Direito Processual Penal
Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça Militar de MG– Aula 02
Prof. Bernardo Bustani
Atualizada conforme o edital de 2020
Sumário
SUMÁRIO 2
APRESENTAÇÃO 3
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 4
QUESTÕES PREJUDICIAIS E PROCESSOS INCIDENTES 6
1) QUESTÕES PREJUDICIAIS 7
2) PROCESSOS INCIDENTES 9
2.1)Exceções 9
2.2)Incompatibilidade/impedimento 12
2.3)Conflito de Jurisdição 13
2.4)Restituição de coisas apreendidas 13
2.5)Medidas assecuratórias 17
2.6)Incidente de falsidade 22
2.7)Incidente de insanidade mental 23
AÇÃO CIVIL EX DELICTO 25
1) TIPOS DE AÇÃO CIVIL EX DELICTO 27
1.1)Execução de sentença penal condenatória 27
1.2)Propositura de ação civil de conhecimento 28
2) LEGITIMIDADE PARA REQUERER A INDENIZAÇÃO E COMPETÊNCIA 30
2.1)Legitimidade 30
2.2)Competência 30
3) JUÍZO CÍVEL E JUÍZO CRIMINAL 32
QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 33
LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS 43
GABARITO 48
RESUMO DIRECIONADO 49
Apresentação
Olá, tudo bem? Eu sou o Professor Bernardo Bustani Louzada. Atualmente, atuo como Assessor Adjunto de gabinete de Desembargador Federal, no Tribunal Regional Federal da 1º Região.
Vou contar um pouco da minha história: Fui aprovado em 1º lugar nacional para o cargo de Técnico Judiciário/Área Administrativa do TRF da 1ª Região (2017) e também consegui aprovação para o cargo de Analista Processual da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (2017).
Sou ex-Advogado, graduado em Direito pelo IBMEC – Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais - e pós- graduado em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes – UCAM.
Posso dizer que eu tenho uma grande afinidade com o Direito Processual Penal, tendo sido a matéria escolhida para os meus Trabalhos de Conclusão de Curso e para a segunda fase da OAB.
Na minha trajetória, não é exagero dizer que poucas pessoas me ajudaram e acreditaram na minha capacidade, mas as que acreditaram foram suficientes para que eu confiasse no meu trabalho. Pretendo ajudar e confiar em cada um de vocês, pois eu, como concurseiro, sei o que significam as palavras “cobrança”,
“frustração” e “pressão”.
Meu conselho é: estude, tenha paciência e trabalhe a sua confiança, pois o sentimento de aprovação é capaz de apagar tudo de ruim. Não é impossível, basta acreditar.
E é com muito prazer que, junto com o Professor Alexandre Salim, direcionarei vocês na disciplina de Direito Processual Penal. Minha meta é a sua aprovação. Para isso, abordaremos o que realmente cai e como cai.
Não hesitem em entrar em contato para tirar dúvidas:
Conteúdo Programático
O edital trouxe o conteúdo da seguinte forma:
DIREITO PENAL 1. Crimes contra a Administração Pública: Dos Crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Dos crimes praticados por particular contra a administração em geral. Dos crimes contra a administração da justiça.
DIREITO PROCESSUAL PENAL 1. A norma processual penal no tempo e no espaço. Interpretação da norma processual penal. 2. Fontes do Direito Processual Penal. Aplicação da lei processual penal.
Princípios disciplinadores do Direito Processual Penal. As garantias constitucionais e o Processo Penal.
3. Polícia e Inquérito Policial. 4. Ação Penal. Ação Civil. 5. Jurisdição. Órgãos de Jurisdição Penal.
Competência. Métodos de determinação e modificação da competência. Conflito de jurisdição.
Conflito de Competência. Competência da Justiça Federal e da Justiça Militar Estadual. 6. Sujeitos do processo. Capacidade processual. Legitimidade. O Ministério Público e seu assistente. Acusado e defensor. O interrogatório do acusado e a ampla defesa. Princípios que regem o contraditório. 7.
Processo e procedimento. Dos procedimentos comuns e especiais. 8. Das medidas assecuratórias. 9. Da insanidade mental do acusado. 10. Das provas. 11. Instrução criminal. Prisão e suas modalidades.
Liberdade provisória. Fiança. Citações e intimações. Questões e processos incidentes. 12. Sentença criminal; formalidades essenciais; declaração da sentença; nova definição jurídica do fato; publicidade;
efeitos. A validade da sentença condenatória criminal enquanto coisa julgada inconstitucional. 13.
Crimes de competência do júri e do juiz singular. Pronúncia. Impronúncia. Absolvição sumária.
Desclassificação. Desqualificação. Libelo. Quesitos. Do julgamento pelo júri. 14. Recursos. Fontes normativas dos recursos. Classificação dos recursos. Procedimento recursal. Efeitos dos recursos. Juízo de admissibilidade. Extinção anormal das vias recursais. Dos recursos em espécie. Nulidades.
Portanto, nosso curso foi dividido assim:
Número da Aula
Data de Disponibilização
Assunto
00 21/01/2020 (PENAL) Aula Demonstrativa
01 27/01/2020 (PENAL) Crimes contra a Administração Pública: Dos Crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Dos crimes praticados por particular
contra a administração em geral. Dos crimes contra a
administração da justiça.
TD 05/02/2020 Teste de Direção
00 10/02/2020 (PROCESSUAL PENAL) A norma processual penal no tempo e no espaço. Interpretação da norma processual penal. 2.
Fontes do Direito Processual Penal. Aplicação da lei processual penal. Princípios disciplinadores do Direito Processual Penal. As
garantias constitucionais e o Processo Penal.
01 15/02/2020 (PROCESSUAL PENAL) 3. Polícia e Inquérito Policial. 4.
Ação Penal.
TD 22/02/2020 Teste de Direção
02 28/02/2020 (PROCESSUAL PENAL) 5. Jurisdição. Órgãos de Jurisdição Penal. Competência. Métodos de determinação e modificação
da competência. Conflito de jurisdição. Conflito de Competência. Competência da Justiça Federal e da Justiça
Militar Estadual.
03 05/03/2020 (PROCESSUAL PENAL) Ação Civil. 8. Das medidas assecuratórias. 9. Da insanidade mental do acusado. Questões e
processos incidentes.
04 10/03/2020 (PROCESSUAL PENAL) 10. Das provas. O interrogatório do acusado e a ampla defesa. Princípios que regem o
contraditório.
