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O PAPEL DO PODER JUDICIÁRIO NA AFIRMAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

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O PAPEL DO PODER JUDICIÁRIO NA AFIRMAÇÃO DOS

DIREITOS HUMANOS

Eduardo C. B. Bittar

SUMÁRIO: 1. 0 Poder Judiciário na estrutura dos Poderes.

2. A erosão do Poder Judiciário. 3. Poder Judiciário e garantia dos Direito Humanos. 4. Mutação de paradigmas. 5. Pesquisa nacional de domicílios. 6. Carências da Justiça brasileira.

RESUMO

Trata-se de discutir o exaurim ento da capacidade de exercício da jurisdição como uma questão aflitiva do ponto de vista do cumprimento de uma das tarefas prim ordiais do Estado contem porâneo, qual seja, o I aten d im e n to da prom essa c o n stitu cio n a l de provisão dos direitos

humanos.

ABSTRACT

The present article discusses the exhaustion of the capacity of exercise of jurisdiction as a distressing question: the fulfillment of one of the primordial tasks of the contemporary State, which is the attendance of the constitutional promise of the human rights provision.

Palavras-Chave: Direitos H u m a n o s -ju s tiç a -c ris e do judiciário Key-Words: Human R ig h ts -ju s tic e -ju d ic ia ry crises

1. O Poder Judiciário na estrutura dos Poderes

Poder Judiciário cumpre um determinante papel na construção, proteção e garantia da efetividade dos direitos humanos, dentro da tradicional estrutura tripartite de poderes, herdada da modernidade. Se uma sociedade onde a cidadania se realiza é aquela que tem amplo acesso aos direitos, significa afirmar que estes direitos são realizados ou respeitados, e também * Professor Associado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Livre-Docente, Doutor e Graduado pela

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Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de M inas Gerais

que quando são violados aos mesmos é atribuída a devida proteção e garantia jurisdicional,o que torna a questão do papel do Judiciário um ponto central das discussões sobre a o tema dos direitos humanos e, ainda mais, da eficácia dos direitos humanos.1 A leitura de Campilongo também reafirma este postulado elementar da discussão sobre os direitos humanos, com a seguinte ênfase:

“Juristas em geral e processualistas de modo particular são concordes em sublinhar que o acesso à justiça pode ser “encarado como o requisito fundamental - o mais básico dos direitos humanos - de um sistema jurídico moderno e igualitário que pretenda garantir, e não apenas proclamar os direitos de todos”. Paradoxalmente, nossas estruturas de ensino jurídico, práticas judiciais, hábitos profissionais, pesquisa e teoria jurídicas, prestação de serviços legais, etc., não têm dado o devido valor ao tema “acesso à justiça”” (Campilongo, O direito na sociedade complexa, 2000, p. 17).

Trata-se de afirmar que o poder hermenêutico do juiz é fundamental na construção do sentido a ser imprimido ao ordenamento jurídico. Se toda violação ou ameaça de violação de direito poderá ser submetida à apreciação do Poder Judiciário (inciso XXXV, art. 5o. CF 88), então a inafastabilidade da exegese é-lhe também consentânea com o seu papel jurídico e social no contexto em que se encontra. Seu discurso é mais que palavra, é o poder jurídico falante (juris - dictio) capaz de inter-agir por meio da interpretação aplicadora (chamada de interpretação autêntica por Kelsen) com o sistema jurídico, construindo o sentido de justiça a ser imprimido na sociedade em cada momento histórico, em cada situação concreta, de acordo com cada situação normada efetivamente presente para julgamento.

2. A erosão do Poder Judiciário

Sem dúvida nenhuma, o termômetro da erosão maior de um sistema jurídico é o próprio Poder Judiciário. Isto se deve ao fato de se tratar do Poder incumbido de exercer o im portante munus da decidibilidade, concretizando as normas abstratamente previstas pelo ordenamento, 1 "Claro, de nada adianta um Poder Judiciário que não seja capaz de conferir eficácia aos fundamentais e, vice-versa, de

nada adianta um elenco de direitos fundamentais se o Poder Judiciário não é capaz de garanti-los, de implementá-los” (Campilongo, O direito na sociedade complexa, 2000, p. 101).

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Eduardo C. B. Bittai

convertendo-os em normas individuais, que atendem a demandas reais e históricas nas quais agentes sociais se encontram envolvidos. Mais que isto, o Poder Judiciário é aquele que mais se vê acossado pela enormidade dos problemas sociais brasileiros, por ser constantemente instigado a decidir conflitos de natureza social, que deveriam ser tratados e implementados politicamente (a priori), e não jurisdicionalmente (a posterioi), diga-se de passagem, lidando com questões desta natureza dentro de uma cultura liberal, de conflitos individuais, de demandas de interesse privado, sem aparelhamento e/ou preparo devidos, bem como dentro de um sistema engessado por formalismos e procedimentos processuais incapazes de satisfazer a questões de dimensão difusa e/ou coletiva.2 Nas palavras de José Eduardo Faria, é exatamente isto que determina a crise de legitimidade, que não afasta a responsabilidade social do Poder Judiciário, na proteção e tutela de direitos fundamentais:

“A conclusão, evidentem ente, não poderia ser outra: a ineficácia judicial conduz a uma crise de legitimidade do Judiciário, decorrente tanto de fatores internos, como o anacronism o de sua estrutura organizacional, quanto de fatores externos, em face da insegurança da sociedade com relação à impunidade, á discriminação e á aplicação seletiva das leis.” (Faria, Direitos humanos, direitos sociais e justiça, 1998, p. 101).

