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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO/PUC-SP
Verónica Andrea Peralta Meléndez Molina
O uso do vídeo na Sala de Aula Invertida: uma experiência no Colégio Arbos de Santo André.
Tecnologias da Inteligência e Design Digital
São Paulo 2017
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO/PUC-SP
Verónica Andrea Peralta Meléndez Molina
O uso do vídeo na Sala de Aula Invertida: uma experiência no Colégio Arbos de Santo André.
Tecnologias da Inteligência e Design Digital
Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, sob a orientação da Profª. Drª. Ana Maria Di Grado Hessel.
São Paulo 2017
3 Verónica Andrea Peralta Meléndez Molina
O uso do vídeo na Sala de Aula Invertida: uma experiência no Colégio Arbos de Santo André.
Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, sob a orientação da Profª. Drª. Ana Maria Di Grado Hessel.
Aprovada em: ____ de _______________ de 2017.
BANCA EXAMINADORA
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____________________________________
4
Para
A minha saudosa mãe.
5
Para
Ao meu marido, Nilson, por compartilhar dos meus sonhos com carinho e apoio incondicional.
As minhas amigas, Luciana, Margarete, Patricia, Silvia e Valesca por serem a luz no meu caminho.
A minha família, por me descortinar o caminho do conhecimento.
E a Deus, pela oportunidade da vida.
6 AGRADECIMENTOS
À Profª. Dra Ana Maria Di Grado Hessel e ao Prof. Dr.João Mattar, pelo acolhimento amigo, pelas oportunidades, pelos incentivos, pela prontidão e presteza em sempre me atender e pelo aprendizado. Agradeço pela confiança, atenção e carinho dedicados a mim.
À Profª. Ana Maria Di Grado Hessel, por ter despertado em mim o fascínio pela área acadêmica, pelo exemplo de docente e pesquisadora. Sua paixão pela pesquisa é contagiante.
À Edna por todos os auxílios e simpatia com que me atendeu durante meu mestrado.
Aos amigos da pós-graduação, pelos momentos de alegria.
À Valesca e Silvia, pela parceria, apoio moral e paciência durante o mestrado.
Ao Nilson, sempre presente na condução e realização dos meus sonhos, por acreditar em mim e tornar a caminhada mais bela.
Ao meu pai, Ricardo, exemplo de cumplicidade.
À minha família por sempre me incentivarem.
À minha saudosa mãe pelo pedido antes de sua morte. Está em todas as minhas orações
Às minhas amigas, Luciana, Patrícia e Margarete, pelas orientações e por sempre me incentivarem.
À Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, por fazer parte de minha vida e nos ofertar o conhecimento.
Vocês são meu alicerce. Nada seria possível sem vocês!
7 RESUMO
Este projeto tem como objetivo a utilização dos vídeos educacionais como ferramenta de aprendizagem na Sala de Aula Invertida e abordaremos sobre quais aplicativos e estratégias podem ser usados com esse novo modelo pedagógico para que haja um bom aproveitamento, tanto por parte do aluno, quanto por parte do professor. Na nossa análise, o uso dessa ferramenta metodológica possibilita a construção de uma aprendizagem significativa, dinâmica e autônoma, o que evidencia uma melhora no aproveitamento das atividades e temáticas propostas em sala de aula. Nesta pesquisa, apontamos como o uso do vídeo na Aula Invertida viabiliza aulas com explicações menos extensas, diretas e objetivas; quando gravadas em vídeo, que podem ser acessados pelos alunos por meio de seus dispositivos móveis, computadores de mesa e Ipads. Dessa forma o tempo de sala de aula é liberado para ser aplicado em outras atividades de aprendizagem como, por exemplo, exercícios individuais ou em duplas, discussões, projetos ou trabalhos em grupo, tendo o professor tempo disponível em sala para atuar como mediador. A pesquisa observa o uso dos vídeos na Sala de Aula Invertida no Colégio Arbos, de Santo André, e tenta entender se e como o uso do vídeo na Sala de Aula Invertida auxilia na construção do ensino aprendizagem.
Palavras-chave: Sala de Aula Invertida, Ensino-aprendizagem, Estilos de Aprendizagem, Papel do Professor, Papel do Aluno.
8 ABSTRACT
This project reflects about the use of educational videos as a learning tool in Flipped Classroom and discusses what applications and strategies can be used with this new methodology for better use, both the student and the teacher. In our analysis, the use of this methodology allows construction of a significant learning with more dynamism and autonomy, improving the use of the proposed activities and topics in the classroom. In this research, we will also point out how using video in Flipped Classroom makes classes with less extensive explanations possible, direct and objective, when recorded on video that can be accessed by students through mobile devices, desktop computers and Ipads. Class time is released for use in other learning activities such as individual exercises or in pairs, discussion, projects or group work, having the teacher available in the classroom to act as mediator. The research noted the use of the videos in Flipped Classrooms in ‘Colégio Arbos’, in Santo André, and tried to understand if this tool helped in building meaningful learning and how it helped. The research methodology that was used was the case study. The teachers answered a questionnaire and the dice studies were performed through content analysis of Bardin.
Keywords: Flipped Classroom, Teaching-learning, Learning Styles, Teacher's Role, Student's role.
9 LISTA DE FIGURAS
Fig.1 - Hangout Líder GEG Santo André...
Fig.2 - Grupo de Estudos Arbos em Ensino Híbrido e Metodologias Ativas...
Fig.3 - Foto tirada por Verónica Meléndez no 3º Congresso Europeu Flipped Classroom - Madrid – Espanha...
Fig.4 - Foto tirada por Verónica Meléndez no 3º Congresso Europeu Flipped Classrom – Madrid - Espanha – Jon Berghmann...
Fig.5 - Camtasia Studio – disponível em 19/06/2017...
Fig. 6 - Screencastomatic...
Fig. 7 - Jing 4...
Fig.8 - Capture Cast Chrome Screen Recording...
Fig. 9 - Active Presenter...
Fig.10 - Power Point...
Fig. 11 - Kahoot...
Fig.12 - Quizzes...
Fig.13 - Linoit...
Fig.14 - LiveShare...
Fig.15 - Flockdraw...
Fig.16 - Storify...
Fig.17 - Docs Story Builder...
Fig.18 - MindMeister...
Fig. 19 - Realtime Board...
Fig. 20 - Team up...
Fig. 21 - All Our Ideas...
Fig. 22 - Tricider...
Fig.23 - Powtown...
Fig. 24 - Socrative...
Fig.25 - Nearpod...
Fig. 26 - Moovly...
Fig. 27 – Thinglink...
Fig. 28 - Tabela Metodologias Ativas...
16 16
18
18 23 24 25 26 27 27 35 36 36 37 37 38 38 38 39 39 40 40 41 41 42 42 43 49
10 Fig. 29 - Comparação de alguns elementos de ensino baseado no professor
e mediado pelo professor...
Fig.30 - Modelo centralizado no professor e no aluno...
Fig. 31 - TAXONOMIA DE BLOOM...
Fig. 32 - TAXONOMIA DE BLOOM REVISADA...
Fig. 33 - TAXONOMIA DE BLOOM REVISADA...
Fig. 34 – Mosyle...
Fig.35 - Página de entrada de atividades no Mosyle.(SCULE)...
Fig.36 - Atitude Filosófica- Sexto Ano...
Fig.37 - A Segunda Guerra Mundial...
Fig. 38 - Introdução à Filosofia...
Fig. 39 - Conversa sobre história...
Fig. 40 - Definições Filosóficas...