Questões prejudiciais e processos incidentes
Nesta aula, estudaremos as questões prejudiciais e os processos incidentes.
Quando tais assuntos caem em prova, essencialmente é cobrada a letra da lei. Trata-se, portanto, de uma parte da matéria bem tranquila.
Antes de ingressarmos no tema, temos que definir os conceitos.
✓ Questão prejudicial é toda questão jurídica que interfira na existência do crime. No entanto, essa questão jurídica pode ser ou não de competência do juízo criminal.
Chama-se “prejudicial”, pois deve ser decidida antes da questão principal.
Exemplo: O crime de furto consiste em subtrair coisa alheia móvel.
E se o autor do fato alegar que a coisa até então subtraída era dele?
Essa suposta propriedade é uma questão prejudicial. Ou seja, o mérito da ação penal (condenação ou absolvição pelo furto) só será possível de ser resolvido se soubermos quem é o dono da coisa.
✓ Incidentes são situações inesperadas que alteram a ordem normal das coisas.
Processos incidentes são situações que ocorrem dentro de um processo, não permitindo seu regular desenvolvimento antes do julgamento do “incidente”.
Exemplo: Uma ação penal está em curso.
Em determinado momento, há dúvida sobre a integridade mental do acusado. Sendo assim, o Juiz pode ordenar a realização de exame de insanidade mental (incidente de insanidade mental).
Feita essa introdução, vamos começar pelas questões prejudiciais?
1) Questões prejudiciais
As questões prejudiciais, como já vimos, são questão que têm relação com o mérito e devem ser decididas antes dele. Elas não se confundem com questões preliminares, que, ao contrário das primeiras, são questões processuais que impedem a apreciação do fato principal.
As questões prejudiciais podem ser homogêneas ou heterogêneas.
➢ As questões prejudiciais homogêneas dizem respeito a questões de Direito Penal/Processual Penal. Ou seja, a questão prejudicial é da mesma competência do Juiz que está julgando o processo (Juiz criminal).
Exemplo: A conduta do crime de receptação é, por exemplo, adquirir coisa que sabe sem produto de crime.
Se houver discussão se houve ou não crime anterior, essa discussão terá interferência na ação penal do crime de receptação.
Art. 180 do CP - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:
➢ As questões prejudiciais heterogêneas são questões que dizem respeito a outro ramo do Direito.
Exemplo: A conduta de praticar ato libidinoso com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável.
Se houver dúvida sobre a idade da vítima (se tem menos de 14 anos ou não), tal questão será do ramo do Direito Civil.
A questão heterogênea, por sua vez, pode ser de suspensão obrigatória ou de suspensão facultativa.
Em outras palavras:
• Na questão heterogênea obrigatória, o processo deverá ser suspenso. Trata-se da situação na qual a questão prejudicial versa sobre estado civil das pessoas (idade, estado civil...) (como no exemplo).
Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia, que o juiz repute séria e fundada, sobre o estado civil das pessoas, o curso da ação penal ficará suspenso até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente.
Em linhas gerais, o processo criminal fica suspenso até que haja decisão no juízo cível.
• Nas questões heterogêneas facultativas, o processo poderá ser suspenso. Trata-se das situações não previstas no artigo 92 (questões que não versem sobre estado civil das pessoas).
Art. 93. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de decisão sobre questão diversa da prevista no artigo anterior, da competência do juízo cível, e se neste houver sido proposta ação para resolvê-la, o juiz criminal poderá, desde que essa questão seja de difícil solução e não verse sobre direito cuja prova a lei civil limite, suspender o curso do processo, após a inquirição das testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente.
§ 1º O juiz marcará o prazo da suspensão, que poderá ser razoavelmente prorrogado, se a demora não for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o juiz cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir o processo, retomando sua competência para resolver, de fato e de direito, toda a matéria da acusação ou da defesa.
Em outras palavras, o processo criminal poderá ficar suspenso até que haja decisão no juízo cível. Observe que o magistrado marcará prazo para a suspensão. Expirado este, se não houver decisão no juízo cível, o juízo criminal fará prosseguir a ação penal, podendo resolver toda a matéria.
Por fim, o artigo 94 nos diz que a suspensão da ação penal será decretada pelo Juiz, de ofício, ou a requerimento das partes; e o parágrafo 2º do artigo 93 nos ensina que do despacho que denegar tal suspensão não cabe recurso.
Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos casos dos artigos anteriores, será decretada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes.
Art. 93, § 2º Do despacho que denegar a suspensão não caberá recurso.
Questões prejudiciais
Homogêneas
Heterogêneas
Obrigatórias
Facultativas
2) Processos incidentes
Como falado, um incidente é uma situação ocorrida dentro do processo, a qual não permite seu regular desenvolvimento.
Começaremos a falar das exceções, ok?
2.1)Exceções
As exceções são uma forma de defesa que permitem a extinção do processo (exceções peremptórias) ou sua procrastinação (adiamento) (exceções dilatórias). São procedimentos de competência do juízo criminal.
Elas estão no artigo 95 do CPP, olhe:
Art. 95. Poderão ser opostas as exceções de:
I - suspeição;
II - incompetência de juízo;
III - litispendência;
IV - ilegitimidade de parte;
V - coisa julgada.
OBS: As exceções são processadas em autos apartados e não suspendem, em regra, o processo.
Art. 111. As exceções serão processadas em autos apartados e não suspenderão, em regra, o andamento da ação penal.
Vamos estudar cada uma delas, ok?
Exceção de suspeição
A suspeição consiste em causas subjetivas que farão o Juiz não atuar em determinado processo. Tais causas estão no artigo 254 do CPP. Aqui, iremos tratar apenas da exceção em si.
Tal exceção deverá ser arguida por petição assinada pela parte ou por procurador com poderes especiais.
Além disso, deve conter provas.
Veja:
Art. 98. Quando qualquer das partes pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo em petição assinada por ela própria ou por procurador com poderes especiais, aduzindo as suas razões acompanhadas de prova documental ou do rol de testemunhas.
Se o magistrado reconhecer sua suspeição, fará remessa dos autos ao substituto.
Art. 99. Se reconhecer a suspeição, o juiz sustará a marcha do processo, mandará juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a instruam, e por despacho se declarará suspeito, ordenando a remessa dos autos ao substituto.
No entanto, se não aceitar a suspeição, mandará autuá-la em autos apartados (separados) e determinará remessa, em até 24 horas, ao órgão competente para decidir o incidente.
Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro em três dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remetidos, dentro em 24 vinte e quatro horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento.
Pelo artigo 96 do CPP, vemos que a exceção de suspeição terá precedência sobre qualquer outra, salvo quando for fundada em motivo posterior.
Art. 96. A arguição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente.
OBS: A exceção de suspeição pode versar sobre Juiz, MP, peritos, intérpretes, serventuários e funcionários da justiça.
Art. 104. Se for arguida a suspeição do órgão do Ministério Público, o juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, podendo antes admitir a produção de provas no prazo de três dias.
Art. 105. As partes poderão também arguir de suspeitos os peritos, os intérpretes e os serventuários ou funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e sem recurso, à vista da matéria alegada e prova imediata.
OBS: A exceção de suspeição não pode ser oposta contra Delegado de Polícia, mas este deverá se declarar suspeito, caso prevista uma hipótese legal.
Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
Exceção de incompetência
A exceção de incompetência versa sobre causas de incompetência. “Competência” é entendida como o limite da jurisdição, ou seja, o espaço dentro do qual o poder jurisdicional será exercido.
Aqui, trataremos apenas da exceção em si.
Ela poderá se oposta de forma verbal ou escrita, no prazo da defesa.
Veja:
Art. 108. A exceção de incompetência do juízo poderá ser oposta, verbalmente ou por escrito, no prazo de defesa.
Se o Juiz aceitá-la, o feito será remetido ao juízo competente.
§ 1º Se, ouvido o Ministério Público, for aceita a declinatória, o feito será remetido ao juízo competente, onde, ratificados os atos anteriores, o processo prosseguirá.
Se o incidente for recusado, o processo seguirá.
§ 2º Recusada a incompetência, o juiz continuará no feito, fazendo tomar por termo a declinatória, se formulada verbalmente.
Observe, por fim, que o Juiz pode se declarar incompetente nos próprios autos e de ofício.
Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará- lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte, prosseguindo-se na forma do artigo anterior.
COMO CAI: CESPE/2019 – TJ/PR – ADAPTADA - A respeito de questões e processos incidentes em âmbito penal, é correto afirmar que o Código de Processo Penal não admite a oposição verbal da exceção de incompetência.
GABARITO: ERRADO.
COMENTÁRIOS: Como acabamos de ver, é admitida a exceção de incompetência de forma oral.
Art. 108. A exceção de incompetência do juízo poderá ser oposta, verbalmente ou por escrito, no prazo de defesa.
Exceção de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada
A litispendência consiste na situação na qual há dois processos idênticos (mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir).
A ilegitimidade da parte se dá quando a parte não pode propor ou responder à ação penal.
A coisa julgada tem lugar quando já há uma decisão transitada em julgado sobre o mesmo assunto tratado na ação penal.
Tais exceções observarão o disposto na exceção de incompetência, olhe:
Art. 110. Nas exceções de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada, será observado, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre a exceção de incompetência do juízo.
Observe que se a parte quiser opor mais de uma exceção, deverá fazê-lo em uma única petição/articulado.
§ 1º Se a parte houver de opor mais de uma dessas exceções, deverá fazê-lo numa só petição ou articulado.
Por fim, o parágrafo 2º nos diz que a exceção de coisa julgada somente poderá versar sobre o fato principal da ação.
§ 2º A exceção de coisa julgada somente poderá ser oposta em relação ao fato principal, que tiver sido objeto da sentença.
2.2)Incompatibilidade/impedimento
O artigo 112 do CPP traz hipóteses de incompatibilidade.
Olhe:
Art. 112. O juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando houver incompatibilidade ou impedimento legal, que declararão nos autos. Se não se der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser arguido pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção de suspeição.
Em síntese, o Juiz, MP, os serventuários, os peritos, os intérpretes e os funcionários na justiça poderão abster-se de atuar no processo, quando houver impedimento ou incompatibilidade. No entanto, se o fizerem, deverão declarar tal fato nos autos.
Exceções
Suspeição Incompetência Litispendência Ilegitimidade de parte
Coisa jugada
Se a própria pessoa não o fizer, tal incompatibilidade poderá ser arguida pelas partes. Nesse caso, o procedimento seguirá o estabelecido para a exceção de suspeição.
2.3)Conflito de Jurisdição
O conflito de jurisdição se dá nas hipóteses do artigo 114 do CPP:
Art. 113. As questões atinentes à competência resolver-se-ão não só pela exceção própria, como também pelo conflito positivo ou negativo de jurisdição.
Art. 114. Haverá conflito de jurisdição:
I - quando duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem competentes, ou incompetentes, para conhecer do mesmo fato criminoso;
II - quando entre elas surgir controvérsia sobre unidade de juízo, junção ou separação de processos.
Em resumo, o conflito se dará quando dois ou mais juízes se declararem competentes (conflito positivo) ou incompetentes (conflito negativo) para julgar determinado processo, ou quando surgir controvérsia sobre unidade, junção ou separação de processos.
Os legitimados para suscitar o referido conflito estão no artigo 115 do CPP, olhe:
Art. 115. O conflito poderá ser suscitado:
I - pela parte interessada;
II - pelos órgãos do Ministério Público junto a qualquer dos juízos em dissídio;
III - por qualquer dos juízes ou tribunais em causa.
OBS: Quando o conflito for negativo, os magistrados poderão suscitá-lo nos próprios autos.
Art. 116, § 1º Quando negativo o conflito, os juízes e tribunais poderão suscitá-lo nos próprios autos do processo.
2.4)Restituição de coisas apreendidas
O tema ”restituição de coisas apreendidas” é de fácil compreensão, visto que as bancas costumam cobrar apenas a letra fria da lei (reprodução legal do artigo).
Professor, mas o que são “coisas apreendidas”?
Geralmente, quando uma infração penal é cometida, a Polícia apreende alguns objetos.
Exemplo: Tício mata Caio com uma faca.
Nesse caso, a Polícia apreenderá a faca utilizada no crime.
Tal assunto está disciplinado a partir do artigo 118 do CPP, veja:
Art. 118. Antes de transitar em julgado a sentença final, as coisas apreendidas não poderão ser restituídas enquanto interessarem ao processo.
É possível concluir que as coisas apreendidas não serão devolvidas (restituídas) enquanto interessarem ao processo. Nesse caso, para haver a restituição, deverá haver o encerramento deste.
