Aspectos fundamentais da formação do Estado brasileiro Aspectos fundamentais da formação do Estado brasileiro
Esse item é novo, não apareceu antes em concursos. Caiu algo semelhante na disciplina de Esse item é novo, não apareceu antes em concursos. Caiu algo semelhante na disciplina de Teoria Política Aplicada, do cargo de Analista de Planejamento e Orçamento do MPOG. O Teoria Política Aplicada, do cargo de Analista de Planejamento e Orçamento do MPOG. O item era o seguinte:
item era o seguinte:
Estruturação do Estado no Brasil: a construção da república, da democracia, da federação, Estruturação do Estado no Brasil: a construção da república, da democracia, da federação, dos aparelhos de Estado e da administração pública federal.
dos aparelhos de Estado e da administração pública federal. Na prova, eles cobraram duas qu
Na prova, eles cobraram duas questões abordando a visão de autores estões abordando a visão de autores importantes. Umaimportantes. Uma delas abordava a visão Raymundo Faoro:
delas abordava a visão Raymundo Faoro:
(ESAF/APO-MPOG/2010) Uma das maiores obras de análise da estruturação e formação (ESAF/APO-MPOG/2010) Uma das maiores obras de análise da estruturação e formação do Estado no Brasil foi ‘Os Donos do Poder’, de Raymundo Faoro. Assinale a opção que do Estado no Brasil foi ‘Os Donos do Poder’, de Raymundo Faoro. Assinale a opção que não corresponde ao pensamento de Faoro.
não corresponde ao pensamento de Faoro.
a) A comunidade política conduz, comanda, supervisiona os negócios, como negócios a) A comunidade política conduz, comanda, supervisiona os negócios, como negócios privados seus, na origem, como negócios
privados seus, na origem, como negócios públicos depois, em linhas que se demarcam,públicos depois, em linhas que se demarcam, gradualmente.
gradualmente.
b) O súdito e a sociedade se compreendem
b) O súdito e a sociedade se compreendem no âmbito de um aparelhamento a explorar, ano âmbito de um aparelhamento a explorar, a manipular, a tosquiar nos casos extremos. Dessa realidade se projeta, em florescimento manipular, a tosquiar nos casos extremos. Dessa realidade se projeta, em florescimento natural, a forma de poder, institucionalizada num tipo de domínio: o patrimonialismo, cuja natural, a forma de poder, institucionalizada num tipo de domínio: o patrimonialismo, cuja legitimidade assenta no tradicionalismo – assim é porque sempre foi.
legitimidade assenta no tradicionalismo – assim é porque sempre foi.
c) O patrimonialismo estatal, no Brasil, incentivou o setor especulativo da economia e c) O patrimonialismo estatal, no Brasil, incentivou o setor especulativo da economia e predominantemente voltado ao lucro como jogo e aventura,
predominantemente voltado ao lucro como jogo e aventura, ou, na outra face, interessadoou, na outra face, interessado no desenvolvimento econômico sob o comando político; para satisfazer imperativos ditados no desenvolvimento econômico sob o comando político; para satisfazer imperativos ditados pelo quadro administrativo, com seu componente civil e militar.
pelo quadro administrativo, com seu componente civil e militar.
d) O brasileiro que se distingue há de ter prestado sua colaboração ao aparelhamento d) O brasileiro que se distingue há de ter prestado sua colaboração ao aparelhamento estatal, não na empresa particular, no êxito dos negócios, nas contribuições à cultura, mas estatal, não na empresa particular, no êxito dos negócios, nas contribuições à cultura, mas numa ética confuciana do bom servidor, com carreira administrativa e curriculum vitae numa ética confuciana do bom servidor, com carreira administrativa e curriculum vitae aprovado de cima para baixo.
aprovado de cima para baixo.
e) Na peculiaridade histórica brasileira, a camada dirigente atua em nome do interesse e) Na peculiaridade histórica brasileira, a camada dirigente atua em nome do interesse público, servida dos instrumentos políticos derivados d
público, servida dos instrumentos políticos derivados de sua posse do aparelhamentoe sua posse do aparelhamento estatal. Ao receber o impacto de novas forças sociais, a categoria estamental as amacia, estatal. Ao receber o impacto de novas forças sociais, a categoria estamental as amacia, domestica, embotando-lhes a agressividade transformadora, para incorporá-las a valores domestica, embotando-lhes a agressividade transformadora, para incorporá-las a valores próprios, muitas vezes mediante a adoção d
próprios, muitas vezes mediante a adoção de uma ideologia diversa, se compatível com oe uma ideologia diversa, se compatível com o esquema de domínio.
esquema de domínio.
