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Vida artificial das empresas: ferramenta de simulação de competitividade nas empresas

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Vida Artificial das Empresas

Ferramenta de simulação de competitividade nas empresas

Orientadores: Professor Doutor Ramiro Manuel Ramos Moreira Gonçalves

Professor Doutor Vítor Manuel Pereira Duarte dos Santos

VILA REAL, 2017

Dissertação de Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação

(2)

Vida Artificial das Empresas

Ferramenta de simulação de competitividade nas empresas

Orientadores: Professor Doutor Ramiro Manuel Ramos Moreira Gonçalves

Professor Doutor Vítor Manuel Pereira Duarte dos Santos

Composição do Júri

Presidente:

Doutor António Manuel Ribeiro de Sousa, Professor Auxiliar da Escola de Ciências e

Tecnologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Vogais:

Doutor Paulo Rogério Perfeito Tomé, Professor Adjunto da Escola Superior de

Tec-nologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viseu.

Doutor Ramiro Manuel Ramos Moreira Gonçalves, Professor Associado da Escola de

Ciências e Tecnologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

VILA REAL, 2017

Dissertação de Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação

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III

DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL

NOME: Cláudia Lopes Capitão

C.C.: 13509029

TELEMÓVEL: 967796450

CORREIO ELECTRÓNICO: [email protected]

DESIGNAÇÃO DO MESTRADO: Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação

TÍTULO DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM TIC:

Vida Artificial das Empresas: Ferramenta de simulação de competitividade nas empresas

ORIENTADORES:

Professor Doutor Ramiro Manuel Ramos Moreira Gonçalves Professor Doutor Vítor Manuel Pereira Duarte dos Santos

ANO DE CONCLUSÃO: 2017

Declaro que esta dissertação de mestrado é resultado da minha pesquisa e trabalho pessoal e das orientações dos meus orientadores. O seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto e na bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção de qualquer grau académico.

Vila Real, outubro de 2017.

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(5)

V

Publicação

Esta Dissertação de Mestrado em Tecnologias da Informação e Comunicação gerou a publicação:

Capitão, C., Ramiro, G., & Santos, V. (2017). Artificial Life of Companies Simulation tool for Business Competitiveness. Proceedings of the 12th Iberian Conference on Information

Systems and Technologies (pp. 1702-1708). Lisboa: AISTI.

ISBN: 978-989-98434-7-9/17/$31.00.

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VII

“The only dominant theory we have of consciousness says that it is associated with complexity

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IX Dedicatória e agradecimentos

À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, seu grupo docente e colaboradores, por me terem recebido amavelmente e sempre com amabilidade.

À disponibilidade do respeitável Professor Doutor Ramiro Manuel Ramos Moreira Gonçalves e ao Professor Doutor Vítor Manuel Pereira Duarte dos Santos, por aceitarem ser os meus orientadores, bem como pela franqueza e disponibilidade demonstradas durante o período de investigação deste trabalho.

Ao apoio incondicional ao longo de uma vida e sublime dedicação da minha avó Helena e da minha mãe Ana, cujo carinho, educação e trabalho árduo, me permitiram transcender as exigências do meu caminho e superar todos os desafios.

Aos meus dois melhores amigos, Miguel e Pedro, que desde o primeiro dia em que as nossas vidas se cruzaram, sempre demonstraram apreço e amor incondicionais sem nada pedirem em troca.

Á minha melhor amiga, Inês, por conseguir sempre colocar-me um sorriso no rosto, seguido de uma boa gargalhada e à minha tia Otília por toda a sabedoria e compreensão. A ambas por tornarem os desafios mais leves com simples palavras de carinho e sabedoria.

A todos os meus professores, orientadores, educadores, auxiliares, familiares e amigos que me transmitiram princípios, valores e sabedoria, sempre oferecendo o melhor que sabiam e podiam dar.

E por fim, mas não podendo deixar de fora, a todos os familiares e amigos que tanta paciência, força e carinho me transmitiram, abdicando e compreendendo a minha ausência ao longo destes anos e incrementando a minha motivação na vida académica.

(10)
(11)

XI Resumo

A crise financeira e o crescimento das Tecnologias de Informação têm levado as empresas a procurarem formas inovadoras de alcançarem conhecimento, para conseguirem dar resposta às exigências do mercado. Este trabalho apresenta uma definição síntese de caraterísticas e comportamentos das empresas face aos riscos, para desenho de uma ferramenta de simulação de competitividade que seja uma mais-valia para os gestores. A pesquisa foi baseada na análise de livros de administração de empresas e de Inteligência Artificial, de autores como: P. Drucker ou M. Mitchell e S. Forrest. Dela resultou a definição de um genoma artificial para representação empresarial. Como trabalho futuro, iremos desenvolver uma ferramenta com base num ecossistema artificial e analisar o funcionamento do genoma apresentado, referenciando dados reais partilhados por gestores empresariais.

Palavras-Chaves: Vida Artificial, Genoma Artificial, Ecossistema Artificial, Gestão de empresas.

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XIII Abstract

The financial crisis and the growth of Information Technology have led companies to look for innovative ways to achieve knowledge in order to meet the demands of the market. This work presents a synthesis definition of characteristics and behaviors of the companies phase to risks, to design a tool of simulation of competitiveness that is an advantage for the managers. The research was based on the analysis of business administration books and Artificial Intelligence, by authors such as: P. Drucker or M. Mitchell and S. Forrest. It resulted in the definition of an artificial genome for business representation. As future work, we will develop a tool based on an artificial ecosystem and analyze the functioning of the presented genome, referencing real data shared by business managers.

Keywords: Artificial life, Artificial Genome, Artificial Ecosystem, Business Management.

(14)

XIV Índice geral

1. Introdução ...1

1.1. Enquadramento ...1

1.2. Motivação e Justificação ...2

1.3. Definição dos Objetivo ...5

1.3.1. Objetivos ...6

1.4. Organização da dissertação ...6

2. Estado da Arte: A Empresa ...9

2.1. Breve História da Administração ...9

2.1.1. Administração na Antiguidade ...9

2.1.2. Antiguidade Clássica ... 10

2.1.3. Idade Média ... 10

2.1.4. Idade Moderna ... 10

2.1.5. Idade Contemporânea: 1ª Parte – Revolução Industrial ... 11

2.1.6. Idade Contemporânea: 2ª Parte – Inovação Tecnológica ... 12

2.2. Caracterização das empresas ... 13

2.2.1. Natureza Jurídica ... 13

2.2.2. Dimensão versus Recursos Humanos ... 15

2.3. Classificação das empresas ... 16

2.3.1. A importância do CAE ... 17

2.4. Organização (tipo Empresa) ... 20

2.4.1. Organização no comportamento ... 20

2.4.1.1. Teoria da Administração Científica de Taylor... 21

2.4.1.2. Teoria dos Princípios da Administração de Fayol ... 22

2.4.1.3. Teoria das Relações Humanas de Elton Mayo e Lennon – Teoria Psicossociológica ... 22

(15)

XV

2.4.1.5. Atualidade ... 23

2.5. Recursos ... 24

2.5.1. Recursos Materiais ou Físicos ... 25

2.5.2. Recursos Financeiros ... 25

2.5.3. Recursos Humanos (RH) ... 29

2.5.4. Capital Intelectual da Organização e Organizational Skills ... 35

2.5.5. Recursos Organização/Gestão ... 40

2.5.6. Recursos de Marketing ... 40

2.6. Comportamento face a Riscos ... 41

3. Computação evolucionista ... 47

3.1. Definição e conceitos ... 47

3.1.1. Algoritmos Evolutivos ... 49

3.1.2. Evolução dos Algoritmos Evolutivos ... 50

3.1.3. Teoria de Darwin no processo de evolução ... 50

3.1.4. Fundamentos Biológicos ... 52

3.2. Algoritmos Genéticos (AG) ... 52

3.2.1. Representação de um Cromossoma com AG ... 55

3.2.2. Reprodução em AG ... 57

3.2.3. Modelos para aplicação de AG no mundo empresarial ... 60

3.2.4. Porquê AG e porquê desenhar uma solução à medida? ... 61

3.2.5. A Inteligência computacional nos AG ... 63

3.3. Utilização de AG em ecossistemas artificiais ... 63

4. Metodologia ... 67

4.1. Estratégia de investigação ... 67

4.2. Design Science Research (DSR) ... 67

5. Proposta de codificação genética de uma empresa ... 71

(16)