Note que mesmo após o trânsito em julgado da sentença, se os bens apreendidos foram, por exemplo, utilizados no cometimento da infração penal, não haverá restituição.
Art. 119. As coisas a que se referem os arts. 74 e 100 do Código Penal não poderão ser restituídas, mesmo depois de transitar em julgado a sentença final, salvo se pertencerem ao lesado ou a terceiro de boa-fé.
Isso se explica porque o Código Penal estabelece que a perda, em favor da União, dos instrumentos e produtos do crime é um efeito da condenação.
Art. 91 do CP - São efeitos da condenação:
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé:
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.
O CPP dispõe da mesma forma:
Art. 121. Do CPP - No caso de apreensão de coisa adquirida com os proventos da infração, aplica-se o disposto no art. 133 e seu parágrafo.
Art. 122. Sem prejuízo do disposto nos arts. 120 e 133, decorrido o prazo de 90 dias, após transitar em julgado a sentença condenatória, o juiz decretará, se for caso, a perda, em favor da União, das coisas apreendidas (art. 74, II, a e b do Código Penal) e ordenará que sejam vendidas em leilão público.
Art. 133. Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do interessado, determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público.
Perceba que, após a perda da coisa em favor da União, ela será avaliada e leiloada.
Professor, e quem pode ordenar a restituição das coisas?
Há algumas situações. Vamos vê-las?
• Se não houver dúvida quanto ao direito do reclamante (quem pede a restituição) → Nesse caso, a autoridade policial (Delegado) e o Juiz poderão ordenar.
Veja:
Art. 120. A restituição, quando cabível, poderá ser ordenada pela autoridade policial ou juiz, mediante termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao direito do reclamante.
• Se houver dúvida quanto ao direito do reclamante (quem pede a restituição) → Nesse caso, somente o Juiz criminal poderá decidir.
§ 1º Se duvidoso esse direito, o pedido de restituição autuar-se-á em apartado, assinando-se ao requerente o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. Em tal caso, só o juiz criminal poderá decidir o incidente.
• Se a coisa for apreendida em poder de terceiro de boa-fé → Nesse caso, somente o Juiz poderá decidir.
§ 2º O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado para alegar e provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro dois dias para arrazoar.
• Se houver dúvida sobre o verdadeiro dono → Nesse caso, o Juiz criminal remeterá as partes para o juízo cível. Lá se discutirá a propriedade.
§ 4º Em caso de dúvida sobre quem seja o verdadeiro dono, o juiz remeterá as partes para o juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário ou do próprio terceiro que as detinha, se for pessoa idônea.
Observe que o MP sempre será ouvido sobre o pedido de restituição, uma vez que ele é o legitimado para a Ação Penal de natureza Pública.
§ 3º Sobre o pedido de restituição será sempre ouvido o Ministério Público.
Coisas deterioráveis
Se a coisa apreendida for de fácil deterioração, ela será avaliada e levada a leilão público.
Art. 120, § 5º Tratando-se de coisas facilmente deterioráveis, serão avaliadas e levadas a leilão público, depositando-se o dinheiro apurado, ou entregues ao terceiro que as detinha, se este for pessoa idônea e assinar termo de responsabilidade.
Professor, e se a coisa não for do réu e ninguém reclamar (pedir a restituição)?
Nesse caso, ela será avaliada e leiloada. O saldo (valor recebido) será colocado à disposição do juízo de ausentes.
Art. 123. Fora dos casos previstos nos artigos anteriores, se dentro no prazo de 90 dias, a contar da data em que transitar em julgado a sentença final, condenatória ou absolutória, os objetos apreendidos não forem reclamados ou não pertencerem ao réu, serão vendidos em leilão, depositando- se o saldo à disposição do juízo de ausentes.
Professor, e se houver interesse na conservação de algum instrumento do crime?
Tal situação pode acontecer, por exemplo, em caso de crimes notórios (famosos).
Nesse caso, os objetos poderão ser recolhidos a museu criminal.
Art. 124. Os instrumentos do crime, cuja perda em favor da União for decretada, e as coisas confiscadas, de acordo com o disposto no art. 100 do Código Penal, serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se houver interesse na sua conservação.
Quem pode restituir as coisas apreendidas
Sem dúvida quanto ao direito do
reclamante Delegado ou Juiz
Dúvida quanto ao direito
do reclamante Juiz
Coisa apreendida com
terceiro de boa-fé Juiz
Dúvida sobre o dono Será decidido no juízo cível
2.5)Medidas assecuratórias
As medidas assecuratórias, que estão dispostas do artigo 125 ao artigo 144-A do CPP, são medidas tomadas com o objetivo de garantir a indenização/reparação do dano, o pagamento de despesas processuais, de penas pecuniárias (multa), bem como evitar que o réu tenha lucro com o a infração penal.
Art. 140. As garantias do ressarcimento do dano alcançarão também as despesas processuais e as penas pecuniárias, tendo preferência sobre estas a reparação do dano ao ofendido.
Elas são três:
➢ Sequestro
➢ Hipoteca Legal
➢ Arresto
Vamos ver cada uma delas?
Sequestro
O sequestro consiste no ato de reter bens móveis e imóveis que foram adquiridos com o proveito do crime.
Em outras palavras, essa medida assecuratória incide sobre o patrimônio ilícito do sujeito.
Veja como o CPP traz o assunto:
Art. 125. Caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.
Art. 128. Realizado o sequestro, o juiz ordenará a sua inscrição no Registro de Imóveis
Art. 132. Proceder-se-á ao sequestro dos bens móveis se, verificadas as condições previstas no art. 126, não for cabível a medida regulada no Capítulo Xl do Título Vll deste Livro.
Note que caberá o sequestro mesmo quando os bens já tiverem sido transferidos para outra pessoa.
Exemplo: Tício rouba um carro, vende e compra uma moto.
Após alguns dias, vende a moto para Caio.
Nesse caso, a moto, mesmo sendo de Caio, poderá ser sequestrada.
✓ Momento e legitimidade para requerer/representar:
O sequestro pode ser ordenado em algumas situações. Quer ver?
❖ Pelo Juiz, de ofício.
❖ Pelo Juiz, mediante requerimento do MP ou do ofendido (vítima).
❖ Pelo Juiz, mediante representação da autoridade Policial.
Além disso, pode ser efetivado tanto no inquérito policial quanto durante a ação penal.
É o que diz o artigo 127 do CPP:
Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa.
