DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL
ELLEN THAYNNÁ MARA DELGADO BRANDÃO E MILENA BARBOSA DE MELO
U N I D A D E 3
UNIDADE 3| INTRODUÇÃO
O Direito é um ramo que possui uma extensão de disciplinas, todas possuindo fundamental importância.
Estudaremos nesta unidade sobre o registro das pessoas naturais e jurídicas. Muito se escuta falar sobre os registros, mas para que o registro possa ser de fato efetuado, deverá seguir certos requisitos e preencher determinados fatores.
Fonte:freepik.
UNIDADE 3| OBJETIVOS
1. Compreender a finalidade do registro civil das pessoas naturais e os tipos de atos.
2. Definir o registro de nascimento e de casamentos.
3. Entender o registro de óbito, a emancipação e a interdição.
4. Discernir sobre o registro civil das pessoas jurídicas.
REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS
De acordo com Loureiro (2017), a pessoa natural corresponde ao indivíduo dotado de consciência e vontade que, em vez de se esgotar num conjunto de ações/reações com a realidade exterior, como acontece com os animais, é dotado de livre-arbítrio e capaz de não só integrar-se ao mundo, como também de modificá-lo para atingir seus próprios fins.
Fonte: pixabay.
Loureiro (2017), aponta que a identidade da pessoa constitui um elemento de seu estado civil, assim como do lugar em que ela ocupa durante sua vida na sociedade e na família em que ela pertence. Este estado pode ser traduzido por algumas características que são permanecentes ao indivíduo, sendo elas: o nome, a filiação, o sexo, o casamento e a nacionalidade.
Sabendo que cada indivíduo possui características próprias, é incumbência do oficial do registro civil constatar as qualidades da pessoa. Sendo importante ressaltar que essas qualidades existem qualquer que seja a maneira como o oficial as constate e ainda que ele não as constate de forma integral.
REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS
É de competência do registro civil registrar e dar publicidade aos fatos e aos negócios jurídicos específicos da pessoa física, isto porque, esses atos repercutem não só na vida do indivíduo, mas também na sociedade. Desta forma, o registro civil deve registrar e da publicidade dos atos da pessoa natural desde o seu nascimento até a sua morte.
Fonte: freepik.
No que tange o estado civil, podemos dizer que o sujeito de direito por ser definido pelo Estado, sua situação jurídica deve se tornar pública. Esse fato se justifica porque as pessoas frequentemente devem fazer prova das circunstancias e elementos que definem a sua posição jurídica, até mesmo para o exercício dos seus direitos.
Outro ponto que deve ser citado, que também é importante com relação ao registro civil das pessoas naturais, além do estado civil, é no que se refere a publicidade.
Loureiro (2017) diz que é por meio da publicidade que é permitido que qualquer interessado possa conhecer o estado das pessoas e suas alterações.
A publicidade registral traz efeitos. Podemos dizer que o primeiro desses efeitos é que os fatos possuem efeitos para todos. Geralmente, as pessoas utilizam a publicidade do registro civil de pessoas naturais como prova, por esse registro possuir credibilidade.
O segundo efeito que pode ser apontado da publicidade desses registros é que ele constitui prova de veracidade do registro. A pessoa interessada sabe que o que constitui no registro de pessoa natural é verídico, pois a lei estabelece essa presunção de veracidade dos fatos que constam no registro. No entanto, caso o interessado note que os fatos não são verídicos, ele pode reclamar que seja retificado ou anulado.
O terceiro e último efeito que pode ser descrito, se refere a fé pública que o registro possui. Loureiro (2017) dispõe que os atos de estado civil, como os todos outros documentos públicos, constituem em prova plena dos fatos dos fatos que ocorrem na presença do oficial competente e que foram por este constatados e mencionados nos assentos, devendo ser observadas as formalidades legais.
Somente pode ser impugnado por meio de sentença as enunciações que o registrador civil tem a obrigação de constatar. Como exemplo disso, Loureiro (2017) traz os casos de nascimento e de óbito, em que o registrador civil reveste de fé pública a afirmação de que determinadas pessoas compareceram e lhe declararam o fato sujeito a registro.
Assim a responsabilidade do registrador vai até este ponto, que seja: a fé pública do oficial não abrange o conteúdo das declarações, de forma que não responde ele por eventual falsidade.
REGISTRO DE NASCIMENTO
Podemos trazer que constituem direitos de todas as pessoas, sendo considerados direitos personalíssimos de acordo com o Código Civil:
• Direito ao corpo e às partes do corpo.
• Direito ao nome.
• Direito à honra.
• Direito à imagem.
• Direito à palavra.
