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Aline Feitoza de Oliveira

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Aline Feitoza de Oliveira

O USO DA ANTROPOLOGIA FORENSE COMO DISCURSO CONTRA AS

VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E LAUDO ANTROPOLÓGICO FORENSE

São Paulo

2018

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Aline Feitoza de Oliveira

O USO DA ANTROPOLOGIA FORENSE COMO DISCURSO CONTRA AS

VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E LAUDO ANTROPOLÓGICO FORENSE

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Antropologia Forense e Direitos Humanos da Universidade Federal de São Paulo como parte dos requisitos para obtenção do título de especialista.

Orientadores: Profa. Dra. Claudia Regina Plens e Profa. Dra. Eugénia Maria Guedes Pinto Antunes da Cunha

São Paulo

2018

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Universidade Federal de São Paulo

Centro de Arqueologia e Antropologia Forense

Especialização em Antropologia Forense e Direitos Humanos

Nome: Aline Feitoza de Oliveira

O uso da Antropologia Forense como discurso contra as violações de Direitos Humanos

Desaparecimento forçado, antropologia forense e violações de Direitos Humanos

A Declaração Universal de Direitos Humanos proclamada em Assembléia Geral das Nações Unidas em 1948 apresenta no Artigo 3º que toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. No artigo 5º, defende-se que ninguem será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. No artigo 9º, proclama-se que ninguem será arbitrariamente preso, detido ou exilado. O desapareimento forçado fere diretamente esses três artigos, a partir do sequestro e privação de liberdade, muitas vezes seguido de cárcere e tortura, e finalmente terminando em morte. O desaparecimento forçado é uma estratégia utilizada por diferentes governos ditatoriais e grupos civis em conflitos armados, seja na América Latina (ditaduras entre 60 e 80), Europa (Guerra Civil Espanhola), Africa (Somaliland e Ruanda), entre outros. O reconhecimento dessas ações violentas demora muitos anos para acontecer, principalmente após a saída dos perpretadores da posiçao de poder.

O desaparecimento aparece como uma política de Estado que articula uma relação entre morte e poder, de modo a gerar o que Mbembe chama de necropolítica. Ou seja, o Estado exerce um poder que produz morte e o usa para subordinar as populações. (MBEMBE, XXX). Além disso, o que recentemente vem sendo chamado de necrogovernabilidade, permite que através dos sistemas burocráticos do Estado o desaparecimento se perpetue, e que através da administração pública relacionada a morte dispositivos desaparecedores reflitam em uma quantidade maior de pessoas desaparecidas (FRANCO, 2018).

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Muitas vezes, durante o processo de redemocratização, e de fim dos conflitos armados, é dificil de se conseguir justiça internamente direto em cada país, seja por não reconhecimento interno das violações que aconteceram, seja por falta de apuração de fatos e coleta de dados, seja porque parte do aparato estatal e buracrático se mantém. Comissões e organizações internacionais surgiram como resposta a diferentes violações, especialmente após a Segunda Guerra Mundial. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos surgiu, em 19531, como proposta de ambito de justiça quando não é possível consegui-la internamente, especialmente quando as ações acontecem contra o próprio Estado. Como modo de reparar as violações, os resultados aparecem principalmente como recomendações.

Um caminho na busca pela justiça tem sido a aplicação da Antropologia Forense. Onde ela é institucionalizada, ela é entendida como um ramo da Antroplogia Biologica (LESSA, 2009) e é aplicada principalmente em remanescentes esqueletizados associados a crimes. Seus resultados tem sido utilizados para fundamentar e fortalecer denúncias, muitas vezes frente às Comissões Internacionais de Direitos Humanos2. Desse modo, a Antropologia Forense aparece não apenas como um instrumento de identificação, mas como um meio de se conhecer a verdade, levantar dados, expor métodos de desaparecimento, técnicas de tortura e assassinato.