Fig. 41 – Scule...
Fig. 42 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 43 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 44 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 45 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 46 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 47 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 48 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 49 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 50 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 51 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 52 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 53 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 54 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 55 – Tutorial Scule / Mosyle...
Fig. 56 – Tutorial Scule / Mosyle...
54 56 60 61 62 65 65 74 76 78 80 82 84 84 85 85 86 86 87 87 88 88 89 89 90 90 91 91
11 SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...
CAPÍTULO 1: RELATOS SOBRE O USO DA SALA DE AULA INVERTIDA..
CAPÍTULO 2: METODOLOGIAS ATIVAS...
2.1 –Aprendizagem...
2.2 - Aprendizagem significativa...
2.3 – Estratégia...
2.4 – Método...
2.5 - Método (didático ou de ensino)...
2.6 - Modelo (pedagógico)...
2.7 – Técnica...
2.7.1 - Sala de aula invertida...
2.7.2 – História...
2.7.3 - O papel do professor em uma aula na Sala de Aula Invertida...
2.7.4 - As ferramentas para inverter a aula e a aprendizagem...
CAPÍTULO 3: ONDE TUDO COMEÇOU - PROJETO ARBOS...
3.1 - COLEGIO ARBOS: a semente de uma árvore da educação...
CAPÍTULO 4: OS VÍDEOS...
4.1 – História...
4.2 - Produção de vídeos para a Sala de Aula Invertida...
4.3 - Vídeos elaborados para as antecipações das aulas de Filosofia no segmento Fundamental II no Colégio Arbos de Santo André...
4.4 - PLATAFORMA MOSYLE (SCULE)...
CONCLUSÃO...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...
ANEXOS...
12 30 46 46 46 46 47 47 47 47 50 51 52 58 63 66 69 69 72 73 83 92 94 98
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INTRODUÇÃO
TRAJETÓRIA PESSOAL
Essa história, assim como toda história, poderia ser escrita de incontáveis maneiras.
Foram muitos os motivos e os caminhos que me trouxeram ao mestrado no programa do TIDD:
um deles a necessidade de fazer um mestrado. A escolha pelo tema foi um feliz acaso após uma primeira tentativa fracassada com outro que nada tinha relacionado comigo ou com meu trabalho.
Em 2007, fui convidada a dar aula no Colégio Metodista que fica ao lado do Campus Rudge Ramos da Universidade Metodista. Nessa época iniciei meus estudos em letras espanhol-português EAD na Metodista, meu pólo era em Mauá no Colégio Rio Branco mas muitas vezes fiquei e participei das aulas no Campus observando e aprendendo todo o processo da aula. Foi uma época muito produtiva como aluna, pois conheci os dois lados: a sala de aula que ficava em outra cidade e todo o Design Instrucional para que a aula acontecesse.
Já graduada em Letras português-espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo e
13 também em nutrição pela Universidade São Judas de São Paulo, nascida em Santiago do Chile mas criada no Brasil, sempre estive atenta ao uso das tecnologias na educação, tanto que minha pós graduação na Anhembi Morumbi também foi feita a distância. Essas experiências desenvolveram meu gosto por realizar cursos online. São raros os cursos presenciais que participo atualmente e o uso das redes sociais para pesquisa e compartilhamento de novas experiências me levaram a pesquisar inicialmente sobre MOOCS e a participar de vários desses nacionais e internacionais. Tenho um portal sobre a língua espanhola-Poetal EAD Brasil- Español 1 e outro sobre Aula Invertida: uma metodologia ativa2.
Atualmente sou professora de espanhol mas já lecionava em cursos livres e para executivos de empresas há 15 anos. Especialista em tecnologia da educação pela Universidade Anhembi Morumbi de São Paulo, Máster en enseñanza del español como lengua extranjera para ES- España- Fundación Comillas Universidad de Cantábria.
Tenho participado tanto como ouvinte como palestrante de vários congressos e eventos como:
JOVAED 2014, CIAED2014, CIAED2015, ANPED2012,
1 Disponível em: <https://www.facebook.com/portaleadbrasillinguaespanhola/>.
2 Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/1053737267978331/>.
14 SENID2013, SENID2014, EAD VI JORNADA EDUCAÇÃO A DISTANCIA, EAD VII JORNADA EDUCAÇÃO A DISTANCIA, PROJETO ALICE BRASIL- MACKENZIE na qual participei com um artigo sobre MOOC3 nos anais do Congresso Biênio 2013 e Biênio 2014-2015, BETT EDUCAR pelo Colégio Arbos.
Em 2012, fui convidada a trabalhar no Colégio Arbos de Santo André que na época estava iniciando seu projeto inovador junto com a Apple.
Era o início da implantação do modelo pedagógico Sala de Aula invertida em que os alunos obteriam como parte do material escolar os Ipads da Apple. Começava neste período minha relação com este modelo pedagógico ainda pouco conhecido na época. Foram 4 anos de capacitações, mudanças, compartilhamentos de experiências, estudos, tanto que conseguimos o reconhecimento da multinacional Apple, nomeando-nos Apple Distinguished School 4 . Percebi que a mudança do tradicional para a inovação requer esforço, manter a mente aberta sempre a novos conhecimentos.
Atrelado aos meus estudos sobre a metodologia ativa Sala de Aula Invertida faço
3 Anais_2013%5b1%5d%20(1)-1 (p.87).
4 Disponível em: <http://www.arbos.com.br/Diferenciais/SitePages/AppleDistinguishedSchool.
aspx?mobile=0>.
15 um curso de extensão no Instituto Singularidades sobre Metodologias Ativas para uma Inovação Educadora que tem como proposta a reflexão sobre como ensinar e como aprender com metodologias ativas, problemas, projetos num contexto de educação híbrida com apoio de tecnologias digitais, combinando e integrando atividades presenciais e online. A junção desse curso, minha liderança no Grupo de educadores Google5- GEG6 Santo André (fig.1), meu trabalho no Colégio Arbos7 no uso da aula invertida e de todos os cursos, congressos e seminários nos quais participo e apoio do Colégio deu início ao Grupo de Estudos Arbos em Ensino Híbrido e Metodologias Ativas8(fig.2), este grupo foi criado para que pudéssemos compartilhar nossas experiências nas diferentes áreas que atuamos já que nosso tempo devido ao trabalho não favorece para essa troca de informações no horário de trabalho.
5 Grupo de Educadores Google.
6 Disponível em: <https://plus.google.com/u/0/b/106472575843557253313/+GEGSantoAndr%
C3%A92015>.
7 Disponível em: <http://www.arbos.com.br/Diferenciais/SitePages/AppleDistinguishedSchool.aspx?
mobile=0>.
8 Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/233497727050789/>.
16
Fig.1 - Hangout Líder GEG Santo André
Fig.2- Grupo de Estudos Arbos em Ensino Híbrido e Metodologias Ativas
17 Em abril deste ano, tive a grata oportunidade de participar do 3º CONGRESO EUROPEU FLIPPED CLASSROOM9 (fig.3 e anexos) em Madrid- Espanha com a presença de Jon Bergmann10(fig.4). Pude compartilhar experiências, socializar e entender o uso da Sala de Aula Invertida desde o Fundamental I até o Ensino Superior, bem como a importância do uso dos vídeos como ferramenta, não só como antecipação de aulas mas também um apoio contínuo de estudo para os diferentes perfis de alunos que temos em sala de aula. Um ponto muito importante percebido por mim durante o Congresso foi o de perceber que nosso colégio se encontra muito além do que muitas escolas europeias na aplicação deste modelo pedagógico. Foi muito motivador. Outros pontos a serem considerados foram os estudos teóricos que ocorreram durante os três dias de Congresso, consolidei conhecimentos, aprendi muito, e pude me auto avaliar e ter um referencial do quanto aprendi nos quatro anos de aprendizado no Colégio.