XVI

5.1.1. Exemplo prático elementar (entidade fictícia) ... 75

5.2. Validação... 77

6. Conclusão ... 79

6.1. Síntese do trabalho desenvolvido ... 79

6.2. Limitações ... 79

6.3. Trabalho futuro ... 79

(17)

XVII Índices (figuras e tabelas, quadros)

Índice de Figuras

Figura 1 - Representação do CAE (INE, IP, 2007)... 16

Figura 2 - Esquema da representação do CAE segundo a Rev. 3 ... 17

Figura 3 - Esquema da representação do CAE F42110 segundo a Rev. 3 ... 17

Figura 4 - Estatística de empresas constituídas por Atividade Económica, em abril 2016 (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016) ... 18

Figura 5 - Estatística de dissolução de empresas por Atividade Económica, em abril 2016 (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016) ... 19

Figura 6 - Cronologia das Teorias da Administração ... 20

Figura 7 - Critérios de avaliação de desempenho (RH) (Chiavenato, 2010, p.250) ... 30

Figura 8 - Escala gráfica de avaliação de desempenho (RH) (Chiavenato, 2010, p.250) ... 31

Figura 9 – Método de avaliação por escolha forçada (Chiavenato, 2010, p.252) ... 32

Figura 10 - Método de avaliação do desempenho (RH) pela pesquisa de campo (Chiavenato, 2010, p.253) ... 33

Figura 11 – Método de avaliação de desempenho (RH) por incidentes críticos (Chiavenato, 2010, p. 254) ... 34

Figura 12 – Método de avaliação de desempenho (RH) por listas de verificação (Chiavenato, 2010, p. 255) ... 35

Figura 13 - Comparação do valor Mercado/Contábil das empresas IBM e Microsoft (Joia, 2001, p. 55) ... 36

Figura 14 - Estrutura da Taxonomia do Capital Intelectual (Joia, 2001, p. 56) ... 38

Figura 15 - Quadro de atributos tangíveis e intangíveis de uma empresa... 39

Figura 16 - Diagrama básico da análise SWOT (Sarsby, 2016), p.7 ... 43

Figura 17 - Matriz de Probabilidade-Impacto (PMBOK Guide, 2001), p. 137 ... 44

Figura 18 - Representação da relação entre Evolução Computacional e a Resolução de Problemas, (Eiben & Smith, 2015, p.14) ... 48

Figura 19 – Representação por paisagem adaptável de Wright com dois traços do fitness de uma população (Eiben & Smith, 2015, p. 17) ... 51

(18)

XVIII

Figura 21 – Ciclo de vida de um Algoritmo Evolutivo (adaptado de Silvely, Almir, Cantão, & Cunha, 2013, p. 224) ... 53

Figura 22 – Esquema de um algoritmo genético (Linden, 2008, p. 58) ... 54 Figura 23 - Representação de cromossomas (adaptado de Silvely, Almir, Cantão, & Cunha, 2013, p. 224) ... 55

Figura 24 - Exemplo de um Cromossoma para o problema do caixeiro-viajante (Silvely, Almir, Cantão, & Cunha, 2013, p. 224) ... 56

Figura 25 - Processo completo de crossover (Linden, 2008, p.32)... 57 Figura 26 - Tabela e Roleta de seleção de amostragem universal estocástica (Silvely, Almir, Cantão, & Cunha, 2013, p. 227) ... 59

Figura 27 - Roleta viciada para população (Linden, 2008) ... 59 Figura 28 – Matriz de pagamento Empresarial (base Dilema de Prisioneiros) ... 60 Figura 29 - Performance de um Algoritmo Específico versus Algoritmo Genérico (Linden, 2008, p. 50) ... 62

Figura 30 - Quadros de comparação de formas de pesquisa organizacional ... 68 Figura 31 - Quadro teórico-metodológico da DSR de Roel Wieringa (Bax, 2014, p. 3895) ... 69

Figura 32 - Questionário de caraterização empresarial ... 73 Figura 33 - Estrutura do Cromossoma empresarial ... 74 Figura 34 - Questionário de Caraterização Empresarial da empresa Algoritmo Training, Lda ... 75

Figura 35 - Valores de atribuição consoante respostas ao questionário... 76 Figura 36 - Lista de valores a atribuir ao gene - Capital Intelectual da empresa Algoritmo Training ... 77

Figura 37 - Cromossoma da empresa Algoritmo Training, Lda ... 77 Figura 38 - Ecossistema empresarial... 81

Índice de Tabelas

Tabela 1 - Forma Jurídica de Constituição de Empresas ... 14 Tabela 2 - Terminologia: Linguagem Natural versus GA (Linden, 2008, p. 47) ... 49 Tabela 3 - Quadro de Regras de caraterização de uma empresa para a definição dos valores dos genes ... 72

(19)

XIX

Tabela 4 - Empresas: total e por forma jurídica ... 90

Tabela 5 - Teorias Administrativas, autores, ênfase e caraterísticas ... 91

Índice de Equações Equação 1 - Taxa de Rentabilidade... 25

Equação 2 – Margem de Venda ... 26

Equação 3 – Rentabilidade da Produção ... 26

Equação 4 – Rentabilidade do Ativo ... 26

Equação 5 – Liquidez Geral ... 27

Equação 6 – Cálculo da Autonomia Financeira de uma empresa... 27

Equação 7 – Fórmula de Debt to Equity Ratio ... 27

Equação 8 – Cobertura dos Encargos Financeiros ... 27

Equação 9 – Cálculo de Rotação do Ativo de empresa ... 28

Equação 10 – Tempo médio de recebimento ao ano ... 28

Equação 11 – Tempo médio de pagamentos ao ano ... 28

Equação 12 – Valor de Mercado de uma empresa ... 36

Equação 13 – Valor Contábil de uma empresa ... 37

Equação 14 – Valor do Capital Intelectual de uma empresa ... 37

(20)

XX

Lista de abreviaturas, siglas, símbolos ou acrónimos

ADN Ácido Desoxirribonucleico1 AG Algoritmos Genéticos

ANJE Associação Nacional de Jovens Empresários CAE Código de Atividade Económica

DSR Design Science Research

EIRL Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada EUA Estados Unidos da América

FOFA Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças IDC International Data Corporation

INE Instituto Nacional de Estatísticas KPI Key Performance Indicator

MLP Médio e Longo Prazo NFL No-free-lunch Therorem

PH Potência de Hidrogénio PIB O Produto Interno Bruto

SWOT Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats

TIC Tecnologias de Informação e Comunicação

1 ADN – Acido Desoxirribonucleico , isto é molécula portadora de informação genética,

responsável pela transmissão das características hereditárias nos seres vivo. (Porto Editora, 2013-2017)

(21)

1

1. Introdução

1.1. Enquadramento

Segundo Drucker (1992), conhecido como o pai da moderna gestão de empresas, "A principal preocupação dos administradores, se quiserem que seus negócios sejam bem-sucedidos, deve residir no sentido de procurarem sistematicamente compreender as condições do futuro de tal forma que possam decidir sobre as mudanças que levam a empresa de hoje para a do amanhã.". O aumento da incerteza dos mercados é um dos fatores que tem incentivado as empresas a serem mais pró-ativas na procura de estratégias competitivas, na utilização mais eficaz das tecnologias de informação e na aposta na inovação e criatividade, acartando consigo os riscos relacionados com as tomadas de decisões.

A utilização de Tecnologias de Informação acelerou os processos, revolucionando o tempo e o mundo. Em todo o planeta, as empresas auxiliam-se das Tecnologias de Informação com o objetivo de realizarem as suas operações diárias, tornando-se mais competitivas. Saber como utilizar estas tecnologias eficazmente é crucial.

