PROJETO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL "DE OLHOS ABERTOS"
Marielle Gonçalves de Barros Machado¹; Marusi Kalb Kolling²; Letícia Fernanda Assis³; Juliana Ferrari⁴; Anna Christine Ferreira Kist5
1Acadêmica do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, Universidade Federal de Santa Maria - Unidade de
Silveira Martins; E-mail: [email protected]; 2Acadêmica do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, Universidade Federal de Santa Maria - Unidade de Silveira Martins; 3Acadêmica do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, Universidade Federal de Santa Maria - Unidade de Silveira Martins;
4Acadêmica do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, Universidade Federal de Santa Maria - Unidade de
Silveira Martins, Aluna do Curso Técnico em Meio Ambiente – Colégio Politécnico da UFSM.; 5Orientadora- Professora do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, Mestre em Geografia e Geociências, Especialista em Educação Ambiental.
Introdução
O projeto de Educação Ambiental ‘De olhos Abertos’ a ser realizado no Município de Silveira Martins, localizado na região da quarta colônia Rio Grande do sul, procura através do recurso audiovisual instigar a comunidade a participar de debates e proporcionar um pensamento crítico e reflexivo sobre problemática ambiental.
Através do desenvolvimento deste projeto procura-se integrar a comunidade a temática ambiental, levando a população a levantar as questões socioambientais na realidade em que vivem e buscar mudanças efetivas em relação aos tipos de impactos negativos relacionados às ações humanas e suas consequências. Desta forma, auxiliando em uma melhor compreensão do assunto por parte da comunidade e sensibilizando a mesma para o beneficio das gerações presentes e futuras na busca de uma melhor qualidade de vida. Neste contexto procura-se fazer o uso de ferramentas audiovisuais como instrumento para despertar o senso socioambiental, aproximando fatos globais à realidade local.
A problemática ambiental pode ser transformada através da educação de fato, esta segundo Pelicioni (1998, p.22),
Tem como objetivo, portanto, formar a consciência dos cidadãos e transformar-se em filosofia de vida de modo à levar a adoção de comportamentos ambientalmente adequados, investindo nos recursos e processos ecológicos do meio ambiente. A educação ambiental, deve necessariamente transformar-se em ação.
Podemos verificar que para tal devemos usar instrumentos e ferramentas educativas que estimulem o interesse e a reflexão da sociedade, sendo assim Rodrigues e Colesanti
(2008) afirmam que uma das formas mais rotineiras na condução da Educação Ambiental são através da elaboração de materiais didáticos, audiovisual ou impresso.
O objetivo deste projeto é desenvolver um processo de educação ambiental, através da exibição de filmes como ferramenta audiovisual, a fim de promover a reflexão e debate sobre as questões socioambientais para a comunidade como instrumento de educação e transformação da sociedade.
Referencial teórico
Com o crescimento das discussões sobre o meio ambiente e impacto do homem sobre ele no século XXI, torna-se cada vez mais essencial que a população tenha acesso ao tema com oportunidade de reflexão e discussão.
“A metáfora dos padrões é extremamente forte e sedutora, mas do ponto de vista da educação, ela é um veneno” (HOLT, 2006). O sistema educacional usa princípios cartesianos e antiquados, apesar de parecer objetivo e bem sucedido. Essa visão é falha e contraditória a realidade, excluindo a visão maior do todo e se especificando tanto a ponto de esquecer as conexões entre todos os seres vivos e a qualidade de vida verdadeira, não a que é proposta pelos meios de comunicação.
Em técnicas inovadoras, surgem os recursos audiovisuais, que são mais facilmente assimiláveis por jovens e adolescentes dos ensinos médio, técnico e superior. E é por meio da Educomunicação socioambiental e de relações com a mídia alternativa, que, ressalta Giana Rosa Gouvêa (2006), sobre debates e discussões que podem contribuir para o aprimoramento profissional e para o avanço do conhecimento.
Material e Métodos
Através de mecanismos didáticos do segmento de Educação Ambiental crítica acrescentando um diferente sistema de aprendizagem mais democrático onde não se discute apenas, mas se debate o assunto. A metodologia utilizada no desenvolvimento das atividades será baseada no método dialógico e participativo de Paulo Freire. Segundo Freire 1996, “ [...] quem tem o que dizer deve assumir o dever de motivar, de desafiar quem escuta, no sentido de quem escuta diga fale, responda.”
Levando está visão didática, serão exibidos filmes uma vez por mês, totalizando 4 filmes neste primeiro ciclo. O projeto será desenvolvido em parceria com Cine Clube Abelin,
projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria na Unidade Descentralizada de Educação Superior em Silveira Martins (UDESSM).