9 Fotos do Congreso Europeo Flipped Classroom tiradas por Verónica Andrea Peralta Melendez se encontram em anexo. Disponível em: <www.flipconspain.com>.
10 Disponível em: <http://flippedlearning.org/author/Jon-Bergmann/>.
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Fig.3- Foto tirada por Verónica Meléndez no 3º Congresso Europeu Flipped Classroom - Madrid - Espanha
Fig. 4 - Foto tirada por Verónica Meléndez no 3º Congresso Europeu Flipped Classroom – Madrid - Espanha – Jon Bergmann
19 No último dia fui convidada a apresentar o Colégio Arbos ao Congresso. Isso não estava previsto11. Foi emocionante, me senti orgulhosa por fazer parte desse momento e muito mais após a apresentação pois senti que estava no lugar certo, fazendo meu trabalho com amor. Sem comentar a alegria e surpresa do próprio Colégio quando soube dessa minha apresentação.
Toda essa narrativa, meu trabalho, a participação no Congresso, minha certificação Internacional na Flipped Classroom Nivel I, tudo isso geraram mais subsídios para o desenvolvimento desta dissertação que tem como objetivos o uso do vídeo nas aulas invertidas no Colégio Arbos no segmento Fundamental II, neste caso escolhi vídeos mais elaborados da matéria de Filosofia, pois apesar de ser uma matéria de estudo na qual os alunos não tem muito interesse no geral, no nosso Colégio isso não acontece.
Já de volta ao Brasil fiz a Certificação Internacional em espanhol da Sala de aula Invertida Nivel I12
A Flipped Learning Global Initiative (FLGI), uma federação mundial de educadores, investigadores, tecnólogos, expertos e formadores,
11 Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ajbZVi01oYo>.
12 Disponível em: <http://www.theflippedclassroom.es/certificacion-flipped-learning-nivel-i/>.
20 desenharam e criaram “La Certificación en Flipped Learning”.
Se trata de um curso composto por n0ve módulos, que se realizam a distância, com liberdade de tempo e espaço, e que contem fóruns e atividades desenhadas para ampliar os conhecimentos e orientar o aprendiz ao colocar o modelo pedagógico em prática. Esta certificação é ministrada por Jon Bergmann e Raúl Santiago.
Vivemos em um novo cenário educacional, a forma que ensinamos e a maneira que os estudantes aprendem mudaram consideravelmente, nossos lares e instituições de ensino podem ter ainda a mesma aparência mas vivemos em um mundo excepcionalmente novo, caracterizado por um grande aumento da instabilidade, da incerteza, da complexidade y da ambiguidade, uma mudança que só não é mais rápida, mas está em constante aceleração, cérebros e mentes que se estendem e amplificam, graças ao uso das novas tecnologias e redes globais que nos conectam a todos no planeta , tanto com os recursos disponíveis como com as demais pessoas. Se trata de um contexto absolutamente novo e diferente para todos nós. As funções delegadas no âmbito educacional se completam, o trabalho do professor atualmente é o de se adaptar a esse contexto do mesmo modo que todos os seres humanos em diferentes situações e épocas se adaptaram as mudanças, ou seja, o professor detentor da informação passa a mediador, o antigo papel educativo de transmitir informação tem sido substituído por ensinar aos seus alunos a ensinar a si mesmos, o aluno, que antes somente recebia a informação passa a protagonista, pois passa a pesquisar, opinar, debater, participar do desenvolvimento de seu conhecimento e tem a tecnologia como uma aliada nesse processo.
As ferramentas tecnológicas permitem, por exemplo, que as aulas ministradas na sala de aula sejam gravadas e assistidas posteriormente. É importante ressaltar que a estratégia de registrar as aulas em vídeo não é recente, no entanto, percebemos que ela vem, cada vez mais, se consolidando como uma ferramenta importante no
21 processo ensino-aprendizagem. O que nossos alunos precisam de seus professores é que eles sejam seus treinadores para o futuro.
Entre as primeiras adaptações ao novo contexto educacional é o dos professores deixarem de ser unicamente transmissores de informação para transmissores de competências, ou seja, no caso da Sala de Aula Invertida, a transmissão por competência ocorre quando a informação chega aos alunos por meio de métodos de armazenamento e transmissão de conhecimento atualizados (vídeos ao invés de livros), e mostrar aos alunos as habilidades para recuperar a informação e apropriar-se do conhecimento.
Em muitas instituições, o ensino tradicional está sendo substituído por novas metodologias, mais ativas, dinâmicas e urgentes. Metodologias que exigem maior dedicação por parte do aluno na efetivação das tarefas solicitadas e um maior contato com a tecnologia por parte dos professores para a elaboração de suas aulas. Este maior contato tem como um dos objetivos da pesquisa o de enriquecer a aula, desenvolver habilidades, ampliar conhecimentos e, em muitos, servir como um instrumento de reposição de aulas perdidas pelos alunos ou de revisão do conteúdo em um momento posterior. O registro das aulas também possibilita a montagem de uma videoteca online do professor que poderá ser usada em aulas futuras. A tecnologia atua ainda como um importante instrumento de ajuda para os alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem.
Esta dissertação tem como um modelo pedagógico que está sendo apropriado nos espaços escolares, do ensino básico ao superior, a Sala de Aula Invertida, um modelo pedagógico criado em 2007 por dois professores de química norte- americanos, Jonathan Bergmann e Aaron Sams. A ideia surgiu na tentativa de minimizar as constantes ausências dos alunos esportistas – que faltavam às aulas por estarem envolvidos em campeonatos e jogos extracurriculares. "Os alunos passavam muito tempo no ônibus, locomovendo-se entre eventos em lugares diferentes", relatam Bergmann e Sams (2016, p.3). Ainda segundo os autores, tudo mudou quando entraram em contato com um software que gravava apresentações de slides em Power Point, incluindo voz e anotações. Este software convertia a gravação em arquivo de vídeo que poderia ser facilmente compartilhado.
A Sala de Aula Invertida transforma a sala de aula em um ambiente colaborativo e interativo, favorecendo um maior engajamento dos estudantes no processo de aprendizagem. É, portanto, uma metodologia de interação e colaboração.
22 Analisar e avaliar a aplicabilidade do uso de vídeos nessa metodologia em sala de aula será o objetivo desta dissertação. A minha experiência como pesquisadora e de meus colegas com o tema teve início há quatro anos, quando o Colégio Arbos de Santo André, no qual atuo como professora de espanhol, inseriu em seu projeto pedagógico a metodologia da Sala de Aula Invertida.
O website do YouTube mal havia começado, e o mundo dos vídeos on-line ainda estava na infância. No entanto ao discutirmos o potencial desse software, percebemos que essa poderia ser uma maneira de impedir que os alunos faltosos também perdessem no desempenho de aprendizagem. Assim na primavera de 2007, começamos a gravar nossas aulas ao vivo, usando o software de captura de tela.
Postávamos as aulas on-line e os alunos as acessavam (BERGMANN, SAMS, 2016 p.3) .