Independentemente do sector de atividade económico, a integração das Tecnologias de Informação tem forçado as empresas a englobarem um departamento de informática dentro da sua estrutura ou recorrem a este tipo de serviços através de outras empresas.

Por sua vez, os Gestores são forçados a terem capacidades de gestão no que se refere a tomada de decisões relacionadas com gestão, decisões sobre pessoas, comunicação, orçamentação, mediação e controlo e ainda a terem literacia sobre a informação (Drucker & Marciariello, 2008).

Criar condições para a sustentabilidade e competitividade de uma empresa, obriga os Gestores a preverem as necessidades futuras e os acontecimentos fazendo uso das suas competências. Torna-la mais competitiva obriga os Gestores a conhecerem as forças e fraquezas, não só da(s) sua(s) empresa(s), mas também dos seus competidores e a reconhecer as ameaças e as oportunidades que o mercado estabelece, diferenciando a(s) sua(s) empresa(s) das demais e entregando produtos e/ou serviços que representam uma mais-valia aos seus clientes e à sociedade onde estão integradas.

Poder simular o mundo dos desafios a que uma empresa poderá estar sujeita e as suas consequências, para encontrar uma estratégia de atuação, é uma tarefa complexa e que se encontra sujeita a N variantes. Por isso, utilizar a Vida Artificial, enquanto área da Ciência da

(22)

Introdução

2

Computação, como suporte a uma definição de estratégia competitiva, definindo o “ADN” de uma empresa e o seu ciclo de vida, com os desafios e decisões que a englobariam, configura um suporte essencial para os Gestores.

1.2. Motivação e Justificação

A realização de uma dissertação na área de Gestão advém da minha anterior experiência académia e interesse pela área, adquiridas no decorrer dos Cursos Técnico Profissionais de Administração e Comércio2 e Técnico de Informática de Gestão3, bem como pela conclusão da Licenciatura de Engenharia Informática4, os quais me permitiram adquirir conhecimento e competências na Gestão e Organização de Empresas, bem como no planeamento, desenvolvimento e operacionalidade de Infraestruturas de Tecnologias de Informação que suportam as necessidades de armazenamento, comunicação e consulta de dados das empresas. Além, da frequência académica, tive também oportunidade de adquirir conhecimentos sobre as boas práticas que devem ser aplicadas, processos e responsabilidades dentro das equipas de informática das empresas, através da certificação de ITIL® – IT Service Management – Foundation Level 5.

Enquanto a experiência académica transmitiu-me o conhecimento formal, a experiência profissional deu-me oportunidade de colocar em prática esse conhecimento e vivenciar pessoalmente e no exato momento do acontecimento, as dificuldades reais que os Gestores sentem, independente do sector de atividade económico. Ao longo destes dez anos, a nível profissional, na área de Gestão de Empresas, tive oportunidade de trabalhar em diferentes ramos de atividade, nomeadamente:

A. No Setor de Retalho de Mercadorias Automóveis, onde fiz parte do processo de reorganização e controlo de documentação digital da empresa;

B. Na Indústria de Exploração de Gás e Energias, como primeiro contato na gestão da qualidade e satisfação dos clientes;

2 Curso Técnico Profissional, na Casa Pia de Lisboa – Colégio Pina Manique (2001-2004), inserido no

Quadro Nacional de Qualificações (Nível II, do Despacho Normativo n.o 64198, de 4/9).

3 Curso Técnico Profissional, na Casa Pia de Lisboa – Colégio Pina Manique (2004-2007), inserido no

Quadro Nacional de Qualificações (Nível III, do Despacho Normativo n.o 64198, de 4/9).

4 Curso de Nível Superior, na Universidade Europeia (2012-2015), inserido no Quadro Nacional de Qualificações (Nível V, Despacho no 1298112012, de 2/10).

5 O ITIL® é a documentação consistente e compreensiva das melhores práticas para a gestão de serviços de TI (APMG International, 2017). Este conhecimento foi adquirido através da frequência no curso de ITIL Foundation na empresa Actual Training (2015) e comprovado com o certificado de aprovação do exame ITIL Foundation reconhecido pela APMG.

(23)

3

C. Na Indústria Hoteleira, no apoio permanente ao Gestor no planeamento e restruturação de todo o sistema e equipamentos informáticos, onde vivenciei, em primeira mão, a importância de ter parcerias fiáveis e uma infraestrutura informática adaptada às reais necessidades de uma empresa, tornando-a mais competitiva e os colaboradores mais produtivos.

D. Durante o período, em que frequentei a Licenciatura e até ao presente momento, tenho estado integrada na equipa de Gestão de Formação de TIC da entidade formadora Actual Training, tendo participando ativamente, no desenho de novos processos de melhoria da Gestão da Formação e da Estratégia de Negócio face às constantes mudanças de mercado. Exemplos: empresas e parcerias a serem realizadas ou destituídas, surgimento de novas tecnologias e produtos na área de formação de TI (um exemplo o Microsoft Azure), ou por fatores económicos adversos, que levam clientes a investirem menos na formação dos seus colaboradores.

Toda esta experiência, direta com os Gestores de diferentes ramos da atividade, bem como com clientes, fornecedores e restantes stakeholders ofereceu-me a oportunidade de compreender e lidar com os desafios com que os Gestores estão sujeitos e para os quais são impulsionados a tomarem decisões que podem se revelar vantajosas ou prejudiciais no futuro das suas empresas. Nesse contexto, pretende-se que o tema desta dissertação constitua uma oportunidade útil de aplicar o conhecimento e experiências adquiridas, numa investigação que tenha como objetivo presentear os Gestores com uma ferramenta que permita prever acontecimentos e consequências nas empresas, pela manipulação das mesmas, através de decisões face ao meio em que estão ou que se preveem vir a estar inseridas (no futuro).

Se a decisão de elaborar uma dissertação na área de Gestão de Empresas advém da minha experiência profissional e académica, o empenho em aplicar Inteligência Artificial no desenho da solução da ferramenta de simulação de competitividade nas empresas, advém do meu interesse pessoal sobre esta matéria. Desde tenra idade que pesquiso e absorvo informações sobre temas relacionados com Inteligência Artificial. Caso disso, o meu fascínio por robótica e por simulação de vida artificialmente. Foi no decorrer da Unidade Curricular de Inteligência Artificial, durante a minha frequência na Licenciatura de Engenharia Informática, que a necessidade e curiosidade de querer saber mais sobre esta área de estudo da Ciência da Computação, estimulou a minha vontade de saber mais e fazer projetos nesta área.

(24)

Introdução

4

Assim, tendo por base, uma primeira investigação sobre Inteligência Artificial e Gestão de Empresas, usando como referência a previsão da IDC, observa-se que “40% dos projetos de transformação digital vão incorporar algum tipo de inteligência artificial em 2020 e que 75% das empresas vão passar a utilizar algum tipo de inteligência artificial nas suas aplicações” (Casa dos Bits, 2017). Isto demonstra que esta interligação de tecnologia mais conhecimento de gestão de empresas com vista à competitividade prevê-se estar em expansão e ser um tema atual e de interesse pelos gestores, justificando a investigação nestas áreas.

Exemplos de investigações/publicações de como as tecnologias podem tornar as empresas mais competitivas e inclusivas, podem ser consultadas, como exemplos recentes, nos artigos científicos:

 “Web Accessibility and Digital Businesses: The Potential Economic Value of

Portuguese People with Disability” (Rocha, Bessaa, Gonçalves, Peres, &

Magalhães, 2012): Este artigo faz uma abordagem a como as empresas por vezes se esquecem que existem pessoas com deficiências, que podem ser potências clientes económicos, que poderiam ser alcançados se houvesse uma consciência tecnológica de inclusão destes indivíduos. O artigo conclui que com a implementação de técnicas de acessibilidade, que venham a permitir que todos os tipos de utilizador consigam aceder a conteúdos web, independente do seu grau de deficiência, torna-se numa mais-valia para as empresas com negócios

online pois estas passam a ter um aumento de mais potenciais clientes,

tonando-se mais competitivas e também reconhecidas na sociedade pelo cuidado que tiverem em promover a inclusão.