A Antropologia Forense, como ela se consolidou na América Latina, apresenta quatro interfaces, sendo a) Etapa preliminar, ou etapa Antemortem, que consiste em levantamento de documentação, dados de familiares, entrevistas, plantas e mapas, fotos aéreas; b) Etapa de escavação, com a prospecção das áreas de maior probabilidade, escavação controlada e recuperação de remanescentes humanos, c) Etapa de análise bioantropológica, com estimação de perfil biológico, identificação de marcadores individualizantes, entre outros; d) Etapa de coleta e análise de DNA. Todas as etapas sendo aplicadas de forma articulada e indissociável.

Antropologia forense na America Latina

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Deve-se notar que a Comissão surgiu antes da instalação das ditaduras militares na América Latina. A Corte Interamericana de Direitos Humanos surgiu em 1969, quando muitos Estados já estavam sob esses governos.

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O Grupo de Trabalho Perus é um exemplo de ação prática para identificação de desaparecidos políticos que foi articulada a partir de um diagnóstico realizado pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), partindo de uma solicitação do grupo de familiares (Relatório Comissão Municipal da Verdade – Rubens Paiva, 2016)

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Após o fim das ditaduras militares na América Latina, alguns paises, como a Argentina, iniciaram trabalhos de investigação, responsabilização e reparação das violações de Direitos Humanos. Para conseguir seguir com essas linhas fora do escopo do governo, ainda sob suspeita, criaram-se organizações na esfera civil, que receberam os nomes de Memória, Verdade e Justiça, enquanto outras associaram o nome diretamente à luta pelos Direitos Humanos, como no México (AFADEM – em espanhol – Associação de Familiares de Presos Desaparecidos e Vítimas de Violações de Direitos Humanos. Nem todas as organizações usam o conceito explicitamente, mas as diretrizes que seguem e defendem são no escopo dos três artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, citados no inicio do trabalho.

Na Colombia, onde o conflito entre o Estado e uma organização paramilitar aconteceu até o ano 2017, defende-se abertamente que o trabalho de antropologia forense seja aplicado aos contextos de violações de Direitos Humanos e infrações de direito humanitário (SANABRIA et al, 2017). Muito utilizada em casos de acidentes de minas, catastrofes naturais e acidentes aéreos, a aplicação dos conhecimentos de antropologia forense em contextos de violações, deve ser algo aplicado como um retorno à sociedade.

Na Argentina, em 1984 surgiu uma das primeiras organizações voltada exclusivamente para aplicações da Antropologia Forense. A Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) foi criada com o apoio do antropólogo americano Clyde Snow, como consequência da ditadura argentina, que durou de 1976 a 1983, com entre 10 a 30mil pessoas presas e desaparecidas. Algumas estratégias aplicadas pelo Estado envolviam o desaparecimento do corpo, com inumações em locais de dificil acesso, ou corpos jogados ao mar. Quando não havia a desaparição do corpo físico, se desaparecia com a identidade da pessoa, deixando o corpo largado sem documentos, ou enterrada como desconhecido em cemitérios. A equipe ajudou posteriormente a moldar outras equipes no continente que passaram por contextos parecidos, e se tornou uma grande referência no assunto. Se aproximando dos familiares, destacando a importância do levantamento preliminar, demonstraram a necessidade de outros profissionais ligados aos serviços de perícia (SALADO, 2008).

A ditadura militar na Guatemala esteve muito relacionada a ditadura argentina. Rostica (2018) argumenta que haviam transferencias de conhecimentos atraves de

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canais clandestinos, mas também públicos, diplomáticos e formais entre os dois paises. Na Guatemala morreram mais de 200 mil pessoas, em sua maioria, em decorrência de massacres e ações sistemáticas em zonas rurais, enquanto nas zonas urbanas ainda se mantinha a fachada dos acordos estabelecidos com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Houve um processo de formação de oficiais guatemaltecos junto ao alto posto na Argentina e a criação de uma rede chamda Confederação Anticomunista Latinoamericana, através da qual a Argentina tentou se construir como uma autoridade maior que os Estados Unidos na região. Desse modo, a Argentina ofereceu assistência militar a Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicaragua, sem com com a sitemática de detenção ilegal, interrogatório e desaparecimento (ROSTICA, 2018). Também no processo de investigação a Guatemala seguiu o caminho e contou com o apoio da Equipe Argentina. Estruturou-se como uma organização não governamental, que se sustenta a base de de doações e trabalhos internacionais, a 21 anos a Fundação de Antropologia Forense da Guatemala, seguindo a linha de dados antemortem juntamente com a coleta de material genético das familias, já coletou mais 15 mil amostras de referência, nas etapas de escavação, recuperou mais de 8mil corpos, e ao final, identificou mais de 3mil pessoas.