A Sala de Aula Invertida é um modelo pedagógico que transfere determinados processos fora da aula e utiliza o tempo de aula, juntamente com a experiência docente, para facilitar e potencializar processos de aquisição e prática de conhecimentos dentro da aula.
O material mais utilizado nesse modelo pedagógico é, sem dúvida, o vídeo. O método mais fácil de elaborar vídeos é mediante capturadores de tela. Existem vários capturadores de vídeo gratuitos na internet, como os mais utilizados até o momento:
Camtasia Studio 2 (fig.5), Screencast-o-matic3 (fig.6), Jing4 (fig.7), CaptureCast5 (fig.8), Active Presenter 6 ou Office Mix 7 (fig. 9) e Power Point (fig. 10).
Camtasia Studio
É uma ferramenta de captura e gravação de tela para Windows e Mac. Além disso possui diversas opções para edição e montagem de vídeos sendo ideal para a criação de tutoriais em vídeo e apresentações de slides.
Pode ser usado em: Web", "Blog", "CD/DVD", "HD", "iPhone", "iPod",
"Screencast.com" e "YouTube".
Prós
Funciona bem e ainda traz vídeos explicativos.
Oferece zoom para destacar apenas parte do vídeo.
23 Para edição e criação de vídeos comuns e vídeo tutoriais.
Contras
Versão demo dura pouco e versão definitiva é cara demais.
Muito pesado para computadores com configuração básica.
Fig.5 - Camtasia Studio – disponível em 19/06/2017
Screencast O”Matic
É um programa que oferece ao usuário uma opção bastante interessante de captura de tela. Ao invés de simplesmente fazer screenshots, com imagens estáticas, os usuários que têm o software em seus computadores ou então acessam a versão web do serviço podem gravar vídeos do que está passando em suas telas. O funcionamento dele é simples.
Fonte: https://camtasia-studio.softonic.com.br/#app-softonic-review
24 Prós
Diversas resoluções de gravação.
Personalização do tamanho da tela a ser capturada.
Simples de usar.
Publicação no YouTube.
Contras
Marca d’água na versão grátis.
Muitos recursos disponíveis só no pagina.
Versão web não funcionou nos testes.
Fig. 6 - Screencastomatic
Fonte: Disponível em: <http://aprilpierson.blogspot.com.br/2015/04/screencast-o-matic-version-20- webcam.html> Acesso em: 19/06/2017
25
JING 4
É um aplicativo que permite capturar imagens e vídeos de tudo o que você faz no computador e compartilhá-los na web. Este recurso é muito útil, mas faltam funcionalidades adicionais na hora de capturar.
Prós
Fácil de usar.
Ocupa pouca memória do computador e por isso, não diminui o desempenho dele.
Ferramentas de edição de imagem são muito práticas.
Gratuito.
Contras
Só faz gravação de até 5 minutos.
Necessidade fazer login em um serviço online, pode incomodar muitas pessoas.
Ícone de ativação “sol” pode ficar atrapalhando outros aplicativos.
Fig. 7 - Jing 4
26 Fonte: Disponível em: <http://www.freesoftware4all.co.uk/software/jing disponível em 19/06/2017>
CaptureCast Chrome Screen Recording
Fig.8 – Capture Cast Chrome Screen Recording
Fonte: Disponível em: <https://chrome.google.com/webstore/detail/capturecast-chrome- screen/dmhhfoemgdlphenmfoicajbakonjcgee disponível em 19/06/2017>
Active Presenter
É um aplicativo para quem quer criar uma apresentação de slides muito mais completa e profissional pois permite a captura da tela em forma de vídeo, criando tutoriais bem detalhados, também é possível adicionar slides em branco entre os frames do vídeo para colocar explicações em texto detalhadas.
27
Fig. 9 - Active Presenter
Fonte: Disponível em: <https://activepresenter3.en.softonic.com/> Acesso em: 19/06/2017
Power Point
É um programa de criação e edição de apresentações de slides, para Windows, Android e iOS, que faz parte do pacote Office, também disponibiliza recursos como edição de vídeos e novos efeitos de imagens sendo de fácil utilização.
Fig.10 - Power Point
Fonte: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=g0qBWZpk60g> Acesso em: 19/06/2017>
28 Cada aluno pode ver os vídeos ou outros conteúdos multimídias no seu ritmo antes das aulas, ou seja, o método se adapta ao ritmo dos alunos. Os alunos que precisam de mais tempo para entender e aprender a teoria podem passar mais tempo com a visualização dos materiais. Além disso, tem a possibilidade de deter o vídeo e rebobiná-lo quantas vezes queiram (OLAIZOLA, 2014:1).
Este modelo pedagógico assegura e também requer mais responsabilidade no processo de aprendizagem por parte dos alunos, fomenta a sua colaboração, e, ao mesmo tempo, sua movimentação (KANNINEN-LINDGREN, 2015:31).
As formas de trabalho mais frequentes são os realizados em pequenos grupos e a cooperação por pares, o que melhora o ambiente de trabalho na aula e incrementa a interação e a participação de todos os membros do grupo.
No período de implementação do projeto no Colégio Arbos, foram disponibilizados a infraestrutura e formação necessária, aos docentes e discentes, com recursos e materiais tecnológicos como dispositivos móveis com sistema IOS.
A implantação do projeto Apple – UNO – Sala de Aula Invertida no Grupo dos Colégios Arbos passou por um período de adaptação à nova realidade docente - estávamos cruzando a ponte entre a metodologia centrada no professor, na qual o aluno era mero espectador e aprendia de modo passivo, para uma metodologia em que o aluno assume o protagonismo da sua aprendizagem, tornando-se crítico, observador e autônomo. Houve desenvolvimento e crescimento mútuo entre docentes e discentes, muitos obstáculos foram ultrapassados e o resultado foi sentido por todos.
Cada professor desenvolveu, ao longo do tempo, sua estratégia em sala de aula dentro da Aula Invertida. Após quatro anos de capacitações, tentativas em sala de aula, erros e acertos no processo, compartilhamento de experiências com meus colegas de trabalho, o corpo docente e alunos já trabalham de forma colaborativa. Por conta disso, surgiu a motivação para desenvolver esta dissertação.
Em tal contexto, emerge o seguinte problema de pesquisa: como o vídeo educativo tem sido utilizado na Aula Invertida no Colégio Arbos de Santo André? O objetivo geral é, portanto, descrever o uso do vídeo nas Aulas Invertidas do Colégio Arbos. O objetivo específico, por sua vez, será o de analisar o uso do vídeo na Flipped no contexto educacional.
Essa pesquisa é qualitativa e tem o caráter exploratório porque tem como foco explicar o processo de produção de vídeos para o modelo pedagógico da Sala de Aula Invertida.
29 Ressaltamos que o vídeo não é um meio audiovisual puramente reprodutor de imagens, mas uma tecnologia a favor da aprendizagem. Ferrés (2001) nos recorda que o vídeo é um meio de comunicação e um meio de ensino.
A dissertação organiza-se na seguinte estrutura:
No capítulo 1, abordamos o estado da arte descrevendo literaturas de estudos referentes ao uso de vídeos em aula e da Aula Invertida. Já no capítulo 2, nos aproximamos de conceitos importantes para o conhecimento e entendimento de alguns termos utilizados neste estudo, descrevemos brevemente as metodologias ativas e nos debruçamos mais detidamente sobre a Aula Invertida, seu conceito, o papel do professor e do aluno, as ferramentas utilizadas e a produção de vídeos.
O capítulo 3, conta os bastidores do colégio, nascimento, sua visão, missão, valores.
