasculares, o que a coloca entre uma das mais ricas do planeta (MYERS et al., 2000; SILVA & BATES, 2002).

Cultivos anuais e pastagens ocuparam aproximadamente metade da área original do Cerrado estimada em 2 milhões km², sendo somente 33.000 km² destinados à conservação (KLINK e MACHADO, 2005). Segundo Klink e Moreira (2002) a fragmentação de habitats, contaminação de aqüíferos, degradação de ecossistemas e monocultura extensiva, entre outros, vem contribuindo para a extinção da biodiversidade do Cerrado. Entretanto, devido à criação de Unidades de Conservação (UC) em Goiás ter ocorrido em época relativamente recente, entre 1961 e 1989, aliada ao pouco interesse na conservação deste bioma, pouco se sabe sobre a biodiversidade animal e vegetal presentes nas UC’s (TEJERINA-GARRO, 2008). Por outro lado, diante da intensa modificação do Cerrado em Goiás, isto é apenas 22,66% de cobertura vegetal é remanescente (GALINKIN, 2003), as instâncias governamentais municipais criaram o Sistema Municipal de Unidades de Conservação e Parques Urbanos (SMUC) que tem permitido transformar áreas de

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diferentes tamanhos, localizadas em áreas urbanas ou não, em Unidades de Conservação, incluindo os parques urbanos (GOIÂNIA, 2008a).

Grey e Deneke (1986) definem áreas verdes urbanas como o conjunto de parques e jardins em áreas e edifícios públicos ou privados somados às árvores da arborização urbana. Vários benefícios são proporcionados pela manutenção e criação de áreas verdes urbanas como: mitigação de ilhas de calor urbana; formação e conservação de microclimas benéficos à população; redução da insolação proporcionada pela cobertura vegetal; locais de refúgio e reprodução para espécies da fauna e manutenção da flora nativa local; áreas de lazer e descanso para a população, entre outros (CLARK et al., 1997; DWYER, et al., 2003; HILDEBRAND, et al., 2002; McPHERSON et al., 1997). Portanto, a formação e manutenção de parques urbanos demonstra ser uma estratégia viável para a conservação destas espécies (KOH e SODHI, 2004), e segundo Pereira et al., (2006) a transformação de remanescentes florestais urbanos em parques e bosques de domínio público é ainda um dos poucos instrumentos viáveis que permite preservá-los.

Goiânia possui aproximadamente 90 áreas com vegetação nativa (floresta estacional semidecidual e Cerrado strictu sensu) destinadas à criação de parques, matas e bosques públicos. Entretanto, estudos sobre a biodiversidade animal abrigada por estes parques em Goiânia são praticamente inexistentes, sendo que os mesmos são necessários para elaboração de um programa de gestão qualificado para implantação de projetos que tenham sustentabilidade (GOIÂNIA, 2008a), e que levem em consideração a importância ecológica das abelhas nativas.

Associa-se o surgimento das abelhas com o aparecimento das angiospermas a aproximadamente 130 milhões de anos e são consideradas como as principais polinizadoras da flora atual (Kerr et al., 2001). As abelhas parecem ter

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se originado de vespas coletoras de pólen e predadoras de pequenos animais (fonte protéica) e ao longo do processo evolutivo substituíram a proteína animal pela vegetal (WILSON, 1972 apud IMPERATRIZ-FONSECA et al., 1994), criando uma associação de mútuo beneficio, onde néctar e pólen são fornecidos em troca da fecundação (PROCTOR, 1996). Simultaneamente, as flores se diversificaram em forma, cores e odores, tornando-se mais atrativas (BARTH, 1991).

No mundo, a população de abelhas é estimada em aproximadamente 30 mil espécies distribuídas em 4 mil gêneros (MICHENER, 2000). Na região Neotropical, a taxonomia das espécies de abelhas não é recente desde que de acordo com Kerr (1996), os povos pré-colombianos já as domesticavam e nomeavam, sendo que essa nomenclatura perdura até hoje como, por exemplo, Jataí, Uruçu, Mombuca, Irapuá, Tataíra e Manduri. Entre as abelhas nativas neotropicais, existem estas que apresentam comportamento eusocial e são conhecidas como abelhas indígenas sem ferrão e que pertencem à ordem Hymenoptera, tribo Meliponini (MICHENER, 2000).Segundo Nogueira-Neto (1997) os Meliponíneos são encontrados na maior parte da América Neotropical e no Brasil ocupam todo o território, sendo o Rio Grande do Sul, nas proximidades do Uruguai, o seu limite austral e o estado mexicano de Sonora, próximo aos Estados Unidos da América, o seu limite boreal.

Os Meliponíneos, através do processo de polinização, garantem a variabilidade genética de espécies vegetais nativas. Para obter sucesso na polinização e frutificação, cerca de 30% de espécies da flora da Caatinga e Pantanal e aproximadamente 90% de partes da mata Atlântica e Floresta Amazônica dependem dos Meliponíneos (KERR, 2001). Imperatriz-Fonseca et al. (2004) citam a polinização como um serviço ambiental realizado naturalmente pelas abelhas, sendo

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o valor anual deste serviço estimado em US$ 65-70 bilhões por ano. Por outro lado, os Meliponíneos colaboram de forma significativa na manutenção da biodiversidade, seja servindo como indicadores biológicos, ou através de sua criação racional (Meliponicultura) que gera fonte alternativa de renda sustentável e garante a preservação da flora nativa através da polinização (FREITAS, 1999). Desta forma, estudos direcionados à coleta de espécimes da flora e fauna, visando sua identificação, fornecem subsídios importantes para se entender as características ecológicas de um habitat ou ecossistema (PRADO, 1980).