 Ainda na vertente do comércio eletrónico o artigo “Electronic Business Maturity

in Portuguese SME and Large Enterprises” (Morais, Santos, & Gonçalves,

2011) faz uma análise à evolução da utilização das tecnologias de informação nas empresas, mencionado que estas passam por um processo de aprendizagem passando por várias fases até atingirem a maturidade.

 Numa perspetiva global para contribuir para a sustentabilidade de Micro e Pequenas empresa o artigo “Construção de Sistemas Integrados de Gestão para Micro e Pequenas Empresas” (Crespo & Santos, 2015) faz-nos uma analogia da importância que os sistemas de gestão integrados têm contribuído para uma gestão mais eficiente de todos os recursos nestes tipos de empresas. O artigo propõe a criação de uma Macro Arquitetura que permita criar um sistema de

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5

gestão integrado, permitindo potencializar os recursos e a gestão da empresa através de uma única plataforma, tornando-a mais ágil e rápida face a empresas de maior dimensão que dispõem de maior capacidade de recursos.

Ambos os artigos referem as potencialidades que a utilização de tecnologias de informação dentro das empresas podem contribuir para o desenvolvimento destas, bem como para a evolução da cultura da empresa, da forma de gestão e disponibilização dos seus produtos/serviços, potenciando o sucesso das mesmas.

1.3. Definição dos Objetivos

Porter (1986) considerava “crucial a utilização efetiva das tecnologias de informação para a sobrevivência e a estratégia competitiva das organizações”. As tecnologias de informação permitem aos gestores, o acesso a informação em tempo real sobre a situação da empresa, sendo apoios fundamentais, para uma resposta mais assertiva a curto prazo, em relação aos problemas com que os Gestores se deparam diariamente. Mas como, prever o impacto de uma decisão no futuro? Será que o recurso a tecnologias inteligentes, nas áreas de Ciência de Computação poderá surgir como uma ferramenta de apoio na prospeção do futuro das empresas, pelos gestores, prevenindo impactos nocivos?

Simular o mundo dos Inputs (estímulos e provas) a que uma organização é sujeita, com o objetivo de apresentar uma estratégia face à interação com o ambiente em que essa organização está inserida, respeitando ou sugerindo um ajustamento da cultura e estrutura da mesma, é uma tarefa complexa, sujeita a infindáveis variáveis, com elevados encargos financeiros e de tempo.

Sendo este desafio colossal: a possibilidade da utilização da Inteligência Artificial enquanto base do conhecimento para a criação de uma ferramenta de simulação de competitividade das empresas, levantam-se as seguintes hipóteses:

A. Hipótese 1

É possível definir em linguagem máquina o “ADN” e comportamento de uma empresa, bem como representa-la num ambiente virtual, com recurso a tecnologias de informação.

(26)

Introdução

6 B. Hipótese 2

É possível recrear a evolução de uma empresa, face ao ambiente em que está inserida, apresentando resultados quanto ao seu sucesso, face a mutações da mesma ou aparecimento de empresas sucessoras ao longo de um determinado tempo (tn).

Tendo por referência estas duas hipóteses, e a investigação realizada através da análise de livros e artigos científicos sobre Inteligência Artificial, Algoritmos Genéticos e Ecossistemas Artificiais, bem como o estudo e análise de conceitos partilhados pelos principais autores em Gestão e Administração de Empresas, dos quais6 destacamos: Drucker, Chiavenato e Porter, pelos seus contributos na área, pretende-se desenhar uma ferramenta de apoio à predição do futuro das empresas tendo em conta os presentes objetivos integrados.

1.3.1. Objetivos

Definir e caraterizar genericamente o conceito de Empresa;

Rever a definição de Inteligência Artificial e a sua aplicabilidade perante as hipóteses definidas;

Apresentar uma proposta de um Genoma Artificial que possibilite a codificação genérica de uma empresa portuguesa.

Exemplificar a utilização solução genérica proposta com uma empresa “fictícia”.

1.4. Organização da dissertação

A dissertação está dividida em seis capítulos.

No primeiro capítulo (Introdução) enquadra-se o tema, com uma breve introdução ao mesmo, motivações e justificação da escolha do tema, bem como apresentação dos pressupostos e objetivos definidos.

No segundo capítulo (Estado da Arte: A Empresa) apresenta-se uma revisão da literatura e estado da arte sobre o conceito de Empresa, um resumo da evolução histórica desta, bem como a definição da sua estrutura e o comportamento, transmitindo uma ideia global da definição de empresa.

6 Seleção pela através da lista “Gurus da Administração de Empresas”, que engloba por vinte e quatro

figuras do ensino e da administração de empresas e suas contribuições na área. Consulta disponível em:

(27)

7

No terceiro capítulo (Computação evolucionista) aborda-se as definições e conceitos de Inteligência Artificial, Algoritmo Genético e Ecossistemas Artificiais, apresentado a sua implementação e interligação com o mundo real.

No quarto capítulo (Metodologia) descreve-se o Design Science Research, a metodologia utilizada na investigação e da solução proposta nesta dissertação.

No quinto capítulo (Proposta de codificação genética de uma empresa) apresenta o algoritmo genético proposto para representar uma empresa portuguesa.

Finalmente, no último capítulo (Conclusão), apresentam-se as conclusões sobre o trabalho, contribuições, autocrítica e trabalho futuro a ser realizado.

(28)

Introdução

(29)

9

2. Estado da Arte: A Empresa

“Empresa é um tipo específico de organização que se caracteriza pelo facto do seu fim último ser a maximização dos seus lucros; em última análise, numa empresa todos os restantes objetivos são na verdade meios utilizados para maximizar os lucros. No caso de uma empresa pública, o fim último poderá ser ligeiramente diferente e estar mais associado a objetivos de rentabilidade social.” (Nunes, 2017).

Esta definição de Paulo Nunes, Economista pela Universidade Nova de Lisboa e Professor Universitário nas áreas da Economia e da Gestão, representa uma visão geral e atual da definição de empresa em Portugal, enquanto entidade organizada com um propósito a atingir.

2.1. Breve História da Administração

Da análise ao livro História da Administração - Entendendo a Administração e sua

Poderosa Influência no Mundo Moderno de Chiavenato (2008) pode retirar-se uma visão

resumida do conceito de empresa e da sua evolução história, onde se destacam as várias fases da evolução do próprio homem, seu comportamento e a sua adaptação em sociedade. Estas fases impulsionaram as diferentes e novas visões Empresariais, fazendo assim uma relação direta da evolução da administração da empresa com a evolução histórica do próprio Homem. Chiavenato (2008) divide a história da Administração de Empresas em cinco fases, nomeadamente: a Administração na Antiguidade, a Era da Agricultura e do Artesanato, a Revolução Industrial, o Início da Era Industrial e a Atualidade.

2.1.1. Administração na Antiguidade

O Homem passou na Pré-história (até 4000 a.C.) por duas épocas, o Paleolítico, em que era recolector, assegurando unicamente a sua sobrevivência e o Neolítico, em que o Homem se torna sedentário, através da agricultura e pesca. É nesta última fase que se iniciam as primeiras empresas de natureza familiar, como consequência da sedentarização, despoletando as primeiras divisões sociais do trabalho: os homens por exemplo com as tarefas da caça e fabrico de utensílios e as mulheres com cultivo da terra e cerâmica; bem como as primeiras atividades comerciais de natureza artesanal, por exemplo: olaria, fiação e tecelagem (Chiavenato, 2008).

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2.1.2. Antiguidade Clássica

Na Antiguidade Clássica (entre 4000 a.C. até 476 d.C.) o Homem estabeleceu-se em redor do mar mediterrâneo e junto a grandes rios, tornando-se muito dependente da agricultura e dedicando-se ao comércio. Nessa altura, surgem os primeiros registos contabilísticos, e é criado o Código de Hamurabi7, com origem na Mesopotâmia, referenciando leis sobre relações do trabalho, família, propriedades e escravidão, defendendo a especialização na organização empresarial (Horne, 2007). Por sua vez, a civilização grega dá relevo ao Homem na esfera social, separando o Homem que pensa, do Homem que sabe e pensa (Chiavenato, 2008).