O projeto denominado “DE OLHOS ABERTOS” será aplicado de modo que nos dias das exibições, a comunidade se reunirá no auditório da UDESSM. A atividade será realizada através de três etapas: No primeiro momento ocorrerá uma abordagem inicial sobre os temas do filme. No segundo momento será exibido o filme, e por ultimo ocorrerá um debate com o publico presente sendo mediada a discussão sobre o filme, e os problemas que fazem parte da realidade da comunidade, contextualizando com a problemática abordada no filme.
O projeto será aberto ao publico em geral, buscando proporcionar a reflexão aos problemas vivenciados pela sociedade. As sessões terão duração total de aproximadamente duas horas e meia, o horário de início das sessões deveram ocorrer às 19 horas, conforme a aceitação do público poderá sofrer alterações.
Resultados e Discussões
Com a apresentação do projeto para a comunidade acadêmica e a alguns grupos da comunidade, como escolas, obteve-se grande apoio quanto a sua execução devido atualidade do tema e sua relevância, espera-se com este projeto, estimular o interesse da comunidade e fomentar a discussão sobre a importância da relação com o meio ambiente e os impactos do homem sobre o mesmo.
Nesta etapa inicial, para as exibições foram escolhidos 4 filmes, buscou-se temas relacionados a discussão ambiental. O primeiro “Wall-E” conta a história de um simpático robô, que após o homem entulhar a terra de lixo, poluindo a atmosfera, sendo obrigado a deixa-la, ficou com a responsabilidade do trabalho de limpar o planeta terra. O tema é utilizado de maneira a discutir a responsabilidade que cada um deveria ter em relação aos resíduos que produz, chamar a atenção para qual a relação do filme com o futuro do planeta terra e de que forma pode-se impedir que algo parecido aconteça. O segundo filme “Lixo Extraordinário” mostra uma análise sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz no Jardim Gramacho, localizado na cidade de Duque de Caxias- RJ, que é um dos maiores aterros sanitários do mundo, o mesmo trás a discussão social ligada a produção de resíduos no planeta e o papel do ser humano quanto a essa realidade. Já o terceiro filme escolhido “Contágio”, segue o rápido progresso de um vírus letal, transmissível pelo ar, que mata em poucos dias. Está temática permitirá abordar, o desmatamento associado à ocupação territorial desorganizada e o surgimento de doenças e problemas ambientais. Para o encerramento deste
ciclo será exibido o documentário “A última hora” que aborda os desastres naturais causados pela própria humanidade, mostrando como o ecossistema tem sido destruído. O documentário levanta o debate de que os desastres naturais estão diretamente ligados a nossas ações e oportuniza discutir quais são estas, e o que é possível fazermos para reverter este quadro.
Conclusão
Para exercermos nossa cidadania torna-se de extrema importância mecanismos que auxiliem a proporcionar o desenvolvimento de uma consciência socioambiental, sendo necessária a utilização de métodos de ensino que fomentem diálogos e discussões, ajudando a construir um pensamento crítico sobre vários pontos da problemática socioambiental. Conclui-se que o uso de instrumentos da educomunicação como meio de relacionar a educação ao uso de mídias, através de diálogos e reflexões a ser trabalhado numa perspectiva crítica da educação ambiental torna-se fundamental para promover a transformação da sociedade na busca de um mundo melhor com justiça socioambiental.
Referências
DANTAS, O. M. dos S.; SANTANA, A. R de.; NAKAYAMA, L. Teatro de fantoches na formação continuada docente em educação ambiental. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 38, n. 03, p. 711-726, jul./set. 2012.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários a prática educativa. 25ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
GOUVÊA, G. R. R. Rumos da formação de professores para a educação ambiental. Educar, Curitiba, n. 27, p. 163-179, 2006.
HOLT, M. A idéia da slow shool: É hora de desacelerar a educação? In: CAPRA, F., et al. Alfabetização Ecológica: A educação das crianças para o mundo sustentável. São Paulo: Cultrix, 2006. ed. 2. p. 84-91.
PELICIONI, M. C. F. Educação Ambiental, qualidade de Vida e sustentabilidade. Saúde e Sociedade, v.2, n. 7, p. 19-31,1998.
RODRIGUES, G. S. de S. C.; CONLESANTI, M. T. de M. Educação Ambiental e as novas
tecnologias de informação e comunicação. Sociedade & Natureza, Uberlândia,v. 1, n. 20, p.