N ão p o d e n d o e x im ir-s e d a s ta re fa s de c o n tro le da constitucionalidade das normas jurídicas, do controle da legalidade das norm as jurídicas, do controle concreto da crim inalidade, da justiça corretiva nos contratos e negócios, do controle do abuso de poder, do controle das necessidades mais concretas dos indivíduos enquanto agentes efetivam ente envolvidos em papéis sociais (consumidor, pai, tra b a lh a d o r, e m p re s á rio ...), do c o n tro le do d e s b o rd a m e n to de c o m p e tê n c ia s e n tre os p o d e re s do E s ta d o (c o n tro le de a to s administrativos, de licitações, de nulidades...), o Poder Judiciário também tem o importante papel de afirmação concreta dos direitos humanos em face de violações e lesões, em face de abusos e distorções:

2 Neste passo, a reflexão de Faria: “Nos burocratizados tribunais brasileiros, cujos integrantes parecem acreditar que os conflitos podem ser solucionados pelo simples apego a certas formas e/ou ricualização de certos atos, os direitos humanos e os direitos sociais vêm dificultando a rotina de aplicação da lei" (Faria, Direitos humanos, direitos sociais e justiça, 1998, p. 94).

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R evista da F acu ldade de D ireito da U n iversid ad e F ed eral de M inas G erais

“ A o P o d e r J u d ic iá r io c a b e , no c o n s titu c io n a lis m o contem porâneo, a tarefa m ais elevada de im pedir afrontas e d e s fa z e r, com e fic á c ia e e fic iê n c ia im p re s c in d ív e is , os desm andos que acom etem , am eaçam e agridem os direitos fundam entais” (Rocha, O constitucionalism o contem porâneo e a instrum entalização para a eficácia dos direitos fundamentais. 1997, p. 87).

No entanto, o m esm o problem a que avassala toda a esquem ática de funcionam ento do ordenam ento jurídico brasileiro tam bém contam ina e põe em xeque o próprio P oder Judiciário. Suas decisões, além de custosas, morosas e tecnicamente atravancadas por inúmeros empecilhos processuais e burocráticos, são quase sem pre respostas a p o ste rio ri das necessidades reais dos agentes sociais, portanto, incapaz de corresponder ao sentim ento de justiça esperada do Poder Público. M ais ainda, suas decisões padecem de ineficiência e ineficácia, pois tam bém são desmentidas por uma realidade que nega seu poder e que obstaculiza a realização de qualquer pretensão de efetividade. Leia-se:

“Outra questão que está a reclamar da Constituição diz respeito à e fic á c ia d a s d e c is õ e s ju d ic ia is . U m a d a s c a u s a s de d e scré d ito do Ju d iciá rio , ao lado da m orosidade, é a fa lta de e fe tivid a d e de suas decisões. G a n h a r a causa c o n tra um a e n tid a d e de dire ito p úblico não é m uito, porque a e fe tiva çã o do ju lg a d o m uitas vezes é problem ática, e em alg u ns casos ja m a is acontece.

As norm as que preconizam os dizem respeito ao cum prim ento das ob rig a çõ e s de fazer, bem com o aos pagam entos, ou obrigações de dar.

Quanto às prim eiras, consideram os que a legislação atual co n stitu i um v e rd a d e iro e stím u lo ao d e scu m p rim e n to das d e c is õ e s ju d ic ia is , s e n d o c e rto q u e a s o lu ç ã o p o r nós preconizada é bem m enos traum ática do que a prisão do desobediente, que vem sendo tentada, sem êxito m aioria dos casos, e bem mais eficiente” (Machado, Morosidade, formalismo e ineficácia das decisões judiciais: uma sugestão para a revisão constitucional, 1993, ps. 121-122).

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E du ard o C . B. B ittar

S ã o m ilh a r e s d e p ro c e s s o s em c u rs o , p o u c o s ju iz e s p ro p o rc io n a lm e n te ao núm ero da população, e stru tu ra s ju d ic iá ria s e burocráticas enferrujadas para a dinâmica atual, excesso de normas e regras processuais que atravancam o deslizam ento escorreito dos procedim entos ju d ic iá rio s , c a rê n c ia s o rç a m e n tá ria s , d e s a p a re lh a m e n to fís ic o das

instalações judiciárias, falta de preparo e treinamento prolongado e contínuo dos ju iz e s de c a rre ira , d e se stím u lo s in s titu c io n a is à a sce n sã o e ao m erecim ento judiciário, falta de investim ento na reciclagem de funcionários e m a g is tra d o s , c a rê n c ia s de fis c a liz a ç ã o e de fu n c io n á rio s para o cum prim ento de ordens e m andados judiciais...

3. Poder Ju diciário e garantia dos Direito Hum anos

N este e squem atism o, pergunta-se, com o garantir suas funções precípuas descritas pela Constituição e cum prir sua missão de garantia dos d ire ito s h u m a n o s ? Ou s e ja , s o m a m -s e as c ris e s e c o n s titu e m -s e e ncruzilhadas críticas nos processos deflagrado de desm antelam ento das instituições públicas. Ainda, assim, o Poder Judiciário, por suas alternativas, continua sendo apontado por alguns com o o Poder responsável pela herm enêutica constitucional e infraconstitucional em fa vo r dos direitos hum anos e da eficácia do próprio ordenam ento jurídico positivo.3

3 "N o que se refere à in te r p re ta ç ã o d a C o n stitu ição , além dos in strum en tos trad icio n ais e clássicos, m erecem in d icação os segu intes veios, ainda n ão exaustivam ente aproveitados pela jurisprudência:

“a )reco n h e cim e n to d o grau de eficácia ju ríd ica e da norm atividade dos princípios con stitu cion ais, q ue devem fun cionar ‘com o critério de in terpretação e de in tegração, pois sã o eles que dão a coerência geral ao sistem a’, e com o ‘elem en to s de co n stru ção e q u a lifica çã o ’ dos co n ceitos con stitu cion ais básicos, ex ercen d o ainda ‘uma fu n ção prospectiva, din am izadora e transform adora, em virtude da força exp an siva que possu em (e de que se acham desprovidos os conceitos, desde logo por causa de suas amarras verbais)’ (M IR A N D A , Jorge, in M anual de Direito Constitucional. 2. ed. Coim bra Ed., 1968. Tomo 2. p. 199-200);