➢ Hipóteses:
Para ser decretado o sequestro, basta que haja “indícios veementes da proveniência ilícita dos bens”.
É a letra fria do artigo 126 do CPP:
Art. 126. Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens.
➢ Embargos de terceiro:
Professor, você falou que uma coisa transferida a terceiros pode ser sequestrada. Sendo assim, o que tal pessoa pode fazer?
Assim como o acusado, o terceiro poderá embargar, ou seja, apresentar fundamentos legítimos para que a coisa seja restituída.
Art. 129. O sequestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de terceiro.
Art. 130. O sequestro poderá ainda ser embargado
I - pelo acusado, sob o fundamento de não terem os bens sido adquiridos com os proventos da infração II - pelo terceiro, a quem houverem os bens sido transferidos a título oneroso, sob o fundamento de tê- los adquirido de boa-fé.
Parágrafo único. Não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de passar em julgado a sentença condenatória.
Em resumo, o acusado pode alegar que o objeto não é ilícito e o terceiro pode alegar que o bem foi adquirido a título oneroso e de boa-fé (na prática, é dizer que não sabia que o bem era ilícito).
Exemplo: Tício rouba um carro, vende e compra uma moto.
Após alguns dias, vende a moto para Caio, que não sabia da infração penal.
Nesse caso, Caio poderá alegar essa circunstância nos embargos.
Por fim, é preciso dizer que não haverá sentença nos embargos antes que o processo criminal seja resolvido.
➢ Levantamento do sequestro:
O artigo 131 do CPP traz as hipóteses nas quais o sequestro será “levantado”. Na prática, é a devolução do objeto.
Art. 131. O sequestro será levantado:
I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a diligência;
II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure a aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal;
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado.
Para fins de prova, basta saber as hipóteses legais.
COMO CAI: FCC/2019 – TRF da 4ª Região - Sobre o sequestro de bens imóveis adquiridos pelo indiciado com os proveitos do crime, como medida assecuratória, de acordo com o que estabelece o Código de Processo Penal, é CORRETO afirmar:
(A) Efetivado o sequestro e autuado em apartado, não se admitirão embargos de terceiro.
(B) Não caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração, se já tiverem sido transferidos a terceiro.
(C) O sequestro será levantado se o réu for absolvido em primeiro grau de jurisdição, ainda que pendente de análise o recurso de apelação interposto pelo Ministério Público.
(D) O sequestro será levantado se a ação penal não for intentada no prazo de 60 dias, contado da data em que ficar concluída a diligência.
(E) O juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido, só poderá ordenar o sequestro depois de oferecida a denúncia ou queixa.
GABARITO: LETRA D.
COMENTÁRIOS: A Letra D está correta, pois reproduz o entendimento do artigo 131, I do CPP.
Art. 131. O sequestro será levantado:
I – se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a diligência;
LETRA A: Errada, pois os embargos de terceiros são admissíveis.
Art. 129. O sequestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de terceiro.
LETRA B: Errado, pois é cabível o sequestro ainda que os bens já tenham sido transferidos para terceiros.
Art. 125. Caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.
LETRA C: Incorreta. O sequestro será levantado se o acusado for absolvido por sentença transitada em julgado.
Art. 131. O sequestro será levantado:
III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado.
LETRA E: Na verdade, o sequestro poderá ser ordenado ainda que não haja denúncia/queixa.
Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa.
Hipoteca legal
A hipoteca legal é a medida cabível para assegurar a indenização da vítima e o adimplemento (pagamento) de despesas do processo.
Olhe:
Art. 134. A hipoteca legal sobre os imóveis do indiciado poderá ser requerida pelo ofendido em qualquer fase do processo, desde que haja certeza da infração e indícios suficientes da autoria.
Note que, diferentemente do sequestro, a hipoteca legal incide sobre bens lícitos (legais), só pode ser decretada no processo e só incide sobre bens imóveis do réu.
Além disso, é necessária a certeza da infração e indícios suficientes de autoria.
É importante dizer que a parte, ao pedir a especialização de hipoteca, estimará o valor da indenização (responsabilidade civil). É o que prevê o artigo 135 do CPP.
Art. 135. Pedida a especialização mediante requerimento, em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil, e designará e estimará o imóvel ou imóveis que terão de ficar especialmente hipotecados, o juiz mandará logo proceder ao arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação do imóvel ou imóveis.
Por fim, se o réu for absolvido ou se sua punibilidade for extinta, a hipoteca será cancelada.
Art. 141. O arresto será levantado ou cancelada a hipoteca, se, por sentença irrecorrível, o réu for absolvido ou julgada extinta a punibilidade.
Isso também se aplica ao arresto, o qual veremos agora.
Arresto
Trata-se de medida que incide sobre bem lícito, com a finalidade de garantir indenização da vítima e do Estado.
Veja:
Art. 136. O arresto do imóvel poderá ser decretado de início, revogando-se, porém, se no prazo de 15 (quinze) dias não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal.
Art. 137. Se o responsável não possuir bens imóveis ou os possuir de valor insuficiente, poderão ser arrestados bens móveis suscetíveis de penhora, nos termos em que é facultada a hipoteca legal dos imóveis.
Conclui-se que tal medida também pode ser decretada no inquérito ou no processo, podendo incidir sobre bens móveis ou imóveis.
Além disso, por expressa previsão legal, os bens arrestados seguem o regime do Processo Civil:
Art. 139. O depósito e a administração dos bens arrestados ficarão sujeitos ao regime do processo civil.
COMO CAI: CESPE/2019 – TJ/PR – ADAPTADA - A respeito de questões e processos incidentes em âmbito penal, é correto afirmar que o deferimento das medidas assecuratórias de natureza patrimonial previstas no Código de Processo Penal está submetido ao princípio da jurisdicionalidade.
GABARITO: CERTO.
COMENTÁRIOS: Perfeito. Como acabamos de falar, para ser deferida uma medida assecuratória, é necessário que haja uma decisão judicial proferida por um Juiz competente.
Veja o artigo 127 como exemplo:
Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa.
Sequestro Hipoteca legal Arresto
Incide sobre bens ilícitos, móveis ou imóveis, ainda que transferidos
para outra pessoa.
Incide sobre bens imóveis lícitos do réu.
Incide sobre bens lícitos (móveis ou imóveis) do réu.
Cabível no inquérito policial e na ação penal.
Cabível apenas durante o processo. Cabível no inquérito policial e na ação penal.