No Brasil, os estudos das comunidades de abelhas nativas têm abordado aspectos relativos à composição, fenologia e relações tróficas(AGOSTINI e SAZIMA 2003; GONÇALVES e MELO 2005; JAMHOUR e LAROCA 2004; ORTOLAN e LAROCA, 1996; SAKAGAMI et al., 1967; SAKAGAMI e LAROCA, 1971; TAURA e LAROCA, 2001) e para a abundância e distribuição espacial os trabalhos de Antonini e Martins (2003) em área de Cerrado em Januária - MG e Oliveira et al., (1995) em floresta de terra firme na Amazônia Central. Porém, estudos sobre as comunidades de Meliponini em parques ou áreas urbanas se restringem a estes realizados por Taura e Laroca (1991, 2001) num parque urbano em Curitiba – PR, Taura et al., (2007a, 2007b) no parque Florestal dos Pioneiros, em Maringá – PR e Zanette et al.,

(2005) em duas regiões (centro-sul e Pampulha) na cidade de Belo Horizonte – MG. A presença de algumas espécies tais como Tetragonisca angustula e Nannotrigona

testaceicornis parece estar relacionada à adaptação das mesmas aos ambientes

urbanos (PEDRO e CAMARGO, 1999).

Os Meliponíneos possuem hábitos de nidificação diversificados, podendo construir seus ninhos internamente em ocos de árvores vivas ou mortas, de cupinzeiros terrestres ou arborícolas, de formigueiros (subterrâneos ou aéreos), em

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fendas de rochas ou ainda, ninhos externos (aéreos) em galhos e forquilhas na copa de árvores (KERR et al., 2001; NOGUEIRA-NETO, 1997), e sobre substratos artificiais como cavidades em muros de alvenaria, canos de plásticos e metal, paredes de edificações, entre outros (TAURA e LAROCA 1991). Meliponíneos que nidificam em áreas e parques urbanos podem, por um lado, se beneficiar com os recursos tróficos ai disponível, como jardins particulares, públicos e arborização urbana entre outros, e por outro lado, serem prejudicados pelas conseqüências do processo de urbanização, podendo ser extintos subitamente (TAURA e LAROCA, 1991).

Já fatores climáticos como temperatura do ar, intensidade luminosa, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, chuva e vento podem influenciar a atividade de vôo das abelhas indígenas sem ferrão (CHAPMAN, 1982; FOWLER, 1979; HILÁRIO, et al., 2001; SOUZA et al., 2006). A influência desses fatores tem sido relatada por alguns autores como Kleinert-Giovannini (1982) que, para Plebeia

emerina destacam o inicio das atividades de vôo entre 16º C a 22º C, plena atividade

a 21º a 27º C, umidade ideal entre 40% a 70% e maior atividade – 13:00h às 14:30h; Hilário et al., (2000), para Melípona bicolor bicolor, observaram a temperatura para o inicio das atividades de vôo - 11º C a 16º C, atividade plena de vôo - 16º C a 26º C, umidade relativa - 60% a 89% e maior atividade - 08:00 h às 12:00 horas; Hilário et al., (2001), para Plebeia pugnax, relatam que as atividades de vôo iniciaram a temperatura de 14º C, sendo constante entre 22º C e 34º C, umidade relativa - 30% a 100% e maior atividade – 11:00h às 13:00h; Contreras et al., (2004) em Trigona

hyalinata indicam que o início das atividades de vôo ocorreu a 19º C e

intensificando-se entre 22º C a 26º C, sendo que a acima de 26º C e umidade abaixo de 40% ocorreu diminuição desta atividade; Souza et al., (2006), para Melípona

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asilvai MOURE, indicam o início das atividades de vôo a 21º C com umidade a

84,5% e plena atividade a 27,4º C com umidade 60,6%, Hilário et al., (2007) relatam que com proximidade de chuva houve redução na atividade externa (vôo) de Plebeia

remota e Chapman (1982) relata que os insetos, para poder voar, precisam alcançar

temperatura muscular entre 29ºC a 35ºC, sendo a ideal >30ºC.

Assim, estudos sobre como se estruturam as comunidades de abelhas nativas são importantes, pois permitem compreender o papel dessas na biodiversidade, bem como os fatores naturais e antrópicos que as influenciam e quais os caminhos para a sua preservação (PAXTON, 1995; PRADO, 1980).

O presente estudo visa o conhecimento da diversidade de abelhas indígenas sem ferrão, em seis parques urbanos localizados na área metropolitana de Goiânia, Goiás, região Centro-Oeste. Desta maneira duas perguntas pretendem ser respondidas: i) as comunidades de Meliponini são semelhantes nos parques urbanos amostrados? ii) quais entre as variáveis ambientais consideradas (duas físicas: temperatura do ar, umidade relativa do ar; duas referentes às colméias: tipo de substrato utilizado e localização no estrato arbóreo) influenciam na estrutura das comunidades de Meliponíneos?

