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Braz. j. . vol.81 número1

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Academic year: 2018

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© 2015 Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. Braz J Otorhinolaryngol. 2015;81(1):6-7

www.bjorl.org.br

OTORHINOLARYNGOLOGY

Brazilian Journal of

EDITORIAL

Let us do it ourselves

Façamos nós mesmos

Tradicionalmente, grandes empresas da área médica apre-sentam “objetos do desejo” que nem sempre são aplicações realmente esperadas. Reiteradamente, essas “propostas” vêm acompanhadas de uma enorme campanha de marketing (ou convencimento). Locais seletos recrutam engenheiros e, ocasionalmente, profissionais da saúde para desenvolver (geralmente a portas fechadas) novas “gerações” de antigos equipamentos.

De altíssimo valor agregado, esse meio de inovação enca-rece e restringe o alcance da população à chamada “tecno-logia de ponta”. Surge então o jargão do “prego procurando o martelo”, ou seja, uma solução à procura de uma aplica-ção.

Sabemos do potencial natural de nosso paísa e do subde-senvolvimento crônico quando tratamos de inovações radi-cais. Raras empresas, como a Embrapa e Embraer, mudam o modo como nos relacionamos com o meio ambiente e o mundo. Agências como a Fapesp1 e confederações como o

Senai2 buscam aproximar os pesquisadores das empresas.

Com isso, acredita-se acelerar a aplicação da ciência na so-ciedade, sem deixar de investir na produção de conheci-mento. O governo prioriza áreas que considera estratégicas e recentemente lançou as plataformas do conhecimento3

também com o intuito de oferecer soluções a gargalos tec-nológicos. Mesmo com todo esse movimento, a velocidade de transformação ainda é lenta.

A estratégia “do it yourself” (DIY) tem sido usada na área da saúde. De maratonas tecnológicas chamadas de hackato-nes4 a kits internacionais,5 grupos buscam dar poder a

co-munidades locais na produção de soluções que melhorem a qualidade de vida da população.

Com a disseminação e simpliicação de ferramentas, como

as impressoras 3D, arduínos e linguagem de programação, até crianças são convocadas a desenhar produtos.6 Essa

rea-DOI se refere ao artigo: http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2014.11.002

Como citar este artigo: Schor P. Let us do it ourselves. Braz J Otorhino-laryngol. 2015;81:6-7.

lidade contrasta agudamente com o que a área médica está acostumada a chamar de inovação.

Em nosso meio, seguimos esse caminho, dando início ao movimento MedHacker.7 Trata-se de um grupo universitário

ligado ao Departamento de Oftalmologia da Escola Paulista de Medicina, formado por pessoas com expertise em diver-sas áreas (médica ou não). Nele são incentivadaa a criativi-dade e a ousadia pouco conservadoras e convencionais, “para o bem de todos”.

Com uma equipe plural, que vai de médicos a historiado-res e designers, o “MedHacker” propõe levar o conceito de inovação a fundo, entendendo o ser humano como fonte tanto do conhecimento do problema como de soluções prá-ticas na área da saúde.8 São desenhadas soluções conjuntas

a partir de vivências, levando em conta a usabilidade e uti-lidade das produções. Modelam-se materiais e propõem-se

críticas cientíicas e humanísticas, tendo como foco os pa -cientes e sustentadas no profundo conhecimento das bases teóricas pertinentes.

Este modelo alternativo e moderno tem produzido protó-tipos e motivado jovens, que formam empresas e se agru-pam em incubadoras. Uma geração incentivada a criar, e não somente consumir. Um possível caminho para a susten-tabilidade e crescimento de que tanto precisamos, dimi-nuindo a dependência tecnológica e apontando para um futuro a ser construído por nós mesmos.

Conlitos de interesse

O autor declara não haver conlitos de interesse.

Referências

1. http://www.fapesp.br/58

(2)

EDITORIAL 7

3. http://www.brasil.gov.br/ciência-e-tecnologia/2014/07/ministro-apresenta-bases-teoricas-de-plataformas-do-conhecimento 4. http://india.media.mit.edu/diy/#home

5. http://littledevices.org/little-devices-big-ideas/diy-medical-technology-group-overview/

6. http://static.squarespace.com/static/5274eedce4b0298e6a c5effd/t/53833733e4b08f61e7a5ffa6/1401108275111/ Designathon 2305.pdf

7. http://www.unifesp.br/ligas/medhacker/medhacker-voce-e-um-deles/

8. https://www.facebook.com/paulo.schor.7/posts/1020530 7983199812

Paulo Schor

Departamento de Oftalmologia, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil

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