“b )explo ração m áxim a da norm atividade e da eficácia vinculante das norm as program áticas, norm as que, segundo vozes influentes do moderno constitucionalism o, teriam condão de determinar até mesmo ‘a cessação de vigência, por in co n stitu cio n alid ad e su perven ien te, d as norm as legais anteriores que disponham em sen tid o con trário , além de proibir ‘a em issão de norm as legais con trárias’, bem com o ‘a prática de com portam entos que tenham a im pedir a p rod u çã o de a to s por ela im postos — don de in co n stitu cio n alid ad e m aterial em c a so de o m issã o ’ (M IR A N D A , Jorge, in op. cit., p. 219-220);

“c)recon h ecim en to da ju ridicidade e norm atividade dos ‘direitos fundam entais de terceira geração , b aseados no princípio da solidariedade social e da fraternidade e decorrentes da evolução expansiva dos direitos fundamentais. ‘D o tad o s de altíssim o teor de h um an ism o e u n iv ersalid ad e’, en sin a P aulo B onavides, os direitos da terceira g e ra ção tendem a cristalizar-se n este fim de sécu lo en q u an to direitos que n ão se destinam especificam en te a proteção dos in teresses de um indivíduo, de um grupo ou de um Estado. T êm primeiro por destinatário o gênero hum ano mesm o, num m om ento expressivo de su a afirm ação com o valor suprem o em term os de existencialidade c o n c re ta ’ (O p . cit., p. 4 8 1 ). D en tre eles d e stacam -se o d ireito ao desen volv im en to, ao trab alh o, à saú de, à alim entação, ao m eio am biente sadio e os direitos difusos de um m odo geral (B ID A R T C A M PO S, G erm an J., in op. c it., p. 189-191 e 3 4 0 ). É ce rto que a im p lem e n tação de ta is d ireitos favorecerá - porq u e dela será n ecessariam en te depen den te — a im plem entação dos direitos sociais básicos denom in ados direitos de segunda geração;

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R evista da F acu ld ad e de D ireito da U n iversidade F ed eral de M inas G erais

Apesar destas incumbências repousarem em importantes e relevantes mandamentos, constitucionais e em princípios do Estado de Direito, está-se diante de uma realidade corrosiva, que tem gerado profundas dificuldades na aplicação da justiça. É atordoante a crise que se projeta para o Poder Judiciário, considerando-se, sobretudo, sua incapacidade de a te n d e r às demandas sócio-jurídicas, e sua inabilidade para dobrar-se às m odificações sócio-culturais ocorridas à revelia de toda a idéia de Direito. Assim, distorções enorm es passam a ser a realidade quotidiana dos tribunais, que convivem com decisões am bíguas, com tendências jurisprudenciais conflitantes, com decisões ineficazes, com acórdãos d e srespeitados pelo próprio Poder Público, com centenas de mandados de prisão por serem cum pridos... Não é m uito dizer que os paradoxos sociais afetam na m esm a m edida o Poder Judiciário no desenvolvim ento de sua m issão constitucional.

4. M utação de paradigm as

Alguns paradigm as que antes serviam de escudo à isenção do Poder Judiciário, sobretudo em fases caracteristicamente marcadas pelo liberalismo e pela ideologia burguesa, hoje, tornam-se empecilhos à realização da justiça. Eram seus paradigm as: a distância política do m agistrado; a tripartição está tica de poderes; o ju lg a m e n to cego co n fo rm e a lei; o fo rm a lism o

“d )o u tro im p o rtan te in stru m e n to de eficá cia social do d ireito é a d evid a v alorização dos de ve res so ciais, aliás previstos no art. 29 da D e c la ra ç ã o U n iversal dos direitos d o H om em . ‘F ala-se m u ito m ais d os direitos que dos deveres h um an os’, diz, com acerto, A dolfo G elsi B idart. Entretan to, uns e outros têm a m esm a fonte e ponto de partida, e am bos, entre si, se relacionam e se assiStem para alcan çar su a efetiva realização’ (G E L SI BID ART, Adolfo, in D e Derechos, Deberes y Garantias Del Hombre Com ún, Montevideo, Fundação de cultura Universitária, 1987, p. 119). R eferim o-n os a deveres, n ão do E sta d o m as dos in divíduos, em prol d o s dem ais in teg ra n te s da com unidade, e ‘sem que o su jeito obrigado ativa e universalm ente personalize e concretize com cad a um destes in d ivíd u os um vín cu lo ob riga cion al p a rticu la riz ad o ’ (B ID A R T C A M P O S , G erm an J., in op. c it., p. 148). A valorização, pelo intérprete, dos deveres do indivíduo para com a com unidade pode oferecer resultados im portantes no cam po da herm enêutica. A lém de conter ím petos dem agógicos, o aplicador do direito, ao exam inar interesses particulares e in dividuais, se rá le v ad o a estab elece r critérios de po n d eração que m elhor con ciliem d em an das in dividu ais com os in teresses d o bem com um . É o ca so , por exem plo, d os a v an ço s que se o peram n a s C o rte s C on stitu cion ais da Europa relativam ente à in terp re tação do princípio d a isonom ia, que, segu n d o refere Paulo Bon avides, é co n sid e rad o com o princípio que en cerra em si um a ig u ald ad e co n cre ta, n iveladora, ‘op erad a na esfera fática propriam ente d ita e n ã o em regiões abstratas ou form as do direito’, sen d o que ‘a igualdade m aterial faz livres aqu eles que a liberdade d o E stad o de direito da burguesia fizera paradoxalm en te sú d ito s’ (O p . cit.. p.