• Direito à privacidade.
Fonte: freepik.
Entre esses direitos personalíssimos, o que interessa ao registro civil das pessoas naturais é o direito ao nome. Loureiro (2017) aponta que o nome, em conjunto com outros atributos, possui a missão de assegurar a identificação e individualização das pessoas e, por isso, é como se fosse uma etiqueta colocada sobre cada um de nós.
Com relação ao registro de nascimento, este deverá conter: o dia, mês, ano e lugar do nascimento e a hora certa, sendo possível determina-la, ou aproximada; o sexo do registrando; o fato de ser gêmeo, quando assim tiver acontecido; o nome e o prenome que forem postos à criança; a declaração de que nasceu morta, ou morreu no ato ou logo depois do parto; a ordem de filiação de outros irmãos do mesmo prenome que existirem ou tiverem existido.
REGISTRO DE CASAMENTO
No que diz respeito a natureza jurídica do casamento, ela ainda é um assunto polêmico, em que é considerado por alguns como um contrato, tendo em vista que se centra no acordo de vontade dos nubentes, mas considerando ele como um contrato ele não corresponde a um contrato comum, pois ele cria uma família e também estabelece deveres de ordem matrimonial e não patrimonial entre os cônjuges.
Fonte: freepik.
Para que possam se casar, os nubentes devem realizar a sua habilitação, que de acordo com Ceneviva (2010) consiste em definir a aptidão jurídica dos nubentes, que atuam no processo juntamente com o oficial, o representante do Ministério Público e o juiz de Direito. Deste modo, o oficial de registro possui uma importante posição com relação ao casamento, pois é por meio da habilitação que pode ser verificada a obediência as normas constantes no Código Civil, normas essas que fixam a capacidade, os impedimentos e as causas suspensivas do casamento.
A habilitação deve ser feita pessoalmente perante o oficial do registro civil, de acordo com o art. 1.526 do Código Civil. Após cumprido todos os requisitos, deve o oficial afixar as informações no edital de proclama matrimonial, devendo ser em lugar visível.
Deve o oficial de registro esclarecer aos que desejam se casar os fatos que podem invalidar o casamento, assim como os diferentes regimes de bens.
Padoin (2011) aponta que após estarem os nubentes devidamente habilitados, o casamento poderá ser celebrado. Em regra, essa celebração ocorre na sede do serviço, realizado com as portas abertas, para que seja permitido que qualquer pessoa presencie a cerimônia. Para acompanhar o ato, é necessário que haja duas testemunhas. Assim, após manifestada as partes a sua livre vontade em contrair o matrimônio, o juiz de paz proferirá as palavras solenes da declaração de casados.
Muitas pessoas casam no religioso, para evitar duas cerimônias diferentes, é possível que possa haver o registro do casamento religioso no registro civil de pessoa natural, para que assim, o casamento religioso possua os efeitos do casamento civil.
REGISTRO DE ÓBITO, EMANCIPAÇÃO E INTERDIÇÃO
Loureiro (2017) aponta que não existe uma definição para morte, sendo ela considerada um fato natural que é perfeitamente reconhecida na maioria dos casos pela cessação da circulação e da respiração. No entanto, os juristas se viram na obrigação de resolver o problema da determinação e da constatação da morte, alegando dois motivos:
Fonte: freepik.
A possibilidade de assegurar por meios artificiais a circulação de um sangue oxigenado em um organismo em estado vegetativo.
A dimensão social do transplante de órgãos.
Assim, é determinado que de maneira geral a morte é considerada um fato natural que produz efeitos jurídicos relevantes, e, devido a esse fato, deve ser tornada pública para a sociedade, isso não só para que seja provado o desaparecimento físico e jurídico da pessoa, mas para que os efeitos jurídicos que derivam desse evento possam ser oponíveis todos.
Tanto na morte certa quanto na morte presumida existe a certeza da morte, no entanto, na morte certa o falecimento pode ser constatado por meio de atestado médico e pela presença do cadáver. O registro de morte certa é realizado no Livro “C”, já o registro de morte presumida é realizado no Livro “E” do registro civil de pessoa natural.
Por força da Lei nº 8212/91 o registrador civil tem a obrigação de comunicar ao INSS, até o décimo dia de cada mês, todos os óbitos que ocorreram no mês anterior, para que possa imediatamente cancelar os benefícios previdenciários.
EMANCIPAÇÃO E INTERDIÇÃO
Loureiro (2017) conceitua emancipação como o ato que tem como objetivo conferir a um menor o governo de sua pessoa e o gozo e administração de seus bens. Em suma, é com a emancipação que o menor adquire capacidade para a realização de atos da vida civil, sem a necessidade de representação ou assistência.
