Outubro 2014
RESERVA AGRÍCOLA NACIONAL
PROPOSTA DE DELIMITAÇÃO
REVISÃO
DO
PDM
DE
PROENÇA-A-NOVA
Proposta de delimitação da
Reserva Agrícola Nacional
do município de Proença-a-Nova
ÍNDICE
1.
Introdução ... 3
2.
Enquadramento territorial da área de intervenção ... 4
3.
Descrição da Estratégia de Desenvolvimento prevista no Plano ... 4
4.
Histórico do processo ... 8
5.
Síntese comparativa ... 9
6.
Identificação e descrição das áreas de RAN propostas para exclusão ... 10
7. Anexos
7.1 Anexo 1 – RAN – Portaria nº 171/93 de 15 de fevereiro ...
7.2 Anexo 2 – Ata da Reunião Setorial da Comissão de Acompanhamento ...
7.3 Anexo 3 – Ata nº 23 da Comissão Municipal da Defesa da Floresta contra Incêndios .
7.4 Anexo 4 – RAN – Relatório de procedimentos...
8. Cartografia ...
1.
Introdução
A Reserva Agrícola Nacional (RAN), instituída pelo Decreto-Lei n.º 451/82, de 16 de novembro, encontra-se regulamentada pelo Decreto-lei n.º 73/2009, de 31 de março que revogou o Decreto-Lei n.º 196/89, de 14 de junho. Constitui uma restrição de utilidade pública, à qual se aplica um regime territorial especial, que estabelece um conjunto de condicionamentos à utilização não agrícola do solo em áreas que apresentam maior aptidão para a atividade agrícola. A RAN em vigor para o concelho de Proença-a-Nova está publicada na Portaria n.º171/93 de 15 de fevereiro do Diário da República n.º 38, I Série. (Anexo 1)
A evolução da ocupação do território, ao longo destes cerca de 20 anos, impulsionou a necessidade de rever a própria delimitação desta condicionante de salvaguarda dos solos com especial aptidão agrícola, tendo em atenção todas as áreas que já estavam efetivamente edificadas, mas que não foram incluídas nos perímetros urbanos no PDM94.
O presente documento corresponde à memória descritiva e justificativa quer da proposta de exclusão quer da delimitação da própria Reserva Agrícola Nacional (RAN) do concelho de Proença-a-Nova, integrada no processo de Revisão do Plano Diretor Municipal do concelho de Proença-a-Nova.
O processo iniciou-se em fevereiro de 2013 por iniciativa da Câmara e de junho a novembro do mesmo ano, foram realizadas duas sessões de trabalho entre a DRAP-C e a equipa da CMPN, aferindo-se assim uma proposta mais correta e coerente para ser analisada no âmbito da Revisão do PDM.
Em fevereiro de 2014 foi realizada a 3ª reunião plenária da Comissão de Acompanhamento, no âmbito da qual a DRAP-C emitiu parecer favorável condicionado sobre a generalizada do plano e negativo sobre a proposta de exclusão.
Na sequência do referido parecer, a Câmara Municipal de Proença-a-Nova solicitou à Comissão de Acompanhamento do processo de revisão do PDM, a realização de uma reunião setorial, para concertação de interesses.
A reunião setorial foi realizada dia 22 de setembro de 2014, e nela participaram a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) e a Câmara Municipal de Proença-a-Nova. As conclusões apresentadas e apreciadas na reunião foram integradas neste novo documento e lavradas em ata. (Anexo 2)
2.
Enquadramento territorial da área de intervenção
A área de intervenção do plano corresponde à totalidade da área do concelho de Proença-a-Nova. Este localiza-se na Região Centro (NUT II), integrado na Sub-região do Pinhal Interior Sul (NUT III) e é composto por 4 freguesias: União de Freguesias de Sobreira Formosa e Alvito da Beira, Montes da Senhora, União de Freguesias de Proença-a-Nova e Peral e São Pedro do Esteval. Pertence ao distrito de Castelo Branco.
Figura 1 - Localização de Proença-a-Nova na Região Centro (fonte: site da CCDR-Centro, Set. 2008)
3.
Descrição da Estratégia de Desenvolvimento prevista no Plano
A estratégia de desenvolvimento para o concelho sob a qual se articula a presente proposta teve como base as diretivas resultantes da caracterização e diagnóstico do concelho, e assenta nas seguintes eixos e objetivos estratégicos:
Desenvolvimento económico e dinamização empresarial;
Turismo, cultura e património;
Ambiente e energia;
Desenvolvimento humano;
Qualificação do espaço público.