Conclusão

O desaparecimento forçado é utilizado com estratégia política de repressão em diferentes contextos. Na América Latina ele foi amplamente práticado, durante os governos militares da segunda metade do século XX. Após a redemocratização, grupos da esfera civil desenvolveram diferentes estratégias para construir discursos de legitimidade sobre as investigações dos crimes e violações cometidos pelo Estado. Com exceção do Uruguai, onde a iniciativa partiu da esfera pública, após convênio entre a Presidencia da República e a Universidade da República. As violações aos Direitos Humanos no continente aconteceram de maneira similar, assim como a criação das organizações também se deu em sua maioria de modo independente dos Estados. Houve o surgimento de diversas organizações e coletivos nos periodos pós-ditatoriais, e o diferencial das equipes e associações foi usar a Antropologia Forense como uma área científica reconhecida internacionalmente para fundamentar e legitimar seus trabalhos, frente às investigações e orgãos internacionais. Especialmente em tempos de

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glamourização da antropologia forense através da midia, para além dos resultados positivos que tem sido gerados em termos de identificação, utilizar a Antropologia Forense como um discurso para fortalecer a defesa pelos Direitos Humanos se consolida como uma estratégia cada vez mais importante.

Bibliografia

Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo. Relatório de Dezembro/2016.

FRANCO, F.L.N. 2018. Da biopolítica à necrogovernamentalidade: um estudo sobre os dispositivos de desaparecimento no Brasil. Tese de doutorado. Universidade de São Paulo.

LESSA, A. (2009) Violência e impunidade em pauta: problemas e perspectivas sob a ótica da antropologia forense no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 14(5):1855-1863.

MBEMBE, A. 2003. Necropolitics. Public Culture 15(1):11-40. [s.l.]: Duke University Press, 2003.

ROSTICA, J. (2018). La Confederación Anticomunista Latinoamericana. Las

conexiones civiles y militares entre Guatemala y Argentina (1972-1980). Desafíos,

30(1), 309-347. Doi: http://dx.doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/desafios/a.5227

SANABRIA, M.C. & OSORIO, H. (2015). Ciencias forenses y antropología forense en el posconflicto colombiano. Revista Criminalidad, 57 (3): 119-134.

SALADO, M. FONDEBRIDER, L. (2008) El desarrollo de la antropología forense en

la Argentina. Cuad Med Forense, 14(53-54), Julio-Octubre 2008

http://sdh.gub.uy/inicio/institucional/equipos/equipo-de-antropologos/presentacion-del-equipo-y-objetivos (consultado em 30/12/2018)

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Universidade Federal de São Paulo

Centro de Arqueologia e Antropologia Forense

Trabalho de Conclusão de curso apresentado para obtenção de título de especialista em Antropologia Forense e Direitos Humanos

Laudo antropológico – Caso 006/10

Orientador: Profa Dra Eugenia Maria Guedes Pinto Antunes da Cunha

Discente: Aline Feitoza de Oliveira

Dezembro/2018 São Paulo/SP

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Introdução

Este laudo compõe a proposta de trabalho de conclusão de curso da Especialização em Antropologia Forense e Direitos Humanos oferecido pela Universidade Federal de São Paulo.

O trabalho foi realizado no Centro de Arqueologia e Antropologia Forense da UNIFESP, na Rua Joaquim Távora, 168 – Vila Mariana, São Paulo. As atividades aconteceram no dia 06 de dezembro de 2018 e iniciaram as 10 horas quando um saco plástico azul foi entregue pela Prof Dr Claudia Plens, e encerraram as 15 horas do mesmo dia. As atividades de análise foram realizadas no andar inferior do prédio, em uma sala destacada para as atividades práticas do curso.

