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V.10, nº2. jan./jul

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Academic year: 2022

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V.10, nº2. jan./jul. 2017. 1

Revista FOCO

Periódico dos Programas de Graduação e Pós-Graduação em Administração e Recursos Humanos.

Faculdade Novo Milênio

ISSN: 1981-223X

EDITORIAL

COMISSÃO EDITORIAL Editores - Chefe Cristiano das Neves Bodart

Ana Cristina Scopel Editores

Alessandra Demite Gonçalves de Freitas Cassiano Pessanha Madalena

Ivone Gonçalves Luiz Kamille Ramos Torres Marcelo Loureiro Reis Naitê Andreão Passos

Priscila de Nadai Rafael D’Andréa Rafael Felício Júnior Roniel Sampaio Silva

COMUNICAÇÃO E DIVULGAÇÃO Kamille Ramos Torres

DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO DESTA EDIÇÃO Kamille Ramos Torres

Cristiano das Neves Bodart ASSESSORIA TÉCNICA Altieres Oliveira de Silva DOSSIÊ COORDENADO POR:

Cristiano das Neves Bodart Rafael Dantas Dias

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V.10, nº2. jan./jul. 2017. 2 PARECERISTAS DESTA EDIÇÃO

Adalberto Dias de Souza Adriana Carvalho Pinto Vieira Adriano David Monteiro Barros Ana Augusta Almeida Souza

Ana Carolina Vila Ramos dos Santos

Ana Cristina de Albuquerque Lima Rodrigues Ana Cristina Scopel

Antonio Henrique Maia Lima Ariane Fernandes da Conceição Bianca de Moura Wild

Cassiano Pessanha Madalena Claucir Roberto Schimidke Cleonice de Fátima Martins Cristiano das Neves Bodart Cristiano Weber

Daniel Martins Abelha

Diego Matheus Oliveira de Menezes Diogo Barbosa Leite

Edyane Souza Gonçalves

Érica da Cruz Novaes Gonçalves Dias Fabio Mascarenhas Dutra

Fagner Jose Coutinho de Melo Felipe Maciel Tessarolo

Fellipe Monteiro Negreiro Fernando Faleiros de Oliveira Fernando Santa Clara Viana Junior Francisco Gilson Rebouças Porto Junior Gilvan Dias de Lima Filho

Gustavo Yuho Endo Igor Idalgo Perdoná Ingrydy Patrycy Schaefer Jenny Acevedo Rincón

João Carlos Pereira de Moraes João Dantas dos Anjos Neto Jocélia Angela Gumiere da Silva José Adnilton Oliveira Ferreira

José Flávio da Paz

Juliano Domingues da Silva

Jussara Gallindo Mariano de Carvalho Kamille Ramos Torres

Kelma Maria Vasconcelos Cardoso Laís da Silva Gregório

Leandro Leal de Freitas Lívia Nogueira Pellizzoni Luis André Aragão Frota Luis Phillipe da Silva Inglat Maria Gabriela Miranda Marta Regina Garcia Cafeo Rafael Dantas Dias

Rafael Egidio Leal e Silva Rafael Francisco Hiller Rafael Martins Felício Júnior Rafaela Domingos Lago Raphaela Reis Conceição Silva Rarielle Rodrigues Lima Reinaldo Ramos Silva

Renan de Lima Maciel da Silva Renner Coelho Messias Alves Richard Medeiros de Araujo Roberto Araújo da Silva

Roberto Rodney Ferreira Júnior Rodrigo de Souza Rampazzo Ronaldo Bernadino Vieira Ronaldo Pesente

Rosemary Barbosa da Silva Moura Sávio Lima Lopes

Tatiana Aparecida Ferreira Doin Thais Joi Martins

Tiago Zardin Patias

Vitor Matheus Oliveira de Menezes Wladimir Rodrigues Dias

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V.10, nº2. jan./jul. 2017. 3 SUMÁRIO

Editorial...01-04

Apresentação

Kamille Ramos Torres...05-10 DOSSIÊ

Isomorfismo normativo: influência das instituições na construção do perfil do Administrador

Luis Phillipe da Silva Inglat, Elines Tatines Pereira dos Santos e Célio da Silva Pupo Júnior ...11-28

“Professor, quando o senhor me atende?”: a expansão do ensino superior em administração no Brasil

Renner Coelho Messias Alves e Gabriela Izabel de Alvarenga...29-55 O ensino da Administração da Produção e Operações na cidade de Maringá-PR: análise das metodologias e abordagens teóricas utilizadas nos cursos de graduação em Administração

Igor Gonçalves Guerreiro e Priscilla Borgonhoni Chagas...56-81 O mercado de trabalho na área de Administração: analisando a formação profissional e as demandas das organizações

Isabela Murad ...82-97 Faço o que digo? A relação entre o Projeto Político Pedagógico e a prática Docente

Ricardo Ribeiro Rocha Marques e Marina Batista Chaves Azevedo de Souza ...98-124 PRIMEIROS ESTUDOS

As racionalidades substantiva e instrumental na prática organizacional: um olhar sobre Guerreiro Ramos e os estudos organizacionais

Lucas Tadeu Cerri, Carolina Machado Saraiva Albuquerque de Maranhão e Jussara Jéssica Pereira...125-147 Análise da motivação de pessoas: um estudo baseado em princípios da Hierarquia de Necessidades de Maslow

Vander Luiz da Silva, Camila Maria Uller, Jordana Dorca dos Santos e Fabiane Avanzi Rezende...148-166 Conhecendo o Museu José Antônio Pereira: um patrimônio histórico de Campo Grande- MS

Elaine Cristine Luz Santos de Moura...167-187

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V.10, nº2. jan./jul. 2017. 4 ARTIGOS

A educação produtiva e a produtividade da educação: consequências do produtivismo acadêmico

Renner Coelho Messias Alves, Victor Miranda de Oliveira e Loreane da Silva Francisco ...;...188-207 Formação do docente para a Gestão Universitária: uma análise indutiva dos professores gestores da pós-graduação stricto sensu da UFRRJ

Ana Cristina de Albuquerque Lima Rodrigues e Beatriz Quiroz Villardi...208-231 Planejamento estratégico e Gestão Social: o caso da TV OVO

Ariane Fernandes da Conceição ...232-247 Diagnóstico da inovação nas empresas do setor alimentício: um estudo no município de Ponta Grossa, Paraná

Marilisa do Rocio Oliveira, Nilda Tanski, Eliane da Fátima Rauski e Laurindo Panucci-Filho ...248-264 Absenteísmo: análise através do custo-efetividade

Roberto Rodney Ferreira Júnior...265-277 Fatores determinantes na motivação dos colaboradores de uma empresa familiar localizada no município de Urussanga-SC

Deisiane Vicente dos Santos Cataneo, Débora Volpato, Adriana Carvalho Pinto Vieira e Julio César Zilli...278-296 O profissional de recursos humanos e as suas competências estratégicas para o negócio Ediane Eduardo Gomes do A. Aguiar Barbosa e Alberto Alvarães ...297-313 ENTREVISTA

O ensino e a formação do Administrador: uma entrevista com o Dr. Roberto Patrus

Rafael Dantas Dias e Kamille Ramos Torres...314-320

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 5

APRESENTAÇÃO

É com grande satisfação que apresentamos o volume 10, número 2 (2017) da revista FOCO.