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2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1. CARACTERIZAÇÃO DOS SÍTIOS DE ESTUDOS

O estudo foi realizado em seis parques urbanos da cidade de Goiânia, estado de Goiás, cidade esta localizada a 16º41’15” S e 49º18’45” W no Planalto Central do Brasil, a 764,5 m de altitude. A região na qual está inserida a referida cidade apresenta clima do tipo Aw, tropical úmido, clima de savana, segundo a classificação de Köeppen, evidenciando duas estações bem definidas: uma seca – abril a setembro, e outra chuvosa – outubro a março (MARTINS JUNIOR, 2007; SANTOS e CARVALHO, 1997). Apresenta temperatura média anual de 24.3°C e umidade relativa média anual de 61%, com precipitação pluviométrica anual de 1487,2 mm (BRASIL, 2009).

Os parques estudados foram o Flamboyant, Areião, Bosque dos Buritis, Mutirama, Botafogo e Sulivan Silvestre (Vaca Brava) (Figura 1 e 2). O cálculo da área ocupada pelos diferentes estruturas espaciais presentes no parque (lagos, vegetação, caminhos, construções, estacionamento, áreas cobertas com gramíneas ou terra) foi realizado utilizando-se o Google Earth Pro, exceto a área total de cada parque e área dos lagos Areião, Botafogo, e Sulivan Silvestre que foram retiradas de Goiânia (2008b; Tabela 1).

O Parque Flamboyant, inaugurado em setembro de 2007 (MARTINS JUNIOR, 2007), abriga a nascente do córrego Sumidouro (QUEIROZ & GHANNAN, 2007) e três lagos artificiais sendo dois com aspersores (total 14.273,28 m²). A grama é a cobertura vegetal predominante e remanescentes de mata ciliar e floresta estacional semidecidual.

(21)

Tabela 1: Caracterização dos parques urbanos amostrados em Goiânia, GO.

Parques Áreião Botafogo Buritis Flamboyant Mutirama Vaca Brava

Área (m²) >215.000 172.033,06 141.500 125.572,71 89.000 83.247,00 S 16° 42’ 15,9” 16° 39’ 57,2” 16° 40’ 58,5” 16º 42’ 9,6” 16° 39’ 57,1” 16° 42’ 31,6” Coordenadas Geográficas W 49°15’14” 49° 15’ 7,3” 49° 15’ 40,3” 49°14’ 17,7” 49° 15’ 12,5” 49° 16’ 17,9” Altitude (m) 790 740 769 796 745 740 Área total dos lagos (m²) 15.000 4.500 22.121,52 14.273,28 - 16.000 Área total vegetação (m²) 156.574,45 113.015,04 70.135,45 37.519,43 54.911,73 40.535,32 Área total caminhos (m²) 7.955.46 9.366,80 4.306,56 11.337,03 * 6.769,28 Área total construções (m²) 2.176,49 1.144,48 2.417,42 1.600.33 9.993,36 1.401,48 Área total estacionamento (m²) - - 1.717,49 - - - Área coberta com gramíneas ou terra (m²) 32.293,60 44.006,74 40.801,56 60.842,64 24.094,91 18.540,92 Setores residenciais abrangidos Marista, Sul, Pedro Ludovico Central Central e

Oeste Jardim Goiás Central

Bueno e Jardim América

Fonte: Goiânia (2008b). *Não determinada.

(22)

Figura 1: Localização dos parques amostrados no Município de Goiânia, Goiás. 1 = Areião; 2 = Botafogo; 3 = Buritis; 4 = Flamboyant; 5 = Mutirama; 6 = Vaca Brava.

21 Vaca Brava Botafogo Mutirama N 16º42’45.85”S 16º39’37.12”S 49º16’45.14”W 49º13’47.92”W 1 cm = 346,77m Goiás 5 2 3 6 1 4

(23)

Figura 2: Parques amostrados na área urbana de Goiânia, Goiás. 1 = Areião; 2 = Botafogo; 3 = Buritis; 4 = Flamboyant; 5 = Mutirama; 6 = Vaca Brava.

1 2

3 4

(24)

do córrego Areião, um lago artificial de 15.000 m² (QUEIROZ e GHANNAN, 2007), vegetação do tipo cerradão, floresta estacional semidecidual e mata ripária. Não possui vegetação rasteira e arbustiva significantes.

O Bosque dos Buritis, criado em julho de 1938 (Plano Original de Goiânia), passou por um processo de revitalização em 2007 (MARTINS JUNIOR, 2007), possui três lagos artificiais, 10.560,64 m², 8.225,55 m² e 1.282,41 m² (1 com 3 aspersores), sendo os dois maiores interligados por canal (2.052,92 m²). Existem vestígios de vereda com a presença de palmeiras da espécie Mauritia flexuosa linn.

f, além de uma floresta estacional semidecidual (com árvores de grande porte) e

vegetação exótica. Apresenta pouca vegetação rasteira e arbustiva. Possui áreas de vegetação cercadas e fechadas ao público. O Parque Mutirama, inaugurado em junho de 1996 (MARTINS JUNIOR, 2007), possui vegetação do tipo floresta estacional semidecidual (com árvores de grande porte) que esta aberta ao acesso público e pouca vegetação arbustiva.