É criada uma rede de pequenas empresas e são desenvolvidas novas cidades, derivadas da expansão dos territórios gregos e romanos, impulsionando o aparecimento da moeda, dos bancos e das casas de câmbio. Surge o Diário e o Razão pela primeira vez no registo contabilístico e os Romanos desenvolvem o Direito. Contudo, as empresas continuam de reduzida dimensão, de natureza familiar e focada no mercado local (Gullo, 2016).

2.1.3. Idade Média

Na Idade Média (entre 476 d.C até 1453 d.C), com a queda do Império Romano e as invasões Bárbaras, o Homem refugia-se nos campos, voltando a sua atividade económica a reger-se pela agricultura. Vigora um sistema feudal caraterizado por uma economia senhorial, agrícola, sem lucros, de trocas diretas e baseada em escravidão. Só a partir do ano 1000 a situação começa a inverter-se com as pessoas a retornarem às cidades. Surgem as primeiras oficinas, de natureza familiar, hierarquizadas por um mestre, companheiros e aprendizes. Emergem as corporações de artes e ofícios para defender os artesões da concorrência (Gullo, 2016). O Homem passa a viver na época dos mercados, com comerciantes como agentes económicos em ascensão e instituições de crédito e seguros, acentuando o poder da burguesia. Contabilisticamente surge a Letra, o Cheque e os Balanços (Woolf & Gordon, 1912).

2.1.4. Idade Moderna

Na Idade Moderna (desde 1453 d.C até 1789 d.C), os descobrimentos impulsionam o mercado local, para o mercado global e para a criação de grandes empresas – companhias comerciais. As Bolsas passam a desempenhar um papel fundamental na troca de produtos

7 Código de Hamurabi: Também conhecido como “Lei Talião”, foi um Código criado no Estado Babilónico sob o regime do Monarca Hamurábi (XVIII a.C), composto por 282 artigos, definindo direitos e deveres jurídicos da época (Horne, 2007) (Roland, 2017).

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vindos de todo o mundo, inicialmente representando o local onde os comerciantes se reunião para realizar negócios (Chiavenato, 2008). Crê-se que a primeira Bolsa8 de valores, onde surgiram as primeiras transações relativas a cotas de empresas, tenha surgido 1487, na Bélgica. Sendo que a primeira comercialização ficou registada em 1602, na bolsa de Amesterdão, pela Companhia Holandesa das Índias Orientais (Pinheiro, 2014) (Barth, 2009). Aumenta a circulação de produtos, da produção, surgindo a manufatura, simbolizando assim, o primeiro modelo de produção capitalista, utilizando o trabalho feminino e infantil. Porém, mesmo com essa exploração a produção não conseguia dar resposta à procura (Silva R. B., 2016).

2.1.5. Idade Contemporânea: 1ª Parte – Revolução Industrial

Pós-Revolução Industrial, com a Revolução Francesa, surgem os ideais liberais, garantindo o sucesso da iniciativa privada, da liberdade do trabalho e no estabelecimento da livre concorrência, separando o poder económico do poder estatal. A nova época diferencia-se da Idade Moderna, pela alteração da manufatura pela maquinofatura e assim substituindo-se a energia animal e humana pela força motriz do vapor, diminuindo o custo de produção. Por outro lado, nascem novas empresas individuais ou familiares, dominadas pelas doutrinas liberais que defendem a diminuição da influência do estado na economia (Chiavenato, 2008).

No século XX surge o Modelo T da Ford, com a linha de montagem e produção em série, sendo o primeiro carro projetado para a manufatura, passando os operários a ficarem responsáveis por uma única atividade, montagem de uma única peça e não de todo o ciclo de construção do produto, aumentando a produtividade (Gullo, 2016) (History.com Staff, 2010). Na década de 30, o mundo esteva sob a “Grande Depressão”, que levou a altas taxas de desemprego, quedas drásticas nas Bolsas, no PIB9 de diversos países e na Produção Industrial.

O Mercado até então focado no Produto passa a focar-se nas Vendas (Chiavenato, 2008). Em 1945, termina a Segunda Guerra Mundial, iniciando um processo de reconstrução económica e das relações comerciais, em 1960 Jerome McCarty, apresenta os 4 P’s (Produto, Preço, Praça e Promoção) que iriam compor o conceito de Marketing revolucionando o Mercado Vendedor, surgindo uma nova visão focada no consumidor, ou seja, o Mercado

8 O nome Bolsa é uma referência direta ao Brasão da família Van der Burse. Este Brasão é representado por três bolsas. Esta família era proprietária da casa onde ocorriam este tipo de transações, levando à origem do nome ‘Bolsas’ de valores (Lopes, 2013).

9 PIB – O Produto Interno Bruto representa o resultado final da atividade económica dos residentes num determinado território, num dado período de tempo (tipicamente, um ano ou um trimestre), sendo um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia. (Instituto Nacional de Estatísticas, 2013).

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Comprador (McCarthy, 1960). Em 1972, surge uma nova crise económica com os Choques do Petróleo (Hamilton, 1985). Em 1980 começa a “Globalização” e o mercado passa a focar a Orientação para o Relacionamento, criando uma espécie de relação de “casamento” entre o comprador e o vendedor (Dwyer, Schurr, & Oh, 2016). Em 1989, com a queda do Muro de Berlim, inicia-se uma taxa de emigração dentro da Europa que trás consigo mão-de-obra altamente qualificada, a baixo custo, impulsionando a diminuição dos salários base, por categoria/qualificação, dentro dos países e aumentando o desemprego (Costa, Belim, & Pinheiro, 2008).

2.1.6. Idade Contemporânea: 2ª Parte – Inovação Tecnológica

Nos séculos XX e XXI, surge o “boom” da era digital e da comunicação e do comércio, sem-fronteiras. Em 2001, acontecem os “ataques do 11 de setembro” e as Bolsas mundiais voltam a cair, impulsionando uma nova crise económica (Almeida , 2001). Em 2015, a Revista Times, seguindo a fonte de dados da Nações Unidades, escreveu no seu site, que morreram mais de 600.000 pessoas em desastres naturais, com bilhões de dólares10 em prejuízo, desde o Tsunami no Pacífico em 2004 ao Furacão Fukushima no Japão em 2011 (Chan, 2015).

Em 2007, a Crise do Subprime, impulsiona uma série de Bancos para a insolvência, devido à concessão de empréstimos hipotecários de alto risco, deixando famílias e empresas sem condições de crédito ou sustentabilidade, aumentando as taxas de desemprego (Demyanyk & Hemert, 2009). No seguimento das crises económicas surge o autoemprego (Quentier, 2014), e com auxílio das inovações tecnológicas e o aumento do grau de escolaridade das pessoas, o

boom da criação de StartUps (Dawson, Henley, & Latreille, 2012).

Durante, as várias épocas da história do Homem, este foi forçado a tomar decisões para garantir a sustentabilidade das suas empresas, baseando-se em fatores históricos (experiência), em alterações previsíveis, atualmente com recuso a Estudos de Mercado11, alterações imprevisíveis, como catástrofes naturais, atentados, crises nas bolsas, e alterações resultantes do acaso, tais como inovações por acidente, como o caso do surgimento dos post-it12.

10 No site está descrito: “trillions of dollars”. Este valor foi convertido, para a realidade europeia, de acordo com conversão de Bilhões América versus Bilhões Europeu (Oxford University Press, 2015).

11 Estudo de Mercado tem como finalidade detalhar e avaliar o mercado de um produto ou serviço, tendo por objetivo reduzir o risco das decisões fase ao investimento nesse produto ou serviço (Silva E. S., Dicionário de Gestão, 2013).

12 A invenção do Post-it foi acidental. O objetivo inicial era desenvolver o adesivo maior e mais forte do mercado, por um acidente na investigação surgiu um adesivo que através de microesferas mantem a viscosidade, permitindo-lhe a aderência e a retirada de outras superfícies (3M, 2014). A própria cor amarela pela qual o Post-it

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A informação e o conhecimento, impulsionados pela evolução humana, em conjunto com a capacidade de antever os acontecimentos, são assim, não só fontes de consumo, mas também ferramentas fundamentais para a formulação de decisões assertivas por parte dos Gestores na hora da tomada de decisões estratégicas e provisionamento, que eleva a capacidade de sobrevivência, inovação e crescimento das suas empresas.