No capítulo 4. descrevemos sobre o outro protagonista desta pesquisa, o vídeo, contando um pouco de sua história, sua evolução e ingresso na educação.
No capítulo 5, se encontra a conclusão desta dissertação.
A importância deste estudo é o de refletir a importância do uso do vídeo nas antecipações de aula na Sala de Aula de Invertida no Colégio Arbos.
30
CAPÍTULO 1: RELATOS SOBRE O USO DA SALA DE AULA INVERTIDA
“Aprender é se tornar capaz de fazer o que antes não conseguia.”
Peter Senguer (2006)
Os professores que adotaram o método da aula invertida tiveram suas práticas totalmente modificadas, pois não são mais professores que usam o tempo para explanar sobre determinado assunto, vestindo um personagem, motivando os alunos. Transformaram-se agora em professores mediadores, mais próximos de seus alunos, que ouvem, que os conhecem mais profundamente, compartilham dificuldades e sucessos. Os alunos opinam, desenvolvem criticidade, se tornam cidadãos críticos, compartilham ideias e opiniões.
Segundo Bergmann e Sans (2016, p.14) o papel do professor na sala de aula é o de amparar os alunos, não o de transmitir informações.
Lecionar sob o modelo tradicional era exaustivo. Eu me sentia como se tivesse de “representar um papel”, o que exigia energia, entusiasmo e esforços constantes do tipo “ você está em um palco. Lembro-me de uma ocasião, no ano passado, em que dirigia até a escola pensando:
“ Cara, como eu gostaria de ser aluno hoje. Seria bom se eu pudesse entrar em aula e deixar que alguém fizesse todo o trabalho - e eu simplesmente focasse no banco de carona pelo menos uma vez. ” Quando experimentei o método de inversão, senti-me livre. Consegui entrar em aula para observar o trabalho dos alunos.”. (JENNIFER DOUGLAS, WESTSIDE HIGHSCHOOL, MACON, GEÓRGIA, EUA, 2016, P.14).
Eric Mazur13 (2015), em seu livro, narra o que o levou a perceber o problema do ensino tradicional: a apresentação de conteúdo, a aula expositiva, o monólogo.
Descobriu em uma avaliação institucional que os alunos observaram que suas aulas eram uma cópia de suas notas de aula. Refletindo sobre essa questão, explorou novas formas de ensinar física, depois de várias tentativas chegou a um método em que
13 Disponível em: <http://ericmazur.com/>.
31 ensina os fundamentos conceituais de física conduzindo os estudantes a um melhor desempenho na resolução de problemas. Para isso, ele sugeria que as leituras, as aulas em vídeo introdutórias seriam feitas em casa, antes da aula. Em sala os alunos esclareceriam as dúvidas, aprofundariam o conhecimento e praticariam exercícios.
Fagúndez (2014) relata um estudo realizado pela Escola14 de Idiomas Modernos da Universidade Central da Venezuela que fez uma aprendizagem mista sobre aspectos históricos e culturais entre países que falam inglês e espanhol através da disciplina de Inglês II da Escola de Idiomas Modernos da Universidade Central da Venezuela.
Foi analisado de que forma o uso de tecnologias influenciaram dentro e fora da sala de aula, para isso utilizou-se vídeos no processo de ensino-aprendizagem.
O curso é dividido em 3 trimestres e em 3 módulos, sendo eles: gramática, livro de texto, laboratório e componente cultural (impacto político, economia, social e cultura).
A proposta ao longo dos módulos era criar grupos que iriam pesquisar determinados temas, para ao final do trimestre realizar apresentações.
Ao mesmo tempo interagir com os colegas sobre os demais temas. Além das aulas presenciais atuariam no ambiente virtual do Moodle com o intuito de realizarem discussões e trocas de materiais como repositórios.
Posteriormente, o mesmo ambiente seria utilizado para inserir os vídeos que seriam feitos como fruto das apresentações dos alunos em sala.
Para os estudantes "a gravação dos vídeos em particular foi muito útil, foi muito além do que se tinha imaginado, pois se sentiram um pouco nervosos cada vez que estavam diante da câmera”.
Segue, abaixo, questionamentos feitos a eles:
"A: Quão útil você acredita que foi para você e seus colegas ter visto sua gravação?
B: Muito útil!.
C: Bastante, porque os que não foram nesse dia puderam vê-la depois de gravada!
D: Pude ver a mina gravação e a dos outros grupos várias vezes, podia repetir o vídeo se não entendia ou se não me lembrava de algo!
A: Que desvantagem tiveram as primeiras gravações?
14 Disponível em: <http://www.scielo.org.ve/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S07989784201
4000100004&lang=pt>.
32 D: Quando foi a minha vez, fiquei nervoso com a câmera, não sabia se olhava para ela ou não, mas fui me acostumando.
Aproveitaram, dessa maneira, o recurso para se auto avaliarem, observar oportunidades, identificar aspectos em si e em outros colegas, que fossem válidos para sua evolução.
As conclusões foram positivas, a partir da percepção dos alunos sobre o uso deste recurso durante o processo de ensino-aprendizagem.
Rocha (2014) relata um estudo realizado no Ensino superior utilizando a Sala Invertida e a PBL15, com o objetivo de destacar os prós e os contras apontados pelos professores do ensino que participaram da experiência.
Implantou-se duas metodologias ativas nos cursos universitários com a possibilidade de manipulação e utilização de algumas tecnologias (digitais e não digitais) de suporte na aplicação do método.
A conclusão que se chegou foi a percepção de muita relutância por parte de muitos professores em antecipar a aula, pois alegavam que muitos alunos não tinham acesso à internet em casa e falta de tempo, que isso os prejudicaria. Também se percebeu a falta de capacitação dos professores quanto aos objetivos e práticas e que os usos da Sala de Aula Invertida podem interferir de forma positiva ou negativa, e também a falta de apropriação dos conceitos para entender as fases da proposta.
No caso da PBL o aluno aprende sobre um determinado tema por meio de experiências nas resoluções de problemas, tendo como meta educacional o pensar, fazer pelo domínio ou apropriação de conhecimento em grupo.
Colombo, Stahl, Duncan, Schröetter (2014) relatam em seu trabalho que o uso da Sala de Aula Invertida começa também a ser apoiada por ferramentas computacionais para contribuir na melhoria do aprendizado dos alunos do curso de Técnico em Informática do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES).
O objetivo é o de tornar as aulas atraentes, objetivas e com foco no aluno, pois dá ao aluno a oportunidade de ser protagonista de sua própria aprendizagem, com a Sala de Aula Invertida para a disciplina Técnicas de Programação, turno noturno para o 2º módulo do curso, pois ela tem o propósito de capacitar o aluno para o desenvolvimento de software com base no paradigma de programação estruturada, utilizando a linguagem C e neste contexto existem dificuldades inerentes ao processo ensino aprendizagem de algoritmos e programação.
15 Problem Based Learning (PBL) ou Aprendizagem Baseada em Problemas.
33 Optou-se pelo formato de aula tutorial, por meio de captura de tela, as gravações de vídeo foram feitas pela ferramenta Wink16 que tem a função de mostrar tudo o que o usuário executou na tela no período de gravação. A segunda parte é a de planejar e construir os tutoriais que contemplem a ementa da disciplina, de acordo com o modelo pedagógico da Sala de Aula Invertida. O trabalho está em andamento e concluiu-se que com o pouco tempo de uso, os resultados são positivos no uso da Sala de Aula Invertida nas aulas, os alunos trabalharam, se empenharam, solicitaram mais tutoriais, percebeu-se nos alunos a aplicação do conhecimento em seus trabalhos, o uso crítico e criativo dos conteúdos estudados.