Questão copiada do livro de Raymundo Faoro. Segundo o autor: Questão copiada do livro de Raymundo Faoro. Segundo o autor:
a) A comunidade política conduz, comanda, supervisiona os negócios, como negócios a) A comunidade política conduz, comanda, supervisiona os negócios, como negócios privados seus, na origem, como negócios
privados seus, na origem, como negócios públicos depois, em linhas que se demarcampúblicos depois, em linhas que se demarcam gradualmente. O súdito, a sociedade, se compreendem no âmbito de um aparelhamento a gradualmente. O súdito, a sociedade, se compreendem no âmbito de um aparelhamento a explorar, a tosquiar nos casos extremos. A autocracia autoritária pode operar sem que o explorar, a tosquiar nos casos extremos. A autocracia autoritária pode operar sem que o povo perceba seu caráter
povo perceba seu caráter ditatorial, só emergente nos conflitos e tensões, quando os ditatorial, só emergente nos conflitos e tensões, quando os órgãosórgãos estatais e a carta constitucional cedem ao real, verdadeiro e atuante centro de poder político. estatais e a carta constitucional cedem ao real, verdadeiro e atuante centro de poder político. Em última análise, a soberania popular não existe, senão como farsa, escamoteação ou Em última análise, a soberania popular não existe, senão como farsa, escamoteação ou engodo.
b) A comunidade política conduz, comanda, supervisiona os negócios, como negócios privados seus, na origem, como negócios públicos depois, em linhas que se demarcam
gradualmente. O súdito, a sociedade, se compreendem no âmbito de um aparelhamento a explorar, a manipular, a tosquiar nos casos extremos. Dessa realidade se projeta, em florescimento natural, a forma de poder, institucionalizada num tipo de domínio: o
patrimonialismo, cuja legitimidade assenta no tradicionalismo – assim é, porque sempre fo i. c) Sempre, no curso dos anos sem conta, o patrimonialismo estatal, incentivando o setor especulativo da economia e predominantemente voltado ao lucro como jogo e aventura, ou, na outra face, interessado no desenvolvimento econômico sob o comando político, para satisfazer imperativos ditados pelo quadro administrativo, com seu componente civil e militar.
d) O estamento burocrático desenvolve padrões típicos de conduta ante a mudança interna e no ajustamento à ordem internacional. Gravitando em órbita própria não atrai, para fundir-se, o elemento de baixo, vindo de todas as classes. Em lugar de integrar, comanda; não conduz, mas governa. Incorpora as gerações necessárias ao seu serviço, valorizando
pedagógica e autoritariamente as reservas para seus quadros, cooptando-os, com a marca de seu cunho tradicional. O brasileiro que se distingue há de ter prestado sua colaboração ao aparelhamento estatal, não na empresa particular, no êxito dos negócios, nas contribuições à cultura, mas numa ética confuciana do bom servidor, com carreira administrativa e
curriculum vitae aprovado de cima para baixo.
e) ERRADA: a camada dirigente atuava em nome próprio, e não em nome do interesse público.
a peculiaridade histórica brasileira, todavia, a camada dirigente atua em nome próprio, servida dos instrumentos políticos derivados de sua posse do aparelhamento estatal. Ao receber o impacto de novas forças sociais, a categoria estamental as amacia, domestica, embotando-lhe a agressividade transformadora, para incorporá-las a valores próprios,
muitas vezes mediante a adoção de uma ideologia diversa, se compatível com o esquema de domínio. As respostas às exigências assumem caráter transacional, de compromisso, até que o eventual antagonismo dilua, perdendo a cor própria e viva, numa mistura de tintas que apaga os tons ardentes. As classes servem ao padrão de domínio, sem que orientem a mudança, refreadas ou combatidas, quando o ameaçam, estimuladas, se o favorecem. O sistema compatibiliza-se, ao imobilizar as classes, os partidos e as elites, aos grupos de pressão, com a tendência de oficializá-los.