Ter uma ferramenta digital e automatizada que consiga fazer essas tarefas, em tempo útil, permitindo várias simulações, simplificaria o trabalho do responsável pela decisão. Para criar essa ferramenta é necessário primeiramente compreender qual é o “ADN” das empresas.

2.2. Caracterização das empresas 2.2.1. Natureza Jurídica

As empresas podem-se organizar por diferentes tipos, isto é, por diferentes formas jurídicas (Lisboa, Coelho, Coelho, & Almeida, 2011). Esta classificação corresponde a um conjunto de características da empresa, que em analogia à caraterização do ADN do ser humano, passaria por exemplo, dentro do genoma do ADN a definir a etnia da empresa, equiparando-a a outras com os mesmos traços. Dentro da classificação jurídica de uma empresa, existem os seguintes critérios (Lisboa, Coelho, Coelho, & Almeida, 2011):

 A forma (ou natureza) jurídica, ou seja, o nome da classificação jurídica;  O número mínimo de sócios a que obriga;

 A responsabilidade dos sócios, resumidamente se os seus bens pessoais, entram ou não para as responsabilidades de dívida da empresa;

 E o Capital da empresa.

Dentro da forma jurídica identificam-se dois tipos de sociedade: Forma Singular ou Empresa Coletiva. No primeiro caso, englobam-se as Empresas em Nome Individual, Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada (EIRL), Sociedades Unipessoal por Quotas, já nas Empresas Coletivas, estão inseridas as Sociedades Anónimas, Sociedades por Quotas, Sociedade em nome Coletivo, Sociedades em Comandita e Cooperativa (OesteCIM – Comunidade Intermunicipal do Oeste, 2015). Assim, é possível caraterizar uma empresa Portuguesa, por oito distintos tipos de formas jurídicas. Como forma de ilustração, atualizada, da caraterização das diferentes formas jurídicas das empresas em Portugal, tendo em

é caraterizado, surgiu também por caso, devido ao facto de ser o papel que o laboratório Fry mais tinha em inventário para rascunho, sendo esse utilizado para as experiências (New Scientist, 2016).

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consideração as referências da publicação da ANJE (Veloso, 2014), o Manual de Apoio ao Empreendedor (OesteCIM – Comunidade Intermunicipal do Oeste, 2015) e a descrição das Formas jurídicas de constituição de empresas, disponíveis no Portal do Cidadão (Portal do Cidadão, 2015) foi elaborada a Tabela 1.

Forma Jurídica Número mínimo

de Sócios Responsabilidade

Capital

mínimo Firma

Empresário em

Nome Individual 1 Ilimitada

não obrigatório

Nome do fundador + Ramo Atividade (opcional) Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada 1 Limitada ≥ 5.000€ Nome + Ramo de Atividade + "EIRL" Sociedades Unipessoais por Quotas ≥ 1 Limitada ao capital social ≥ 1€ Nome + “Sociedade Unipessoal” ou "Unipessoal Limitada” ou "Unipessoal Lda" Sociedade por Quotas ≥ 2 Limitada ao valor da quota ∑ Quotas; Quota ≥ 1€ Nome + "Lda", ou "Limitada" ou "Sociedade Limitada" Sociedades Anónimas ≥ 5 Limitada ao valor das ações ≥ 50.000 Nome + "S.A." ou "Sociedade Anónima" Sociedades em Nome Coletivo ≥ 2 Ilimitada, subsidiária e solidariamente não obrigatório Nome + “Companhia” ou “Cia” Sociedades em Comanditas ≥ 2 (simples) ≥ 5 + 1 (ações) Mista ≥ 50.000 Nome + "em Comandita por Ações” ou “& Comandita por Ações"

Sociedades Cooperativas ≥ 5 (1º grau) + ≥ 2 (grau superior) Limitada ao montante do capital subscrito não obrigatório Nome + [ "Cooperativa", "União de Cooperativas", "Federação de Cooperativas" , "Confederação de Cooperativas" + “Limitada” ou “Ilimitada” ] ou "CRL", "CRI", "UCRL" Tabela 1 - Forma Jurídica de Constituição de Empresas

A Tabela 1 apresenta as oitos Formas Jurídicas de classificar uma empresa em Portugal. No que se refere à responsabilidade dos sócios perante os créditos da empresa (dívidas), esta pode ser adjetivada como:

 Ilimitada, isto é: todos os bens do proprietário e do seu cônjuge (se em regime de comunhão de bens) respondem perante os créditos da empresa, bem como os bens da empresa correspondem perante os créditos pessoais do proprietário;

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 Limitada, ou seja: apenas os Bens, Capital Investido, Quotas ou Ações de cada um dos responsáveis são afetos pelos valores em crédito da empresa, sendo protegido o Capital e Bens Pessoais dos Sócios;

 Mista, onde alguns sócios têm responsabilidade ilimitada e outros têm responsabilidade limitada. Exemplo: Sociedade em Comandita cada um dos sócios comanditários responde apenas pela sua entrada no capital (limitada), já os sócios comanditados respondem pelas dívidas da sociedade nos mesmos termos que a Sociedade em Nome Coletivo (ilimitada).

Assim, a Natureza Jurídica permite-nos identificar um conjunto de caraterísticas pré-existentes nas empresas como número mínimo de sócios, capital e responsabilidades. Em Portugal, por exemplo, a média referente ao período de anos de 2004 a 2015, aponta a tendência para a existência de mais empresas Individuais (acima de 60% da representação total) em relação a Sociedades, conforme apresentados os valores no Anexo A - Quantas empresas em nome individual ou sociedades existem?. Se, se tiver em consideração o Capital mais reduzido nestas empresas e a maior responsabilidade por parte do proprietário, ou seja, risco mais elevado, torna-se estritamente importante que estas empresas consigam ser mais competitivas face às empresas rivais.

Assim, identifica-se a Natureza Jurídica como um dos fatores que caracterizam as empresas.

2.2.2. Dimensão versus Recursos Humanos

Para a definição do ADN da empresa esta ainda poderá ser classificada quando à sua dimensão. A dimensão de uma empresa em Portugal está regulada pelo Código do Trabalho (Decreto Lei no 7/2009 de 12 de fevereiro do Código de Trabalho, 2009), que classifica o tipo de empresa face à sua dimensão como:

 Microempresa para empresas com menos de 10 trabalhadores;

 Pequena empresa para as que empregam de 10 a menos de 50 trabalhadores;  Média empresa se emprega de 50 a menos de 250 trabalhadores;

 Grande empresa caso empregue 250 ou mais trabalhadores.

O cálculo do número de trabalhadores a ter em consideração, na atribuição da Dimensão de uma empresa, é definido pela média do número de trabalhadores ativos no ano civil antecedente, sendo que no caso de empresas que estão a iniciar atividade o número de

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trabalhadores para a classificação corresponde ao número total de trabalhadores no dia da ocorrência do facto (Decreto Lei no 7/2009 de 12 de fevereiro do Código de Trabalho, 2009).

Podemos atribuir o identificador “Dimensão” como sendo um fator que caracteriza as empresas.

Ter conhecimento destas classificações, ajudará a traçar o genoma do “ADN” da empresa, permitindo representar o seu “aspeto físico” geral.

2.3. Classificação das empresas

As empresas são classificadas consoante o seu Código de Atividade Económica, em Portugal designado por Classificação Portuguesa de Atividades Económicas, Revisão 3 [CAE-Rev.3], elaborada pelo Instituto Nacional de Estatísticas. A representação do CAE pode ser consultada na Figura 1.