2.6)Incidente de falsidade
O incidente de falsidade está disciplinado a partir do artigo 145 do CPP. Para fins de prova, basta atenta leitura.
Art. 145. Arguida, por escrito, a falsidade de documento constante dos autos, o juiz observará o seguinte processo:
I - mandará autuar em apartado a impugnação, e em seguida ouvirá a parte contrária, que, no prazo de 48 horas, oferecerá resposta;
II - assinará o prazo de três dias, sucessivamente, a cada uma das partes, para prova de suas alegações;
III - conclusos os autos, poderá ordenar as diligências que entender necessárias;
IV - se reconhecida a falsidade por decisão irrecorrível, mandará desentranhar o documento e remetê-lo, com os autos do processo incidente, ao Ministério Público.
Para se arguir tal incidente, o procurador deve ter poderes especiais.
Art. 146. A arguição de falsidade, feita por procurador, exige poderes especiais.
Além disso, o Juiz poderá verificar se há falsidade de ofício.
Art. 147. O juiz poderá, de ofício, proceder à verificação da falsidade.
OBS: Qualquer que seja a decisão (reconhecendo a falsidade ou não), ela não vinculará outro processo (penal ou cível). Isso quer dizer que toda a matéria poderá ser rediscutida.
Art. 148. Qualquer que seja a decisão, não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil.
2.7)Incidente de insanidade mental
O incidente de insanidade mental do acusado é um procedimento médico-legal no qual se apura se o réu/investigado é capaz (imputável) ou não (matéria de Direito Penal). Ele está disciplinado a partir do artigo 149 do CPP.
Olhe:
Art. 149. Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido a exame médico-legal.
§ 1º O exame poderá ser ordenado ainda na fase do inquérito, mediante representação da autoridade policial ao juiz competente.
Art. 153. O incidente da insanidade mental processar-se-á em auto apartado, que só depois da apresentação do laudo, será apenso ao processo principal.
Pelos artigos é possível concluir que tal incidente pode ser ordenado:
▪ Pelo Juiz, de ofício.
▪ Pelo Juiz, mediante requerimento do MP, do Defensor, do curador, do CADI (cônjuge, ascendente, descendente e irmão).
▪ Pelo Juiz, mediante representação da autoridade policial.
Nota-se, ainda, que a insanidade mental pode ser alegada tanto no inquérito quanto no processo.
Se for ordenado durante a ação penal, o processo fica suspenso, salvo se houver alguma diligência urgente.
§ 2º O juiz nomeará curador ao acusado, quando determinar o exame, ficando suspenso o processo, se já iniciada a ação penal, salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento.
Como é feito o exame
Na prática, coloca-se o acusado preso em manicômio judiciário e o acusado solto em estabelecimento adequado. Durante o prazo (até 45 dias, em regra), o indivíduo é “estudado”.
Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado em manicômio judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, em estabelecimento adequado que o juiz designar.
§ 1º O exame não durará mais de quarenta e cinco dias, salvo se os peritos demonstrarem a necessidade de maior prazo.
Resultado do incidente
Do incidente, pode-se concluir que o acusado era capaz ou era incapaz (inimputável).
✓ Se o indivíduo não era capaz (imputável) ao tempo da infração penal, o processo seguirá com presença de curador.
Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado era, ao tempo da infração, irresponsável nos termos do art. 22 do Código Penal, o processo prosseguirá, com a presença do curador.
✓ Se a inimputabilidade sobreveio (é posterior) à prática da infração penal, o processo ficará suspenso até que o acusado “volte ao normal”. Nesse caso, o Juiz pode ordenar a internação dele.
Art. 152. Se se verificar que a doença mental sobreveio à infração o processo continuará suspenso até que o acusado se restabeleça, observado o § 2o do art. 149.
§ 1º O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do acusado em manicômio judiciário ou em outro estabelecimento adequado.
Pelo parágrafo 2º, se o acusado “voltar ao normal”, o processo seguirá:
§ 2º O processo retomará o seu curso, desde que se restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado depoimento sem a sua presença.
Ação Civil ex delicto
O tema “ação civil em face do delito” está disciplinado no CPP e vai do artigo 63 ao artigo 68. Trata-se de um tema que possui íntima relação com o Direito Penal, com o Direito Civil, e com o Direito Processual Civil.
No entanto, posso dizer que é um assunto bem simples. Basta ficar atento aos artigos da lei.
Quer ver?
A ação civil decorrente do delito (crime) é o meio pelo qual a vítima será ressarcida/reparada. Temos, portanto, o Direito Processual Penal se preocupando com o ofendido.
Primeiramente, é necessário dizer que, em regra, as instâncias Penal e Civil são independentes. Em outras palavras, o juízo cível pode decidir diferentemente do juízo criminal.
Isso está no artigo 935 do Código Civil:
Art. 935 do Código Civil. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
No entanto, temos exceções a essa regra. Duas delas podem ser extraídas do artigo 935 do CC, veja:
✓ Existência do fato → Se o juízo criminal decidiu sobre a existência do fato (se existiu ou não), o juízo cível não pode decidir de forma diversa;
✓ Sobre quem foi o autor do fato → Se o juízo criminal decidiu quem foi o autor do fato, o juízo cível não pode decidir de forma diversa.
Art. 935 do Código Civil. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
No entanto, há mais uma exceção no artigo 65 do CPP, olhe:
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
✓ Decisão no juízo criminal reconhecendo que houve causa de exclusão da ilicitude (artigo 23 do Código Penal) → Estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de direito.
Professor, você falou que “a vítima será ressarcida”. Mas como isso é possível?
Isso se dará em duas situações, veja:
▪ Hipótese em que a sentença penal condenatória será executada → Aqui, o autor do fato foi condenado e a vítima ingressa no juízo cível para obter a reparação do dano.
▪ Hipótese em que o ofendido não quer executar uma sentença penal, mas sim ajuizar uma ação civil de conhecimento → Aqui, também se busca a reparação do dano, mas não se quer executar os valores fixados pelo Juiz criminal.
Vamos estudar essas hipóteses?
Exceções à independência entre as instâncias cível e criminal
Decisão do juízo criminal sobre a existência do fato
Decisão do juízo criminal sobre quem foi o autor do
fato
Reconhecimento de causas excludentes da ilicitude
Legítima defesa Estado de Necessidade
Estrito cumprimento do dever legal Exercício regular de Direito Elementos que
excluem a ilicitude
1) Tipos de ação civil ex delicto
1.1)Execução de sentença penal condenatóriaAqui, como falado, o autor do fato foi condenado e a vítima ingressa no juízo cível para obter a reparação do dano.
Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso iv do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido.
Repare que o artigo 63 do CPP fala em “transitada em julgado a sentença condenatória”. Portanto, a vítima (seu representante ou seus herdeiros) escolhe (m) esperar o “fim” da ação penal.
Neste tipo de ação civil, o que se discute é o quantum debeatur, ou seja, o quanto que é devido ao ofendido (exatamente porque já há sentença penal condenatória).
Professor, mas por que é possível executar uma sentença criminal no juízo cível...?!
Isso é possível porque, segundo o Código Penal, um dos efeitos automáticos da condenação é tornar certa a obrigação de indenizar a vítima. Olhe:
Art. 91 do CP - São efeitos da condenação:
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime;
Tem-se, portanto, um título executivo judicial, de acordo com o artigo 515, VI do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015):
Art. 515 do CPC/2015. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado;
Quer ver um exemplo da ação civil no caso de trânsito em julgado da sentença penal condenatória?
Exemplo: Quando o magistrado, na sentença, fixa um valor mínimo para a reparação do dano.
Isso é previsto no artigo 387, IV do CPP:
Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:
IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido;
1.2)Propositura de ação civil de conhecimento
Aqui, como já dito, também se busca a reparação do dano (moral ou material), mas não se quer executar os valores fixados pelo Juiz criminal.
Aqui, a vítima não quer esperar o trânsito em julgado da ação penal. Em outras palavras, a vítima quer, desde já, ingressar em juízo contra o criminoso.
Neste tipo de ação o que se discute é o an debeatur, ou seja, se o valor é devido ao ofendido ou não (exatamente porque não há sentença penal condenatória → não se sabe se a indenização é devida ou não).
Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o responsável civil.
Exemplo: Mévio é vítima de um crime.
Indignado, resolve, imediatamente, ajuizar uma ação civil para obter indenização.
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela.
Veja que o parágrafo único do artigo 64 diz que o Juiz da ação civil poderá suspender o curso desta ação até que haja julgamento definitivo da ação penal.
OBS: A ação cível pode ser proposta não apenas contra o autor do dano, mas também contra as pessoas previstas no artigo 932 do Código Civil.
Isso porque tais pessoas são responsáveis civilmente pela reparação civil.
Observe o que diz a legislação:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.
DIFERENÇAS ENTRE OS TIPOS DE AÇÃO CIVIL EX DELICTO
Ação civil de execução de sentença penal Ação civil de conhecimento
Vítima espera o fim da ação penal Vítima não espera o fim da ação penal Discute-se o quantum debeatur (quanto de
indenização)
Discute-se o an debeatur (se a indenização é devida)
É título executivo judicial Não há título executivo judicial
2) Legitimidade para requerer a indenização e Competência
Agora, trataremos de quem pode pedir a indenização pelo dano sofrido e onde poderá pedir.
2.1)Legitimidade
A legitimidade diz respeito à pessoa que pode pedir a indenização.
Perceba que há diferenças:
• Ação penal de iniciativa privada → Vítima (querelante);
• Ação penal de iniciativa pública → Vítima (desde que habilitada nos autos como assistente de acusação e haja requerimento para haver indenização).
OBS: Pelo CPP, o MP, de forma excepcional, poderá requerer indenização.
Trata-se da hipótese de vítima pobre.
Veja:
Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1º e 2º), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.
Parte da doutrina critica severamente esse dispositivo. Isso porque o papel de assistir o ofendido pobre é da Defensoria Pública.
Sendo assim, os Tribunais Superiores (STF e STJ) e a doutrina majoritária entendem que o MP só terá legitimidade quando não houver Defensoria Pública no local.
2.2)Competência
A competência diz respeito ao juízo competente para conhecer do pedido de reparação do dano.
Observe que também há diferenças:
• Execução de valor fixado na sentença → De acordo com o artigo 516, parágrafo único do CPC/2015, a execução poderá ser feita no domicílio do executado, no local onde há bens sujeitos à execução ou no local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer.
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local
onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem.
• Ação de conhecimento → De acordo com o artigo 53, V do CPC/2015, a ação poderá ser proposta no foro do domicílio do autor ou no local do fato.
Art. 53 do CPC/2015. É competente o foro:
V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.
3) Juízo Cível e Juízo Criminal
Como já falado, em regra, as instâncias cível e criminal são independentes.
Vamos relembrar?
Isso está no artigo 935 do Código Civil:
Art. 935 do Código Civil. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
No entanto, temos exceções a essa regra. Duas delas podem ser extraídas do artigo 935 do CC, veja:
✓ Existência do fato → Se o juízo criminal decidiu sobre a existência do fato (se existiu ou não), o juízo cível não pode decidir de forma diversa;
✓ Sobre quem foi o autor do fato → Se o juízo criminal decidiu quem foi o autor do fato, o juízo cível não pode decidir de forma diversa.
Art. 935 do Código Civil. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
No entanto, há mais uma exceção no artigo 65 do CPP, olhe:
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
✓ Decisão no juízo criminal reconhecendo que houve causa de exclusão da ilicitude (artigo 23 do Código Penal) → Estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de direito.
Em atenção à regra (independência entre as instâncias), podemos citar os artigos 66 e 67 do CPP. Em outras palavras, são hipóteses que não impedem a propositura da ação cível.
Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato.
Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil:
I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;
II - a decisão que julgar extinta a punibilidade;
III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime.
Questões comentadas pelo professor
1. CESPE/2018 – Polícia Federal - Julgue o seguinte item, a respeito de suspeição e impedimento no âmbito do processo penal.
O fato de não ser cabível a oposição de exceção de suspeição à autoridade policial na presidência do IP faz, por consequência, que não sejam cabíveis as hipóteses de suspeição em investigação criminal.
GABARITO: ERRADO.
COMENTÁRIOS: Como falado na parte da teoria, realmente não cabe exceção de suspeição contra Delegado de Polícia. No entanto, se verificada esta hipótese, a autoridade deverá declarar-se suspeita.
Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
Portanto, são cabíveis hipóteses de suspeição na fase de investigação criminal.
2. CESPE/2018 – STJ - Acerca dos processos e das questões incidentes, julgue o item a seguir à luz do Código de Processo Penal.
No caso de dúvida sobre a integridade mental do indiciado no curso do inquérito, a autoridade policial poderá determinar, de ofício, que aquele seja submetido a exame médico-legal.