304-305).

“N o que se refere às norm as in fracon stitu cion ais, o que de m ais prioritário se eviden cia para que a in terpretação leve a resu ltados eficazes, é, in qu estion avelm en te, o resgu ardo da unidade do o rden am en to ju rídico, unidade que, com o se disse, deve se estab elecer a partir da C on stitu ição. Im an tado pela força ordenadora dos princípios e norm as p rog ram áticas d a C a rta M agn a, o in térp re te se rá le v a d o a vestir o d ire ito o rd in ário com a s cores con stitucion ais, e a in terpretá-lo e aplicá-lo à luz dos valores co n stitu cion ais, d a ideologia co n stitu cion al, do ideário c o n stitu cio n al. A partir daí, com o se pod e perceber, h ave rá um a gam a e x p ressiv a de in stru m e n to s herm enêuticos a serem ex p lorad os” (Z avascki, Eficácia social da p resta ção ju risdicional, Revista de Informação Legislativa, Brasília, v. 31, n. 122, p. 294-295, maio/jul. 1994).

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E du ard o C . B. B ittar

procedim ental; a eqüidistância dos ju ize s das partes; o im pedim ento de produção de provas pelo juiz, característico do chamado processo inquisitivo; entre outros. Tem-se, portanto, que considerar a necessidade de re-adequação do P oder Judiciário, para o cum prim ento de suas metas, às necessidades imediata e gritantemente presentes no sentido da politização de suas funções, algo que, na prática, por vezes, já ocorre, mas que, em teoria, ainda parece ser uma idéia inaceitável:

“ Em sum a, com base em condições so ciopolíticas do século X IX , s u s te n to u -s e por m uito tem po a n e u tra liza çã o p o lític a do Ju d iciá rio com o conseqüência do princípio da divisão dos poderes. A transform ação dessas condições, com o advento d a s o c ie d a d e te c n o ló g ic a e do e s ta d o s o c ia l, p a re c e desenvolver exigências no sentido de uma desneutralização, p o s to q u e o ju iz é c h a m a d o a e x e rc e r u m a fu n ç ã o socioterapêutica, liberando-se do apertado condicionam ento da e s trita lega lid a d e e da respo n sa b ilid a d e exclu siva m e n te r e t r o s p e c t iv a q u e e la im p õ e , o b r ig a n d o - s e a u m a responsabilidade prospectiva, preocupada com a consecução de fin a lid a d e s políticas das quais ele não m ais se exim e em nom e do p rin c íp io da leg a lid a d e (d u ra le x s e d lex) (...). A re s p o n s a b ilid a d e do ju iz a lca n ça agora a re s p o n s a b ilid a d e p elo s u ce sso p o lítico das fin a lid a d e s im postas aos dem ais p o d e re s pe la s e xig ê n cia s do e stado social. Ou seja, com o o Legislativo e o Executivo, o Judiciário torna-se responsável p ela c o e rê n c ia de suas a titu d e s em c o n fo rm id a d e com os p ro je to s de m u d a n ça so cia l, p o s tu la n d o -se que e ve n tu a is in s u c e s s o s de suas de cisõ es devam ser c o rrig id o s pelo p róprio processo ju d icia l” (Ferraz Junior, O ju d iciá rio frente à d iv is ã o dos poderes: um p rin cíp io em d e ca d ê n cia ? D ossiê ju d ic iá rio , R evista USP, R eitoria, S ão Paulo, U n ive rsid a d e de S ão Paulo, C o o rd e n a d o ria de C o m u n ica çã o S ocial, n. 21, m a r/m a i 1994, p. 19).

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Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de M inas Gerais

5. Pesquisa nacional de domicílios

Caso contrário, ainda maiores serão as conseqüências da erosão da crença nâs instituições judiciárias, como se pode apontar:

“ P esquisa N acional por A m o stra de D o m icílio s (IBG E - PNDA, 1990) in ve stig o u o c o m p o rta m e n to s o cia l fa ce à Ju stiça Pública. Os resultados são surp re e nd e n te s. Eles revelaram que, no período de outubro de 1983 a setem bro de 1988, 55,20% de todas as pessoas que se envolveram em d ife re n te s c o n flito s (tra b a lh is ta , c rim in a l, co n ju g a l, de so cu p a çã o de im óvel, pensão a lim e n tíc ia , c o n flito de v iz in h a n ç a , c o n flito s por posse de te rra , co b ra n ça de dívida, h erança), não recorreram à J u stiça . E ntre estes, o m otivo p re p o n d e ra n te m e n te alegado foi: ‘resolveu por c o n ta p ró p ria ’ . No seu c o n ju n to , 42 ,6 9 % das razões ale g ad a s para não in te rp o r ação ju d ic ia l c la s s ific a m -s e nessa ordem de m otivos. A cresce notar que 23,77% dos entrevistados revelaram não confiar nos serviços jurídicos e ju d ic ia is . E s s e s d a d o s s ã o in d ic a tiv o s da b a ix a c o n fia b ilid a d e nas in s titu iç õ e s p úblicas e, em particular, na J u s tiç a . A ju s tiç a não é vista , pelos cid a d ã o s, com o in stru m e n to a d equado de supe ra çã o da c o n flitu o s id a d e s o c ia l” (A d o rn o , M e s q u ita , D ire ito s h u m a n o s p a ra c ria n ç a s e a d o le sce n te s: o que há para co m e m o ra r? O c in q ü e n te n á rio da D e cla ra çã o U n iv e rs a l dos D ire ito s do H om em (A lb e rto do A m a ra l J ú n io r; C la u d ia P e rro n e - M oisés, o rg s.). São P aulo: E d ito ra da U n ive rsid a d e de São Paulo, 1999, p. 26).