A revista FOCO trás o dossiê intitulado “Ensino e formação do Administrador”, coordenado pelo editor-chefe Cristiano das Neves Bodart, doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor Adjunto na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em conjunto com Rafael Dantas Dias, mestre em Ciências Ambientais pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e professor efetivo de Sociologia da Secretaria de Estado da Educação do Amapá (SEED). O dossiê trás cinco artigos corroborativos à temática proposta.

Assim sendo, esta edição esta dividida em quatro (04) seções. A primeira seção reúne artigos que tratam do dossiê “Ensino e formação do Administrador”. A segunda seção é um espaço destinado a graduandos e recém graduados, sendo os textos de primeiras experiências de produção científica, sem, contudo, significar ser trabalhos insipientes ou/e de menor importância para as discussões no campo que estão inseridos. Já, a terceira seção é destinada aos artigos de mestrandos, mestres, doutorandos e doutores. Por fim, uma seção para a entrevista, a quarta seção, que também aborda o tema do dossiê.

A seção “DOSSIÊ: ENSINO E FORMAÇÃO DO ADMISNITRADOR” inicia-se com o artigo intitulado “Isomorfismo normativo: influência das instituições na construção do perfil do Administrador”, de Luis Phillipe da Silva Inglat, mestrando do Programa de Pós- Graduação em Administração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Administrador do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca

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(CEFET-RJ); Elines Tatines Pereira dos Santos e Célio da Silva Pupo Júnior, ambos mestrandos em Administração pela UFRRJ. Os autores tiveram como objetivo “[...] analisar o processo de institucionalização do perfil do administrador a partir do isomorfismo normativo, observado principalmente na adoção de políticas de profissionalização”.

O segundo artigo dessa seção é de autoria de Renner Coelho Messias Alves, Secretário Executivo da Reitoria da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e mestrando em Administração pela UFRRJ e Gabriela Izabel Alvarenga, também mestranda em Administração pela UFRRJ. No artigo intitulado ““Professor, quando o senhor me atende?”: a expansão do ensino superior em administração no Brasil” os autores buscaram compreender como expansão do Ensino Superior no Brasil “[...] influencia a composição desse segmento educacional, de forma a evidenciar suas prováveis consequências sobre a relação docente-discente da graduação, em âmbito geral, e da pós-graduação stricto sensu na área de Administração, Ciências Contábeis e Turismo”.

O artigo “O ensino da Administração da Produção e Operações na cidade de Maringá-PR: análise das metodologias e abordagens teóricas utilizadas nos cursos de graduação em Administração” é o terceiro artigo dessa seção. De autoria de Igor Gonçalves Guerreiro, mestrando em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e de Priscila Borgonhoni Chagas, professora Adjunta do Departamento de Administração da UEM e doutora em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O artigo teve como objetivo, através de uma metodologia qualitativa e entrevistas semiestruturadas, compreender “[...] as metodologias e abordagens teóricas utilizadas pelos docentes das Instituições de Ensino Superior da cidade de Maringá-PR para ministrar a disciplina da Administração da Produção e Operações (APO)”.

O quarto artigo dessa seção é de autoria de Isabela Murad, mestra em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Intitulado “O mercado de trabalho na área de Administração: analisando a formação profissional e as demandas das organizações” o artigo objetivou analisar o que foi estudado sobre o mercado de trabalho na área de Administração, no período de 1995 a 2015, tendo como foco a formação do profissional para a atuação profissional.

Por fim, o quinto e último artigo dessa seção intitulado “Faço o que digo? A relação entre o Projeto Político Pedagógico e a prática Docente”, de autoria de Ricardo Ribeiro Rocha Marques, docente do curso de Administração da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e mestre em Administração e Sociedade pelo programa de pós-graduação em Administração da Universidade Federal da Paraíba (UFPB); e de Marina Batista Chaves

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 7 Azevedo de Souza, mestra em Administração em Sociedade com ênfase em Estado e Trabalho pelo programa de pós- graduação em Administração da UFPB e professora contratada do Departamento de Terapia Ocupacional da UFPB teve por objetivo” [...] analisar o discurso de dez professores pertencentes a dois cursos de diferentes áreas do conhecimento (ciências sociais aplicadas e ciências da saúde)” com a finalidade de “[...] verificar questões que integram os projetos, de maneira a questionar se existe coerência entre a teoria e a prática docente, quando levados em consideração os projetos de cada curso”.

Na segunda seção, denominada “PRIMEIROS ESTUDOS” o leitor encontrará três (03) artigos com temas livres. O primeiro artigo “As racionalidades substantiva e instrumental na prática organizacional: um olhar sobre Guerreiro Ramos e os estudos organizacionais” é de autoria de Lucas Tadeu Cerri, graduado em Administração pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP); Carolina Machado Saraiva Albuquerque de Maranhão, doutora em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora adjunta na UFOP e; Jussara Jéssica Pereira, mestranda em Administração pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Nele os autores se propuseram a compreender

“[...] como se entrelaçam as racionalidades substantiva e instrumental no cotidiano dos gestores de primeira linha de uma multinacional e alguns funcionários de alto escalão de um órgão público na região do quadrilátero ferrífero em Minas Gerais”.

De autoria de Vander Luiz Silva, mestrando em Engenharia da Produção da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Camila Maria Uller, graduanda em Engenharia da Produção da Universidade Estadual do Paraná (UEPR); Jordana Dorca dos Santos, professora mestra do colegiado de Engenharia da Produção da UEPR; e de Fabiane Avanzi Rezende, graduada em Engenharia da Produção da UEPR, o artigo intitulado “Análise da motivação de pessoas: um estudo baseado em princípios da Hierarquia de Necessidades de Maslow”, apresenta, a partir de um estudo de caso uma análise do grau de satisfação relacionando-a à questão motivacional.