Figura 1 - Representação do CAE (INE, IP, 2007)

O CAE de uma empresa é composto por uma Letra que designa a Secção em que a empresa está inserida, por exemplo “F” corresponde a “Construção”. Dentro de uma Secção existem diferentes divisões, estas são representadas por 2 Dígitos, representando a relação entre a Divisão e a Secção, por exemplo “42” para “Engenharia Civil” e “43” para “Atividades Especializadas de Construção”. As divisões podem ainda ser subdividas, seguidas de mais um dígito que representa o Grupo, como exemplo “421 - Construção de estradas, pontes, túneis, pistas de aeroportos e vias férreas”. Este último pode ainda ser subdividido, para representar uma Classe utilizando mais um Dígito, sendo exemplo: “4211 – Construção de Estradas e Pistas de Aeroportos”. Por fim, as Classes podem ainda ser subdividas em subclasses, com a adição de mais um Dígito.

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Como resumo, da sequência de dígitos utilizados para a representação do CAE de uma empresa, elaborámos o esquema visual conforme representado na Figura 2.

Figura 2 - Esquema da representação do CAE segundo a Rev. 3

A representação com fundo a cinzento da “Secção” ilustra a possibilidade de exclusão desta na representação do CAE de uma entidade, como apresentamos no esquema da Figura 3.

Figura 3 - Esquema da representação do CAE F42110 segundo a Rev. 3

Esta representação referência a designação final para uma empresa, que faça parte do Sector de Construção, cuja Atividade Económica seja “Construção de Estradas e Pistas de Aeroportos”, sendo representada no CAE-Rev.3 pelos dígitos – “4211013” (INE, IP, 2007).

2.3.1. A importância do CAE

Ao utilizar um código para agrupar empresas dentro de sectores de atividades, o INE consegue criar estatísticas de mercado, baseando-se em fatores empresariais em comum dentro das Atividades Económicas. Este conhecimento, possibilita aos gestores terem uma retrospeção do mercado e validar tendências dentro de determinados sectores de atividade, contribuindo assim, para aumentar o conhecimento dos mesmos sobre as empresas inseridas nos mesmos ramos de atividades que as suas e face às mudanças no mercado (INE, IP, 2007), sendo exemplo a Figura 4.

13 O INE permite a ocultação da referência da Secção (Letra) para representação do CAE na Rev.3 (INE, IP, 2007). Secção 1 letra Divisão 2 digitos Grupo 1 digito Classe 1 digito SubClasse 1 digito 42 1 1 0

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Figura 4 - Estatística de empresas constituídas por Atividade Económica, em abril 2016 (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016)

O gráfico apresentado na Figura 4 representa o número total de empresas constituídas por Atividade Económica, no mês de abril de 2016, no território Português. Do gráfico é possível retirar a seguinte informação: foram constituídas 2992 empresas, no período de referência, sendo que, Transportes e Armazenagem tiveram um maior índice de constituições (criação de novas empresas), nos sectores: Comércio por grosso e retalho; Reparação de veículos automóveis e motociclos (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016).

Se a base de análise de dados tivesse apenas como referência a Constituição de Empresas, ter-se-ia concluído que este Sector (Transportes e Armazenagem) representou no mercado Português 27%14 do crescimento do mercado, face ao total das empresas que foram constituídas nesse período (abril, 2016). Porém, como podemos analisar no gráfico da Figura 5Figura 5 - Estatística de dissolução de empresas por Atividade Económica, em abril 2016 (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016), que este mercado foi um dos que teve o maior número de dissolvências de Atividade Económica, correspondeu a 34%15 do mercado total. Em termos de Balanço é possível concluir que este Sector no final do período (abril, 2016) teve um crescimento apenas de mais 25 empresas16, ou seja um crescimento aproximado de 3% face ao mercado total.

14 No período de abril de 2016 o Total de Empresas Constituídas no Sector Transportes e

Armazenagem = Total de empresas constituídas de Comércio por grosso e retalho + Total de empresas constituídas de Reparação de veículos automóveis e motociclos, ou seja 801 (720 a somar com 81). O percentil desse total representa 27% face ao Total de Empresas Constituídas (801 a dividir por 2992).

15 No período de abril de 2016 o Total de Empresas que dissolveram no Sector Transportes e

Armazenagem = Total de empresas que dissolveram no Comércio por grosso e retalho + Total de empresas que dissolveram no Reparação de veículos automóveis e motociclos, ou seja 776 (693 a somar com 83). O percentil desse total representa 34% face ao Total de Empresas Constituídas (776 a dividir por 2255).

16 Diferença entre o Total de Empresas Constituídas no Sector Transportes e Armazenagem - Total

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Figura 5 - Estatística de dissolução de empresas por Atividade Económica, em abril 2016 (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016)

O segundo gráfico (Figura 5) evidencia que o que inicialmente parecia linear, segundo as estatísticas do primeiro gráfico, isto é, que o mercado neste Sector tinha crescido, tendo surgido novas empresas na área (801 novas empresas), na visão dos Gestores nova concorrência no Sector de atividade, verificasse não ser assim tão simples de calcular, pois pela entrada de novas empresas mais a dissolvência das até então existentes, resulta que o impacto neste sector de atividade teve um incremento de apenas 3% (em relação apenas ao mês de abril), o que pode não obrigar a novas medidas estratégicas para que os Gestores garantam a competitividade das suas empresas face à concorrência.

Segundo a mesma visão e tendo por base o mesmo estilo de análise foi possível apurar que o Sector de Alojamento, restauração e similares, apesar de só ter correspondido a 424 constituições de novas empresas, com um valor de 258 empresas a dissolverem as suas Atividades, face ao mesmo período, os valores foram mais representativos, totalizando um crescimento de mais 166 empresas no mercado17. Sendo na verdade, o sector de atividade que

mais cresceu, nesse período (Instituto Nacional de Estatística, I.P., 2016).

Graças, à classificação do CAE e às estatísticas do INE, os Gestores podem:  Identificar qual a Atividade Económica principal das Empresas;

 E ajustar as suas estratégias empresariais, com bases em dados reais do mercado, enquadrar a suas empresas dentro do mercado através de Sectores de Atividade, criando estratégias e objetivos que melhor se adaptem à realidade do Mercado face ao crescimento ou diminuição no Sector.

Identifica-se assim o CAE como um dos fatores que caracterizam as empresas.

17 No período de abril de 2016 o Total de crescimento de Empresas no Sector Alojamento (116) é

igual ao Total de Empresas constituídas no Sector Alojamento (424) - Total de Empresas que dissolveram no Sector Alojamento (258).

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2.4. Organização (tipo Empresa)

2.4.1. Organização no comportamento

Chiavenato (2005) referiu que “Organização é uma unidade social conscientemente coordenada, composta de duas ou mais pessoas, que funciona de maneira relativamente contínua, com o intuito de atingir um objetivo comum.” Para Chiavenato é possível identificar a dependência dos meios humanos, para que a existência da própria organização seja exequível, porém para que os objetivos definidos sejam alcançados é necessário que exista um controlo coordenado do comportamento desses meios, para que as tarefas executadas pelos mesmos estejam de acordo com as políticas, interesses e objetivos da Organização.

Para que seja possível criar uma política de coordenação de meios, a empresa pode organizar o seu comportamento com base nas Atividades, isto é, fazendo a combinação otimizada dos meios necessários ao funcionamento da empresa, para obter o maior rendimento de capital e do trabalho ao mínimo custo, ou com base na sua Estrutura, ou seja, no conjunto de relações existentes entre os vários órgãos (direção, gestão e execução) da unidade económica e as ligações hierárquicas, que se verificam nos responsáveis por cada órgão da empresa. Ao longo de tempo, as doutrinas sobre as organizações das empresas têm evoluindo relativamente ao comportamento organizacional das mesmas. Esta evolução dividiu-se sensivelmente em três fases (Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, 1948): a fase Teocrática em que autoridade vinha de Deus; a fase Empírico-prática onde tudo se aplicava pela experiência; e a fase Científica que surgiu nos finais do século XIX dando origem às Teorias Administrativas (Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, 1948). Se as doutrinas da administração evoluíram, as Teorias Administrativas também foram evoluindo consoante novos autores, tais como Taylor ou Drucker, iam apresentando novas visões sobre Administração e Gestão de Empresas face ao Comportamento Organizacional e as Relações Humanas. Nascendo assim, novas Teorias conforme apresentado na Figura 6.