Por isso, é im portante re fle tir sobre os dados mais abertam ente a c e ssíve is sobre a re a lid a d e do P oder J u d ic iá rio , p o n tu a lm e n te . A ssim :

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• n o q u e t a n g e a o m o vi m e n to j u d ic iá ri o d e pr im e ir a i n st â n ci a ( o u t. 2 002) : CO M U NI CADO C G n . * 1 . 7 8 9 12 0 0 2 A C O R R E G E D O R IA G E R A L D A J U S T I Ç A p u b l i c a , pa ra co nhecimento g e r a l, a t o t a li z a ç â o d o Movime nto J u d ic r io d e P r im e ir a In s t â n c i a , re fe r e n t e a o pe r í o d o compre en did o e n t r e 1 ® e 3 1 d e O u t u b r o d e 2002. M o v i m e n t o J u d ici ár io de P r i m e i r a i n st ânci a M â s d e r e f e rên ci a: 0 u t u b r o / 2 0 0 2 F e It o s e m an d a m en to F e l i o s d i s t r i b u i d o s Au d i ên c i as realiza d a s S e n le as re g i s t r a d a s P re c a t ó r ia s cum pr id a s jC ( v e I 3 .1 75.379 { 193 .1 8 3 58.25 1 1 2 9 .3 5 5 36.651 [ c r i m i n a i 87 0.5 09 50 .91 7 4 1 .0 9 9 23. 00 6 2 1 .4 8 6 [i n f â n c ia 1 8 1 . 5 1 1 I 1 6.04 3 6.269 0 .702 2.529 jE x . F I s c a i 5.270 . 5 7 4 14 7. 91 9 29 33.946 5.88 3 |JE C í v e is 570 . 3 5 9 39 .98 0 2 0 .81 3 43.713 4 . 8 9 2 JE C r im in a i s 2 4 5 .0 0 4 j 33.471 17 .1 9 2 2 1. 1 1 9 1 .760 jT O T A L 1 0. 31 3 .3 3 6 4 8 1. 51 3 143 .653 260.341 73 . 2 0 1 1 . Du r a n t e o m ô s . f o r a m r eal iz adas 4 4 2 a d o ç õ e s , sendo: 2 po r es tra n g e iro s e 4 4 0 p o r b r a s il e ir o s . 2 . Du r a n t e o m ê s , fo r a m real i z a d a s 41 1 s e s s õ e s d o J ú r i. 3 . D u r a ni e o s. f o r a m r e a l i z a d o s 1 2 . 0 2 3 a c or d o s n o s JEC í v e i s , s e n d o : 2.842 a c o r d o s e x t r a ju d ic ia is c o m u n i ç a d o s a o J u íz o , 6.5 06 a c o r d o s o b t id o s p o r C o n c i l ia d o r e s e 2.6 75 o b t id o s p o r Ju iz e s , e m a u d i ê n c i a s . 4 . D u r a n t e o mês , f o r a m r e g i s t r a d a s 3 5 .5 9 2 execuções d e t ít u lo s e x t r a ju d ic ia is n o s J E C ív e i s . 5 . D u ra n t e o ^ ê s , f o r a m o f er e c id a s 8 0 8 d e n únci a s n o J E C r i m , s e n d o : 7 78 r e ceb i d a s e 30 r e je it a d a s .

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• s e c o m p ar ados o s dados c o m o pe rí odo a n te ri or ( o u t. 20 0 1 ), pe rc eber -s e-á qu e h o u v e u m s e n s ív el c res c im e nt o d a s de m a ndas j u di c iár ia s n o E s ta d o d e Sã o P a u lo : CO M U N IC A D O C G n .* 1 9 /2 0 0 2 A CORREGEDO R I A G E R A L D A J U S T IÇ A p u b li c a .p a ra c o n h e c im e n to g e ra l, a to t al iz a ç â o d o M o v im e n to Ju d ic iá ri o d e P r lm e ir a In st â n c ia , re íe re n te a o p e río d o c o m p r e e n d ido e n tr e 1 o e 3 1 d e O u tu b ro d e 2001. M o v im e n to J u di ci á ri o de Pr im ei ra In st ân ci a M á s d e re fe rê n c ia : 0u tu bro/2001 Fel ios e m an d a m e n to F e it o a d is tr ib u íd o s â 5 a s S e n te n ç a s reg is trad a s P r e c a t ó ri as cum p ri d a s Ci v e l 2.800.9 1 0 9 9 .3 9 0 [ 39.76 1 55 .488 1 1 . 7 2 9 [C r im In a 1 |~ 80 7.2 9 2 30. 94 1 1 29 .5 7 6 11 .752 7.874 [i n fân ci a 165 .5 09 1 0. 607 j 4 .1 5 3 5. 1 3 8 859 E x . F is c a l | 5.51 8 . 1 5 9 8 0. 7 0 7 | 4 8 1 8 .421 1 . 203 jj E C í v e i s 4 5 2. 7 92 2 0 .1 3 7 | 12.87 4 20.627 1.189 [j E C r lm i n a i s j 2 1 1 .6 3 5 1 9. 488 j 9 .4 6 5 9. 075 55 3 T O T A L I 9 .95 6. 2 9 7 j 2 6 1 .2 7 0 j 9 5 .8 77 | 1 20 .50 1 | 2 3 .4 0 7 1 . D u r an te o m è s, f o ra m re a li z a d a s 220 a d o ç õ e s , se n d o : 3 p o r e st ra n gei ro s e 217 po rb ra si le ir o s. 2 . D u ra n te o m ê s, f o ra m re al iz adas 3 2 6 s e s s õ e s d o J ú ri . 3 . D u ra n te o m é s, fo ra m re a li z a d o s 6 .8 9 7 ac ordos n o s JEC iv e is , s e n d o : 1 .4 1 6 a c or dos e x tr a ju d ic ia is c o m u n ic a d o s a o J u íz o , 3 .6 3 6 a c or dos o b ti d o s porC o n c il ia d o re s e 1 .8 4 5 o b ti d o s p o r Juizes, em a u d iê n c ia s. 4 . D u ra n te o m ê s, f o ra m re g is tr a d a s 1 9 .0 7 6 ex ecu ç õe s d e t ít u lo s e x tr a ju d ic ia is n o s JECi ve is . 5 . D u ra n te o m ès, fo ra m o fe re c id a s 3 7 1 d e n ú n c ia s f fõ JE C r im , s e n d o : 3 5 4 re c e b id a s e 1 7 re je it a d a s. F on te : D ad o s C o m p ar at iv o s (2 0 0 1 /2 0 0 2 ), http :/ /www. tj .s p. go v. br , A ce ss o e m 1 5 .1 2. 2 0 02 .