E por fim, o terceiro artigo dessa seção intitulado “Conhecendo o Museu José Antônio Pereira: um patrimônio histórico de Campo Grande-MS” é de autoria de Elaine Cristine Luz Santos de Moura, especialista em Cultura e História dos Povos Indígenas pela

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Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Neste artigo a autora buscou apresentar a importância do Museu José Antônio Pereira como patrimônio histórico e cultural de Campo Grande – MS.

A terceira seção, denominada “ARTIGOS” é composta por sete (07) artigos com temas livres. O primeiro artigo é intitulado “A educação produtiva e a produtividade da educação: consequências do produtivismo acadêmico” é de autoria de Renner Coelho Messias Alves, Secretário Executivo da Reitoria da UNIRIO e Mestrando em Administração pela UFRRJ; Victor Miranda de Oliveira, professor do Instituto Metodista Granbery (IMG) e mestrando em Administração da UFRRJ e; Loreane da Silva Francisco, mestranda em Administração pela UFRRJ. No artigo, os autores buscaram “[...] contrapor a educação produtiva e emancipatória ao produtivismo da educação implementada no Ensino Superior brasileiro”.

É de autoria de Ana Cristina de Albuquerque Lima, professora de Ensino Superior em Administração e mestra em Administração pela UFRRJ e de Beatriz Quiroz Villardi, doutora em Administração de Empresas pela Universidade Simón Bolivar da Colômbia e professora doutora Adjunta no Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis da UFRRJ, o segundo artigo dessa seção intitulado “Formação do docente para a Gestão Universitária:

uma análise indutiva dos professores gestores da pós-graduação stricto sensu da UFRRJ”, este teve por objetivo “[...] descrever como o professor gestor de Programa de Pós-Graduação em Instituição Federal de Ensino Superior – IFES aprende e desenvolve suas competências gerenciais, mesmo sem capacitação específica para a gestão”.

Ariane Fernandes da Conceição, pós-doutoranda em Extensão Rural e doutora em Desenvolvimento Rural pela UFGRS é autora do artigo intitulado “Planejamento estratégico e Gestão Social: o caso da TV OVO”, terceiro dessa seção. Nele buscou-se apresentar como ocorre o planejamento estratégico da TV OVO.

O quarto artigo da seção é intitulado “Diagnóstico da inovação nas empresas do setor alimentício: um estudo no município de Ponta Grossa, Paraná” dos autores Marilisa Rocio Oliveira, doutora em Administração pela Universidade Nacional de Misiones (UNAM) e Professora do curso de graduação em Administração da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); Nilda Tanski, professora do Centro de Investigações da Faculdade de Ciências Econômicas da UNAM; Eliane de Fátima Rauski, mestra em Administração pelo Programa de Pós Graduação em Administração da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Laurindo Panucci-Filho, doutorando em Ciências Contábeis e Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, da Universidade Regional de Blumenau

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 9 (PPGCC/FURB) e professor do curso de Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Neste artigo os autores buscaram “[...] identificar quais são as estratégias de inovação utilizada pelas empresas, a partir de um diagnóstico de inovação das pequenas e médias empresas atuantes no setor alimentício do município de Ponta Grossa, Paraná”.

No quinto artigo, este intitulado “Absenteísmo: análise através do custo-efetividade”, o autor Roberto Rodney Ferreira Júnior, doutorando em Administração de Negócios pelo Instituto Universitário ESEADE da Argentina e professor das Faculdades Santo Agostinho (FASA) e Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) buscou identificar o custo-efetividade entre um absenteísmo organizacional e a medida adotada para superá-lo.

O artigo intitulado “Fatores determinantes na motivação dos colaboradores de uma empresa familiar localizada no município de Urussanga-SC” é o sexto artigo dessa seção.

Nele os autores Deisiane Vicente dos Santos Cataneo, graduanda em Administração de Empresas na Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC); Débora Volpato, professora na UNESC; Adriana Carvalho Pinto Vieira, professora na UNESC e doutora em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas e, Julio César Zilli, também professor na UNESC e mestre em Desenvolvimento Socioeconômico, objetivaram

“[...] identificar os fatores que determinam a motivação dos colaboradores de uma empresa familiar do município de Urussanga – SC”.

O sétimo e último artigo dessa seção é de autoria de Ediane Eduardo Gomes do A.

Aguiar Barbosa, graduada em Administração e Gestão de Recursos Humanos pelo ABEU Centro Universitário (Uniabeu) e de Alberto Alvarães, mestre em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis. No artigo intitulado “O profissional de recursos humanos e as suas competências estratégicas para o negócio” os autores buscaram identificar “[...] quais competências dos profissionais que atuam no setor de RH podem levá- los a um perfil estratégico indo além de profissionais de uma simples área de apoio”.

A última seção dessa edição é destinada a uma ENTREVISTA concedida pelo Doutor em Administração Roberto Patrus, professor Adjunto do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

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A entrevista foi conduzida por Rafael Dantas Dias, este mestre em Ciências Ambientais pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e Kamille Ramos Torres, Bacharel em Administração pela Faculdade Novo Milênio/FNM.

Esperamos, com mais esta edição, colaborar para o desenvolvimento científico/acadêmico.

Kamille Ramos Torres,

Bacharel em Administração pela Faculdade Novo Milênio/FNM Membro do Corpo Editorial da Revista FOCO.

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 11

ISOMORFISMO NORMATIVO: influência das instituições na construção do perfil do Administrador

Luís Phillipe da Silva Inglat1 Elines Tatianes Pereira dos Santos2 Célio da Silva Pupo Junior3

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar o processo de institucionalização do perfil do administrador a partir do isomorfismo normativo, observado principalmente na adoção de políticas de profissionalização. Na primeira parte, é feita uma revisão na literatura sobre a Teoria Institucional e uma reflexão dos debates dos seus principais autores. Analisam-se as influências estrangeiras na construção do modelo “brasileiro” de administração e o papel das instituições na concepção do perfil do administrador brasileiro. Na segunda parte, são analisadas três entrevistas de executivos, retiradas de um jornal online com a finalidade de verificar como o processo de isomorfismo normativo se dá por meio das organizações. E por fim, os resultados sugerem um comportamento de homogeneização no perfil do administrador, que parece ser recorrente em diferentes organizações e se mantém como mecanismo de legitimação no campo organizacional.