Para cada um destes cinco eixos definem-se objetivos estratégicos (OE), desdobrados em objetivos operacionais que de forma mais direta expressam as ações a prosseguir para impulsionar a dinâmica de crescimento pretendida para o território.
3.1. Desenvolvimento Económico e Dinamização Empresarial
Pensar o território é, antes de mais, olhar para as pessoas que nele habitam. Inverter a tendência de despovoamento e envelhecimento da população só será possível através da captação de novos investimentos e da criação de emprego, objetivos centrais em qualquer estratégia para a região. Promover o emprego e o empreendedorismo, modernizar os parques e zonas industriais e valorizar os recursos endógenos, procurando criar riqueza e novas fontes de rendimento para as populações, são objetivos que em seguida se apresentam e operacionalizam.
OE 1 – Criar condições para o surgimento de projetos inovadores e para o desenvolvimento de uma cultura verdadeiramente empreendedora, apoiando a INOVA Startup Proença como instrumento de mudança no tecido empresarial local;
OE 2 – Prosseguir a requalificação e modernização dos espaços empresariais do concelho e o esforço de captação de novos investimentos, com vista à criação de emprego;
OE 3 – Valorizar os recursos endógenos e contribuir para a diversificação das áreas de atividade existentes a nível local.
3.2. Turismo, Cultura e Património
As características naturais, aliadas à gastronomia e identidade cultural genuína do concelho, permitem perspetivar Proença-a-Nova como um território com vocação turística. Num contexto global marcado pela existência de uma forte concorrência de outros mercados, bem como pela necessidade de projetar uma imagem forte e de dinamizar iniciativas que contribuam para a diminuição da sazonalidade e para o aumento da estadia média de visitantes, torna-se necessário definir medidas articuladas e sustentadas de intervenção.
A estratégia local assenta na valorização simultânea dos recursos naturais, vestígios arqueológicos e património edificado. Sem deixar de dar prioridade às medidas de responsabilidade exclusiva do Município, este é um dos sectores que pressupõe uma forte ligação tanto ao sector privado como a outros organismos regionais e nacionais.
OE 1 – Assegurar a concretização e constante atualização do Plano de Ação para o Desenvolvimento Turístico
OE 2 – Aumentar e diversificar a capacidade de alojamento
OE 3 – Reforçar a interligação com agentes do sector privado e potenciar sinergias com outras autarquias e organismos regionais e nacionais
OE 4 – Valorizar a cultura local e contribuir para a preservação de saberes e vivências tradicionais, nomeadamente com expressão ao nível do artesanato
3.3. Ambiente e Energia
A floresta é uma marca indelével do concelho e a envolvente ambiental uma das riquezas que não pode deixar de ser vista como oportunidade para um desenvolvimento sustentável. Recursos como a biomassa lançam o desafio de perspetivar alternativas na produção de energia, num eixo estratégico de desenvolvimento em que se visa igualmente a manutenção dos recursos naturais e a divulgar da nossa qualidade ambiental, que se pretende afirmar como exemplo a nível nacional.
OE 1 – Promover a eficiência energética e incentivar projetos com vista à produção e valorização de energias alternativas
OE2 – Valorizar os recursos naturais e promover a defesa da floresta e a qualidade ambiental
3.4. Desenvolvimento Humano
As políticas de ação social são encaradas numa perspetiva inclusiva e intergeracional, entendendo-se este eixo tanto numa perspetiva assistencial como impulsionadora de novas dinâmicas, capazes de inverter a tendência de envelhecimento e despovoamento do território. A fixação de novos residentes assume-se como o principal desafio. Se por um lado o envelhecimento da população obriga a reforçar as atividades oferecidas e assegurar a qualidade de vida dos seniores, por outro importa centrar as políticas sociais nas famílias, melhorando as respostas existentes para crianças e jovens.
A educação e a qualificação da população contam-se igualmente entre os objetivos estratégicos, na medida em que serão decisivos para a inovação e desenvolvimento de novos projetos de base local.
OE 1 – Desenvolver políticas ativas com vista à fixação de novos residentes, ao rejuvenescimento da população, ao reforço da coesão social e à melhoria global das condições de vida
OE 2 – Promover a qualificação da população e a ligação entre o ensino e os sectores estratégicos para o concelho, numa perspetiva de empregabilidade e de formação integral dos munícipes
3.5. Qualificação do espaço público
O alargamento das infraestruturas existentes assume-se como objetivo com impacto direto na qualidade de vida das populações, mas pretende-se prosseguir um salto qualitativo na intervenção no espaço público, melhorando a qualidade visual da paisagem.
