Azores Challenge Trail
Decorreu no passado dia 12 de novembro de 2016 o Azores Challenge Trail 2016. O Azores Challenge Trail de 2016 era constituído por 3 provas. O Ultra Trail na distância de 45 km, o Trail na distância de 23 km e a Caminhada na distância de 9 km.
Relatarei (Jorge Lanzinha) a prova em que participei, o Ultra Trail.
A expectativa era grande da minha parte, por duas razões. A primeira, nunca tinha estado nos Açores. A segunda, já há algum tempo que não participava num Ultra Trail.
Rumámos aos Açores (S. Miguel – Ponta Delgada) na 6.ª feira ao final da tarde. Outros atletas em representação do Clube Millennium bcp fizeram-no durante o dia. Chegámos a S. Miguel por volta das 21.30h (hora local). Daqui fomos diretos ao restaurante onde o resto dos atletas já esperava por nós. O jantar aconteceu no restaurante Alcides em Ponta Delgada. Recomendo vivamente o restaurante. Bom serviço, simpatia e comida de muito boa qualidade e confeção. Findo o repasto rumámos ao hotel onde haveríamos de ficar hospedados. Check-in efetuado e cada um ao seu quarto a descansar que a alvorada é cedo.
O hotel, às 06.30h, era um corrupio de atletas para tomar o pequeno-almoço. A esta hora eram só atletas do Ultra Trail.
O local de partida distava cerca de ½ hora de autocarro do centro de Ponta Delgada. Fomos transportados de autocarro até às instalações dos Chá Gorreana. Deu para perceber, no trajeto até ao local da partida, para quem não conhecia, era o meu caso, que a ilha é toda ela
praticamente verde e com muitas vacas!
É dada a partida por volta das 08.30h. O início da prova é feito nas plantações de chá e durante cerca de 6 km seria a subir e com um ganho de elevação de cerca de 500m D+. Umas vezes em trilhos, outras em estradão, lá vamos progredindo. Alguns atletas do Clube decidem ir a um ritmo mais rápido. Eu e como disse atrás já não fazia um Trail há muito tempo, comecei mais reservado e na companhia do grande atleta do Clube de seu nome Francisco Reis. Esta “parceria”, a que se juntou uma hora mais tarde outro grande atleta do Clube, o Pedro Silva, foi do princípio ao fim do trail.
As paisagens são fantásticas!
Chegada ao 1.º abastecimento cerca do km 16 e estávamos com cerca de 02h30 de prova. Deu para perceber que não iria ser fácil e que iríamos gastar algum tempo para chegar ao fim. A chegada ao cimo da Lagoa do Fogo é feita por um trilho com paisagens fabulosas (acho que me vou repetir muitas vezes com este e outros adjetivos).
Neste topo somos “brindados” com um trilho que nem sei como o hei-de descrever. Só cabiam os ténis, lado a lado, pouco sobrava, e as escarpas de um lado e de outro, eram sem exagero nenhum de cerca de 300m, ou mais. É aqui que o Pedro Silva se junta. Só me lembro de ter dito, “se tivermos que cair é melhor que o façamos prá frente, ou para trás. Nunca para os lados!!!
Vamos contornado a Lagoa do Fogo no topo, e ainda antes de iniciarmos a descida, tropeço numa raiz, ou pedra, e não consigo evitar a queda. Podia ter escolhido melhor sítio para cair, fui parar em cima de um silvado! Ora como o dia estava com uma temperatura boa, saímos em manga curta. Já adivinharam como é que fiquei? Era só riscos na “pintura” (maneira simpática de dizer que fiquei todo arranhado).
Iniciámos a descida para a Lagoa do Fogo, num trilho extremamente técnico e algo escorregadio. Como a minha especialidade não é a descida, fi-lo com todas as cautelas. Já tinha a minha dose de quedas! Chegámos ao sopé da Lagoa depois de termos saído do trilho atrás descrito. Desembocámos num estradão. A progressão aqui é um tanto ao quanto mais rápida. Deixámos a Lagoa à nossa direita e continuámos a descer. A determinada altura da descida há uma bica, onde reabastecemos de água e onde pude lavar as feridas. Aqui, a progressão é feita junto a uma levada. Não sei precisar a distância da mesma, mas ainda levamos cerca de ½ hora para a fazer.
Depois da levada, damos início à segunda subida digna de registo. A mesma é efetuada em progressão lenta, tal a inclinação e dificuldade do terreno. Praticamente toda a subida é feita por trilho. Pelo caminho vamos ultrapassando alguns atletas que já denotam algum cansaço.
Chegamos ao 2.º abastecimento. É aqui que tem, ou por outra, teve início a prova dos 23 km. Depois de abastecermos, damos início a uma descida com forte inclinação, nesta altura levanta-se um forte nevoeiro e vento. Lá conseguimos progredir sem nunca perdermos a noção do espaço. Não há que enganar, não há mais nenhum trilho ou caminho, pelo que, cautelosamente vamos descendo. Saímos do trilho para um estradão que nos irá levar a uma floresta. A “Floresta do Diabo”!
Já sem nevoeiro, vamo-nos apercebendo da beleza da floresta e de toda a involvência. É nesta floresta que iremos atrevessar 3 ou 4 pontes em cimento, sem qualquer proteção. Numa delas e com uma distância aproximada de cerda de 20m, para além da falta de proteção, a altura é de mais de 50m! Aqui, achamos que a organização não tomou as medidas necessárias de segurança. Felizmente que não houve problemas. Mas falei com diversos atletas e a opinião era generalizada. Caso caísse alguém naquela ponte seria muito complicado. Não sei se são estas pontes que dão o nome à floresta…
Todo o trilho da floresta é praticamente corrível, havendo uma ou outra passagem a ser feita com mais cautela. E toda ela com escarpas enormes. E vai havendo uma ou outra subida, mas sem “massacrar” muito o músculo. Também não deixa de ser verdade que já levamos mais de 5h de prova e o cansaço já se nota.
Aqui, as contas para a hora de finalizar a prova já começam a ser alteradas. Pensávamos acabar em 06h30, mas havemos de ir um bocado para lá deste tempo.
Não tenho falado nos meus 2 companheiros de “aventura”, mas a boa disposição e camaradagem esteve sempre presente ao longo desta jornada e para lá dela!!! Bem como com todos os outros atletas. O trail é disto que tem de bom!
Chegámos ao 3.º e último abastecimento cerca do km 33.
A partir daqui a prova perdeu um bocado de interesse. Entrámos em zonas rurais, onde como já sabemos predominão as vacas. Vimos até à meta por estradões e muita das vezes ao lado da estrada nacional. Acredito que muitos dos atletas de topo tenham aproveitado o alcatrão para andarem mais rápido. Não foi o nosso caso.
Chegamos à meta os 3, com um sentimento de alegria e de termos terminado uma prova, tirando a parte atrás descrita, fabulosa em termos de paisagens e sítios lindíssimos por onde passámos.
A minha expectativa quanto à beleza dos Açores foi largamente ultrapassada! É um arquipélago que merece uma visita mais demorada!
Parabéns a todos os atletas do Clube Millennium bcp, pois o objetivo foi alcançado. Quer na prova dos 23 km, quer na prova dos 45 km, todos terminaram!
Prova dos 23 km. Filipa Vilar - 2h20m Miguel Rosa - 2h55m
Vanda Rosa, Céu e Óscar Marques - 3h07m Manuel Pereira - 3h10m
Prova dos 45 km
Sandro Jordão - 6h4m Edu, Neville e Tó-Zé - 6h10m