Palavras-chave: Teoria Institucional. Isomorfismo. Organização. Administrador brasileiro.

NORMATIVE ISOMORPHISM: the influence of institutions in the construction of the Administrator's profile

1 Mestrando em Administração na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Administrador do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET/RJ. (Contato:

[email protected]).

2 Mestranda em Administração na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Servidora da Prefeitura Municipal de Itaguaí/RJ. (Contato: [email protected]).

3 Mestrando em Administração na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Bolsista CAPES.

(Contato: [email protected]).

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Abstract

This paper aims to analyze the process of institutionalization of the administrator’s profile in the process of normative isomorphism, observed mainly in the adoption of professionalization policies. In the first part, there is a literature review of the Institutional Theory and a reflection on the debates of its main authors. The foreign influences are analyzed in the construction of the "Brazilian" model of management and the role of institutions in the design of the brazilian administrator’s profile. In the second part, three interviews of CEO’s were taken from an online newspaper and analyzed with a purpose to verificate how the process of normative isomorphism happens through the organizations. Finally, the results point to a homogenization behavior in the administrator’s profile, which is recurrent in different organizations and remains a mechanism of legitimacy in the organizational field.

Keywords: Institutional Theory. Isomorphism. Organization. Brazilian administrator.

INTRODUÇÃO

Os avanços nos estudos organizacionais nas últimas décadas culminaram na necessidade de uma maior compreensão do ambiente externo às organizações, no intuito de definir quais os fatores que influenciam as estruturas das empresas. Mediante isso, é dado início aos estudos institucionais, que buscam realizar a análise organizacional a partir de aspectos simbólicos e técnicos no intuito de interiorizá-los como valores simbólico- normativos. Segundo Assis (2010), uma instituição se difere de uma organização, pois é um empreendimento esperado e permanente, atendendo as necessidades sociais e tendo o seu valor atrelado a si mesma, não mais a seus produtos e serviços, tornando-se modelo dentro do seu campo de atuação.

Diante disso, é gerada uma padronização de comportamentos organizacionais, já legitimados, criando assim o que DiMaggio e Powell (2005) definem como “gaiola de ferro”.

Para os autores, as empresas entrantes se veem obrigadas a assumir atitudes, práticas e procedimentos idênticos aos de empresas legitimadas no campo, gerando assim o isomorfismo institucional, que pode ser classificado como coercitivo, mimético e normativo.

DiMaggio e Powell (2005) ao revisitarem a metáfora weberiana da “gaiola de ferro”, destacam que a padronização coletiva no comportamento organizacional é um meio eficiente de controle do indivíduo, portanto uma forma de aprisioná-lo por meio de uma racionalidade instrumental. Logo, a burocratização e a homogeneização surgem da estruturação do campo organizacional, este último definido DiMaggio e Powell (2005) como uma área reconhecida da vida institucional, que abrange um conjunto de organizações que produzem produtos e serviços similares.

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 13 Logo, o conceito de estruturação do campo organizacional é um conceito primordial para entendimento do novo institucionalismo, sendo fundamental para compreender o processo pelo qual as organizações se tornam mais similares. Verifica-se que, de acordo com DiMaggio e Powell (2005), quanto mais estruturado um campo organizacional, maior será a interação entre as organizações, por conseguinte acarretará um aumento na troca de informação e o desenvolvimento de uma conscientização mútua entre os participantes de que estão envolvidas em um negócio comum.

Nesse cenário, o isomorfismo normativo é um conceito basilar para compreender a construção do perfil do administrador brasileiro, haja vista que o mecanismo normativo está atrelado à profissionalização no que tange ao compartilhamento de normas e métodos de trabalho pelos membros de cada segmento ocupacional. Sendo assim, as categorias profissionais são consideradas grandes racionalizadoras do comportamento do indivíduo.

Esse processo de homogeneização, conforme mencionado, não afeta somente as organizações, mas também os profissionais. Com isso, analisar o perfil do administrador sob a perspectiva da teoria institucional permite compreender as influências exercidas na formação deste profissional. Haja vista que por muito tempo, no campo organizacional houve predominância dos pensamentos norte-americanos sobre a administração, inclusive no Brasil (MOTTA, 1983; FISCHER, 2001; WANDERLEY, 2015). Estas influências hegemônicas se estenderam ao continente europeu e à América Latina. No Brasil, especificamente, abriu-se espaço para implementação de escolas de negócio com o padrão norte-americano, com a finalidade de formar administradores capazes de replicar os seus modelos tidos como “ideais”

no país, conforme afirma Serva (1992).

Com isso, observou-se um direcionamento nas características necessárias ao administrador com o objetivo de adequar os moldes estrangeiros do gestor ideal influenciado principalmente pela Academy of Management dos EUA (GRANT; MILLS, 2006;

MCLAREN; MILLS, 2008; WANDERLEY, 2015). Esse direcionamento ainda pode ser observado mediante a grande valorização da profissionalização do administrador latente nas organizações, especialmente em relação à formação em gestão em escolas estrangeiras. O que de certa forma constitui uma normatização da profissão com a promessa de legitimação e do

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“segredo” para o sucesso profissional. A partir dessa inquietação, este artigo busca elucidar a questões inerentes ao perfil do administrador brasileiro e o seu processo de institucionalização, e ainda esclarecer quais são as influências exercidas por meio da metodologia, dos professores e das instituições para a formação deste profissional.

1 REFERENCIAL TEÓRICO 1.1. TEORIA INSTITUCIONAL

Nos últimos 50 anos, os estudos organizacionais apresentaram relevante desenvolvimento nas pesquisas científicas. Conforme apontou Scott (2001), a década de 1960 foi um momento no qual os estudos começaram a direcionar-se em favor das perspectivas de sistemas abertos, buscando conceituar as organizações como instituições, por meio de sua legitimação frente à sociedade, garantindo assim a sobrevivência no negócio no qual as mesmas encontram-se inseridas (ASSIS et al., 2010).

Diante disso, é dado início ao desenvolvimento institucional, que difere-se dos estudos usuais, pois supera a abordagem do ambiente como uma entidade externa à organização.

Neste sentido, Assis (2010) destaca três pontos determinantes, que são: uma maior preocupação com os aspectos ambientais e seus impactos na estrutura e no comportamento das organizações; expansão no nível de análise, visando abordar nos estudos a sociedade envolvida no campo organizacional; uma maior compreensão referente aos aspectos sociais e culturais inerentes a questões econômicas.