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• N o p la n o n a c io n a l, pe rc e b e -s e u m cont inge nt e a s s u s tad or am ent e a lt o d e l it íg io s f o rm al iz ad os p e ra n te o P o de r Ju di ci ár io , p e lo que re v e la m o s da dos : Ju st as C o m u m , F e de ra l e d o T ra b a lho d e 1 9 G ra u P roc ess os en tr ad o s e j u lg ad o s n o s a n os d e 1 9 9 0 a 2 0 0 1 I JU S T I Ç A fc Ò M U M ANO 1 990 A N O 19 9 1 A N O 19 9 2 A N O 1 09 3 A N O 1 9 9 4 ANO 1 9 9 5 EN TR 3 . 6 1 7. 06 4 J U L G 2 . 41 1 . 8 4 7 EN T R 4 . 2 60. 133 ! JU L G 2.947.1 7 7 j EN T R J U L G 4. 5 60. 8 33 i 3 . 2 1 4 . 9 4 8 | EN T R JU LG 4 . 4 1 9. 69 9 ! 3 . 3 4 7 . 7 2 5 I EN T R 3.4 23. 4 0 3 i JU L G 2 . 633. 6 1 8 EN TR 4.268. 3 2 5 JU L G 2 . 970. 5 0 0 p 'ED ER AL 28 6. 58 5 1 7 2 . 0 68 7 2 4. 129 i 2 7 1 . 7 4 0 1 5 5 4. 382 4 2 2. 9 81 I 5 3 5 . 43 8 328 . 7 3 3 I 5 2 8 .1 7 2 1 4 1 0.013 841 . 4 5 0 3 4 5. 808 fT R A B A L H O 1 .233 .4 1 0 1 .0 53. 237 1 .4 96. 829 1 . 2 8 3 . 4 9 2 i 1 .5 17.91 6 1 .3 37 .9 86 I 1 .53 5 .8 0 1 Î 1 . 5 0 7. 95 5 ! 1 .2 04. 654 j 1. 67 8.1 8 8 1 .8 23. 437 1 .702 .9 31 TO T A L S . 1 1 7 . 0 5 9 3. 63 7 .1 5 2 6. 4 7 1 0 9 1 4 . 4 8 2 . 4 0 9 \ 6. 6 3 3 .1 3 1 4. 9 7 5 .9 1 5 6 . 4 9 0 7 3 8 [ 5 . 1 8 4 . 413] 5. 1 5 6 . 2 2 9 : 4. 61 9 . 81 8 6 .7 3 1 . 2 1 2 5 .0 19.046 AN O 19 96 AN O 19 9 7 AN O 19 9 8 À N O 1 9 9 9 A N O 2 0 0 0 A N O 2001 ENTR J U L G ENTR J U L G EN T R JU L G EN T R I J U L G ! EN T R i J U L G ! E N T R j „ l „ C O M U M 5 .9 0 1 .8 2 4 4 .106. 962 6 .9 6 4 . 5 0 6 5 .472. 489 7 .7 19. 169] 5 .188. 1 4 6 1 8 .7 1 7 .3 0 0 1 5 .791. 959Í 9 .463. 248 1 6 .1 6 4 .5 3 2 f 9. 153. 672 7 .908. 3 0 3 jF EDÉR A L 6 8 0. 7 7 8 37 7 .5 8 2 90 1 .4 89 4 1 3 .2 7 2 8 3 8. 643] 4 94 .4 9 3 1 1. 0 79. 1 581 5 5 2 .990! 1 .097. 964; 5 9 3 .9 6 ? ] 1 .0 0 2 .0 9 5 5 8 4. 81 8 fT R AB A L H O 1 .9 39. 267 1 .8 8 3 .0 0 3 1 .9 8 1 .5 6 2 1 . 9 2 2 .3 8 7 1. 93 3 .99 3 í 1 .904. 062 ( 1 . 8 7 6.8 74 j l .9 1 8.960 1 . 7 1 8 .795: 1. 893. 326! 1 .7 4 2 .5 7 1 1 . 8 00.01 5 TO TA L 8. 5 2 1. 8 6 7 6 .3 47 .5 27 9 . 8 4 7.557 j 7 .8 0 8 .1 2 8 1 0. 491 .80 5 : 7. 56 6. 70 1 { 1 1 .6 73 .3 32 [8.263 .90 9 I Fonte: S U P R E M O T R IB U N A L F E D E R A L : A C O M P A N H A M E N T O N A C IO N A L . Di spo n íve l: h ttp: :/ /S T F .G O V .B R /B N D J/ M O VI M E N T O /M ov im en to 6A 2_ 2 0 00 .a sp ; Acess o em 1 5.1 2. 20 02 . M o v im e n to F o re n s e N a ci onal Tr ibunai s d e J u s ti ç a , Tr ib u n a is d e Al ç a d a , T ri b un a is Re g io n a is F e d e ra is e d o T ra b a lh o Pr oc e s s os e n tr a dos e j u lg a dos n o s a n o s d e 1 9 9 0 a 2 0 0 1 J U STIÇ A AN O 1 990 ‘ À N O 19 9 1 A N 0 1992 AN 0 1 9 9 3 A N O 1994 A N O 1995 ENT R JU L G i EN TR JUL G EN T R JULG I EN T R JUL G EN T R J U L G ENT R J U LG TR IB U N A I S DE J U STIÇ A 1 25 .3 8 8 1 14 .23 7 15 7.3 0 4 13 1 . 96 9 1 6 3 .3 7 3 1 53.2 1 8 j 1 94 .72 9 18 5.3 1 1 2 3 2. 469 2 0 6. 370 2 4 1. 5 3 8 202 . 7 8 0 TRI B U NAI S DE AL ÇA D A 1 4 5. 612 1 32 . 2 0 8 18 5.291 15 4 . 46 4 1 9 5. 226 1 6 3. 3 0 8 1 8 3 .6 69 1 6 5.2 5 8 1 9 8 .641 1 9 7 . 1 3 0 2 0 1. 234 2 0 8 . 6 0 7 T R I BU N A I S R E G ION A I S FE D E R A I S ... .. ... 12 2 . 0 1 7 8 0 . 3 3 5 1 14. 678 85. 3 5 6 19 4 . 6 5 5 1 2 4 . 6 0 9 J 25 6 . 8 9 5 1 6 2 .6 7 0 268 .051 1 8 8 . 4 1 1 2 8 8. 733 195 . 7 0 4 T R I BUNAI S R E G I O NAI S D O TR A B AL HO 145 . 6 4 6 1 29. 3 7 9 2 1 1. 582 1 4 9. 217 25 7 . 3 0 9 1 74 . 4 4 8 j 31 2. 37 9 2 7 2 . 2 7 1 35 8. 49 8 3 46 .2 48 3 8 3 . 5 7 6 3 5 8. 832 TO T A L 5 3 8. 96 3 4 6 5 .1 5 9 6 68. 8 5 5 5 2 1 . 0 0 6 83 0. 56 3 6 1 5.58 3 ; 9 4 7 . 6 7 2 ! 7 6 5 .5 1 0 1 .0 55.659 9 3 8 . 1 5 9 1 . 0 9 3 .0 8 1 9 6 5 .9 2 3 Eduardo C. B. Bittar