O Parque Botafogo, inaugurado em junho de 1996 (MARTINS JUNIOR, 2007), foi reflorestado com o plantio de 21 mil mudas de espécies nativas e abriga um lago de 4.500 m² (QUEIROZ e GHANNAN, 2007). Apresenta vegetação do tipo floresta estacional semidecidual (com árvores de grande porte), mata ripária, vegetação rasteira e arbustiva praticamente inexistente. A sua área foi dividida em duas partes pela construção da via pública Marginal Botafogo (córrego Botafogo) e são interligadas por uma passarela de 60 metros de vão. O Parque Vaca Brava, inaugurado em setembro de 1996, possui lago com 16.000 m² de superfície com aspersor e até 1996 foram plantadas 3600 mudas de espécies nativas (QUEIROZ e GHANNAN, 2007), possui mata ripária que abriga a cabeceira do córrego Vaca Brava com algumas de suas nascentes e floresta estacional semidecidual (grande

(25)

maioria das árvores muito novas) que esta aberta ao acesso público. O parque não é cercado e apresenta grande área gramada com vegetação rasteira e vegetação arbustiva praticamente inexistente.

Todos os parques possuem váriasbenfeitorias (edificações de alvenaria, estruturas metálicas) para atender aos visitantes.

(26)

3. PROTOCOLOS AMOSTRAIS

Foram realizadas duas coletas em cada parque entre agosto e dezembro de 2008, sendo uma no período da estiagem e outra na chuva. Em cada parque foram determinados, utilizando-se um Topofil (marcador de distância), dez transectos de 100x20m (10 metros de cada lado do eixo principal) equidistantes entre si, quando possível, e paralelos ao eixo maior da área do parque. Ao longo destes e caminhando em zig-zag foi realizada a localização visual de ninhos, coleta de material biológico e medição das variáveis ambientais. Cada transecto teve a sua posição inicial, central e final georeferenciada utilizando-se um GPS (Garmim Etrex Vista) e sinalizada com fita plástica permitindo assim o uso do mesmo transecto nas coletas nos diferentes períodos (Anexo 1).

3.1. MATERIAL BIOLÓGICO

Para cada ninho localizado determinou-se a sua posição geográfica, sinalizou-se com fita plástica, realizou-se a documentação fotográfica mediante câmara digital (Sony DSC-H5), identificou-se o tipo de substrato (natural ou artificial) e de fitofisionomia ou ambiente onde estava localizado e finalmente sua posição no estrato arbóreo (do solo ao dossel). Foram coletados cinco espécimes, diretamente da entrada do ninho, com o auxílio de rede entomológica (cabo 1,50 m) com 3 cabos extensores (1,50 m cada).

No início das chuvas realizou-se coleta complementar utilizando o método descrito por Sakagami, Laroca e Moure (1967), com algumas modificações. O método consiste na captura de abelhas sobre flores ou em vôo, sem escolha, nos transectos predeterminados, permanecendo cerca de 60 minutos em cada, caminhando em zig-zag.

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Os espécimes coletados foram mortos em câmara mortífera contendo éter dietil e armazenados em tubos plásticos, contendo algodão embebido em álcool 70% e identificados com etiquetas contendo as seguintes informações: número do ninho, data, local, período da coleta e nome do coletor.

Posteriormente, no laboratório de Zoologia do Instituto do Trópico Subúmido da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, procedeu-se a identificação a nível de espécie utilizando-se lupa estereoscópica (INALH, modelo MSZ-200) e as chaves taxonômicas de Imperatriz-Fonseca e Santos (2009), Imperatriz-Fonseca e Nogueira-Neto (2007), Michener (1944, 1990), Moure (1942, 1950), Silveira et al., (2002) e o banco de dados de abelhas da Webbee (SARAIVA e IMPERATRIZ-FONSECA, 2007). As espécies coletadas foram enviadas para o Laboratório de abelhas da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP – USP) para depósito e confirmação da identificação.

Neste estudo não foram feitas buscas intensivas por espécies que apresentam ninhos subterrâneos, como por exemplo, Melipona quinquefasciata e

Paratrigona subnuda, devido às dificuldades apresentadas pelas características dos

parques amostrados (cobertura de serapilheira, principalmente).

3.2. VARIÁVEIS AMBIENTAIS

No ponto inicial, central e final de cada transecto e nas proximidades da entrada de cada ninho foram medidas a temperatura e umidade relativa do ar utilizando-se um psicrômetro digital (ICEL, PY-5080).

3.3. ANÁLISES DOS DADOS COLETADOS

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efetivo de espécies (NEE) seguindo Jost (2006). Para tanto, foi calculado inicialmente o índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’) e o valor obtido transformado em exponencial. O índice de Shannon-Wiener foi calculado utilizando-se a utilizando-seguinte fórmula:

H’ = -

Σ

pi log10pi

Onde:

H’ = índice de diversidade de espécies de Shannon-Wiener; pi = proporção de espécimes pertencentes a uma dada espécie;

l10pi = logaritmo na base 10 de pi.

Os valores encontrados de NEE fora correlacionados (r) aos valores da área total de vegetação encontrada em cada parque.

Posteriormente, foi calculado o índice de rarefação a fim de comparar a riqueza das comunidades de abelhas entre parques. O uso deste índice é recomendado quando varia o tamanho das amostras (MORENO, 2001) como é o caso neste estudo. Exceto o NEE, as análises foram calculadas utilizando-se o programa BioDiversity Pro 2.0 (1997).

