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Academic year: 2021

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Avaliação da influência da cobertura vacinal em relação à positividade dos

tes-tes laboratoriais para rotavírus em Tubarão, SC- 2006 a 2009

Evaluation of the influence of immunization covarage related to the positivity of

laboratory tests for rotavirus in the city of Tubarão between 2006 and 2009

Fernando Soldi1, Thaisy Mendes Porto2, Anna Paula Piovezan1, Cleidson Valgas2

Resumo

O objetivo do presente estudo foi avaliar a positivi- dade dos testes reagentes ao rotavírus após a introdu-ção da vacina oral para rotavírus humano no calendário básico vacinal do município de Tubarão, SC, no período de 2006 a 2009. O método empregado baseou-se em estudo transversal, onde foram coletados os resulta-dos dos exames para reatividade ao rotavírus dos dois maiores laboratórios de análises clínicas de Tubarão/ SC, e a cobertura vacinal, no banco de dados do Sistema Único de Saúde – DATASUS, no período de 2006-2009. Como resultados, foram analisados 3.565 resultados de exames, que utilizaram como metodologia o teste de imunocromatografia, sendo detectados 423 (11,9%) testes reagentes. Os percentuais de reatividade encon- trados nos testes realizados no período do estudo fo-ram de 19,5% em 2006, 12,4% em 2007, 10,6% em 2008 e 3,7% em 2009. Em 2009 comparando com o ano de 2006 a razão da reatividade/cobertura vacinal sugere uma queda no número de casos reagentes de 87,2%. Em conclusão, sugere-se um aumento na prote-ção contra o rotavírus promovido pela vacina oral para rotavírus humano, observada pela redução da reativi-dade dos testes ao vírus após a inclusão da mesma no calendário básico vacinal.

Descritores: Rotavírus. Infecções por rotavírus. Vacinas contra rotavírus.

Abstract

The present study evaluated the positivity of the reagent tests to rotaviruses after the introduction of oral human rotavirus vaccine on basic immunization schedule program in the city of Tubarão, SC from 2006 through 2009. The design was based in a cross-sectional study where both results of tests for rotavirus reactivity of the two largest clinical laboratories in the city, and vaccination coverage from the Brazil’s National Health System (DATASUS) from 2006 through 2009 were col-lected. As main results, 3565 tests results that used the immunochromatography test as method were analyzed, detecting 423 (11.86%) reagent tests. The percentage of reactivity found in the tests performed during the study period were 19.50% in 2006, 12.38% in 2007, 10.65% in 2008 and 3.68% in 2009. Comparing 2009 and 2006 the ratio reactivity / coverage suggests a de-crease of 87.24% in the number of reagent cases. In conclusion, an increase of the protection against the rotavirus foster by the oral human rotavirus vaccine is propose as a reduction of the reactivity in the labora-tory tests for the virus was observed as a result of its inclusion in the basic immunization schedule program. Key-words: Rotavirus. Rotavirus infections. Rotavirus vaccines. 1. Programa de Mestrado em Ciências da Saúde. Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Tubarão, S.C. – Brasil. 2. Curso de Farmácia. Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Tubarão, S.C. – Brasil.

ARTIGO ORIGINAL

ISSN (online) 1806-4280

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Introdução

A infecção por rotavírus constitui-se na principal causa de diarreia grave em crianças, contribuindo para elevada morbidade hospitalar e mortalidade. O rotavírus é da fa-mília Reoviridae, classificado nos grupos de A – G, sendo A, B e C os que acometem o homem. O Grupo A é o princi-pal responsável pela diarreia em humanos e os sorotipos G2P[4], G3P[8], G9P[8], G1P[8], G4P[9] foram os mais fre-quentemente encontrados no Brasil e no mundo (1-4).

Borges et al. (5) avaliaram 200 amostras de fezes de

crianças em 7 creches de Goiânia no ano de 2008 e ob- servaram uma prevalência de testes positivos ao rotaví-rus de 10,4% em crianças menores de 5 anos. Entre os anos de 2003 a 2005, o rotavírus do Grupo A foi detecta-do em cerca de 20,0% das amostras analisadas no labo-ratório de um hospital de São Paulo, oriundas de crianças de até 5 anos de idade da comunidade ou internadas (6).

Outros estudos mostram o impacto do problema fora do país. Em uma região de Madrid Espanha, num período de tempo semelhante ao estudado pelos au-tores acima (3 anos) observou-se que a incidência acumulada de hospitalização por gastroenterite aguda grave por rotavírus em crianças menores de 2 anos foi de 13,4 casos/1.000 e para crianças maiores de 5 anos 5,9 casos/1.000 (7). Ainda, segundo revisão realizada por

Parashar et al. (8) no ano de 2003, a cada ano, ocorrem

cerca de 440.000 mortes por esta causa em crianças menores de 5 anos de idade no mundo.