OE 1 – Melhorar as redes de infraestruturas e requalificar a paisagem rural, numa perspetiva de melhoria das condições de vida das populações e de valorização do território
OE 2 – Requalificar espaços públicos e promover um espaço urbano qualificado e acessível para todos O PDM de Proença-a-Nova eficaz desde 1994 classifica o território municipal em cerca de 96,5% solo rural e 3,5% de solo urbano, considerando-se então como solo urbano todas os aglomerados delimitados na planta de ordenamento e como tal abrangidos pela hierarquia de aglomerados urbanos estabelecida no artigo 35.º do seu regulamento.
Com exceção de cerca de 20 núcleos, que foram simplesmente omissos, todos os demais aglomerados tinham perímetro urbano delimitado, embora a maioria fosse considerada como aglomerados rurais, e integrados no último nível da referida hierarquia.
Importa ainda referir que o PDM vigente apresenta inúmeros problemas que prejudicam uma correta interpretação gráfica, particularmente no que respeita às áreas urbanas, e que tem condicionado em muito a sua leitura, induzindo ainda dificuldades na aplicação prática das suas disposições regulamentares. Para além de ter sido utilizada cartografia base bastante desatualizada, mas a possível e a disponível na altura, e dos meios com que foi produzido o plano, verificou-se a existência de muitos erros na delimitação na maioria dos aglomerados, tais como:
a) Perímetro urbano desfasado da área urbana existente, deixando de fora manchas já edificadas ou mesmo arruamentos já pavimentados e infraestruturados com potencial para serem urbanizados;
b) Perímetros urbanos que abrangiam terrenos com topografia absolutamente desfavorável à construção;
c) Muitas manchas edificadas dentro dos perímetros, e já existentes à data da elaboração do plano, não foram excluídas da REN nem desafetadas da RAN;
A proposta de redefinição dos perímetros urbanos e aglomerados rurais tem como base as necessidades diagnosticadas nos estudos de caracterização da revisão do PDM e as projeções demográficas, sendo estas reorientadas de forma a refletir a implementação da estratégia de ordenamento do território definida para Proença-a-Nova.
Foram verificadas as áreas consolidadas e/ou comprometidas, comparando com cada perímetro urbano vigente. A esta informação associaram-se as perspetivas e estratégias definidas para cada aglomerado, de forma a percecionar o seu presente e possibilidades no futuro.
4.
Histórico do processo
A proposta de delimitação da Reserva Agrícola Nacional (RAN) Bruta do concelho de Proença-a-Nova, datada de 04.11.2013, resulta de um processo de adequação e correção da delimitação da RAN aprovada em 1993, cujo suporte digital foi fornecido pela Direção Regional da Agricultura e Pescas Centro (DRAP-C).
A informação de base utilizada para o desenvolvimento desse trabalho foi a proveniente das seguintes fonte:
Cartas de capacidade de uso do solo;
Cartografia topográfica de imagem (DGT 2012);
Classificação da ocupação do solo e do espaço florestal do concelho de Proença-a-Nova, (CMDFCI 2012)
A informação geográfica e alfanumérica resultante desta classificação da ocupação do solo (adiante designada COSEF 2009), foi produzida no âmbito do Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios (PMDFCI). Apesar da vocação florestal de base, esta informação carateriza também as diversas situações de ocupação do solo, entre elas, a agrícola. Os dados então recolhidos resultaram de um exaustivo trabalho de campo, realizado no sentido de caraterizar individualmente cada mancha homogénea de ocupação do solo. De salientar também que, a unidade mínima cartográfica (umc) utilizada neste trabalho, foi cerca de meio hectare, sendo a umc da COS2007, um hectare. Essa opção de análise permitiu a produção de um conjunto de informação com maior grau de precisão, e essa foi a principal razão pela qual se optou por escolhe-la como informação de base para o presente trabalho. O PMDFCI foi aprovado pela Comissão Municipal da Defesa da Floresta contra Incêndios em novembro de 2012. (Anexo 3)
A deteção de desfasamentos gráficos e cartográficos, com recurso aos sistemas de informação geográfica, conduziram a um conjunto de ações que tiveram como principal objetivo aumentar a coerência da RAN Bruta a considerar no processo de revisão do Plano Diretor Municipal. As mais relevantes foram:
Correção de alguns dos desfasamentos gráficos por deslocamento;
Acerto dos limites entre RAN e perímetros urbanos em vigor;
Exclusão das áreas de RAN sobrepostas aos perímetros em vigor,
Inclusão na RAN de áreas adjacentes com solos com idêntica capacidade de uso e/ou ocupação agrícola.