A similaridade entre parques amostrados foi calculada através do índice de Morisita-Horn (MAGURRAM, 2004; MORENO, 2001) através da fórmula abaixo:

2

Σ

(ani x bnj) I M-H = ______________________

(da + db)aN x BN

Onde:

Ani = número de indivíduos da i-ésima espécie do ponto A

(29)

da =

Σ

ani² / aN²

db =

Σ

bnj² / bN²

A análise de interação entre as espécies de Meliponini e o substrato foi realizada utilizando-se uma análise de co-inércia do programa ADE-4 (THIOULOUSE et al., 2001). Para tanto as matrizes de dados das espécies de abelhas e dos substratos foram submetidas, separadamente, a uma Análise de Componente Principal (PCA), método da covariância considerando que as espécies de abelhas e o substrato foram medidas utilizando a mesma unidade. Posteriormente, foi realizado um teste de Monte-Carlo (1000 permutações) visando verificar o significado estatístico da co-estrutura encontrada entre as matrizes analisadas.

O coeficiente de correlação de Pearson (r) foi aplicado para avaliar, por parque, a relação entre a abundância total das espécies de abelhas com a localização em altura do ninho no substrato considerando r < 0,5 conforme sugerido por Sokal (1969). Seguidamente foram comparados os valores médios da temperatura e umidade entre parques através de uma análise de variância (ANOVA) one-way seguida de uma análise post-hoc de Tukey utilizando o programa STATISTICA 8.0 (2007).

(30)

4. RESULTADOS

Nos parques amostrados foram coletadas 11 espécies de Meliponini pertencentes a 7 gêneros. A espécie que apresentou maior abundância nos parques amostrados foi Nannotrigona testaceicornis (24%), seguido por Tetragonisca

angustula (21%) e Scaptotrigona postica (19%) (Tabela 2).

A análise da rarefação indicou que maior riqueza de espécies foi observada no parque Bosque dos Buritis (Figura 3) que também apresentou maior NEE (2,4; Tabela 3). Os parques Mutirama, Botafogo e Flamboyant apresentaram riqueza semelhante e NEE = 2,1 em todos os casos, enquanto que o Areião e o Vaca Brava apresentaram a menor riqueza e NEE (1,9 e 1,6 respectivamente) (Figura 3 e Tabela 3), mas os valores do NEE não estão correlacionados ao tamanho da área do parque coberta por vegetação (r=0,01; p=0,97668).

A análise de Morisita-Horn indica que as comunidades de Meliponini do parque Areião são similares a estas dos parques Botafogo, Bosque dos Buritis, Flamboyant, e Vaca Brava, enquanto que a comunidade de Meliponini do parque Mutirama é semelhante a estas dos parques Botafogo, Bosque dos Buritis e Flamboyant (Tabela 4). Entretanto, este padrão não é observado quando considerada a comparação da temperatura.

Os resultados da análise de co-inércia realizada entre as espécies de Meliponini e do substrato foram significativos (p = 0.007), sendo que os dois eixos considerados explicam 99,04% da inércia total (Tabela 5). A correlação (r) entre as comunidades de Meliponini e o substrato foi de 0,97 para cada eixo (Tabela 5).

No eixo 1 as comunidades de Meliponini representadas por Nannotrigona

testaceicornis, Oxytrigona tataira, Plebeia sp., Tetragona clavipes e Trigona spinipes

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Tabela 2: Abundância por espécie de Meliponini considerando os períodos de seca e chuva de 2008 nos parques amostrados. Parque

Espécie

Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava

Nannotrigona testaceicornis 8 25 8 1 2 2 Oxytrigona tataira - - 2 - - - Plebeia droriana 2 4 4 - 4 - Plebeia sp. - 1 - - - - Scaptotrigona cf. postica - 14 4 3 15 - Scaptotrigona sp. 1 - 2 4 - 6 - Scaptotrigona sp. 2 - 2 2 - 2 - Tetragona clavipes 3 4 2 4 2 2 Tetragonisca angustula 2 20 2 2 16 - Trigona sp. - 2 2 4 2 - Trigona spinipes 5 - - 3 - 2 30

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0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 5 10 15 20 n R iq u ez a Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava

Figura 3: Curvas de riqueza por parque amostrado resultantes da análise de rarefação.

(33)

Tabela 3: Valores do índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’) e do número efetivo de espécies (NEE) por parque amostrado. A área total de vegetação por parque amostrado é indicada.

Descritor Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava

H' 0,633 0,739 0,895 0,743 0,743 0,477

NEE 1,9 2,1 2,4 2,1 2,1 1,6

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Tabela 4: Valores da similaridade entre parques amostrados resultantes da análise de Morisita-Horn. Em negrito valores significativos (r > 0,5).

Parque Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava

Areião 1.0 Botafogo 0,708 1.0 Buriti 0,663 0,801 1.0 Flamboyant 0,503 0,494 0,465 1.0 Mutirama 0,256 0,748 0,580 0,544 1.0 Vaca Brava 0,891 0,462 0,462 0,599 0,096 1.0

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Tabela 5: Estatísticas da análise de co-inércia. Os valores em negrito indicam as maiores contribuições por cada eixo.