Acerca da importância trazida pela institucionalização, Selznick (1957) aponta que instituições são indispensáveis, enquanto as organizações são substituíveis. Esse processo é dado ao incorporar valores que sejam externos à organização, indo além do necessário para o processo produtivo e que são gerados a partir da adequação e aceitação dos valores sociais (GUARIDO FILHO et al., 2009; ASSIS et al.,2010)

Neste sentido, pode-se destacar a importância do ambiente institucional, pois, segundo Duarte (2012), por meio dele as estruturas irão se redefinir com o objetivo de justificar seu caráter racional. Para o autor, pode-se caracterizar o ambiente organizacional como a aceitação de normas e exigências que são tomadas por parte das organizações, de forma passiva, para se obter a legitimidade do ambiente.

Em uma nova conceituação, o ambiente institucional teve sua abordagem redefinida,

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 15 sendo compreendido agora como campo organizacional. Este novo conceito difere-se do anterior pois abarca “um conjunto de organizações que compõem uma determinada área da vida institucional, abrangendo clientes, fornecedores, concorrentes e agências reguladoras”

(DUARTE; TAVARES, 2012, p. 4), em que a compreensão de seus interesses e influências é essencial para análise institucional.

Entretanto, DiMaggio e Powell (2005) apontam que uma vez que este campo esteja estabelecido, haverá a tendência à homogeneização das estruturas organizacionais. Este processo é denominado de isomorfismo, e é caracterizado como uma busca progressiva por legitimidade através da reprodução das ações de outras empresas já legitimadas no mesmo campo (ASSIS et al., 2010).

O processo isomórfico busca realizar a adequação do comportamento de agentes que sejam pertencentes a um mesmo campo organizacional. Este mecanismo pode ser caracterizado, de acordo com DiMaggio e Powell (2005), em coercitivo, mimético e normativo.

As pressões formais ou informais podem caracterizar o isomorfismo coercitivo.

Segundo DiMaggio (2005), as mudanças na estrutura da empresa variam de acordo com a mudança de pensamento social, tecnológico e econômico, podendo ser alteradas conforme uma nova expectativa social ou cultural seja criada, ou conforme são criadas novas leis que impliquem nisso. Em outros termos, são as alterações na estrutura de forma imposta, para que possa ser consolidada a legitimidade no campo, ou seja, “quanto mais o Estado e as outras organizações racionalizadas expandem o seu domínio, mais as estruturas organizacionais irão refletir as regras institucionalizadas e legitimadas pelo Estado e dentro do Estado” (DUARTE;

TAVARES, 2012, p. 5), o que resulta em organizações cada vez mais homogêneas.

O isomorfismo mimético é caracterizado usualmente em um ambiente de incerteza, onde os objetivos não estão definidos, gerando a busca por imitar modelos já legitimados (ASSIS et al., 2010; DUARTE; TAVARES, 2012). Neste tipo de isomorfismo, destaca-se a busca por modelar a organização com base na organização que for mais bem-sucedida ou mais legitimada dentro de um campo. A ideia central deste mecanismo é optar por estratégias que apresentem menor risco, e geralmente é utilizado por empresas que possuem recursos

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baixos, ou tecnologia limitada (DIMAGGIO; POWELL, 2005; ASSIS et al., 2010; DUARTE;

TAVARES, 2012).

Em relação ao isomorfismo normativo, Assis (2010) aponta a relação direta do nível de profissionalização com este mecanismo. Este tipo de pressão, segundo DiMaggio e Powell (2005), ocorre através do incentivo ao conhecimento padronizado. Segundo estes autores, um fato que impulsiona este mecanismo é a seleção de pessoal, pois dentro de muitas áreas organizacionais a seleção ocorre: por meio da contratação de indivíduos a partir de outras empresas do mesmo setor; por intermédio do recrutamento de pessoal de uma pequena gama de instituições de formação; ou seja, considerando requisitos de perfil para funções específicas.

Segundo Assis (2010), este tipo de isomorfismo ocorre

[...] quando se tem uma demarcação de condições, métodos e práticas comuns ao exercício de uma ocupação, definidas por meio de um compartilhamento de normas e conhecimentos com outros indivíduos, gerando uma similaridade entre diferentes organizações. Nesse caso, quanto mais similares forem as atividades entre as organizações em um mesmo ambiente e maior for a interação entre profissionais da mesma atividade, mais isomorfismo normativo se terá. Uma forma frequente desse isomorfismo é a profissionalização, sendo o sistema de ensino, em especial as universidades, veículos privilegiados que estabelecem o conjunto de normas, regulamentos e práticas comuns a uma determinada profissão (ASSIS et al., 2010, p.

4).

Mediante isto, ressalta-se a importância de compreender o conceito de isomorfismo e sua aplicação dentro das práticas organizacionais. Assim, é possível identificar não somente as ações que são homogêneas dentro de um campo, mas também qual a importância e influência das fontes desse mecanismo (DUARTE; TAVARES, 2012).

1.2. AS INFLUÊNCIAS ESTRANGEIRAS NA ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL

As influências no perfil do profissional em administração nas organizações como um todo se devem em grande parte a filosofia da Academy of Management. Por seu intermédio que durante a Guerra Fria difundiu-se a figura ideal de gestor para o mundo, dotado de educação, autoridade e responsabilidade social (GRANT; MILLS, 2006; MCLAREN;

MILLS, 2008; WANDERLEY, 2015).

No Brasil, parte do modelo de administração que se ensina nas escolas de negócio se deve a um convênio de cooperação assinado com os Estados Unidos em 1959, chamado de PBA-1. A partir deste convênio, foi gerado o Programa de Ensino de Administração Pública e de Empresas que culminou na criação de escolas de administração no Brasil, e “importação”

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 17 de 16 (dezesseis) professores norte-americanos com o objetivo de disseminar o modelo de administração dos EUA no país (CAPES, 1958; FISCHER, 2001; WANDERLEY, 2015).

A despeito da formação do administrador brasileiro, Motta (1983) também apontou para as influências norte-americanas do management nos países da América Latina e na Europa. Logo, o modelo de transferência de tecnologia norte-americano relacionado a gestão exerceu interferência sobre o ensino da administração no Brasil. Com isso, no Brasil passa a se encontrar escolas de negócios nos moldes das escolas norte-americanas, dotadas de professores enviados a universidades nos EUA para orientação, conforme afirma Motta (1983).