De acordo com Patrício et al. (9), os sintomas mais

fre- quentes em crianças com gastroenterite aguda por rota-vírus são desidratação, vômitos, letargia e febre, sendo que os custos com a doença envolvem desde aqueles para a compra de medicamento, internações, perda de dias de trabalho dos seus pais. Uma importante medida para combater os óbitos e os altos custos de interna-ções e tratamento, foi a introdução da vacina oral contra o rotavírus humano (VORH) no calendário do Programa Nacional de Imunização, sendo a mesma fornecida para menores de um ano de idade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A VORH foi licenciada pela Agência Nacio-nal de Vigilância Sanitária (Anvisa) em junho de 2005, com o nome comercial de Rotarix®, e introduzida no calendário vacinal infantil em 2006 (10). Devido à relevância epidemiológica da rotavirose no panorama mundial e nacional, e o pequeno número de estudos nacionais que acompanham os resultados pro-duzidos pela vacinação, o presente estudo teve como objetivo avaliar a influência da vacinação por rotavírus sobre a positividade dos testes ao mesmo, no municí-pio de Tubarão, SC.

Material e métodos

Realizou-se um estudo transversal no banco de da-dos dos dois maiores laboratórios de análises clínicas de Tubarão, S.C. Estes laboratórios realizam atendimento na modalidade particular, convênios com planos de saúde e Sistema Único de Saúde. Analisaram-se os 3.565 resulta-dos de exames para reatividade ao rotavírus que foram realizados no período de 2006-2009. Os testes utiliza-ram como metodologia a imunocromatografia.

Obtiveram-se também os dados de cobertura va-cinal no município, para o mesmo período, a partir do banco de dados do Sistema Único de Saúde - DATASUS. Os dados foram analisados de maneira descritiva, bem como a partir das freqüências absolutas e percen- tuais e Chi2 Quadrado para comparação de porcenta-gens, através do programa EpiInfo ® 6.0. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pes- quisa da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNI-SUL, tendo recebido parecer favorável sob o número de protocolo 10.158.4.06.III.

Resultados

A Tabela 1 mostra o número de testes analisados anualmente no período estudado e a representativi-dade em termos de porcentagem dos testes que foram reagentes para o rotavírus, bem como da cobertura va-cinal no município para cada ano. Dos 3.565 resultados analisados, 423 (11,9%) apresentaram positividade ao rotavírus entre 2006 a 2009.

Conforme melhor observado na Figura 1, o ano de 2006 foi o que apresentou maior porcentagem de rea-tividade ao rotavírus (19,5%) e menor porcentagem de cobertura vacinal no município (54,7%). Por sua vez, quando comparados a este ano, todos os demais apre-sentaram significativo aumento da cobertura vacinal e redução da reatividade nos testes ao rotavírus (p< 0,001).

Quando analisado o período de 2006 a 2009, de ma-neira geral os resultados demonstraram um decréscimo no percentual de reatividade do teste para o rotavírus; enquanto isso, ao se avaliar o percentual de cobertura vacinal no mesmo período, verificou-se um aumento de 54,7% para 80,9% da mesma, respectivamente. A partir dos dados levantados não é possível garantir um comportamento linear para estes parâmetros, já que no ano de 2007 a cobertura vacinal foi a maior obser-vada no período (93,6%). Contudo, pode-se afirmar ao compararmos o ano de 2009 em relação ao ano de 2006, que a razão da reatividade/cobertura vacinal sugere uma queda no número de casos reagentes de 87,2%.

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Levando-se em consideração a distribuição dos ca-sos em relação à faixa etária, a Tabela 2 demonstra que ao ser comparado o ano de 2009 a 2006, houve redu- ção extremamente significativa no número de testes re- agentes ao rotavírus em todas as faixas etárias estuda-das. Avaliando-se a razão para os testes negativos entre estes dois anos verificou-se um aumento da proteção contra o rotavírus em função da faixa etária, sendo esta de 17,0%, 13,0%, 24,0% e 24,0%, respectivamente, nas faixas etárias de 0 -I 2, 2 -I 13, 13 -I 19 e maior do que 19 anos de idade.

Discussão

O presente estudo demonstrou uma redução signi- ficativa na positividade ao rotavírus em testes labora-triais realizados no período de 2007-2009 em relação a 2006. Estes achados estão em acordo com outros es-tudos realizados no país. Morillo et al. (11), em um estudo

retrospectivo no período de 2004 - 2008, verificou di-ferentes genotipos do rotavírus em crianças com menos de 5 anos em 30 creches de São Paulo. Ainda segundo estes autores, a positividade observada em 2004 foi reduzida de 65,7% para nenhum caso em 2008. No nordeste do país, Gurgel et al. (12) registraram

aumen-to de 37,0% para 84,6% da cobertura vacinal e uma queda de cerca de 60% na positividade ao rotavírus no ano de 2007 em relação ao ano de 2006, primeiro ano após a inclusão da vacina contra o rotavírus no Progra-ma Nacional de Imunização. Comparando com os dados obtidos por estes autores, embora no mesmo período nosso estudo tenha revelado 36,4% de redução na positividade dos testes ao vírus, este valor aumentou significativamente ao final do estudo, sendo que em 2009 houve apenas 3,7% de reatividade (Tabela 1). Os valores encontrados no presente trabalho também são superiores ao sugerido por Salvador et al. (4), que em