Contribuição (%) Eixo 1 Eixo 2

Espécie Nannotrigona testaceicornis 37,56 57,65 Oxytrigona tataira 0 0,04 Plebeia droriana 1,14 0,33 Plebeia sp. 0,08 0,07 Scaptotrigona cf. postica 20,27 21,36 Scaptotrigona sp. 1 0,66 6,50 Scaptotrigona sp. 2 0,44 0,17 Tetragona clavipes 0,07 0,43 Tetragonisca angustula 38,33 12,53 Trigona sp. 0,07 0,19 Trigona spinipes 1,33 0,67 Substrato Anadenanthera peregrina 20,69 7,25 Apuleia leiocarpa 18,76 6,25 Artocarpus heterophyllus 0,05 0,37 Aspidosperma cylindrocarpon 13,30 16,73 Aspidosperma dasycarpon 0,05 0,37 Aspidosperma subincanum 1,71 14,56 Caesalpinia ferrea 0,75 0,25 Cariniana rubra 0,75 0,25 Cedrela fissilis 0,01 0,05 Clitoria fairchildiana 0,22 1,50 Copaifera langsdorffii 0,01 0,05 Emmotum nitens 3,97 0,15 Eugenia sp. 18,76 6,25 Ficus elástica 0,17 0,03 Ficus sp. 0,01 0,05 Guarea guidonia 0,01 1,36 Guazuma ulmifolia 0,02 1,48

Hymenaea courbaril var. stilbocarpa 3,20 2,85

Inga marginata 0,34 0,24 Machaerium aculeatum 0,05 0,37 Malouetia cestroides 0,61 17,58 Mutingia calabura 0,05 0,37 Não identificada 0,05 0,37 Pachira aquatica 0,01 0,05 Peltophorum dubium 0,06 1,95 Platymiscium floribundum 1,92 0,77 Platypodium elegans 0,55 0,53 Pouteria torta 7,15 4,54 Protium heptaphyllum 0,55 0,53 Psidium sp. 0,11 0,01 Roystonea oleracea 0,06 1,95 Samanea sp. 0,05 0,37 Tabebuia serratifolia 3,97 0,15 Terminalia argentea 0,75 0,25

Base tronco morto 0,06 1,95

Tronco podre caído 0,75 0,25

Viga de Metalon 0,27 7,81

Eigenvalue 1,9206 2,4123

Variância explicada por cada eixo (%) 87,99 11,05

Variância total explicada (%) 99,04

Correlação abelha-substrato (r) 0,97 0,97

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peregrina, Apuleia leiocarpa, e Eugenia sp. nos parques Botafogo, Areião, Bosque

dos Buritis e Vaca Brava (Figura 4).

No eixo 2 as comunidades de Meliponini representadas por Plebeia

droriana, Scaptotrigona cf. postica, Scaptotrigona sp.1, Scaptotrigona sp.2,

Tetragonisca angustula e Trigona sp. foram associadas os substratos representados

pelas plantas Aspidosperma cylindrocarpon, Aspidosperma subincanum e Malouetia

cestroides nos parques Mutirama e Flamboyant (Figura 4). A correlação entre a

abundância e localização em altura do ninho no substrato foi significativa para ninhos situados a 0-5 m (r = 0,99) e 15-20 m (r = 0,82) (Tabela 6).

Os parques apresentam diferenças significativas relativos à temperatura do ar e à umidade (p = 0,00001 em ambos os casos) devido principalmente à baixa temperatura (média = 24,8 ºC) e elevada umidade (média = 62,8 %) apresentada pelo Parque Vaca Brava em relação aos outros parques amostrados (Figura 5; Tabela 7).

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a b c

Figura 4: Ordenação da interação Meliponini-substrato (a), das comunidades de Meliponini (b) e do substrato (c) resultantes da análise de co-inércia. Os círculos em “a” correspondem aos parques e a ponta da flecha às comunidades de abelhas. As caixas em cada figura indicam a escala.

0.76 - 0.47 - 0.12 0.62 Anadenanthera peregrina Apuleia leiocarpa Eugenia sp. Aspidosperma subcanum

Malouetia cestroides Aspidosperma cylindrocarpon

Scaptotrigona sp. 1

Tetragonisca angustula Trigona sp. Scaptotrigona sp. 2

Plebeia droriana Trigona spinipes Tetragona clavipes

Plebeia sp. Oxytrigona tataira Nannotrigona testaceicornis Scaptotrigona cf.postica 0.76 - 0.47 - 0.12 0.62 36

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Tabela 6: Valores da correlação (r) entre a abundância e a altura (m) da localização do ninho no substrato. Em negrito os valores significativos (r < 0,5). n = 6 em todos os casos.

Altura

0-5 5-10 10-15 15-20

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Figura 5: Comparação das médias da temperatura e umidade por parque amostrado resultantes da ANOVA. Temperatura Wilks lambda = 0,88670, F(10, 706) = 4,3749, p = 0,00001; Umidade Wilks lambda = 0,88670, F(10, 706) = 4,3749, p = 0,00001.

Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava Parque 40 45 50 55 60 65 70 75 U m id ad e

Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava Parque 23,5 24,0 24,5 25,0 25,5 26,0 26,5 27,0 27,5 28,0 28,5 T em p er at u ra

Areião Botafogo Buriti Flamboyant Mutirama Vaca Brava Parque 40 45 50 55 60 65 70 75 U m id ad e

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Tabela 7: Média e desvio padrão (DP) da temperatura e umidade do ar.

Parque Temperatura ºC DP Umidade % DP

Areião 27,0 3,6 52,1 26,5 Botafogo 26,0 2,2 59,8 12,8 Buriti 27,1 3,4 48,4 23,0 Flamboyant 26,4 2,7 50,2 21,7 Mutirama 26,5 2,6 51,3 15,4 Vaca Brava 24,8 1,6 62,8 10,7

(41)

5. DISCUSSÃO

As 11 espécies de Meliponini coletadas no presente estudo ocorrem naturalmente no Cerrado (MELO et al., 2009). Entretanto, algumas destas espécies também já foram observadas em ambientes antropizados (CORTOPASSI-LAURINO, 2005) mais especificamente em parques urbanos como é o caso das espécies

Tetragonisca angustula e Trigona spinipes no Passeio Público, parque localizado no

centro da cidade de Curitiba, PR (TAURA e LAROCA, 1991 e 2001), Nannotrigona

testaceicornis, Plebeia droriana, Tetragonisca angustula, Tetragona clavipes e

Trigona spinipes registradas por Taura et al., (2007a) no parque Florestal dos

Pioneiros, localizado na região central do perímetro urbano do município de Maringá, PR. e Nannotrigona testaceicornis, Trigona spinipes e Tetragonisca angustula localizadas por Zanette et al., (2005) nas regiões Centro Sul e Pampulha da cidade de Belo Horizonte, MG.