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JUSTIÇ A A N O 1 99 6 A N O 1 9 9 7 AN O 1 9 9 8 ' A N O .. 1 9 9 9 ... A N O 2 0 0 0 A N O 2 00 1 E N T R JU LG E N T R JULG ENTR JU LG ENTR JULG EN T R JU LG E N T R JU LG T R I B U N AI S DE JU S T IÇ A 3 0 4. 9 7 0 2 2 8 .0 4 1 2 83. 6 5 4 2 3 5 .9 2 1 3 6 2 .9 78 2 0 0. 8 7 2 4 74. 6 9 6 3 7 0 .5 88 546. 3 9 8 4 1 0 .3 0 4 539 . 4 2 9 4 4 0 . 9 2 6 TRIB UNAIS DE AL Ç A DA 20 4. 2 1 6 1 98. 3 7 1 2 16. 1 6 9 2 0 6 .3 2 1 183 .7 2 1 1 6 6 .4 7 6 21 5 .1 1 9 17 7 .72 5 2 44 . 0 7 6 1 80 .6 65 226. 8 87 173 .7 1 6 TRIBUNAIS REG ION AI S FE DE RA IS 2 9 3 . 9 6 9 2 0 3 .9 01 3 16. 8 9 9 2 1 5 .4 2 7 367 . 2 8 0 26 3 .10 7 5 4 3 .9 7 6 30 1 . 9 6 5 6 9 1 . 8 8 7 4 6 1 .7 7 1 54 5 .6 0 1 4 1 7 .6 6 7 T R I B U N AI S REG ION AI S D O TR ABA L H O 348. 3 6 2 36 8. 4 2 7 3 8 7 .8 5 7 4 1 1 . 5 4 5 3 8 5. 0 6 4 4 1 3 .0 2 1 4 06. 6 7 2 4 2 1 . 0 4 8 418 .37 8 4 0 3 .0 2 6 4 1 6. 5 7 4 47 8. 1 0 4 TOTAL 1 .1 51 .4 9 7 9 8 8 .7 4 0 ! 1 .1 84 .4 79 ! 1 .0 6 9 .2 1 4 1 .2 7 9 .0 4 3 1 .1 1 3. 4 7 6 ! 1 .6 4 0 .4 6 1 1. 271 .3 26 j 1 .7 9 9 .7 3 9 ! 1 .44 5 .6 6 6 ! 1 .7 2 7 .3 9 1 1 5 1 0 .4 0 3 Fo nt e: S U P R E M O T R IB U N A L F E D E R A L: A C O M P A N H A M E N T O N A C IO N A L . Disp on ível: h ttp :: // S T F .G O V B R /B N D J/ M O V IM E N T O /M o v im en to 6A 2_ 20 0 0 .a sp ; A ce sso em 1 5.1 2. 20 02 . • N o qu e ta nge a o c o nt in g e n te d e m a g is tr a d o s , cl ar am ent e i n s u fi c ient e s p a ra o v o lu m e d e d e m a nda s : M o vi m e nt o For e ns e N a c io n a l Just iças C o m u m , Fe d e ra l e d o Tr abal ho d e 1 9 Gr a u * Pe rcent u al d e Ju íz es /J u íza s e m re laçã o a ca rg os p rovi d os e pe rc e n tu a l d e vacânc ia e m 2 0 0 0 Ó R O CA R G O S PR E V IS T O S EM L E I CA R G O S P R OV IDOS CAR G O S PE R C E N T U A L JU ÍZ E S JUÍ Z A S TO TA L V A GO S JUÍ Z E S JUÍZ A S VAC Â NC IA JU S T IÇ A CO M U M - -JU S T IÇ A F E D E R A L 1 .103 53 5 2 3 1 766 33 7 6 9 ,8 4 3 0 ,1 6 30, 5 5 JU S T IÇ A D O T R A B A L H O * * 2 .288 1. 092 97 8 2. 07 0 2 1 8 52, 75 4 7 ,2 5 9, 53 TO TAL 3. 391 1 .627 1. 2 0 9 2.836 55 5 5 7 ,3 7 42,63 16, 3 7 Fonte : S U P R E M O T R IB U N A L F E D E R A L : A C O M P A N H A M E N T O N A C IO N A L . Di sponível: h tt p :: // ST F .G O V B R /B N D J/ M O V IM E N T O /M ov im en to 6A 2_ 2 00 0 .a sp ; A ce ss o em 15 .12 .2 00 2. *N o s C arg o s previstos em le i e providos es tã o in cluídos os Juize s Ti tu la re s e os sub stituto s. ** Ju st iç a d o Trabalho: E st ão inc luídos ap en as os Ju izes Tog ado s.