Materiais

O material fornecido para as atividades práticas, tais como a produção do laudo para a conclusão do curso são provenientes de um convênio realizado entre o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense e o Instituto de Ensino e Pesquisa em Ciências Forenses de Guarulhos. Os esqueletos disponíveis foram objeto de uma exumação administrativa na Necrólopoe de Campo Santo, em Guarulhos, área metropolitana de São Paulo. Os esqueletos exumados apresentam informação sobre sexo, idade, ancestralidade, causa de morte, data de nascimento e morte (entre 1986 e 2013), que não foram informadas aos alunos para realização do exame (CUNHA et al, 2018).

O esqueleto utilizado nesta prática estava em um saco azul do Serviço Funerário e identificado com quatro etiquetas 006/10 E. O saco veio fechado por um barbante.

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Figura 1. Saco azul que continha o esqueleto analisado neste laudo.

Ao abrir o saco, foi possível constatar que o esqueleto estava solto, e junto dele havia alguns sacos plástico zip vazios e quatro etiquetas com a identificação 06/10, de modo que uma estava fora, como mostra a figura anterior e três estavam dentro do saco. Ossos como o hióide e cóccix estavam dentro de um pequeno saco plástico zip. A figura 2 mostra o esqueleto que foi retirado do saco. A escala nesta figura serve apenas para comparação métrica, de modo que o Norte marcado nela deve ser desconsiderado.

Figura 2. Esqueleto sobre a mesa para inicio da análise.

Após o inventário foi possível constatar que estavam faltando 3 falanges mediais e 3 distais do pé e 4 falanges distais de mão. Havia ainda 3 ossos sesamóides.

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Métodos

Para elaboração deste laudo foram utilizados diversos métodos métricos e não métricos.

- Sexo: Foram utilizados os métodos propostos para analise de pelve e crânio por Buikstra e Ubelaker (1994) – morfovisuais - e DSP - métrico.

- Idade: Foram utilizados os métodos propostos por Suchey e Brooks (1990), Di Gangi (2009); Lovejoy (1985), Lamendin et al.(1992).

- Estatura: Mendonça (2000)

- Ancestralidade: Foram utilizados os métodos propostos por Hefner (2009) e Ancestrees (2015).

Além disso, foram observados fatores individualizantes odontológicos, patológicos ou traumáticos, e a partir das características encontradas buscou-se na bibliografia médica correspondências para o observado.

Resultados

Sexo: Masculino.

Buikstra e Ubelaker – Pelve: Masculino.

Figura 3. Caso 06/10 - Características pélvicas para análise de sexo.

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Figura 4. Caso 06/10. Características cranianas para análise de sexo.

DSP: Masculino.

Figura 5. Resultado obtido a partir das medidas realizadas no esqueleto.

Idade: Suchey e Brooks: Entre 27 e 66 anos, com média em 45 anos. Lovejoy: Entre 40 e 44 anos.

Lamendin: Entre 30 e 61 anos, com média em 46 anos.

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Estatura: Entre 1,67m e 1,73m. Ancestralidade: Africana.

AncesTrees: Africa Sub-Sahariana.

Figura 6. Resultado obtido após análise no AncesTrees através do osteomics.com.

Hefner: Africana.

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Odontograma:

O individuo apresenta ausências antemortem, com reabsorção alveolar em 11, 12, 16, 17, 21,26, 28, 36, 37, 38, 45, 46, 47. Ausências post-mortem de 24 e 27. Presença de cálculo leve em algumas peças e desgaste leve em oclusal de 13, 22 e 23. Abscesso associado a perda da peça 21, com fragmento radicular no alvéolo. Fratura de coroa em 18, 32 e 48. Lesão cavitária de no máximo 2mm em 25 e 44. Presença de lesão cervical em formato de sulco na peça 13 pela vestibular. Periodontose generalizada com retrocesso de aproximadamente 5,4 mm. Manchas brancas em caninos, possivelmente fluorose. A peça 31 está mais posterior, e a 42 mais superior (muito provável pela presença de cola no alvéolo), de modo que os incisivos inferiores ficam desalinhados. Não apresenta restauros ou diastemas.