Estas ações foram efetuadas com o envolvimento e cooperação da DRAP-C e da CMPN, conforme Relatório de Procedimentos.1 (Anexo 4)
1 Neste documento ficou omissa a referência à classificação da ocupação do solo e do espaço florestal (COSEF 2009), como informação de base no trabalho de retificação da delimitação da Reserva Agrícola Nacional
5.
Síntese comparativa
Tabela 1 - Comparação das áreas totais; RAN vigente (1993) e RAN “bruta” proposta
6.
Identificação e descrição das áreas de RAN propostas para exclusão
Concluído o processo de revisão da delimitação da RAN, foi aquela sobreposta à planta de ordenamento na qual se baseia todo o processo de revisão do PDM94. Verificou-se que não existem áreas de incompatibilidade com perímetros urbanos, mas no que se refere à delimitação proposta para os aglomerados rurais, foram identificadas 4 situações, das quais apenas 1 mereceu parecer positivo para exclusão.
Em termos absolutos, a proposta de exclusão de solos RAN, corresponde agora a uma pequena mancha no aglomerado de Chão do Galego, com 0,31 ha, representando um valor inferior a 1% da área do concelho.
Tabela 2 - Síntese de áreas a excluir
No quadro e cartograma seguinte, é feita a análise da única situação de incompatibilidade referida. Para além da localização, são identificados os seguintes: área absoluta, relação desta com a área total da RAN proposta, uso atual do solo, uso do solo proposto e síntese da fundamentação na qual se baseia a proposta de exclusão.
2 Somatório da RAN Bruta proposta com Espaços Verdes de Proteção
Superfície
(ha) Representatividade na área do concelho
RAN aprovada em 1993 786,20 1,99%
RAN “bruta“ proposta 774,43
2,00%
Espaços Verdes de Proteção 15,72
Superfície
(ha) na área do concelho Representatividade
Área proposta para exclusão 0,31 < 1%
Figura 3 – Localização da mancha proposta para exclusão no concelho
Revisão do PDM de Proença-a-Nova, RAN P2007.036.PE.PDM.RAN_0.doc
Nº de
ordem Superfície (m²) Superfície. (ha) Relação com a RAN proposta Uso atual Uso proposto
1 3.119 0,31 0,04% COSEF 2009 Espaço Florestal Espaço Social Espaço Agrícola PDM 94 Perímetro Urbano Espaço agro-florestal
Aglomerado Rural nível A
Síntese de fundamentação
A mancha proposta localiza-se na localidade de Chão do Galego, freguesia de Montes da Senhora.
Embora no PDM94, Chão do Galego estivesse classificado como aglomerado urbano, no âmbito da presente revisão é proposta a sua reconversão para solo rural, adotando a qualificação de Aglomerado rural.
Para além desta alteração, foi ainda corrigida a própria delimitação do aglomerado, por forma a melhor se adequar ao atual e efetivo tipo de ocupação do território. Essa redefinição passa necessariamente pela unificação dos pequenos núcleos edificados já existentes, à data de entrada em vigor do atual PDM.
Tendo por base de análise a ocupação do solo à data do PDM, resulta que, a mancha em causa incluía via de acesso e algumas edificações.
Tendo por base de análise a classificação da ocupação do solo de 2009, resulta que, à data, a mancha em causa tinha usos florestal, agrícola e social, sem predominância de nenhum deles.
A proposta de exclusão visa permitir no futuro a continuidade do tecido edificado daquele aglomerado, bem como garantir a equidade de encargos e benefícios entre todos os seus habitantes. Acresce referir ainda que, ao incluir esta parcela de território, está a ser potenciada a futura utilização agrícola do solo, pois nestes aglomerados ainda persiste a pratica de cultivar quintas/hortas na envolvente próxima das habitações.
7.
Anexos
7.1 Anexo 1 – RAN – Portaria nº 171/93 de 15 de fevereiro
7.2 Anexo 2 – Ata da Reunião Setorial da Comissão de Acompanhamento
7.3 Anexo 3 – Ata nº 23 da Comissão Municipal da Defesa da Floresta contra Incêndios
8. Cartografia
N. Designação Escala
1 Proposta de delimitação da RAN do concelho de Proença-a-Nova, sobre
cartografia de base vetorial 1:50 000
2 Proposta de delimitação da RAN do concelho de Proença-a-Nova, sobre
cartografia topográfica de imagem 1:50 000
3 Proposta de delimitação da RAN do concelho de Proença-a-Nova, sobre cartografia de base vetorial – proposta de desafetação 1:50 000