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M o vi m e nt o For e ns e Na c io n a l Ju s ti ças C o m u m , Fede ra l e d o T raba lho d e 2 Gr a u P e rcen tu a l d e J u íz e s /J u íza s e m r e lação a c a rg o s p rovi d os e p e rc ent u al d e vacân c ia e m 20 00 ÓRG Ã O CA R G O S PR E V IS T O S EM L E I CA R G O S P R O V ID O S CARGOS VA GO S JUÍ Z E S JUÍ Z AS TO T A L JU ÍZES JU ÍZA S T R IB U N A IS D E J U S T IÇ A 90 3 807 8 1 88 8 15 9 0 ,8 8 9, 12 TRI B U N A IS D E AL ÇA D A 30 6 2 85 17 30 2 49 4 ,3 7 5, 63 TRI B U N A IS RE GI ONA IS F E D E RAI S 139 7 9 22 101 38 78 ,2 2 2 1, 78 T R IB U N A IS R E G IO N A IS D O T R A B AL H O * 31 5 192 9 5 287 28 6 6 ,9 0 3 3 ,1 0 TOT A L 1. 6 6 3 1 .363 215 1. 5 7 8 8 5 8 6 ,38 13, 6 2 Fon te: S U P R E M O T R IB U N A L F E D E R A L : A C O M P A N H A M E N T O N A C IO N A L . Di sponível: http :://ST F .GO V.B R /BN D J/MO VIM E N T O/M ovim ento 6A2 _2 00 0.as p; A ce ss o em 15 .1 2. 20 02 . *T R T s: E st ão incl uíd os ap en as os Ju izes T oga do s.

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Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de M inas Gerais

6. Carências da Justiça brasileira

Todas estas in fo rm a ç õ e s , c o m u n g a d a s a p a rtir das idéias anteriormente discutidas, caminham para uma encruzilhada, onde a ação prática, a modificação de consciência, a necessidade reformista, o debate de mudança de políticas públicas, são imperativos e imperiosas carências da realidade da justiça brasileira. Poder-se-ia, mesmo, neste sentido, seguir as sugestões críticas de José Reinaldo, quando aponta caminhos e alternativas para o enfrentamento da crise judiciária:

“ Para concluir, breves lem branças do que pode mudar no Judiciário para adaptar-se ao Estado democrático em que a justiça distributiva seja realizável. Precisamos transform ar a máquina cartorária: nenhum código de processo agiliza e barateia o serviço judicial sem que se rompa com a tradição cartorária pré-moderna que se insiste em manter. O sistema recursal tem que ser revisto, liberando-se o Supremo para tarefas constitucionais, conservando e aperfeiçoando a ação direta de constitucionalidade, revendo o papel do STJ no que diz respeito à uniformização da interpretação das lèis federais. Do ponto de vista da administração da justiça convém discutir a concentração (os órgãos centrais da cúpula administrativa) e a centralização (o papel da carreira progressiva para as capitais). Quanto ao acesso à justiça, distingui-lo em seus diferentes aspectos (acesso ao serviço, acesso à decisão, controle e publicidade da adm inistração e do aparelho) e aperfeiçoar a transparência da máquina judiciária. Preparar ad e q u a d a m e n te os p ro fis s io n a is para d is tin g u ire m as questões individuais-com utativas das questões coletivas- distributivas e estimular o debate público. Finalmente, garantir a liberdade democrática, único cam inho para a redefinição do mínimo ético que servirá de base à legalidade capaz de incorporar as políticas públicas necessárias” (Lopes, Justiça e poder judiciário ou a virtude confronta a instituição. Dossiê judiciário, Revista USP, Reitoria, São Paulo, Universidade de São Paulo, Coordenadoria de Com unicação Social, n. 21, mar/mai 1994, p. 33).

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Eduardo C . B. Bittar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADORNO, Sergio; MESQUITA, Myriam. Direitos humanos para crianças e adolescentes: o que há para comemorar? O cinqüentenário da Declaração Universal dos Direitos do Homem (Alberto do Amaral Júnior; Claudia Perrone-Moisés, orgs.). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, ps. 265-289,1999.

CAMPILONGO, Celso Fernandez. Direito e democracia. São Paulo: Max Limonad, 1997.

FARIA, José Eduardo O.C. (org.). Direitos humanos, direitos sociais e justiça. São paulo: Malheiros, 1998.

FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Estudos de filosofia do direito. São Paulo: Atlas, 2002.

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Referências

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