Novas propostas de ensino surgem, e novos estudos também. Este, feito pela disciplina Metodologia do Ensino Superior com Tecnologias da Informação-GT5 visa discutir as potencialidades das tecnologias digitais na construção de um novo modelo ensino aprendizagem, em que os alunos passam de indivíduos passivos a ativos e essa metodologia é a Sala de Aula Invertida, a metodologia utilizada neste estudo é a pesquisa bibliográfica e tem como premissa discutir a inserção da Sala de Aula Invertida no âmbito educativo e relatar as atuais do ensino.
Neste estudo citado acima, refletiu-se sobre a inovação que a Sala de Aula Invertida traria para a educação pois colocaria o aluno como protagonista da sua aprendizagem e o professor o mediador, o aluno se torna autônomo, mais responsável, mais crítico, discute-se que as tecnologias podem favorecer o ensino em escolas e faculdades desde que haja engajamento por parte de todos.
Nos ambientes em que o modelo da Sala de Aula Invertida foi implementado os resultados foram favoráveis.
Um estudo foi desenvolvido por comunidades de escolas da Europa com o uso de aplicativos, podcasts, Sala de Aula Invertida e língua estrangeira e teve por objetivo o de mostrar o desenho e o desenvolvimento de um Projeto – o eTwinning17 baseado no modelo da Sala de Aula Invertida para as aulas de francês. O grupo alvo foi uma turma de ensino básico. O processo ocorria por meio de gravação e publicação em um blog de vídeos, os quais continham as explicações, as antecipações das aulas eram também postadas, os podcasts com as leituras dos textos do manual para treino de leitura, ou seja, os alunos aprendem o conteúdo em casa com diferentes recursos
16 Software editor e gravador de vídeos que gera um arquivo em formato flash. Disponível em: <
www.debugmode.com/wink>.
17 Disponível em: <https://www.etwinning.net/pt/pub/index.htm>.
34 e na sala de aula aproveitam para sanar dúvidas, fazer exercícios, atividades em grupo e concretizar projetos. Durante o processo ocorreu o ceticismo por parte dos alunos, porém os dados já indicam que começaram a compreender o método e reconhecer os benefícios para a aprendizagem com vídeos e podcasts, mesmo ainda com alguns alunos preferindo a forma passiva de aprender.
Atualmente discussões sobre alteração no formato educacional (a sala de aula) vem ocorrendo pelo mundo todo.
Muitos países já têm feito essas mudanças.
A Finlândia é uma delas, o site da BBC BRASIL relata o projeto realizado pelo CNPQ e Ministério da Educação denominado projeto Professores do Futuro no qual 5 professores brasileiros escolhidos contam o que viram para a BBC BRASIL, com quais metodologia e projetos eles trabalham.
São as metodologias chamadas de "problem-based learning" e
"project-based learning" (ensino baseado em problemas ou projetos).
Neles, problemas – fictícios ou reais da comunidade – são o ponto de partida do aprendizado. Os alunos aprendem na prática e buscam eles mesmos as soluções.
"Os projetos são desenvolvidos sem o envolvimento tão direto do professor, em que os alunos aprendem não só o conteúdo, mas a gerir um plano e lidar com erros", diz Bruno Garcês, professor de Química do Instituto Federal do Mato Grosso, que pretende aplicar o método em aulas de experimentos práticos.
O objetivo da dissertação é abordar a definição de aula invertida e apresentar um suporte tecnológico variado com base nas ferramentas gratuitas da web 2,0, como o Kahoot18(fig.11), que permite a criação e distribuição de avaliações, como os quizzes,19 (fig.12) ou Linoit20 (fig.13) para a elaboração de um documento final ou para fazer um trabalho coletivo, o Liveshare21 (fig.14), o Flockdraw22 (fig.15) que é uma ferramenta online gratuita que permite que vários usuários possam efetuar um trabalho. Podem também recorrer a ferramentas de trabalho e pintura, como o Storify23 (fig.16) para desenvolver a escrita criativa, o Docs Story Builder24 (fig.17)
18 Disponível em: <https://kahoot.it/#/> Acesso em: 19/06/2017.
19 Disponível em: <http://www.quizzes.com.br/> Acesso em: 19/06/2017.
20 Disponível em: <http://en.linoit.com/> Acesso em: 19/06/2017.
21 Disponível em: <https://liveshare.softonic.com.br/android/download> Acesso em: 19/06/2017.
22 Disponível em: <http://flockdraw.com/> Acesso em: 19/06/2017.
23 Disponível em: <https://storify.com/> Acesso em: 19/06/2017.
24 Disponível em: <https://www.tes.com/lessons/aB4E-gySPNwEqg/google-docs-story-builder> Acesso em: 19/06/2017.
35 usado também para a escrita criativa, o MindMeister25 (fig.18)para criar mapas mentais, o Realtime Board26 (fig.19), Team Up27 (fig.20) que possibilita a formação de grupos divididos por competências e interesses, o All Our Ideas28 (fig.21) é um projeto de investigação para recolha de dados, o Tricider 29 (fig.22) é um estilo de braimstorming, o Powtoon 30 (fig.23) permite a aprendizagem a traves de apresentações animadas e divertidas, o Socrative31(fig.24) é uma aplicação de questões em tempo real, o Nearpod32 (fig.25) é uma ferramenta de apresentação, o Moovly33 (fig.26) é uma plataforma contendo multimídia, gráficos , clips de vídeo e no Thinghlink34 (fig.27) as imagens estáticas passam a ser imagens interativas.
Fig. 11- Kahoot
25 Disponível em: <https://www.mindmeister.com/pt/> Acesso em: 19/06/2017.
26 Disponível em: <https://realtimeboard.com/> Acesso em: 19/06/2017.
27 Disponível em: < https://www.lego.com/en-us/marvelsuperheroes/games/team-up-0743443e72 46463d869aabb06998a7b9> Acesso em: 19/06/2017.
28 Disponível em: <www.allourideas.org/> Acesso em: 19/06/2017.
29 Disponível em: <https://www.tricider.com> Acesso em: 19/06/2017.
30 Disponível em: <https://www.powtoon.com/> Acesso em: 19/06/2017.
31 Disponível em: <https://www.socrative.com/> Acesso em: 19/06/2017.
32 Disponível em: <https://nearpod.com> Acesso em: 19/06/2017.
33 Disponível em: <https://www.moovly.com/> Acesso em: 19/06/2017.
34 Disponível em: <https://www.thinglink.com/> Acesso em: 19/06/2017.
36
Fig.12 – Quizzes
Fig.13 - Linoit
37
Fig.14 – LiveShare
Fig.15 - Flockdraw
38
Fig.16 – Storify
Fig.17 - Docs Story Builder
Fig.18 - MindMeister
39
Fig. 19 - Realtime Board
Fig. 20 - Team up
40
Fig. 21 - All Our Ideas
Fig. 22 - Tricider
41
Fig.23 - Powtown
Fig. 24 - Socrative
42
Fig.25- Nearpod
Fig. 26- Moovly
43
Fig. 27- Thinglink
Percebe-se que a aula invertida é um modelo pedagógico que inverte a forma de estudar, o aluno se autoconhece, se autoavalía, desenvolve seu pensamento crítico, o professor tem uma gama de estratégias e mais tempo para interagir com os alunos em sala de aula, de motivá-los, de aprenderem juntos.