O papel das instituições norte-americanas exerceu influência também na seleção dos docentes brasileiros e na metodologia utilizada no ensino de administração (SERVA, 1990).

Além das próprias escolas de administração em si, abriu-se espaço para as empresas de consultoria, de treinamento entre outras, atuarem como agentes nesse processo de propagação dos modelos de administração estrangeiros (SERVA, 1992). Para Serva (1992) esse processo de estrangeirismo cria em quem aplica e em quem leciona a administração um sentimento de que ao seguir os modelos internacionais se alcançará o desenvolvimento e afastará a obsolescência das organizações.

Este comportamento homogeneizado afeta não somente as escolas de administração, mas também os acadêmicos, profissionais e as organizações, que exercem o papel de multiplicadores do modelo institucionalizado. Nos profissionais, este comportamento é observado ainda como um fator de aceitação no ambiente organizacional, dado o fato de que os mesmos necessitam compartilhar das premissas estrangeiras como forma de demonstração de ser um profissional atualizado (CALDAS, 1997).

Esse processo de institucionalização, conforme mencionado anteriormente, se caracteriza mediante o isomorfismo normativo, que irrompe por meio da profissionalização nas organizações. Ele ocorre também na determinação de um agrupamento de normas e procedimentos a serem obedecidos pelos profissionais no momento da investidura no cargo e na execução das atividades inerentes ao mesmo (DIMAGGIO; POWELL, 2005;

CARVALHO; VIEIRA; GOULART, 2005).

(19)

A preocupação com os “profissionais institucionalizados” brasileiros se reflete na reprodução da máxima de que para formar um profissional moderno era preciso que o mesmo possuísse formação em escola estrangeira. Em consequência, isto se tornaria um fator de legitimação do executivo e principalmente do acadêmico, exigindo que os mesmos sejam capazes de replicar e pôr em prática os modelos e teorias estrangeiras no país (MOTTA;

ALCADIPANI; BRESLER, 2001).

Desta maneira, quando falamos do mundo dos gestores no Brasil, há uma valorização extrema de modelos organizacionais, metodologias e teorias gerados alhures, não havendo preocupação com a pertinência (funcional) desses modelos à nossa realidade. O que há é uma preocupação nítida em se manter moderno, manter-se em contato com o mundo, fazendo com que nossa análise organizacional e nossa administração se desenvolvam a partir destes referenciais importados.

(MOTTA; ALCADIPANI; BRESLER, 2001, p. 73, grifos dos autores).

Para Motta (1983), o desenvolvimento prometido pelo capitalismo produziu uma visão do administrador como um profissional dotado de habilidades sociais, técnicas e conceituais o que o tornaria um administrador generalista capaz de atuar em diversas áreas. Contudo, em 1983 a formação do administrador, ainda recente na academia brasileira, mostrava-se com foco instrumental e pouca visão crítica. O autor alertava que a baixa visão crítica dos administradores em parte se dava a questões inerentes à formação acadêmica.

Um problema das faculdades de administração inseridas em universidades, algumas excelentes, tem sido, a meu ver, a pouca ênfase em análises críticas da realidade, o que se compreende a partir da estrutura universitária brasileira, que provoca o isolamento de especialistas. Assim, os estudantes sofrem uma formação frequentemente deficiente em áreas afins e os professores de administração não se beneficiam do contato com outros professores e pesquisadores (MOTTA, 1983, p.

53).

Em oposição, observa-se na academia em administração brasileira um paroquialismo presente na produção científica, ou seja, uma valorização exacerbada a autores nacionais.

Contudo, grande parte dos autores nacionais tendem a reproduzir sem críticas a produção científica estrangeira (BERTERO et al., 2013). Entretanto, a crítica que se faz ao paroquialismo se deve a sua inepta atenção ao contexto brasileiro e a complexa realidade brasileira. O que Bertero et al. (2013, p. 192) externalizam ao afirmar que “estudamos muito pouco a Administração no Brasil”.

1.3. O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES NA CONSTRUÇÃO DO PERFIL DO ADMINISTRADOR

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 19 Existe uma variação considerável na definição de instituição, e nos métodos de análise utilizados pelos estudiosos para estudar as instituições e os seus efeitos. Scott (2008) define que as instituições consistem em estruturas e atividades cognitivas, normativas e regulativas que fornecem estabilidade e significado no comportamento social. De acordo com Raffaelli e Glynn (2013), as instituições conseguem isso porque elas tendem a ser relativamente estáveis, inertes, e geralmente resistentes à mudança e à inovação. Nesse sentido, as instituições seriam fenômenos sociais nas quais a forma assumida pelo comportamento coletivo é socialmente permanente (HUGHES, 1936, p. 180).

Observa-se que o perfil profissional do administrador assim como de outras profissões é moldado principalmente pelas instituições de ensino e os conselhos regulamentadores dessas profissões. As instituições exercem um papel normatizador, no sentido de contribuir para a criação de um perfil profissional generalista, multiprofissional que tenha maturidade pessoal e a identidade profissional necessárias para agir em um ambiente de imprevisibilidade na qual as organizações estão inseridas (GONDIM, 2002).

Gondim (2002) destaca ainda que o perfil profissional deve estar alicerçado em pelo menos em três grandes grupos de habilidades: as cognitivas, obtidas no processo de educação formal; técnicas-especializadas; e as comportamentais e atitudinais. Verifica-se, portanto, que as instituições assumem um papel de modular o comportamento de seus profissionais. Por conseguinte, depreende-se que os profissionais de uma organização acabam definindo o seu perfil profissional guiando-se pelas restrições e autorizações dispostas pelos marcos institucionais, que atuam como as regras do jogo, estipulando incentivos e penalidades (SCHAPIRO, 2010).

Schapiro (2010, p. 7) destaca que “as instituições ao articularem incentivos e sanções influenciam na atuação do indivíduo”. Para Peci (2005), a existência das instituições provém do fato de satisfazerem as necessidades humanas e de um conjunto de fatores contingenciais que nascem das relações inevitáveis. A autora realça que aprimoramento contínuo das técnicas e das máquinas para a produção é uma característica marcante na sociedade contemporânea, sendo que, as constantes transformações tornam a estrutura institucional das comunidades mais complexa e especializadas em termos de função (PECI, 2005). Diante

(21)

desse contexto, verifica-se a busca por um perfil profissional especializado que atenda às expectativas das organizações.