A outra questão cobrava a visão de Sérgio Buarque de Holanda
(ESAF/APO-MPOG/2010) Para Sérgio Buarque de Holanda, o Brasil possui uma série de características em sua formação política que o levaram à sua afirmação célebre: “A
democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido”. Todas as afirmações abaixo estão relacionadas ao pensamento de Sérgio Buarque de Holanda, exceto:
a) já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o “homem cordial”. Ou seja, o homem com “boas
maneiras”, civilidade, que se caracteriza por uma noção ritualista da vida caracterizada pela moderação e racionalidade instrumental, ou seja, de meio e de fins (‘ser cordial’).
c) é curioso notar-se que os movimentos aparentemente reformadores, no Brasil, partiram quase sempre de cima para baixo: foram de inspiração intelectual, se assim se pode dizer, tanto quanto sentimental.
d) em geral, nos países latino-americanos, onde quer que o personalismo – e a oligarquia, que é o prolongamento do personalismo no espaço e no tempo – conseguiu abolir as
resistências liberais, assegurou-se, por essa forma, uma estabilidade política aparente que, de outro modo, não seria possível.
e) a fermentação liberalista que precedeu a proclamação da independência constitui obra de minorias exaltadas, sua repercussão foi bem limitada entre o povo, bem mais limitada, sem dúvida, do que o querem fazer crer os compêndios da história pátria.
Questão também com as alternativas copiadas do livro do autor:
Buarque de Holanda fala o “homem cordial”, mas a cordialidade aqui não se refere à civilidade nem à polidez, vem na realidade de “cordes”, coração. O brasileiro teria dificuldade de desvincular os laços familiares quando se torna um cidadão. O homem cordial é generoso, mas para confiar em alguém precisa conhecê-lo primeiro. Gera-se uma intimidade com os demais, o que possibilita chamar qualquer um pelo primeiro nome e usar o sufixo “inho” para as mais diversas situações.
Não há rigor. Não existe distinção entre o público e o privado: todos são amigos em todos os lugares. No Brasil, o Estado acaba sendo apropriado pela família, os homens públicos são formados no círculo doméstico, onde laços sentimentais e familiares são transportados para o ambiente do Estado, é o homem que tem o coração como intermédio de suas
relações.
Segundo o autor:
b) É curioso notar-se que os movimentos aparentemente reformadores, no Brasil, partiram quase sempre de cima para baixo: foram de inspiração intelectual, se assim se pode dizer, tanto quanto sentimental. Nossa independência, as conquistas liberais que fizemos durante o decurso de nossa evolução política vieram quase de surpresa; a grande massa do povo recebeu-as com displicência, ou hostilidades.
c) Na verdade, a ideologia impessoal do liberalismo democrático jamais se naturalizou entre nós. Só assimilamos efetivamente esses princípios até onde coincidiram com a
negação pura e simples de uma autoridade incômoda, confirmando nosso instintivo horror às hierarquias e permitindo tratar com familiaridade os governantes. A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semi-feudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no velho mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas.
d) A oligarquia é o prolongamento do personalismo no espaço e no tempo – conseguiu abolir as resistências liberais, assegurou-se, por essa forma, uma estabilidade política aparente, mas que, de outro modo, não seria possível.
e) A fermentação liberalista que precedeu à proclamação da independência constitui obra de minorias exaltadas, sua repercussão foi bem limitada entre o povo, bem mais limitada, sem dúvida, do que o querem fazer crê os compêndios de história pátria.
Outros autores importantes e que podem ser cobrados são os seguintes:
• Joaquim Nabuco - Principais obras: O Abolicionismo (1883), Um Estadista do
Império (1897 a 1899) e Minha Formação (1900).
• Gilberto Freyre - Principais Obras: Casa-Grande e Senzala (1933) e Sobrados e
Mocambos (1936).
• Caio Prado Junior - Principal obra: “Formação do Brasil Contemporâneo” (1942). • José Murilo de Carvalho – Principais obras: “Construção da ordem: a elite política