Fonte: freepik.
Existem dois tipos de emancipação, sendo elas de acordo com Loureiro (2017):
• Emancipação consensual – ela corresponde a emancipação que acontece por meio da concessão dos pais, podendo ser feito por meio de escritura pública ou por sentença judicial, desde que o menor tenha completado 16 anos.
• Emancipação legal – ela ocorre quando ocorrer um dos seguintes fatos jurídicos:
casamento, colação de grau em curso de ensino superior, estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego, desde que o menor com 16 anos completos tenha economia própria.
É importante ressaltar que só será de competência a interdição a pedido do Ministério Público no caso de doença mental grave, nos casos em que o conjugue, companheiro, parentes, tutores ou representante do abrigo, não existir ou não promoverem a interdição, ou no caso de incapacidade do cônjuge, companheiro, parente ou tutor.
Após o juiz decidir sobre a interdição da pessoa, essa decisão deve ser comunicada ao registro civil de pessoas naturais pelo curador ou, caso este não o faça no prazo de oito dias, deverá o juízo o fazer, para que assim seja registrada no Livro “E” no Registro, onde esse registro é obrigatório.
REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS
Padoin (2011) dispõe que as pessoas jurídicas se constituem da união de pessoas naturais ou de patrimônios, que visam à consecução de certos fins, reconhecidas pela ordem jurídica como sujeitas de direitos e obrigações. Para que haja a construção é de suma importância que haja a vontade humana, assim como devem ser observadas as prescrições legais, e que elas tenham como objetivo uma atividade lícita.
Fonte: freepik.
O art. 45 do Código Civil que dispõe que a pessoa jurídica de direito privado começa a existir com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, devendo ser averbado no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
As pessoas jurídicas privadas têm seu registro dividido, algumas se registram junto as juntas comerciais e outras no registro civil de pessoas jurídicas. Padoin (2011) aponta que em regra geral, as sociedades mercantis, empresárias, estão sujeitas a registro na junta comercial, enquanto as sociedades civis, inclusive as cooperativas, são registradas no registro civil das pessoas jurídicas devido ao disposto nos artigos 982 e 1150 do Código Civil.
Assim, Loureiro (2017) aponta que o registro civil das pessoas jurídicas constitui um importante instrumento para a diminuição dos riscos próprios do exercício da atividade econômica e permite que as sociedades, os cidadãos e as administrações públicas evitem altos custos de transação, tendo em vista que podem dispor de informações que possuem fé pública sobre as entidades com as quais pretendem contratar e sua situação jurídica e econômica.
ATRIBUIÇÕES E LIVROS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS
Como todos os registros, o registro civil das pessoas jurídicas possui atribuições e livros próprios para haver uma organização dos registros feitos em seu cartório.
Assim, Padoin (2011) aponta que as principais atribuições do registro civil das pessoas jurídicas encontram-se elencadas na Lei nº6015/73 e no Código Civil, sendo elas:
Registrar os atos constitutivos ou os estatutos das associações, das organizações religiosas, dos sindicatos e das fundações, exceto as de direito público.
Registrar os contratos das sociedades simples, na forma de sociedade simples típica, quanto àquelas sociedades simples que adotam uma das formas das sociedades empresárias, bem como as cooperativas.
Matricular jornais e demais publicações periódicas, oficinas impressoras, empresas de radiodifusão a manterem serviços de notícias, reportagens, comentários, debates e entrevistas, e empresas a executarem o agenciamento de notícias.
Averbar, nas respectivas inscrições e matrículas, todas as alterações supervenientes a importarem modificações das circunstâncias constantes do registro, atendidas as exigências das leis específicas em vigor.
Fornecer certidões dos atos praticados.
No que diz respeito aos livros desse tipo de registros, Padoin (2011) aponta que existem dois tipos, sendo eles:
Livro “A” – esse livro serve para fins de registrar os atos constitutivos ou os estatutos das associações, das organizações religiosas, dos sindicatos e das fundações, bem como registrar os contratos das sociedades simples, na forma de sociedade simples típica, quanto àquelas sociedades simples, que adotam uma das formas das sociedades empresárias, e as cooperativas.
Livro “B” – servindo para matricular as oficinas impressoras, jornais, periódicos, empresas de radiodifusão e agências.
Os requisitos formais do registro de pessoas jurídicas, sendo eles: a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente.
Se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. Vimos também as peculiaridades com relação a associação e as fundações.
A Lei nº 6015/73 traz um capítulo exclusivo com relação ao registro de jornais, oficinas impressoras, empresas de radiodifusão e agências de notícias.