2 MÉTODO

Este estudo é uma abordagem qualitativa interpretativa da influência do isomorfismo normativo na construção do perfil do administrador. Esta abordagem, segundo Vieira (2004), busca descrever detalhadamente os fenômenos e os elementos que os rodeiam, os discursos dos indivíduos envolvidos, seus significados e contextos. Buscou-se uma revisão aprofundada da literatura sobre o institucionalismo e o isomorfismo normativo no campo organizacional, bem como suas influências na construção do perfil profissional do administrador brasileiro.

A coleta dos dados se deu por meio de pesquisa documental. Esta, conforme afirma Oliveira (2007), não confunde-se com a pesquisa bibliográfica em que os dados são coletados em documentos científicos como livros, artigos científicos, periódicos entre outros. Pois segundo o autor, a pesquisa documental se diferencia da bibliográfica uma vez que sua fonte de informações se dá em documentos que não receberam análise científica como, por exemplo, reportagens em jornais e revistas, cartas, filmes ou material publicitário.

Para isso, foram coletadas 3 (três) entrevistas de executivos, que trabalham na administração de empresas atuantes no mercado nacional e/ou internacional, publicadas na seção de empregos e carreiras entre 2012 e 2016 no site de um jornal do Estado de São Paulo de grande acesso, fundado no século XIX e presente em versão online desde 1995. O critério de seleção das entrevistas online foi intencional, pela estratégia de amostragem homogênea, pois buscou-se selecionar casos de um subgrupo em particular ricos em informações cujo estudo aprofundado permitiu esclarecer os questionamentos da pesquisa, conforme afirma Patton (1990). Com isso, foram selecionadas entrevistas que apresentassem conteúdo abrangente e que pudessem contribuir para a compreensão do fenômeno social do isomorfismo normativo e da profissionalização no campo organizacional.

Para análise dos dados, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo, pois conforme aponta Bardin (1994), essa técnica rompe com a leitura simples para possibilitar a compreensão dos fenômenos sociais. Existem modalidades distintas de análise de conteúdo, nesse estudo foi empregado a análise temática nos termos de Minayo (2007). Por meio da análise temática buscou-se descobrir os núcleos de sentido presentes nas entrevistas levantadas no site do referido jornal online, sendo que, para atingir objetivo analítico aqui

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V.10, nº2, jan./jul. 2017. 21 proposto, examinou-se a presença ou frequência de um conjunto de características do perfil do administrador delineadas como essenciais.

A partir disso, foram definidas como categorias de análise do conteúdo as 6 (seis) habilidades necessárias ao administrador mais destacadas na Pesquisa Nacional Perfil, Formação, Atuação e Oportunidades de Trabalho do Profissional de Administração realizada em 2015 pelo Conselho Federal de Administração - CFA (Gráfico 1), que são: habilidades de relacionamento interpessoal, visão do todo, liderança, adaptação à transformação, criatividade e inovação e técnicas.

Gráfico 1 - Habilidades requeridas do Administrador.

Fonte: Adaptado da Pesquisa Nacional: Perfil, Formação, Atuação e Oportunidades de Trabalho do Profissional de Administração (CONSELHO…, 2015).

Por fim, admite-se que como análise interpretativista, esta pesquisa limita-se a uma compreensão parcial e inacabada, conforme afirma Minayo (2012). Tanto do conteúdo dos entrevistados, pois trata-se de uma percepção incompleta e limitada de suas vidas e do mundo, quanto dos pesquisadores, na maneira em que compreendem e interpretam os fenômenos

(23)

sociais.

3 ANÁLISE

Nesta pesquisa, foram analisados preliminarmente os perfis dos entrevistados de maneira a favorecer a compreensão do contexto em que suas respostas estão inseridas. Os executivos entrevistados pelo jornal online foram denominados neste estudo como

“entrevistados” e enumeramos respectivamente, conforme a sequência de análise. O entrevistado 1 atua como gerente de estratégia em uma empresa global de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing. O entrevistado 2 exerce a função de CEO em uma tradicional empresa brasileira de seguros, pertencente ao maior grupo segurador independente do Brasil. Já o entrevistado 3 é CEO de uma renomada escola suíça de formação de líderes. Após isso, foram observadas as presenças das categorias de análise nas respostas dos mesmos (Tabela 1).

Analisando o conteúdo da entrevista 1 observou-se que as competências apontadas vão ao encontro das habilidades do administrador definidas pelo CFA (Gráfico 1), sendo que, tal situação reflete o pilar normativo da categoria profissional do administrador na definição das características que esse profissional deve desenvolver. Verifica-se dessa forma, a ocorrência do isomorfismo normativo devido a profissionalização do administrador. Para Peci (2006), essa homogeneização decorre da “legitimação de uma base cognitiva produzida devido ao crescimento e a elaboração de redes profissionais - que atravessam as organizações e em torno das quais novos modelos se difundem com rapidez”.

Observou-se no discurso do entrevistado 2 características de homogeneização das habilidades do mesmo com as apontadas nas categorias de análise. Notou-se ainda que tais habilidades são assumidas como características fundamentais que corroboram o sentimento de aceitação e pertencimento no campo organizacional e quem não as possui, julga-se não estar apto a ocupar determinadas funções na administração, como por exemplo, habilidades de liderança e de adaptação à transformação. Por meio do discurso do entrevistado 2, percebeu- se a existência de um apoio formal para a formação de tais habilidades e uma busca pela legitimação em uma base cognitiva, conforme afirmam DiMaggio e Powell (2005). Em diversos momentos essas habilidades analisadas são diretamente associadas à obtenção do sucesso profissional.

No discurso do entrevistado 3, também foram observadas as características de

(24)

V.10, nº2, jan./jul. 2017. 23 Continua....

homogeneização aqui abordadas. Pode-se perceber ainda que, para o entrevistado 3, tais características são colocadas como essenciais para a formação de um bom gestor e para sobrevivência das empresas brasileiras. Um ponto a ser destacado é a atuação do entrevistado em uma escola de formação de líderes de abrangência global, atendendo também gestores que atuam no contexto brasileiro, o que impulsiona ainda mais o isomorfismo normativo através da criação e multiplicação das normas, regulamentos e descrição do comportamento do profissional da administração (ASSIS et al., 2010).

Tabela 1 - Comparativo das categorias de análise encontradas nas entrevistas.

