Aula 5 – Teoria Geral do processo – princípios.
Princípios são proposições genéricas, abstratas, que fundamentam e inspiram o legislador na elaboração da norma. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que princípio:
[...] é por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhe o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico.
Os princípios também atuam com uma tríplice função, ora fazendo o ofício de fonte integradora da norma, ora de informativa e ora de interpretativa, suprindo as omissões e lacunas do ordenamento jurídico.
Pode falar que os princípios têm função informativa, pois são proposições genéricas que sustentam e inspiram o legislador no momento da produção da norma, durante o processo legislativo, a função normativa serve como fonte integradora do Direito, ao suprimir lacunas e omissões do ordenamento e, por fim, temos o princípio como fonte interpretativa, pois orientam o intérprete no momento da interpretação.
Contudo, tendo em vista o estudo da teoria geral do processo, e que está-se falando sobre princípios que podem ser aplicados as áreas civil, penal e trabalhista, existem certos princípios que cabem num e não tem aplicação em uma das outras áreas, ou seja, somente tem aplicação específica naquele determinado ramo do processo.
Ainda, há que se salientar que existem princípios que são previstos
na Constituição Federal e que são verdadeiros direitos fundamentais
garantidos aos seus destinatários e que se aplicam a todas as áreas, razão pela qual estuda-se em capítulo à parte.
Também se deve salientar que existem princípios informativos do processo, ou seja, princípios que apenas constituem ideais que representam uma promessa de melhora do aparato processual, ou seja, devem ser universalmente aceitos.
Ninguém os questiona: são eles o princípio lógico, o jurídico, o político e o econômico.
Pelo princípio lógico o processo deve seguir uma determinada forma, uma determinada lógica, como, por exemplo, a contestação vir depois da petição inicial, ou a defesa ser feita após a acusação.
Pelo princípio jurídico o Poder Judiciário deve proporcionar as partes uma igualdade de tratamento e justiça na decisão.
Pelo princípio político, afirma-se que o Poder Judiciário deve tentar assegurar a máxima garantia social, com o mínimo de sacrifício individual de liberdade dos litigantes. O juiz não pode eximir-se de julgar.
Pelo princípio econômico, a economia de tempo e de dinheiro deve ser buscada por todos os operadores do direito. Deve-se alcançar os melhores resultados com o menor dispêndio de esforços e recursos.
O Princípio do dispositivo, ou princípio da inércia da
jurisdição, princípio da ação: nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional
senão quando a parte ou o interessado a requerer. Está o mesmo
positivado no artigo 2º do Código de Processo Civil com a seguinte
redação: “Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais”.
No Código de Processo Penal está previsto nos arts. 24, 28 e 30.
Ora, imagine-se o magistrado, ao sair da Justiça do Trabalho, se deparando com uma situação: Um empregado sendo despedido aos berros na frente de outros empregados e clientes dentro de uma loja num shopping qualquer da cidade. Pode o magistrado, compadecido com aquela situação, iniciar, de ofício, uma reclamação para o empregado ser indenizado por dano moral frente ao Poder Judiciário trabalhista? Por óbvio a resposta passa pela negatividade. A ação quem tem e deve exercer sua pretensão é o empregado humilhado. Parte, de sua vontade, o ajuizamento da referida ação, tendo em vista imperar o princípio da inércia da jurisdição.
Veja que seria um contra-senso fazer com que o magistrado iniciasse um processo, conforme explicam CINTRA, GRINOVER e DINAMARCO
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Tanto no processo penal como no civil a experiência mostra que o juiz que instaura um processo por iniciativa própria acaba ligado psicologicamente à pretensão, colocando-se em posição propensa a julgar favoravelmente a ela. Trata-se do denominado processo inquisitivo, o qual se mostrou sumamente inconveniente pela constante ausência de imparcialidade do juiz. E assim a idéia de que tout juge est procureur général acabou por desacreditar-se, dando margem hoje ao processo de ação, que, no processo penal, corresponde ao processo acusatório. No processo inquisitivo, onde as funções de acusar, defender e julgar encontram-se enfeixadas em um único órgão, é o juiz que inicia de ofício o processo, que recolhe as provas e que, a final, profere a decisão.
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