revisão de literatura recente mostrou que as taxas de eficácia da VORH utilizada no país revelam uma prote-ção para diarreias (de qualquer gravidade) por rotavírus de aproximadamente 70,0%. Outros estudos foram realizados fora do país avalian-do a efetividade da vacina contra rotavírus. Um estudo retrospectivo em Madrid avaliou crianças com idade igual ou inferior a 5 anos, portadoras de gastroenterite aguda adquirida na comunidade, verificando diminui-ção da porcentagem de casos por rotavírus de 57,1% em 2005 para 47,2% em 2008, ou seja, uma redução 17,3% no múmero de casos (7), sendo esta inferior à que foi observada neste estudo no município de Tubarão-SC. Ao ser comparado um período maior, Hanquet et al. (13), na Bélgica, também observaram uma queda no número de casos confirmados para rotavírus em testes laborato-riais, sendo que dois anos (2008) após a introdução da vacina no programa nacional (2006) houve um declínio dos casos em crianças com até 1 ano de idade.

Com relação a este aspecto da faixa etária em que houve a maior redução na positividade dos testes ao rotavírus, nosso estudo registrou maior queda entre os 2 a 13 anos de idade (96,5%). Correia et al. (14) em

estu-do caso-controle realizaestu-do em Recife entre os anos de 2006 a 2008, verificou que a vacina contra o rotavírus monovalente G1P[8] foi eficaz contra a diarréia grave causada pelo G2P[4] entre crianças de 6 a 11 meses (77,0%) e diminuiu entre as crianças com idade maior que 12 meses para 24,0%. Fora do país, Palma et al. (15) registraram eficácia da vacina contra rotavírus em crian-ças de 51,0% ou 76,0% quando administrada em uma ou duas doses, respectivamente. Entre as limitações do presente estudo encontram--se o fato de não terem sido levantados dados de com-paração antes da introdução da vacina no Programa Nacional de Vacinação (pelo SUS), o pequeno período de observação para avaliação do impacto da vacina e a falta de dados para distinguir entre vacinados e não vacinados ou hospitalizados e não hospitalizados, bem como sobre a gravidade da diarréia causada.

No entanto, o monitoramento dos dados obtidos em crianças torna-se importante porque o rotavírus apre-senta elevada taxa de transmissão e disseminação entre as mesmas, devido à contaminação por meio das fezes presentes em brinquedos e ambientes escolares, água, alimento e secreções respiratórias; desta forma, é sugeri-do que a cobertura vacinal deva ser alta entre as mesmas para se conseguir melhor impacto da vacinação (16). Apesar disto, existe um desafio para se atingir 100% de cobertura vacinal infantil. Sabe-se que a falta de es-clarecimentos acerca da vacinação e o medo a respeito desta ação de saúde constituem, dentre outros, empe-cilhos para se desenvolver uma boa cobertura vacinal. Além disso, estudos verificaram diferentes sorotipos de rotavírus do grupo A (1, 5, 17), o que pode dificultar 100% de efetividade, já que a VORH é monovalente, ou seja, a cepa utilizada possui apenas um sorotipo em sua com-posição que é o G1P[8] da cepa RIX4414. Desse modo, é importante o papel do profissional de saúde no diálogo com esses usuários, melhorando o en- tendimento sobre as características e o impacto da gas-troenterite por rotavírus à família, orientando sobre a vacinação, ensinando práticas para prevenir a infecção e os melhores cuidados de uma criança afetada (18, 4).

Em conclusão, os resultados do presente estudo su-gerem que a efetividade da vacinação contra rotavírus no município de Tubarão-SC, demonstrada pela elevada

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redução da positividade dos testes laboratoriais reali-zados no período de 2006 a 2009, foi semelhante ao encontrado em outras regiões do país e do mundo.

Referências

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Endereço para correspondência Anna Paula Piovezan

Av. José Acácio Moreira, 787 - Bairro Dehon Tubarão, S.C. - Brasil - CEP: 88074-900 E-mail: [email protected] Tabela 1. Reatividade dos testes realizados nos

labo-ratórios estudados e percentuais de cober-tura vacinal para o rotavírus nos anos de 2006 a 2009. Tubarão, SC.

Figura 1: Comparação da redução da porcentagem de reatividade dos testes ao rotavírus (A) em relação ao aumento da cobertura vacinal ao mesmo (B) no município de Tubarão, SC, no período de 2006 a 2009 (* p< 0,001 em re-lação ao ano de 2006; Chi2 quadrado para comparação de porcentagens, EpiInfo ® 6.0)

Tabela 2. Comparação da reatividade dos testes para rotavírus no ano de 2009 em relação ao ano de 2006, de acordo com a faixa etária no pe-ríodo de 2006 a 2009. Tubarão, SC.

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