CATEGORIAS DE

ANÁLISE ENTREVISTADO 1 ENTREVISTADO 2 ENTREVISTADO 3

RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

Essa categoria é uma das mais presentes no discurso do entrevistado.

O mesmo destaca essa habilidade como uma

“característica crucial, sendo um diferencial na carreira e indispensável para organizações”.

Categoria de grande representatividade para o entrevistado. Menciona sua relação no ambiente de trabalho fazendo analogia a uma relação matrimonial dada sua profundidade. Em contrapartida,

demonstrou execração a

traição nos

relacionamentos organizacionais.

O entrevistado aponta a necessidade de um bom líder saber agregar pessoas que possuam habilidades exemplares para compor sua equipe, isto se dará por meio de uma comunicação clara com seus funcionários.

VISÃO DO TODO

O entrevistado realça que o profissional deve ter um panorama do ambiente interno e externo da empresa.

Enfatiza isso no trecho

“[...] capacidade de ler o cenário como um todo.”

Demonstrou conferir a visão holística um fator primordial no suporte à tomada de decisão e no planejamento de longo prazo em sua carreira.

O entrevistado coloca esta característica como a principal para ser um bom gestor, deixando claro no trecho “[...]

precisa estar de olho no que acontece no horizonte, para ter certeza de não perder de vista os objetivos a longo prazo”.

LIDERANÇA

Competência muito valorizada pelo entrevistado, sendo apontada como uma capacidade

imprescindível que o

Atribui ao ato de liderar um papel de construção de sonhos, de projetos. A liderança foi definida como aptidão necessária para ser um executivo.

A liderança deve refletir em respeito e transmitir um sentido de direção à organização.

(25)

executivo deve possuir para liderar pessoas.

ADAPTAÇÃO À TRANSFORMAÇÃO

A adaptabilidade é uma característica apontada pelo entrevistado no seguinte trecho “[...] a

adaptação às

transformações torna-se um diferencial diante das incertezas do ambiente em que as organizações estão inseridas, logo o gestor deve ser capaz de se mover buscando alternativas às mudanças ocorridas”.

Esta categoria fica clara na seguinte frase do entrevistado: “[...] a palavra é adaptabilidade, se adaptar rapidamente à nova realidade. Esse é um dos atributos de um bom executivo de hoje”.

A capacidade de adaptação mostrou-se crucial na gestão do seu negócio e de sua carreira.

Uma competência de muita importância para o entrevistado que fica evidenciada em “[...] A capacidade de adaptação, de antecipar, são fatores fundamentais de sucesso para a liderança”.

Saber prever as constantes mudanças e se adaptar a elas é essencial para ser um bom gestor.

CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

Para o entrevistado, a criatividade e inovação são essenciais diante contexto de crescentes transformações. Ele aponta isso no trecho

“[...] Em minha carreira, a inovação tecnológica, análise e interpretação de dados e a criatividade

sempre foram

importantes”.

Para o entrevistado, ser criativo e ter capacidade

de inovar são

características intrínsecas ao indivíduo que deseja se adequar às mudanças no mundo, tanto pessoais quanto profissionais.

Ficou claro haver um receio frente às inovações. Contudo, o entrevistado acredita que deve haver uma análise dos riscos antes que seja optado pela inovação.

TÉCNICAS

O entrevistado enfatizou a competência técnica como fundamental na sua trajetória profissional, destacando “[...] o diferencial da minha carreira está em alinhar competências técnicas com habilidades de relacionamento

interpessoal”.

A formação para o entrevistado mostrou-se fundamental para o alcance dos seus objetivos profissionais e na execução eficiente de suas atividades na organização.

Principalmente de sua formação em renomadas instituições estrangeiras.

É necessário estar sempre

melhorando as

competências técnicas, o entrevistado aponta que

“[...] enquanto o mundo se torna cada vez mais competitivo, a formação da capacidade própria dos líderes e das competências dos executivos é fundamental para o futuro sucesso das companhias brasileiras”.

Fonte: Elaboração própria com base na pesquisa realizada.

Por meio das categorias de análise comparadas na Tabela 1 verifica-se uma homogeneização do perfil do Administrador. Depreende-se que esse processo isomórfico ocorre devido a determinação de um conjunto de competências, que são definidas como essenciais, seja pelo órgão regulador dessa categoria profissional, seja pelas organizações, seja pelas escolas de administração. Destaca-se também nesse sentido, que as instituições de ensino também cooperam para racionalização desse perfil. Logo percebe-se a presença de um isomorfismo normativo que acarreta na estabilidade e homogeneização do perfil do

(26)

V.10, nº2, jan./jul. 2017. 25 administrador. Cabe destacar que esse processo se contrapõe à visão de mundo diversificado e diferenciado das organizações, difundida por outras correntes teóricas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Teoria Institucional, no presente estudo, propiciou compreender o processo de homogeneização do perfil do administrador brasileiro, através de mecanismos isomórficos.

Verificou-se que as categorias profissionais exercem um papel de racionalizadoras das ações dos indivíduos, o que acarreta aos administradores o desenvolvimento de habilidades técnicas, interpessoais e atitudinais similares.

Logo, o mecanismo de isomorfismo presente no processo de institucionalização das organizações reduz as diferenças estruturais no campo organizacional que, por conseguinte, propicia a homogeneização desses profissionais. Da mesma maneira, a partir das análises realizadas, foi percebida a influência do processo de isomorfismo normativo ao se tratar do perfil do administrador brasileiro.

Dentro deste contexto, é possível sugerir que este mecanismo atua sob o título de

“gestor ideal”, no qual são destacadas habilidades e competências que são essenciais para que um gestor possa ser chamado assim. E, a não adaptação a estas características corroboram com o perfil de insucesso ou fracasso organizacional. Para que ocorra a legitimação deste perfil ideal, são utilizadas revistas e sites empresariais que abordam este tema através de entrevistas com CEOs de empresas bem-sucedidas.

Tal fato, coaduna com o conceito de isomorfismo normativo, onde há “uma demarcação de condições, métodos e práticas comuns ao exercício de uma ocupação, definidas por meio de um compartilhamento de normas e conhecimentos com outros indivíduos, gerando uma similaridade entre diferentes organizações.” (ASSIS et al., 2010, p.

4). Desta forma, sugere-se que o processo de homogeneização do perfil do administrador brasileiro é influenciado pelas instituições, em diferentes momentos da construção das competências relacionadas a este perfil.

(27)

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Recebido em: 09 de dez. 2016 Aceito em: 26 de jan. 2017

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