Esta situação sugere que as características naturais potencializadas pelas antrópicas presentes nos parques amostrados favorecem algumas espécies de Meliponini. Os parques apresentam variados recursos naturais como: disponibilidade de fontes de água provenientes de nascentes; cobertura vegetal de área variável de acordo com o parque e formada por espécies vegetais de médio a grande porte que fornecem, segundo Knoll et al., (1994) e Nogueira Neto, (1997), os recursos nutricionais (pólen, néctar e resinas) necessários para alimentação e defesa dos Meliponinae; disponibilidade de estruturas favoráveis para a formação de ninhos como, por exemplo, galhos e forquilhas nas copas de árvores, cavidades em caules vivos ou mortos, estes últimos, segundo Bruening (2001) com temperaturas amenas devido às árvores verdes serem mais refratárias; presença de cupinzeiros e formigueiros cujos espaços internos podem ser utilizados para a construção de

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ninhos (NOGUEIRA NETO, 1970). Estes recursos são em alguns casos potencializados pela ação antrópica, como no caso da disponibilidade de água, via a instalação de aspersores, como ocorre neste estudo nos lagos dos parques Bosque dos Buritis, Flamboyant e Vaca Brava, que contribuem, juntamente com a evaporação natural dos lagos, para o aumento da umidade do ar nas áreas adjacentes; disponibilidade de alimento por intermédio da introdução de espaços para alimentação humana em áreas internas ou periféricas dos parques amostrados, disponibilizando novas fontes sintéticas de alimentação para a comunidade de Meliponini na forma de restos de refrigerantes, alimentos variados incluindo frutos de espécies introduzidas como a manga (Mangifera sp.) ou vendidas em quiosques, como o coco (Cocos nucifera) (observação personal); disponibilização de substratos artificiais para a nidificação através de edificações (TAURA e LAROCA, 1991), como, por exemplo, as vigas de metalon que sustentam a plataforma de embarque do trenzinho no parque Mutirama, abrigando em seu interior (vigas diferentes) as espécies Tetragonisca angustula e Plebeia droriana.

As condições naturais potencializadas pelas atividades antrópicas também podem influenciar nas comunidades de Meliponini e explicar os resultados encontrados referentes aos descritores ecológicos (riqueza e NEE). Assim, no parque Bosque dos Buritis é observada a maior riqueza (9) e NEE (2,4) entre os parques amostrados. Este parque possui uma área com cobertura vegetal formada por árvores de grande porte e de acesso vedado ao público, além de disponibilizar, em sua área interna, fontes de alimentação para as abelhas resultante das atividades de lanchonetes e quiosques. Apesar de este parque apresentar lagos e sistemas de aspersão da água, a umidade do ar foi baixa (48,4%) aliada ao elevado valor da temperatura do ar (27,1ºC), esta última podendo ser influenciada pela

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concentração de edifícios presentes perto do parque, os quais conforme indica Freitas e Dias (2000) são, geralmente, construídos com materiais capazes de reter a energia solar e facilitar a condução de calor, acentuando, assim, aumento no contraste de temperatura com seu entorno.

Os parques Flamboyant, Mutirama e Botafogo apresentaram o mesmo NEE (2,1) e riquezas aproximadas (6, 8 e 9, respectivamente), além de apresentar similaridade entre comunidades de Meliponini. Os valores de NEE e riqueza podem ser explicados pela estrutura da vegetação. Os três parques apresentam remanescentes da vegetação original, mas que diferem no porte das árvores, isto é, o parque Flamboyant apresenta árvores de porte médio (~ 10 m), enquanto que os parques Mutirama e Botafogo apresentam árvores de grande porte (~ 20 m), este últimos disponibilizando mais locais para a nidificação. Por outro lado, a similaridade observada pode ser explicada, em parte, pelas espécies em comum observadas entre os mencionados parques, isto é, o parque Flamboyant apresenta cinco espécies em comum com os parques Mutirama e Botafogo, enquanto que o Mutirama apresenta oito com o Botafogo. Entretanto, outros fatores de natureza antrópica podem influenciar também os resultados observados, como presença de fontes alternativas de alimentação, presente nos parques Flamboyant e Mutirama e ausente no parque Botafogo que, no entanto, encontra-se separado do Mutirama por uma avenida, o que permitiria às comunidades de Meliponini ali presentes utilizar das fontes sintéticas de alimentos disponibilizados pelo parque Mutirama.