GABARITO: ERRADO.
COMENTÁRIOS: Na verdade, quem determina é o Juiz. O Delegado representa.
Art. 149. Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido a exame médico-legal.
§ 1º O exame poderá ser ordenado ainda na fase do inquérito, mediante representação da autoridade policial ao juiz competente.
3. CESPE/2018 – STJ - Acerca da competência, das questões e dos processos incidentes e das provas, julgue o item a seguir.
É admissível incidente de insanidade mental para apurar doença desencadeada após a prática do ato criminoso imputado ao acusado.
GABARITO: CERTO.
COMENTÁRIOS: É exatamente o que diz o artigo 152 do CPP.
Art. 152. Se se verificar que a doença mental sobreveio à infração o processo continuará suspenso até que o acusado se restabeleça, observado o § 2o do art. 149.
4. CESPE/2017 – TRF da 1ª Região - Com relação a prisão temporária, normas dos juizados especiais criminais e questões e processos incidentes no processo penal, julgue o item subsecutivo.
Caso o julgamento de ação penal dependa da solução de controvérsia séria e fundada acerca do estado civil das pessoas, caberá ao próprio juízo penal o julgamento da questão prejudicial.
GABARITO: ERRADO.
COMENTÁRIOS: Nesse caso, o processo será suspenso até que o juízo cível decida. Trata-se de questão prejudicial heterogênea obrigatória.
Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia, que o juiz repute séria e fundada, sobre o estado civil das pessoas, o curso da ação penal ficará suspenso até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente.
5. CESPE/2017 – TRF da 1ª Região - Com relação às questões e aos processos incidentes, à interceptação telefônica e à prisão temporária, julgue o item subsequente.
Tanto a autoridade policial, no curso das investigações, quanto o juiz, no curso da ação penal, podem ordenar, ex officio ou mediante requerimento do Ministério Público, o sequestro dos bens móveis adquiridos com os proventos logrados pela prática da infração penal.
GABARITO: ERRADO.
COMENTÁRIOS: Na verdade, a autoridade policial não poderá ordenar o sequestro de bens móveis.
Quem ordena é o Juiz, de ofício, ou a requerimento do MP/ofendido, ou mediante representação da autoridade policial.
Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa.
6. CESPE/2018 – STJ - Acerca dos processos e das questões incidentes, julgue o item a seguir à luz do Código de Processo Penal.
Quando a questão demandar ampla dilação probatória, o incidente de restituição, instaurado em razão de a coisa ter sido apreendida em poder de terceiro de boa-fé, será resolvido no juízo cível.
GABARITO: CERTO.
COMENTÁRIOS: A questão nos diz que o fato demanda “ampla dilação probatória”. Caberia ao candidato entender que “ampla dilação probatória” dizia respeito à dúvida sobre quem é o dono da coisa.
Nesse caso, é exatamente o que diz o artigo 120, parágrafo 4º do CPP.
Art. 120, § 4º Em caso de dúvida sobre quem seja o verdadeiro dono, o juiz remeterá as partes para o juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário ou do próprio terceiro que as detinha, se for pessoa idônea.
7. CESPE/2015– TJDFT - Em relação às questões e processos incidentes e ao que dispõe o Código de Processo Penal, julgue o item seguinte.
O arresto preventivo de determinado imóvel deverá ser revogado se, em quinze dias da sua determinação, não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal.
GABARITO: CERTO.
COMENTÁRIOS: Perfeito, de acordo com o artigo 136 do CPP.
Art. 136. O arresto do imóvel poderá ser decretado de início, revogando-se, porém, se no prazo de 15 (quinze) dias não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal.
8. CESPE/2015– TJDFT - Em relação às questões e processos incidentes e ao que dispõe o Código de Processo Penal, julgue o item seguinte.
Para a decretação do sequestro de bens, é suficiente a existência de indícios veementes da proveniência ilícita desses bens.
GABARITO: CERTO.
COMENTÁRIOS: Perfeito, de acordo com o artigo 126 do CPP.
Art. 126. Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens.
9. CESPE/2015 – DPU- Em relação a coisa julgada, prova criminal e restituição de bens, medidas assecuratórias e cautelares no direito processual penal, julgue o item subsequente.
Os bens apreendidos com terceiro de boa-fé poderão ser restituídos pela autoridade policial quando não for necessária sua retenção para o esclarecimento dos fatos.
GABARITO: ERRADO.
COMENTÁRIOS: Na verdade, os bens apreendidos em poder de terceiro de boa-fé só poderão ser restituídos pela autoridade judicial (Juiz).
Art. 120, § 2º O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado para alegar e provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro dois dias para arrazoar.
10. FCC/2018 – MPE/PB - Dentre as medidas assecuratórias, há o sequestro dos imóveis adquiridos pelo investigado ou acusado com os proventos do crime. Nos termos do Código de Processo Penal, realizado o sequestro, este será levantado quando:
I. a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a diligência.
II. o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure a aplicação do disposto no art. 91, II, b, segunda parte, do Código Penal.
III. julgada extinta a punibilidade ou absolvido o acusado, por sentença transitada em julgado.
IV. convertidos em hipoteca legal, os imóveis forem avaliados e vendidos em leilão público.
Está correto o que se afirma APENAS em A)I e III.
B)II e IV.
C)III e IV.
D)I, II e IV.
E)I, II e III.
GABARITO: LETRA E.
COMENTÁRIOS: Vamos analisar as assertivas?
A questão cobra o entendimento do artigo 131 do CPP (levantamento do sequestro).
Art. 131. O sequestro será levantado:
I – Hipótese prevista no inciso I
Art. 131, I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a diligência;
II – Hipótese prevista no inciso II.
Art. 131, II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure a aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal;
III – Hipótese prevista no inciso III.
Art. 131, III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado.
IV – Tal assertiva está errada, pois da alienação de imóveis hipotecados. Não se trata de hipótese de levantamento do sequestro.
11. FCC/2017 – POLITEC/AP - Quando houver dúvida da capacidade mental do acusado em processo penal, o juiz poderá solicitar o exame de sanidade mental de ofício ou por requerimento de terceiros. Poderá requerer o referido exame
A)qualquer pessoa que tenha conhecimento da doença mental e comunique o juiz.
B)Ministério Público, defensor, curador e qualquer pessoa que tenha conhecimento da doença mental.
C)defensor, curador e vizinho.
D)ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, desde que seja advogado.