Figura 8. Odontograma do caso 006/10

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Figura 10. Caso 06/10. Detalhe de manchas nos caninos e fragmento radicular em alveolo.

O individuo apresenta ainda na peça 22 um caractere não métrico classificado como Interruption groove. Mais comum em incisivos laterais superiores, essa marca recebe uma gradação. Neste caso, foi registrado como M por estar presente na borda mesolingual.

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Fatores individualizantes: - Presença de 3 ossos sesamóides.

- Observa-se a fusão entre uma falange distal e medial do pé. Provavelmente o fusionamento deve ter ocorrido devido a fratura das falange do pé. Não foi possível lateralizar as falanges.

Figura 11. Caso 06/10. Falanges medial e distal do pé apresentam fusionamento.

- O calcâneo direito apresenta uma morfologia diferenciada com excrescências ósseas e aumento de porosidade. Sugere a realização de exame de imagem para confirmação de fratura antemortem ou condição patológica do calcâneo. A figura a diferença entre o calcâneo direito e esquerdo, assim como a superfície de contato com o talus.

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- A fíbula direita apresenta aumento de porosidade em diáfise. Provavelmente a porosidade esteja relacionada a um processo inflamatório e consequência do observado em calcâneo direito.

- O fêmur direito apresenta um crescimento osteolítico de aproximadamente 14 mm no côndilo medial.

Figura 13. Caso 06/10. Epífise distal do fêmur com crescimento osteofitico.

Nota-se que todas as características observadas no membro inferior direito – fêmur, fíbula, calcâneo e talus – podem estar associados a uma única causa.

- A 2ª costela direita apresenta com crescimento osteofítico de 13mm próximo à extremidade external.

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Processos tafonômicos:

Os ossos apresentam uma coloração muito branca e sulcos igualmente espaçados, que foram interpretados como marcas de escovação, provavelmente do procedimento de limpeza do esqueleto.

Figura 14. Escápula esquerda, face anterior, com marcas que foram interpretadas como escovação para limpeza.

Conclusões

O esqueleto estava quase totalmente completo e em bom estado, com algumas alterações tafonomicas, principalmente de coloração. Não havia tecido mole, ou pertences associados ao corpo. De modo geral, o individuo apresenta boa condição física, com ossos densos e firmes. O individuo foi estimado como do sexo Masculino, entre 30 e 60 anos, com maior probabilidade de estar em torno dos 40 anos. Sua estatura foi estimada entre 1,67m e 1,73m de altura. A ancestralidade foi estimada por afinidade com grupos afrodescendentes. O individuo apresenta perda dentária antemortem das peças 11, 12, 16, 17, 21,26, 28, 36, 37, 38, 45, 46, 47. Abscesso associado a perda da peça 21, com fragmento radicular no alvéolo. Fratura de coroa em 18, 32 e 48. Lesão cavitária de no máximo 2mm em 25 e 44. Presença de lesão cervical na peça 13 pela vestibular. Periodontose generalizada com retrocesso de aproximadamente 5,4 mm.

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Manchs brancas em caninos, possivelmente fluorose. A peça 31 está mais posterior, e a 42 mais superior (muito provável pela presença de cola no alvéolo), de modo que os incisivos inferiores ficam desalinhados. O individuo apresenta patologia em calcâneo direito, crescimentos osteofíticos em distal de fêmur direito e epífise esternal da segunda costela direita e a fusão de duas falanges de pé. Não havia objetos pessoais associados.

O corpo encontra-se esqueletizado, e as informações publicadas sobre a série indicam que os indidivuos tenham morrido entre 1986 e 2013, contudo não foi possível estimar o tempo decorrido desde a morte.

Não foi possivel identificar a causa da morte.

Não haviam dados antemortem para comparação e onfrontação para identificação.

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Referencias Bibliográficas

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Buikstra, J.E. and D.H. Ubelaker (1994) Standards for Data Collection from Human Skeletal Remains. Arkansas Archaeological Survey Research Series No. 44; Fayetteville: Arkansas Archaeological Survey.

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