As menores riquezas e NEE ocorreram nos parques Areião (5 e 1,9, respectivamente) e Vaca Brava (3 e 1,6, respectivamente). Esta situação parece estar relacionada à forma de manejo da vegetação executada nos mesmos, isto é, retirada de espécies vegetais visando à ampliação de espaços para circulação em

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ambos influenciando assim nas condições ambientais, neste caso baixa temperatura e elevada umidade resultante do uso de aspersores no parque Vaca Brava, além da poda sistemática de galhos secos ou ocados por causa do perigo que representa para os usuários, principalmente no parque Areião, mas que restringe os locais naturais para nidificação dos Meliponini. Por outro lado, a similaridade das comunidades de Meliponini do parque Areião com estas da maioria dos outros parques parece residir justamente na baixa riqueza de espécies, as quais são encontradas nos outros parques, isto é, quatro espécies em comum com os parques Botafogo, Bosque dos Buritis, Flamboyant e Mutirama e três espécies com o parque Vaca Brava.

Entretanto, além das características naturais potencializadas pelas atividades antrópicas há que considerar a relação área-riqueza, isto é, mais espécies ocorrem em áreas maiores do que em áreas menores (RICKLEFS, 2003). Esta relação parece estar presente, exceto nos parques Areião e Mutirama.

Os resultados referentes à interação Meliponini-substrato neste estudo indicam que existe uma preferência de algumas espécies de árvores de leguminosas e apocináceas para nidificação por parte das Meliponini. Esta preferência parece estar relacionada com o uso de leguminosas (AGOSTINI e SAZIMA, 2003; AGUIAR, 2003; CORTOPASSI-LAURINO et al., 2009; FARIA-MUCCI et al., 2003; GONÇALVES e MELO, 2005; JAMHOUR e LAROCA, 2004; ORTOLAN e LAROCA, 1996) e apocináceas (GONÇALVES et al., 1996; TAURA et al., 2007b) pelas abelhas Meliponini como locais de forrageamento. As espécies Anadenanthera

peregrina (Leguminosae – Mimosoideae) e Malouetia cestroides (Apocynaceae)

possuem floração considerada apícola (LORENZI, 2002), e segundo Faria-Mucci et al., (2003) a melitofilia predomina, entre outras, na família Leguminosae.

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Outro fator que pode estar influenciando nessa escolha é a disponibilidade de cavidades nos substratos amostrados, pois segundo Kerr et al., (2001), 29% das árvores do cerrado possuem ocos em seus troncos e parte desses podem ser utilizados por abelhas para nidificação. Existem espécies de árvores mais suscetíveis a ataques de cupins e larva de besouros que podem ser responsáveis pela disponibilidade de espaços ocados (CORTOPASSI-LAURINO et al., 2009), próprios para nidificação de várias espécies de Meliponini. Todas as espécies amostradas neste estudo, com exceção do gênero Trigona, nidificam preferencialmente, em ocos de árvores, mas podem utilizar-se de substratos artificiais, se necessário.

A preferência por determinada altura para nidificação, pode estar relacionada a uma tendência natural de algumas espécies de Meliponini, que apresentam nidificação interna. Cortopassi-Laurino et al., (2009) relatam alturas de até 2 metros para Tetragonisca angustula e de 2 a 4 metros para Plebeia sp., em áreas urbanas. Já Taura e Laroca (1991) encontraram para Tetragonisca angustula alturas entre 0,40 m a 1,29 m (Passeio Público – Curitiba) demonstrando uma preferência por nidificar a baixas alturas, fato também constatado para a maioria das espécies amostradas neste estudo. Ninhos internos permitem um maior controle da temperatura, umidade e proteção contra predadores, o que não acontece com ninhos externos. Almeida e Laroca (1988) e Cortopassi-Laurino et al., (2009) indicam alturas de 3 a 15 metros para espécies do gênero Trigona, como T. spinipes, que nidifica em galhos de árvores, de preferência caducifólia, podendo assim, garantir proteção contra predadores e melhor controle de temperatura, ou seja, maior exposição ao calor e luminosidade no inverno. Altura semelhante foi constatada pelo autor.

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6. CONCLUSÂO

Os resultados encontrados indicam que 11 espécies de Meliponini são encontradas nos parques urbanos amostrados, os quais se diferenciam tanto em termos de riqueza apresentando elevados (Bosque dos Buritis e Botafogo, ambos com nove espécies) e baixos valores (Vaca Brava, três espécies) quanto de similaridade entre as comunidades de Meliponini. A comunidade do Parque Areião é similar à maioria das outras amostradas nos parques urbanos.

O tipo de substrato utilizado para construção do ninho estrutura as comunidades de Meliponini amostradas, sendo as árvores das famílias Leguminosae e Apocynaceae as mais utilizadas para nidificação. Observa-se preferência por espaços ocos de árvores, assim como por alturas entre 0 a 5 m para ninhos internos e 15 a 20 m para ninhos externos. Os espaços disponibilizados pelas atividades antrópicas ainda são pouco utilizadas para nidificação.

As variáveis ambientais temperatura e umidade relativa do ar se diferenciam entre parques em conseqüência das condições naturais e antrópicas presentes em cada parque, podendo influenciar assim nas comunidades de Meliponini.

As informações coletadas no presente estudo podem subsidiar futuros projetos de implantação de novos parques urbanos, recuperação de áreas degradadas e arborização urbana, realizadas pelo poder público ou instituições privadas, que levem em consideração as necessidades das comunidades de Meliponini recebendo, em contra partida, os benefícios por elas disponibilizados.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

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no Campus da Universidade Estadual de Campinas, Estado de São Paulo, Brasil. Campinas. Bragantia v. 62, n. 3, p. 335 -343, 2003.

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Apoidea) em uma área de Caatinga (Itatim, Bahia, Brasil). Feira de Santana. Rev.

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