Ensinar é um processo semipresencial com disponibilização antecipada dos conteúdos, principalmente explicações conceituais, para que hajam estudos anteriores ao encontro presencial, visando aproveitar melhor o tempo desse encontro com a aplicação dos conteúdos de forma orientada e grupal. O encontro presencial implica a exploração dos “conteúdos já estudados, realizando atividades práticas como resolução de problemas e elaboração de projetos, discussão em grupo, laboratórios” (VALENTE, 2014, p. 85). Nesse processo, são palavras-chave: mediar, elucidar caminhos, propor desafios, realizar testagens, pesquisar, colaborar e planejar.
Aprender é ter vivências ativas, no ambiente presencial e virtual, em grupo, colaborativas, pesquisando e acessando recursos sugeridos pelo educador e outros
44 relacionados, para criar questões e colaborar com a problematização dos conteúdos explorados em sala de aula.
A relação ensino aprendizagem é dialógica e mediada pelas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação - TDIC, de forma aberta e híbrida com intervenções de acordo com a dificuldade e processo de construção de conhecimento dos participantes. A prática pedagógica deve ser permeada pela pesquisa, contribuindo para o desenvolvimento de autonomia intelectual.
A avaliação da aprendizagem é contínua, diagnóstica e somativa. Contudo, a mais importante e utilizada é a diagnóstica com uso das TDIC, tanto antes quando durante a aula presencial. Sobre este aspecto, verifica-se no método Peer Instruction (PI), desenvolvido pelo Prof. Eric Mazur, que depois de estudar o conteúdo, antes da aula presencial, o aluno responde a um conjunto de questões, por meio de um Learning Management System (LMS). Antes de iniciar o encontro, o professor identifica questões mais problemáticas para explorá-las. “Durante a aula, as discussões são intercaladas com Concept Tests [...] respondidos via sistema de resposta interativo, tipo clicker, de modo que a classe e o professor possam acompanhar o nível de compreensão sobre os conceitos em discussão” (VALENTE, 2014, p. 87). Se ocorre mais de 30% de respostas incorretas, alunos discutem a questão em pequenos grupos. Esse processo possibilita que alunos e professor avaliem o nível de compreensão sobre os conceitos antes de terminar o encontro presencial. Depois de discutir, respondem à questão conceitual novamente, quando o professor fornece feedback, explicando a resposta. O ciclo é então repetido com outra questão, sendo cada ciclo tipicamente de 13-15 minutos. (VALENTE, 2014).
Professor não é mais transmissor de conteúdo e único detentor do conhecimento, mas provocador, mediador e designer da aprendizagem, idealizador de percursos. Deve organizar de forma extremamente planejada um processo de análise, síntese, significação e avaliação do conhecimento. Já o aluno deixa de ser o receptor de conteúdos no processo de ensino-aprendizagem e tem um papel ativo, autônomo, de buscar o conhecimento, confrontá-lo, questionar e registrar suas descobertas, adquirindo papel de protagonista da aprendizagem.
Conteúdos mais indicados: todos os conteúdos de todas as áreas, embora tenha tido evidência nas experiências nas aulas de Ciências Exatas. Não há um fator limitante ligado à sua aplicabilidade, mas o perfil do sujeito aprendente pode ser um complicador, já que o papel dele deve ser ativo e autônomo.
45 As bases teóricas que mais se aproximam desta teoria, são as de Levy Vygostsky que defende a ideia de que a construção do conhecimento ocorre na interação e a aprendizagem parte da problematização dos conhecimentos prévios;
Jonh Dewey que defende que o processo educativo tem como centro o estudante e deve ser fator de humanização e transformação social; Carl Rogers que defende que o foco está no interesse dos alunos, no desenvolvimento da autonomia; Jerome Bruner (aprendizagem por descoberta), David Ausubel (a aprendizagem deve ser significativa e relacionar-se ao interesse do aprendente), Eric Mazur (quando sabemos demais esquecemos as dificuldades conceituais) e Paulo Freire (Os homens educam- se em comunhão, em um processo dialógico que possibilita a transformação do sujeito e do seu mundo).
Os objetivos da aprendizagem na sala de aula invertida, são o de propiciar que alunos desenvolvam autonomia cognitiva e de pesquisa, por meio do contato prévio com conceitos trabalhados por meio de diferentes Objetos de Aprendizagem - OA; estimular situações interativas e colaborativas, de forma que os alunos possam reconstruir conhecimentos; favorecer o desenvolvimento de habilidades de análise e síntese e promover o uso de tecnologias digitais da informação e comunicação para a aprendizagem.
46
CAPÍTULO 2: METODOLOGIAS ATIVAS
A aula expositiva está entre uma das principais estratégias pedagógicas mundiais. Mesmo com a chegada de outras metodologias advindas de autores renomados como Piaget (1976), e o começo do uso de ferramentas de tecnologia educacional, as aulas expositivas ainda sobrevivem no projeto de muitas escolas.
Atualmente, um método que inverte o processo de ensinar dos professores e o de aprender dos alunos: é a sala de aula invertida. Entretanto, antes de nos determos sobre essa metodologia ativa, julgamos importante pontuar os significados de algumas terminologias muito utilizadas nesta área: aprendizagem, aprendizagem significativa, estratégia, método, metodologia, modelo e técnica.
2.1 - Aprendizagem
Vygotsky (1991, p.53) destaca que a aprendizagem é uma atividade em que a colaboração deve existir e deve ter seu espaço. É uma atividade conjunta. Para Skinner (1936), a palavra chave da teoria de Skinner é comportamento. Para ele, a aprendizagem ocorre através de estímulos e reforços, de modo que se torna mecanizada.
2.2 - Aprendizagem significativa
Para David Ausubel (1963) aprendizagem significativa é o ato de unir conteúdos já conhecidos que correlacionam com os que ele acaba de aprender consolidando e ampliando seu conhecimento.
2.3 - Estratégia
Para Thietart (1984) estratégia é o conjunto de decisões e ações relativas à escolha dos meios e à articulação de recursos com vista a atingir um objetivo.
47 2.4 - Método
Segundo Trujillo (1974, p.24) “o método é a maneira de proceder ao longo de um caminho. Na ciência os métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de início o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder do cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo”.
2.5 - Método (didático ou de ensino)
Segundo Libâneo (1994), um enfoque científico ou “estilo educativo” consiste para conseguir a maior eficiência possível no processo de aprendizagem dos alunos.
Integra um conjunto de princípios, uma descrição da prática e atividades e normalmente o sistema de avaliação. A seleção do método ou do método de ensino que será utilizado depende em grande parte da informação ou habilidade que se está ensinando e também, se pode ver afetado pelo conteúdo da aprendizagem e o nível dos estudantes.
2.6 - Modelo (pedagógico)
Segundo Libâneo (1994), E’stá dentro do âmbito das “crenças”, a formação e a atualização do docente. É uma construção teórico-formal que fundamentada, científica e ideologicamente interpreta, desenha e ajusta a realidade pedagógica que responde a uma necessidade concreta, ou seja, um modelo, é uma representação teórica que em breve levamos para a prática em determinado contexto. Por isso dizemos, o modelo da Sala de aula invertida. Também poderíamos utilizar o termo enfoque.
2.7 - Técnica
Segundo Kaplan (1969, p.25) “são métodos suficientemente gerais para se tornarem comuns a todas as ciências ou a uma significativa parte delas”.