Figura 6 - Cronologia das Teorias da Administração

Esta cronologia foi elaborada para identificar as datas em que cada Teoria foi apresentada, conforme recolhido e mencionado nas publicações Introdução à teoria geral da

Ano 1903 1909 1916 1932 1947 1951 1953 1954 1957 1962 1972 1990 TeoriaAdministração Científica Da Burocracia Clássica da Administração Das Relações

Humanas Estruturalista Dos Sistemas Abordagem Sociotécnica Neoclássica da AdministraçãoComportamental Desenvolvimento Organizacional Da Contingência Novas Abordagens

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administração (Chiavenato, 1993), Teoria Geral da Administração (Caravantes G. R., 2003), Teorias administrativas e Organização do Trabalho: de Taylor aos dias atuais, influências no setor da saúde e na enfermagem (Matos & Pires, 2006) e Teoria Geral da Administração

(Bonomo, 2009). Das teorias referidas foram selecionadas as quatro que tiveram maior impacto na mudança do comportamento humano e das relações humanas, nomeadamente:

 Teoria da Administração Científica (Taylor);  Teoria dos Princípios da Administração (Fayol);  Teoria das Relações Humanas (Elton Mayon e Lenon)  Teoria Neoclássica da Administração (Peter Drucker).

No Anexo B - Quadro Teorias da Administração, está apresentado um quadro síntese com todas as teorias mencionadas na cronologia (Figura 6) e suas implicações na Organização das empresas.

2.4.1.1. Teoria da Administração Científica de Taylor

Esta teoria dá ênfase às tarefas, racionalizando o trabalho a nível operacional. Os seus principais objetivos são: alcançar a extrema divisão do trabalho; e a racionalização dos movimentos dos operários, por forma a eliminar gestos desnecessários e diminuir os tempos de execução das tarefa. Segundo Taylor (1919) os subordinados estavam dependentes, ao mesmo tempo, de vários supervisores, onde cada supervisor está limitado a um conhecimento muito restrito da tarefa a executar. Esta abordagem permitia supervisionar de forma eficaz os colaboradores, permitindo reduzir os custos de formação dos colaboradores, bem como os custos resultantes de erros de execução de tarefas, fugas e perdas. Cada colaborador deveria executar uma tarefa simples em linha de montagem, conduzindo à automatização dos colaboradores, sendo incentivado, através da renumeração correspondente ao seu esforço, isto é, por cada peça que tenha executado. Apesar da redução de custos, esta abordagem, apresenta uma visão redutora da natureza humana, vendo o Homem apenas como uma peça de uma máquina, que é programado para determinados gestos, executados a determinada velocidade, não considerando o impacto das influências do meio ambiente e outras motivações para o colaborador, além da motivação por renumeração (Colding, 2008).

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2.4.1.2. Teoria dos Princípios da Administração de Fayol

Fayol possuía uma visão anatómica do trabalho, ou seja, analisava as empresas que considerava bem geridas e daí retirava conhecimento. A sua ênfase era baseada na estrutura, definindo uma organização formal e funções administrativas. O seu objetivo era alcançar a eficiência, aprimorando a organização da estrutura, levando ao aumento da eficiência (Scheffler, 2013). Em suma, Fayol defendia uma estrutura linear, com uma unidade de comando, ou seja, em que um colaborador só recebe ordens de uma pessoa e considerava que as empresas com maior divisão de trabalho seriam mais eficientes. A estrutura hierárquica de Fayol centraliza a autoridade no tempo e define cinco funções dentro da empresa: Função Técnica (responsável pela produção de bens e serviços); Função Comercial (gestão de compras e vendas); Função Financeira (gestão da procura e gestão de capitais); Função de Segurança (visa a proteção de bens e segurança de pessoas); e Função Contabilística (gestão e controlo de registos, inventários, balanços, custos e estatísticas). Assim, esta teoria é uma tentativa de estabelecer receitas de administração, porém com uma abordagem demasiado simplificada da organização da empresa (Fayol, 1989).

2.4.1.3. Teoria das Relações Humanas de Elton Mayo e Lennon – Teoria Psicossociológica

Se Taylor defendia o aumento da eficiência através do aumento do nível das operações e Fayol pela forma de disposição dos órgãos dentro da empresa, já Elton Mayo e Lennon defendem que a ênfase deverá ser dada às pessoas, apresentando a Teoria das Relações Humanas de Elton Mayo e Lennon. Esta teoria tem por objetivo humanizar e democratizar a administração como consequência das ciências humanas (sociologia e psicologia) (Wood & Wood, 2004). A empresa passa a ser vista como uma organização de grupos sociais informais. Motiva-se os colaboradores, através da existência de relações humanas, dentro da empresa, passando a considerasse que a natureza do colaborador tem muita importância na satisfação do mesmo e, portanto, na sua produtividade (Caravantes, 2003, pp 53-56). A ênfase é dada às pessoas, dando-lhes autonomia e transmitindo confiança. Assim, esta teoria considera o colaborador como uma pessoa, valorizando o trabalho humano, contudo tem uma ideia ingénua dos operários, pois considera o individuo como um ser constantemente feliz e integrado no grupo, o que nem sempre é verdade, além de atribuir demasiada importância aos grupos informais (Bertero, 1968).

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2.4.1.4. Teoria Neoclássica da Administração de Peter Drucker

Peter Drucker remodelou a teoria clássica em conjunto da Teoria das Relações Humanas, para criar a Teoria Neoclássica. O objetivo desta teoria, passa por a empresa ser eficiente reduzindo o custo ao máximo e eficaz para alcançar os objetivos traçados. As principais caraterísticas desta teoria baseiam-se na ênfase aos aspetos práticos da administração, ou seja, preocupação com os resultados e à adaptação da teoria clássica à realidade, isto é: adaptação do organograma e da estrutura formal. Assim, a Teoria Neoclássica, pretende juntar o que de melhor há das teorias anteriores (Drucker, 1986).

2.4.1.5. Atualidade

Atualmente, qualquer Teoria sobre Administração deve ter em atenção a interação de cinco variáveis: Tarefas, Pessoas, Tecnologia, Ambiente e Estruturas (Bonomo, 2009). O desenvolvimento exponencial da tecnologia a par com a globalização, veio implicar um forte aumento da concorrência, lançando muitas empresas para a crise. As fórmulas de sucesso do passado recente, duram menos tempo e caiem por terra com maior frequência. Apenas alterando a visão tradicional de pensar numa organização, para que todos os membros envolvidos na empresa estejam envolvidos na gestão e criando condições que para que todas as pessoas na organização sejam criativas e inovadoras, é que se consegue alcançar o sucesso. O novo colaborador, não será encarado mais como uma peça de mão-de-obra, mas como uma pessoa inteligente, cada vez mais autónoma, que sabe o que fazer (what-to-do), como fazer

(how-to-do) e mais importante o porquê de o fazer (why-to-(how-to-do) (Bonomo, 2009).

Contudo, este novo caminho acata novos desafios e riscos para a gestão, sendo preciso revolucionar a cultura empresarial para alcançar este “novo” tipo de colaborador. A negociação dos Indicadores-Chave de Desempenho (KPI) e da bonificação do cumprimento dos mesmos, entre os Gestores e os Colaboradores permite satisfazer os objetivos de ambos e motivar o colaborador a ser mais produtivo, bem como acompanhar a evolução da sua própria produtividade. Estes indicadores são um referencial de produtividade da própria empresa, funcionando como um meio de comunicação entre os Gestores e Colaboradores, para que estes últimos possam identificar qual a visão, missão e objetivos a serem cumpridos na empresa e quais os seus papéis perante a mesma. Resumidamente, a utilização de KPIs permite a criação de medidas quantificáveis (individuais e/ou globais), que descrevem os objetivos definidos pela empresa, permitindo aos Gestores verificar se estes estão a ser cumpridos. Uma baixa taxa de cumprimento de KPIs numa empresa, com a premissa de que estes foram bem estruturados,

Referências

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