48 Segundo Levy (1993) os avanços relacionados às ferramentas tecnológicas de comunicação e informação (TICs) permitiram novas formas de interação social, principalmente nos Estados Unidos, país considerado como o berço da inovação tecnológica onde nasceram Facebook, Tweeter, Google, etc. E, além desses espaços de redes sociais, a tecnologia também está presente na transmissão de conhecimento, principalmente com a utilização em larga escala da internet, o que permite uma inovação no processo educativo, que relaciona formas diferentes de categorizar o conhecimento, nas modalidades oral, escrita e digital.
Assim como a revolução surgiu nas redes sociais, a técnica também se mostra na educação e segundo Gabriel (2013), as revoluções implicam, por sua própria essência, em transformações sensíveis que reestruturam paradigmas das mais diversas naturezas e que a evolução humana é formada por revoluções. A história nos mostra que os indivíduos e organizações que progridem, têm sucesso e evoluem são aqueles que mais rapidamente se adaptam às mudanças.
O contexto acima me remete à Galáxia de Gutenberg, de como a influência da técnica revolucionou o nosso modo de ver e tomar consciência, sabemos que a palavra impressa desempenhou um importante papel na instituição de novos modelos de cultura e de aprendizagem, escreveu McLuhan (1972).
A técnica hoje, demanda muitos esforços na tentativa de entender como as TICs atuam modificando a transmissão do conhecimento. Entre os trabalhos publicados sobre o tema estão aqueles que se debruçam sobre as chamadas metodologias ativas.
49 Abaixo, segue um quadro que ilustra as funções da Metodologia Ativa.
Figura 28 - Tabela Metodologias Ativas.
Fonte: Disponível em: <http://fernandoscpimentel.blogspot.com.br/2010/08/metodologias-ativas.html>
Acesso em: 20/05/2017
O uso das metodologias ativas partem de um contexto real que se depara com uma teoria disponível que abre caminho a uma hipótese que será aplicada em um contexto real; e /ou partem de uma realidade que sendo observada levanta uma questão problematizadora, elenca os pontos essenciais que serão observados para que se desenvolva a hipótese que será aplicada à realidade.
Para se envolver ativamente no processo de aprendizagem, o aluno deve ler, escrever, perguntar, discutir ou estar ocupado em resolver problemas e desenvolver projetos, deve também realizar tarefas mentais complexas, como análise, síntese e avaliação. Assim, as estratégias que promovem aprendizagem ativa podem ser definidas como sendo atividades que ocupam o aluno em fazer alguma coisa e, ao mesmo tempo, o leva a pensar sobre coisas que está fazendo (BONWELL;
EISON,1991; SILBERMAN, 1996).
As metodologias ativas podem ser utilizadas por meio de mapas conceituais, atividades na EAD, estudos simulados, seminários, estudos de caso, aprendizagens por projetos de intervenção ou pesquisa.
A sala de aula invertida é uma metodologia ativa e também auxilia no ensino híbrido, segundo Valente (2015, p.15) “no ensino híbrido, o estudante tem contato com as informações antes de entrar em sala de aula. A concentração nas formas mais elevadas do trabalho cognitivo, ou seja, aplicação, análise, síntese, significação e
50 avaliação desse conhecimento que o aluno construiu ocorrem em sala de aula, onde ele tem o apoio de seus pares e do professor.”
A personalização pelo ensino híbrido ocorre tanto na sala de aula como no ensino online, através de 4 modelos: O Modelo Rotacional que se divide em: Rotação por estações, laboratório rotacional, Sala de Aula Invertida, Rotação Individual.
No próximo capítulo, abordaremos a outra metodologia sistematizada para promover a aprendizagem ativa: A Sala de Aula Invertida.
2.7.1 - Sala de aula invertida
É a mudança intencional na forma de ensinar qual os alunos são o centro da aprendizagem em lugar de um produto da escolarização. Segundo Diez, Santiago e Tourón (2014, p.31) “é a aula que modifica o modelo de ensino tradicional, distribuindo os conteúdos de aprendizagem online e trazendo as tarefas para a aula.”
É um modelo de ensino onde a apresentação do conteúdo da disciplina é realizada através de vídeos gravados pelo professor e que ficam disponíveis aos alunos, normalmente utilizando-se de ferramentas da Internet para seu armazenamento. Desta forma, as atividades complementares propostas pelo professor, ou seja, as
“tarefas”, são realizadas em sala de aula, em equipes, com o suporte deste. Assim, os estudantes têm a oportunidade de solucionar suas dúvidas no momento em que elas ocorrem, com a ajuda de seus pares e do professor, o que promove um ambiente colaborativo de aprendizagem. (TechSmith, 2013).
Esse método tem a vantagem na qual o aluno pode seguir seu próprio ritmo de aprendizagem, pois pode assistir aos vídeos em casa no horário que puder, com uma linguagem audiovisual que se entende e que o motiva a estudar, pesquisar uma lição, uma unidade didática, a ter uma rotina, desenvolver uma habilidade ou competência concreta. Com o vídeo pode acessá-lo tantas vezes quanto queira até que o tenha assimilado.
Ao chegar a sala de aula dará alguns minutos para sanar algumas dúvidas e após esse momento lhe dará uma bateria de exercícios para que pratique, de forma individual ou em pequenos grupos, mas sempre dentro do tempo da aula. Os que obtiveram melhor resultado poderão ajudar os amigos potencializando assim a
51 aprendizagem colaborativa e também os motivando, transformando o aluno em protagonista da sua aprendizagem significativa.
2.7.2 - História
Como já mencionamos no capítulo 1, o professor Eric Mazur, após a tentativa frustrada com seus alunos e a averiguação do porquê do ocorrido mudou sua forma de dar aula, e em meados dos anos 90 iniciou a Sala de Aula Invertida sem nomeá-la em suas aulas de física. Nesta época ele não usou vídeos e sim livros e apostilas.
Na aula invertida o espaço físico é reorganizado em função da proposta didática. Efetivamente 17 anos depois da pesquisa e prática de Eric Mazur, dois professores americanos, Jonathan Bergman e Aaron Sams da escola Woodland Park High School no Colorado/EUA Flipped Classroom necessitaram pesquisar estratégias diferenciadas para atender alunos que precisavam ausentar-se por longo tempo das aulas regulares para jogos, pois (muitos deles eram atletas). Em suas pesquisas encontram um software para gravar suas aulas eles passaram a gravá-las e a postá- las para que, mesmo longe da sala de aula, os alunos pudessem acompanhar a turma regular.
Assim, depois de assistirem aos vídeos gravados pelos professores, quando regressassem das viagens estes alunos trariam suas dúvidas e contribuições, para momentos de discussão e aplicação, em oposição a aulas magnas e teóricas. Essas aulas foram se difundindo amplamente no âmbito acadêmico, dando início a convites para conferências por todo o país falando de seu método, neste período outros professores começaram a utilizar os vídeos online y podcasts para ensinar fora da sala de aula, reservando assim o tempo em sala de aula para o trabalho colaborativo e a realização de exercícios chaves das matérias.
Com este método o aluno desenvolve seu conhecimento em casa através de um vídeo tutorial e em sala utilizamos esse tempo para plenárias, trabalhos em grupo, atividades por rotação, rotinas de pensamento que permitirão ao aluno consolidar o aprendido e todas essas atividades mediadas pelo professor, que orienta e vigia todo o processo.
Outro educador americano, empresário e ex-analista da bolsa de valores que também viu a importância do uso de vídeos em aulas foi Salman Khan. Em 2004,